UC02975

Programar e operar máquinas de electroerosão CNC por fio

Do desenho da peça ao programa, o setup e o controlo do corte a fio

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Produção de Cunhos e Cortantes

Plano

  1. Desenho técnico e documentação de fabrico
  2. Materiais e acabamento superficial
  3. Princípios da electroerosão
  4. A máquina de electroerosão por fio
  5. Parâmetros tecnológicos
  6. Organização do posto de trabalho
  7. Programação de electroerosão por fio
  8. Metrologia dimensional
  9. O fio e o dielétrico
  10. Dispositivos de aperto e fixação
  11. Preparação e configuração da máquina
  12. Zero-peça e comunicação PC-máquina
  13. Arranque, controlo e parâmetros GAP
  14. Manutenção preventiva
  15. Segurança, saúde e ambiente

Bloco 1 · Desenho técnico e documentação de fabrico

Ler o desenho antes de tocar na máquina

Nenhum programa de electroerosão nasce na máquina: nasce no desenho de fabrico. Interpretá-lo é a primeira aptidão desta UC.

  • Projeções ortogonais, cortes e secções mostram a geometria interna e externa da peça.
  • A cotagem dá as dimensões nominais e as tolerâncias de cada cota.
  • Simbologia de rugosidade (Ra, Rz) e anotações de tratamento térmico condicionam o processo.

Antes de programar, o técnico responde: que geometria, que material, que tolerância, que acabamento?

Documentação de preparação do trabalho

Antes do arranque, o dossier de fabrico reúne quatro documentos:

Documento Contém
Dossier de fabrico conjunto de toda a documentação da peça
Ficha de fabrico sequência de operações, máquina, tempos
Ficha de elétrodos dados do fio/elétrodo: diâmetro, material, parâmetros
Carta de controlo cotas a verificar, instrumentos, resultados

Sem esta documentação, o operador não sabe o que já foi decidido nem o que ainda tem de verificar.

Bloco 2 · Materiais e acabamento superficial

Tecnologia dos materiais

A electroerosão maquina qualquer material condutor, independentemente da dureza:

  • Aços-ferramenta temperados (55-64 HRC): o caso típico de cunhos e cortantes; a electroerosão não sofre com a dureza porque não há corte mecânico.
  • Carbonetos sinterizados (metal duro): usados em cortantes de vida longa, maquináveis só por electroerosão ou retificação.
  • Ligas condutoras em geral: alumínio, latão, aços inoxidáveis.

A dureza da peça não afeta a velocidade de corte do mesmo modo que na maquinação convencional; o que importa é a condutividade elétrica.

Acabamento superficial: Ra e Rz

O acabamento superficial obtido depende diretamente dos parâmetros tecnológicos usados no corte.

  • Ra (rugosidade média): média das distâncias do perfil à linha média. É o valor mais pedido nos desenhos.
  • Rz: diferença entre o pico mais alto e o vale mais fundo, mais sensível a um defeito isolado.
Tipo de passagem Ra típico (μm)
Corte de desbaste (1.ª passagem) 3,2 a 6,3
Corte de acabamento (2.ª/3.ª passagem) 0,4 a 1,6
Corte de super-acabamento 0,1 a 0,4

Quanto mais fino o acabamento pedido, mais passagens de acabamento (trim cuts) são necessárias.

Bloco 3 · Princípios da electroerosão

O que é a electroerosão

A electroerosão (EDM, Electrical Discharge Machining) remove material por descargas elétricas (faíscas) entre um elétrodo e a peça, mergulhados num fluido dielétrico, sem contacto mecânico direto.

  • Cada faísca funde e vaporiza uma micropartícula de material.
  • O dielétrico isola o elétrodo da peça até à tensão de ignição, e depois arrefece e arrasta os detritos.
  • Como não há esforço de corte, maquina qualquer material condutor, por mais duro que seja.

É por isto que a electroerosão fecha o processo de fabrico de cunhos e cortantes, depois da têmpera.

Por fio vs por penetração

A UC trata do corte por fio; a UC02974 trata da penetração. A diferença está no elétrodo:

Por fio (wire EDM) Por penetração (sinker EDM)
Elétrodo fio metálico contínuo peça moldada (grafite/cobre)
Movimento o fio corta como uma serra o elétrodo "afunda" na peça
Dielétrico água desionizada óleo dielétrico
Aplicação típica contornos, furos, cortantes cavidades de moldes

O corte a fio é o processo natural para os contornos de corte de um cunho ou cortante.

Bloco 4 · A máquina de electroerosão por fio

Constituição da máquina

  • Bobina de alimentação de fio e bobina de recolha (o fio é sempre novo, nunca reutilizado).
  • Guias de fio superior e inferior: posicionam o fio com precisão e alojam os contactos elétricos.
  • Tanque de trabalho com água desionizada, onde a peça fica submersa durante o corte.
  • Mesa X-Y que posiciona a peça; algumas máquinas têm eixos U-V nas guias superiores para cortes cónicos.
  • Gerador de impulsos (a fonte de potência) e CNC de comando.
  • Sistema de filtragem e desionização da água, e bombas de lavagem (flushing).

Como funciona o corte

  1. O fio desenrola-se continuamente da bobina, passa pelas guias e é recolhido do outro lado.
  2. A mesa X-Y desloca a peça seguindo a trajetória programada; o fio "corta" a fenda.
  3. O gerador aplica impulsos elétricos entre o fio e a peça, gerando as faíscas de erosão.
  4. A água desionizada arrefece, isola e arrasta os detritos (swarf) para fora do corte.
  5. Um sistema servo mantém o GAP (distância fio-peça) constante, ajustando a velocidade de avanço.

O fio nunca para de se mover: um fio parado sob tensão rompe-se pelo desgaste local da faísca.

Bloco 5 · Parâmetros tecnológicos

Intensidade e tempos de impulso

Cada descarga é definida por três parâmetros do gerador:

  • Intensidade de impulso: a corrente de cada descarga, em amperes; mais intensidade, mais remoção de material, mas pior acabamento.
  • Tempo de impulso (Ton): a duração de cada descarga, em microssegundos.
  • Tempo de pausa (Toff): o intervalo entre descargas, necessário para desionizar o dielétrico e evacuar os detritos.

Um Toff curto a mais aumenta o risco de curto-circuito e de rutura do fio.

Tensão de descarga e polaridade

  • Tensão de descarga: a tensão em vazio antes da faísca "acender"; condiciona a largura do gap que a faísca consegue saltar.
  • Polaridade: qual dos dois (fio ou peça) é positivo. No corte de acabamento a fio, o fio é normalmente positivo e a peça negativa.
Parâmetro Efeito ao subir
Intensidade mais remoção, pior Ra
Ton mais remoção, pior Ra
Toff mais estabilidade, menos velocidade
Tensão de descarga gap maior, corte mais "aberto"

Os parâmetros de desbaste e de acabamento são sempre diferentes: mais agressivos na 1.ª passagem, mais suaves nas seguintes.

Bloco 6 · Organização do posto de trabalho

Boas práticas e procedimentos

Um posto de electroerosão organizado reduz erros e acidentes:

  • Manter a área limpa e desimpedida, sem obstáculos junto ao tanque de trabalho.
  • Arrumar bobinas de fio, ferramentas e instrumentos de medição em local próprio, identificado.
  • Verificar o nível e a qualidade da água desionizada antes de arrancar.
  • Confirmar que a documentação da peça (desenho, ficha de fabrico, carta de controlo) está disponível no posto.

A organização é uma das atitudes avaliadas: não é um extra, é parte do trabalho.

Bloco 7 · Programação de electroerosão por fio

Estrutura de um programa

Um programa de electroerosão por fio segue a lógica CNC, em blocos numerados:

N10 G92 X0 Y0        ; define a origem (zero-peça)
N20 G01 X10 Y0 F5     ; corte linear até (10,0)
N30 G02 X20 Y10 I0 J10 ; arco horário
N40 M02               ; fim de programa
  • Cada bloco (linha) tem um número (N…) e uma ou mais instruções.
  • As instruções combinam funções preparatórias (G), funções auxiliares (M) e coordenadas.
  • O programa segue sempre a mesma ordem: definir origem, aproximação, contorno, retirada, fim.

Funções preparatórias e auxiliares

Funções G (preparatórias, definem o tipo de movimento):

Código Função
G00 posicionamento rápido, sem corte
G01 interpolação linear (corte reto)
G02 / G03 interpolação circular horária / anti-horária
G92 definição da origem de trabalho

Funções M (auxiliares): ligar/desligar o fio, ligar/desligar a lavagem, ligar/desligar o gerador de impulsos, fim de programa.

Adequar a função certa à geometria da peça é um critério de desempenho desta UC.

Posicionamentos e trajetórias

Programar é traduzir a geometria do desenho em movimentos:

  • Posicionamento: deslocação até um ponto, sem corte (G00).
  • Trajetória linear: corte em linha reta entre dois pontos (G01).
  • Trajetória circular: corte em arco, definido pelo raio ou pelo centro relativo (I, J) e o sentido (G02/G03).

Um contorno complexo é sempre uma sequência de segmentos lineares e circulares, um bloco a seguir ao outro.

Compensação e validação por simulação

  • O programa inclui compensação do raio do fio: a trajetória programada é o contorno da peça, a máquina desloca-a do raio do fio mais o gap de faísca.
  • Antes de correr o programa a sério, valida-se por simulação gráfica no ecrã do comando, ou por execução em vazio (sem tensão aplicada).
  • A simulação apanha erros de sintaxe, trajetórias cruzadas e colisões antes de gastar fio e material.

Nunca se corre um programa novo direto na peça sem o validar primeiro.

Bloco 8 · Metrologia dimensional

Instrumentos e técnicas de medição

O controlo dimensional acompanha todo o processo, não só o resultado final:

Instrumento Mede
Paquímetro cotas gerais, com resolução de 0,02 mm
Micrómetro cotas de precisão, resolução de 0,001 mm
Comparador (relógio) desvios, alinhamentos, planicidade
Projetor de perfil contornos complexos, por comparação ótica
Rugosímetro Ra e Rz da superfície erodida

A escolha do instrumento depende da tolerância pedida: nunca usar um paquímetro onde o desenho pede micrómetro.

Aferição dos instrumentos

Antes de medir a peça, afere-se o instrumento:

  • Verificar o zero do instrumento com um bloco-padrão ou anel-padrão.
  • Confirmar que não há folgas nem desgaste nas superfícies de medição.
  • Registar a aferição, quando o instrumento é crítico para o controlo de qualidade.

Um instrumento não aferido invalida qualquer medição feita com ele, por mais rigoroso que o operador seja.

Bloco 9 · O fio e o dielétrico

Sistema de fixação do fio e diâmetro

  • O fio vem em bobina, com diâmetros típicos entre 0,10 e 0,30 mm, em latão ou fio revestido (zinco/cobre).
  • O enfiamento (threading) passa o fio pela guia superior, por um furo de arranque na peça, e pela guia inferior até à bobina de recolha; pode ser manual ou automático.
  • A tensão do fio é regulável e crítica: um fio mal tensionado desvia a trajetória e piora o acabamento.
  • O diâmetro do fio escolhe-se em função da espessura da peça e da geometria (raios internos apertados pedem fio mais fino).

Líquidos dielétricos

No corte a fio, o dielétrico é água desionizada (resistividade controlada por resinas de troca iónica), diferente do óleo usado na electroerosão por penetração.

  • Função tripla: isolar (até à tensão de ignição), arrefecer e arrastar os detritos.
  • A condutividade da água é monitorizada e ajustada: água a mais condutora dá descargas instáveis, água a menos condutora reduz a velocidade de corte.
  • Filtros e resinas precisam de manutenção regular (Bloco 14).

Água fora de especificação é uma das causas mais comuns de mau acabamento e de rutura de fio.

Bloco 10 · Dispositivos de aperto e fixação

Sistemas de fixação da peça

A peça tem de ficar rigidamente fixa e acessível ao fio por todos os lados do contorno a cortar:

  • Sistemas magnéticos: rápidos, para peças ferrosas de faces planas.
  • Mordentes e placas mecânicas: para geometrias irregulares ou peças não magnéticas.
  • Apoios e calços: elevam a peça para o fio poder atravessar de lado a lado, dentro do tanque.

A escolha do dispositivo depende da geometria da peça e da acessibilidade que o contorno exige.

Alinhamento interno e externo

  • Alinhamento externo: referencia as faces e arestas exteriores da peça, com um comparador apalpando lateralmente.
  • Alinhamento interno: referencia um furo ou contorno interno já existente, centrando a peça em relação a esse elemento.
  • Em ambos os casos, usa-se um relógio comparador montado na máquina, deslocando os eixos e lendo o desvio.

Um alinhamento mal feito propaga-se a toda a peça: a primeira cota errada desalinha todo o contorno.

Bloco 11 · Preparação e configuração da máquina

Modos de operação e configuração

Preparar a máquina para uma nova peça segue uma sequência fixa:

  1. Selecionar o modo de operação (manual, para posicionar e alinhar; automático, para correr o programa).
  2. Introduzir os parâmetros tecnológicos de acordo com o material e a espessura.
  3. Confirmar o diâmetro e o tipo de fio montado corresponde à ficha de elétrodos.
  4. Configurar as passagens previstas: desbaste e uma ou mais de acabamento.
  5. Verificar o nível e a filtragem da água antes de arrancar.

Cumprir esta sequência, pela ordem certa, é um critério de desempenho da UC.

Bloco 12 · Zero-peça e comunicação PC-máquina

Obtenção do zero-peça

O zero-peça é o ponto de origem do programa, do qual partem todas as coordenadas do contorno.

  • Por contacto elétrico: o fio desloca-se lentamente até tocar numa face de referência, e o comando regista essa posição.
  • Por centragem em furo: o fio apalpa os dois lados de um furo de referência e o comando calcula o centro.
  • O zero-peça obtido tem de corresponder exatamente ao ponto de origem usado no desenho e no programa.

Um zero-peça errado desloca toda a peça cortada, mesmo que o programa esteja perfeito.

Comunicação entre computador e máquina

  • O programa é escrito ou gerado em software CAM no computador, e transferido para o CNC da máquina.
  • A transferência pode ser por cabo/rede, pen USB ou protocolo DNC, conforme a máquina.
  • Antes de correr, confirma-se que o programa recebido é o correto (nome, versão, data).

Um programa antigo transferido por engano corta a peça errada, mesmo com tudo o resto certo.

Bloco 13 · Arranque, controlo e parâmetros GAP

Arranque e aquecimento da máquina

Antes do corte, a máquina precisa de arrancar e aquecer:

  • Ligar a bomba de circulação da água e confirmar o fluxo de lavagem nas guias.
  • Verificar a tensão do fio e o enfiamento correto.
  • Deixar o sistema estabilizar (temperatura e condutividade da água) antes de iniciar o corte de precisão.
  • Confirmar, num corte de teste curto, que os parâmetros produzem faíscas estáveis.

Arrancar a frio, sem esta verificação, é a causa mais comum de rutura de fio nos primeiros minutos.

Parâmetros GAP e compensação do desgaste do elétrodo

  • O GAP é a distância entre o fio e a peça, mantida constante por controlo servo durante todo o corte.
  • Um GAP a mais reduz a velocidade e pode extinguir a faísca; um GAP a menos aumenta o risco de curto-circuito.
  • O fio funciona como elétrodo consumível: o seu diâmetro real, mais o GAP de faísca, tem de ser compensado na trajetória, para a cota final da peça corresponder à cota do desenho.
  • Este ajuste faz-se em função da cota controlada: mede-se a peça e afina-se a compensação até a cota bater certo.

Controlo do processo em curso

Durante o corte, o operador monitoriza:

  • Corrente e tensão no ecrã do comando, à procura de instabilidades.
  • Velocidade de corte real contra a prevista; uma queda brusca aponta para mau flushing ou detritos acumulados.
  • Estado do fio: consumo da bobina, tensão mantida, sem sinais de rutura iminente.
  • As tolerâncias e o acabamento obtidos nas primeiras peças de uma série, ajustando parâmetros se necessário.

Controlar o processo em curso é o que separa uma peça dentro da tolerância de uma peça de refugo.

Bloco 14 · Manutenção preventiva

Manutenção da máquina

A manutenção preventiva garante que a precisão da máquina se mantém ao longo do tempo:

  • Filtros e resinas de troca iónica: substituir conforme a condutividade da água sobe acima do previsto.
  • Guias de fio: verificar o desgaste (normalmente em diamante ou safira), causa direta de perda de precisão.
  • Tanque de trabalho: limpar dos detritos e lamas acumuladas.
  • Tensão do fio e alinhamento das guias: verificação periódica.

Uma máquina bem mantida corta com a mesma precisão no primeiro e no último dia do mês.

Bloco 15 · Segurança, saúde e ambiente

Riscos e equipamentos de proteção individual

A electroerosão tem riscos próprios, diferentes da maquinação convencional:

  • Risco elétrico: os impulsos do gerador trabalham a tensões que exigem respeito pelas instruções da máquina.
  • Água e produtos químicos: contacto prolongado, e resinas/filtros a substituir com cuidado.
  • Ergonomia: posturas prolongadas junto ao tanque de trabalho.

EPI obrigatório: luvas adequadas ao manuseio de água e fio, óculos de proteção, calçado de segurança. Nunca operar sem eles.

Normas de segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental

  • Cumprir os planos e normas de segurança e saúde no trabalho da empresa e do equipamento.
  • Gestão de resíduos: água usada, resinas e filtros gastos, e detritos metálicos do corte seguem circuitos próprios, nunca o esgoto comum.
  • Prevenção de acidentes: procedimentos de emergência, paragem de emergência acessível, formação atualizada.
  • A proteção ambiental é uma responsabilidade do operador, não só da gestão da empresa.

Respeitar estas normas é uma atitude avaliada em todas as UCs do curso, não só nesta.

Recapitulando

  • A electroerosão por fio remove material por faíscas, sem contacto mecânico, ideal para aço temperado e metal duro.
  • Programar é traduzir a geometria em G/M-codes, com compensação do raio do fio e validação por simulação.
  • O setup cobre fixação, alinhamento, zero-peça e comunicação PC-máquina, sempre pela ordem certa.
  • O GAP e a compensação do desgaste do elétrodo ajustam-se em função da cota controlada, medição a medição.
  • Manutenção, segurança e proteção ambiental são parte do trabalho, não um extra.

Próximo: fichas e mini-projeto, programar e operar um corte real.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: electroerosão é a etapa final de peças já temperadas; o desenho traz sempre a nota de tratamento térmico. - Erro comum: começar a programar sem confirmar a cota crítica e a tolerância mais apertada da peça. - Exemplo: um cunho com um furo de contorno Ø20H7, com nota "temperar a 60 HRC antes de erodir".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a ficha de elétrodos, no corte a fio, regista o diâmetro e o material do fio, não um elétrodo moldado. - Erro comum: confundir a ficha de elétrodos da electroerosão por fio com a da electroerosão por penetração. - Pergunta: porque é que a carta de controlo se preenche depois de erodir e não antes?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é exatamente por não haver esforço de corte que a electroerosão é a escolha para aço já temperado. - Erro comum: pensar que material mais duro implica sempre corte mais lento; depende mais da espessura e da condutividade. - Exemplo: um cunho em aço-ferramenta a 62 HRC corta-se depois de temperado, sem deformar o gume.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o Ra final não sai de uma única passagem; resulta de sucessivas passagens de acabamento com parâmetros mais suaves. - Erro comum: programar só uma passagem quando o desenho pede Ra 0,4. - Pergunta: porque é que cada passagem de acabamento remove cada vez menos material?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a peça e o elétrodo NUNCA se tocam; há sempre um gap preenchido por dielétrico. - Erro comum: achar que a electroerosão "corta" mecanicamente. É erosão térmica, faísca a faísca. - Analogia: como um relâmpago em miniatura, repetido milhares de vezes por segundo, que vai "comendo" o material.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o fio é consumível e contínuo, nunca reproduz uma forma fixa como o elétrodo de penetração. - Erro comum: confundir os dois processos na ficha de elétrodos, que tem campos diferentes para cada um. - Exemplo: o contorno de corte de uma matriz progressiva é sempre feito a fio; a cavidade de um molde, por penetração.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os eixos U-V são o que distingue uma máquina que só corta perfis retos verticais de uma que corta cones (ângulos de saída de matriz). - Erro comum: pensar que a peça se move; na maioria das máquinas é a mesa X-Y que se move, não o fio. - Exemplo: um cortante com ângulo de saída de 1° usa os eixos U-V para dar folga à peça estampada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o fio move-se sempre, mesmo a corte lento, precisamente para não se romper no mesmo ponto. - Erro comum: achar que um fio mais "resistente" evita a rutura; o que evita é o movimento contínuo e o GAP correto. - Pergunta: o que acontece se a lavagem falhar e os detritos se acumularem no corte?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: Toff não é tempo perdido, é o tempo que o dielétrico precisa para "reconstituir" o isolamento entre faíscas. - Erro comum: reduzir o Toff para ganhar velocidade e provocar ruturas de fio em cadeia. - Analogia: como respirar entre esforços; sem pausa, o sistema "sufoca" e falha.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: não existe um único "parâmetro certo"; a máquina tem tabelas tecnológicas por espessura e material, ponto de partida a ajustar. - Erro comum: usar os parâmetros de desbaste em todas as passagens e nunca atingir o Ra pedido. - Exemplo: cortar 20 mm de aço-ferramenta a 62 HRC com uma passagem de desbaste e duas de acabamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar este slide diretamente ao critério de desempenho "mantendo o posto de trabalho organizado". - Erro comum: só arrumar no fim do turno; a organização faz-se antes e durante, não só depois. - Pergunta: porque é que a qualidade da água desionizada afeta diretamente a precisão do corte?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a estrutura é muito parecida com a fresagem CNC; quem já programou fresagem reconhece a lógica. - Erro comum: esquecer o M02/M30 no final, deixando o programa "em aberto". - Exemplo: mostrar o mesmo contorno primeiro no papel, depois traduzido bloco a bloco.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: G00 nunca corta, é só deslocação; usar G01/G02/G03 em corte é erro grave (fio "morto" a viajar sem controlo). - Erro comum: trocar G02 por G03 e obter o arco do lado errado. - Pergunta: que código uso para ir da posição de troca de fio até ao início do contorno, sem cortar?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: qualquer geometria, por mais complexa, decompõe-se em retas e arcos; é a mesma lógica do desenho técnico. - Erro comum: não fechar o contorno no ponto exato de partida, deixando um degrau na peça. - Exemplo: o contorno de um cunho redondo com um rasgo é uma sequência de um arco e duas retas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sem a compensação do raio do fio, a peça sai sempre com a medida errada (mais pequena ou maior do que a cota pedida). - Erro comum: saltar a simulação "porque já está tudo certo"; é exatamente onde se apanham os erros mais caros. - Pergunta: se o fio tem 0,2 mm de diâmetro, que compensação mínima o programa tem de considerar?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a resolução do instrumento tem de ser, no mínimo, dez vezes menor do que a tolerância a controlar. - Erro comum: medir uma cota H7 (poucos centésimos) com um paquímetro comum. - Exemplo: um cunho Ø20H7 (tolerância de 0 a +0,021 mm) exige micrómetro ou comparador, nunca paquímetro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: aferir não é opcional, é o primeiro passo de qualquer medição de rigor. - Erro comum: assumir que o instrumento "está sempre certo" porque é novo ou caro. - Pergunta: porque é que um micrómetro cai de precisão depois de uma queda ao chão, mesmo sem marca visível?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: identificar o diâmetro do fio certo para a operação é uma aptidão avaliada, não um detalhe menor. - Erro comum: usar um fio grosso num raio interno apertado que ele fisicamente não consegue descrever. - Exemplo: um cortante com um canto interno de raio 0,15 mm exige fio de 0,10 ou 0,15 mm de diâmetro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: contrastar sempre com a electroerosão por penetração (óleo) para fixar a diferença entre os dois processos. - Erro comum: achar que "é só água da torneira"; a condutividade tem de estar dentro de uma janela controlada. - Pergunta: que sinal na peça (mau acabamento, rutura de fio) aponta para água fora de especificação?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o fio tem de "passar" livremente por todo o contorno; um aperto mal pensado bloqueia o corte a meio. - Erro comum: apertar a peça exatamente sobre a linha de corte, impedindo o fio de completar o contorno. - Exemplo: um cunho retangular apoiado em dois calços, com a zona de corte em consola, livre de obstáculos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: alinhar é sempre feito ANTES de definir o zero-peça; a ordem importa. - Erro comum: alinhar só por olho, sem comparador, "porque parece direito". - Pergunta: numa peça já com um furo de referência maquinado, porque se prefere o alinhamento interno?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o critério de desempenho fala explicitamente em "cumprir as instruções no setup"; a ordem não é arbitrária. - Erro comum: saltar a confirmação do fio e descobrir a meio do corte que o diâmetro está errado. - Exemplo: passar de uma peça fina em latão para uma espessa em aço-ferramenta muda quase todos os parâmetros.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o zero-peça liga diretamente o mundo físico (a peça na máquina) ao mundo do programa (as coordenadas). - Erro comum: definir o zero-peça numa face errada, diferente da que o desenhador usou como origem. - Pergunta: porque é que a centragem em furo é mais fiável do que apalpar só uma aresta?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: confirmar nome e versão do programa é um hábito profissional, não burocracia. - Erro comum: correr um programa de uma peça parecida, mas de outra ordem de fabrico. - Exemplo: dois cunhos semelhantes, com ficheiros de nomes muito próximos, trocados na transferência.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: aquecer não é perda de tempo, é garantir que a peça toda é cortada nas mesmas condições térmicas. - Erro comum: saltar o corte de teste e arrancar logo na peça definitiva. - Pergunta: porque é que a temperatura da água influencia a precisão dimensional ao longo de um turno?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: este é o critério de desempenho mais técnico da UC, "assegurando ajuste dos parâmetros tecnológicos, GAP e compensação do desgaste do elétrodo em função da cota controlada". - Erro comum: compensar só uma vez no início e nunca reajustar depois de medir a primeira peça. - Exemplo: uma cota que sai 0,01 mm maior do que o pedido corrige-se aumentando ligeiramente a compensação do fio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o controlo não é só no fim; é uma verificação contínua enquanto a máquina corta. - Erro comum: só medir a peça no fim do lote inteiro, descobrindo tarde que o desvio se acumulou. - Pergunta: se a velocidade de corte cai a meio da peça, que causas devem ser verificadas primeiro?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: ligar à atitude "responsabilidade"; a manutenção preventiva evita paragens não planeadas. - Erro comum: só fazer manutenção quando a máquina já dá erro de precisão, em vez de prevenir. - Exemplo: guias de fio gastas produzem cortes ligeiramente cónicos sem o operador perceber logo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o risco elétrico da electroerosão é diferente do risco mecânico de uma fresadora; exige outro tipo de atenção. - Erro comum: relaxar a segurança porque "não há ferramenta de corte visível" como numa fresadora. - Pergunta: porque é que mexer no gerador de impulsos sem formação específica é particularmente perigoso?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a gestão de resíduos da água dielétrica e das resinas é uma obrigação legal, não uma boa vontade. - Erro comum: tratar os detritos metálicos e a água usada como lixo comum. - Exemplo: um lote de resina de troca iónica gasta segue para um operador licenciado de resíduos, não para o caixote geral.