UC02931

Sistemas electropneumáticos

Integração pneumática + eléctrica + PLC

Técnico de Manutenção Industrial / Mecatrónica · 25h

Plano da unidade

  1. Conceito de electropneumática
  2. Electroválvulas
  3. Sensores eléctricos
  4. Relés e comando
  5. PLC + electroválvulas + sensores
  6. Manutenção e diagnóstico

Bloco 1 · Conceito

Electropneumática

Pneumática pura: comando por sinais de ar (válvulas pilotadas, AND/OR pneumáticos, fim-de-curso pneumáticos).

Electropneumática: pneumática + comando eléctrico (relés, PLC, sensores eléctricos).

Porquê?

  • Flexibilidade — lógica em código (PLC) é fácil de modificar.
  • Distâncias longas — cabos eléctricos são mais simples que tubos de comando.
  • Diagnóstico — monitorizar estados num HMI.
  • Integração — comunicar com restantes sistemas (SCADA, MES).

Resultado: standard industrial moderno.

Arquitectura típica

PLC ←── Sensores eléctricos (fim-de-curso, indutivos, etc.)
 │
 ├── Electroválvulas pneumáticas
 │       │
 │   Cilindros pneumáticos
 │
 └── HMI (Touch panel)

PLC lê sensores → executa lógica → activa electroválvulas → cilindros movem.

Bloco 2 · Electroválvulas

Princípio

Válvula direccional pneumática (5/2, 3/2) com solenoide eléctrico em vez de comando manual ou piloto:

  • Bobina alimentada → núcleo metálico atrai → válvula comuta.
  • Bobina desactiva → mola interna devolve.

Tensões standard:

  • 24 V CC (mais comum em industrial).
  • 12 V CC (em sistemas pequenos / móveis).
  • 110 V CA, 230 V CA (em sistemas antigos).

Monostável vs biestável

Monostável (1 solenoide + mola):

  • Sinal activa → válvula muda.
  • Sinal cai → mola devolve.
  • Necessita sinal mantido para manter válvula activada.

Biestável (2 solenoides):

  • Sinal A activa → válvula vai para posição A.
  • Permanece ali mesmo sem sinal (memória).
  • Sinal B activa → válvula vai para B.
  • Padrão para automação com PLC (poupa lógica).

Especificações

  • Tensão e tipo (24V CC, 230V CA).
  • Potência (5-15 W típico).
  • Tempo de resposta (5-50 ms).
  • Tipo de protecção (IP65 standard, IP67 zonas húmidas).
  • LED indicador (mostra estado da bobina).
  • Botão de override manual (teste sem energia).
  • Conector (DIN 43650 — padrão industrial).

Ilhas de válvulas

Para automatismos com muitos cilindros: bloco com 8-32 electroválvulas integradas + barramento:

  • Schneider Festo VTUG.
  • SMC SV3000/SV4000.
  • Camozzi Multifluid.

Vantagens:

  • Cablagem compacta.
  • Comunicação por fieldbus (Profinet, Profibus, EtherNet/IP).
  • Configuração modular.
  • Diagnóstico avançado (sensores integrados de pressão, fugas).

Bloco 3 · Sensores eléctricos

Sensores de cilindro

Sensor magnético (Reed switch ou Hall):

  • Detecta pistão magnetizado dentro do cilindro.
  • Sem contacto mecânico → fiável.
  • Saída NO ou NC.
   Cilindro
   ━━━━━●━━━━━━━━     ● = pistão com íman
        ↑
    Sensor magnético
    (clipa no exterior do cilindro)

Standard em cilindros com pistão magnetizado (Festo DSNU-...-A, SMC CDQ2-...-M).

Outros sensores

  • Fim-de-curso mecânico (limit switch) — contacto activado por peça.
  • Indutivo (proximity) — detecta metais sem contacto, ~5-15 mm de distância.
  • Capacitivo — detecta qualquer material (líquidos, plástico).
  • Fotoeléctrico (barreira, reflexivo, retro-reflexivo) — distâncias até metros.
  • Pressostato — actua quando pressão atinge nível.
  • Vácuostato — actua quando vácuo atinge nível.
  • Caudalstato — actua quando caudal atinge nível.

Saídas: contacto seco (NO/NC) ou electrónica (PNP/NPN).

PNP vs NPN

Sensores electrónicos têm 2 configurações de saída:

PNP (positive switching):

  • Estado activo: sensor liga 24V à saída.
  • Carga conectada entre saída e 0V.
  • Standard europeu.

NPN (negative switching):

  • Estado activo: sensor liga 0V à saída.
  • Carga conectada entre 24V e saída.
  • Standard asiático/americano (mas raro hoje na UE).

PLCs europeus: entradas digitais tipicamente PNP. Misturar PNP e NPN no mesmo sistema requer cuidado.

Bloco 4 · Relés e comando

Relé electromecânico

Mesmo princípio dos contactores mas para sinais de comando (baixa corrente):

  • Bobina 24V CC (ou outras).
  • Contactos NO, NC, comutador.
  • Capacidade 5-10 A típica.
  • Versão miniatura para PCB (relés de telecomando).

Aplicações:

  • Interface entre PLC e cargas maiores (motor, contactor de potência).
  • Multiplicação de contactos (1 entrada activa 4-8 saídas).
  • Isolamento galvânico (separar circuitos).

Standard industrial: relés Finder, Schrack, Phoenix Contact (com base de soquete).

Relés temporizados

Atrasam ou prolongam contactos:

  • On-delay: contacto fecha após X tempo de activação.
  • Off-delay: contacto mantém-se X tempo depois de desactivar.
  • Pulso: pulso curto após activação.
  • Cíclico: liga/desliga repetidamente.

Aplicações: temporizadores em circuitos sem PLC, atrasos de segurança.

Hoje: maioria substituídos por temporizadores internos do PLC.

Relé de segurança

Categoria especial para circuitos de paragem de emergência e protecções:

  • Múltiplos canais redundantes.
  • Categoria 4 / PLe conforme ISO 13849 (mais elevado).
  • Auto-monitorização (se um contacto falha, sistema desliga).
  • Pilz, Schmersal, Sick, ABB Jokab são fabricantes líder.

Aplicações:

  • Bi-manual em prensas.
  • Barreiras ópticas em robots.
  • Paragens de emergência em máquinas perigosas.

Bloco 5 · PLC + electroválvulas + sensores

Arquitectura típica

      ┌──────────────────────────┐
      │       PLC Siemens         │
      │       S7-1200 / 1500      │
      └──┬───────────────────┬───┘
         │ Entradas digitais   │ Saídas digitais
         │ (sensores)           │ (electroválvulas, relés)
         │                       │
   ┌─────┴──────┐         ┌──────┴────────┐
   │  Sensores  │         │ Electroválvulas │
   │  Pressost. │         │  Bobinas 24V    │
   │  Indutivos │         └────────┬────────┘
   │  Reed sw.  │                  │
   └────────────┘             ┌────┴────┐
                              │Cilindros│
                              └─────────┘

PLC com 24 V CC alimentando sensores e bobinas.

Cablagem standard

Entradas:

  • 24V CC do PLC → sensor → entrada digital → 0V.
  • Sensor PNP: saída +24V quando activo → fecha entrada PLC.

Saídas:

  • PLC dá 24V → bobina da electroválvula → 0V.
  • Bobina activa → válvula comuta.
  • Saídas PLC: tipicamente PNP (sourcing) — limite 0,5-2 A por saída.

Protecção: diodo de roda livre em paralelo com a bobina (CC) ou varistor (CA) para absorver tensão induzida na desconexão.

Programação típica

Em ladder (escada eléctrica) ou GRAFCET (diagrama de estados):

Sensor START + B2 (cilindro recolhido) → activar EV_avanço
B1 (cilindro avançado) → desactivar EV_avanço → cilindro recua (mola ou EV_recuo)
B2 → reset → próximo ciclo

Software:

  • Siemens: TIA Portal (S7-1200/1500).
  • Schneider: EcoStruxure Control Expert (Modicon M221, M580).
  • Beckhoff: TwinCAT (CX-series).
  • Rockwell: Studio 5000 (CompactLogix).

HMI (Human-Machine Interface)

Touch panel ligado ao PLC por Profinet, Modbus TCP, etc.

Mostra:

  • Estado dos cilindros (avançado/recolhido).
  • Pressão, ciclos contados, alarmes.
  • Botões virtuais (start, stop, reset, modo manual).
  • Receita de produto (parâmetros).

Permite operador controlar máquina sem necessidade de ferramentas físicas extras.

Bloco 6 · Manutenção e diagnóstico

Diagnóstico — onde está o problema?

Sistema electropneumático tem 3 níveis onde pode falhar:

  1. Pneumático: pressão? Fugas? Filtros?
  2. Eléctrico: tensão? Bobina? Cabo?
  3. Lógica (PLC): programa correcto? Sensor está a ler? Saída está a activar?

Diagnóstico sistemático:

  • Verificar pressão primeiro (manómetro).
  • Verificar estados no HMI ou painel de LEDs do PLC — sensor activa? Saída activa?
  • Se PLC mostra saída activa mas válvula não comuta: problema eléctrico (cabo, conector, bobina queimada).
  • Se PLC mostra sensor activo mas não devia: sensor errado, fio em curto.

Diagnóstico ao vivo

PLCs modernos permitem monitorização online:

  • TIA Portal "Monitoring" mostra valores actuais de cada I/O.
  • Pode forçar entradas / saídas para teste (modo TEST).
  • Trace de estado ao longo do tempo.

Diagnóstico remoto:

  • VPN ou ligação directa ao PLC pela rede.
  • Permite analisar avaria sem deslocar técnico ao local.
  • Reduz tempo de paragem.

Avarias comuns

Sintoma Causa provável
Cilindro não move Pressão zero; bobina queimada; PLC não dá saída; sensor errado
Movimento contínuo Sensor de fim-de-curso não detecta; programa em loop
Movimento lento Filtros saturados; estrangulador apertado; fuga
PLC reset frequente Tensão de alimentação instável; saída em curto
Sensor erráctico Vibração; fio mal apertado; sensor PNP em entrada NPN ou vice-versa

Manutenção preventiva

Diária: inspecção visual, ruído, fugas.

Mensal:

  • Verificar tensão de alimentação dos sensores (24V±5%).
  • Limpar painel de comando.
  • Apertar conectores.

Semestral:

  • Verificar bobinas (resistência com multímetro).
  • Verificar tempo de resposta de electroválvulas.
  • Testar paragem de emergência.

Anual:

  • Backup do programa do PLC.
  • Verificar bateria interna do PLC (vida útil 5-10 anos).
  • Documentação actualizada (esquemas eléctricos, programa).

UC02931 · resumo

  • Electropneumática = pneumática + comando eléctrico = standard industrial.
  • Electroválvulas com solenoide 24V CC; mono ou biestáveis.
  • Sensores eléctricos (Reed, indutivos, pressóstatos) integram informação física.
  • PLC centraliza lógica; HMI dá interface ao operador.
  • Cablagem 24V com PNP standard europeu.
  • Diagnóstico em 3 níveis: pneumático / eléctrico / lógico.
  • Manutenção combina cuidados pneumáticos + eléctricos.