UC02889

Orçamentar a produção de componentes e equipamentos industriais

Custo de matéria-prima, hora-máquina, mão-de-obra, otimização de corte, soldadura e margem de lucro

Curso profissional · 50h · Técnico de Desenho e Projeto de Moldes

Plano

  1. Orçamentar na produção industrial
  2. Da lista de peças à árvore de produto
  3. Normas e segurança na orçamentação
  4. Material em bruto e arranque de apara
  5. Massas, volumes e áreas de matéria-prima
  6. Custo de matéria-prima, equipamentos e ferramentas
  7. Corte 2D: perímetros e áreas
  8. Otimização do corte de chapas
  9. Otimização do corte de perfis
  10. Soldadura: comprimentos, massas e volumes
  11. Tratamentos superficiais: áreas
  12. Custo hora-máquina
  13. Custo de mão-de-obra e tempos
  14. Elementos normalizados
  15. Margens de lucro e o orçamento final
  16. Folhas de cálculo e automatização

Bloco 1 · Orçamentar na produção industrial

O que é orçamentar

Orçamentar é calcular, antes de fabricar, quanto vai custar produzir um componente ou equipamento e por quanto o vender. Na Metalomecânica Ferreira & Sousa, Lda., oficina que acompanha toda esta UC, é o técnico de desenho e projeto quem prepara o orçamento a partir do desenho técnico.

  • Um orçamento mal feito perde dinheiro (preço a menos) ou perde clientes (preço a mais).
  • Junta conhecimentos de desenho técnico, materiais, processos de fabrico e gestão de custos.
  • É sempre baseado em números reais: massas, tempos, taxas horárias, preços de catálogo.

Esta UC ensina, passo a passo, a transformar um desenho numa proposta de preço rigorosa.

As três realizações desta UC

O referencial exige que o técnico saiba:

Realização O que envolve
Estimar custos de fabrico, de montagem e de matéria-prima massas, tempos, taxas horárias
Estimar custos para aquisição de elementos normalizados parafusos, porcas, rolamentos de catálogo
Elaborar orçamentos ajustados aos processos de fabrico e matéria-prima somar tudo e aplicar a margem

Cada bloco desta apresentação alimenta uma destas três realizações. No fim, o mini-projeto junta-as todas num orçamento completo.

Bloco 2 · Da lista de peças à árvore de produto

Extrair informação de uma lista de peças

Todo o orçamento começa numa lista de peças (Bill of Materials, BOM) extraída do desenho de conjunto: quantidade, designação, material, dimensões e se a peça é fabricada ou comprada.

Item Designação Qtd Origem
1 Perfil lateral 40×40×3mm, 400mm 4 fabricado (corte)
2 Chapa de base 500×400×6mm 1 fabricado (corte laser)
3 Veio do rodízio Ø20×60mm 4 fabricado (torneado)
4 Rodízio industrial 4 comprado (catálogo)

Sem esta separação fabricado vs comprado, não se sabe que custos calcular e que custos apenas somar de um catálogo.

Árvore de produto

A árvore de produto organiza a lista de peças em níveis: o conjunto final, os subconjuntos e os componentes individuais.

Nível 0 · Carro de transporte de moldes
├── Nível 1 · Chassis soldado
│   ├── Nível 2 · 4× Perfil lateral (400mm)
│   └── Nível 2 · 4× Perfil travessa (300mm)
├── Nível 1 · Chapa de base (fabricada)
├── Nível 1 · 4× Veio de rodízio (fabricado)
├── Nível 1 · 4× Rodízio industrial (comprado)
└── Nível 1 · Parafusos, porcas, anilhas (comprado)

O orçamento soma-se de baixo para cima: cada componente tem o seu custo, os subconjuntos somam os seus componentes, e o conjunto final soma os subconjuntos.

Bloco 3 · Normas e segurança na orçamentação

Normas técnicas no orçamento

As normas aparecem em todo o processo de orçamentar:

  • Normas de desenho (ISO 128, NP) definem como ler cotas, tolerâncias e escalas no desenho a orçamentar.
  • Normas de materiais (EN 10025 para aços estruturais, EN 10088 para inoxidáveis) identificam a que preço de mercado corresponde cada designação.
  • Normas de elementos normalizados (DIN, ISO) garantem que um parafuso "M8×20 DIN 933" é sempre a mesma peça, em qualquer catálogo.

Sem normas, o mesmo desenho dava origem a orçamentos diferentes consoante quem o lesse.

Segurança e saúde no trabalho na orçamentação

O referencial exige aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho mesmo numa tarefa "de secretária" como orçamentar:

  • Um tempo de fabrico irrealista (otimista demais) leva o operador a trabalhar com pressa e a saltar etapas de segurança.
  • Orçamentos que cortam custos em EPI, extração de fumos de soldadura ou proteções de máquina transferem o risco para quem fabrica.
  • Boas práticas: incluir sempre no custo de fabrico o tempo de preparação e proteção do posto de trabalho, não só o tempo de "máquina a cortar".

Orçamentar com rigor é também uma responsabilidade de segurança, não só financeira.

Bloco 4 · Material em bruto e arranque de apara

Definir o material em bruto para maquinação

Nos processos de arranque de apara (torneamento, fresagem), a peça final nunca é igual ao material que entra na máquina: é preciso material em bruto maior, com sobre-espessura para maquinar.

Regras práticas da oficina:

  • Diâmetro: escolher o varão comercial normalizado imediatamente acima do diâmetro final, com folga suficiente para o acabamento (tipicamente 1 a 2 mm no diâmetro).
  • Comprimento: acrescentar sobre-espessura de corte/facejamento (tipicamente 3 a 6 mm) para limpar a face e separar a peça da barra.
  • Nunca se maquina "no limite": sem sobre-espessura, a peça sai com defeitos de superfície.

Exemplo resolvido · material em bruto de um veio

Peça final: veio cilíndrico Ø30 mm, comprimento útil 150 mm, em aço C45.

  1. Diâmetro em bruto: usar o varão comercial imediatamente acima, Ø32 mm (2 mm de sobre-espessura no diâmetro).
  2. Comprimento em bruto: 150 mm + 5 mm de sobre-espessura de corte e facejamento = 155 mm.
  3. Material a encomendar: varão redondo Ø32 mm, corte a 155 mm, aço C45.

Este é o material em bruto que entra no torno; o Bloco 5 calcula a sua massa e o Bloco 6 o seu custo.

Bloco 5 · Massas, volumes e áreas de matéria-prima

Calcular volumes de matéria-prima

Para chegar ao custo, primeiro calcula-se o volume do material em bruto, com a geometria da própria matéria-prima:

Forma Fórmula do volume
Cilindro (varão redondo) V = π × r² × comprimento
Paralelepípedo (bloco, chapa) V = comprimento × largura × altura

Trabalha-se sempre em centímetros, para o volume sair em cm³ e casar com a densidade em g/cm³.

Exemplo resolvido · volume e massa do veio

Continuando o veio Ø32 mm × 155 mm (aço C45, densidade 7,85 g/cm³):

  1. Raio em cm: 32 ÷ 2 ÷ 10 = 1,6 cm. Comprimento em cm: 155 ÷ 10 = 15,5 cm.
  2. Volume: V = π × 1,6² × 15,5 = π × 2,56 × 15,5 ≈ 124,6584 cm³.
  3. Massa: massa = volume × densidade = 124,6584 × 7,85 ≈ 978,57 g ≈ 0,9786 kg.

Esta massa (0,9786 kg) é o número que o Bloco 6 multiplica pelo preço do aço.

Bloco 6 · Custo de matéria-prima, equipamentos e ferramentas

Custo de matéria-prima

Com a massa calculada, o custo de matéria-prima é direto:

custo de matéria-prima = massa (kg) × preço do material (€/kg)

Tabela de preços de referência da oficina (aço em varão ou chapa, fornecedor habitual):

Material Preço aproximado
Aço S275 (estrutural, chapa) 1,10 €/kg
Aço C45 (varão para maquinação) 1,35 €/kg
Aço para moldes (tipo P20) 3,20 €/kg
Arame de soldadura ER70S-6 2,80 €/kg

Exemplo do veio: 0,9786 kg × 1,35 €/kg ≈ 1,32 € de matéria-prima.

Custo de equipamentos e ferramentas

Além da matéria-prima, o orçamento reflete o desgaste de equipamentos e ferramentas usados no fabrico:

  • Ferramentas de corte (pastilhas de torneamento, fresas, brocas): custo por hora de utilização, incluído no custo hora-máquina (Bloco 12).
  • Utensílios e acessórios (mordentes, calços, guias de corte): amortizados ao longo de muitas peças, não numa peça só.
  • Equipamento de proteção e medição (paquímetro, micrómetro): custo residual por peça, geralmente incluído nos custos gerais da oficina.

A regra da UC: todo o custo tem de ter uma origem declarada. Nunca se inventa uma percentagem "para ferramentas" sem explicar de onde vem.

Bloco 7 · Corte 2D: perímetros e áreas

Área em bruto e perímetro de corte

Numa peça cortada por corte 2D (laser, plasma, água), há duas medidas distintas:

  • Área em bruto: a área da chapa ocupada pela peça (o retângulo que a contém), usada para calcular a massa e o custo de matéria-prima.
  • Perímetro de corte: o comprimento total que a máquina tem de percorrer, incluindo contornos exteriores e furos, usado para calcular o tempo e o custo de corte.

Estas duas medidas nunca se confundem: uma dá o custo do material, a outra o custo do processo.

O custo hora-máquina do laser (leasing)

A Metalomecânica Ferreira & Sousa não é dona do laser de corte: aluga-o por leasing operacional à Trumpf, com manutenção, consumíveis e energia incluídos no contrato.

  • Fatura mensal fixa do contrato: 14.400 €/mês.
  • Horas de laboração mensais contratadas: 120 horas.
  • Custo hora-máquina do laser = 14.400 ÷ 120 = 120,00 €/h.

Este valor (120,00 €/h) é o que se usa em todos os exemplos e exercícios de corte 2D desta UC.

Exemplo resolvido · chapa de suporte

Chapa em aço S275, 120 × 80 mm, espessura 4 mm, com um furo Ø20 mm ao centro.

  1. Área em bruto: 120 × 80 = 9.600 mm². Volume: 9.600 × 4 = 38.400 mm³ = 38,4 cm³. Massa: 38,4 × 7,85 = 301,44 g ≈ 0,3014 kg. Custo de matéria-prima: 0,3014 × 1,10 = 0,33 €.
  2. Perímetro de corte: exterior 2×(120+80) = 400 mm; furo π×20 ≈ 62,83 mm. Total ≈ 462,83 mm = 0,4628 m.
  3. Velocidade de corte para 4 mm de aço: 2,5 m/min = 150 m/h. Custo por metro = 120 ÷ 150 = 0,80 €/m.
  4. Custo de corte: 0,4628 × 0,80 ≈ 0,37 €.

Subtotal desta chapa (matéria-prima + corte): 0,33 + 0,37 = 0,70 €.

Gravação em corte 2D

Além de cortar, o mesmo equipamento pode gravar: marcar a superfície (número de série, logótipo, código) sem atravessar a chapa, a uma velocidade de gravação maior do que a velocidade de corte.

custo de gravação = comprimento de gravação (m) × [custo hora-máquina ÷ velocidade de gravação (m/h)]

Exemplo: a mesma chapa de suporte leva um número de série gravado, traço de 250 mm, a 6,0 m/min = 360 m/h: custo por metro 120,00 ÷ 360 ≈ 0,3333 €/m; custo de gravação 0,250 × 0,3333 ≈ 0,08 €, somado ao corte como parcela própria.

Bloco 8 · Otimização do corte de chapas

Aproveitamento de uma chapa comercial

As chapas compram-se em tamanhos comerciais fixos (ex.: 2000 × 1000 mm). O aproveitamento mede que fração dessa área vira peças:

aproveitamento (%) = (nº de peças × área da peça) ÷ área da chapa × 100

A orientação das peças na chapa (a rotação) muda quantas cabem, sem desperdiçar mais material. Otimizar o corte de chapas é escolher o layout (disposição) que cabe mais peças na mesma chapa.

Exemplo resolvido · dois layouts para a chapa de suporte

Chapa comercial 2000 × 1000 mm; peça 120 × 80 mm (a mesma do Bloco 7).

Layout Disposição Peças por chapa Aproveitamento
A sem rodar (120 ao longo dos 2000) 16 × 12 = 192 192×9.600 ÷ 2.000.000 = 92,16%
B rodada 90° (80 ao longo dos 2000) 25 × 8 = 200 200×9.600 ÷ 2.000.000 = 96,00%

O Layout B ganha 8 peças por chapa (+4,17%) só por rodar a peça. Para uma encomenda de 1.000 peças: Layout A precisa de 6 chapas (1.000 ÷ 192, arredondado para cima); Layout B precisa de 5 chapas.

Preço da chapa comercial: 62,80 kg × 1,10 €/kg ≈ 69,08 €, arredondado a 69,00 €/chapa (origem declarada, nunca um valor à parte). A: 6 × 69,00 = 414,00 €; B: 5 × 69,00 = 345,00 €. Poupança: 69,00 € (uma chapa inteira).

Bloco 9 · Otimização do corte de perfis

O problema do corte de perfis (1D)

Perfis (tubos, cantoneiras, barras) compram-se em barras comerciais de comprimento fixo (tipicamente 6.000 mm). Cada corte gasta um pouco de material na largura do disco (kerf, tipicamente 3 mm).

nº mínimo teórico de barras = arredondar para cima [(soma dos comprimentos + nº de cortes × kerf) ÷ comprimento da barra]

Otimizar é combinar comprimentos diferentes na mesma barra, para chegar o mais perto possível deste mínimo teórico, em vez de cortar cada comprimento numa barra à parte.

Exemplo resolvido · plano ingénuo vs otimizado

Precisamos de 5 peças de 1.300 mm e 5 peças de 900 mm, em tubo 40×40×3mm, barras de 6.000 mm a 18,50 €/barra, kerf 3 mm.

Plano ingénuo (uma barra por comprimento):

  • Barra 1: 4×1300mm = 5.212mm usados, sobra 788mm.
  • Barra 2: 1×1300mm = 1.303mm usados, sobra 4.697mm.
  • Barra 3: 5×900mm = 4.515mm usados, sobra 1.485mm.
  • 3 barras, aproveitamento 61,28%, custo 3 × 18,50 = 55,50 €.

Plano otimizado (combinar comprimentos):

  • Barra A: 3×1300mm + 2×900mm = 5.715mm usados, sobra 285mm.
  • Barra B: 2×1300mm + 3×900mm = 5.315mm usados, sobra 685mm.
  • 2 barras, aproveitamento 91,92%, custo 2 × 18,50 = 37,00 €.

Poupança: 18,50 € (uma barra inteira, 33,3% do custo deste material).

Bloco 10 · Soldadura: comprimentos, massas e volumes

O cordão de soldadura em ângulo

Num cordão de soldadura em ângulo (fillet weld), a secção transversal é aproximadamente um triângulo retângulo, com perna a:

área da secção ≈ a² ÷ 2

volume do cordão = área da secção × comprimento do cordão

Nem todo o arame consumido vira cordão: uma parte perde-se em salpicos e fumos. O rendimento de deposição (tipicamente 85 a 95% em MIG/MAG com arame maciço) corrige isto:

massa de arame consumido = massa teórica do cordão ÷ rendimento de deposição

Exemplo resolvido · custo de um cordão

Cordão de ângulo, perna 4 mm, comprimento total 640 mm (8 juntas de 80 mm), aço, arame ER70S-6 a 2,80 €/kg, rendimento de deposição 90%.

  1. Área da secção: 4² ÷ 2 = 8 mm². Volume: 8 × 640 = 5.120 mm³ = 5,12 cm³.
  2. Massa teórica: 5,12 × 7,85 ≈ 40,19 g. Massa de arame consumido: 40,19 ÷ 0,90 ≈ 44,66 g ≈ 0,0447 kg.
  3. Custo do material de adição: 0,0447 × 2,80 ≈ 0,13 €.
  4. Tempo de soldadura: 640 mm ÷ 300 mm/min ≈ 2,13 min, + 5 min de preparação = 7,13 min ≈ 0,1189 h.
  5. Custo hora-máquina da soldadura (equipamento próprio: amortização 500€/ano + manutenção 300€/ano, ÷1.920h + gás 1,20€/h) = 1,62 €/h. Mão-de-obra do soldador: 10,66 €/h.
  6. Custo do processo: 0,1189 × (1,62 + 10,66) ≈ 1,46 €. Custo total do cordão: 0,13 + 1,46 = 1,59 €.

Bloco 11 · Tratamentos superficiais: áreas

Calcular a área para tratamento superficial

Pintura, zincagem e anodização cobram-se por área tratada, não por peça. A área de uma peça chapa/perfil soma-se assim:

área total = (área líquida de cada face × nº de faces) + (perímetros × espessura, os "bordos")

  • A área líquida de cada face desconta os furos (não se pinta o vazio).
  • Os bordos (a espessura do material, à volta de todo o contorno cortado, incluindo furos) também recebem tratamento.

Exemplo resolvido e valores de referência

Continuando a chapa de suporte (120×80mm, 4mm, furo Ø20mm):

  1. Área líquida de uma face: 9.600 − π×10² ≈ 9.285,84 mm². Duas faces: 18.571,68 mm².
  2. Bordo exterior: 400 × 4 = 1.600 mm². Bordo do furo: 62,83 × 4 ≈ 251,33 mm². Total de bordos: 1.851,33 mm².
  3. Área total: 18.571,68 + 1.851,33 ≈ 20.423 mm² ≈ 0,0204 m².
  4. A 12,00 €/m² (pintura industrial): custo ≈ 0,24 €.

Valores de mercado, para orçamentação preliminar (o preço final vem sempre do fornecedor do tratamento):

Tratamento Faixa de preço de referência
Pintura industrial 8 a 15 €/m²
Zincagem a quente 1,20 a 1,80 €/kg
Anodização (alumínio) 15 a 25 €/m²

Bloco 12 · Custo hora-máquina

Construir o custo hora-máquina (equipamento próprio)

Para equipamento próprio da oficina, o custo hora-máquina soma um custo fixo (amortização, manutenção, consumíveis, dividido pelas horas de laboração anuais) com o custo de energia:

custo fixo por hora = (amortização anual + manutenção anual + consumíveis anual) ÷ horas de laboração anuais

custo de energia por hora = potência (kW) × fator de utilização × preço da eletricidade (€/kWh)

custo hora-máquina = custo fixo por hora + custo de energia por hora

Nunca é uma percentagem inventada: cada parcela vem de uma fatura, de um contrato de manutenção ou de uma ficha técnica.

Exemplo resolvido · torno CNC

Torno CNC próprio da Metalomecânica Ferreira & Sousa:

Componente Valor anual
Amortização (equipamento de 80.000€, vida útil 10 anos) 8.000 €
Contrato de manutenção 1.600 €
Consumíveis (pastilhas, óleo de corte) 2.400 €
Total fixo 12.000 €

Horas de laboração: 1.920 h/ano (240 dias × 8h). Custo fixo por hora: 12.000 ÷ 1.920 = 6,25 €/h.

Energia: motor de 7,5 kW, fator de utilização 70%, eletricidade a 0,18 €/kWh: 7,5 × 0,70 × 0,18 ≈ 0,945 €/h.

Custo hora-máquina do torno = 6,25 + 0,945 ≈ 7,20 €/h. Este é o valor usado em todos os exemplos de torneamento da UC.

Bloco 13 · Custo de mão-de-obra e tempos

Custo de mão-de-obra por hora

O custo de um trabalhador para a empresa é sempre maior do que o salário líquido: inclui subsídios (férias e Natal) e encargos sociais (TSU, 23,75% a cargo da entidade patronal em Portugal).

média mensal com subsídios = salário mensal base × 14 ÷ 12

custo mensal total = média mensal + (média mensal × 23,75%)

custo de mão-de-obra por hora = custo mensal total ÷ horas de trabalho mensais

Exemplo (operador, salário base 1.100 €): média mensal 1.283,33 €; encargos 304,79 €; custo mensal 1.588,12 €; ÷ 176h (22 dias × 8h) = 9,02 €/h.

Tempos de fabrico e de montagem

O custo de fabrico de uma peça junta tempo e taxas horárias:

custo de fabrico = tempo de fabrico (h) × (custo hora-máquina + custo de mão-de-obra por hora)

Os tempos vêm de gamas de fabrico, cronometragens ou tabelas de tempos-tipo, nunca "a olho":

  • Tempo de maquinação: por operação (desbaste, acabamento, furação), somado.
  • Tempo de montagem: por junta ou fixação, incluindo alinhamento e verificação.

Exemplo do veio (Bloco 5 e 6): 12 min de torneamento = 0,2h; custo = 0,2 × (7,20 + 9,02) = 3,24 €.

Exemplo resolvido · tempo de maquinação a partir da velocidade de corte

Nem sempre o tempo é um dado: às vezes calcula-se a partir da velocidade de corte, do avanço e do número de passagens.

rotação = vc (m/min) × 1.000 ÷ (π × diâmetro) · tempo por passagem = comprimento ÷ (avanço × rotação)

Desbaste, Ø40mm, comprimento 100mm, vc 90 m/min, avanço 0,3 mm/rot, 2 passagens:

  1. Rotação: 90.000 ÷ (π×40) ≈ 716,20 rot/min.
  2. Tempo por passagem: 100 ÷ (0,3×716,20) ≈ 0,4654 min.
  3. Tempo total (2 passagens): ≈ 0,9308 min ≈ 0,0155 h. Custo: 0,0155 × (7,20+9,02) ≈ 0,25 €.

Exemplo resolvido · tempo e custo de montagem

O carro de transporte de moldes (Bloco 2) tem 4 rodízios, cada um com 2 conjuntos aparafusados: 8 fixações, mais um alinhamento final.

tempo de montagem = (nº de fixações × tempo por fixação) + tempo de alinhamento

  1. Fixações: 8 × 1,5 min = 12 min. Alinhamento e verificação: 5 min. Total: 17 min ≈ 0,2833 h.
  2. Custo de montagem (operador a 9,02 €/h): 0,2833 × 9,02 ≈ 2,56 €.

Este valor é a parcela de montagem que falta somar ao orçamento do carro completo; o mini-projeto retoma este cálculo.

Bloco 14 · Elementos normalizados

Custo de aquisição de elementos normalizados

Elementos normalizados (parafusos, porcas, anilhas, rolamentos, rodízios) não se fabricam: compram-se de catálogo, e o custo é uma simples soma:

custo de elementos normalizados = Σ (quantidade × preço unitário de catálogo)

Exemplo (fixação da chapa de suporte):

Elemento Qtd Preço unitário Subtotal
Parafuso sextavado M8×20 DIN 933 4 0,18 € 0,72 €
Porca M8 DIN 934 4 0,06 € 0,24 €
Anilha M8 DIN 125 8 0,02 € 0,16 €
Total 1,12 €

Extrair preços de catálogo com rigor

Boas práticas ao orçamentar elementos comprados:

  • Confirmar a referência exata (norma, diâmetro, comprimento, classe de resistência) antes de copiar um preço.
  • Preços de catálogo variam com a quantidade (desconto por caixa ou por milheiro): declarar sempre a quantidade a que o preço se refere.
  • Guardar a fonte do preço (catálogo, data, fornecedor) no dossiê do orçamento, para poder justificá-lo mais tarde.

Um elemento normalizado orçamentado sem referência exata é a forma mais fácil de um orçamento sair errado sem se notar.

Bloco 15 · Margens de lucro e o orçamento final

Margem sobre venda vs markup sobre custo

duas formas diferentes de calcular um lucro sobre um preço, e não dão o mesmo número:

Fórmula Sobre o quê?
Markup sobre custo preço de venda = custo × (1 + markup%) o custo de fabrico
Margem sobre venda margem% = (preço de venda − custo) ÷ preço de venda o preço final

Exemplo: custo 10,00 €, markup de 25% sobre custo → preço de venda 12,50 €. Nesse mesmo preço, a margem sobre venda é (12,50−10,00)÷12,50 = 20%, não 25%.

Nesta UC usa-se sempre markup sobre custo. É a convenção da Metalomecânica Ferreira & Sousa, e é a que se aplica em todos os exemplos e exercícios.

O markup da oficina e o IVA

Política comercial da Metalomecânica Ferreira & Sousa: markup de 35% sobre o custo total, decidido pela gerência para cobrir risco comercial e lucro.

preço de venda (sem IVA) = custo total × 1,35

Depois do preço de venda, acresce o IVA (23% em Portugal, taxa geral): preço com IVA = preço sem IVA × 1,23.

O IVA não entra no custo nem na margem: é um imposto que a empresa cobra ao cliente e entrega ao Estado. A diferença entre o preço com IVA e o preço sem IVA não é lucro, é o valor do IVA liquidado.

Exemplo resolvido · orçamento do conjunto de fixação

Somando o veio (matéria-prima + fabrico), a chapa (matéria-prima + corte + rebarbagem), o tratamento superficial e os elementos normalizados:

Parcela Valor
Matéria-prima do veio 1,32 €
Fabrico do veio (torneamento) 3,24 €
Matéria-prima da chapa 0,33 €
Corte 2D da chapa (laser) 0,37 €
Rebarbagem da chapa 0,30 €
Tratamento superficial 0,24 €
Elementos normalizados 1,12 €
Custo total 6,92 €

Preço de venda sem IVA: 6,92 × 1,35 = 9,34 €. Lucro: 9,34 − 6,92 = 2,42 €. Preço de venda com IVA: 9,34 × 1,23 = 11,49 € (dos quais 2,15 € são IVA, não lucro).

Bloco 16 · Folhas de cálculo e automatização

Orçamentar em folha de cálculo

Uma aplicação de folha de cálculo (Excel, LibreOffice Calc, Google Sheets) evita erros de conta e permite recalcular tudo quando um preço muda:

  • Cada parcela (matéria-prima, fabrico, elementos, tratamentos) numa linha própria, com fórmula, não valor fixo.
  • Uma célula de total que soma as linhas com =SOMA(...), nunca escrita à mão.
  • Uma célula de markup e outra de IVA, para poder testar cenários sem reescrever tudo.

Um orçamento em folha de cálculo é auditável: qualquer pessoa consegue ver de onde veio cada número, ao clicar na célula.

Automatizar processos de orçamentação

Depois de a folha de cálculo estar certa para uma peça, o passo seguinte é automatizar para uma família de peças:

  • Criar uma folha modelo com as fórmulas do Bloco 5 ao Bloco 15, e só mudar as medidas de entrada (diâmetro, comprimento, espessura).
  • Ligar a folha a uma lista de preços de materiais e elementos normalizados, atualizada centralmente.
  • Para árvores de produto grandes, uma folha por nível, com referências entre folhas, soma automaticamente o conjunto final.

Automatizar não substitui o rigor de perceber cada fórmula: um erro na fórmula-modelo propaga-se a todos os orçamentos seguintes.

Recapitulando

  • Orçamentar soma matéria-prima (massa × preço), fabrico (tempo × taxas horárias) e elementos normalizados (catálogo).
  • O material em bruto inclui sempre sobre-espessura de arranque de apara; as massas, volumes e áreas vêm da geometria real da peça.
  • Corte 2D, corte de chapas e corte de perfis têm otimizações próprias: área vs perímetro, orientação na chapa, combinação de comprimentos na barra.
  • Custo hora-máquina (próprio ou alugado) e custo de mão-de-obra têm sempre origem declarada, nunca uma percentagem inventada.
  • Markup sobre custo é a convenção desta UC; o IVA nunca é lucro.

Próximo: fichas e mini-projeto, orçamentar peças e conjuntos reais de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o orçamento não é "achar um preço", é somar custos reais e só depois aplicar uma margem. - Erro comum: alunos que "arredondam para cima por segurança" sem justificar. Rigor é justificar cada parcela. - Exemplo: perguntar à turma quanto custa, à vista de olhos, uma peça de 150 g em aço. Ninguém sabe, e é isso que a UC ensina a calcular.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar esta tabela como "mapa" da UC: cada bloco seguinte encaixa numa das três linhas. - Pergunta: qual das três realizações é mais fácil de errar sem uma lista de peças organizada? (a terceira, elaborar o orçamento). - Ligar às atitudes avaliadas: rigor, sentido de organização, responsabilidade pelos números que assina.

NOTAS DO PROFESSOR - Este exemplo (carro de transporte de moldes) volta no mini-projeto; vale a pena escrevê-lo já no quadro. - Erro comum: orçamentar um elemento comprado como se fosse fabricado (calcular massa e tempo de máquina para um rolamento). - Perguntar: e se a mesma peça aparecer em dois subconjuntos? É aí que entra a árvore de produto.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de "elaborar árvores de produto" e "extrair informação relevante a partir de uma lista de peças". - Erro comum: esquecer as quantidades por nível (4 perfis, não 1) e sub-orçamentar o conjunto inteiro. - Exercício rápido: pedir à turma para desenhar a árvore de um objeto simples da sala de aula (ex.: uma cadeira).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a norma é o que torna o orçamento reproduzível por outro colega, a partir do mesmo desenho. - Erro comum: orçamentar "aço" sem indicar a designação normalizada; o preço por kg varia muito entre S275 e um aço inoxidável. - Exemplo: mostrar a mesma peça com dois materiais (S275 vs AISI 304) e como isso muda o preço por kg no capítulo seguinte.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às atitudes do referencial: responsabilidade, autocontrolo, respeito pelas regras. - Erro comum: comprimir o tempo de preparação para "baixar o preço" e depois o operador ignorar EPI para cumprir prazo. - Pergunta: quem paga, no fim, um orçamento que ignorou o tempo de segurança? (a empresa, em acidentes e não conformidades).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "material em bruto" não é a peça arredondada para cima, é a peça final + a folga que o processo exige. - Erro comum: usar o diâmetro final como diâmetro de compra. A peça fica sem material para acabar. - Analogia: como cortar um tecido para costura, sempre com margem para a bainha.

NOTAS DO PROFESSOR - Este veio (Ø30×150mm, bruto Ø32×155mm) é o exemplo que atravessa toda a sebenta; vale a pena escrevê-lo no quadro e não apagar. - Erro comum: esquecer a sobre-espessura de comprimento e pedir a barra "à justa" nos 150mm. - Pergunta: porque é que a sobre-espessura de comprimento (5mm) é normalmente maior, em proporção, do que a de diâmetro? (o corte e o facejamento consomem material do comprimento, não do diâmetro).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a conversão de unidades: as cotas do desenho vêm em mm, mas o volume calcula-se melhor em cm. - Erro comum: misturar mm e cm na mesma fórmula, o que erra o resultado em fatores de 10 ou 1000. - Exemplo: mostrar 1 cm³ = 1000 mm³, e pedir à turma para converter um volume em mm³ para cm³.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta toda no quadro, com a turma a confirmar cada passo na calculadora. - Erro comum: esquecer de converter gramas para quilogramas antes de multiplicar pelo preço por kg. - Ligar ao critério de desempenho "determinando o material em bruto, de acordo com os processos de arranque de apara".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o preço por kg depende do material e da forma de compra (varão, chapa, perfil); nunca é um número único "do aço". - Erro comum: usar o preço da chapa para orçamentar um varão, ou vice-versa. - Perguntar porque o aço de moldes custa quase 3× mais: liga com crómio/molibdénio e tratamento térmico controlado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar esta regra: qualquer valor no orçamento tem de se conseguir explicar a um cliente que pergunte "porquê este número?". - Erro comum: adicionar uma percentagem redonda "para ferramentas" só porque "assim se faz". No Bloco 12 mostra-se como isto entra no custo hora-máquina. - Exemplo/analogia: como uma fatura detalhada de uma oficina de automóveis, onde cada peça e cada hora de mão-de-obra aparecem separadas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a distinção: área → matéria-prima; perímetro → tempo de máquina. É o erro mais comum do bloco. - Erro comum: multiplicar a área pelo custo do corte, ou o perímetro pela densidade. Cada fórmula usa a sua medida. - Analogia: a área é "quanto tecido gastas", o perímetro é "quanto tempo a tesoura demora a andar à volta".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um equipamento alugado tem uma origem de custo diferente de um equipamento próprio (compara com o Bloco 12, o torno). - Erro comum: tratar o custo hora-máquina como um número fixo do "senso comum", em vez de o calcular a partir de uma fatura real. - Pergunta: o que acontece ao custo por hora se a empresa negociar 150 horas mensais pelo mesmo contrato? (baixa, 14 400 ÷ 150 = 96 €/h).

NOTAS DO PROFESSOR - Refazer as quatro contas com a turma, sem saltar passos; é o exemplo que reaparece nas fichas e no orçamento final do Bloco 15. - Erro comum: esquecer o furo no perímetro de corte (é um percurso de corte a mais, mesmo sendo pequeno). - Perguntar: se o furo fosse maior, o custo de matéria-prima mudava? Não, a área em bruto é a mesma; só o perímetro de corte aumenta.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta é a "gravação" que o referencial pede a par do corte 2D; muitas vezes esquecida porque não separa material, só marca a superfície. - Erro comum: incluir o traço de gravação dentro do perímetro de corte, ao mesmo custo por metro; são processos com velocidades diferentes. - Perguntar: porque é que gravar é mais rápido do que cortar a mesma espessura? (o feixe não precisa de atravessar a chapa toda, só marcar a superfície).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: otimizar não é cortar mais depressa, é desenhar melhor o layout de nesting antes de cortar. - Erro comum: assumir que a orientação "normal" da peça no desenho é sempre a melhor para cortar. - Ligar ao critério "assegurando o cálculo das áreas em bruto e perímetros de corte em processos de corte 2D".

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma confirmar a divisão inteira (2000÷120=16 com resto, não 16,67): só contam peças completas. - Erro comum: dividir a área total sem verificar se as peças cabem fisicamente em linhas e colunas inteiras. - Perguntar: e se juntássemos peças de tamanhos diferentes na mesma chapa? É o mesmo raciocínio, mais complexo (nesting misto).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o kerf não é um detalhe, em muitos cortes de perfis soma-se a um desperdício real e mensurável. - Erro comum: esquecer o kerf e concluir que "cabem mais peças do que realmente cabem". - Analogia: como planear a compra de tábuas de madeira para várias prateleiras de tamanhos diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - Confirmar no quadro que as duas barras otimizadas somam exatamente as 5+5 peças pedidas, nem mais nem menos. - Erro comum: no plano ingénuo, esquecer que a barra 2 (só com 1 peça) desperdiça quase toda a barra. - Ligar ao critério "assegurando o cálculo dos comprimentos de acordo com a otimização em cortes de perfis".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a perna do cordão (a): é a medida que o desenho técnico indica (ex.: "a4" = perna de 4mm), não a espessura da chapa. - Erro comum: usar o comprimento da junta como se fosse logo a massa de arame, sem passar por área e volume. - Exemplo: mostrar um cordão em ângulo real ou uma fotografia, e apontar a perna no triângulo da secção.

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer as 6 contas devagar; é a sequência mais longa da UC e a mais fácil de trocar a ordem. - Erro comum: aplicar o rendimento de deposição ao contrário (multiplicar em vez de dividir), o que dá menos arame do que o necessário. - Perguntar porque a mão-de-obra do soldador (10,66€/h) é mais cara que a do operador de torno (9,02€/h): qualificação e risco do processo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma chapa fina esquece-se facilmente dos bordos, mas numa chapa espessa os bordos pesam no total. - Erro comum: tratar só uma face e esquecer a segunda, ou esquecer os bordos dos furos. - Analogia: pintar uma caixa de cartão por dentro, por fora e nas abas, não só na tampa.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que a tabela final é indicativa; o valor a usar num orçamento real vem sempre de uma cotação do fornecedor. - Erro comum: confundir preço por área com preço por massa (a zincagem cobra-se tipicamente por kg, não por m²). - Ligar ao critério "aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho": tratamentos superficiais envolvem químicos e exigem ventilação e EPI próprios.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta é a fórmula "oficial" da UC para equipamento próprio. Para equipamento alugado usa-se a do Bloco 7 (fatura ÷ horas contratadas). - Erro comum: esquecer as horas de laboração anuais (não são 8.760h do ano inteiro, são as horas em que a máquina realmente trabalha). - Perguntar: porque é que aumentar as horas de laboração anuais baixa o custo fixo por hora? (o mesmo custo fixo reparte-se por mais horas).

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer a tabela linha a linha; é o exemplo mais citado no resto da sebenta e nas fichas. - Erro comum: somar amortização+manutenção+consumíveis e esquecer de dividir pelas horas anuais antes de somar a energia. - Exercício mental: e se o torno custasse 40.000€ em vez de 80.000€? A amortização cai a metade, o custo hora-máquina desce.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o "custo da empresa" é sempre maior do que o que o trabalhador recebe; é um erro comum comparar o preço de venda só com o salário líquido. - Erro comum: esquecer os subsídios (÷12 em vez de ×14÷12), o que subestima o custo real em cerca de 14% (1.588,12 face a 1.361,25, ÷ pelo valor real); os 16,67% que às vezes se veem dividem a mesma diferença pela base errada, o mesmo tipo de troca de base que separa markup de margem no Bloco 15. - Ligar às atitudes: responsabilidade e rigor incluem tratar bem estes números, que afetam pessoas reais.

NOTAS DO PROFESSOR - Retomar o veio do Bloco 4-6 e fechar o seu custo total: matéria-prima (1,32€) + fabrico (3,24€) = 4,56€. - Erro comum: usar só o custo hora-máquina ou só a mão-de-obra, esquecendo que as duas correm ao mesmo tempo na mesma hora. - Perguntar: se o operador tocasse duas máquinas ao mesmo tempo, o custo de mão-de-obra dividia-se por elas? (é uma discussão real de produtividade, fora do âmbito de cálculo simples desta UC).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que o tempo, tantas vezes tratado como "dado", vem de uma fórmula com três variáveis reais da máquina e da ferramenta. - Erro comum: esquecer de converter a velocidade de corte (m/min) antes de a dividir pelo diâmetro em mm; as unidades têm de casar. - Ligar à aptidão "aplicar o valor de hora-máquina em função das operações, tipos de ferramentas e complexidade do processo".

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente à realização "estimar custos de fabrico, de montagem e de matéria-prima" e às aptidões "calcular tempos de fabrico e de montagem" e "de maquinação e de montagem". - Erro comum: orçamentar só a matéria-prima e o fabrico dos componentes, e esquecer a mão-de-obra de montar o conjunto final. - Este cálculo (8 fixações + alinhamento) é exatamente o que falta na tabela de orçamento do mini-projeto: pedir à turma para o localizar lá.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a designação normalizada completa (M8×20 DIN 933): é o que garante que o preço de catálogo é comparável entre fornecedores. - Erro comum: esquecer as anilhas ou contar a quantidade errada (2 anilhas por parafuso, não 1). - Ligar à realização "estimar custos para aquisição de elementos normalizados", uma das três da UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: usar um preço "de memória" de um catálogo antigo. Preços de matéria-prima e ferragem mudam com frequência. - Exemplo: mostrar dois parafusos parecidos (DIN 933 vs DIN 931, cabeça total vs parcialmente roscada) e o preço diferente. - Exercício rápido: dado um catálogo real (PDF ou site do fornecedor), a turma procura o preço de um M8×20 DIN 933.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar bem esta distinção: é um dos erros mais caros na vida real de uma oficina, confundir as duas percentagens. - Erro comum: aplicar 25% "de margem" como se fosse markup, e vice-versa, sem verificar qual das duas convenções o texto pede. - Perguntar: um markup de 25% dá sempre uma margem sobre venda menor ou maior que 25%? (sempre menor, porque o denominador é maior).

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o erro mais grave a evitar: nunca chamar "lucro" à parcela do IVA. Repetir esta frase até ficar claro. - Erro comum: aplicar o markup sobre o preço com IVA de outro orçamento, inflacionando artificialmente o custo de referência. - Exemplo: mostrar um recibo real com "Total sem IVA", "IVA" e "Total a pagar" em linhas separadas.

NOTAS DO PROFESSOR - Somar as sete parcelas com a turma em voz alta, confirmando que 6,92€ é mesmo a soma exata (é um erro clássico o total não bater com as parcelas). - Erro comum: aplicar o markup só a uma parte do custo (ex.: esquecer os elementos normalizados na base do markup). - Este exemplo fecha as três realizações da UC: fabrico+matéria-prima, elementos normalizados, e o orçamento final ajustado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: escrever um total "à mão" em vez de com fórmula é a causa mais comum de um total que não bate com as parcelas. - Erro comum: copiar uma fórmula para outra linha sem verificar se as referências de célula mudaram corretamente. - Exemplo: mostrar ao vivo uma folha de cálculo simples com as sete linhas do orçamento do Bloco 15.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à aptidão "automatizar processos de orçamentação" e "usar folhas de cálculo e formulário para custos e orçamentação". - Erro comum: confiar cegamente numa folha-modelo sem verificar o resultado com uma conta manual, pelo menos na primeira vez. - Anunciar as fichas e o mini-projeto: aplicar tudo isto a peças e conjuntos novos, incluindo a construção de uma folha de cálculo própria.