UC02931

Sistemas electropneumáticos

Integração pneumática + eléctrica + PLC

Técnico de Manutenção Industrial / Mecatrónica · 25h

Plano da unidade

  1. Conceito de electropneumática
  2. Electroválvulas
  3. Sensores eléctricos
  4. Relés e comando
  5. PLC + electroválvulas + sensores
  6. Manutenção e diagnóstico

Bloco 1 · Conceito

Electropneumática

Pneumática pura: comando por sinais de ar (válvulas pilotadas, AND/OR pneumáticos, fim-de-curso pneumáticos).

Electropneumática: pneumática + comando eléctrico (relés, PLC, sensores eléctricos).

Porquê?

  • Flexibilidade — lógica em código (PLC) é fácil de modificar.
  • Distâncias longas — cabos eléctricos são mais simples que tubos de comando.
  • Diagnóstico — monitorizar estados num HMI.
  • Integração — comunicar com restantes sistemas (SCADA, MES).

Resultado: standard industrial moderno.

Arquitectura típica

PLC ←── Sensores eléctricos (fim-de-curso, indutivos, etc.)
 │
 ├── Electroválvulas pneumáticas
 │       │
 │   Cilindros pneumáticos
 │
 └── HMI (Touch panel)

PLC lê sensores → executa lógica → activa electroválvulas → cilindros movem.

Bloco 2 · Electroválvulas

Princípio

Válvula direccional pneumática (5/2, 3/2) com solenoide eléctrico em vez de comando manual ou piloto:

  • Bobina alimentada → núcleo metálico atrai → válvula comuta.
  • Bobina desactiva → mola interna devolve.

Tensões standard:

  • 24 V CC (mais comum em industrial).
  • 12 V CC (em sistemas pequenos / móveis).
  • 110 V CA, 230 V CA (em sistemas antigos).

Monostável vs biestável

Monostável (1 solenoide + mola):

  • Sinal activa → válvula muda.
  • Sinal cai → mola devolve.
  • Necessita sinal mantido para manter válvula activada.

Biestável (2 solenoides):

  • Sinal A activa → válvula vai para posição A.
  • Permanece ali mesmo sem sinal (memória).
  • Sinal B activa → válvula vai para B.
  • Padrão para automação com PLC (poupa lógica).

Especificações

  • Tensão e tipo (24V CC, 230V CA).
  • Potência (5-15 W típico).
  • Tempo de resposta (5-50 ms).
  • Tipo de protecção (IP65 standard, IP67 zonas húmidas).
  • LED indicador (mostra estado da bobina).
  • Botão de override manual (teste sem energia).
  • Conector (DIN 43650 — padrão industrial).

Ilhas de válvulas

Para automatismos com muitos cilindros: bloco com 8-32 electroválvulas integradas + barramento:

  • Schneider Festo VTUG.
  • SMC SV3000/SV4000.
  • Camozzi Multifluid.

Vantagens:

  • Cablagem compacta.
  • Comunicação por fieldbus (Profinet, Profibus, EtherNet/IP).
  • Configuração modular.
  • Diagnóstico avançado (sensores integrados de pressão, fugas).

Bloco 3 · Sensores eléctricos

Sensores de cilindro

Sensor magnético (Reed switch ou Hall):

  • Detecta pistão magnetizado dentro do cilindro.
  • Sem contacto mecânico → fiável.
  • Saída NO ou NC.
   Cilindro
   ━━━━━●━━━━━━━━     ● = pistão com íman
        ↑
    Sensor magnético
    (clipa no exterior do cilindro)

Standard em cilindros com pistão magnetizado (Festo DSNU-...-A, SMC CDQ2-...-M).

Outros sensores

  • Fim-de-curso mecânico (limit switch) — contacto activado por peça.
  • Indutivo (proximity) — detecta metais sem contacto, ~5-15 mm de distância.
  • Capacitivo — detecta qualquer material (líquidos, plástico).
  • Fotoeléctrico (barreira, reflexivo, retro-reflexivo) — distâncias até metros.
  • Pressostato — actua quando pressão atinge nível.
  • Vácuostato — actua quando vácuo atinge nível.
  • Caudalstato — actua quando caudal atinge nível.

Saídas: contacto seco (NO/NC) ou electrónica (PNP/NPN).

PNP vs NPN

Sensores electrónicos têm 2 configurações de saída:

PNP (positive switching):

  • Estado activo: sensor liga 24V à saída.
  • Carga conectada entre saída e 0V.
  • Standard europeu.

NPN (negative switching):

  • Estado activo: sensor liga 0V à saída.
  • Carga conectada entre 24V e saída.
  • Standard asiático/americano (mas raro hoje na UE).

PLCs europeus: entradas digitais tipicamente PNP. Misturar PNP e NPN no mesmo sistema requer cuidado.

Bloco 4 · Relés e comando

Relé electromecânico

Mesmo princípio dos contactores mas para sinais de comando (baixa corrente):

  • Bobina 24V CC (ou outras).
  • Contactos NO, NC, comutador.
  • Capacidade 5-10 A típica.
  • Versão miniatura para PCB (relés de telecomando).

Aplicações:

  • Interface entre PLC e cargas maiores (motor, contactor de potência).
  • Multiplicação de contactos (1 entrada activa 4-8 saídas).
  • Isolamento galvânico (separar circuitos).

Standard industrial: relés Finder, Schrack, Phoenix Contact (com base de soquete).

Relés temporizados

Atrasam ou prolongam contactos:

  • On-delay: contacto fecha após X tempo de activação.
  • Off-delay: contacto mantém-se X tempo depois de desactivar.
  • Pulso: pulso curto após activação.
  • Cíclico: liga/desliga repetidamente.

Aplicações: temporizadores em circuitos sem PLC, atrasos de segurança.

Hoje: maioria substituídos por temporizadores internos do PLC.

Relé de segurança

Categoria especial para circuitos de paragem de emergência e protecções:

  • Múltiplos canais redundantes.
  • Categoria 4 / PLe conforme ISO 13849 (mais elevado).
  • Auto-monitorização (se um contacto falha, sistema desliga).
  • Pilz, Schmersal, Sick, ABB Jokab são fabricantes líder.

Aplicações:

  • Bi-manual em prensas.
  • Barreiras ópticas em robots.
  • Paragens de emergência em máquinas perigosas.

Bloco 5 · PLC + electroválvulas + sensores

Arquitectura típica

      ┌──────────────────────────┐
      │       PLC Siemens         │
      │       S7-1200 / 1500      │
      └──┬───────────────────┬───┘
         │ Entradas digitais   │ Saídas digitais
         │ (sensores)           │ (electroválvulas, relés)
         │                       │
   ┌─────┴──────┐         ┌──────┴────────┐
   │  Sensores  │         │ Electroválvulas │
   │  Pressost. │         │  Bobinas 24V    │
   │  Indutivos │         └────────┬────────┘
   │  Reed sw.  │                  │
   └────────────┘             ┌────┴────┐
                              │Cilindros│
                              └─────────┘

PLC com 24 V CC alimentando sensores e bobinas.

Cablagem standard

Entradas:

  • 24V CC do PLC → sensor → entrada digital → 0V.
  • Sensor PNP: saída +24V quando activo → fecha entrada PLC.

Saídas:

  • PLC dá 24V → bobina da electroválvula → 0V.
  • Bobina activa → válvula comuta.
  • Saídas PLC: tipicamente PNP (sourcing) — limite 0,5-2 A por saída.

Protecção: diodo de roda livre em paralelo com a bobina (CC) ou varistor (CA) para absorver tensão induzida na desconexão.

Programação típica

Em ladder (escada eléctrica) ou GRAFCET (diagrama de estados):

Sensor START + B2 (cilindro recolhido) → activar EV_avanço
B1 (cilindro avançado) → desactivar EV_avanço → cilindro recua (mola ou EV_recuo)
B2 → reset → próximo ciclo

Software:

  • Siemens: TIA Portal (S7-1200/1500).
  • Schneider: EcoStruxure Control Expert (Modicon M221, M580).
  • Beckhoff: TwinCAT (CX-series).
  • Rockwell: Studio 5000 (CompactLogix).

HMI (Human-Machine Interface)

Touch panel ligado ao PLC por Profinet, Modbus TCP, etc.

Mostra:

  • Estado dos cilindros (avançado/recolhido).
  • Pressão, ciclos contados, alarmes.
  • Botões virtuais (start, stop, reset, modo manual).
  • Receita de produto (parâmetros).

Permite operador controlar máquina sem necessidade de ferramentas físicas extras.

Bloco 6 · Manutenção e diagnóstico

Diagnóstico — onde está o problema?

Sistema electropneumático tem 3 níveis onde pode falhar:

  1. Pneumático: pressão? Fugas? Filtros?
  2. Eléctrico: tensão? Bobina? Cabo?
  3. Lógica (PLC): programa correcto? Sensor está a ler? Saída está a activar?

Diagnóstico sistemático:

  • Verificar pressão primeiro (manómetro).
  • Verificar estados no HMI ou painel de LEDs do PLC — sensor activa? Saída activa?
  • Se PLC mostra saída activa mas válvula não comuta: problema eléctrico (cabo, conector, bobina queimada).
  • Se PLC mostra sensor activo mas não devia: sensor errado, fio em curto.

Diagnóstico ao vivo

PLCs modernos permitem monitorização online:

  • TIA Portal "Monitoring" mostra valores actuais de cada I/O.
  • Pode forçar entradas / saídas para teste (modo TEST).
  • Trace de estado ao longo do tempo.

Diagnóstico remoto:

  • VPN ou ligação directa ao PLC pela rede.
  • Permite analisar avaria sem deslocar técnico ao local.
  • Reduz tempo de paragem.

Avarias comuns

Sintoma Causa provável
Cilindro não move Pressão zero; bobina queimada; PLC não dá saída; sensor errado
Movimento contínuo Sensor de fim-de-curso não detecta; programa em loop
Movimento lento Filtros saturados; estrangulador apertado; fuga
PLC reset frequente Tensão de alimentação instável; saída em curto
Sensor erráctico Vibração; fio mal apertado; sensor PNP em entrada NPN ou vice-versa

Manutenção preventiva

Diária: inspecção visual, ruído, fugas.

Mensal:

  • Verificar tensão de alimentação dos sensores (24V±5%).
  • Limpar painel de comando.
  • Apertar conectores.

Semestral:

  • Verificar bobinas (resistência com multímetro).
  • Verificar tempo de resposta de electroválvulas.
  • Testar paragem de emergência.

Anual:

  • Backup do programa do PLC.
  • Verificar bateria interna do PLC (vida útil 5-10 anos).
  • Documentação actualizada (esquemas eléctricos, programa).

UC02931 · resumo

  • Electropneumática = pneumática + comando eléctrico = standard industrial.
  • Electroválvulas com solenoide 24V CC; mono ou biestáveis.
  • Sensores eléctricos (Reed, indutivos, pressóstatos) integram informação física.
  • PLC centraliza lógica; HMI dá interface ao operador.
  • Cablagem 24V com PNP standard europeu.
  • Diagnóstico em 3 níveis: pneumático / eléctrico / lógico.
  • Manutenção combina cuidados pneumáticos + eléctricos.

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Porque a electropneumática substituiu a pneumática pura A passagem para comando eléctrico não é uma moda: resolve problemas concretos de chão de fábrica. Convém que os formandos percebam que a força continua a ser pneumática (ar comprimido move o cilindro) e que só a inteligência migrou para o eléctrico. Ligar sempre cada vantagem a uma situação real que tenham visto em estágio ou na oficina. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Dar um exemplo de linha onde modificar a lógica num PLC demora minutos contra horas a refazer tubagem de comando • Explicar que cabo eléctrico a 50 m é trivial mas tubo de comando a 50 m perde resposta • Mostrar como a integração com SCADA/MES só existe porque há sinal eléctrico para recolher

NOTAS DO PROFESSOR 📖 O ciclo fechado ler → decidir → actuar Esta arquitectura é o coração de qualquer automatismo electropneumático e vale a pena fixá-la como mapa mental. O cilindro nunca se move "sozinho": só actua quando o PLC, depois de ler o estado dos sensores, decide energizar a electroválvula correcta. Convém desenhar este fluxo no quadro e voltar a ele sempre que surgir uma avaria, para localizar em que elo a cadeia quebrou. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Percorrer o diagrama seguindo um sinal real, do fim-de-curso até ao movimento do cilindro • Sublinhar que o HMI é uma janela para o sistema, não comanda directamente os cilindros • Antecipar que, em diagnóstico, identificar o elo certo poupa muito tempo de procura

NOTAS DO PROFESSOR 📖 A electroválvula é uma válvula direccional com solenoide O salto conceptual aqui é perceber que a parte pneumática é idêntica à válvula manual já conhecida; só muda o accionamento, agora feito por uma bobina. Importa que os formandos associem a 24 V CC como a tensão que vão encontrar na esmagadora maioria das instalações modernas, reservando as tensões CA para equipamento antigo que ainda terão de manter. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Demonstrar o atrai-núcleo e o retorno por mola com uma electroválvula desmontada, se houver • Explicar porque a indústria padronizou em 24 V CC (segurança e compatibilidade com PLC) • Alertar que confirmar a tensão da bobina antes de ligar evita queimá-la

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Memória: a diferença prática entre monostável e biestável A escolha entre as duas tem consequências directas na programação e no comportamento em falha de energia. A biestável "lembra-se" da posição mesmo sem sinal, o que poupa lógica mas exige cuidado: numa falha de corrente o cilindro fica onde estava. A monostável regressa sempre à posição de repouso, o que muitas vezes é a opção mais segura. Vale a pena discutir qual escolher em função do risco da aplicação. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Perguntar à turma o que acontece a cada tipo quando falha a alimentação a meio do ciclo • Relacionar a escolha com requisitos de segurança (posição segura em repouso) • Mostrar como a biestável reduz o número de saídas mantidas no PLC

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ler a folha de características antes de substituir Substituir uma electroválvula sem confirmar estas especificações é uma das causas mais frequentes de avarias mal resolvidas. Tensão, grau de protecção IP e tipo de conector têm de coincidir com o que estava montado, sob pena de a peça não encaixar ou não resistir ao ambiente. Convém habituar os formandos a registar estes dados antes de irem buscar a peça ao armazém. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar a leitura do IP65 vs IP67 e em que zonas da fábrica cada um se justifica • Mostrar o LED indicador e o override manual como ferramentas de diagnóstico rápido no local • Realçar que o conector DIN 43650 é normalizado, mas a tensão da bobina não é

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ilhas de válvulas: concentrar comando e cablagem Quando um automatismo tem muitos cilindros, ligar cada electroválvula individualmente torna o quadro num emaranhado de cabos. A ilha resolve isto agrupando dezenas de válvulas num bloco com um único barramento de comunicação. Importa que os formandos vejam a ilha como a evolução natural da cablagem ponto-a-ponto, com ganhos claros em manutenção e diagnóstico. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Comparar o volume de cablagem de 16 válvulas individuais com o de uma ilha em fieldbus • Explicar o que é um fieldbus (Profinet, Profibus) de forma simples: um cabo que fala com todas • Mostrar como o diagnóstico integrado aponta a válvula com fuga sem desmontar nada

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Detectar a posição do cilindro sem o tocar O sensor magnético é provavelmente o componente que os formandos mais vezes vão ajustar no terreno: clipa-se no exterior e desliza-se até detectar o pistão na posição certa. A ausência de contacto mecânico explica a sua fiabilidade e longa vida. Vale a pena praticar o posicionamento, porque um sensor mal afinado é causa comum de ciclos que não fecham. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Demonstrar como deslizar o sensor até o LED acender na posição de fim-de-curso • Distinguir saída NO de NC e o efeito de cada uma na lógica do PLC • Avisar que o cilindro tem de ter pistão magnetizado, senão o sensor nunca detecta

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Escolher o sensor certo para cada grandeza física Cada tecnologia de sensor responde a um fenómeno diferente, e escolher mal traduz-se em detecções erráticas. O indutivo só vê metais, o capacitivo vê quase tudo, o fotoeléctrico alcança metros, e os "statos" reagem a pressão, vácuo ou caudal. Importa que os formandos aprendam a fazer a pergunta certa: o que quero detectar e a que distância? 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Dar um exemplo de aplicação para cada sensor da lista • Explicar porque um capacitivo é mais sensível a sujidade e humidade que um indutivo • Relacionar pressostato/vácuostato/caudalstato com circuitos pneumáticos reais

NOTAS DO PROFESSOR 📖 PNP comuta o positivo, NPN comuta o negativo Esta distinção confunde quase todos no início, mas é decisiva: ligar um sensor NPN a uma entrada configurada para PNP resulta numa entrada que nunca acende. Convém fixar a regra prática de que, na Europa, quase tudo é PNP (comuta os +24 V para a entrada). Sempre que um sensor novo "não lê", esta é das primeiras hipóteses a verificar. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Desenhar o circuito de carga em cada caso para tornar visível qual fio comuta • Explicar porque o standard europeu se fixou em PNP • Relacionar com a coluna "sensor PNP em entrada NPN" da tabela de avarias mais à frente

NOTAS DO PROFESSOR 📖 O relé como ponte entre o PLC e as cargas reais A saída de um PLC dá pouca corrente; o relé é a peça que permite a esse sinal fraco comandar um contactor, um motor ou uma carga maior. Importa que os formandos vejam as três funções (interface, multiplicação de contactos e isolamento galvânico) como razões distintas para haver um relé num circuito. A base de soquete é o detalhe prático que torna a substituição rápida. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar porque não se liga uma carga grande directamente à saída do PLC • Dar um exemplo de isolamento galvânico a separar o circuito de comando do de potência • Mostrar a vantagem da base de soquete na manutenção (trocar sem mexer na cablagem)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Atrasos e ciclos sem programação Os relés temporizados resolvem necessidades de tempo em circuitos simples sem PLC, e ainda se encontram muito em equipamento existente. Convém que os formandos distingam on-delay de off-delay, porque trocá-los altera completamente o comportamento da máquina. Hoje a função migrou maioritariamente para temporizadores internos do PLC, mas saber lê-los é essencial para manter instalações antigas. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Ilustrar on-delay vs off-delay com um exemplo de ventilador que continua a girar após desligar • Explicar uma aplicação de atraso de segurança (esperar antes de permitir um movimento) • Comentar a vantagem de centralizar o tempo no PLC: ajustar valores sem trocar peças

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Segurança não se programa num PLC normal Este é um ponto que não admite atalhos: as funções de paragem de emergência e protecção exigem relés de segurança certificados, com canais redundantes e auto-monitorização, não a lógica comum do PLC. Importa que os formandos percebam a lógica da ISO 13849 (categorias e PLe) como linguagem obrigatória nesta área. Mexer nestes circuitos sem formação específica é um risco legal e humano. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar o que significa redundância de canais e porque um único contacto não basta • Dar o exemplo do comando bi-manual numa prensa e da barreira óptica num robot • Sublinhar que a auto-monitorização desliga o sistema quando ela própria detecta uma falha

NOTAS DO PROFESSOR 📖 O PLC no centro, entradas de um lado, saídas do outro Esta é a fotografia mental que os formandos devem levar para o terreno: sensores entram pelas entradas digitais, electroválvulas e relés saem pelas saídas digitais, tudo a 24 V CC. Perceber esta separação ajuda a ler qualquer esquema eléctrico de automatismo. Convém reforçar que a mesma fonte de 24 V alimenta sensores e bobinas, o que torna a sua integridade crítica. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Identificar no diagrama o que é entrada e o que é saída antes de qualquer explicação • Explicar porque uma quebra na alimentação de 24 V derruba sensores e actuadores ao mesmo tempo • Relacionar este esquema com o painel de LEDs do PLC usado mais à frente em diagnóstico

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Cablar entradas e saídas e proteger a saída A cablagem correcta de entradas e saídas é trabalho de rotina, mas o diodo de roda livre é o pormenor que muitos esquecem e que protege a saída do PLC do pico de tensão quando a bobina desliga. Importa que os formandos respeitem os limites de corrente por saída e não liguem cargas grandes directamente. Estes detalhes evitam saídas queimadas que custam caro a substituir. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Explicar de onde vem o pico de tensão indutiva e como o diodo o absorve • Lembrar o limite de corrente por saída e quando é preciso intercalar um relé • Distinguir o uso do diodo (CC) do varistor (CA) conforme o tipo de bobina

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Da lógica de relés ao ladder e ao GRAFCET O ladder existe precisamente para que quem vem da electricidade reconheça a lógica de contactos num ecrã. O GRAFCET, por sua vez, descreve a máquina como uma sequência de estados, ideal para automatismos cíclicos como este. Importa que os formandos vejam o exemplo de avanço/recuo do cilindro como um esqueleto que se repete em quase todos os automatismos. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Ler o pseudocódigo passo a passo, ligando cada condição a um sensor real • Explicar a diferença de abordagem entre ladder (contactos) e GRAFCET (estados) • Comentar que cada marca tem o seu software, mas a lógica é transferível entre eles

NOTAS DO PROFESSOR 📖 O HMI como janela e como ferramenta de diagnóstico Além de comandar a máquina, o HMI é muitas vezes a primeira fonte de informação numa avaria: mostra estados, alarmes e contagens. Importa que os formandos aprendam a ler o painel antes de abrir o quadro, porque frequentemente o problema já lá está identificado. As receitas de produto mostram como o mesmo equipamento se adapta a vários trabalhos sem reprogramação. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Mostrar como um alarme no HMI encurta o caminho até à causa da avaria • Explicar o conceito de receita: parâmetros guardados para diferentes produtos • Discutir as vantagens do HMI face a botoeiras físicas (flexibilidade, menos cablagem)

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Diagnóstico em três níveis, sempre pela ordem certa A grande mensagem deste bloco é metodológica: um sistema electropneumático falha no pneumático, no eléctrico ou na lógica, e atacar ao acaso desperdiça tempo. Convém treinar a sequência verificar pressão, depois ler estados no HMI/LEDs, e só então decidir se o problema é eléctrico ou de programa. Esta disciplina distingue um técnico eficaz de quem troca peças à sorte. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Treinar a regra: se o PLC dá saída mas a válvula não comuta, o problema é eléctrico • Explicar o caso inverso: sensor activo no PLC sem motivo aponta para curto ou sensor errado • Insistir em começar sempre pela pressão antes de mexer em eléctrica ou software

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ver o que o PLC está a fazer em tempo real A monitorização online é uma das ferramentas mais poderosas que os formandos terão à disposição: permite ver cada entrada e saída no momento, em vez de adivinhar. O modo de forçar I/O é precioso para teste, mas exige responsabilidade, pois actua sobre a máquina real. O diagnóstico remoto mostra como muitas avarias se resolvem hoje sem deslocação ao local. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Demonstrar a monitorização online localizando um sensor que não muda de estado • Alertar para os cuidados de segurança ao forçar saídas numa máquina em funcionamento • Discutir as vantagens e os riscos de acesso remoto (VPN) a um PLC industrial

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Ler sintomas e saltar para a causa provável Esta tabela é uma ferramenta de campo: cada sintoma aponta para um conjunto restrito de causas, o que acelera o diagnóstico. Convém que os formandos a usem como ponto de partida, mas sem fechar a mente, porque a causa real pode ser uma combinação. Vale a pena cruzar cada linha com os três níveis de diagnóstico já abordados. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Percorrer cada sintoma e pedir à turma a hipótese mais provável antes de revelar a resposta • Ligar "movimento contínuo" à falha de fim-de-curso e ao risco de programa em loop • Recordar o caso PNP/NPN como exemplo de avaria que parece eléctrica mas é de configuração

NOTAS DO PROFESSOR 📖 Preventiva combina cuidados pneumáticos e eléctricos A particularidade da manutenção electropneumática é juntar dois mundos: fugas e filtros do lado pneumático, tensões e bobinas do lado eléctrico. Importa que os formandos interiorizem o calendário por frequências e percebam que o backup do programa e a bateria do PLC são tão críticos como a parte mecânica. A documentação actualizada é o que permite a qualquer colega intervir depois. 🗣️ Pontos a desenvolver oralmente • Justificar porque o backup anual do programa pode salvar uma linha após uma avaria do PLC • Lembrar a vida útil da bateria do PLC e o risco de perder o programa se a ignorarem • Reforçar que a tensão dos sensores dentro de 24 V ±5% evita falhas intermitentes