UC03460

Executar operações de manutenção de máquinas florestais de abate e processamento (harvester, escavadora com cabeça processadora, feller buncher)

Constituição, plano de manutenção, afiação do órgão de corte, deteção de avarias e segurança nas intervenções

Curso profissional · 50h · Técnico de Máquinas Florestais

Plano

  1. Máquinas de abate e processamento
  2. Constituição e funcionamento
  3. Pontos de segurança e dispositivos de proteção
  4. Sistema hidráulico: bombas e funcionamento
  5. Sistema de transmissão
  6. Comandos e painel de instrumentos
  7. Gruas e cabeças de corte ou multifunções
  8. Órgãos de corte: corrente, disco, tesoura, lâmina
  9. Manual de instruções e plano geral de manutenção
  10. Manutenção preventiva: lubrificação e níveis
  11. Manutenção preventiva: filtros e calibragens
  12. Manutenção do órgão de corte
  13. Deteção e resolução de avarias
  14. Registo de intervenções e de avarias
  15. Segurança nas intervenções de manutenção

Bloco 1 · Máquinas de abate e processamento

Três máquinas, uma lógica comum

  • Harvester: máquina dedicada, abate, desrama e traça a árvore num único ciclo.
  • Escavadora com cabeça processadora: a mesma cabeça montada num chassis de escavadora giratória, com mais alcance e rotação de torre.
  • Feller buncher: só abate e agrupa árvores, sem processar; cabeça de disco rotativo ou de tesoura de cisalhamento.
  • Tesoura de corte de árvores: ferramenta isolada, para abate seletivo de menor diâmetro.

Relacionar a máquina com a operação que executa é a primeira aptidão do referencial: identificar as características técnicas e o modo de funcionamento de cada uma é o que sustenta toda a manutenção que se segue nos blocos seguintes.

Comparar as três máquinas

Máquina Função Cabeça Uso típico
Harvester abate + desrama + traçamento processadora dedicada toros curtos
Escavadora processadora abate + desrama + traçamento processadora em escavadora desbastes seletivos, alcance
Feller buncher (disco) só abate + agrupamento disco rotativo árvores de diâmetro médio
Feller buncher (tesoura) só abate + agrupamento tesoura de cisalhamento árvores menores, sem faíscas

Escolher entre disco e tesoura é, entre outros fatores, uma questão de risco de incêndio: a tesoura não produz faíscas.

Bloco 2 · Constituição e funcionamento

Três domínios de componentes

  • Elétricos: bateria, alternador, ECU/computador de bordo, sensores, cablagem.
  • Hidráulicos: bomba(s), motores hidráulicos, cilindros, válvulas, reservatório, filtros.
  • Mecânicos: motor diesel, transmissão, estrutura da grua, cabeça, cabine com ROPS/FOPS.

Os três domínios trabalham em simultâneo num único ciclo de corte: uma avaria em qualquer um pára o ciclo inteiro.

Componentes por domínio, em detalhe

  • Elétrico: sensores de pressão, temperatura, posição dos rolos; luzes de trabalho.
  • Hidráulico: válvulas de comando e de segurança, radiador/permutador, mangueiras com acopladores rápidos.
  • Mecânico: caixa de velocidades, eixos, sistema de lagartas, facas de desrama, corrente ou disco de corte.

Um técnico de manutenção domina os três domínios, não só o mecânico.

Bloco 3 · Pontos de segurança e proteção

Dispositivos de proteção

  • ROPS/FOPS: proteção contra capotamento e queda de objetos.
  • Válvulas limitadoras de pressão, no circuito hidráulico.
  • Bloqueios mecânicos da grua e da torre, para transporte.
  • Paragem de emergência (botão de fungo), corta hidráulica e elétrica.
  • Resguardos em correias, ventoinhas e órgãos rotativos.

Conhecer os dispositivos de proteção é pré-requisito de qualquer intervenção de manutenção.

Pontos de segurança a identificar antes de intervir

  • Torneiras de corte de combustível e de isolamento hidráulico.
  • Interruptor geral de bateria (corta-corrente).
  • Pontos de purga de pressão residual no circuito hidráulico.
  • Escadas e plataformas de acesso, antiderrapantes.
  • Zonas de esmagamento: cabeça/braço, torre/chassis, rolos de avanço.

Nunca desligar uma mangueira sem antes purgar a pressão residual do circuito.

Bloco 4 · Sistema hidráulico

Princípio de funcionamento

O motor aciona a bomba hidráulica, que empurra óleo em pressão para cilindros e motores hidráulicos, através de válvulas de comando. O óleo regressa ao reservatório, filtrado, e o radiador dissipa o calor.

  • Bomba de caudal fixo: caudal constante, mais simples.
  • Bomba de caudal variável (pistões axiais): ajusta o caudal à necessidade, poupa combustível.

O que verificar no sistema hidráulico

Elemento Verificar Alerta
Nível de óleo visor/vareta abaixo do mínimo
Filtro indicador de colmatação luz ou indicador vermelho
Mangueiras fissuras, abrasão manchas de óleo
Radiador limpeza das alhetas sobreaquecimento
Pressão manómetro, motor a trabalhar abaixo do valor do manual

Valores exatos de pressão e intervalos variam por marca e modelo: confirma sempre no manual do fabricante.

Bloco 5 · Sistema de transmissão

Transmissão mecânica vs hidrostática

  • Mecânica clássica: caixa de velocidades, eixos, diferenciais, redutores finais (harvester sobre rodas).
  • Hidrostática: motores hidráulicos de translação, sem caixa mecânica; controlo de velocidade contínuo, boa tração.
  • Sistema de lagartas: correntes com sapatas, roda motriz, tensor, roletes (escavadora e alguns harvesters).

A escolha do sistema de transmissão condiciona o que se verifica na manutenção diária.

Tensão de lagartas e o que verificar

  • Tensão das lagartas: folga entre lagarta e roletes, comparada com o valor do manual.
  • Estado dos pneus (harvester sobre rodas): pressão, desgaste, cortes.
  • Fugas nos redutores finais e motores de translação.
  • Óleo da caixa de velocidades e dos diferenciais.

Lagarta esticada a mais desgasta a roda motriz; lagarta solta a mais pode saltar em terreno acidentado.

Bloco 6 · Comandos e painel de instrumentos

Comandos do operador

  • Joysticks multifunção: combinam vários movimentos da grua e da cabeça.
  • Pedais, geralmente para a translação.
  • Ecrã do computador de bordo: parâmetros de traçamento, avisos de manutenção e de avaria.
  • Comutadores de funções auxiliares.

O ecrã de bordo é, muitas vezes, a primeira fonte de aviso de uma avaria em desenvolvimento.

O painel de instrumentos e o horímetro

  • Indicadores: temperatura do motor, pressão do óleo, nível de combustível.
  • Luzes de aviso (testemunhos): pressão baixa, temperatura alta, filtro colmatado.
  • Horímetro: conta as horas de trabalho, a referência de todo o plano de manutenção.

Um técnico que ignora o horímetro não sabe quando a próxima intervenção é devida.

Bloco 7 · Gruas e cabeças de corte ou multifunções

A grua e a cabeça processadora

  • Grua articulada ou telescópica; alcance e capacidade de carga (momento de carga) em compromisso.
  • Cabeça processadora: rolos de avanço, facas de desrama, sensor de diâmetro, unidade de corte, rotator.
  • O diagrama de carga do manual relaciona alcance e capacidade máxima, não a intuição.

A cabeça do feller buncher

  • Disco rotativo dentado ou lâmina de tesoura.
  • Braços de garra (accumulator arms): seguram várias árvores antes de as pousar juntas.
  • Sistema de nivelamento, para manter o corte horizontal em terreno inclinado.

Cada cabeça é um conjunto especializado: manter uma exige conhecer as suas peças próprias.

Bloco 8 · Órgãos de corte

Corrente, disco, tesoura e lâmina

Órgão Máquina Manutenção principal Sinal de desgaste
Corrente harvester/escavadora afiação, tensão, lubrificação corte lento, serradura fina
Disco dentado feller buncher afiação/substituição de dentes vibração, dentes partidos
Tesoura feller buncher, tesoura isolada folgas, fio da lâmina corte esmagado
Lâmina (acessórios) desrama/limpeza afiação, fio corte irregular

Reconhecer um órgão de corte gasto

  • Corte mais lento para a mesma potência aplicada.
  • Aumento do consumo de combustível por m³ processado.
  • Ruído ou vibração anómala.
  • Qualidade do corte degradada: lascas grosseiras, ou esmagamento das fibras.

Um órgão gasto sobrecarrega toda a transmissão hidráulica a montante, não é só um problema de produtividade.

Bloco 9 · Manual e plano geral de manutenção

O manual de instruções

O manual de instruções do fabricante é a fonte oficial: intervalos, binários, pressões, capacidades e procedimentos de segurança. Nenhum valor "de memória" substitui o manual da máquina concreta.

O plano geral de manutenção organiza-se por horas no horímetro:

  • Diária: verificação visual, níveis, limpeza, lubrificação.
  • Curta (ex.: 100h): filtros de ar, aperto de uniões.
  • Média (ex.: 250-500h): óleos, filtros hidráulicos.
  • Longa (ex.: 1000-2000h): revisão geral.

Exemplo resolvido · intervenções por ano

Harvester a trabalhar 7h/dia, 20 dias/mês, com intervenção periódica a cada 100 horas.

  1. Horas/mês: 7 × 20 = 140 horas
  2. Horas/ano (11 meses de operação): 140 × 11 = 1.540 horas
  3. Intervenções/ano: 1.540 / 100 = 15,4 → 16 intervenções
  4. Espaçamento médio: 100 / 140 × 30 ≈ 21 dias entre intervenções

Planear as 16 intervenções com antecedência é o que separa manutenção programada de manutenção de emergência.

Bloco 10 · Manutenção preventiva: lubrificação e níveis

Lubrificação e níveis a verificar

  • Massa lubrificante nos pontos de articulação da grua, rotator e pinos das lagartas, com pistola de massa.
  • Óleo de corrente, reservatório próprio, débito ajustável.
  • Níveis: água/refrigerante, óleo do motor, óleo hidráulico, combustível, óleo de caixa e diferenciais.

Checklist de manutenção diária

Item Verificar Ação se irregular
Níveis visor/vareta completar
Filtros indicadores limpar/substituir
Fugas mangueiras, uniões reportar, não continuar
Pneus/lagartas pressão, tensão corrigir ou reportar
Órgão de corte estado, afiação afiar/ajustar/substituir

Uma checklist de 7 itens demora 10 a 15 minutos, menos de 4% de uma jornada de 7 horas.

Bloco 11 · Manutenção preventiva: filtros e calibragens

Filtros

  • Ar do motor: limpo/substituído conforme o indicador de colmatação.
  • Óleo do motor: substituído no intervalo definido.
  • Hidráulico(s) (pressão e retorno): protegem bomba e motores.
  • Combustível, incluindo separador de água.

Um filtro colmatado por completo entra em by-pass: o óleo passa sem filtrar, agravando o problema.

Calibragens

  • Pressão dos pneus (harvester sobre rodas), comparada com a tabela do fabricante.
  • Tensão das lagartas, pela folga entre lagarta e roletes.
  • Folgas de válvulas do motor, em intervalos mais longos.

Calibragens erradas não avariam de imediato, mas aceleram o desgaste até uma avaria maior.

Bloco 12 · Manutenção do órgão de corte

Afiação e tensão da corrente

  • Afiação: manual (lima) ou afiadora elétrica, respeitando o ângulo do fabricante.
  • Tensão: nem demasiado esticada (desgasta roda motriz e barra), nem demasiado solta (risco de saída da barra).
  • Verificação e ajuste sempre com a máquina parada e o órgão apoiado.

Disco, tesoura e critérios de substituição

  • Disco: dentes amovíveis, substituição individual com o binário do manual, nunca misturar marcas.
  • Tesoura: critério é a folga entre lâminas, não a afiação clássica.
  • Corrente: comprimento mínimo dos dentes define quando substituir em vez de afiar.
  • Barra guia: substitui-se com folga excessiva no canal.

Afiar ou substituir é sempre com a máquina parada, motor desligado e cabeça bloqueada ou apoiada.

Bloco 13 · Deteção e resolução de avarias

Metodologia de deteção

  1. Observar o sintoma: ruído, vibração, perda de potência, fuga, luz de aviso.
  2. Situar no domínio: elétrico, hidráulico ou mecânico.
  3. Verificar causas prováveis, das mais simples às mais complexas.
  4. Decidir: resolver no terreno ou encaminhar para reparação especializada.

Um relatório de avaria bem feito, com o sintoma, as condições em que ocorreu e as verificações já feitas, poupa horas de diagnóstico a quem recebe a máquina na oficina.

Avarias comuns e exemplo de diagnóstico

Sintoma Causa provável Ação imediata
Perda de potência hidráulica óleo baixo, filtro colmatado, fuga verificar nível e filtro
Sobreaquecimento radiador sujo, refrigerante baixo limpar, completar nível
Cabeça não corta bem corrente romba/destensada afiar/tensionar
Lagarta a saltar tensão incorreta, roletes gastos corrigir tensão

Exemplo: perda progressiva de força nos rolos ao longo da manhã → radiador do óleo sujo → limpar e substituir filtro.

Bloco 14 · Registo de intervenções e de avarias

O que se regista

  • Data e horímetro da intervenção.
  • Tipo: preventiva programada, correção de avaria, substituição de peça.
  • Componentes intervencionados e peças substituídas.
  • Sintomas e diagnóstico, no caso de avaria.
  • Técnico responsável.

O registo é a memória técnica da máquina, não burocracia administrativa.

Para que serve o histórico

  • Antecipar avarias recorrentes, quando o mesmo sintoma reaparece.
  • Planear substituições antes da falha, com base na tendência de desgaste.
  • Justificar garantias junto do fabricante.
  • Valorizar a máquina numa revenda.

Uma avaria que já aconteceu duas vezes no mesmo componente aponta para uma causa raiz por resolver.

Bloco 15 · Segurança nas intervenções

Consignação e bloqueio de energias

  1. Desligar o motor e retirar a chave.
  2. Isolar a bateria no interruptor geral, quando exigido.
  3. Purgar a pressão hidráulica residual.
  4. Bloquear mecanicamente grua, cabeça ou torre.
  5. Sinalizar a máquina em manutenção.

Nenhuma intervenção começa antes destes cinco passos estarem cumpridos.

Riscos e EPI nas intervenções

Risco Medida
Esmagamento bloqueio mecânico, nunca sob carga suspensa
Injeção de óleo purgar pressão, nunca verificar fugas com a mão
Queimadura deixar arrefecer, luvas térmicas
Elétrico isolar bateria, ferramentas isoladas
Corte bloqueio da máquina, luvas anti-corte
Queda em altura usar escadas e plataformas próprias da máquina

EPI: luvas adequadas à tarefa, óculos ou viseira, calçado de proteção com biqueira, proteção auditiva, vestuário identificado e colete de alta visibilidade no exterior. Emergência: 112, ANEPC, fiscalização da ACT sobre segurança e saúde no trabalho.

Recapitulando

  • Três máquinas, uma lógica comum: harvester e escavadora processadora processam, o feller buncher só abate.
  • Três domínios de componentes (elétrico, hidráulico, mecânico) trabalham em conjunto em cada ciclo.
  • O manual do fabricante e o horímetro definem o plano geral de manutenção, nunca a memória ou o calendário.
  • Manutenção preventiva (lubrificação, níveis, filtros, calibragens, órgão de corte) evita a maioria das paragens não planeadas.
  • Detetar avarias é um raciocínio do sintoma à causa raiz; registar tudo constrói o histórico que antecipa o futuro.
  • Segurança primeiro: consignação de energias antes de qualquer intervenção, sempre.

Próximo: fichas e mini-projeto, planear e executar a manutenção de uma frota real.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: máquina que processa (harvester, escavadora) tem rolos de avanço e medição; o feller buncher não. Isto muda o que se verifica na manutenção. - Erro comum: tratar as três máquinas como se fossem a mesma coisa com nomes diferentes. Cada uma tem uma lógica construtiva própria. - Ligar à UC03457 (planeamento) e à UC03459 (operação): a mesma máquina, três competências diferentes ao longo do curso.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma: em dia de perigo de incêndio elevado, qual dos dois feller bunchers preferes? (tesoura, sem faíscas). - Mostrar fotos ou vídeo das três cabeças lado a lado, se possível. - Erro comum: confundir o disco do feller buncher com a unidade de corte de corrente da cabeça processadora, são órgãos de corte diferentes (Bloco 8).

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: no ciclo de processamento, o hidráulico fecha os rolos, o elétrico mede o diâmetro, o mecânico/hidráulico corta com a corrente. Tudo ao mesmo tempo. - Pedir à turma que classifique 5 componentes (bateria, cilindro, corrente, ECU, motor diesel) por domínio. - Erro comum: pensar que "hidráulico" é só a grua. A transmissão e os rolos de avanço também são hidráulicos em muitos modelos.

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar que muitas avarias "mecânicas" aparentes têm origem hidráulica ou elétrica (ex.: perda de força pode ser sensor, válvula ou bomba). - Exercício: dado um sintoma, a turma diz a que domínio pertence provavelmente. - Curiosidade: acopladores rápidos permitem trocar a cabeça processadora de uma máquina para outra, comum em frotas.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (foto ou máquina real) onde fica o botão de paragem de emergência. - Erro comum: assumir que a máquina "parada" já não tem energia armazenada. A pressão hidráulica residual mantém-se mesmo com o motor desligado (ver Bloco 15). - Pergunta: porque tem a cabine ROPS e FOPS ao mesmo tempo? (capotamento e queda de árvore/ramo são riscos distintos).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao Bloco 15: este é o conhecimento, aquele é o procedimento de consignação completo. - Erro comum, e perigoso: verificar uma fuga hidráulica com a mão. Usar sempre cartão ou papel. - Pedir à turma que aponte, numa foto da máquina, onde ficariam estes cinco pontos.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar o ciclo no quadro: bomba → válvulas → cilindro/motor → filtro de retorno → reservatório → radiador → bomba. - Erro comum: pensar que mais pressão é sempre melhor. A pressão é definida pela válvula limitadora, e ultrapassá-la só danifica o sistema. - Ligar ao horímetro (Bloco 6): o desgaste da bomba acumula-se com as horas de trabalho, não com o calendário.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar a nota final: nunca "decorar" um valor de pressão de outra máquina. - Exercício rápido: a turma associa cada sinal de alerta da tabela à causa mais provável. - Erro comum: limpar o radiador só quando já há sobreaquecimento. Devia ser verificação de rotina (Bloco 10-11).

NOTAS DO PROFESSOR - Comparar com um automóvel: caixa manual (mecânica) vs transmissão que "não tem caixa" percetível (hidrostática). - Erro comum: aplicar o mesmo procedimento de manutenção de rodas a uma máquina de lagartas. São sistemas diferentes. - Perguntar: porque é que uma transmissão hidrostática facilita o controlo em terreno difícil? (ajuste contínuo, sem trocos de mudança).

NOTAS DO PROFESSOR - Este é um dos exemplos "rentáveis" da sebenta: uma verificação simples evita duas avarias graves. Vale a pena repetir aqui. - Erro comum: só verificar a tensão quando já há sinais de desalinhamento. Devia ser periódica. - Exercício: dado um sintoma (lagarta a saltar), a turma diz a causa mais provável.

NOTAS DO PROFESSOR - Se possível, mostrar capturas de ecrã de um computador de bordo real, ou o manual do fabricante. - Erro comum: ignorar um aviso no ecrã "porque a máquina ainda trabalha normalmente". - Ligar ao Bloco 12/13: os avisos do ecrã antecipam avarias que, sem ele, só apareceriam mais tarde.

NOTAS DO PROFESSOR - Insistir: o horímetro, não o calendário, define os intervalos de manutenção (ver Bloco 9). - Erro comum: planear manutenção "de mês a mês" sem olhar às horas reais trabalhadas, que variam muito entre máquinas. - Exercício rápido: dado um horímetro e um intervalo, calcular quando é a próxima intervenção (liga ao exemplo do Bloco 9).

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar o compromisso: mais alcance, menos capacidade de carga à mesma distância. Mostrar um diagrama de carga real se disponível. - Erro comum: forçar a grua a um alcance/carga fora do diagrama do fabricante. Risco de instabilidade e dano estrutural. - Ligar ao Bloco 1: esta cabeça é o que diferencia o harvester/escavadora do feller buncher.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a diferença física entre um disco (com dentes visíveis) e uma tesoura (uma lâmina). - Erro comum: tratar a manutenção do feller buncher como igual à do harvester só porque ambos "cortam árvores". A cabeça é completamente diferente. - Pergunta: porque precisa o feller buncher de um sistema de nivelamento? (para cortar horizontal mesmo em declive, corte oblíquo estraga o toco).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma associar cada órgão à máquina certa, de memória, antes de mostrar a tabela. - Erro comum: usar o mesmo critério de manutenção (afiação com lima) para um disco de dentes amovíveis, que se substitui, não se afia da mesma forma. - Este bloco liga diretamente ao Bloco 12, onde se detalha o procedimento de cada um.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: o custo real de um órgão de corte gasto não é o corte lento, é o desgaste acelerado da bomba e dos motores hidráulicos. - Erro comum: só reagir quando o corte já falha completamente, em vez de reconhecer os primeiros sinais. - Exercício: dado um sintoma, a turma diz que órgão está provavelmente gasto e porquê.

NOTAS DO PROFESSOR - Insistir: os valores de intervalo apresentados são exemplos didáticos; os reais vêm sempre do manual do modelo concreto. - Erro comum: aplicar um plano "genérico" a todas as máquinas da frota, ignorando as diferenças entre modelos. - Pergunta: porque é que o plano usa horas de trabalho e não datas do calendário? (o desgaste depende do uso, não do tempo civil).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo com a turma no quadro, passo a passo. - Erro comum: esquecer o arredondamento por excesso no passo 3 (15,4 não é 15 intervenções, é 16, senão a máquina passaria do intervalo). - Desafio: e se a máquina trabalhasse 9h/dia? Recalcular as horas por mês e o número de intervenções.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (foto ou máquina real) um bocal de lubrificação (nipple) e como se usa a pistola de massa. - Erro comum: lubrificar só os pontos "acessíveis", esquecendo articulações mais escondidas da grua. - Ligar ao Bloco 5: um pino de lagarta mal lubrificado acelera o desgaste que se via naquele bloco.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar o cálculo do custo/benefício: poucos minutos evitam a maioria das avarias detetáveis a olho. - Erro comum: tratar a checklist como opcional "quando há tempo". Devia ser sempre o primeiro passo do turno. - Exercício: dividir a turma em pares, cada um "executa" a checklist numa foto da máquina, item a item.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar o mecanismo de by-pass: acima de certa diferença de pressão, a válvula abre e deixa passar óleo sujo, para não bloquear o sistema. - Erro comum: "deixar para a próxima semana" um filtro já no limite. Ver o exercício resolvido da ficha sobre este tema. - Pergunta: qual dos quatro filtros protege o componente mais caro se falhar? (o hidráulico, protege a bomba).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar de volta ao Bloco 5: a tensão de lagartas já foi introduzida ali, aqui entra no plano periódico formal. - Erro comum: calibrar "a olho" em vez de usar manómetro e a tabela do fabricante. - Exercício: dado um valor medido e o valor do manual, a turma decide se está dentro da tolerância.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (se possível) uma corrente afiada vs romba, e o efeito no tipo de serradura produzida. - Erro comum: tensionar a corrente com a máquina a trabalhar. Sempre parada. - Ligar ao Bloco 8: os sinais de desgaste ali descritos são o que leva a decidir afiar agora.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum e grave: intervir no órgão de corte com o circuito hidráulico da cabeça ainda sob pressão. Ligar ao Bloco 15. - Perguntar: porque não se pode misturar dentes de marcas diferentes num disco? (equilíbrio da rotação e binário de aperto específico). - Exercício: dado um critério (comprimento mínimo dos dentes), a turma decide "afiar" ou "substituir".

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o núcleo da segunda realização do referencial: detetar e fornecer informação adequada para a reparação. - Erro comum: saltar direto para "trocar a peça" sem passar pelas causas mais simples primeiro (nível, filtro). - Ligar ao exemplo resolvido do slide seguinte, que aplica os quatro passos a um caso concreto.

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer o exemplo com a turma, passo a passo, pelos quatro passos do slide anterior. - Erro comum: confundir uma avaria gradual (sobreaquecimento) com uma avaria súbita (rutura), que têm causas muito diferentes. - Perguntar: quando é que um técnico deve encaminhar para a oficina em vez de resolver no terreno? (componentes internos, peças indisponíveis).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (ou desenhar) o formato de uma ficha de registo real. - Erro comum: registar só as avarias, esquecendo a manutenção preventiva, que é a que mais importa para o histórico. - Ligar ao Bloco 9: sem registo, não há forma de confirmar se o plano de manutenção foi mesmo seguido.

NOTAS DO PROFESSOR - Discutir com a turma: que outras decisões de gestão de frota dependem deste histórico? - Erro comum: tratar cada avaria como um caso isolado, sem cruzar com o histórico do mesmo componente. - Anunciar que a ficha 2 e o projeto pedem para preencher e interpretar um registo real.

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o procedimento mais importante do módulo. Fazer a turma repetir os cinco passos de memória. - Erro comum: saltar o passo da pressão residual "porque o motor já está desligado há horas". A pressão fica acumulada de qualquer forma. - Ligar a todos os blocos anteriores onde se falou de intervir no órgão de corte ou no hidráulico.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar: EPI "adequado à tarefa" significa que muda consoante a intervenção, não é um único kit fixo. - Erro comum: usar as mesmas luvas para tudo, ou dispensar óculos "porque é rápido". - Fechar o bloco recapitulando: consignação primeiro, depois EPI, só depois a intervenção em si.