UC02944

Robótica industrial

Robôs, programação, integração, segurança

Técnico de Manutenção Industrial / Mecatrónica · 25h

Plano da unidade

  1. Tipos de robôs
  2. Componentes
  3. Programação
  4. Integração
  5. Segurança
  6. Manutenção

Bloco 1 · Tipos

Categorias

Por estrutura cinemática:

  • Articulados (6+ eixos): mais comum, flexível.
  • SCARA: 3-4 eixos, rápido, pick-and-place.
  • Delta: 4 eixos, ultra-rápido, embalagem.
  • Cartesianos (pórtico): linear, 3D printing.
  • Colaborativos (cobots): segurança para trabalhar com humanos.

Articulados (6 eixos)

Mais versátil:

  • 6 rotações (semelhante a braço humano).
  • Aplicações: soldadura, pintura, montagem, paletização.
  • Marcas: ABB, KUKA, FANUC, Yaskawa, Stäubli.
  • Carga útil: 1 kg a 1000 kg.
  • Alcance: 0,5 m a 4 m.

SCARA

Selective Compliance Articulated Robot Arm:

  • 3 rotações + 1 vertical.
  • Movimentos horizontais muito rápidos.
  • Aplicações: montagem electrónica, pick-and-place.
  • Marcas: Epson, Yamaha, FANUC.

Delta

3 eixos paralelos + rotação opcional:

  • Velocidade muito alta (até 300 picks/min).
  • Carga pequena (< 2 kg).
  • Aplicações: alimentar, farmacêutica, embalagem.
  • Marcas: ABB FlexPicker, FANUC M-1iA.

Cobots

Colaborativos (trabalham com humanos):

  • Velocidade limitada.
  • Detecção de força (param ao tocar humano).
  • Não precisam de jaula (em zona segura).
  • Marcas: Universal Robots (UR), KUKA LBR iiwa, FANUC CR.

Crescimento explosivo nos últimos 10 anos.

Bloco 2 · Componentes

Estrutura

Eixos (joints):

  • Cada eixo tem motor + redutor + encoder.
  • Servomotores BLDC + encoders absolutos.
  • Redutores harmónicos ou cycloid (alta precisão, baixa folga).

End effector (ferramenta na ponta):

  • Pinça (gripper) — eléctrica ou pneumática.
  • Ventosa (vácuo).
  • Soldadura.
  • Tocha (pintura, plasma).
  • Sensor (visão, força).
  • Customizada por aplicação.

Controlador

Computer dedicado:

  • Calcula trajectórias.
  • Comanda servos.
  • Recebe inputs de sensores.
  • Comunicação com PLC, HMI, cloud.
  • Linguagem proprietária (RAPID para ABB, KRL para KUKA, etc.).

Hardware: processadores potentes (Intel/ARM), Linux RT ou OS proprietário.

Sensores

  • Encoder em cada eixo (posição).
  • Visão computacional (câmaras 2D/3D).
  • Sensor de força na pulseira (para montagens delicadas).
  • Tactile sensors em pinças (cobots).
  • Sensores de segurança (laser scanners, light curtains).

Software

Programação:

  • Teach pendant: dispositivo manual para mover o robô e gravar pontos.
  • Software offline: programa no computador, simula, envia ao robô.
  • Linguagem específica: RAPID, KRL, Karel, etc.

Funcionalidades:

  • Movimentos lineares, circulares, juntas.
  • Pontos guardados (P1, P2, ...).
  • Lógica (IF, FOR, WHILE).
  • Comunicação com PLC.
  • Tratamento de erros.

Bloco 3 · Programação

Métodos

1. Teach by demonstration (lead-through):

  • Operador move o robô manualmente para cada posição.
  • Robô guarda pontos.
  • Standard antigo, ainda usado para pintura.

2. Teach pendant:

  • Pendant com joystick e ecrã.
  • Operador move robô através do pendant.
  • Grava pontos.
  • Standard industrial.

3. Programação offline:

  • Software (RobotStudio, KUKA Sim, FANUC Roboguide).
  • Simula em 3D antes de transferir.
  • Mais rápido em programas complexos.

4. Visão computacional:

  • Câmara identifica objectos.
  • Robô adapta-se à posição real.
  • Pick-and-place adaptativo.

Linguagens

RAPID (ABB):

PROC PickPlace()
    MoveJ Home, v1000, fine, Tool1;
    MoveL p1, v500, fine, Tool1;
    SetDO doVac, 1;
    WaitTime 0.5;
    MoveL p2, v500, fine, Tool1;
    SetDO doVac, 0;
    MoveJ Home, v1000, fine, Tool1;
ENDPROC

Tipo Pascal, fácil de ler.

Movimentos

  • MoveJ (joint): movimento articular, mais rápido, trajectória não-linear.
  • MoveL (linear): trajectória recta no espaço.
  • MoveC (circular): arco circular entre 3 pontos.
  • MoveAbsJ: posição absoluta dos eixos.

Parâmetros:

  • Velocidade (vmax depende do robô).
  • Zona (precisão: fine = exacta, z10/z50/z100 = arredondada).
  • Tool (ferramenta + offset).
  • WObj (work object, sistema de coordenadas).

TCP — Tool Center Point

Ponto de referência da ferramenta:

  • Posição XYZ + orientação (Rx, Ry, Rz).
  • Configurado para cada ferramenta.
  • Movimentos referenciados ao TCP.

Calibração do TCP:

  • Operador move robô para tocar pontos conhecidos.
  • Software calcula coordenadas TCP.
  • Crítico para precisão.

Bloco 4 · Integração

Com PLC

Comunicação:

  • Profinet (standard moderno).
  • Profibus DP (legacy).
  • EtherNet/IP (Allen-Bradley).
  • DeviceNet, CC-Link (sectoriais).

Dados típicos:

Do PLC para robô:

  • Comando: arrancar programa X.
  • Parâmetros: receita, contadores.

Do robô para PLC:

  • Status: idle, em movimento, em erro.
  • Posição actual.
  • Resultado da operação (sucesso, falha).

Visão computacional

Câmara 2D:

  • Identifica posição XY de objectos.
  • Adequado para superfícies planas.
  • Marcas: Cognex, Keyence, Omron.

Câmara 3D:

  • Profundidade adicional.
  • Para objectos empilhados, "bin picking".
  • Mais complexa e cara.

Integração com robô:

  • Câmara envia coordenadas.
  • Robô adapta trajectória.
  • Tolerância a variação de posição da peça.

Ferramentas

Pinças (grippers):

  • Paralela (2 dedos abrem/fecham): standard.
  • 3 dedos: para objectos redondos.
  • Adaptiva: dedos articulados.
  • Magnética: para peças ferrosas.
  • Vácuo (ventosas): para superfícies planas, vidro, embalagens.

Outras:

  • Soldadura.
  • Pistola de cola.
  • Tocha de plasma.
  • Furadora.

Bloco 5 · Segurança

Riscos

Robôs são perigosos:

  • Movimentos rápidos (até 5 m/s na ponta).
  • Força elevada (até centenas de kgf).
  • Trajectórias imprevisíveis (em programa novo).
  • Operação 24/7.

Acidentes podem ser fatais.

Categorias de robôs (segurança)

Robôs industriais clássicos:

  • Em jaula (cell) com porta com interbloqueio.
  • Velocidade máxima sem restrição.
  • Operador apenas em modo manual lento (com pendant de homem-morto).

Cobots (colaborativos):

  • Sem jaula (em condições).
  • Sensores de força: param ao tocar.
  • Velocidade limitada (250 mm/s típico).
  • Geometria arredondada (sem cantos).
  • Standard ISO/TS 15066 para cobots.

Standards

  • ISO 10218-1/2: segurança de robôs industriais.
  • ISO/TS 15066: cobots.
  • Directiva Máquinas 2006/42/CE: aplicável.
  • EN ISO 13849: PL de funções de segurança.

Em projecto: análise de risco obrigatória (ISO 12100).

Protecções

Em robô industrial clássico:

  • Jaula com porta com interbloqueio (PLe).
  • Cortina óptica se aplicável.
  • Tapete de pressão detecta entrada.
  • Botão de emergência em vários locais.
  • Velocidade reduzida em modo manual.

Em cobot:

  • Limites de velocidade programados.
  • Limites de força activos.
  • Zonas de segurança definidas (perto humano = mais lento).
  • Detecção de colisão.

Bloco 6 · Manutenção

Plano

Diária:

  • Visual + ruído anormal.
  • Verificar end effector.

Semanal:

  • Limpeza geral.
  • Verificar cabos da ferramenta (move-se muito → desgaste).

Mensal:

  • Lubrificação dos redutores (conforme manual).
  • Backup do programa.

Anual:

  • Calibração geométrica.
  • Substituição de filtros (em pneumáticos).
  • Termografia dos motores.
  • Análise de óleo dos redutores.

Avarias comuns

Sintoma Causa
Erro de posição Encoder, redutor com folga
Vibração Mecânica, balanceamento
Lento Sobreaquecimento, lubrificação
Não comunica Cabo Ethernet, configuração
Erro de TCP Calibração desviada
Para em meio do programa Sensor detectou anomalia

Vida útil

  • Robô industrial: 60 000-100 000 horas (típico 10-20 anos).
  • Redutores harmónicos: 10 000-30 000 h (substitutíveis).
  • Cabos: 5-10 anos (movimento constante).
  • Encoder: bateria substituível a cada 5-10 anos.

Robôs bem mantidos podem funcionar 20+ anos.

UC02944 · resumo

  • Robôs industriais: articulados (6 eixos), SCARA, delta, cobots.
  • Servomotores + encoders + redutores = estrutura.
  • Linguagens proprietárias (RAPID, KRL).
  • Integração com PLC via Profinet típica.
  • Visão computacional torna robôs adaptativos.
  • Segurança crítica: ISO 10218 / 15066.
  • Manutenção anual + calibração + backups.