UC02943

Verificação de instalações eléctricas

Inspecção, ensaios, RTIEBT, conformidade

Técnico de Manutenção Industrial / Mecatrónica · 25h

Plano da unidade

  1. Princípios e legislação
  2. Inspecção visual
  3. Ensaios eléctricos
  4. RTIEBT
  5. Relatório de inspecção
  6. Casos práticos

Bloco 1 · Princípios

Por que verificar

Verificação periódica garante que instalação eléctrica:

  • Cumpre legislação (RTIEBT).
  • Funciona com segurança (sem riscos de electrocussão, incêndio).
  • Mantém integridade dos componentes.
  • Detecta problemas antes de causar acidentes.

Em Portugal: obrigação legal para instalações em uso.

Quando verificar

  • Antes da entrada em serviço (instalação nova).
  • Após modificações significativas.
  • Periódica (5 anos residencial, 1-3 anos comercial/industrial).
  • Após incidentes (fogo, choque, inundação).
  • Por exigência (mudança de proprietário, vistoria).

Quem verifica

  • Técnico habilitado (BTC, BTC AT conforme tensão).
  • Empresa certificada (ICP — Instalações de Centros Permanentes).
  • Em Portugal: certificação DGEG (Direcção-Geral de Energia e Geologia).

Bloco 2 · Inspecção visual

Quadros eléctricos

  • Limpeza, ausência de poeiras.
  • Sem sinais de queimadura.
  • Bornes apertados (verificar com termografia).
  • Identificação dos circuitos legível.
  • Disjuntor geral acessível.
  • Esquema unifilar plastificado dentro.
  • Bloqueio do quadro funcional.

Canalizações e cabos

  • Sem danos visíveis.
  • Sem cabos pendurados ou expostos.
  • Conduits íntegros.
  • Curvas com raio adequado.
  • Cabos longe de fontes de calor.
  • Isolamento aparente em bom estado.

Tomadas e interruptores

  • Sem rachaduras.
  • Apertados na parede.
  • Sem aquecimento ao toque.
  • Furos de tomadas íntegros.
  • Em zonas húmidas: tampa estanque (IP44+).
  • Crianças: tomadas com obturação.

Iluminação

  • Luminárias bem fixadas.
  • Sem cabos expostos.
  • Lâmpadas adequadas (potência conforme luminária).
  • IP adequado ao ambiente.
  • Acessível para manutenção.

Aterramento

  • Eléctrodo de terra acessível e visível.
  • Cabo PE íntegro (sem cortes).
  • Equipotencialização em casas-banho (banheiras metálicas, encanamentos).
  • Continuidade dos cabos PE.

Bloco 3 · Ensaios eléctricos

Equipamento

Multifunções (ideal):

  • Megger MFT1845, Fluke 1664, Metrel MI 3155.
  • Mede: continuidade, isolamento, loop, RCD, sequência.
  • Custo: 1500-4000 €.

Separados (alternativa):

  • Megger isolamento.
  • Multímetro continuidade.
  • Pinça amperimétrica.
  • Testador DR.
  • Sequencímetro.

Continuidade do PE

Norma: ohmímetro entre borne PE no quadro e cada ponto metálico (carcassa de tomada, equipamento).

Critério: < 0,5 Ω (idealmente < 0,1 Ω para instalações de qualidade).

Tempo: ~30 min para casa T2.

Isolamento

Megger 500 V CC (ou 1000 V em instalações industriais):

Entre:

  • Cada fase e o PE.
  • Neutro e PE.
  • Fases entre si (se aplicável).

Critério (RTIEBT): > 1 MΩ.

Idealmente: > 100 MΩ.

Se < 1 MΩ: instalação não conforme, requer correcção.

DR (Diferencial)

Teste com instrumento (não só botão TEST):

Verificar:

  • Corrente de disparo: 50-100% do nominal.
    • DR 30 mA dispara entre 15 e 30 mA.
  • Tempo de disparo:
    • Instantâneo: < 300 ms.
    • Rápido: < 40 ms.
    • Selectivo "S": < 500 ms.

Se fora de critério: substituir DR.

Impedância de loop

Mede impedância do circuito fase-neutro-terra.

Calcula corrente de curto presumida (Icc).

Verifica:

  • Disjuntor adequado (Icc do disjuntor > Icc presumida).
  • Tempo de actuação em curto-circuito (< 0,4 s residencial, < 5 s industrial).

Sequência de fases

Em circuitos trifásicos:

  • Sequencímetro (instrumento) ou luz de néon indica sequência.
  • Directa (L1-L2-L3): motor roda no sentido esperado.
  • Inversa: motor roda ao contrário (perigoso em algumas aplicações).

Bloco 4 · RTIEBT

RTIEBT — visão geral

Regras Técnicas de Instalações Eléctricas em Baixa Tensão:

  • Portugal — equivalente nacional da norma IEC 60364.
  • Regulamenta todas as instalações eléctricas BT (<1000V CA).

Áreas cobertas:

  • Dimensionamento de cabos.
  • Protecções (disjuntores, DR).
  • Aterramento.
  • Equipotencialização.
  • Tomadas, interruptores.
  • Quadros.
  • Zonas específicas (casa-banho, piscina, exterior).

Pontos críticos RTIEBT

Tomadas e DR 30 mA:

  • Obrigatório DR 30 mA em todos os circuitos de tomadas em habitação.
  • Em comércio e indústria: pelo menos DR geral + DRs específicos.

Cabos:

  • Calibre mínimo conforme tabelas (1,5 mm² iluminação, 2,5 mm² tomadas, etc.).
  • Disjuntor não pode ter calibre superior à capacidade do cabo.

Aterramento:

  • Eléctrodo de terra com resistência < 100 Ω (para sistemas TT).
  • Cabo PE com secção mínima.

Equipotencialização:

  • Em casas-banho: ligar todas as partes metálicas (banheira, encanamentos, ventiladores) à terra.

Periodicidade de inspecção

Residencial:

  • Verificação inicial obrigatória antes de ligar.
  • Periódica recomendada: 5 anos (não é fiscalizada, mas seguros podem exigir).

Comercial / Industrial:

  • Cada 3 anos standard.
  • Cada 1 ano em ambientes específicos (química, alimentar).

Eventos:

  • Após modificações.
  • Após acidentes.
  • Mudança de proprietário.

Bloco 5 · Relatório

Estrutura

Cabeçalho:

  • Identificação do imóvel.
  • Identificação do proprietário.
  • Data e técnico.
  • Habilitação do técnico.

Resultados:

  • Tabela de ensaios realizados.
  • Valores medidos.
  • Critério aplicado.
  • Pass/fail.

Não-conformidades:

  • Descrição.
  • Gravidade.
  • Recomendação.

Conclusão:

  • Apta / Apta com restrições / Não apta.
  • Próxima inspecção.

Assinaturas.

Gravidade das não-conformidades

Crítica (urgente, risco imediato):

  • Falta de aterramento.
  • Isolamento < 0,1 MΩ.
  • DR não funciona.
  • Cabos expostos.

Grave (corrigir em 30 dias):

  • Isolamento entre 0,1 e 1 MΩ.
  • Calibres errados.
  • Sem DR em tomadas (residencial).

Menor (corrigir em 90 dias):

  • Identificação ilegível.
  • Pequenos sinais de desgaste.
  • Falta de etiquetas.

Bloco 6 · Casos práticos

Caso 1: Habitação T2

  • Quadro 32 A.
  • 6 circuitos.
  • DR 30 mA tomadas.
  • Tempo inspecção: ~2 horas.
  • Custo: 100-200 €.

Caso 2: Comércio

  • Quadro 63 A trifásico.
  • 12 circuitos.
  • Tomadas trifásicas + mono.
  • Iluminação fluorescente.
  • Tempo: ~4 horas.
  • Custo: 250-400 €.

Caso 3: Indústria

  • Quadro 400 A.
  • Múltiplos sub-quadros.
  • Motores 22-75 kW.
  • VFDs.
  • Tempo: ~1-2 dias.
  • Custo: 1000-2500 €.

UC02943 · resumo

  • Verificação essencial para segurança e conformidade.
  • Inspecção visual + ensaios eléctricos + documentação.
  • Multifuncional acelera muito as medições.
  • RTIEBT estabelece critérios.
  • DR deve ser testado com instrumento (não só TEST).
  • Relatório com gravidade das não-conformidades.
  • Periodicidade obrigatória.