UC03075

Prestar informação ao cliente para uma utilização eficiente de sistemas eólicos e fotovoltaicos

Da energia solar e do vento à explicação clara ao cliente: contas, limites, incentivos, legislação e comunicação assertiva

Curso profissional · 25h · Técnico de Sistemas Eólicos e Fotovoltaicos

Plano

  1. O técnico que informa o cliente
  2. Energia, eficiência e racionalização
  3. Fontes de energia renováveis
  4. Heliotecnia: radiação e geometria solar
  5. Sistemas solares fotovoltaicos
  6. Potencial, ciclo de vida, térmico e sistemas mistos
  7. Aerotecnia: atmosfera e vento
  8. Sistemas eólicos
  9. Impacto ambiental, incentivos e legislação
  10. Informação técnica e comunicação assertiva
  11. Alertar o cliente e relatório de estudo

Bloco 1 · O técnico que informa o cliente

Porque informar é parte do trabalho

Um sistema bem instalado mas mal explicado rende menos e gera reclamações. Prestar informação é dar ao cliente a informação certa, na linguagem certa, no momento certo.

  • Analisar informação técnica (fichas, catálogos, manuais, faturas, legislação).
  • Informar e esclarecer sobre sistemas e soluções mais sustentáveis.
  • Alertar para o que condiciona o funcionamento global.

O técnico informa, aconselha e alerta, mas não promete o que não pode garantir.

Adequar a comunicação ao interlocutor

O cliente pode ser uma família, um comerciante, um agricultor, um administrador de condomínio ou um técnico de outra área.

Interlocutor O que precisa Como falar
Família sem formação técnica decidir e usar bem exemplos do dia a dia, poucos números
Comerciante ou empresa retorno e risco números, cenários, pressupostos
Técnico de outra área detalhe fichas, valores e fontes

Pergunta antes de explicar: o que quer saber, o que já sabe, que decisão tem de tomar.

Os limites do técnico

  • Não garante poupanças exatas: dependem do consumo, do preço da energia e do tempo.
  • Não garante incentivos: dependem de avisos, prazos e condições em vigor.
  • Não substitui o perito qualificado do SCE nem o projetista quando a lei exige assinatura técnica.
  • Sabe dizer: «isso depende de estas condições» e «vou confirmar no documento em vigor».

Honestidade técnica gera confiança e evita reclamações.

Bloco 2 · Energia, eficiência e racionalização

Energia, calor e trabalho

Energia é a capacidade de realizar trabalho ou fornecer calor. Unidade SI: joule (J). Na fatura: kWh (1 kWh = 3,6 MJ).

  • Potência (W, kW): ritmo a que a energia é transformada. Energia = P × t.
  • Analogia: potência é a velocidade (km/h), energia é a distância (km).
  • Trabalho: energia transferida por uma força. Calor: energia que passa do corpo mais quente para o mais frio.
  • Calor para aquecer água: Q = m × c × ΔT, com c ≈ 4,18 kJ/(kg·°C).

Transformações energéticas e perdas

A energia não se cria nem se destrói: transforma-se, e em cada transformação há perdas (sobretudo calor).

Sistema Cadeia Perdas
Fotovoltaico luz → CC → CA reflexão, calor, cabos, inversor
Eólico vento → rotação → eletricidade limite de Betz, caixa, gerador
Solar térmico luz → calor na água vidro, coletor, depósito

Rendimento η = energia útil ÷ energia fornecida. Em cadeia, os rendimentos multiplicam-se: 0,21 × 0,98 × 0,97 ≈ 20 %.

Eficiência energética: a hierarquia

  1. Reduzir as necessidades (isolamento, sombreamento, hábitos).
  2. Usar eficientemente (equipamentos eficientes, controlo).
  3. Produzir localmente de forma renovável o que ainda falta.
Medida Exemplos
Passiva isolamento, janelas, orientação, ventilação natural
Ativa bomba de calor, LED, classe energética elevada, domótica, painéis
Comportamental desligar o que não se usa, agendar consumos

Gestão e racionalização da energia

  • Racionalizar: evitar o desperdício, mudar hábitos, organizar o uso.
  • Gerir: medir, acompanhar e decidir com dados.
  • Fontes de dados: fatura, dados do operador, tomada com medidor, monitorização do inversor.
  • O perfil de consumo (quando se gasta) é tão importante como o total, porque determina o autoconsumo.
  • Etiqueta energética (Regulamento (UE) 2017/1369): classes A a G nas etiquetas reescaladas (outros produtos têm escalas próprias); ver também o consumo anual em kWh.

Bloco 3 · Fontes de energia renováveis

Os sete tipos de fontes

Fonte Origem Característica
Solar radiação do Sol variável mas previsível; modular
Eólica vento depende do local e da altura
Hídrica água em queda controlável com albufeira
Biomassa matéria orgânica armazenável; exige logística
Geotérmica calor da Terra contínua
Maremotriz marés e ondas previsível, tecnologia cara
Hidrogénio verde eletrólise com renovável vetor que armazena

Que fonte para que cliente

  • Solar (fotovoltaica e térmica): a mais acessível a habitações e pequenas empresas.
  • Biomassa e geotérmica de baixa temperatura: calor, com caldeiras e bombas de calor.
  • Eólica: só em locais expostos, rurais e com recurso medido.
  • Restantes fontes: escala industrial, chegam ao cliente pela rede.

Exemplo resolvido · rega no Alentejo: consumo de verão e de dia, 5,5 kW de bomba. O Sol é máximo no verão e de dia: coincidência. Sem medição de vento, a eólica não se justifica. Solução: fotovoltaico.

Bloco 4 · Heliotecnia: radiação e geometria solar

Radiação solar: valores e tipos

  • Constante solar: cerca de 1 361 W/m² à entrada da atmosfera; ao solo, até cerca de 1 000 W/m².
  • Irradiância (W/m²): potência por área. Irradiação (kWh/m²): energia por área.
Tipo O que é
Direta do disco solar, sem dispersão
Difusa dispersada pela atmosfera e nuvens
Refletida (albedo) refletida pelo solo e arredores
Global soma das três num plano

Espectro solar e conversão

Região Comprimento de onda Fração aprox.
Ultravioleta menos de 400 nm 3 a 5 %
Visível 400 a 700 nm cerca de 43 %
Infravermelho mais de 700 nm cerca de 52 %
  • Massa de ar AM 1,5: referência dos ensaios de módulos.
  • Vias de conversão: fotovoltaica (luz → eletricidade), térmica (luz → calor), termodinâmica de concentração (escala industrial).
  • O silício converte radiação até cerca de 1 100 nm.

Aparelhos de medição da radiação

Aparelho Mede
Piranómetro radiação global (e difusa, com sombreador)
Pireliómetro radiação direta normal (seguidor solar)
Albedómetro radiação refletida, determina o albedo
Heliógrafo horas de sol
Célula de referência irradiância incidente, em centrais

Para um cliente, usam-se bases de dados (PVGIS, IPMA) em vez de medir.

Exemplo resolvido: 1 700 kWh/m² = 1 700 horas de sol pico; 0,45 kW × 1 700 h × 0,80 = 612 kWh/ano por módulo de 450 Wp.

Movimento Terra-Sol e coordenadas do Sol

  • Eixo da Terra inclinado 23,45°: origem das estações.
  • Declinação δ: +23,45° (21 junho) a -23,45° (21 dezembro).
  • Ângulo horário h: 15° por hora a partir do meio-dia solar.
  • Altura ao meio-dia solar: α = 90° - φ + δ.
Lisboa (φ = 38,7°) Altura ao meio-dia
21 de junho 74,75°
Equinócios 51,3°
21 de dezembro 27,85°

Geral: sen α = sen φ sen δ + cos φ cos δ cos h.

Orientação, inclinação e curvas de penalização

Em Portugal continental: sul, inclinação 30° a 35°.

Inclinação Sul SE ou SO Este ou Oeste
0° 87 % 87 % 87 %
15° 96 % 93 % 85 %
30° 100 % 96 % 81 %
60° 92 % 85 % 68 %
90° 63 % 61 % 47 %
  • SE e SO perdem só 4 a 5 %; este-oeste cerca de 20 %, com produção mais distribuída; fachada vertical a sul perde mais de um terço; norte é desaconselhado.
  • Norte, nordeste e noroeste não constam da tabela: a perda é significativa e calcula-se no PVGIS.
  • Valores indicativos: para o caso real, usar o PVGIS.

Sombras e distância entre fileiras

  • A sombra numa só célula pode reduzir a produção de toda a fileira.
  • Comprimento da sombra: L = h ÷ tan α, com α do solstício de inverno.
  • Ferramentas: diagrama solar, perfil de horizonte do PVGIS, aplicações móveis.

Exemplo resolvido · chaminé de 1,5 m: α = 27,85°, tan ≈ 0,53, L = 1,5 ÷ 0,53 ≈ 2,8 m. Os módulos ficam fora da faixa de 2,8 m a norte da chaminé.

Fileiras de módulos de 1,76 m a 30°: altura 0,88 m, sombra 1,66 m, projeção 1,52 m, distância entre fileiras 3,18 m.

Bloco 5 · Sistemas solares fotovoltaicos

Da célula ao gerador fotovoltaico

  • Célula de silício: cerca de 0,6 V. Módulo: 60 a 144 células. Fileira (string): módulos em série. Gerador: várias fileiras.
Tecnologia Eficiência típica
Monocristalino 20 a 23 %
Policristalino 16 a 19 %
Película fina 14 a 19 %
  • Série: tensões somam. Paralelo: correntes somam.
  • O inversor converte CC em CA e segue o ponto de máxima potência (MPPT).

Tipos de sistema

Tipo Rede Armazenamento Nota
Ligado à rede (grid-tied) sim normalmente não desliga em falha da rede
Isolado (off-grid) não baterias dimensionar para dias sem sol
Híbrido sim baterias inversor híbrido
Bombagem direta não água rega e abeberamento

Sem bateria e sem função de reserva, o sistema ligado à rede não produz em apagão: função anti-ilhamento, por segurança de quem trabalha na linha.

Tipos de configuração

Configuração Vantagem Limitação
Inversor de fileiras (string) simples, económico sombra afeta a fileira
Microinversores cada módulo independente mais pontos a manter
Otimizadores de potência menos impacto da sombra, monitorização por módulo mais componentes
Inversor central economia de escala só em centrais

Sombras parciais ou vários telhados com orientações diferentes favorecem microinversores ou otimizadores.

Componentes e a sua função

Componente Função
Módulos luz → CC; vida útil 25 a 30 anos
Estrutura fixa ao telhado ou solo; resiste ao vento
Cabos solares e proteções CC ligam e protegem o circuito
Descarregadores de sobretensões descargas atmosféricas
Inversor CC → CA, MPPT; vida útil 10 a 15 anos
Quadro CA e proteções ligação à instalação elétrica
Contador mede produção e/ou injeção
Monitorização deteta falhas cedo

Ler a ficha técnica de um módulo

Parâmetro Significa
Pmax (Wp) potência em STC (1 000 W/m², 25 °C, AM 1,5)
Voc, Isc tensão em vazio, corrente de curto-circuito
Vmp, Imp tensão e corrente no ponto de máxima potência
Eficiência Pmax ÷ (1 000 × área)
Coeficiente de temperatura perda por °C acima de 25
Garantias de produto e de desempenho

Exemplo: 450 Wp em 1,13 × 1,76 m = 1,99 m², eficiência 22,6 %.

Compatibilidade de uma fileira com o inversor

Exemplo resolvido · 8 módulos de 450 Wp (Voc 41,5 V, Vmp 34,6 V; -0,26 %/°C), inversor com MPPT 100 a 550 V e máximo 600 V.

  1. Funcionamento: 8 × 34,6 = 276,8 V, dentro de 100 a 550 V.
  2. Frio (-10 °C): Voc sobe 9,1 %, 41,5 × 1,091 = 45,3 V; × 8 = 362 V, abaixo de 600 V.
  3. Potência: 8 × 450 = 3 600 Wp.

A tensão sobe com o frio: é nos dias frios e limpos de inverno que se atinge o máximo.

Bloco 6 · Potencial, ciclo de vida, térmico e sistemas mistos

Potencial de aplicação solar

Quatro conjuntos de fatores: recurso, local, consumo, condições económicas e legais.

Região Produtividade típica
Norte litoral 1 300 a 1 400 kWh/kWp
Centro e Lisboa 1 400 a 1 550
Alentejo 1 550 a 1 650
Algarve 1 600 a 1 700
  • O benefício maior vem de consumir a energia produzida (kWh autoconsumido evita comprar ao preço completo).
  • Bateria: aumenta o autoconsumo, mas acrescenta custo, perdas e vida útil limitada.

Exemplo resolvido · casal em Setúbal

Consumo 4 200 kWh/ano; 8 módulos de 450 Wp; 1 500 kWh/kWp; autoconsumo 40 %; compra 0,20 €/kWh; excedente 0,05 €/kWh; investimento 5 400 € (valores didáticos).

  1. Potência: 3,6 kWp. Produção: 5 400 kWh/ano.
  2. Autoconsumo 2 160 kWh; excedente 3 240 kWh.
  3. Poupança 432 € + receita 162 € = 594 €/ano.
  4. Retorno: 5 400 ÷ 594 ≈ 9,1 anos. Cobertura do consumo: 51 %.

Com autoconsumo de 55 % o retorno desce para 7,5 anos: mudar hábitos vale tanto como mudar equipamento.

Ciclo de vida dos sistemas solares

Das matérias-primas ao fim de vida: extração, fabrico, transporte, instalação, utilização, manutenção, reciclagem.

  • Retorno energético: tempo para produzir a energia gasta no ciclo de vida, da ordem de 1 a 2 anos para vida útil de 25 a 30 anos (ordem de grandeza).
  • Benefício ambiental: emissões de algumas dezenas de g CO2eq/kWh, muito abaixo do carvão e do gás.
  • Fim de vida: os módulos são resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE); seguem canais de recolha e reciclagem, nunca o lixo comum.

Exemplo: 5 400 kWh × 0,20 kg/kWh = 1 080 kg CO2 evitados por ano (fator didático).

Sistemas solares térmicos

Componente Função
Coletor solar absorve a radiação
Circuito primário e bomba levam o calor ao depósito
Depósito com permutador acumula
Apoio (resistência, caldeira, bomba de calor) garante os dias sem sol
Controlador diferencial liga a bomba quando o coletor está mais quente
  • Termossifão: sem bomba, depósito no telhado.
  • Alertas: apoio sempre necessário; estagnação no verão exige proteção.
  • Bomba de calor: COP 3 = 3 kWh de calor por 1 kWh elétrico.

Custo-benefício de sistemas térmicos

Indicadores: retorno simples, poupança acumulada, custo da energia (€/kWh), emissões evitadas.

Exemplo resolvido · 4 pessoas, 160 L/dia a 45 °C, água a 15 °C

  1. Energia diária: 160 × 4,18 × 30 = 20 064 kJ = 5,57 kWh.
  2. Anual: 2 034 kWh. Solar a 70 %: 1 424 kWh poupados.
  3. Poupança: 1 424 × 0,20 = 285 €/ano; investimento 2 600 €: retorno 9,1 anos.
  4. Comparação: termoacumulador 428 €/ano; bomba de calor COP 3: 136 €/ano.
  5. Emissões evitadas pelo solar: 1 424 ÷ 0,95 ≈ 1 499 kWh elétricos × 0,20 = cerca de 300 kg CO2/ano.

Sistemas mistos

Combinação Lógica
Fotovoltaico + rede a rede cobre o que falta
Fotovoltaico + bateria reserva e consumo noturno
Fotovoltaico + eólico Sol no verão e de dia, vento no inverno e à noite
Fotovoltaico + bomba de calor calor com eletricidade própria
Fotovoltaico + solar térmico eletricidade e AQS da mesma cobertura
Fotovoltaico + gerador reserva em locais isolados

Só se justifica a segunda fonte quando o ganho de fiabilidade ou de custo está demonstrado. Mais complexidade, mais manutenção.

Bloco 7 · Aerotecnia: atmosfera e vento

Propriedades da atmosfera

Propriedade Valor de referência Efeito
Pressão 101 325 Pa diminui com a altitude
Temperatura 15 °C (288,15 K) ar frio é mais denso
Densidade ρ 1,225 kg/m³ potência proporcional a ρ
  • ρ = p ÷ (R × T), R = 287 J/(kg·K).
  • Em altitude ou com calor, o ar é menos denso: a mesma turbina produz menos.
  • A energia eólica é energia solar indireta: o Sol aquece a Terra de forma desigual e gera vento.

Equações e regimes de escoamento

  • Continuidade: A × v constante. Se a área diminui, a velocidade aumenta (efeito de colina).
  • Bernoulli: pressão estática + ½ ρ v² + altura = constante; explica a sustentação.
  • Laminar (ordenado) e turbulento (caótico), segundo o número de Reynolds.
  • Junto ao solo e entre edifícios o vento é turbulento: menos produção e menos vida útil.
Força Direção Efeito
Sustentação perpendicular ao escoamento faz rodar o rotor
Arrasto no sentido do escoamento trava a pá

Medir o vento

Instrumento Mede
Anemómetro de copos velocidade
Cata-vento direção
Anemómetro sónico velocidade, direção e turbulência
LIDAR e SODAR perfil com a altura, remoto
Mastro de medição sensores a várias alturas, pelo menos um ano
  • Distribuição de Weibull: frequência de cada velocidade. Rosa dos ventos: frequência por direção.
  • Lei de potência: v(h) = v_ref × (h ÷ h_ref)^α; α ≈ 0,14 em terreno aberto, 0,25 ou mais em terreno rugoso.

Potência do vento e limite de Betz

P_vento = ½ × ρ × A × v³; a turbina extrai P = Cp × P_vento.

  • Limite de Betz: Cp máx = 16/27 ≈ 59,3 %; turbinas reais: 35 a 45 %.
  • Razão de velocidades na ponta: λ = ω × R ÷ v.

Exemplo resolvido · rotor de 3 m, vento de 6 m/s

  1. A = π × 1,5² = 7,07 m².
  2. P_vento = 0,6125 × 7,07 × 216 = 935 W.
  3. Com Cp = 0,35: 327 W. Máximo de Betz: 554 W.
  4. Com vento de 12 m/s, a potência no vento é 8 vezes maior.

Bloco 8 · Sistemas eólicos

Componentes de um sistema eólico

Componente Função
Pás e cubo captam a energia do vento
Nacelle aloja veio, multiplicadora, gerador e travão
Multiplicadora aumenta a rotação (a de acionamento direto dispensa-a)
Gerador mecânica → elétrica
Sistema de orientação (yaw) põe o rotor de frente para o vento
Controlo e travão arranque, regulação, proteção
Torre eleva o rotor, onde o vento é mais forte
Conversor, inversor, baterias adaptam e armazenam

Classificação dos sistemas eólicos

Critério Tipos
Eixo HAWT (horizontal, a maioria); VAWT (vertical: Darrieus, Savonius)
Potência micro, pequena (até ~100 kW), média, grande (MW)
Utilização autoconsumo, venda à rede, bombagem, locais isolados
Localização onshore e offshore (fixa ou flutuante)
Conexão grid-tied e off-grid
Controlo passo fixo (stall) e passo variável (pitch)

Exemplo nacional: eólica offshore flutuante ao largo de Viana do Castelo (WindFloat Atlantic).

Funcionamento e curva de potência

  • Arranque (cut-in) cerca de 3 m/s; nominal 11 a 13 m/s; corte (cut-out) cerca de 25 m/s.
  • Em vento excessivo: o controlo pára a turbina e aciona o travão.

Exemplo resolvido · turbina de 5 kW: 0,2 kW a 4 m/s, 1,2 kW a 6 m/s, 3,2 kW a 8 m/s, 5 kW a 11 m/s.

  • A relação não é linear: a potência varia com o cubo da velocidade, até à potência nominal.
  • Velocidade média de 6 m/s não quer dizer 1,2 kW sempre: a produção depende da distribuição de velocidades.

Potencial de aplicação eólico

Fator Exigência
Vento médio à altura do cubo de preferência acima de 5 a 6 m/s; abaixo de 4 m/s não compensa
Obstáculos turbina 9 m acima de qualquer obstáculo num raio de 150 m
Terreno aberto, colina arredondada, litoral exposto
Legal e vizinhança licenciamento, ruído, distâncias

Fator de capacidade FC = E_anual ÷ (P_nominal × 8 760).

Exemplo: 5 kW com FC de 16 %: 7 008 kWh/ano; a 0,20 €/kWh, 1 402 €/ano; com 14 000 €, retorno cerca de 10 anos.

Ciclo de vida dos sistemas eólicos

Aspeto Eólica
Vida útil 20 a 25 anos; 15 a 25 em pequenas
Retorno energético de poucos meses a cerca de um ano; em pequenas turbinas, de um a poucos anos (ordem de grandeza)
Emissões poucas dezenas de g CO2eq/kWh ou menos
Fim de vida aço, cobre, betão recicláveis; pás compósitas são o ponto difícil
Manutenção inspeção anual de pás, travão, rolamentos, aperto

Exemplo: 25 000 kWh de energia no ciclo de vida; 7 000 kWh elétricos por ano × 2,5 = 17 500 kWh primários evitados por ano: retorno 1,4 anos.

O método de conversão deve ser sempre explicitado.

Bloco 9 · Impacto ambiental, incentivos e legislação

Impacto ambiental da produção de energia

Tecnologia g CO2eq/kWh (vida) Impactos principais
Carvão acima de 800 emissões, minas
Gás natural cerca de 400 a 500 emissões, extração
Fotovoltaico algumas dezenas solo (centrais), materiais, REEE
Eólico poucas dezenas ou menos paisagem, ruído, aves, pás
Hídrico geralmente baixo cursos de água, peixes

Eólico: ruído, avifauna e morcegos, sombra intermitente. Indicadores: emissões evitadas, energia primária poupada, retorno energético. Dizer sempre o fator de emissão usado.

Incentivos e políticas de apoio

Nível Exemplos
UE diretivas de eficiência, de renováveis e de desempenho dos edifícios
Nacional planos de energia e clima, regime do Sistema Elétrico Nacional, SCE
Entidades DGEG, ERSE, ADENE, Fundo Ambiental, APA
Local municípios, agências de energia

Tipos: apoio a fundo perdido, vales, incentivos fiscais, financiamento bonificado, regras de remuneração do excedente.

Informar sobre apoios sem prometer

  1. Indicar onde consultar (Fundo Ambiental, DGEG, ADENE, município).
  2. Explicar que o apoio é candidatura, e que o aviso em vigor define elegibilidade, valor máximo e prazo.
  3. Nunca incluir um apoio incerto no cálculo de retorno: calcular com e sem.
  4. Alertar para os intermediários que cobram por candidaturas gratuitas.

Exemplo resolvido · 3,6 kWp, 5 400 €, 594 €/ano: sem apoio 9,1 anos; com apoio hipotético de 20 %, 4 320 ÷ 594 = 7,3 anos.

Legislação sobre eficiência energética

Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), enquadrado no Decreto-Lei n.º 101-D/2020, na redação em vigor.

Instrumento Relevância
Certificado energético classe de A+ a F, consumos, medidas de melhoria; perito qualificado
Pré-certificado fase de projeto
Requisitos de desempenho requisitos mínimos, fixados em portaria; contam as renováveis
  • Instalar renováveis melhora a classe calculada do edifício.
  • Gestão do sistema: ADENE. O técnico remete para o perito qualificado e para o diploma em vigor.

Regime do autoconsumo e outras normas

Regime do Sistema Elétrico Nacional (Decreto-Lei n.º 15/2022, na redação em vigor): autoconsumo individual, coletivo e comunidades de energia renovável.

  1. A instalação é registada ou comunicada à DGEG, por procedimento que depende da potência; as muito pequenas e sem injeção na rede estão isentas, nos termos do regime em vigor.
  2. O operador da rede intervém na ligação e na contagem.
  3. O excedente pode ser remunerado nas condições em vigor.
  4. A ERSE regula as tarifas.

Equipamentos: IEC 61215 e IEC 61730 (módulos), IEC 61400-2 (pequenas turbinas), marcação CE, regime de REEE.

Bloco 10 · Informação técnica e comunicação assertiva

Analisar informação técnica

Documento Pergunta a fazer
Ficha do módulo cabe? é compatível com o inversor?
Ficha do inversor suporta a fileira? gama MPPT?
Ficha da turbina curva de potência adequa-se ao vento do local?
Fatura quanto, quando e a que preço?
Manual e garantias o que pode o cliente fazer? o que está coberto?

Método: identificar objetivo, localizar dados e condições de ensaio, normalizar unidades, calcular e comparar, registar.

Exemplo resolvido · comparar duas propostas

Proposta A Proposta B
Potência 3,6 kWp 4,0 kWp
Preço 5 400 € (1 500 €/kWp) 5 200 € (1 300 €/kWp)
Eficiência do módulo 22,6 % 19,5 %
Área necessária 15,9 m² 20,5 m²
Garantia de desempenho 25 anos 12 anos

Se o telhado tiver só 18 m² úteis, B não cabe. Sem o dado da área, B ganharia pelo preço.

O técnico apresenta a comparação e o cliente decide.

Comunicação assertiva

Estilo Exemplo Efeito
Passivo «Pois, não sei, talvez dê...» desconfiança
Agressivo «O senhor não percebe nada disto» conflito
Assertivo «Entendo a dúvida. Os dados dizem isto, e vou mostrar como cheguei lá» confiança

Assertividade: expressar factos, opiniões e limites de forma clara, direta e respeitadora, sem agredir nem ceder.

Frase assertiva = facto + reconhecimento do outro + passo seguinte.

Escuta ativa e comunicação não verbal

Escuta ativa: atenção total, perguntas abertas, reformular, confirmar, reconhecer emoções.

Elemento Boa prática
Postura direita, aberta, de frente
Contacto visual natural e regular
Voz pausada, tom calmo
Aparência roupa limpa, identificação, EPI quando exigido
  • Cuidado com a apresentação pessoal e a postura profissional: fazem parte da mensagem.
  • Quem fala de segurança e sobe ao telhado sem proteção perde credibilidade.

Interação oral e escrita

Explicação oral: contexto, resposta curta, evidência, ressalvas, passo seguinte.

Analogias: potência é a velocidade e energia a distância; inversor é o tradutor entre o painel e a casa.

Documento Boas práticas
Email assunto claro, resposta no primeiro parágrafo, lista curta
Proposta inclui e exclui, pressupostos de produção, validade, garantias
Relatório de visita data, observações, fotografias, medições, pendentes

Frases curtas, números com unidades, siglas explicadas, revisão antes de enviar.

Bloco 11 · Alertar o cliente e relatório de estudo

Aspetos que condicionam o funcionamento global

Área Alerta
Sombras árvores, chaminés, edifícios; crescimento de árvores
Orientação e inclinação a produção depende delas
Cobertura idade, estrutura, materiais perigosos como fibrocimento com amianto
Consumo autoconsumo depende de quando se gasta
Produção variável dia, estação, tempo; nem em apagão sem sistema adequado
Vida útil inversor 10 a 15 anos; baterias por ciclos
Manutenção e segurança limpeza, inspeção; módulos e cabos CC ficam sob tensão sempre que há luz, mesmo com o inversor desligado: não mexer

Lidar com a reclamação de produção baixa

Cliente: «Em janeiro produzi 90 kWh e o orçamento falava em 5 400 kWh por ano». Sistema de 3,6 kWp.

  1. Média mensal: 450 kWh, mas janeiro é um mês fraco (cerca de 5 % do ano: ~270 kWh).
  2. 90 kWh é um terço do esperado: ver causas (chuva, sombra de inverno, falha, erro do inversor, sujidade).
  3. Ouvir, reconhecer, verificar os dados da monitorização, comparar com a irradiação, propor visita se houver anomalia.
  4. Se o orçamento não mostrava a variação sazonal, corrige-se a informação.

Eficiência na utilização: o que dizer no fim da instalação

  1. Deslocar consumos para as horas de sol.
  2. Usar a monitorização e olhar semanalmente no início.
  3. Limpar só quando necessário e em segurança.
  4. Registar a produção base e reportar descidas inexplicadas.
  5. Não alterar a instalação sem contactar o instalador.
  6. Guardar manuais, garantias, certificados e esquema.

O cliente informado é o melhor aliado do bom desempenho do sistema.

Relatório de estudo de soluções sustentáveis

Secção Conteúdo
1. Identificação cliente, local, objetivo
2. Local e consumo cobertura, sombras, consumo anual e perfil
3. Recurso irradiação ou vento, fonte dos dados
4. a 7. Soluções e análises técnica, económica, ambiental
8. Legal e incentivos registos, licenciamento, apoios (sem prometer)
9. Riscos sombras, manutenção, incertezas
10. Recomendação solução e justificação
11. Anexos e fontes fichas, simulações, fotografias

Resumo de uma página, pressupostos declarados, intervalos quando há incerteza.

Fluxo completo do trabalho

Ouvir o cliente → Analisar documentos e recurso → Estimar produção e custos
→ Considerar impacto, legislação e incentivos → Comunicar de forma assertiva
→ Alertar para o que condiciona → Relatório e acompanhamento
  • Cada etapa depende da anterior: sem consumo conhecido não há dimensionamento.
  • O fluxo aplica-se ao fotovoltaico, ao eólico, ao térmico e aos sistemas mistos.
  • Rigor, empatia, escuta ativa e assertividade são atitudes avaliadas.

Boas práticas finais

  • Reduzir antes de produzir: eficiência primeiro.
  • Medir o recurso: Sol e vento não são promessas.
  • Declarar pressupostos e apresentar cenários.
  • Remeter para o diploma e o aviso em vigor, sem valores de memória.
  • Comunicar de forma assertiva e adequada ao interlocutor.
  • Alertar para sombras, consumo, cobertura, manutenção e vida útil.

Um técnico que informa bem tem clientes que usam bem e recomendam.

Recapitulando

  • Energia e eficiência: reduzir, otimizar, só depois produzir; medidas ativas e passivas.
  • Heliotecnia e aerotecnia dão o recurso: radiação, geometria solar, sombras; atmosfera, vento e Betz.
  • Fotovoltaicos e eólicos: tipos, componentes, fichas técnicas, potencial e ciclo de vida.
  • Incentivos e legislação: remeter sempre para o diploma e o aviso em vigor.
  • Comunicação assertiva, escuta ativa e alertas sobre o que condiciona o funcionamento global.

Próximo: fichas e mini-projeto, informar um cliente real com um relatório de estudo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as três realizações da UC são três momentos do mesmo trabalho - erro comum: achar que a função do técnico acaba quando o último módulo está fixo - exemplo: uma casa onde ninguém sabe que a máquina de lavar deve trabalhar de dia rende menos do que podia

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o conteúdo é o mesmo, muda a linguagem e o nível de detalhe - erro comum: responder em jargão a quem perguntou em linguagem corrente - exemplo: «quanto vai produzir?» respondido de duas formas, a uma família e a um administrador

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estimativa não é garantia, e deve ser dita como estimativa - erro comum: prometer um retorno de x anos sem pressupostos - pergunta: que frase usariam para dizer «não sei» sem perder credibilidade?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: kW e kWh são grandezas diferentes e a confusão é a mais frequente no atendimento - erro comum: dizer «o painel produz 450 kWh» quando é 450 W de potência de pico - exemplo: 200 L de água de 15 para 55 °C pedem 9,29 kWh

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhuma transformação tem rendimento de 100 % - erro comum: somar rendimentos em vez de os multiplicar - analogia: uma cadeia de passagens de testemunho, perde-se um pouco em cada uma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a eficiência é «do todo», combina medidas ativas e passivas - erro comum: vender painéis a uma casa com perdas enormes por isolar - exemplo: trocar 10 lâmpadas de 60 W por LED de 8 W poupa cerca de 759 kWh por ano

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem medir não se gere - erro comum: escolher o eletrodoméstico só pela classe e ignorar o consumo anual - pergunta: que consumos da vossa casa podiam passar para o meio do dia?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: hidrogénio verde é vetor, não fonte - erro comum: dizer que renovável é sinónimo de sem impacto - exemplo: geotermia nos Açores para eletricidade, bombas de calor geotérmicas no continente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a coincidência entre produção e consumo é o argumento forte - erro comum: propor eólica sem medição de vento - analogia: escolher a ferramenta pelo trabalho, não pela moda

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: num dia nublado o módulo produz com a difusa, embora menos - erro comum: dizer que sem sol direto não há produção - exemplo: albedo da relva 0,2, da neve fresca 0,8

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o infravermelho é calor, o visível é o mais bem aproveitado pelo silício - erro comum: confundir luz com calor, os módulos perdem rendimento com o calor - analogia: o espectro é como as notas de um piano, cada tecnologia toca algumas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: horas de sol pico é a irradiação expressa em horas a 1 kW/m² - erro comum: confundir horas de sol com horas de luz do dia - exemplo: pedir aos alunos que consultem o PVGIS para a localidade da escola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o pior dia para sombras é o solstício de inverno - erro comum: usar a hora oficial em vez da hora solar nos cálculos - exemplo: às 14 h solares, a 21 de dezembro, em Lisboa, o Sol está a 21,8°

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: telhado a sudoeste ou sudeste ainda é muito bom - erro comum: recusar um telhado a SE por «não ser a sul» - pergunta: quando faz sentido um sistema este-oeste? (consumo de manhã e ao fim da tarde)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as sombras de inverno são as que decidem o espaçamento - erro comum: avaliar sombras só no verão, quando o Sol está alto - analogia: uma sombra num módulo é como um aperto numa mangueira, afeta o caudal de toda a fileira

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: série soma tensão, paralelo soma corrente - erro comum: ligar módulos em paralelo quando se queria subir a tensão - analogia: série como pilhas em fila, paralelo como pilhas lado a lado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: Sol não é igual a eletricidade em caso de apagão - erro comum: prometer ao cliente que terá luz durante um corte com um sistema simples - exemplo: perguntar à turma que sistema escolhem para um abrigo de montanha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a configuração responde às condições do local - erro comum: escolher microinversores em todos os casos por moda - pergunta: num telhado com duas águas, a SE e a SO, que configuração escolhiam?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o inversor é o componente com vida útil mais curta, deve entrar no orçamento a longo prazo - erro comum: esquecer a ligação à terra e a equipotencialidade - exemplo: mostrar um inversor real e identificar entradas, saídas e indicadores

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a potência de pico é um valor de ensaio, não a potência média - erro comum: comparar módulos com condições de ensaio diferentes - exemplo: com célula a 60 °C e -0,35 %/°C, um módulo de 450 Wp dá cerca de 395 W

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: verificar sempre a tensão máxima no frio, não só a nominal - erro comum: calcular só com a tensão de funcionamento e queimar o inversor num dia de geada - pergunta: e se fossem 14 módulos em série? (14 × 45,3 = 634 V, excede 600 V)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: duas casas com o mesmo sistema podem ter resultados muito diferentes - erro comum: instalar bateria por defeito - exemplo: família fora de casa de dia tem autoconsumo de 25 a 35 %, reformado em casa 40 a 55 %

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: apresentar sempre pressupostos e cenários, não um valor único - erro comum: contar o excedente ao preço de compra - pergunta: que hábitos mudariam para subir o autoconsumo?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o sistema produz uma dúzia a três dezenas de vezes a energia que consumiu - erro comum: dizer que os painéis gastam mais energia a fazer do que produzem - exemplo: o fator de emissão da rede muda todos os anos, usar o oficial em vigor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o solar térmico dá calor, o fotovoltaico dá eletricidade - erro comum: dispensar o sistema de apoio - exemplo: mostrar a diferença entre um sistema em termossifão e um de circulação forçada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comparar sempre alternativas, não só avaliar uma - erro comum: ignorar a manutenção e a vida útil dos componentes - pergunta: o que muda se a bomba de calor usar eletricidade fotovoltaica própria?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a complementaridade solar-eólica reduz a bateria necessária, se o vento for medido - erro comum: juntar fontes sem estudar a complementaridade local - exemplo: casa isolada com 3 kWh/dia: no inverno, solar 1,6 + eólico 2,0 cobre o consumo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a densidade do ar entra diretamente na potência - erro comum: ignorar a altitude do local no cálculo - exemplo: calcular ρ a 1 000 m de altitude (cerca de 1,11 kg/m³)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as pás modernas funcionam por sustentação, como uma asa de avião - erro comum: achar que o vento «empurra» as pás de um aerogerador moderno - analogia: pôr a mão fora da janela do carro e inclinar, sente-se a sustentação e o arrasto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a velocidade média sozinha não chega, conta a distribuição - erro comum: confundir km/h com m/s (1 m/s = 3,6 km/h) - exemplo: o vento a 10 m com 5 m/s dá 5,83 m/s a 30 m, ou 59 % mais potência

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o cubo da velocidade: pequenas diferenças de vento têm grandes efeitos - erro comum: achar que dobrar o vento dobra a potência - pergunta: qual a vantagem de subir a turbina de 10 para 30 m? (+59 % de potência no vento)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a torre alta é o investimento que mais compensa - erro comum: instalar a turbina a baixa altura, na zona turbulenta - exemplo: mostrar um desenho em corte da nacelle e identificar peças

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: HAWT é mais eficiente; as VAWT têm resultados modestos em meio urbano - erro comum: vender VAWT em telhado como solução milagrosa - pergunta: que vantagem tem o passo variável em vento forte?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: produção anual = curva de potência × distribuição de Weibull do local - erro comum: multiplicar a potência a 6 m/s por 8 760 horas - analogia: como a média das notas não conta a história da turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: em meio urbano as pequenas turbinas raramente cumprem os folhetos - erro comum: confiar na velocidade do vento de uma estação meteorológica distante - exemplo: se o vento passar de 5,5 para 4,5 m/s, a potência no vento cai para 55 % e o retorno aumenta muito, como ordem de grandeza; a produção anual exata estima-se com a curva de potência e a distribuição de Weibull do local, porque a energia anual não segue o cubo da velocidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o retorno energético é curto, mas o económico pode ser longo - erro comum: misturar energia elétrica e energia primária sem dizer - pergunta: o que fazer com as pás no fim de vida?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhuma tecnologia é neutra, mas as ordens de grandeza são muito diferentes - erro comum: apresentar valores de emissão sem dizer a fonte e o ano - exemplo: fotovoltaico de 8 kWp evita 2 400 kg CO2 por ano, turbina de 5 kW evita 1 402 kg

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os programas mudam de avisos, valores e prazos com frequência - erro comum: tratar o incentivo como direito, quando é candidatura - exemplo: apresentar o retorno com e sem apoio, 9,1 anos contra 7,3 anos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dois cenários sempre, o cliente decide com a incerteza à vista - erro comum: iniciar a obra antes de cumprir a condição do aviso e perder o direito ao apoio - pergunta: como explicariam a um cliente que o apoio acabou antes de ele se candidatar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico sabe que existe, a quem se aplica e onde consultar, sem citar prazos de memória - erro comum: afirmar prazos de validade ou valores de memória; a validade lê-se no próprio certificado e confirma-se no portal do SCE da ADENE - exemplo: cliente pergunta se precisa de novo certificado depois de pôr painéis

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o instalador conhece o procedimento, o técnico informa o cliente do que existe - erro comum: dizer ao cliente «não precisa de registo» só por ser pequeno, sem confirmar a potência e se injeta excedente na rede - exemplo: pedir aos alunos que localizem o portal da DGEG e a área do autoconsumo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: antes de falar com o cliente, o técnico domina os documentos - erro comum: aceitar um número de uma proposta sem pedir o pressuposto - exemplo: pedir à turma para localizar o Voc e o coeficiente de temperatura numa ficha real

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: €/kWp não é o único critério - erro comum: escolher a mais barata sem verificar a área e as garantias - pergunta: que outras perguntas fariam ao fornecedor da proposta B?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: assertivo não é duro nem frouxo - erro comum: confundir assertividade com firmeza agressiva - exemplo: reescrever em grupo a resposta passiva sobre o telhado a norte

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reformular («se percebi bem...») evita mal-entendidos - erro comum: interromper o cliente ou olhar o telemóvel durante a explicação - exemplo: role-play de 3 minutos com observador a anotar a linguagem não verbal

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a resposta vem primeiro, a justificação depois - erro comum: abrir um email com três parágrafos de contexto antes da resposta - exemplo: reescrever um orçamento confuso com pressupostos claros

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a eficiência é do todo, a produção final fica limitada pelo elo mais fraco - erro comum: falar só do que o sistema faz bem - exemplo: telhado de fibrocimento com 40 anos: avaliar antes de fixar qualquer estrutura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: primeiro ouvir e ver os dados, só depois explicar - erro comum: discutir ou defender-se antes de verificar a monitorização - pergunta: que gráfico deveria constar do orçamento para evitar esta reclamação?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a entrega ao cliente é parte do projeto, não um extra - erro comum: entregar a instalação sem mostrar a monitorização - exemplo: simular a entrega a um cliente com 5 minutos de explicação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o relatório é a aptidão final da UC e o produto do mini-projeto - erro comum: um único valor sem pressupostos nem fontes - exemplo: moradia em Palmela, 5 000 kWh por ano, telhado a sudoeste: 3,6 kWp dá 5 184 kWh

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o fluxo como fio condutor da UC - erro comum: tratar cada tema isoladamente sem ver a cadeia - exemplo: percorrer o fluxo com um caso real trazido pela turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas boas práticas resumem os onze blocos da UC - erro comum: achar que informar é um passo menor face a instalar - analogia: um piloto explica o voo aos passageiros, a confiança faz parte da viagem