UC03489

Reconhecer patologias nos sistemas do corpo humano

Sinais de alerta, patologias frequentes e o limite entre reconhecer e diagnosticar

Curso de saúde e apoio à comunidade · 50h · Farmácia, Termalismo, Apoio à Família e à Comunidade

Plano

  1. Reconhecer, não diagnosticar
  2. Diabetes mellitus
  3. Hipertiroidismo e hipotiroidismo
  4. Obesidade e dislipidemia
  5. Hipertensão arterial
  6. Insuficiência cardíaca
  7. Anemia
  8. Doenças trombovenosas
  9. Asma e DPOC
  10. Gripe
  11. Ansiedade e depressão
  12. Doença de Parkinson e Alzheimer
  13. Infeções vaginais
  14. Próstata e disfunção erétil
  15. Sinais de alerta e encaminhamento

Bloco 1 · Reconhecer, não diagnosticar

A fronteira da tua profissão

Reconhecer é associar sinais e sintomas a um padrão conhecido, sem confirmar como facto clínico. É triagem, não decisão clínica.

  • Sinal: o que se observa ou mede (tensão de 165/98 mmHg, um edema).
  • Sintoma: o que a pessoa relata ("sinto muita sede", "custa-me respirar").
  • Sinal de alerta: exige encaminhamento urgente, não só uma sugestão de consulta.

Nunca diagnosticas, nunca prescreves, nunca desvalorizas uma queixa "para não alarmar".

Terminologia anatómica e a quem encaminhar

Usar a nominação e a terminologia anatómica correta é um critério de desempenho da UC, não um pormenor.

Sistema Zona
Cardiovascular tórax, todo o corpo
Respiratório tórax
Endócrino pescoço, abdómen
Nervoso crânio, coluna

Canais de encaminhamento: médico de família, SNS 24 (808 24 24 24), 112 (emergência), farmácia comunitária.

Bloco 2 · Diabetes mellitus

Enquadramento e sinais

A diabetes é uma doença crónica: falta de insulina (tipo 1) ou má utilização da insulina (tipo 2, a mais comum).

Regra dos três P: poliúria, polidipsia, polifagia, muitas vezes com perda de peso e fadiga.

Glicemia em jejum Classificação
< 100 mg/dL Normal
100 a 125 mg/dL Pré-diabetes
≥ 126 mg/dL Diabetes (confirmar)

Terapêutica e intervenção da farmácia

Não farmacológica: alimentação equilibrada, exercício, controlo de peso, cessação tabágica.

Farmacológica: antidiabéticos orais (ex.: biguanidas) e insulina, sem nomes comerciais.

Intervenção: medir glicemia capilar, reforçar adesão e técnica de administração de insulina, reconhecer hipoglicemia (tremor, suores frios, confusão) e hiperglicemia (sede, urinar muito).

Exemplo resolvido · sinal de hipoglicemia

Utente idoso, medicado com insulina, entra na farmácia com suores frios, tremor e discurso confuso. Não come há mais de seis horas.

Quadro compatível com hipoglicemia. Procedimento: dar açúcar de absorção rápida (sumo, água com açúcar), sentar e vigiar. Sem melhoria em poucos minutos, ou perda de consciência: 112.

Não se "diagnostica diabetes descompensada": reconhece-se um sinal de alerta agudo e age-se segundo o protocolo.

Bloco 3 · Hipertiroidismo e hipotiroidismo

Duas faces da tiroide

A tiroide regula o metabolismo via T3/T4, controladas pela TSH.

Sinal Hipertiroidismo Hipotiroidismo
Ritmo cardíaco acelerado lento
Peso perde ganha
Temperatura intolerância ao calor intolerância ao frio
Energia agitação fadiga

Causas mais comuns: doença de Graves (hiper) e tiroidite de Hashimoto (hipo), ambas autoimunes.

Terapêutica e intervenção

Hipotiroidismo: reposição com levotiroxina, em jejum.
Hipertiroidismo: antitiroideus, iodo radioativo ou cirurgia em casos selecionados.

Intervenção: reforçar toma em jejum, trinta minutos antes do pequeno-almoço; alertar para interações com cálcio e ferro; reconhecer descompensação súbita como sinal de encaminhamento.

Bloco 4 · Obesidade e dislipidemia

Obesidade: IMC e perímetro abdominal

IMC (kg/m²) Classificação
25 a 29,9 Pré-obesidade
30 a 34,9 Obesidade grau I
≥ 40 Obesidade grau III

Perímetro abdominal de risco: > 102 cm no homem, > 88 cm na mulher.

Terapêutica: reeducação alimentar e atividade física primeiro; fármacos e cirurgia bariátrica em casos selecionados.

Dislipidemia: gorduras no sangue

Assintomática, detetada em análises. Valores de referência: colesterol total < 190 mg/dL; HDL > 40 (homem) / > 45 (mulher) mg/dL; triglicerídeos < 150 mg/dL.

Terapêutica: dieta, exercício, e estatinas (classe) para reduzir o LDL.

Intervenção: reforçar adesão à estatina (muitas vezes sem sintomas percetíveis), vigiar dores musculares, nunca aconselhar suspensão por iniciativa própria.

Bloco 5 · Hipertensão arterial

O assassino silencioso

Frequentemente assintomática, só detetável pela medição.

Categoria Sistólica Diastólica
Ótima < 120 < 80
Normal alta 130 a 139 85 a 89
HTA grau 1 140 a 159 90 a 99
HTA grau 3 ≥ 180 ≥ 110

Crise hipertensiva: > 180/120 mmHg com sintomas (dor de cabeça intensa, alterações da visão) = sinal de alerta.

Medir bem e intervir

Terapêutica: redução de sal, exercício, peso, álcool e tabaco; diuréticos, IECA, ARA, bloqueadores de canais de cálcio e betabloqueadores.

Medição correta: utente sentado, em repouso cinco minutos, braço à altura do coração, sem conversar.

Intervenção: reforçar adesão (medicação para toda a vida em muitos casos), reconhecer crise hipertensiva como sinal de alerta imediato.

Exemplo resolvido · medir a tensão corretamente

Utente chega apressado da rua, quer a tensão medida já.

Procedimento correto: sentar, costas apoiadas, pés no chão, repousar cinco minutos, braçadeira à altura do coração, sem conversar durante a medição.

Se o valor sair elevado num utente agitado, repete-se após descanso maior antes de considerar representativo.

Uma medição mal feita alarma sem motivo, ou pior, tranquiliza quando não devia.

Bloco 6 · Insuficiência cardíaca

Quando o coração já não bombeia bem

Sintomas: dispneia (esforço e depois repouso), edema periférico, fadiga, ortopneia (falta de ar deitado, melhora sentado) e dispneia paroxística noturna.

Classificação NYHA: I (sem limitação) a IV (sintomas em repouso).

Causas frequentes: HTA mal controlada, doença coronária, valvulopatias.

Terapêutica e vigilância

Terapêutica: restrição de sal e líquidos, pesagem diária, IECA/ARA, betabloqueadores e diuréticos.

Intervenção: ensinar a pesar-se todos os dias e reconhecer aumento súbito de peso (> 2 kg em dois ou três dias) como retenção de líquidos a reportar; agravamento da dispneia ou edema = contactar médico, se grave e súbito, 112.

Bloco 7 · Anemia

Menos oxigénio a chegar aos tecidos

Hemoglobina abaixo de 13 g/dL (homem) ou 12 g/dL (mulher). Causa mais comum: carência de ferro.

Sintomas: fadiga, palidez, dispneia de esforço, tonturas, palpitações.

Terapêutica: alimentação rica em ferro, tratar a causa subjacente (hemorragias, menstruações abundantes); suplementação oral de ferro.

Intervenção da farmácia

Aconselhar a toma de ferro com vitamina C (melhora absorção), afastada de café, chá ou lacticínios (reduzem absorção).

Alertar para efeitos adversos benignos: obstipação, fezes escuras.

Encaminhar se fadiga muito marcada ou sinais de hemorragia.

Fatores de risco e sinais adicionais

Fatores de risco cardiovascular globais a ter sempre em mente: idade, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso, história familiar, diabetes e dislipidemia associadas.

Muitas destas dezoito patologias partilham fatores de risco e aparecem em conjunto na mesma pessoa: uma anemia pode mascarar sintomas cardíacos, uma dislipidemia mal controlada agrava a hipertensão.

Olhar o utente como um todo, não patologia a patologia isolada, é rigor clínico aplicado ao teu nível de intervenção.

Bloco 8 · Doenças trombovenosas

Varizes, tromboflebite e TVP

  • Varizes: veias dilatadas, sensação de peso e cansaço nas pernas.
  • Tromboflebite superficial: cordão endurecido, doloroso, avermelhado.
  • Trombose venosa profunda (TVP): edema unilateral, dor, calor e rubor. A mais grave: risco de embolia pulmonar.

Dor torácica súbita + dificuldade respiratória súbita, com fatores de risco = sinal de alerta máximo.

Prevenção e intervenção

Terapêutica: meias de compressão, elevação dos membros, evitar imobilização prolongada; anticoagulantes na TVP, sob vigilância médica.

Intervenção: aconselhar e ajustar meias de compressão; reforçar prevenção em viagens longas e gravidez; reconhecer edema unilateral súbito e doloroso como sinal de alerta.

Bloco 9 · Asma e DPOC

Duas doenças respiratórias distintas

Característica Asma DPOC
Início infância/juventude adultos, fumadores
Padrão episódios, períodos livres contínuo, progressivo
Reversibilidade geralmente reversível parcial
Fator de risco alergias tabagismo

Asma: sibilos, tosse, aperto torácico. DPOC: tosse crónica, expetoração, dispneia progressiva.

Terapêutica e técnica inalatória

Asma: broncodilatadores de alívio rápido + corticosteroides inalados de controlo diário.
DPOC: cessação tabágica (a medida mais importante), broncodilatadores de longa duração, oxigenoterapia em fases avançadas.

Intervenção: ensinar técnica inalatória correta (agitar, expirar, inalar devagar, reter a respiração); câmara expansora em crianças e idosos; reconhecer crise grave (frases incompletas, cianose) = 112.

Bloco 10 · Gripe

Gripe vs constipação comum

Característica Constipação Gripe
Início gradual súbito
Febre rara ou ligeira alta e frequente
Dores musculares ligeiras intensas
Fadiga ligeira marcada, semanas

Vírus influenza, sazonal, contagiosa por gotículas respiratórias.

Terapêutica e vacinação

Terapêutica: repouso, hidratação, isolamento inicial; antipiréticos e analgésicos; antivirais só em grupos de risco, sob indicação médica.

Intervenção: promover ativamente a vacinação anual, sobretudo em idosos e doentes crónicos; reconhecer sinais de alarme (dificuldade respiratória, febre > 3 dias, agravamento) = SNS 24 (808 24 24 24).

Exemplo resolvido · confusão súbita numa visita domiciliária

Técnica de apoio à família encontra uma utente com Alzheimer muito mais confusa do que o habitual, de um dia para o outro.

O Alzheimer evolui devagar, ao longo de meses e anos. Uma alteração tão rápida não é típica da doença: é, em si, um sinal de alerta.

Causas frequentes: infeção urinária, desidratação, efeito de medicação.

Procedimento correto: não assumir "é a doença a avançar", relatar à família e contactar o médico ou o SNS 24.

Bloco 11 · Ansiedade e depressão

Perturbações de ansiedade

Preocupação excessiva e difícil de controlar, tensão muscular, insónia, palpitações, sudorese.

Ataque de pânico: episódio súbito e intenso de medo, pode confundir-se com problema cardíaco.

Terapêutica: psicoterapia (cognitivo-comportamental), relaxamento, exercício; ansiolíticos (benzodiazepinas, curta duração) e antidepressivos, sempre prescritos por médico.

Depressão: sinal de alerta máximo

Humor deprimido persistente, anedonia, alterações de sono e apetite, fadiga, e em casos graves, ideação suicida.

Qualquer menção a ideação suicida, direta ou indireta, é sinal de alerta máximo: encaminhamento imediato.

Intervenção: reforçar que o antidepressivo demora semanas a fazer efeito; atenção redobrada em idosos isolados, onde a depressão é subdiagnosticada.

Bloco 12 · Parkinson e Alzheimer

Doença de Parkinson

Quatro sinais motores cardinais: tremor de repouso, rigidez, bradicinesia (lentidão), instabilidade postural.

Terapêutica: fisioterapia; levodopa (classe de reposição de dopamina).

Intervenção: adesão rigorosa aos horários, um atraso pode significar horas de rigidez ("off"); apoio ao cuidador; atenção ao risco de quedas.

Doença de Alzheimer

Perda progressiva de memória recente, desorientação, dificuldade em encontrar palavras.

Terapêutica: estimulação cognitiva, rotinas e ambientes familiares; fármacos que podem atrasar sintomas, sem cura.

Intervenção: gestão da medicação com pastilheiro; confusão súbita não é progressão normal, é sinal de alerta (infeção urinária, desidratação) a reportar.

Bloco 13 · Infeções vaginais

Três infeções, três quadros distintos

Infeção Corrimento Sintoma dominante
Vaginose bacteriana acinzentado, fino odor a peixe
Candidíase vulvovaginal esbranquiçado, grumoso prurido intenso
Tricomoníase (IST) amarelo-esverdeado irritação, odor

Terapêutica: antifúngicos (candidíase), antibióticos (vaginose e tricomoníase, sempre com receita).

Quando aconselhar, quando encaminhar

Aconselhamento adequado: primeiro episódio típico de candidíase.

Encaminhar sempre: episódios recorrentes, sintomas atípicos, gravidez, dúvida sobre a causa.

O tratamento errado atrasa o diagnóstico correto e pode agravar o quadro.

Bloco 14 · Próstata e disfunção erétil

Hipertrofia benigna da próstata

Aumento não canceroso da próstata: dificuldade a iniciar a micção, jato fraco, noctúria, esvaziamento incompleto.

Terapêutica: alfa-bloqueadores e inibidores da 5-alfa-redutase.

Sinais de alerta: retenção urinária aguda (incapacidade total de urinar, dor abdominal baixa intensa) e sangue na urina, avaliação urgente.

Disfunção erétil

Incapacidade persistente de obter ou manter ereção. Frequentemente sinal precoce de doença cardiovascular.

Associa-se a diabetes, hipertensão e dislipidemia.

Intervenção: discrição e sem julgamento; episódio isolado não é preocupante; queixas persistentes justificam avaliação médica.

Bloco 15 · Sinais de alerta e encaminhamento

O quadro geral de encaminhamento

Situação Canal
Queixa ligeira, sem urgência farmácia / aconselhamento
Sintomas persistentes médico de família
Dúvida sobre gravidade SNS 24, 808 24 24 24
Sinal de alerta grave 112

Sinais de alerta transversais: dor torácica súbita, dificuldade respiratória súbita, confusão súbita, ideação suicida, hematúria, edema unilateral.

Rigor, ética e limite profissional

As atitudes do referencial resumem o que se espera de ti: responsabilidade, rigor, sentido crítico, sentido analítico e resiliência.

Reconheces sinais, usas a terminologia certa, respeitas a saúde e o bem-estar do utente, e encaminhas sempre que a situação ultrapassa a tua competência.

Nunca diagnosticar. Nunca prescrever. Nunca desvalorizar um sinal de alerta.

Exemplo resolvido · o mesmo sintoma, três contextos

"Custa-me respirar", dito por três utentes diferentes:

  • Numa farmácia, num asmático conhecido em crise: sibilos, frases incompletas. Sinal de alerta, 112.
  • Numa unidade termal, num idoso com insuficiência cardíaca, ao deitar-se para um tratamento: ortopneia, ajustar o plano e informar o médico assistente.
  • No apoio domiciliário, após uma imobilização prolongada, com dor numa perna: possível embolia pulmonar, urgência máxima.

O mesmo sintoma, três encaminhamentos diferentes: o contexto e a história da pessoa é que decidem, não o sintoma isolado.

Recapitulando

  • Reconhecer não é diagnosticar: identificas sinais, relacionas com padrões, encaminhas.
  • Dezoito patologias, oito sistemas: endócrino, cardiovascular, hematológico e vascular, respiratório, infecioso, mental, nervoso, genito-urinário.
  • Cada patologia: enquadramento, características clínicas, terapêutica (nunca por nome comercial) e intervenção concreta.
  • Sinais de alerta transversais exigem encaminhamento imediato, seja na farmácia, no termalismo ou no apoio domiciliário.

Próximo: fichas e mini-projecto, aplicar o reconhecimento a casos reais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta distinção repete-se em todos os blocos seguintes, é o fio condutor de toda a UC - erro comum: alunos que, com boa intenção, tentam "tranquilizar" dizendo o que a pessoa "provavelmente tem" - exemplo/analogia: o vigilante de praia reconhece perigo e aciona quem está preparado para agir, sem ele próprio fazer o salvamento clínico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "dor na barriga" vs "dor no quadrante inferior direito do abdómen", a precisão muda a comunicação com outros profissionais - erro comum: usar sempre o 112 para tudo, ou nunca o usar; treinar quando cada canal é o adequado - exemplo/analogia: a terminologia anatómica como o "código postal" da queixa, sem ele a mensagem perde-se

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: repetir em voz alta "poliúria, polidipsia, polifagia" ajuda a fixar - erro comum: confundir hiperglicemia com hipoglicemia nos sintomas - exemplo/analogia: a insulina como a "chave" que abre a porta da célula à glicose

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: hipoglicemia é urgência imediata, dar açúcar de absorção rápida e vigiar - erro comum: aconselhar ajuste de dose de insulina; isso é ato médico, nunca do técnico auxiliar - exemplo/analogia: cuidados com os pés na diabetes, pequenas feridas que não cicatrizam bem, daí a vigilância redobrada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este exemplo mostra na prática a diferença entre reconhecer e diagnosticar - erro comum: hesitar a dar açúcar por medo de "estar errado", o risco de agir é muito menor que o de não agir - exemplo/analogia: comparar com o protocolo de primeiros socorros, ação rápida e protocolada, não deliberação clínica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: contraste direto entre as duas colunas da tabela fixa melhor do que ler cada uma isolada - erro comum: trocar hipertiroidismo com hipotiroidismo por os nomes serem parecidos - exemplo/analogia: o metabolismo como um "acelerador", tiroide a mais acelera tudo, a menos trava tudo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: horário rigoroso da levotiroxina é o erro de adesão mais frequente - erro comum: tomar suplementos de cálcio ou ferro ao mesmo tempo, reduz a absorção - exemplo/analogia: a levotiroxina como "gasolina em falta no depósito", sem ela o motor não anda bem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o perímetro abdominal pode assinalar risco mesmo com IMC normal, gordura visceral - erro comum: reduzir a obesidade a "falta de força de vontade", é multifatorial - exemplo/analogia: numa unidade termal, programas de bem-estar como complemento, nunca substituto do acompanhamento médico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a dislipidemia é silenciosa, daí o risco de abandono da terapêutica - erro comum: achar que "colesterol alto" é só alimentar, há componente genético (hipercolesterolemia familiar) - exemplo/analogia: obesidade e dislipidemia partilham fatores de risco com diabetes e HTA, raramente vêm sozinhas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maioria não "sente" a tensão alta, por isso a medição regular é essencial, não a queixa - erro comum: assumir que sem sintomas está tudo bem - exemplo/analogia: comparar a tabela com um semáforo, verde a vermelho, para fixar a gravidade crescente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: demonstrar a técnica de medição correta na sala se houver equipamento disponível - erro comum: medir logo que a pessoa chega, sem os cinco minutos de repouso, o valor sai inflacionado - exemplo/analogia: crise hipertensiva com sintomas é tão urgente como uma dor torácica, tratar com a mesma prioridade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: demonstrar a sequência passo a passo, se possível com o esfigmomanómetro em mãos - erro comum: medir logo que a pessoa entra, sem os cinco minutos de repouso - exemplo/analogia: comparar com pesar-se logo depois de correr, o valor não reflete o estado habitual

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ortopneia é um sinal muito característico, vale a pena repetir a definição - erro comum: confundir edema por má circulação venosa com edema de insuficiência cardíaca, contexto e sintomas associados distinguem - exemplo/analogia: o coração como bomba que perde eficácia, o corpo compensa até já não conseguir

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pesagem diária como ferramenta de deteção precoce de descompensação, simples e eficaz - erro comum: esperar que a pessoa "sinta-se pior" antes de agir, muitas vezes o peso sobe antes dos sintomas se agravarem - exemplo/analogia: útil em apoio domiciliário, a balança de casa como instrumento de vigilância clínica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a anemia é um sinal, procurar sempre a causa, não só tratar o sintoma - erro comum: assumir que toda a anemia é por falta de ferro na dieta, pode haver perda de sangue a investigar - exemplo/analogia: a hemoglobina como os "camiões de transporte" de oxigénio, com menos camiões o transporte falha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: horário da toma de ferro é um erro de adesão muito comum, treinar com exemplos práticos - erro comum: assustar-se com fezes escuras sem explicar que é efeito adverso esperado e benigno - exemplo/analogia: sumo de laranja junto com o comprimido de ferro, truque simples e eficaz

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a visão integrada do utente evita encaminhamentos parciais que deixam outros sinais por reconhecer - erro comum: focar só na queixa que o utente traz e ignorar sinais associados que ele nem mencionou - exemplo/analogia: como um mecânico que, ao ouvir um barulho no motor, verifica também os travões, o sistema é um só

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a gravidade crescente das três condições é o ponto-chave deste bloco - erro comum: banalizar "pernas inchadas" sem perguntar se é bilateral (mais comum, menos grave) ou unilateral (sinal de alerta) - exemplo/analogia: o coágulo que viaja até ao pulmão como uma "rolha" a bloquear a circulação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: viagens longas e imobilização são perguntas-chave a fazer perante queixa de perna inchada - erro comum: não perguntar sobre lateralidade (uma perna vs as duas), diferença essencial - exemplo/analogia: em contexto termal, hidroterapia como complemento à circulação, sempre articulado com indicação médica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a tabela comparativa resolve a confusão mais comum entre estas duas patologias - erro comum: achar que toda a falta de ar num fumador é DPOC, pode coexistir asma - exemplo/analogia: pulmões na DPOC como "balões que perderam elasticidade"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: demonstrar a técnica inalatória com um dispositivo placebo se disponível na sala - erro comum: um inalador mal usado perde grande parte da dose, o erro mais comum é não expirar antes de inalar - exemplo/analogia: a vacinação anual da gripe e a pneumocócica como escudo extra na DPOC

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: início súbito é a chave para distinguir gripe de constipação - erro comum: banalizar a gripe em idosos, é causa frequente de agravamento de doenças crónicas nesta faixa etária - exemplo/analogia: constipação como "maré que sobe devagar", gripe como "onda que rebenta de repente"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: apoio domiciliário a idosos exige vigilância redobrada, risco de complicações respiratórias - erro comum: aconselhar antiviral por iniciativa própria, é sempre decisão médica - exemplo/analogia: a etiqueta respiratória (tossir para o cotovelo) como gesto simples de grande impacto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: distinguir progressão lenta e esperada de alteração súbita é o ponto central deste exemplo - erro comum: atribuir tudo à "doença de base" sem investigar causas agudas sobrepostas - exemplo/analogia: comparar com um computador que "trava" de repente, procura-se a causa, não se assume avaria total

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca aconselhar benzodiazepinas sem receita, risco de dependência - erro comum: confundir um ataque de pânico com um problema cardíaco, ambos têm palpitações e dificuldade respiratória - exemplo/analogia: a respiração controlada como "travão de mão" num ataque de pânico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o protocolo de resposta a ideação suicida deve ficar automático, sem hesitação - erro comum: achar que perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas "planta a ideia", a evidência mostra o contrário - exemplo/analogia: em idosos, depressão disfarçada de queixas físicas ("estou sempre cansado"), não desvalorizar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os períodos "off" mostram o impacto concreto de um atraso na toma - erro comum: achar que basta tomar a medicação "por volta da hora", a janela horária é rígida - exemplo/analogia: a levodopa como a "carga" que falta, sem ela o "telemóvel desliga"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: distinguir progressão lenta e esperada de alteração súbita, ponto central deste bloco - erro comum: atribuir tudo à "doença de base" sem investigar causas agudas sobrepostas - exemplo/analogia: área central do trabalho do técnico de apoio à família, no acompanhamento diário

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a tabela funciona como "cartas de jogo" a comparar lado a lado - erro comum: tratar tudo como candidíase, o tratamento errado não resolve vaginose nem tricomoníase - exemplo/analogia: higiene íntima sem excesso, evitar duches vaginais e produtos agressivos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: recorrência é a palavra-chave que muda a decisão de aconselhar para encaminhar - erro comum: aconselhar em gravidez sem confirmar antes com o médico - exemplo/analogia: comparar com um semáforo, verde para aconselhar, amarelo/vermelho para encaminhar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: retenção urinária aguda é uma urgência, não esperar - erro comum: confundir HBP com cancro da próstata só pelos sintomas, é a avaliação médica (PSA, toque retal) que distingue - exemplo/analogia: a próstata aumentada como um "aperto" na mangueira da uretra

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o dado que mais surpreende os alunos, sinal cardiovascular precoce, vale a pena repetir - erro comum: tratar o tema com desconforto visível, prejudica a comunicação com o utente - exemplo/analogia: os vasos pequenos do pénis como "canário na mina", avisam antes dos vasos maiores

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta tabela resume toda a UC, vale a pena entregar como cola de consulta - erro comum: usar sempre o mesmo canal (112 para tudo, ou nunca 112), calibrar caso a caso - exemplo/analogia: comparar com um mapa de triagem hospitalar, cores por gravidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: fechar a UC repetindo as três regras de ouro, ficam a soar na cabeça do aluno - erro comum: achar que "já sei disto tudo" dispensa o encaminhamento, a humildade profissional é central - exemplo/analogia: o técnico auxiliar como o primeiro elo de uma corrente de cuidados, não o último

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este slide junta os três percursos profissionais da UC (farmácia, termalismo, apoio à família) num único fio condutor - erro comum: reagir sempre da mesma forma ao mesmo sintoma, sem olhar ao contexto e à história clínica da pessoa - exemplo/analogia: o mesmo alarme de fumo soa igual numa cozinha e num quarto, o que muda é a ação a seguir