UC02962

Orçamentar custos de fabrico de peças em equipamentos CNC

Do desenho da peça ao orçamento fechado: matéria-prima, ferramentas, mão de obra, hora-máquina e tempos

Curso profissional · 25h · Técnico de Programação e Maquinação CNC

Plano

  1. Requisitos de produção e leitura da peça
  2. Tipos de produção, materiais e tratamentos superficiais
  3. Custo de matéria-prima
  4. Ferramentas, dispositivos de aperto e os seus custos
  5. Custo de mão de obra e de hora-máquina
  6. Setup interno e setup externo
  7. Tempos de ciclo, produtivos e improdutivos
  8. Programação e simulação CNC no estudo dos tempos
  9. Fatores do custo total e subcontratação
  10. Métodos de estimativa, margens e o orçamento final

Bloco 1 · Requisitos de produção e leitura da peça

Do desenho ao orçamento

Orçamentar uma peça CNC é responder a uma pergunta simples com um processo nada simples: quanto custa fabricar isto? O orçamentista analisa os requisitos de produção, estuda os tempos e custos, e colabora na elaboração do documento final que vai para o cliente.

  • Analisar os requisitos de produção e as especificações da peça.
  • Efetuar o estudo de tempos e custos de fabrico.
  • Colaborar na elaboração de orçamentos.

Um orçamento errado custa dinheiro de duas formas: por defeito (a empresa perde) ou por excesso (perde-se o cliente para a concorrência).

Leitura do desenho técnico

O orçamento começa sempre na leitura do desenho de definição da peça. É dali que saem a geometria, o material e as exigências que determinam custo e tempo.

  • Projeções (vistas ortogonais) e cortes e secções: mostram a forma completa, incluindo furos e cavidades internas.
  • Cotagem: dimensões e tolerâncias que definem a precisão exigida (mais precisão = mais tempo = mais custo).
  • Simbologia e anotações: rugosidade (Ra), tratamento térmico, material, notas de fabrico.

Um desenho mal lido gera um orçamento inventado, não calculado.

Ficha de fabrico e ficha de ferramentas

O orçamentista trabalha sempre a par de dois documentos internos da oficina:

  • Ficha de fabrico: sequência de operações, máquina, dispositivos, tempos previstos por operação.
  • Ficha de ferramentas: lista de ferramentas de corte, referências, parâmetros de corte recomendados e vida útil esperada.

Interpretar corretamente estes documentos é o ponto de partida para caracterizar o produto e o tipo de produção.

Bloco 2 · Tipos de produção, materiais e tratamentos superficiais

Tipos de produção e cenários de maquinação

O tipo de produção muda tudo no orçamento: o mesmo desenho tem custos por peça muito diferentes consoante a quantidade.

Tipo de produção Quantidade Impacto no orçamento
Unitária / prototipagem 1 peça setup pesa quase tudo no custo
Série pequena dezenas setup ainda relevante, mas diluído
Série média centenas otimização de processo compensa
Série grande / massa milhares setup irrelevante por peça; material e tempo de ciclo dominam

Caracterizar o produto e o tipo de produção é o primeiro passo do estudo de custos.

Tecnologia dos materiais

O material da peça condiciona o preço da matéria-prima, a velocidade de corte possível e o desgaste da ferramenta.

  • Aços ao carbono e ligados: bom compromisso custo/maquinabilidade.
  • Aços inoxidáveis: mais caros, mais difíceis de maquinar (endurecem ao corte).
  • Ligas de alumínio: leves, maquinação rápida, mas exigem cuidado com rebarba.
  • Ligas de titânio e superligas: material caro, corte lento, ferramentas de alto desgaste.

A escolha (ou imposição, no desenho) do material é o primeiro determinante do custo de matéria-prima e do tempo de maquinação.

Tratamentos superficiais

Muitas peças exigem um tratamento superficial depois da maquinação, com custo próprio a somar ao orçamento.

  • Anodização (alumínio): proteção e cor, cobrada por área.
  • Zincagem / cromagem: proteção contra corrosão.
  • Tratamento térmico (têmpera, cementação): dureza, cobrado por peso ou por lote.
  • Pintura / revestimento: acabamento e proteção.

Para orçamentar um tratamento é preciso identificar o tratamento pedido no desenho e calcular a área de superfície a tratar (o fornecedor externo cobra tipicamente por m² ou por dm²).

Bloco 3 · Custo de matéria-prima

Determinar massas, volumes e áreas

Antes de calcular o custo de matéria-prima é preciso saber quanto material a peça consome.

  • Volume da peça (a partir das cotas do desenho): prisma, cilindro ou composição de sólidos simples.
  • Massa: massa = volume × massa volúmica do material (em kg/dm³ ou g/cm³).
  • Área de superfície: necessária para orçamentar tratamentos superficiais cobrados por área.
  • Atenção ao material de partida (barra, chapa, blank) que é normalmente maior do que a peça final.

Estas contas são a base de qualquer cálculo de custo que se segue.

Custo de matéria-prima: fatores e fórmula

O custo de matéria-prima depende de vários fatores em simultâneo:

  • Preço por kg do material (varia com o tipo de liga e o mercado).
  • Massa volúmica do material.
  • Volume do material de partida (barra, chapa ou blank, não a peça final).
  • Desperdício (aparas) e eventual valor de sucata a descontar.

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Exemplo resolvido: custo de matéria-prima

Peça em alumínio (massa volúmica 2,70 kg/dm³), maquinada a partir de uma barra de 0,25 dm³. Preço do alumínio: 4,50 €/kg. Apara recuperável: 0,15 kg a 0,90 €/kg.

  1. Massa da barra: 0,25 × 2,70 = 0,675 kg
  2. Custo bruto: 0,675 × 4,50 = 3,0375 €
  3. Valor da sucata: 0,15 × 0,90 = 0,135 €
  4. Custo final de matéria-prima ≈ 2,90 €

Este valor entra diretamente na linha "matéria-prima" do orçamento da peça.

Bloco 4 · Ferramentas, dispositivos de aperto e os seus custos

Identificar ferramentas de corte, suporte e dispositivos de aperto

Toda a operação de maquinação usa um conjunto de meios físicos que têm custo, desgaste e vida útil próprios:

  • Ferramentas de corte: fresas, brocas, insertos, machos de roscar.
  • Porta-ferramentas / suportes: fixam a ferramenta ao veio da máquina.
  • Dispositivos de aperto: mordaças, bases magnéticas, grampos, mandris, platos.
  • Acessórios: batentes, calços, buchas de centragem.

Identificar corretamente cada um destes elementos, na ficha de ferramentas, é o ponto de partida para os orçamentar.

Calcular o custo de ferramentas e dispositivos

O custo de ferramentas imputado a uma peça depende de a ferramenta ser consumível ou reutilizável:

  • Consumíveis (insertos, brocas de baixo custo): custo unitário dividido pelo número de peças por vida útil da ferramenta.
  • Reutilizáveis (mandris, dispositivos de aperto): custo de aquisição amortizado pelo número total de peças esperado ao longo da vida do dispositivo.

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Estimar a vida útil da ferramenta de corte

A vida útil da ferramenta de corte é o número de peças (ou minutos de corte) que a ferramenta produz antes de perder o fio ou a tolerância.

  • Depende do material da peça, da velocidade de corte, do avanço e da profundidade de passe.
  • Consultar a ficha de ferramentas e as tabelas do fabricante do inserto/broca.
  • Vida útil curta → custo de ferramenta por peça mais alto, mesmo que o inserto seja barato.

Subestimar a vida útil de uma ferramenta é um dos erros mais caros de um orçamento CNC.

Bloco 5 · Custo de mão de obra e de hora-máquina

Custo de mão de obra: fatores e fórmula

O custo de mão de obra imputado a uma peça é o tempo de trabalho humano necessário, valorizado ao custo/hora do operador.

  • Salário base + encargos (segurança social, seguros) → custo/hora real do colaborador, calculado sobre o salário bruto, nunca sobre o líquido.
  • Tempo imputável: preparação, vigilância da máquina, controlo de qualidade, não só "carregar no botão".
  • Trabalho especializado (programador CNC) custa mais por hora do que operação simples.

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Custo de hora-máquina: fatores e fórmula

O custo de hora-máquina cobre tudo o que a máquina consome e desgasta enquanto trabalha:

  • Amortização do equipamento (preço de compra ÷ vida útil em horas).
  • Energia elétrica consumida.
  • Manutenção, lubrificantes, refrigerante de corte.
  • Espaço/infraestrutura ocupado (rateio da renda, seguros do edifício).

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Uma fresadora CNC de 5 eixos tem um custo/hora muito superior a um torno convencional: mais investimento, mais consumo, mais manutenção.

Exemplo resolvido: custo de fabrico por hora

Uma fresadora CNC tem um custo de amortização de 8 €/h, energia de 1,5 €/h, manutenção de 2 €/h e um operador a 12 €/h (com encargos).

  1. Custo de hora-máquina: 8 + 1,5 + 2 = 11,5 €/h
  2. Custo de mão de obra: 12 €/h
  3. Custo combinado de fabrico ≈ 23,5 €/h

Se a operação demora 6 minutos (0,1 h), o custo de fabrico dessa operação é 23,5 × 0,1 = 2,35 €.

Bloco 6 · Setup interno e setup externo

O que é o setup e porque custa tanto

O setup é a preparação da máquina para produzir: montar dispositivos, calibrar origens, carregar o programa, testar a primeira peça. É tempo em que a máquina não produz.

  • Quanto menor o lote, maior o peso do setup no custo por peça.
  • Reduzir o setup é uma das formas mais eficazes de baixar o custo de uma peça.
  • O referencial distingue duas categorias: setup interno e setup externo.

Setup interno vs setup externo

Setup interno Setup externo
Quando ocorre máquina parada máquina ainda a produzir o lote anterior
Exemplos montar dispositivo, zerar origens preparar ferramentas, pré-montar dispositivos
Impacto no tempo de fabrico direto, soma-se ao tempo improdutivo mínimo, corre em paralelo
Estratégia reduzir ao mínimo indispensável converter o máximo de interno em externo

A interatividade do operador (o quanto precisa de intervir manualmente) é um dos fatores que mais influencia a duração do setup interno.

Etapas típicas de um setup

  1. Preparação do posto: material, ferramentas, dispositivos, documentação (ficha de fabrico).
  2. Montagem do dispositivo de aperto e fixação na mesa/mandril.
  3. Colocação e verificação das ferramentas nos porta-ferramentas.
  4. Definição de origens (zeros peça) e carregamento do programa.
  5. Primeira peça e controlo dimensional antes de libertar o lote.

Cada etapa consome tempo que entra no orçamento como tempo de setup, distinto do tempo de maquinação propriamente dito.

Bloco 7 · Tempos de ciclo, produtivos e improdutivos

Operações de maquinação

O tempo de fabrico soma-se operação a operação. As mais comuns em CNC:

  • Faceamento, desbaste e acabamento de superfícies.
  • Furação, roscagem, mandrilagem.
  • Contorno (perfis exteriores/interiores), ranhuras, cavidades.

Cada operação tem o seu próprio tempo de corte e de posicionamento em vazio, e a sua própria ferramenta associada (ver Bloco 4).

Tempo de ciclo

O tempo de ciclo é o tempo total que decorre entre o início da maquinação de uma peça e o início da peça seguinte, num regime de produção estável.

  • Inclui tempo de corte (ferramenta a cortar material) e tempo em vazio (deslocações rápidas, trocas de ferramenta).
  • Estima-se por operação/ferramenta, a partir dos parâmetros de corte (velocidade de avanço, comprimento a percorrer).
  • É a unidade de tempo que, multiplicada pela quantidade, dá o tempo total de produção do lote.

Tempos produtivos e improdutivos

Nem todo o tempo de máquina liga produz valor diretamente:

Tempo produtivo Tempo improdutivo
Corte efetivo de material Deslocações em vazio
Troca de ferramenta
Setup e primeira peça
Paragens e avarias

Um bom orçamento reflete a realidade da oficina, não o tempo "ideal" só de corte. A diferença entre os dois chama-se rendimento ou eficiência de máquina.

Estimar tempos de maquinação por operação/ferramenta

Para cada operação, o tempo de maquinação estima-se a partir dos parâmetros de corte definidos na ficha de ferramentas:

  • Tempo de corte = comprimento a percorrer ÷ velocidade de avanço.
  • Tempo em vazio = deslocações rápidas entre posições, a velocidade de avanço rápido da máquina.
  • Somar por ferramenta e por operação até fechar o tempo total da peça.

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Bloco 8 · Programação e simulação CNC no estudo dos tempos

Métodos de programação CNC

O tempo (e o custo) de programação também entra no orçamento, sobretudo em peças novas ou de série pequena:

  • Programação manual (código ISO): controlo total, mais lenta para geometrias complexas.
  • Programação conversacional: diálogo guiado no comando da máquina, rápida para peças simples.
  • Programação assistida por CAM: gera o código a partir do modelo 3D, essencial em geometrias complexas.

O método escolhido influencia diretamente o tempo de programação a orçamentar.

Estimar tempos de programação

O tempo de programação é o tempo do técnico a escrever, editar e preparar o programa CNC antes de chegar à máquina.

  • Depende da complexidade da peça (número de operações, geometrias especiais) e da experiência do programador.
  • Em série pequena ou unitária, este tempo pesa proporcionalmente muito mais no custo por peça.
  • Deve ser orçamentado como um custo de uma só vez por peça/lote, tal como o setup.

Programação e setup são os dois custos que mais penalizam as séries pequenas.

Simulação gráfica no estudo dos tempos

Antes de correr o programa na máquina real, simula-se graficamente para validar e para estimar tempos com rigor.

  • O simulador calcula o tempo total do ciclo com os parâmetros reais de corte e de deslocação.
  • Deteta colisões, percursos ineficientes e movimentos em vazio desnecessários.
  • Um percurso otimizado na simulação reduz diretamente o tempo (e o custo) de fabrico real.

A simulação transforma uma estimativa "à vista" numa estimativa calculada e verificável.

Bloco 9 · Fatores do custo total e subcontratação

Fatores que influenciam o custo total do produto

Além de matéria-prima, ferramentas, mão de obra e hora-máquina, o custo total de uma peça inclui outros fatores, muitas vezes esquecidos:

  • Energia consumida por toda a instalação, não só pela máquina em causa.
  • Custos indiretos: administração, comercial, qualidade, logística.
  • Infraestruturas: renda, seguros, manutenção do edifício.
  • Impostos e taxas associados à atividade.
  • Amortizações de equipamento e instalações.

Estes custos são normalmente rateados (distribuídos) por hora de máquina ou por peça, com uma taxa horária global da oficina.

Produção interna vs subcontratação

Para cada operação (ou até para a peça toda), a empresa decide entre produzir internamente ou subcontratar.

Fator Favorece produção interna Favorece subcontratação
Quantidade grandes séries, uso contínuo da máquina operações pontuais, pouca frequência
Especialização processo dominado internamente processo muito específico (ex.: tratamento superficial)
Capacidade máquina disponível oficina saturada, prazos apertados
Investimento já amortizado evita investir em equipamento novo

A decisão impacta diretamente o orçamento: um custo de subcontratação é um valor "fechado" de terceiros; um custo interno é calculado peça a peça.

Bloco 10 · Métodos de estimativa, margens e o orçamento final

Métodos de estimativa de custos

Um orçamentista usa diferentes métodos de estimativa consoante a informação disponível:

  • Estimativa analítica (bottom-up): soma custo a custo de cada operação, material e ferramenta. Mais rigorosa, mais demorada.
  • Estimativa comparativa: baseada numa peça semelhante já orçamentada, ajustada às diferenças.
  • Estimativa paramétrica: fórmulas ou taxas por características da peça (peso, volume, número de operações).

Em peças novas e críticas usa-se a analítica; em peças recorrentes, a comparativa ou paramétrica são mais rápidas e suficientes.

Custo-benefício e margens de lucro

O custo calculado (matéria-prima + ferramentas + mão de obra + hora-máquina + indiretos) é o custo de fabrico. O preço proposto ao cliente soma uma margem.

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  • A margem cobre o risco do negócio e gera lucro.
  • Uma margem baixa demais não sustenta a empresa; uma margem alta demais perde a proposta para a concorrência.
  • A análise custo-benefício pesa o preço proposto contra o valor entregue ao cliente (qualidade, prazo, fiabilidade).

Folhas de cálculo e o orçamento final

Toda a estimativa de custos e tempos organiza-se, na prática, numa folha de cálculo com fórmulas, para calcular rápido e sem erros manuais.

  • Uma linha por custo: matéria-prima, ferramentas, mão de obra, hora-máquina, setup, programação, indiretos.
  • Fórmulas ligadas (mudar a quantidade do lote recalcula tudo automaticamente).
  • Formulário próprio da empresa, com campos normalizados, facilita a revisão e a colaboração em equipa.

Colaborar na elaboração de orçamentos é reunir todos estes valores num documento claro, revisto e pronto para o cliente.

Recapitulando

  • Orçamentar é analisar a peça, estudar tempos e custos, e colaborar na elaboração do orçamento final.
  • O custo de fabrico soma matéria-prima, ferramentas e dispositivos, mão de obra, hora-máquina e custos indiretos.
  • Tempo de fabrico = setup (interno e externo) + tempo de ciclo (corte e vazio) + programação, ajustado ao rendimento real.
  • A simulação gráfica valida e mede os tempos com rigor.
  • O preço final soma margem ao custo, decidido também entre produção interna e subcontratação.

Próximo: fichas e mini-projecto, orçamentar uma peça real do início ao fim.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o orçamento não é "adivinhar", é um cálculo com fórmulas e dados reais da oficina (custos de matéria-prima, ferramentas, mão de obra, hora-máquina). - Erro comum: os alunos tendem a olhar só para o preço da matéria-prima e esquecer tempos de setup, ferramentas e margem. - Exemplo: pedir à turma para adivinhar o preço de uma peça simples e depois comparar com o cálculo real no fim da UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada símbolo do desenho tem impacto direto no custo (uma tolerância apertada obriga a mais passagens e a máquinas mais rigorosas). - Erro comum: ignorar uma nota de tratamento térmico ou de rugosidade e esquecer esse custo no orçamento. - Exemplo: mostrar a mesma peça com Ra 3,2 e com Ra 0,8 e discutir o impacto no tempo de acabamento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: estas fichas já existem na oficina (não são inventadas pelo orçamentista); a competência é lê-las e usá-las. - Erro comum: confundir a ficha de fabrico (o "quê" e o "como") com a ficha de ferramentas (o "com quê"). - Exemplo/analogia: a ficha de fabrico é a "receita"; a ficha de ferramentas é a "lista de utensílios de cozinha".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o setup custa o mesmo para 1 peça ou para 1000; por isso o custo por peça cai muito com a quantidade. - Erro comum: orçamentar uma série grande com a lógica de uma unitária (ou vice-versa), inflacionando ou subestimando o preço. - Pergunta: "porque é que um protótipo custa tanto mais por unidade do que uma série de 1000?"

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: material mais "difícil" não é só mais caro à compra, é também mais lento a maquinar (menos velocidade de corte). - Erro comum: comparar só o preço ao quilo dos materiais sem considerar o impacto no tempo de maquinação e na vida da ferramenta. - Exemplo: uma peça em inox AISI 316 demora tipicamente 2 a 3 vezes mais a maquinar do que a mesma peça em alumínio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o tratamento superficial é quase sempre subcontratado; o seu custo entra no orçamento como um valor de terceiros. - Erro comum: esquecer o tratamento superficial no orçamento porque "não é maquinação". - Exemplo: calcular a área de superfície de um paralelepípedo simples para orçamentar uma anodização a 0,15 €/dm².

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o custo é sobre o material de PARTIDA (a barra bruta), não sobre o volume final da peça já maquinada. - Erro comum: calcular a massa a partir da peça acabada e esquecer a sobre-espessura de maquinação. - Exemplo: peça final de 100 cm³ maquinada a partir de uma barra bruta de 150 cm³; o custo é sobre os 150 cm³.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o preço por kg varia muito ao longo do ano (cotação dos metais); um orçamento deve indicar a data do preço usado. - Erro comum: esquecer de descontar o valor da sucata (as aparas de alumínio ou aço têm valor de revenda). - Exemplo/pergunta: "se uma barra custa 3,20 €/kg e sobram 0,4 kg de apara vendável a 0,80 €/kg, quanto se desconta?"

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: separar sempre os três passos (massa → custo bruto → desconto da sucata) para não misturar as contas. - Erro comum: arredondar demasiado cedo (a barra em kg) e propagar o erro até ao resultado final. - Exemplo: repetir o cálculo mudando o material para aço (massa volúmica 7,85 kg/dm³) e comparar o impacto no custo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nem toda a ferramenta se "gasta" da mesma forma; insertos e brocas têm vida útil curta, um mandril tem vida de anos. - Erro comum: tratar o custo de um dispositivo de aperto reutilizável (amortizado ao longo de milhares de peças) como se fosse consumível. - Exemplo: mostrar uma ficha de ferramentas real com referências, tipo e vida útil esperada de cada item.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a fórmula é sempre a mesma, muda apenas o denominador (vida útil em peças, não em horas). - Erro comum: dividir o custo da ferramenta pelo número de peças do lote atual em vez de pela vida útil real. - Pergunta: "um dispositivo de aperto de 800 € que dura 20.000 peças custa quanto por peça?" (4 cêntimos).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um inserto barato mas com vida útil curta pode custar mais por peça do que um inserto caro de longa duração. - Erro comum: usar a vida útil "ideal" do catálogo do fabricante sem margem de segurança para condições reais de oficina. - Exemplo: comparar dois insertos com preços e vidas úteis diferentes e calcular qual é mais barato por peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o custo/hora de mão de obra é o salário bruto mais encargos; a base é sempre o bruto, nunca o líquido. - Erro comum: usar o salário mínimo como custo/hora sem somar os encargos da empresa (tipicamente +25 a 30%). - Exemplo: comparar o custo/hora de um operador júnior com o de um programador CNC sénior.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: máquinas mais sofisticadas (5 eixos, torno-fresadoras) têm custo/hora muito mais alto; nem sempre são a opção mais barata. - Erro comum: usar o mesmo custo/hora para todas as máquinas da oficina, ignorando amortização e consumo diferentes. - Pergunta: "porque é que uma peça simples nunca deve ser feita numa máquina de 5 eixos, se houver alternativa?"

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: hora-máquina e mão de obra somam-se para dar o custo combinado por hora de fabrico. - Erro comum: esquecer de converter os minutos de operação em frações de hora antes de multiplicar. - Exemplo: repetir o cálculo para um lote de 200 peças à mesma operação (multiplicar o custo unitário pela quantidade).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: setup é tempo "improdutivo" mas indispensável; o objetivo não é eliminá-lo, é reduzi-lo e distribuí-lo bem. - Erro comum: tratar o setup como um "extra" fora do orçamento, quando é uma parte estrutural do custo. - Exemplo/analogia: montar os pneus de um carro de Fórmula 1 no box (setup interno, carro parado) vs preparar as ferramentas antes de o carro entrar (setup externo).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a estratégia de ouro é converter setup interno em externo sempre que possível, reduzindo o tempo de máquina parada. - Erro comum: confundir os dois tipos e classificar como "interno" uma preparação que podia ser feita com a máquina a trabalhar. - Exemplo: pré-regular um dispositivo de aperto numa bancada, fora da máquina, enquanto o lote anterior ainda maquina.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a "primeira peça" faz parte do setup, não da produção; se sair não conforme, o setup ainda não terminou. - Erro comum: orçamentar apenas a montagem do dispositivo e esquecer a definição de origens e o controlo da primeira peça. - Pergunta: "qual destas cinco etapas se pode fazer com a máquina anterior ainda a trabalhar?" (as três primeiras, potencialmente).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: listar todas as operações da ficha de fabrico é o primeiro passo para não "esquecer" tempo no orçamento. - Erro comum: agrupar operações diferentes (ex.: desbaste e acabamento) como se fossem uma só, perdendo precisão. - Exemplo: numa peça com um furo roscado, identificar as três operações distintas (furação, chanfro, roscagem).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o tempo de ciclo é por peça e em regime estável, não inclui o setup (que é uma vez só, por lote). - Erro comum: confundir tempo de ciclo com tempo total do lote (esquecendo de multiplicar, ou de somar o setup à parte). - Exemplo: calcular o tempo total de um lote de 50 peças com tempo de ciclo de 4 minutos e setup de 30 minutos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nenhuma oficina trabalha a 100% de tempo produtivo; um bom orçamentista usa um fator de eficiência realista (ex.: 75-85%). - Erro comum: orçamentar como se a máquina cortasse ininterruptamente, sem margem para trocas de ferramenta e pequenas paragens. - Pergunta: "se uma máquina tem 80% de eficiência, quanto tempo real preciso para 6 horas de corte efetivo?" (7,5 h).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o tempo em vazio parece desprezável mas, em peças com muitas trocas de ferramenta, soma bastante. - Erro comum: usar a mesma velocidade de avanço para corte e para deslocação em vazio (são muito diferentes). - Exemplo: um furo de 20 mm a um avanço de 100 mm/min demora 12 segundos de corte efetivo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: para uma peça única e simples, programar em conversacional pode ser mais rápido do que abrir um CAM. - Erro comum: usar sempre o mesmo método de programação independentemente da complexidade da peça. - Pergunta: "para 1 peça simples e para 500 peças complexas, que método de programação escolherias em cada caso?"

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: tempo de programação é imputado ao lote todo, não à peça isolada; divide-se pela quantidade produzida. - Erro comum: esquecer o tempo de programação no orçamento de uma peça nova, contando só a maquinação. - Exemplo: um programa que demora 2 horas a preparar, para um lote de 10 peças, acrescenta 12 minutos por peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a simulação não serve só para validar segurança, serve sobretudo para dar um tempo de ciclo fiável ao orçamento. - Erro comum: orçamentar o tempo de ciclo "a olho" quando o software de simulação já dá o valor exato. - Exemplo: comparar o tempo estimado a olho com o tempo dado pelo simulador para a mesma peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os custos indiretos existem mesmo que não sejam visíveis numa única peça; ignorá-los faz a empresa perder dinheiro. - Erro comum: orçamentar só os custos "diretos" (material, ferramenta, mão de obra, máquina) e esquecer o rateio dos indiretos. - Pergunta: "porque é que duas oficinas com a mesma máquina podem ter custos/hora diferentes?" (estrutura indireta diferente).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: subcontratar não é "pior", é uma decisão económica que depende de quantidade, especialização e capacidade disponível. - Erro comum: assumir que produzir internamente é sempre mais barato, ignorando o custo de oportunidade da máquina ocupada. - Exemplo: um tratamento térmico pontual quase sempre compensa subcontratar em vez de investir num forno próprio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o método a usar depende do tempo disponível e do risco da peça, não é sempre "o mais rigoroso possível". - Erro comum: usar sempre a estimativa analítica completa mesmo em peças simples e recorrentes, perdendo tempo comercial. - Exemplo: uma oficina que já fez 50 peças parecidas pode orçamentar a 51.ª por comparação em minutos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: margem não é "gordura", é o que garante o futuro da empresa (reinvestimento, imprevistos, lucro). - Erro comum: baixar a margem para ganhar um concurso sem considerar se o custo calculado já estava subestimado. - Exemplo: comparar duas propostas ao mesmo cliente com margens de 10% e 25% e discutir os riscos de cada uma.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a folha de cálculo não substitui o raciocínio técnico, só automatiza contas já compreendidas. - Erro comum: copiar uma folha de cálculo de outra peça sem verificar se todas as fórmulas e parâmetros continuam válidos. - Exemplo: mostrar uma folha de orçamentação real com as linhas de custo e o total a somar automaticamente.