UC02912

Efetuar desenho de fabrico de sistemas de transmissão de movimento

Pares cinemáticos, engrenagens, cálculo de razões de transmissão, toleranciamento e cotagem de fabrico

Curso profissional · 50h · Técnico de Desenho e Projeto/Design Industrial

Plano

  1. Transmissão de movimento e pares cinemáticos
  2. Panorama dos sistemas de transmissão
  3. Rodas dentadas: dentado reto, helicoidal e cónico
  4. Roda de coroa e parafuso sem-fim
  5. Módulo e diâmetro primitivo
  6. Razão de transmissão e sentido de rotação
  7. Número de dentes inteiro e correção de dentado
  8. Trens de engrenagens, binário e potência
  9. Uniões elásticas
  10. Correias e correntes
  11. Parafuso de esferas
  12. Desenho de conjunto: vistas, cortes e secções
  13. Cotagem nominal e de fabrico
  14. Toleranciamento geral, individual e ajustamentos
  15. Toleranciamento geométrico
  16. Estados de acabamento de superfícies
  17. Representação esquemática, balões, lista de peças e DXF
  18. Segurança em sistemas de transmissão

Bloco 1 · Transmissão de movimento e pares cinemáticos

Porque existe esta UC

Um motor gira sempre à mesma gama de velocidades. Uma máquina raramente precisa dessa velocidade tal como sai do motor: precisa de mais binário, de menos rotação, de outra direção, ou de um movimento retilíneo em vez de rotativo. O sistema de transmissão de movimento faz essa adaptação entre a fonte de energia (motor) e o órgão de trabalho (fuso, roda, ferramenta).

  • Esta UC ensina a desenhar e a calcular os órgãos que fazem essa adaptação: engrenagens, sem-fim, correias, correntes, parafusos de esferas e uniões elásticas.
  • O desenho de fabrico é o documento que permite construir esses órgãos: cotas, tolerâncias, acabamentos e simbologia têm de estar corretos, ou a peça não monta nem funciona.

Pares cinemáticos

Um par cinemático é a ligação entre duas peças que permite um movimento relativo controlado entre elas, mesmo estando em contacto.

  • Par rotativo (revoluta): permite rotação relativa em torno de um eixo (ex.: veio num rolamento).
  • Par prismático: permite translação relativa ao longo de uma direção (ex.: corrediça, fuso de esferas).
  • Par helicoidal: combina rotação e translação numa relação fixa (ex.: parafuso numa porca).
  • Par de engrenamento: contacto entre dois perfis (dentes) que transmite rotação com uma razão fixa.

Todos os sistemas desta UC são, no fundo, combinações destes pares.

Bloco 2 · Panorama dos sistemas de transmissão

Os grandes grupos

Esta UC trabalha vários sistemas de transmissão de movimento. É essencial identificá-los e distingui-los (é uma das aptidões do referencial) antes de calcular seja o que for:

  • Engrenagens (dentado reto, helicoidal, cónico): contacto direto entre dentes, eixos próximos ou concorrentes.
  • Roda de coroa e parafuso sem-fim: engrenamento entre eixos perpendiculares e não concorrentes (cruzados).
  • Correias (planas, trapezoidais, dentadas): transmissão por atrito ou engate, entre eixos afastados.
  • Correntes: transmissão positiva (sem escorregamento) por elos e roda dentada (carreto).
  • Parafuso de esferas: converte rotação em translação com rendimento elevado.

Comparação entre sistemas

Sistema Rendimento típico Escorregamento Reversível Capacidade de carga
Engrenagens (reto/helicoidal) 96 a 99% por par Não Sim Alta
Engrenagem cónica 95 a 98% por par Não Sim Alta
Roda de coroa e sem-fim 40 a 90% (varia muito) Não Frequentemente não (auto-blocante) Alta, razões elevadas
Correia plana/trapezoidal 92 a 97% Sim (ligeiro) Sim Média
Correia dentada 96 a 98% Não Sim Média a alta
Corrente 95 a 98% Não Sim Alta
Parafuso de esferas 85 a 95% Não Depende do ângulo de hélice Alta (linear)

A irreversibilidade do sem-fim (não se consegue rodar a coroa e mover o sem-fim) é uma propriedade de segurança usada em guinchos e elevadores: a carga não desce sozinha se o motor parar.

Bloco 3 · Rodas dentadas: dentado reto, helicoidal e cónico

Dentado reto e dentado helicoidal

  • Dentado reto (cilíndrico): dentes paralelos ao eixo da roda. Engrenamento entre eixos paralelos. Contacto brusco (o dente inteiro engrena de uma vez), mais ruído a alta velocidade, mais simples de desenhar, medir e fabricar.
  • Dentado helicoidal: dentes inclinados segundo um ângulo de hélice, também entre eixos paralelos. O contacto é progressivo (gradual ao longo do dente), funcionamento mais suave e silencioso, maior capacidade de carga para o mesmo módulo.
  • Contrapartida do helicoidal: gera um esforço axial (empuxo ao longo do eixo) que o reto não gera, exige rolamentos capazes de o suportar.

Sentido de rotação: em ambos, duas rodas exteriores engrenadas rodam em sentidos opostos.

Engrenagem cónica

A engrenagem cónica transmite movimento entre eixos concorrentes (que se cruzam, tipicamente a 90°), ao contrário do reto e do helicoidal, que exigem eixos paralelos.

  • Os dentes estão talhados numa superfície cónica, não cilíndrica.
  • Pode ser de dentado reto (mais simples) ou dentado em espiral (equivalente ao helicoidal, mais suave).
  • Usa-se sempre aos pares, com os ângulos dos cones a somar o ângulo entre os eixos (90° no caso mais comum).

Aplicação típica: diferencial de um automóvel, onde o veio longitudinal do motor tem de acionar o veio transversal das rodas.

Bloco 4 · Roda de coroa e parafuso sem-fim

O par sem-fim/coroa

O parafuso sem-fim (rosca, uma ou mais entradas) engrena com uma roda de coroa (roda dentada com um perfil especial que abraça o sem-fim). Os eixos são perpendiculares mas não se cruzam (são cruzados, não concorrentes), ao contrário da cónica.

  • Permite razões de transmissão muito elevadas (30:1, 50:1 ou mais) num único andar, onde uma engrenagem reta precisaria de vários andares.
  • É frequentemente auto-blocante (irreversível): a coroa não consegue rodar o sem-fim ao contrário. Depende do ângulo de hélice do sem-fim, um ângulo pequeno favorece o auto-bloqueio.
  • Rendimento mais baixo que engrenagens paralelas, por causa do deslizamento entre os dentes durante o engrenamento (não é rolamento puro).

Cálculo do par sem-fim/coroa

A razão de transmissão do par sem-fim/coroa usa o número de entradas do sem-fim () como se fosse o número de dentes da roda motora:

Exemplo: sem-fim de 1 entrada (), coroa com 50 dentes (), motor a 1450 rpm.

í

Uma única engrenagem reta para o mesmo efeito precisaria de í, ou seja, uma roda 50 vezes maior que o pinhão, geometricamente impraticável num só andar.

Bloco 5 · Módulo e diâmetro primitivo

O módulo

O módulo () é o parâmetro que dimensiona os dentes de uma engrenagem, em milímetros. É o mesmo módulo que tem de ser igual nas duas rodas de um par para que engrenem.

onde é o diâmetro primitivo (a circunferência imaginária de rolamento puro) e o número de dentes. Logo:

O módulo é sempre um valor normalizado (série de módulos preferenciais: 1, 1,25, 1,5, 2, 2,5, 3, 4, 5, 6, 8, 10 mm, entre outros). Nunca se projeta uma engrenagem com um módulo "à escolha", escolhe-se da série normalizada e recalcula-se o resto a partir dele.

Diâmetro exterior, diâmetro interior e distância entre eixos

A partir do módulo e do número de dentes, calculam-se os restantes diâmetros de uma engrenagem de dentado reto normal (adendo , dedendo ):

Grandeza Fórmula
Diâmetro primitivo
Diâmetro exterior (cabeça)
Diâmetro interior (pé)
Distância entre eixos (par exterior)

Exemplo: mm, pinhão , roda .

A cota que vai para o desenho de fabrico é sempre a medida real da peça: e são as cotas que o torneiro ou a fresadora CNC vai efetivamente maquinar.

Bloco 6 · Razão de transmissão e sentido de rotação

A convenção desta UC (fixar antes de calcular)

Uma "razão 3:1" e uma "razão 1:3" não são a mesma coisa, uma reduz a velocidade, a outra multiplica-a. Para nunca trocar o sentido da comparação, esta UC usa sempre a mesma convenção:

ííí

  • Entrada é o veio que recebe o movimento do motor (motora); saída é o veio que entrega o movimento à carga (movida).
  • : a saída roda mais devagar que a entrada, é um redutor. lê-se "razão 3 para 1", a entrada dá 3 voltas por cada volta da saída.
  • : a saída roda mais depressa, é um multiplicador de velocidade.

Em todo o resto desta UC, quando se pede "a razão de transmissão", é esta fórmula, sempre com entrada e saída identificados no enunciado.

Exemplo resolvido: redutor e multiplicador

Caso A, redutor. Pinhão de entrada , roda de saída í, motor a rpm.

í

Caso B, multiplicador. Trocando as rodas de posição, , í, com o mesmo motor a rpm.

í

Mesmas rodas, papéis trocados: no caso A a saída fica mais lenta (483 rpm < 1450 rpm), no caso B a saída fica mais rápida (600 rpm > 200 rpm). É a mesma fórmula, aplicada com cuidado a quem é entrada e quem é saída.

Sentido de rotação: um par, um trem, uma roda louca

  • Um par de engrenagens exteriores: as duas rodas rodam em sentidos opostos.
  • Engrenagem interior (coroa interna): a roda interior e o pinhão rodam no mesmo sentido.
  • Trem com roda louca (idler, entre a motora e a movida, sem eixo de saída próprio): a roda louca não altera a razão de transmissão (o seu número de dentes não entra na fórmula), só serve para inverter o sentido ou vencer distância. Com uma roda louca, motora e movida final ficam no mesmo sentido.

Exemplo: motora , louca (qualquer valor, não entra no cálculo), movida í, motor a 1200 rpm.

í

Sentido: motora no sentido horário, roda louca no sentido anti-horário, roda final novamente no sentido horário (duas inversões anulam-se).

Bloco 7 · Número de dentes inteiro e correção de dentado

O número de dentes é sempre inteiro

Ao contrário do módulo (contínuo, mas normalizado) e da razão (um número real), o número de dentes é sempre um número inteiro: não existe "23,5 dentes" numa roda real. Sempre que um cálculo dá um valor fracionário de , é obrigatório:

  1. Arredondar ao inteiro mais próximo.
  2. Recalcular a razão de transmissão real (não a nominal) a partir dos inteiros.
  3. Recalcular a distância entre eixos real a partir dos mesmos inteiros.
  4. Registar o desvio entre o valor pretendido e o valor real, para decidir se é aceitável.

Continuar a usar a razão ou a distância "de antes de arredondar" propaga um erro por todo o resto do desenho, é o defeito mais comum neste tipo de cálculo.

Exemplo resolvido, passo a passo

Pretende-se um redutor com módulo mm, razão alvo e distância entre eixos alvo mm.

Passo 1, isolar a partir de í e í:

á

Passo 2, arredondar . Calcular í, arredondar í.

Passo 3, recalcular a razão real:

Passo 4, recalcular a distância entre eixos real:

Consequências a jusante do arredondamento

Continuando o exemplo anterior, com um motor de entrada a rpm:

Se (erradamente) se usasse Com (correto)
í rpm rpm

A diferença (cerca de 3,5 rpm, 0,8%) parece pequena, mas é exatamente este tipo de arredondamento não propagado que faz um cálculo de binário ou de sincronismo (bloco 8) sair errado mais à frente. A regra desta UC: o valor que segue para a frente é sempre o real, nunca o nominal antes de arredondar.

A correção de dentado (deslocamento de perfil, positivo ou negativo) é a técnica normalizada para, quando o desvio da distância entre eixos não é aceitável, ajustar ligeiramente o perfil dos dentes sem mudar nem , aproximando a distância entre eixos real do valor pretendido.

Bloco 8 · Trens de engrenagens, binário e potência

Trem de engrenagens (cascata)

Um trem de engrenagens encadeia vários pares, a saída de um andar é a entrada do seguinte. A razão total é o produto das razões de cada andar:

Exemplo: andar 1, (); andar 2, (). Motor a rpm.

í

O rendimento também é um produto em cascata, cada andar perde uma fração da potência:

Com : .

Potência, binário e velocidade angular

A potência mecânica relaciona-se com o binário (momento torsor) e a velocidade angular por:

O erro clássico é usar em rpm diretamente na fórmula de potência. tem de estar em rad/s, nunca em rpm.

Exemplo, continuando o trem anterior. Potência de entrada W a rpm:

Na saída, com : í W. Com í rpm, í rad/s:

ííí

Verificação cruzada: í N·m. Bate certo.

Bloco 9 · Uniões elásticas

Uniões elásticas (acoplamentos)

Uma união elástica (acoplamento flexível) liga dois veios (por exemplo, motor e redutor) permitindo transmitir binário e absorver pequenos desalinhamentos (angular, radial, axial) e vibrações, ao contrário de uma união rígida.

  • Protege os rolamentos e os veios de esforços indesejados quando o alinhamento não é perfeito.
  • Elemento elástico típico: borracha, elastómero, molas ou lamelas metálicas, consoante o binário e a rigidez pretendida.
  • Parâmetros funcionais a definir no desenho: binário nominal e de pico admissível, folga angular, tipo de fixação ao veio (chaveta, aperto por atrito).

Critério de desempenho da UC: "garantindo a informação auxiliar fundamental para o processo de fabrico", o desenho de um acoplamento tem de indicar claramente estes parâmetros funcionais, não só a forma da peça.

Bloco 10 · Correias e correntes

Correias: planas, trapezoidais e dentadas

  • Correia plana: secção retangular, contacto com a polia por uma face. Usada para grandes distâncias entre eixos e altas velocidades; exige tensão elevada e polias bem alinhadas.
  • Correia trapezoidal (em V): secção em cunha, encaixa numa ranhura da polia; o efeito de cunha aumenta o atrito disponível para a mesma tensão. É a mais comum em transmissões industriais e automóvel (acessórios).
  • Correia dentada (síncrona): dentes que engrenam com dentes da polia, sem escorregamento, como uma "corrente flexível". Usada onde a razão de transmissão tem de ser exata (ex.: distribuição de um motor de combustão, onde a cambota e a árvore de cames têm de manter a fase).

A razão de transmissão de uma correia (sem escorregamento) usa os diâmetros das polias, tal como as engrenagens usam os diâmetros primitivos: í.

Exemplo resolvido: comprimento de correia e velocidade

Duas polias, entrada mm, saída í mm, distância entre centros mm, motor a rpm.

íí

Comprimento de correia aberta (fórmula normalizada):

íí

Escolhe-se depois o comprimento normalizado de correia mais próximo (as correias vêm em comprimentos de catálogo, tal como o módulo das engrenagens é normalizado), ajustando ligeiramente se necessário.

Correntes

A corrente (de rolos, tipicamente) engrena com rodas dentadas chamadas carretos, de forma positiva, sem qualquer escorregamento, como a correia dentada mas para cargas mais elevadas.

  • Usa a mesma fórmula de razão que uma engrenagem ou uma correia dentada: í (número de dentes dos carretos).
  • Vantagens sobre a correia: maior capacidade de carga, não precisa de tensão inicial tão elevada, tolera melhor sujidade e temperatura.
  • Desvantagens: mais ruído, precisa de lubrificação regular, alonga-se com o desgaste (as folgas entre elos aumentam) e exige verificação periódica da tensão.

Aplicação clássica: transmissão final de uma bicicleta ou de uma mota, onde a carga e a robustez pedida excedem o que uma correia aguenta de forma económica.

Bloco 11 · Parafuso de esferas

Parafuso de esferas

O parafuso de esferas converte movimento rotativo em linear (ou vice-versa) através de um fuso roscado, uma porca com esferas recirculantes e um sistema de retorno das esferas. As esferas substituem o contacto de deslizamento de um fuso trapezoidal convencional por contacto de rolamento, o que dá um rendimento muito mais alto (85 a 95%, contra 30 a 50% de um fuso trapezoidal comum) e permite reversibilidade em muitos casos.

O passo (, avanço linear por volta) relaciona a rotação com o deslocamento linear:

Exemplo: passo mm/volta, motor a rpm.

É o elemento típico dos eixos de máquinas CNC e de mesas de posicionamento, onde se pede precisão de posicionamento elevada e ausência de folga (backlash reduzido).

Bloco 12 · Desenho de conjunto: vistas, cortes e secções

Vistas, cortes e secções

Um sistema de transmissão desenha-se quase sempre em corte, porque a informação relevante (rasgos de chaveta, furos de lubrificação, encaixe de rolamentos) está no interior das peças.

  • Vista: projeção ortogonal da peça, sem cortar (a norma define o número mínimo de vistas para definir a peça sem ambiguidade).
  • Corte: secciona a peça inteira segundo um plano, mostra o interior a toda a profundidade (hachurado a 45°, materiais diferentes com hachuras ou espaçamentos diferentes).
  • Secção: mostra só a fatia do plano de corte, sem o resto da peça atrás, útil para perfis constantes (ex.: uma nervura, um veio estriado).
  • Elementos que não se cortam longitudinalmente por convenção, mesmo que o plano de corte passe por eles: veios, parafusos, cavilhas, chavetas, rolamentos completos.

Desenho de conjunto vs desenho de definição

  • Desenho de definição (peça): uma peça isolada, com todas as cotas, tolerâncias e acabamentos necessários para a fabricar. É o documento que vai para a oficina ou para a máquina CNC.
  • Desenho de conjunto: mostra várias peças montadas, nas suas posições relativas, com a lista de peças e os balões de identificação. Serve para entender a montagem, não para fabricar cada peça.
  • Num sistema de transmissão, tipicamente existe um desenho de conjunto (o redutor completo) e um desenho de definição por peça (cada roda dentada, cada veio, cada tampa).

Cada peça normalizada (parafuso, rolamento, anilha) aparece no conjunto mas não tem desenho de definição próprio, é identificada na lista de peças pela sua designação normalizada e referência de catálogo.

Bloco 13 · Cotagem nominal e de fabrico

Cotagem nominal vs cotagem de fabrico

  • Cota nominal: o valor teórico da medida (ex.: Ø40), sem indicar a variação admissível.
  • Cota de fabrico: a cota nominal acompanhada da tolerância (ex.: Ø40 H7, ou Ø40 +0,025/0), porque nenhum processo de fabrico produz a medida exata. É esta cota que orienta a escolha de processo, ferramenta e verificação na oficina.
  • Uma cota de fabrico completa indica: valor nominal, desvios admissíveis (ou classe de tolerância normalizada) e, quando aplicável, o estado de acabamento superficial exigido nessa superfície.

Regra de ouro do desenho técnico: a cota é sempre a medida real da peça, nunca um valor "de referência" ou aproximado. Cotar por medição sobre o desenho é um erro grave, a cota tem sempre um valor numérico explícito.

Legendas, balões e lista de peças

  • Legenda (cartucho): bloco de informação no canto do desenho, título, número de desenho, escala, material, tratamento, data, autor, norma de tolerância geral aplicável.
  • Balão de identificação: círculo ligado por uma linha a uma peça do desenho de conjunto, com o número de item que remete para a lista de peças.
  • Lista de peças (BOM): tabela com item, designação, quantidade, material (ou referência normalizada) e observações, uma linha por componente do conjunto.
Item Designação Qtd. Material / referência
1 Veio de entrada 1 Aço C45
2 Roda dentada Z=60 m=2 1 Aço 42CrMo4
3 Rolamento rígido de esferas 6205 2 Normalizado, catálogo
4 Chaveta paralela 8×7×25 1 Aço, ISO 2491

Bloco 14 · Toleranciamento geral, individual e ajustamentos

Toleranciamento geral vs individual

  • Tolerância geral: aplica-se a todas as cotas do desenho que não tenham uma tolerância própria indicada, através de uma norma citada na legenda (ex.: "tolerâncias gerais conforme ISO 2768-m"). Evita ter de escrever uma tolerância em cada cota "sem importância".
  • Tolerância individual: escrita diretamente numa cota específica, porque essa cota é funcional (afeta o encaixe, o movimento ou a vedação) e precisa de um controlo mais apertado (ou mais largo) do que a tolerância geral.
  • Regra prática: só se coloca tolerância individual onde ela importa de facto para a função da peça; sobrecarregar o desenho com tolerâncias apertadas em tudo encarece o fabrico sem benefício.

Ajustamentos e cotagem funcional

Um ajustamento descreve a relação entre o furo e o veio que encaixam um no outro, através de duas classes de tolerância normalizadas (sistema ISO de ajustamentos).

  • Ajustamento com folga: o veio é sempre menor que o furo, permite movimento relativo (ex.: veio a rodar dentro de um rolamento).
  • Ajustamento com aperto: o veio é sempre maior que o furo, a montagem é forçada, sem movimento relativo (ex.: cubo calado a quente num veio).
  • Ajustamento incerto: consoante as peças reais, pode dar folga ligeira ou aperto ligeiro.

Exemplo resolvido, H7/g6 a Ø30 (ajustamento com folga, deslizante), valores da tabela normalizada ISO 286:

íá

Este ajustamento garante sempre folga (nunca aperto): é o par típico para um veio que tem de rodar livremente dentro de um casquilho.

Bloco 15 · Toleranciamento geométrico

Para além da dimensão: a forma, a orientação e a posição

Uma peça pode ter a dimensão perfeitamente dentro da tolerância e ainda assim não funcionar, se estiver torta, desalinhada ou descentrada. O toleranciamento geométrico controla exatamente isso, com símbolos normalizados numa caixa retangular ligada à superfície por uma linha de referência.

Categoria Exemplos de símbolo Controla
Forma retitude, planeza, circularidade, cilindricidade a forma da própria superfície
Orientação paralelismo, perpendicularidade, inclinação o ângulo entre superfícies (precisa de referência)
Localização posição, concentricidade, coaxialidade a posição relativa entre elementos
Batimento batimento circular, batimento total o desvio ao rodar em torno de um eixo

Exemplo de aplicação: num veio com dois apoios de rolamento, especifica-se coaxialidade entre os dois diâmetros de apoio, referida ao eixo do veio: se os dois apoios não forem coaxiais, os rolamentos ficam pré-carregados e desgastam-se prematuramente, mesmo que cada diâmetro esteja individualmente dentro da tolerância dimensional.

Bloco 16 · Estados de acabamento de superfícies

Rugosidade e função

O estado de acabamento (rugosidade superficial, medida tipicamente pelo parâmetro , em micrómetros) descreve o microrrelevo da superfície, resultado do processo de fabrico (torneamento, retificação, fresagem).

  • Uma superfície funcional (que desliza, roda ou veda contra outra) precisa de rugosidade baixa (fina): quanto mais fina, menos atrito e desgaste, mas mais caro e demorado de obter.
  • Uma superfície não funcional (face de apoio sem contacto de precisão) pode ter rugosidade alta (grosseira), reduzindo custo e tempo de fabrico.
Função da superfície de referência
Assento de rolamento, superfície de vedação 0,4 a 0,8 µm
Flanco de dente de engrenagem, superfície deslizante de precisão 0,8 a 1,6 µm
Superfície maquinada geral, sem contacto de precisão 3,2 a 6,3 µm
Superfície em bruto, sem função de contacto 12,5 µm ou mais

O acabamento indica-se no desenho junto à cota ou por um símbolo geral na legenda, quando se aplica à generalidade das superfícies não indicadas individualmente.

Bloco 17 · Representação esquemática, balões, lista de peças e DXF

Representação convencional de elementos normalizados

Alguns elementos de máquinas têm representação simplificada normalizada, em vez de se desenhar toda a sua geometria real, para não sobrecarregar o desenho:

  • Rodas dentadas em esquema: a circunferência primitiva desenha-se a traço-ponto (linha de eixo), a circunferência de cabeça a traço contínuo forte; os dentes só se desenham a rigor num pormenor local, no resto do desenho representam-se de forma simplificada.
  • Chavetas: representam-se pelo rasgo (retângulo) no veio e no cubo, com a designação normalizada (ex.: chaveta paralela 8×7×25) na lista de peças, sem desenhar o perfil todo em cada vista.
  • Rolamentos: símbolo simplificado (retângulo com uma cruz, ou dois traços cruzados) quando não é preciso mostrar o detalhe interno; desenho completo só quando o pormenor (esferas, gaiola) é relevante.
  • Vedantes (retentores, o-rings): símbolo normalizado em corte, junto à superfície que vedam.

Exportação em DXF de perfis de engrenagens

O DXF (Drawing Exchange Format) é um formato vetorial neutro, lido por praticamente qualquer software de CAD, CAM ou corte. Exportar o perfil exato do dente (a curva envolvente, não uma aproximação) em DXF permite:

  • Verificar o perfil calculado (módulo, número de dentes, ângulo de pressão) fora do software de origem.
  • Enviar a geometria para maquinação CNC, corte a laser ou eletroerosão de um molde ou de uma roda dentada.
  • Documentar a forma exata do dente sem depender do software que a gerou.

Regra prática: exportar sempre à escala 1:1 e confirmar as unidades (mm) antes de enviar para fabrico, um DXF com a escala ou a unidade trocada gera uma peça com o tamanho errado, mesmo que o desenho "pareça" igual no ecrã.

Bloco 18 · Segurança em sistemas de transmissão

Um dos maiores riscos de aprisionamento e amputação

Os órgãos de transmissão em movimento (engrenagens engrenadas, correias em polias, correntes em carretos, veios a rodar) são uma causa clássica de acidentes graves de aprisionamento e amputação, porque o ponto de contacto (o "ninho de arame", entre correia e polia, ou o engrenamento entre dois dentes) atrai a mão ou a roupa e não liberta sozinho.

  • Proteções fixas: resguardos que cobrem fisicamente o ponto de perigo, removíveis só com ferramenta, nunca à mão.
  • Consignação (lockout/tagout) antes de qualquer intervenção: cortar e bloquear a energia (elétrica, pneumática, mecânica), sinalizar, e só depois abrir a proteção.
  • Nunca intervir, limpar ou lubrificar um sistema de transmissão em movimento.

Lubrificação, limpeza e manutenção

  • Lubrificação: engrenagens, correntes e rolamentos precisam de lubrificante (óleo ou massa) na quantidade e no intervalo certos; a falta de lubrificação é a principal causa de desgaste prematuro e de sobreaquecimento (especialmente grave no sem-fim, por atrito de deslizamento).
  • Limpeza: sujidade abrasiva entre dentes ou entre correia e polia acelera o desgaste; limpar sempre com a máquina parada e consignada.
  • Manutenção preventiva: inspeção periódica de folgas, tensão de correias e correntes, ruído anómalo e temperatura; substituir por peças com a mesma especificação normalizada (módulo, referência de rolamento, referência de correia), nunca "o que serve mais ou menos".

Estas três frentes ligam-se diretamente às atitudes do referencial: rigor, responsabilidade e respeito pelas regras e normas definidas.

Recapitulando

  • Sistemas de transmissão: engrenagens (reto, helicoidal, cónico), sem-fim/coroa, correias, correntes e parafuso de esferas, cada um com rendimento, reversibilidade e capacidade próprios.
  • Razão de transmissão, sempre com a mesma convenção: íí; número de dentes é sempre inteiro, arredondar e recalcular a jusante.
  • Potência, binário e velocidade angular: , com sempre em rad/s, nunca em rpm.
  • Desenho de fabrico: cotagem nominal e funcional, toleranciamento geral, individual e geométrico, ajustamentos, estados de acabamento, balões e lista de peças, exportação DXF.
  • Segurança: proteções fixas e consignação antes de qualquer intervenção num órgão de transmissão em movimento.

Próximo: fichas e mini-projeto, calcular e desenhar sistemas de transmissão de movimento reais.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta UC junta duas competências que parecem separadas, cálculo (matemática de engrenagens) e desenho técnico (cotagem e tolerâncias). As duas servem o mesmo fim: uma peça que funciona quando montada. - Erro comum: tratar o cálculo de engrenagens como "matéria de física" desligada do desenho. Ligar sempre o número calculado à cota que vai para o desenho. - Exemplo: uma berbequim de bateria muda de velocidade "mecanicamente" (não elétrica) através de um trem de engrenagens interno, com uma alavanca que muda a razão de transmissão.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: identificar o par cinemático de um mecanismo é o primeiro passo para o desenhar corretamente (que graus de liberdade sobram, que cotas funcionais importam). - Erro comum: confundir par helicoidal (parafuso/porca, rotação converte-se sempre em translação numa proporção fixa) com par prismático puro (corrediça, sem rotação nenhuma). - Pergunta: um parafuso de esferas de uma máquina CNC é um par prismático ou helicoidal? Resposta, helicoidal, o avanço linear está ligado à rotação pelo passo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nenhum destes sistemas é "melhor" em absoluto, cada um resolve um problema diferente (distância entre eixos, precisão, custo, capacidade de carga). - Erro comum: escolher um sistema por hábito (usar sempre correia) sem pensar no requisito real (precisão? carga? distância? reversibilidade?). - Exemplo: uma bicicleta usa corrente (transmissão positiva, sem escorregar mesmo com força), um motor de automóvel usa correia dentada na distribuição (precisão de fase) e correia trapezoidal nos acessórios (tolera algum escorregamento).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a linha do sem-fim: é o único sistema desta tabela que pode ser auto-blocante, e isso é uma escolha de projeto, não um defeito. - Erro comum: achar que "rendimento baixo" é sempre mau. Num guincho, a irreversibilidade (associada a rendimento mais baixo) é uma proteção de segurança. - Pergunta: porque é que a correia é o único sistema com escorregamento significativo na tabela? Porque a transmissão é por atrito entre a correia e a polia, não por engate positivo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o helicoidal não é "melhor" sem mais, troca ruído e custo por um esforço axial extra que tem de ser suportado. - Erro comum: desenhar um par helicoidal sem verificar que os dois ângulos de hélice são compatíveis (mesma inclinação, hélices de mão oposta para eixos paralelos). - Exemplo: as caixas de velocidades de automóveis usam engrenagens helicoidais pelo silêncio; a marcha-atrás usa muitas vezes dentado reto, mais simples e mais barato, e o ruído nessa marcha é aceite.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a pergunta que decide o tipo de engrenagem é sempre "como estão os eixos um em relação ao outro? paralelos, perpendiculares concorrentes, ou perpendiculares cruzados (sem-fim)?" - Erro comum: tentar desenhar um par cónico com os eixos paralelos. Não faz sentido geométrico, o cónico existe precisamente para eixos que se cruzam. - Pergunta: porque é que o diferencial do automóvel precisa de engrenagem cónica e não reta? Porque o veio do motor e o veio das rodas são perpendiculares.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sem-fim não é "uma engrenagem normal com outro nome". O contacto é por deslizamento, não por rolamento, daí o rendimento mais baixo e o calor gerado. - Erro comum: assumir que o sem-fim é sempre reversível como uma engrenagem reta. Verificar sempre o ângulo de hélice e a aplicação. - Exemplo: o mecanismo de elevação de um portão de garagem ou de um guincho usa muitas vezes sem-fim/coroa exatamente pela irreversibilidade, a carga não cai se faltar energia.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é a mesma fórmula da razão de transmissão das engrenagens (bloco 6), só muda o significado de "zw" (entradas, não dentes de uma roda cilíndrica). - Erro comum: multiplicar em vez de dividir, ou trocar entrada por saída. Confirmar sempre com a lógica, uma razão de 50:1 é um redutor forte, a saída tem de ser muito mais lenta. - Pergunta: se o sem-fim tivesse 2 entradas em vez de 1, com a mesma coroa de 50 dentes, qual seria a nova razão? i = 50/2 = 25, a saída ficaria mais rápida (29 rpm passaria a cerca de 58 rpm).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o módulo é a "unidade de medida" do dente. Duas rodas só engrenam se tiverem o MESMO módulo, mesmo que os diâmetros sejam muito diferentes. - Erro comum: calcular um módulo "exato" (ex.: 1,83 mm) a partir de d/z e usá-lo diretamente no desenho. Tem de se arredondar ao módulo normalizado mais próximo e recalcular d. - Analogia: o módulo é como o tamanho do "tijolo" com que se constrói a roda dentada, todos os tijolos da parede (dentes) têm de ser do mesmo tamanho.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada fórmula usa exatamente os valores calculados na linha anterior, m e z primeiro, depois d, só depois da e df. Nunca "saltar" para da sem passar por d. - Erro comum: trocar adendo (2,5 vem de 1 + 1,25) por um valor arbitrário. Fixar a regra desta UC, adendo = m, dedendo = 1,25m, logo da = d+2m e df = d−2,5m. - Pergunta: se o módulo fosse 3 mm em vez de 2 mm, mantendo z1=20 e z2=60, quais seriam os novos d1, d2 e a? (d1=60, d2=180, a=120, tudo escala linearmente com m).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar bem este slide, é a base de todos os cálculos seguintes. Pedir aos alunos para o copiar tal e qual para o caderno. - Erro comum: inverter entrada e saída a meio do problema. Regra prática, escrever sempre "z_entrada" e "z_saída" por baixo de cada valor do enunciado antes de substituir na fórmula. - Exemplo/analogia: pensar numa bicicleta com mudanças, a roda dentada grande (traseira) como saída e o pinhão pequeno (pedaleiro, se fosse maior) como entrada, comparar com o caso oposto para sentir a diferença.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a comparação lado a lado, é a demonstração mais direta de porque a convenção importa. - Erro comum: usar n_saída = n_entrada × i em vez de n_entrada / i. Verificar sempre com bom senso, se z_saída > z_entrada, a saída tem de ficar mais lenta. - Pergunta: e se z_entrada = z_saída (mesmo número de dentes)? i = 1, a saída roda à mesma velocidade da entrada, só muda o sentido de rotação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a roda louca é o exemplo clássico onde os alunos tentam meter o z dela na fórmula. Não entra, ela engrena duas vezes (com a motora e com a movida) e essas duas relações cancelam-se matematicamente. - Erro comum: esquecer-se de que o número de engrenamentos (não de rodas) é que decide o sentido final, número ímpar de engrenamentos inverte, número par mantém. - Pergunta: e se houvesse duas rodas loucas em sequência? Continua sem afetar a razão; o sentido final volta a inverter-se (três engrenamentos ao todo, número ímpar).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar os quatro passos como uma checklist obrigatória sempre que z sair fracionário. - Erro comum: arredondar z mas continuar a desenhar com a distância entre eixos "nominal" antiga. As duas rodas depois não encaixam à distância desenhada. - Exemplo/analogia: é como arredondar o preço de um artigo mas continuar a somar o troco com o preço exato, o total final não bate certo com o dinheiro entregue.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os dois desvios (razão e distância) são diferentes um do outro, arredondar dois números inteiros ao mesmo tempo distorce as duas grandezas de forma independente. - Erro comum: parar no passo 2 e entregar z=23 e z=51 sem indicar a nova distância entre eixos de 55,5 mm. O desenho de fabrico tem de levar a cota real. - Pergunta: se a aplicação exigir a distância entre eixos exata de 54 mm (por causa de uma caixa já fabricada), o que se faz? Muda-se o módulo ou aceita-se uma pequena correção de dentado (perfil deslocado), não se força z fracionário.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a tabela lado a lado, é a prova visual de que "pequeno" arredondamento de z já muda o resultado final em quase 1%. - Erro comum: achar que a correção de dentado "resolve tudo". Resolve pequenos desvios de distância entre eixos, não substitui escolher bem m e z à partida. - Ligar ao critério de desempenho da UC "assegurando o cálculo dos módulos em sistemas de engrenagens", este é exatamente o tipo de rigor que esse critério exige.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: razão e rendimento são as duas grandezas que se multiplicam em cascata, ao contrário de outras grandezas do curso que se somam. - Erro comum: somar as razões em vez de multiplicar (i1+i2 em vez de i1×i2). Verificar sempre com a lógica, dois redutores de 3:1 em sequência dão 9:1, não 6:1. - Pergunta: se o segundo andar fosse um multiplicador (i2=0,5) em vez de outro redutor, qual seria i_total? 3×0,5=1,5, um redutor ligeiro, apesar de ter um andar redutor e outro multiplicador.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar MUITO a conversão de rpm para rad/s, é o erro mais frequente e mais caro em exames e em situações reais (motores queimados por cálculo de binário errado). - Erro comum: esquecer o rendimento e calcular T_saída só com T_entrada × i_total, sem multiplicar por η_total. Nesse caso o binário de saída fica sobrestimado. - Exemplo/analogia: um redutor "amplifica" o binário à custa da velocidade, tal como uma alavanca troca força por curso, a potência (produto dos dois) nunca aumenta, só se perde um pouco no rendimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a união elástica não é um "detalhe decorativo" entre motor e redutor, é o que evita que um pequeno erro de alinhamento na montagem destrua rolamentos em poucas semanas. - Erro comum: especificar uma união rígida (sem elemento elástico) quando há qualquer incerteza de alinhamento na montagem. Aumenta o risco de avaria prematura. - Pergunta: que diferença faz para o desenho de fabrico se a união usa chaveta em vez de aperto por atrito no veio? Muda a cotagem (rasgo de chaveta com tolerância própria) e a lista de peças (chaveta normalizada a incluir).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a correia dentada é o "meio-termo" entre correia (silenciosa, tolera desalinhamento) e engrenagem (sem escorregamento, razão exata). - Erro comum: usar correia trapezoidal onde a fase importa (ex.: distribuição de motor), o escorregamento ligeiro desregularia o sincronismo entre veios. - Exemplo: uma correia trapezoidal do alternador de um carro pode escorregar ligeiramente sem problema, mas a correia (ou corrente) da distribuição nunca pode escorregar um dente que seja.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o paralelo com o bloco das engrenagens: aqui também há uma grandeza normalizada (comprimento de catálogo) que obriga a um pequeno ajuste depois do cálculo "exato". - Erro comum: esquecer o termo (D2−D1)²/(4C), pequeno neste exemplo mas importante quando as polias têm diâmetros muito diferentes. - Pergunta: se D_entrada e D_saída fossem iguais, o que aconteceria à fórmula? O último termo anula-se e L = 2C + πD, o caso mais simples (correia entre duas polias iguais).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: corrente e correia dentada partilham a vantagem "sem escorregamento", a diferença está na capacidade de carga e na necessidade de lubrificação. - Erro comum: esquecer a lubrificação no plano de manutenção de uma transmissão por corrente, é a causa mais comum de desgaste prematuro e de alongamento da corrente. - Ligar à segurança (bloco 18): uma corrente destensionada ou uma correia desgastada podem saltar ou partir-se durante o funcionamento, inspecionar sempre antes de operar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a conversão de unidades no fim (mm/min para mm/s e m/min), tal como no bloco 8 com rpm/rad/s, é outro ponto onde os alunos trocam a unidade sem querer. - Erro comum: usar o passo (mm/volta) como se fosse um diâmetro numa fórmula de engrenagem. São conceitos diferentes, ainda que ambos "convertam rotação". - Pergunta: para dobrar a velocidade de avanço sem mudar o motor, que duas opções há? Aumentar o passo do parafuso (menos precisão) ou aumentar a rotação do motor (se o motor aguentar).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a lista de elementos que não se cortam longitudinalmente, é uma pergunta de exame clássica e um erro comum em trabalhos de aluno. - Erro comum: cortar um veio ao longo do comprimento "porque o plano de corte passa por ali". A norma existe para não esconder a forma real de peças cilíndricas maciças. - Exemplo: no desenho de conjunto de um redutor, corta-se a caixa e as rodas dentadas, mas o veio que atravessa a caixa aparece inteiro (não cortado) mesmo dentro da zona cortada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a distinção: cotas de fabrico vão no desenho de definição, não no de conjunto (que só leva cotas gerais de instalação, quando muito). - Erro comum: cotar ao pormenor um rolamento ou um parafuso no desenho de conjunto. Não se cota, identifica-se pela referência normalizada. - Ligar à realização "definir parâmetros funcionais e de fabrico em componentes usados em transmissão de movimento", é aqui que essa distinção fica clara na prática.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a regra de ouro final, "a cota é a medida real da peça", é o critério que serve para detetar cotas inventadas ou copiadas sem verificar. - Erro comum: cotar uma peça "a olho" a partir da escala do desenho em vez de indicar o valor exato usado no cálculo (do módulo, do ajustamento, etc.). - Exemplo: o diâmetro exterior de uma roda dentada calculado no bloco 5 (44 mm) é exatamente a cota de fabrico que aparece no desenho de definição dessa roda.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada balão tem de corresponder a exatamente uma linha da lista de peças, nunca um item sem balão ou um balão sem item correspondente. - Erro comum: numerar os balões sem seguir uma ordem lógica (ex.: espiral a partir do centro, ou ordem de montagem). Confunde quem lê o desenho. - Ligar ao critério "garantindo a informação auxiliar fundamental para o processo de fabrico", a lista de peças é exatamente esse tipo de informação auxiliar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a regra prática final, tolerância apertada só onde a função exige, é uma decisão de engenharia, não um reflexo automático. - Erro comum: não citar a norma de tolerância geral na legenda. Sem essa citação, as cotas sem tolerância própria ficam indefinidas. - Exemplo: o furo onde encaixa um rolamento leva tolerância individual apertada (é funcional); um furo de fixação de uma tampa decorativa pode ficar só com a tolerância geral.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os valores de es/ei (desvios) vêm sempre de uma tabela normalizada (ISO 286), não se inventam nem se calculam de cabeça. - Erro comum: comparar diretamente as cotas nominais (30 e 30) e concluir "é justo", sem olhar aos desvios que definem se há sempre folga, sempre aperto, ou pode ser as duas coisas. - Ligar ao critério "relacionando o toleranciamento dimensional e geométrico com a funcionalidade mecânica pretendida para a montagem".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o exemplo do veio com dois apoios, é o caso mais concreto para ligar toleranciamento geométrico a uma consequência mecânica real (rolamentos a desgastar). - Erro comum: achar que toleranciamento dimensional (Ø30 H7) já garante que a peça "está boa". A forma e a posição são controlos independentes. - Pergunta: porque é que a perpendicularidade precisa sempre de uma referência (datum) e a planeza não? Perpendicular a quê? A orientação só faz sentido comparada com outra superfície ou eixo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: acabamento fino não é "sinal de qualidade" em todo o lado, é uma escolha ligada à função, pedir Ra 0,4 numa face sem função de contacto só encarece a peça. - Erro comum: esquecer de indicar o acabamento numa superfície funcional crítica (assento de rolamento), deixando ao acaso do processo de fabrico escolhido pela oficina. - Ligar ao critério "adequando estados de acabamento de superfícies à funcionalidade mecânica dos componentes", a tabela acima é exatamente essa adequação em prática.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a representação simplificada existe para poupar tempo de desenho sem perder informação funcional, não é "preguiça", é norma. - Erro comum: desenhar um rolamento com todo o detalhe (esferas, gaiola, pistas) em todos os desenhos de conjunto. Só se faz isso quando esse detalhe é o assunto do desenho. - Exemplo: comparar um catálogo de rolamentos (com o símbolo simplificado usado em desenhos de conjunto de clientes) com um desenho de corte de um rolamento isolado (usado para explicar o seu funcionamento interno).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a verificação de escala e unidades antes de exportar, é o erro mais caro possível (a peça fabricada erradamente à escala errada). - Erro comum: exportar só o contorno aproximado do dente (poligonal) em vez do perfil evolvente real calculado pelo software de engrenagens. - Ligar ao conhecimento "exportação em formato DXF perfis de engrenagens" do referencial, é literalmente este procedimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar com toda a força: este não é um bloco "de preenchimento", é a diferença entre um dedo e uma amputação. Tratar com o mesmo rigor que o cálculo de engrenagens. - Erro comum: achar que "só vou espreitar um segundo com a máquina a trabalhar" é seguro. O tempo de reação humana é sempre maior que o tempo de um mecanismo a puxar uma manga ou um dedo. - Exemplo: contar (sem detalhes gráficos) que a maioria dos acidentes graves com transmissões acontece durante limpeza ou desencravamento rápido, precisamente por saltar a consignação "só desta vez".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: manutenção mal feita (peça "equivalente" sem ser a normalizada) pode alterar a razão de transmissão ou a distância entre eixos calculada, ligando este bloco de volta ao cálculo de engrenagens. - Erro comum: substituir uma correia ou uma corrente por "uma parecida" sem confirmar a referência normalizada exata. - Anunciar as fichas e o projeto: aplicar cálculo de engrenagens, toleranciamento e cotagem de fabrico a casos concretos, sempre com a segurança como pano de fundo.