UC02965

Organizar e executar as atividades de setup em fresadoras CNC

Dispositivos de aperto, ferramentas de corte, alinhamento, zero peça e tabelas do controlador

Curso profissional · 50h · Técnico de Programação e Maquinação CNC

Plano

  1. Fresagem CNC: o que é o setup
  2. Organização do posto e leitura do desenho técnico
  3. Metrologia dimensional
  4. Setup interno e setup externo
  5. Dispositivos de aperto: tipologias
  6. Preparação e montagem dos dispositivos de aperto
  7. Alinhamento dos dispositivos de aperto
  8. Ferramentas de corte, suportes e acessórios
  9. Preparação das ferramentas de corte
  10. Medição e ajuste de ferramentas de corte
  11. Verificação do comprimento e tabela de ferramentas
  12. Determinação do zero peça
  13. Tabela de pontos de referência e configuração do controlador
  14. Modos de operação, arranque e comunicação computador máquina
  15. Segurança, EPI e normas SST no setup

Bloco 1 · Fresagem CNC: o que é o setup

O setup na fresagem CNC

O setup é o conjunto de operações realizadas entre o fabrico de um lote e o seguinte, para preparar a máquina, os dispositivos e as ferramentas para a peça a seguir.

  • Não produz peças boas, mas determina se a máquina volta a produzir depressa e bem.
  • Envolve três eixos de trabalho: dispositivo de aperto, ferramentas de corte e pontos de referência.
  • Um setup mal feito gera peças fora de cota, colisões e paragens não planeadas.

Quanto melhor organizado o setup, maior o tempo em que a máquina está realmente a cortar.

Setup interno vs setup externo, a ideia central

A distinção mais importante desta UC é feita cedo:

Tipo Definição Máquina
Setup externo preparado fora da máquina, em bancada continua a produzir
Setup interno só pode ser feito com a máquina parada máquina parada
  • O objetivo é converter setup interno em externo sempre que possível.
  • Preparar ferramentas, medir comprimentos e organizar acessórios em bancada é setup externo.
  • Montar a peça na máquina parada e apalpar o zero é, em regra, setup interno.

Cada minuto movido de interno para externo é um minuto de máquina a produzir.

Bloco 2 · Organização do posto e leitura do desenho técnico

Organização da área e do posto de trabalho

O posto de trabalho organizado é o ponto de partida de qualquer setup:

  • Ferramentas e instrumentos dispostos por ordem de uso, ao alcance da mão.
  • Documentação (desenho de fabrico, ficha de fabrico, ficha de ferramentas) visível e atualizada.
  • Materiais e acessórios de aperto identificados e arrumados após cada operação.
  • Zona de trabalho limpa, sem aparas nem óleo, para evitar acidentes e erros de medição.

O posto organizado adapta-se ao cenário (lote pequeno ou grande série), às ferramentas e aos instrumentos que a peça exige.

Interpretar o desenho de fabrico e a ficha de ferramentas

Antes de qualquer montagem, o técnico interpreta a documentação:

  • Desenho técnico: normas de representação, projeções ortogonais, cortes e secções, cotagem e tolerâncias, simbologia e anotações.
  • Ficha de fabrico: sequência de operações, máquina, tempos e observações do processo.
  • Ficha de ferramentas: lista de ferramentas por operação, comprimentos, diâmetros e correções previstas.

Um erro de leitura do desenho propaga-se para a peça inteira: a cota errada só aparece na verificação final.

Bloco 3 · Metrologia dimensional

Instrumentos de medição e verificação

A metrologia dimensional garante que a peça, a ferramenta e o dispositivo estão dentro das cotas exigidas.

  • Paquímetro: medições correntes, resolução tipo 0,02 mm.
  • Micrómetro: maior precisão, resolução tipo 0,001 mm, usado em diâmetros e espessuras críticas.
  • Comparador de relógio e comparador de alavanca: medem desvios relativos, essenciais no alinhamento.
  • Apalpador manual e sonda automática: localizam faces, furos e pinos com contacto elétrico ou mecânico.

Cada instrumento tem o seu campo de aplicação: usar o instrumento errado é tão grave como não medir.

Verificar antes de usar

Todo instrumento de medição tem de ser verificado antes de entrar em serviço:

  • Confirmar o zero do instrumento numa peça padrão ou bloco padrão.
  • Verificar o estado físico: pontas, encostos e superfícies de contacto sem folgas nem sujidade.
  • Respeitar a calibração periódica, registada e rastreável.
  • Guardar os instrumentos na caixa própria, longe de choques e limalha.

Um instrumento descalibrado transforma uma peça boa numa peça rejeitada, ou pior, deixa passar uma peça má.

Bloco 4 · Setup interno e setup externo

Etapas do setup em fresadoras CNC

O setup completo, interno e externo, cobre estas etapas tipo:

  1. Preparação externa dos dispositivos de aperto (bancada).
  2. Preparação externa das ferramentas de corte (bancada, pré-setter).
  3. Montagem interna do dispositivo de aperto na mesa da máquina.
  4. Montagem interna das ferramentas nos porta-ferramentas do armazém.
  5. Alinhamento do dispositivo à peça.
  6. Determinação do zero peça e configuração das tabelas do controlador.

A ordem importa: quanto mais passos ficarem nas fases 1 e 2, menos tempo a máquina fica parada.

Interatividade do operador e impacto nos tempos de fabrico

O operador intervém em pontos concretos do setup, e cada intervenção tem custo em tempo:

  • Trocar o dispositivo de aperto ou reposicionar a peça.
  • Trocar ou repor ferramentas no armazém.
  • Medir e ajustar comprimentos e diâmetros.
  • Validar o zero peça e as tabelas antes do primeiro ciclo.

Reduzir o número de intervenções manuais, sem reduzir o rigor, é o objetivo de um setup bem organizado.

Bloco 5 · Dispositivos de aperto: tipologias

Dispositivos de aperto standard, modulares e dedicados

Os dispositivos de fixação e aperto seguram a peça durante a maquinação, resistindo às forças de corte:

Tipo Características Uso típico
Standard prensas, mordentes, esquadros de catálogo peças correntes, prototipagem
Modulares mesas e elementos combináveis pequenas e médias séries
Dedicados projetados para uma peça específica grandes séries, geometria complexa

A escolha depende da geometria da peça, do lote e do tempo disponível para preparar.

Acessórios e sistemas de aperto

Além do dispositivo principal, entram acessórios que completam a fixação:

  • Bucha: aperto por expansão, comum em peças cilíndricas.
  • Zero point: sistema de repetibilidade rápida, troca de paletes sem novo alinhamento.
  • Calços, cunhas e batentes: apoio e referência de posicionamento.
  • Grampos e parafusos de aperto: fixação direta à mesa.

O sistema zero point é particularmente relevante: uma vez calibrado, reduz o alinhamento a segundos em trocas seguintes.

Bloco 6 · Preparação e montagem dos dispositivos de aperto

Preparação externa do dispositivo de aperto

Em bancada, antes de tocar na máquina:

  • Limpar a base e as superfícies de referência do dispositivo.
  • Verificar o estado dos mordentes, grampos e parafusos.
  • Pré-montar elementos modulares conforme a ficha de ferramentas.
  • Confirmar que o dispositivo cabe no curso e na mesa da máquina disponível.

Esta preparação em bancada é setup externo: acontece com a máquina ainda a produzir o lote anterior.

Montagem na máquina

Já na máquina, com o ciclo anterior terminado:

  1. Posicionar o dispositivo na mesa, respeitando referências ou T-slots.
  2. Fixar com o binário indicado, em sequência cruzada, sem folgas.
  3. Confirmar visualmente que não há colisão com o curso dos eixos nem com o armazém de ferramentas.
  4. Montar a peça no dispositivo, respeitando batentes e referências de posicionamento.

Só depois de montado e fixo se avança para o alinhamento, nunca antes.

Bloco 7 · Alinhamento dos dispositivos de aperto

Técnicas de alinhamento por tipo de dispositivo

O alinhamento adequa-se à tipologia e à geometria da peça:

Dispositivo Técnica típica Instrumento
Prensa alinhar mordente fixo ao eixo X ou Y comparador de relógio
Bucha verificar concentricidade comparador de alavanca
Esquadro alinhar face de referência comparador de relógio
Zero point calibração inicial, depois automático apalpador ou sonda automática

Para geometrias planas simples, o comparador manual chega; para produção intensiva, a sonda automática poupa tempo.

Procedimento de alinhamento com comparador de relógio

Exemplo resolvido, alinhamento de um mordente de prensa ao eixo X:

  1. Fixar o comparador no eixo árvore, ponta apoiada na face de referência.
  2. Deslocar o eixo ao longo da face, lendo o desvio no relógio.
  3. Ajustar a prensa por pequenos toques, repetindo a leitura.
  4. Objetivo: desvio inferior à tolerância definida na ficha de fabrico, tipicamente 0,02 mm ao longo do curso.
  5. Apertar em definitivo e confirmar que o alinhamento não se perdeu.

Alinhar é um processo iterativo: mede-se, ajusta-se, mede-se de novo, até estabilizar dentro da tolerância.

Bloco 8 · Ferramentas de corte, suportes e acessórios

Ferramentas de corte para fresagem

A escolha da ferramenta depende do material, da operação e do acabamento pretendido:

  • Fresas de topo: desbaste e acabamento de faces e rasgos.
  • Fresas de disco: rasgos e ranhuras largas.
  • Fresas de esfera: superfícies curvas e moldes.
  • Brocas e machos: furação e roscagem em centros de fresagem.

Cada ferramenta tem uma geometria de corte e um número de arestas que condicionam a velocidade e o avanço recomendados.

Suportes e acessórios de fixação da ferramenta

A ferramenta liga-se ao eixo árvore através de um conjunto de suporte:

  • Cone porta-ferramentas (ex.: BT, HSK): fixa-se ao eixo árvore da máquina.
  • Pinça e porca de pinça: fixação da haste da fresa dentro do suporte.
  • Mandril hidráulico ou térmico: maior concentricidade em operações de precisão.
  • Extensões e redutores: alcance ou adaptação de diâmetro do suporte.

O conjunto ferramenta mais suporte é medido como uma peça única na fase de pré-setting.

Bloco 9 · Preparação das ferramentas de corte

Preparação externa das ferramentas de corte

Em bancada, antes de a ferramenta entrar no armazém da máquina:

  • Selecionar a ferramenta e o suporte conforme a ficha de ferramentas.
  • Limpar e inspecionar a haste, a pinça e o cone, sem rebarbas nem sujidade.
  • Montar a ferramenta no suporte, respeitando o comprimento de saída indicado.
  • Medir no pré-setter o comprimento e o diâmetro efetivos, corrigindo o previsto se necessário.

Quanto mais ferramentas chegarem à máquina já medidas, menos tempo se perde a validar comprimentos junto do controlador.

Preparação na máquina

Já na máquina, a ferramenta é integrada no ciclo:

  1. Colocar a ferramenta no armazém, no número de posição indicado na ficha.
  2. Confirmar que o número de ferramenta corresponde ao programa CNC.
  3. Validar o comprimento medido em bancada com uma verificação rápida na máquina.
  4. Registar qualquer desvio na tabela de ferramentas do controlador.

A ferramenta só entra em corte depois de o número, o comprimento e o diâmetro estarem confirmados na máquina.

Bloco 10 · Medição e ajuste de ferramentas de corte

Pré-setter manual, automático e máquina de pré-setting

A medição de ferramentas fora da máquina evita paragens no ciclo:

Meio Como funciona Precisão / velocidade
Pré-setter manual leitura ótica ou mecânica, ajuste manual precisão média, mais lento
Pré-setter automático leitura assistida, cálculo automático mais rápido, menos erro humano
Máquina de pré-setting equipamento dedicado, alta precisão usada em produção intensiva

Em qualquer dos três, mede-se o comprimento e o diâmetro efetivo do conjunto ferramenta mais suporte.

Exemplo resolvido: ajuste de comprimento no pré-setter

Uma fresa de topo tem comprimento previsto de 80,00 mm na ficha de ferramentas. No pré-setter manual, a leitura real é 79,85 mm.

  1. Registar o valor medido, 79,85 mm, na ficha de ferramentas.
  2. Calcular o desvio face ao previsto: 80,00 − 79,85 = 0,15 mm.
  3. Introduzir o valor medido, e não o previsto, na tabela de ferramentas do controlador.
  4. Confirmar que o desvio está dentro do que o programa CNC tolera para aquela operação.

Usar sempre o valor medido, nunca o valor de catálogo: é o medido que a máquina vai executar.

Bloco 11 · Verificação do comprimento e tabela de ferramentas

Procedimentos na máquina para verificar o comprimento

Mesmo depois de medida em bancada, a ferramenta é confirmada na máquina:

  • Apalpar a ferramenta num sensor de comprimento da máquina, quando disponível.
  • Comparar o valor lido com o valor registado no pré-setter.
  • Validar antes do primeiro ciclo em corte, nunca depois.
  • Repetir a verificação sempre que a ferramenta for trocada ou reafiada.

Esta dupla verificação, bancada e máquina, é o que impede um erro de medição de chegar à peça final.

Editar e configurar a tabela de ferramentas

A tabela de ferramentas do controlador guarda, para cada número de ferramenta:

  • Comprimento medido (correção de comprimento, offset Z).
  • Diâmetro efetivo (correção de raio, offset de diâmetro).
  • Tipo de ferramenta e, em alguns controladores, o número de arestas.
  • Vida útil ou contador de utilizações, quando aplicável.

Editar esta tabela com dados errados é transferir o erro de medição diretamente para o programa CNC.

Bloco 12 · Determinação do zero peça

Técnicas para determinar o zero peça

O zero peça é a origem de coordenadas a partir da qual o programa CNC maquina a peça. Determina-se em relação a:

  • Faces: apalpando a superfície de referência.
  • Furos e pinos: centrando o instrumento no eixo do furo ou pino.
  • Entre faces: calculando o ponto médio entre duas superfícies opostas.

Instrumentos usados: comparador de relógio, comparador de alavanca, apalpador manual ou apalpador automático, conforme a localização do ponto e a precisão exigida.

Exemplo resolvido: zero peça num furo central

Peça com um furo de referência ao centro, apalpador automático disponível na máquina.

  1. Aproximar o apalpador ao interior do furo, em quatro pontos a 90 graus.
  2. O controlador calcula o centro e o raio do furo pelas quatro leituras.
  3. Definir esse centro como origem X e Y do sistema de coordenadas da peça.
  4. Repetir numa face de referência para obter a origem em Z.
  5. Registar as três coordenadas na tabela de pontos de referência.

Centrar num furo com quatro pontos é mais fiável do que tentar com dois, que não elimina erros de excentricidade.

Bloco 13 · Tabela de pontos de referência e configuração do controlador

Configurar a tabela de pontos de referência

A tabela de pontos de referência (tabela de zeros) guarda, para cada sistema de coordenadas de peça:

  • Coordenadas X, Y, Z da origem definida no bloco anterior.
  • Identificação do sistema, para peças ou paletes diferentes na mesma sessão.
  • Data e responsável do último ajuste, em oficinas com registo de qualidade.

Depois de configurada, o programa CNC lê estas coordenadas de cada vez que é chamado o sistema correspondente.

Verificar a configuração antes do primeiro ciclo

Antes de correr o programa completo, confirma-se:

  1. As coordenadas do zero peça correspondem ao ponto pretendido no desenho.
  2. Os comprimentos e diâmetros das ferramentas estão atualizados na tabela.
  3. O sistema de coordenadas ativo no programa é o mesmo que foi configurado.
  4. Um primeiro movimento em vazio (sem descer à peça) confirma visualmente as posições.

Este último passo, correr em vazio antes de cortar, é a rede de segurança final de todo o setup.

Bloco 14 · Modos de operação, arranque e comunicação computador máquina

Modos de operação e procedimentos de arranque

Antes de qualquer setup, a máquina segue um procedimento de arranque:

  • Ligar a máquina e aguardar a inicialização dos eixos e do sistema.
  • Aquecimento: mover os eixos e o eixo árvore em vazio, sobretudo após paragens longas ou no início do turno.
  • Modos de operação: manual (jog), MDI (comandos isolados) e automático (execução do programa).
  • Usar o modo manual para aproximar a ferramenta e o modo MDI para comandos pontuais de verificação.

O aquecimento não é opcional: uma máquina fria tem folgas térmicas diferentes de uma máquina em regime.

Comunicação entre computador e máquina

Os programas CNC e os dados de ferramenta circulam entre o computador de programação e o controlador da máquina:

  • Transferência de programas: por rede, cartão de memória ou porta dedicada do controlador.
  • Verificação do programa transferido antes de correr, comparando nome e versão.
  • Transferência de dados de ferramenta, quando o pré-setter comunica diretamente com o controlador.
  • Registo de qual programa e que versão foi usada em cada peça produzida.

Uma transferência mal confirmada corre facilmente uma versão antiga do programa, sem que o operador dê conta.

Bloco 15 · Segurança, EPI e normas SST no setup

Riscos e prevenção de acidentes no setup

O setup concentra riscos específicos, muitas vezes com a proteção da máquina aberta:

  • Corte e perfuração por arestas de ferramentas e limalha.
  • Esmagamento entre a peça, o dispositivo e a mesa em movimento.
  • Projeção de fragmentos durante testes em vazio ou verificação.
  • Eletrocussão ou avaria ao intervir em componentes elétricos sem formação.

A maior parte destes riscos ocorre precisamente durante o setup, não durante o corte automático protegido.

EPI e normas de segurança e saúde no trabalho

Cumprir as normas de segurança faz parte do critério de desempenho da UC, não é um extra:

  • Óculos de proteção: obrigatórios sempre que há projeção de limalha.
  • Luvas adequadas: usadas na manipulação, nunca com a máquina em corte ativo.
  • Calçado de proteção: contra queda de dispositivos ou ferramentas pesadas.
  • Planos e normas de segurança e saúde no trabalho: consultados antes de qualquer operação nova.

Respeitar as normas de segurança e saúde no trabalho é o sétimo critério de desempenho desta UC, transversal a todos os outros.

Bloco 16 · Fecho

Do posto de trabalho ao primeiro ciclo em corte

  • Organização do posto e leitura correta do desenho técnico e das fichas.
  • Setup externo primeiro: dispositivos e ferramentas preparados em bancada sempre que possível.
  • Alinhamento adequado à tipologia e geometria da peça.
  • Medição e verificação de ferramentas, com o valor medido sempre a prevalecer sobre o previsto.
  • Zero peça e tabelas do controlador configurados e confirmados antes do primeiro ciclo.
  • Segurança em todas as fases, com o EPI correto.

Um setup bem organizado é o que separa uma máquina parada de uma máquina a produzir.

Recapitulando

  • O setup divide-se em interno e externo: converter interno em externo poupa tempo de máquina.
  • Organização do posto, leitura do desenho técnico e metrologia dimensional são a base de tudo.
  • Dispositivos de aperto e ferramentas de corte preparam-se em bancada e confirmam-se na máquina.
  • Alinhamento, medição de ferramentas e zero peça usam o instrumento certo para cada geometria e localização.
  • Tabela de ferramentas e tabela de pontos de referência guardam os dados que o programa CNC vai executar.
  • Segurança e EPI acompanham todas as fases do setup.

Próximo: fichas e projeto, planear e executar um setup completo numa peça de exemplo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: setup não é "tempo morto" tolerado, é tempo que compete diretamente com a produção. - Erro comum: achar que o setup é só "montar a peça". Inclui ferramentas e referências, três frentes em paralelo. - Exemplo: comparar dois cenários, um oficial que testa tudo à vez e outro que prepara em bancada antes de parar a máquina.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta lógica de separar interno de externo atravessa toda a UC, volta a aparecer em cada bloco seguinte. - Erro comum: os alunos tendem a achar que "tudo o que se faz antes de ligar o ciclo" é externo. Não é, o critério é se a máquina tem de estar parada. - Pergunta à turma: porque é que uma oficina paga a um técnico para preparar ferramentas em bancada em vez de o fazer na máquina?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "mantendo o posto de trabalho organizado em função do cenário". É avaliado, não é só bom senso. - Erro comum: arrumar o posto no fim, não durante. A organização é contínua. - Exemplo: 5S aplicado à bancada de preparação de ferramentas, cada ferramenta tem o seu lugar marcado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: desenho, ficha de fabrico e ficha de ferramentas são três documentos que se cruzam, nenhum substitui os outros. - Erro comum: confundir corte com secção. O corte mostra o interior ao longo do plano de corte, a secção mostra só a fatia. - Exemplo: mostrar um desenho com cotas por tolerância e pedir para identificar a cota crítica da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: precisão e resolução não são a mesma coisa. Explicar com um exemplo numérico simples. - Erro comum: usar um paquímetro para medir um alinhamento fino que precisa de comparador. A folga do próprio instrumento mascara o erro. - Exemplo/analogia: o comparador é como uma balança de precisão, mede a diferença, não o valor absoluto.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho e à atitude "responsabilidade pelas suas ações": quem mede, assina a medição. - Erro comum: confiar cegamente no instrumento sem o verificar antes do turno. - Exemplo: mostrar um bloco padrão e o procedimento de zero de um comparador de relógio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta sequência é o esqueleto de toda a UC, cada bloco seguinte aprofunda uma destas etapas. - Erro comum: montar a ferramenta na máquina sem a ter medido antes em bancada, obrigando a interromper o ciclo. - Exemplo: comparar o tempo total de setup de um cenário todo interno com o mesmo, convertendo 2 etapas para externo.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma: qual destas quatro intervenções é mais fácil de converter em setup externo? (medir e ajustar, com pré-setter em bancada). - Erro comum: pensar que "rápido" e "rigoroso" são opostos. Um bom setup externo é as duas coisas. - Ligar à atitude "sentido de organização" e ao impacto direto no tempo de fabrico da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: dedicado não significa "melhor", significa "feito para uma peça". Para uma peça só, é desperdício. - Erro comum: usar sempre o mesmo dispositivo por hábito, ignorando a geometria da peça nova. - Exemplo: mostrar fotos ou catálogo de uma prensa, uma mesa modular e um dispositivo dedicado com pinos de localização.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o zero point como exemplo direto de conversão de setup interno em externo: a paleta é preparada fora da máquina. - Erro comum: confundir bucha (aperto por expansão) com mandril (rotação). Reforçar o vocabulário correto. - Pergunta: numa oficina com muitas trocas de peça por dia, qual destes sistemas compensa mais investir?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a limpeza da base não é estética, uma apara entre a base e a mesa desalinha a peça inteira. - Erro comum: montar o dispositivo modular já na máquina, perdendo tempo de produção. - Exemplo: pedir para a turma listar, de memória, os quatro passos de preparação externa.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: apertar os parafusos de fixação por ordem sequencial em vez de cruzada, o que empena a base. - Enfatizar a verificação de colisões antes de fechar a porta da máquina, ligado à segurança. - Exemplo: simular no quadro a sequência cruzada de aperto de 4 parafusos.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "adequando os instrumentos e as técnicas de alinhamento à tipologia e geometria da peça". - Erro comum: usar sempre o mesmo instrumento por rotina, mesmo quando a peça pede outro. - Exemplo: mostrar o mesmo alinhamento feito com comparador manual (mais lento, mais barato) e com sonda automática (mais rápido, mais caro).

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma repetir os 5 passos de memória, é a base de qualquer alinhamento manual. - Erro comum: apertar em definitivo antes de confirmar a última leitura, perdendo o alinhamento no aperto final. - Pergunta: porque se aperta em pequenos toques e não de uma vez? (evita empenos e perda de referência).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a ferramenta certa poupa tempo e prolonga a vida da máquina, é decisão técnica, não preferência pessoal. - Erro comum: usar a mesma fresa para desbaste e acabamento, sacrificando o acabamento final. - Exemplo: comparar o acabamento de uma face fresada com uma fresa de duas e de quatro arestas.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: trocar a fresa sem verificar o estado da pinça, perdendo concentricidade e vida da ferramenta. - Enfatizar que o conjunto suporte mais ferramenta é o que entra na tabela de ferramentas, não só a fresa isolada. - Exemplo: mostrar um cone porta-ferramentas real e identificar as suas partes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta preparação externa é onde se converte a maior parte do tempo de setup interno em externo. - Erro comum: montar a ferramenta no suporte sem respeitar o comprimento de saída da ficha, obrigando a remedir depois. - Exemplo: mostrar a ficha de ferramentas de uma peça e identificar os comprimentos previstos por ferramenta.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: trocar o número de posição de duas ferramentas no armazém sem atualizar o programa, causando colisão. - Enfatizar a dupla verificação, medição em bancada mais confirmação na máquina, como rede de segurança. - Pergunta: o que acontece se o número da ferramenta no armazém não corresponder ao programa?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho "adequando os instrumentos e as técnicas de medição das ferramentas em função do setup interno e externo". - Erro comum: assumir o diâmetro nominal do catálogo sem medir o diâmetro efetivo, que varia com o desgaste. - Exemplo: mostrar o ecrã de um pré-setter e identificar onde aparece o comprimento e o diâmetro medidos.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo do desvio com a turma, é aritmética simples mas o hábito de registar é o que conta. - Erro comum: introduzir o comprimento previsto de catálogo em vez do medido, gerando uma cota errada na peça. - Pergunta: que aconteceria à peça se se usasse o comprimento previsto em vez do medido?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: validar antes do primeiro ciclo é inegociável, é a última barreira antes de a ferramenta tocar na peça. - Erro comum: saltar a verificação na máquina "porque já foi medida no pré-setter". Os dois passos não se substituem. - Exemplo: descrever um sensor de comprimento típico e como a máquina regista automaticamente o valor lido.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho "assegurando a configuração da tabela de zeros e tabela das ferramentas de acordo com os dados". - Erro comum: editar o offset da ferramenta errada por trocar o número na tabela. - Exemplo: mostrar o ecrã de uma tabela de ferramentas e identificar as colunas de comprimento e diâmetro.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao critério de desempenho "adequando os instrumentos e as técnicas para determinação do ponto de referência em função da sua localização". - Erro comum: usar o mesmo método para face e para furo, ignorando que o furo pede centragem, não apalpação simples. - Exemplo: mostrar a diferença entre apalpar uma face plana e centrar num furo circular.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar porque quatro pontos a 90 graus e não dois, ligado à geometria do círculo. - Erro comum: apalpar só duas vezes e assumir o centro, o que falha se o furo não estiver perfeitamente perpendicular. - Pergunta: e se o furo tivesse uma rebarba num dos quatro pontos, que aconteceria à leitura?

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar de novo o critério "assegurando a configuração da tabela de zeros e tabela das ferramentas de acordo com os dados". - Erro comum: configurar o zero peça no sistema de coordenadas errado, deslocando toda a peça. - Exemplo: mostrar dois sistemas de coordenadas de peça na mesma máquina, para duas paletes diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um movimento em vazio custa segundos e evita colisões que custam horas e material. - Erro comum: saltar o movimento em vazio por pressa, sobretudo em peças já conhecidas. - Exemplo: descrever uma colisão típica evitada por um movimento em vazio, ferramenta longa a mais numa peça baixa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: saltar o aquecimento é um erro comum em início de turno, com impacto direto na precisão das primeiras peças. - Erro comum: confundir modo MDI com modo automático, MDI é um comando isolado, não corre o programa completo. - Exemplo: descrever uma rotina de aquecimento típica de 5 a 10 minutos com deslocamentos nos três eixos.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: correr um programa cujo nome é parecido com o correto mas é uma versão antiga. - Enfatizar a importância de confirmar nome e versão sempre que se transfere um programa novo. - Pergunta: como se garante, na prática, que a versão correta do programa está na máquina?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o setup é o momento de maior exposição ao risco, porque a proteção está muitas vezes aberta. - Erro comum: manusear ferramentas de corte sem luvas adequadas, arriscando cortes na aresta. - Exemplo: descrever um acidente típico de esmagamento ao alinhar uma peça com a mesa em movimento manual.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "respeitando as normas de segurança e saúde no trabalho". - Erro comum: retirar as luvas só quando a máquina já está em corte, mas voltar a calçá-las tarde ao intervir de novo. - Exemplo: rever com a turma que EPI se usa em cada fase do setup, preparação, montagem, alinhamento, verificação.

NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular o fluxo completo com a turma, ligando cada etapa ao critério de desempenho correspondente. - Ligar às atitudes avaliadas: responsabilidade, autonomia, sentido de organização e respeito pelas normas. - Anunciar as fichas e o projeto: planear e simular um setup completo numa peça de exemplo.