Cota-se sempre a medida real da peça, nunca a medida do papel.
No suporte em L a 1:5, a cota escrita é sempre 350, mesmo que a régua sobre o papel meça 70 mm. A escala só altera o tamanho do desenho; nunca altera o valor de uma cota.
| Formato | Dimensões (mm) | Área |
|---|---|---|
| A0 | 841 × 1189 | ≈ 1 m² |
| A1 | 594 × 841 | ≈ 0,50 m² |
| A2 | 420 × 594 | ≈ 0,25 m² |
| A3 | 297 × 420 | ≈ 0,12 m² |
| A4 | 210 × 297 | ≈ 0,06 m² |
Cada formato tem metade da área do anterior, mantendo a proporção 1:√2. Na oficina, o A3 e o A4 são os mais usados para peças e componentes.
Prefixos: Ø diâmetro, R raio, ☐ quadrado, SØ/SR esférico.
Numa cadeia de medidas parciais, a medida total é a soma das parciais.
Exemplo: veio com troços 20, 35 e 15 mm:
O valor (70) aparece entre parênteses, como cota auxiliar, e nunca leva tolerância própria.
Linha contínua grossa no diâmetro nominal, linha contínua fina no diâmetro do núcleo (ISO 6410).
Não confundir escareado com chanfro. O escareado tem símbolo próprio; o chanfro indica-se por uma nota simples, como 1 × 45°.
Furo H8: EI = 0, ES = +39 µm → Ø35 ⁺⁰·⁰³⁹₀
Veio e8: es = −50 µm, ei = −50 − 39 = −89 µm → Ø35 ⁻⁰·⁰⁵⁰₋₀,₀₈₉
Folga máxima = 35,039 − 34,911 = 0,128 mm
Folga mínima = 35,000 − 34,950 = 0,050 mm
Folga garantida: é um ajustamento de folga larga.
Símbolo em forma de "visto" aberto, com o valor de Ra a seguir.
| Operação | Ra típico (µm) |
|---|---|
| Desbaste | 6,3 a 12,5 |
| Acabamento | 1,6 a 3,2 |
| Retificação | 0,2 a 0,8 |
Uma tolerância dimensional controla só o tamanho. As tolerâncias de forma comparam a superfície consigo mesma, sem referência exterior:
| Característica | Símbolo (descrição) | Controla |
|---|---|---|
| Retitude | uma linha reta | desvio de uma linha |
| Planeza | um paralelogramo | desvio de uma superfície a um plano |
| Circularidade | um círculo | desvio de uma secção a um círculo |
| Cilindricidade | círculo com duas linhas inclinadas | forma cilíndrica completa |
Normalização → esboço → traçagem → vistas e projeções → cortes e secções → convenções → tipos de linha → escalas → cotagem → roscas e furos → simbologia de tolerâncias, ajustamentos e rugosidade → tolerâncias de forma → segurança.
Esta é a base de todo o desenho técnico mecânico do curso: o toleranciamento geométrico completo e a cotagem de fabrico por processo aprofundam-se nas próximas UCs.
Próximo: fichas e mini-projeto, desenhar um componente mecânico completo.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o desenho técnico não interpreta nem embeleza, descreve com rigor. - Erro comum: alunos tratam o desenho como ilustração, sem pensar em quem o vai ler e fabricar. - Exemplo: pedir a dois alunos que descrevam a mesma peça só por palavras a um colega, sem desenhar. Comparar com um desenho normalizado.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: rigor e respeito pelas normas são atitudes avaliadas nesta UC, não um extra. - Pergunta à turma: porque poupa dinheiro a uma empresa seguir normas internacionais? (formação transferível, menos erros, peças compatíveis). - Erro comum: pensar que normalizar é burocracia. É o que torna o desenho útil fora da cabeça de quem o fez.
NOTAS DO PROFESSOR - Não pedir para decorar números de norma; pedir para associar norma a problema. - Mostrar o cartouche de um desenho real e identificar onde consta o método de projeção e a norma de tolerância geral. - Erro comum: confundir ISO 1302/21920 (superfícies) com ISO 1101 (geometria). São coisas diferentes.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esboço não é desenho artístico, é desenho técnico sem instrumentos. - Erro comum: alunos desenham em perspetiva "bonita" em vez de vistas normalizadas. - Exemplo: pedir um esboço rápido, em 2 minutos, de um objeto na sala, com vistas de frente e topo.
NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar ao vivo no quadro a técnica dos segmentos curtos vs uma reta longa de um só gesto. - Erro comum: tentar desenhar uma circunferência perfeita de uma só vez, sem os pontos de referência. - Exemplo: esboçar o suporte em L em duas fases, contorno geral e depois furos e raio de concordância.
NOTAS DO PROFESSOR - Trazer (ou mostrar imagens de) os instrumentos físicos: escalímetro, esquadros, compasso. - Erro comum: não saber ler um escalímetro (confundir a escala certa entre as várias gravadas na régua). - Pergunta: porque é que os esquadros normalizados têm exatamente estes ângulos?
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta UC ensina fundamentos, incentiva-se o uso do CAD para aplicar esses fundamentos, não para os substituir. - Erro comum: achar que o CAD "corrige" um desenho mal pensado. Não corrige. - Exemplo: mostrar um erro de vistas feito num CAD real, para desmistificar a ideia de que o software evita erros de conceção.
NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar no quadro a construção de uma perpendicular com compasso, passo a passo. - Erro comum: "a olho" em vez de construção geométrica; sai visivelmente torto num desenho maior. - Ligar à atitude "rigor" do referencial.
NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: o cotovelo do suporte em L tem um raio de concordância R5, centro sobre a bissetriz do ângulo reto. - Erro comum: desenhar um raio de concordância "a olho", sem construir o centro corretamente; fica visivelmente assimétrico. - Perguntar: porque é que uma peça tem raios de concordância em vez de ângulos vivos? (evitar concentração de tensões).
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar o símbolo de identificação do método de projeção (o tronco de cone) no cartouche de um desenho real. - Erro comum: colocar a vista de topo por cima em desenho 1.º diedro (é regra do 3.º diedro). - Pergunta: se receberes um desenho sem símbolo de projeção, o que fazes? (procurar a norma da empresa ou pedir esclarecimento, nunca assumir).
NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: o veio escalonado (revolução) precisa só de uma vista; o suporte em L (prismático) precisa de duas ou três. - Erro comum: desenhar as seis vistas "para garantir", sem pensar se são necessárias. Sobrecarrega o desenho. - Perguntar: como escolher qual é a vista de frente? (a que mostra mais forma, com menos linhas escondidas).
NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor com um desenho em perspetiva (ponto de fuga) para a turma ver a diferença visualmente. - Erro comum: desenhar as vistas com um ligeiro efeito de perspetiva "para ficar mais realista". Não pode. - Analogia: a sombra de um objeto ao meio-dia, projetada diretamente para baixo, sem distorção.
NOTAS DO PROFESSOR - Usar um objeto real (uma caixa) dentro de um "canto" formado por três cartolinas perpendiculares, para visualizar o triedro. - Erro comum: não perceber porque a vista de topo "cai" para baixo no rebatimento. Fazer a demonstração física. - Exemplo: o veio escalonado dispensa a vista de topo e lateral, por ser peça de revolução.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar o mesmo furo em vista normal (tracejado) e em corte (linha visível) lado a lado. - Erro comum: escolher corte total quando um corte local já resolveria, complicando o desenho sem necessidade. - Exemplo: o casquilho espaçador em corte total mostra o furo interior sem ambiguidade.
NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: hachurar um veio ou um parafuso cortado ao comprimento. Rever a lista de exceções. - Mostrar um desenho de conjunto real com hachuras diferentes por peça. - Pergunta: porque não se hachura um furo? (é ar, não material; hachurar seria enganoso).
NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor corte (mostra a peça toda, cortada) com secção (mostra só o perfil, sem o resto). - Erro comum: confundir corte com secção; a secção é mais económica quando só interessa o perfil. - Exemplo: um rasgo de chaveta no veio escalonado, representado por secção rebatida local.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar exemplos visuais de cada convenção, mesmo esquemáticos no quadro. - Erro comum: desenhar uma vista completa quando uma vista local ou parcial já chegava. - Exemplo: o veio escalonado de 400 mm desenhado interrompido, com a cota total (400) mantida.
NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: cotar cada furo repetido individualmente em vez de usar "n×". Sobrecarrega o desenho. - Exemplo: o suporte em L com 4× Ø8,5, cotado uma única vez. - Perguntar: qual a vantagem de um "Pormenor A" em vez de ampliar o desenho todo? (mantém a escala geral e mostra o detalhe legível).
NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma identificar, num desenho real, cada tipo de linha e o que representa. - Erro comum crítico: confundir eixo (traço-ponto fina) com plano de corte (traço-ponto grossa); só a espessura muda o significado. - Exercício rápido: desenhar as sete linhas da tabela, com a espessura correta relativa.
NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo inverso com a turma: 70mm no papel a 1:5, qual a medida real? (350mm). - Erro comum: dividir ao contrário (multiplicar em vez de dividir numa redução). - Exemplo de ampliação: um pormenor a 45mm no papel, escala 2:1, mede 22,5mm reais.
NOTAS DO PROFESSOR - Repetir esta regra em cada exemplo de cotagem ao longo do curso; é a fonte de erro mais comum. - Erro comum: medir com a régua no papel e escrever esse valor como cota. - Pergunta armadilha: "e se o PDF for impresso fora de escala?" Resposta: a cota continua correta, porque não depende de medir o papel.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar fisicamente uma folha A3 dobrada ao meio: dá um A4. - Erro comum: achar que as áreas fecham em metades exatas ao milímetro; são arredondadas, a proporção é que é exata. - Pergunta: porque escolher A0 para uma instalação e A4 para uma peça pequena? (formato proporcional ao tamanho e à quantidade de informação).
NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar uma cota completa no quadro, identificando cada elemento com uma seta. - Erro comum: linha de chamada a tocar diretamente no contorno da peça (deve ter um pequeno espaço). - Exercício: cotar um retângulo simples com uma cota de comprimento, uma de largura e um furo Ø.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a regra 2: repetir uma cota em duas vistas cria risco de contradição se o desenho mudar só numa. - Erro comum: cotar "porque calha bem no desenho" em vez de cotar pela função da peça. - Ligar ao critério de desempenho "seguindo as regras de cotagem".
NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum grave: cotar a cota de fecho e todas as parciais, todas com tolerância própria (sobredetermina a peça). - Perguntar: porque não tolerar a cota de fecho? (a variação já vem da soma das tolerâncias parciais). - Refazer o cálculo com a turma, mudando um dos troços, para ver o efeito na soma entre parênteses.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar uma rosca real (parafuso) e a sua representação simplificada lado a lado. - Erro comum: desenhar cada filete da rosca; a representação é sempre simplificada. - Perguntar: quando usar passo fino em vez de passo grosso? (mais superfície de contacto, ajuste mais fino).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar fortemente a distinção escareado vs chanfro; é um dos erros mais graves da UC. - Erro comum: usar o símbolo de escareado numa aresta que só precisa de um chanfro. - Exemplo: o suporte em L tem furos com escareado ⌵Ø15×90° e arestas exteriores só chanfradas 1×45°.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que letra maiúscula é sempre furo, minúscula é sempre veio; nunca ao contrário. - Erro comum: aplicar tolerância individual a toda a peça, quando a tolerância geral já resolve as cotas não críticas. - Perguntar: quando vale a pena usar uma tolerância ISO em vez de ± direto? (peças que encaixam noutras, ajustamentos).
NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo passo a passo com a turma, confirmando que 39 e -50 vêm da tabela ISO 286 para a gama 30-50mm. - Erro comum: trocar qual é o furo e qual é o veio nas fórmulas de folga máxima/mínima. - Ligar: este é só um exemplo introdutório; o cálculo aprofundado de ajustamentos volta na UC de desenho de fabrico.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar o símbolo desenhado no quadro nas três variantes (básico, com círculo, com barra). - Erro comum: pôr valor de Ra em todas as superfícies. Só nas funcionais (deslizantes, de vedação, de encosto). - Perguntar: porque não vale a pena um Ra apertado numa superfície sem função de contacto? (encarece sem benefício).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: forma nunca precisa de referência, ao contrário de orientação/localização/batimento (aprofundadas noutra UC). - Erro comum: confundir planeza (tolerância geométrica) com profundidade (cota de um furo). São coisas diferentes. - Desenhar o quadro retangular de tolerância no quadro: símbolo + valor, ligado por linha de chamada.
NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente: rigor no desenho é também segurança na oficina que o vai fabricar. - Erro comum: tratar segurança como algo à parte do desenho, e não como consequência direta do rigor de quem desenha. - Pergunta: dá um exemplo de como um desenho mal cotado pode causar um acidente na oficina.
NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular com a turma o fio condutor: suporte em L, veio escalonado, casquilho espaçador. - Anunciar as fichas e o mini-projeto: aplicar tudo isto ao desenho de um componente mecânico completo. - Erro comum a evitar no futuro: achar que, por ser "a base", esta matéria é menos importante. É o contrário.