UC02946

Executar operações de manutenção em máquinas de controlo numérico

Curso profissional · 25h · TMIM

Índice

  1. CNC — Tipos e Arquitectura — tornos, fresadoras, routers, plasma, laser; controlador, servo, fuso; segurança
  2. Parâmetros de Maquinagem — velocidade de corte, avanço, profundidade, material vs ferramenta
  3. Ferramentas de Corte — geometria, materiais (HSS, carboneto), desgaste, vida útil, troca
  4. Programação G-code Básica — G00/G01/G02/G03, M03/M05/M30, ciclos fixos G81/G83
  5. Manutenção Preventiva CNC — lubrificação, nivelamento, backlash, filtros
  6. Diagnóstico de Avarias — alarmes Fanuc/Siemens, erro de seguimento, substituição de encoder

Bloco 1

CNC — Tipos e Arquitectura

Tipos de Máquinas CNC

Tipo Eixos típicos Aplicação
Torno CNC X, Z (+ C, Y) Peças de revolução
Fresadora CNC X, Y, Z (+ A, B, C) Superfícies planas e 3D
Router CNC X, Y, Z Madeira, plástico, alumínio
Plasma CNC X, Y (+ Z) Corte de chapa metálica
Laser CNC X, Y, Z Corte e gravação de precisão

Arquitectura de uma CNC

┌─────────────────────────────────────┐
│         CONTROLADOR CNC             │
│   (Fanuc, Siemens, Heidenhain)      │
│                                     │
│  ┌───────┐    ┌──────────────────┐  │
│  │ CPU   │───▶│  Interpolador    │  │
│  └───────┘    └────────┬─────────┘  │
└───────────────────────┼─────────────┘
                        ▼
              ┌─────────────────┐
              │   Servo Drive   │
              └────────┬────────┘
                       ▼
              ┌─────────────────┐
              │  Servo Motor +  │
              │    Encoder      │
              └────────┬────────┘
                       ▼
              ┌─────────────────┐
              │  Fuso / Guias   │
              └─────────────────┘

Componentes Principais

Controlador CNC

  • Interpreta o programa G-code
  • Calcula trajectórias (interpolação linear e circular)
  • Gere entradas/saídas (I/O) da máquina

Servo Motor + Encoder

  • Motor: gera o movimento de posicionamento
  • Encoder: retorna posição real ao controlador (feedback)
  • Drive: converte sinais digitais em potência para o motor

Fuso de Esferas (Ball Screw)

  • Converte rotação em translação linear
  • Alta eficiência e baixa folga (backlash)
  • Pré-carga elimina folga residual

Normas de Segurança em CNC

EPI obrigatório:

  • Óculos de protecção contra projecção de apara
  • Calçado de segurança (sola anti-perfuração)
  • Luvas anticorte ao manusear ferramentas (fora da máquina)
  • Protector auricular em operações longas

Procedimentos de segurança:

  1. Verificar fixação da peça antes de iniciar o ciclo
  2. Nunca abrir a porta durante o ciclo de maquinagem
  3. Executar programa em "dry run" (sem peça) na 1ª vez
  4. Manter a área de trabalho livre de fluido de corte acumulado
  5. Paragem de emergência (E-STOP) deve estar acessível e funcional

Bloco 2

Parâmetros de Maquinagem

Velocidade de Corte (Vc)

Fórmula fundamental:

Onde:

  • = diâmetro da ferramenta ou peça [mm]
  • = velocidade de rotação [rpm]

Valores típicos de Vc [m/min]:

Material HSS Carboneto (Seco) Carboneto (Refrigerado)
Aço macio 20–30 80–150 120–200
Alumínio 60–100 200–500 400–800
Ferro fundido 15–25 60–120 80–150
Inox 304 8–15 40–80 60–100

Avanço e Profundidade de Corte

Avanço por dente (fz):

Profundidade de corte:

  • Axial (ap): profundidade no eixo da ferramenta
  • Radial (ae): largura de corte (% do diâmetro)

Regra prática para acabamento vs desbaste:

Operação ap ae fz
Desbaste 1,5–3× D 50–75% D 0,10–0,25 mm
Acabamento 0,2–0,5 mm 5–15% D 0,02–0,08 mm

Selecção Material vs Ferramenta

ALUMÍNIO ──────────▶ Carboneto não revestido (K10/K20)
                     Rake angle positivo (+15°)
                     Vc = 300–600 m/min

AÇO MACIO ─────────▶ Carboneto TiAlN (P25/P35)
                     Vc = 80–200 m/min

AÇO INOX ──────────▶ Carboneto TiAlN/AlCrN (M20/M35)
                     Vc = 50–100 m/min
                     Refrigeração obrigatória

TITÂNIO ────────────▶ Carboneto submicron TiAlN
                     Vc = 40–60 m/min
                     Alta pressão de refrigeração

Bloco 3

Ferramentas de Corte

Geometria da Ferramenta

Ângulos principais de uma fresa de topo:

       Ângulo de hélice (helix angle)
       ╲
        ╲   ← Rake face (face de saída)
         ╲
──────────╲──── Cutting edge
           ╲
            ╲ ← Flank face (flanco)
             ╲
              ╲ Clearance angle (ângulo de folga)
  • Ângulo de saída (rake): + 10° a + 20° para alumínio; 0° a +10° para aço
  • Ângulo de folga (clearance): 6° a 12°
  • Ângulo de hélice: 30°–45° (geral); 45°–55° (alumínio)

Materiais de Ferramenta

Material Dureza (HRC/HV) Tenacidade T máx. [°C] Aplicação
HSS (M2) 62–65 HRC Alta 600 Baixas velocidades, perfis
HSS-Co (M35) 65–67 HRC Média-alta 650 Inox, materiais difíceis
Carboneto WC-Co 1400–1800 HV Média 900 Produção, altas Vc
Cermet TiN ~1800 HV Baixa 1000 Acabamento aço
CBN ~4000 HV Muito baixa 1200 Têmpera dura (>55HRC)
Diamante PCD ~8000 HV Muito baixa 700 Alumínio, compósitos

Desgaste e Vida Útil

Tipos de desgaste:

  1. Desgaste de flanco (VB) — por abrasão; limite: VB = 0,3 mm
  2. Desgaste de cratera (KT) — por difusão a alta temperatura
  3. Lascagem (chipping) — impacto, interrupção de corte
  4. Deformação plástica — temperatura excessiva

Fórmula de Taylor:

Onde T é a vida útil em minutos, n e C são constantes do par ferramenta-material.

Sinais de troca imediata:

  • Acabamento superficial degradado
  • Força de corte aumentada (spindle load > 120%)
  • Ruído anormal (chatter/vibração)
  • Temperatura elevada na peça

Bloco 4

Programação G-code Básica

Códigos G Essenciais

Código Função Exemplo
G00 Posicionamento rápido G00 X50. Y30.
G01 Interpolação linear (corte) G01 X80. F150
G02 Interpolação circular CW G02 X60. Y20. R10.
G03 Interpolação circular CCW G03 X40. Y40. I0. J10.
G17 Plano XY (default) G17
G21 Unidades em mm G21
G40 Cancelar compensação de raio G40
G41 Compensação de raio à esquerda G41 D01
G42 Compensação de raio à direita G42 D01
G54–G59 Sistemas de coordenadas de peça G54
G90 Coordenadas absolutas G90
G91 Coordenadas incrementais G91

Códigos M Essenciais

Código Função
M03 Rotação do fuso no sentido horário (CW)
M04 Rotação do fuso no sentido anti-horário (CCW)
M05 Paragem do fuso
M06 Troca de ferramenta (M06 T02)
M08 Liga fluido de corte
M09 Desliga fluido de corte
M30 Fim de programa + rewind

Ciclos Fixos

G81 — Ciclo de furação simples:

G81 X20. Y30. Z-15. R2. F80
; Furação em X20 Y30, profundidade Z-15,
; plano de retorno R+2mm acima de Z0

G83 — Ciclo de furação com extracção (peck drilling):

G83 X20. Y30. Z-40. R2. Q5. F60
; Furação profunda com incremento de 5mm (Q)
; Extrai para limpar apara a cada 5mm

G84 — Ciclo de roscagem:

G84 X20. Y30. Z-20. R2. F1.25
; Rosca M8 (passo 1.25mm)
; F deve ser igual ao passo da rosca

Programa Completo — Exemplo

%
O0001 (CONTORNO RECTANGULAR 60x40mm)
N10 G21 G17 G90 G40    ; Setup: mm, plano XY, absoluto
N20 G54                 ; Sistema de coordenadas peça 1
N30 T01 M06             ; Fresa de topo Ø10mm
N40 G43 H01             ; Compensação de comprimento T01
N50 M03 S8000           ; Fuso CW, 8000 rpm
N60 M08                 ; Liga fluido
N70 G00 X-5. Y-5. Z5.  ; Posição inicial rápida
N80 G01 Z-3. F300       ; Mergulho a Z-3 (ap=3mm)
N90 G41 D01             ; Compensação raio esquerda
N100 G01 X0. Y0. F800   ; Ponto inicial contorno
N110 G01 X60. Y0.       ; Lado 1
N120 G01 X60. Y40.      ; Lado 2
N130 G01 X0. Y40.       ; Lado 3
N140 G01 X0. Y0.        ; Lado 4 (fecha)
N150 G40                ; Cancela compensação
N160 G00 Z50.           ; Sobe Z (seguro)
N170 M09                ; Desliga fluido
N180 M05                ; Para fuso
N190 M30                ; Fim programa
%

Bloco 5

Manutenção Preventiva CNC

Plano de Manutenção Semanal

Tarefa Procedimento Produto
Limpeza geral Soprar/aspirar aparas de guias e proteções
Lubrificação guias lineares Verificar nível no reservatório lubrificador automático ISO VG32 (Mobil Vactra 1)
Verificar fluido de corte Medir concentração (refractómetro: 6–8% semi-sintético)
Verificar filtro de fluido Limpar crivo do tanque
Inspecção visual Verificar fugas de óleo/fluido, estado das guias e proteções

Plano de Manutenção Mensal

Tarefa Procedimento
Lubrificação do fuso de esferas Injectar massa lubrificante nas porcas (se sistema manual)
Verificar nível do óleo do cabeçote Controlar o visor de nível; completar se necessário
Limpeza do filtro de ar do elétrico Remover e lavar filtro do armário elétrico
Verificar apertos mecânicos Inspecionar parafusos de fixação do cabeçote e mesa
Verificação de backlash Medir folga em X, Y, Z com relógio comparador
Verificar tensão das correias Depressor na correia do fuso; deflexão < 5 mm

Verificação de Backlash

Procedimento:

  1. Montar relógio comparador na mesa, apoiado em batente fixo
  2. Deslocar eixo no sentido positivo até eliminar folga
  3. Zerar o relógio
  4. Retroceder 1 mm no sentido negativo
  5. Avançar novamente 1 mm no sentido positivo
  6. Ler o erro de retorno → é o backlash

Valores de referência:

Classe máquina Backlash máx. admissível
Máquina de produção geral 0,02–0,05 mm
Máquina de precisão < 0,01 mm
Centro de maquinagem < 0,005 mm

Correcção: compensação no parâmetro do controlador ou substituição da porca do fuso.

Manutenção Anual

  1. Nivelamento da máquina — usar nível de precisão (0,02 mm/m); ajustar parafusos de nivelamento
  2. Verificação geométrica — perpendicularidade dos eixos (norma ISO 230), rectidão das guias
  3. Substituição de filtros — filtro hidráulico, filtro de óleo do cabeçote
  4. Substituição de fluido de corte — limpar e desinfetar o tanque (bactericidas)
  5. Verificação do sistema de lubrificação — limpar distribuidores, verificar tubagens
  6. Teste de precisão — maquinar peça de teste e medir com CMM; comparar com especificações da máquina

Bloco 6

Diagnóstico de Avarias

Alarmes Fanuc Comuns

Alarme Descrição Causa provável Acção
ALM 410 Servo: erro de seguimento excessivo (eixo X) Carga excessiva, ganho baixo, encoder defeituoso Verificar carga mecânica, ganho Kp
ALM 414 Servo: encoder desligado Cabo encoder cortado ou conector solto Verificar cablagem do encoder
ALM 417 Excesso de corrente no servo Curto, sobrecarga, IGBT avariado Medir corrente, verificar motor
ALM 749 Overtravel (fim de curso sw) Programa fora dos limites de trabalho Verificar offset G54, programa
ALM 445 Erro APC (absolute position) Falha bateria encoder absoluto Substituir bateria (3V lítio)
ALM 300 ATC: timeout na troca Sensor de posição do braço ATC Verificar sensores e cilindros

Diagnóstico de Erro de Seguimento

Sintoma: Alarme 410/411 (Servo Following Error)

Sequência de diagnóstico:

1. Verificar carga mecânica
   └─ Mover eixo manualmente (com máquina em E-STOP)
   └─ Detecta bloqueio? SIM → problema mecânico (guia, fuso)

2. Verificar sinal do encoder
   └─ Menu Diagnóstico → posição real actualiza?
   └─ NÃO → cabo encoder ou encoder defeituoso

3. Verificar parâmetros do servo
   └─ Parâmetro 1825 (Kp de posição)
   └─ Parâmetro 1826 (erro de seguimento máx.)

4. Verificar tensão do barramento DC do drive
   └─ Normal: ~560 V DC (para rede 400V AC)

Substituição de Encoder

Procedimento (encoder incremental rotativo):

  1. Preparação: desligar a máquina no quadro, esperar 5 min para descarga dos condensadores
  2. Localizar o encoder no veio do servo motor (traseira)
  3. Desligar o conector (atenção à chave de orientação)
  4. Soltar os parafusos de fixação do flange do encoder (normalmente 3× M3)
  5. Retirar o encoder com cuidado (acoplamento flexível ou ligação directa)
  6. Montar o novo encoder na mesma posição; fixar parafusos com Loctite 243
  7. Ligar o conector e verificar fixação
  8. Ligar a máquina e executar o procedimento de referenciação (homing)
  9. Verificar posições de referência e limites de software

Nota: Em encoders absolutos, pode ser necessário re-parametrizar o offset de zero no controlador.

Resumo da UC02946

Competências adquiridas:

  • Identificar tipos de CNC e respectivos componentes (controlador, servo, fuso)
  • Calcular e seleccionar parâmetros de maquinagem (Vc, f, ap) para diferentes materiais
  • Seleccionar ferramentas de corte adequadas e avaliar o seu desgaste
  • Escrever programas G-code para contornos e ciclos de furação
  • Executar a manutenção preventiva semanal, mensal e anual de uma CNC
  • Diagnosticar alarmes Fanuc e efectuar a substituição de encoders

Avaliação: Ficha 1 (parâmetros + G-code) + Ficha 2 (avarias + manutenção) + Projecto (manutenção preventiva completa 10h)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Famílias de máquinas CNC e número de eixos Cada tipo de máquina resolve uma classe de geometria: o torno trabalha peças de revolução em X-Z, a fresadora gera superfícies em X-Y-Z e os processos de corte por plasma e laser operam essencialmente em chapa. Antes de planear qualquer intervenção de manutenção, o técnico tem de saber que cinemática tem à frente, porque os pontos críticos de desgaste mudam consoante o tipo. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Relacionar o número de eixos com a complexidade da peça que cada máquina produz • Mostrar exemplos reais da oficina/escola e identificar a que família pertencem • Sublinhar que a tabela orienta a leitura do manual de manutenção certo para cada máquina

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Cadeia de controlo em malha fechada O esquema mostra o fluxo do programa até ao movimento físico: o controlador interpola a trajectória, o drive amplifica o sinal e o servo move o eixo, enquanto o encoder devolve a posição real. É esta realimentação que distingue uma CNC de uma máquina convencional e é também onde nascem muitas avarias de posicionamento. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar o conceito de malha fechada e porque o encoder é o elemento de feedback • Apontar que uma falha em qualquer elo da cadeia se traduz num alarme de servo • Ligar o diagrama aos alarmes Fanuc do Bloco 6 (erro de seguimento, encoder)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Os três subsistemas que o técnico mantém Controlador, conjunto servo-encoder e fuso de esferas são os blocos que concentram as intervenções de manutenção. O fuso de esferas, em particular, é o coração da precisão: a sua pré-carga é o que mantém o backlash baixo, e a sua lubrificação é tarefa recorrente do plano preventivo. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Distinguir feedback do encoder da geração de potência no drive • Explicar como a pré-carga do fuso se degrada com o uso e gera folga • Antecipar a ligação à verificação de backlash e à lubrificação do Bloco 5

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Segurança antes de qualquer operação ou manutenção A CNC concentra energia mecânica, eléctrica e hidráulica num espaço fechado, por isso o EPI e os procedimentos não são burocracia mas condição de trabalho. O dry run e a verificação da fixação da peça evitam colisões caras, e o E-STOP acessível é a última linha de defesa numa emergência. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Reforçar que nunca se abre a porta com o ciclo em andamento • Explicar o valor do dry run na primeira execução de um programa novo • Lembrar que em manutenção se aplica também o bloqueio/consignação (LOTO) da energia

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Velocidade de corte como parâmetro de partida A Vc é o ponto de onde tudo deriva: fixada a Vc adequada ao par material-ferramenta, calcula-se a rotação n a partir do diâmetro. Uma Vc errada é a causa mais comum de desgaste prematuro ou de mau acabamento, por isso ler a tabela é o primeiro reflexo antes de programar uma operação. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Resolver em conjunto um cálculo de n a partir de Vc e diâmetro • Comparar os saltos de Vc entre HSS e carboneto e justificar a refrigeração • Mostrar o impacto de exagerar a Vc no inox (encruamento e desgaste)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Avanço e profundidade definem desbaste vs acabamento Depois da velocidade de corte, o avanço por dente e as profundidades axial e radial determinam a taxa de remoção de material e o estado final da superfície. A estratégia muda radicalmente entre desbaste, onde se procura volume, e acabamento, onde se procura tolerância e rugosidade. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Distinguir avanço por dente, avanço por rotação e avanço da mesa Vf • Explicar a diferença de ap e ae entre desbaste e acabamento • Relacionar parâmetros agressivos com vibração (chatter) e quebra de aresta

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Casar material da peça com substrato e revestimento Cada material a maquinar pede uma combinação própria de qualidade de carboneto, revestimento e geometria de ataque. O alumínio agradece arestas vivas e ângulos positivos, enquanto o inox e o titânio exigem revestimentos resistentes ao calor e refrigeração abundante para evitar a colagem da apara. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar para que serve o revestimento TiAlN e quando se prefere carboneto não revestido • Justificar a refrigeração obrigatória no inox e no titânio • Ligar a escolha errada de ferramenta aos modos de desgaste do próximo bloco

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Geometria da aresta cortante Os ângulos de saída, folga e hélice governam como a apara se forma e como as forças se distribuem. Um ângulo de saída maior corta com menos esforço mas enfraquece a aresta, enquanto o ângulo de folga evita o atrito do flanco contra a peça. Reconhecer estas faces ajuda a interpretar o desgaste observado numa ferramenta usada. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Identificar nas ferramentas da oficina a face de saída e o flanco • Explicar o compromisso entre ângulo de saída positivo e robustez da aresta • Relacionar o ângulo de hélice com a evacuação da apara e o acabamento

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Compromisso dureza vs tenacidade A tabela mostra a regra de ouro dos materiais de ferramenta: quanto mais duro e resistente ao calor, mais frágil. O HSS aguenta choque mas não velocidade; o CBN e o PCD cortam materiais muito duros mas partem com interrupções de corte. A escolha equilibra a exigência da operação com o risco de lascagem. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar porque não se usa CBN em corte interrompido • Relacionar a temperatura máxima com a velocidade de corte admissível • Mostrar aplicações típicas de cada material com peças reais ou catálogo

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Monitorizar o fim de vida da ferramenta O desgaste é inevitável, mas previsível: o desgaste de flanco progride por abrasão e a lei de Taylor liga a velocidade de corte à vida útil. Saber ler os sinais de troca — acabamento degradado, aumento de carga no fuso, ruído — evita peças fora de tolerância e protege a máquina. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Definir o critério VB de 0,3 mm como limite prático de troca • Interpretar a equação de Taylor: subir a Vc reduz drasticamente a vida • Treinar a leitura da carga do fuso como indicador de ferramenta gasta

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Códigos G: a gramática do movimento Os códigos G dizem à máquina como se mover: G00 desloca rápido sem cortar, G01 corta em linha recta e G02/G03 fazem arcos. As funções modais como G90/G91 e G54 definem o contexto em que todas as coordenadas seguintes são interpretadas, por isso um erro aqui propaga-se a todo o programa. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Distinguir G00 (rápido, posicionamento) de G01 (avanço controlado, corte) • Explicar o conceito de função modal e o perigo de esquecer G90/G91 • Demonstrar a compensação de raio G41/G42 com um esboço no quadro

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Códigos M: funções auxiliares da máquina Enquanto os G governam o movimento, os M comandam os equipamentos auxiliares: ligar e parar o fuso, trocar ferramenta, abrir e fechar a refrigeração e terminar o programa. São poucos mas críticos para a segurança da sequência — esquecer um M05 ou um M09 no fim deixa a máquina num estado perigoso. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Distinguir M03 de M04 e quando se usa cada sentido de rotação • Explicar a sequência segura de fim de programa (M09, M05, M30) • Relacionar M06 com o ciclo de troca automática de ferramenta (ATC)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ciclos fixos condensam operações repetitivas Os ciclos fixos como G81, G83 e G84 substituem dezenas de linhas de movimento por uma só instrução parametrizada. O G83, com extracção, é essencial em furos profundos para partir e evacuar a apara, e no G84 a relação entre avanço e passo da rosca tem de ser exacta sob pena de partir o macho. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar o plano de retorno R e a profundidade Z em cada ciclo • Justificar o peck drilling do G83 em furos profundos • Demonstrar o cálculo F = passo no G84 para uma rosca métrica

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Anatomia de um programa CNC completo Este exemplo mostra a estrutura padrão de qualquer programa: cabeçalho de setup, chamada e compensação de ferramenta, arranque do fuso, percurso de corte e fecho seguro. Ler um programa linha a linha é a competência que permite ao técnico detectar erros antes de carregar no botão de start. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Percorrer o bloco de setup (G21 G17 G90 G40) e o seu papel • Mostrar como a compensação G41 desenha a peça e não o centro da fresa • Sublinhar a importância de subir Z em segurança antes de parar o fuso

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Rotina preventiva semanal A manutenção semanal é maioritariamente de limpeza e verificação de níveis, mas é o que mantém a máquina saudável a baixo custo. A aspiração de aparas das guias e o controlo da concentração do fluido de corte com refractómetro evitam corrosão, mau acabamento e proliferação bacteriana no tanque. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Demonstrar o uso do refractómetro e a leitura da concentração 6–8% • Explicar porque o lubrificante das guias é diferente do fluido de corte • Reforçar o hábito da inspecção visual de fugas no início de cada semana

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Manutenção mensal: pontos mecânicos A intervenção mensal vai além da limpeza e toca o coração mecânico da máquina: lubrificação do fuso, níveis do cabeçote, apertos e tensão de correias. É também o momento de medir o backlash, que revela o estado de desgaste do conjunto fuso-porca antes que afecte a precisão das peças. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar porque o filtro do armário eléctrico protege a electrónica do calor • Relacionar correias frouxas com perda de velocidade e vibração do fuso • Introduzir o backlash como ponte para o slide seguinte

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Medir e corrigir a folga de inversão O backlash é a folga que o eixo percorre sem mover a mesa ao inverter o sentido, e traduz-se em erros de medida e degraus nas peças. O procedimento com relógio comparador quantifica-o objectivamente, e a correcção pode ser por compensação no controlador ou, em casos graves, substituição da porca do fuso. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Executar o procedimento passo a passo com um relógio comparador real • Comparar os limites admissíveis entre máquina de produção e de precisão • Discutir quando basta compensar e quando é preciso substituir o fuso

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Revisão anual e recuperação geométrica A manutenção anual recupera a geometria e a precisão da máquina: nivelamento, verificação de perpendicularidade segundo a ISO 230, troca de filtros e fluido, e teste de uma peça padrão medida em CMM. É a intervenção mais pesada e normalmente exige paragem planeada da produção. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar o impacto de uma máquina desnivelada na precisão dos eixos • Apresentar a verificação geométrica como auditoria à saúde da máquina • Sublinhar o teste de peça padrão como prova objectiva de conformidade

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ler os alarmes como pista de diagnóstico O controlador não esconde a avaria: o código de alarme aponta o subsistema afectado e sugere uma direcção de investigação. Saber que ALM 410 é erro de servo e ALM 445 é bateria do encoder absoluto poupa horas de tentativa e erro e evita substituir peças boas. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Mostrar onde consultar o manual de alarmes do fabricante • Distinguir alarmes de servo, de fim de curso e de troca de ferramenta • Reforçar registar o código exacto antes de qualquer reset

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Diagnóstico estruturado do erro de seguimento O erro de seguimento surge quando a posição real fica atrasada em relação à comandada. A sequência ensina a separar causas mecânicas (eixo preso, fuso danificado) de causas eléctricas (encoder, parâmetros de ganho, barramento DC), seguindo do mais simples e seguro para o mais técnico. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Reforçar mover o eixo manualmente só com a máquina em E-STOP • Explicar o papel do ganho Kp (param. 1825) no seguimento • Mostrar como confirmar a actualização da posição real no menu de diagnóstico

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Substituição segura do encoder Trocar um encoder exige rigor: descarregar condensadores antes de tocar na máquina, respeitar a chave de orientação do conector e, sobretudo, referenciar de novo (homing) após a montagem. Em encoders absolutos acresce a reparametrização do offset de zero, sem a qual a máquina perde a referência de origem. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Insistir na espera de descarga dos condensadores como passo de segurança • Explicar a diferença entre encoder incremental e absoluto no pós-montagem • Demonstrar o procedimento de homing e a verificação dos limites de software

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Consolidação das competências da UC O resumo fecha o percurso, da arquitectura da máquina ao diagnóstico de avarias, passando pelos parâmetros, programação e manutenção. Convém revisitar a ligação entre os blocos: a manutenção preventiva é o que reduz as avarias que o último bloco ensina a diagnosticar. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Recapitular o fio condutor da máquina ao diagnóstico • Esclarecer os critérios de avaliação das fichas e do projecto • Orientar o projecto de manutenção preventiva como integração de toda a UC