Furo Ø25 H7 (ES = +0,021 mm, EI = 0) e veio Ø25 g6 (es = -0,007 mm, ei = -0,020 mm), a ligação de uma coluna-guia com o seu casquilho.
| Nominal | Desvios (mm) | Cota máxima | Cota mínima | IT | |
|---|---|---|---|---|---|
| Furo (casquilho) 25H7 | 25 | ES=+0,021 / EI=0 | 25,021 | 25,000 | 0,021 |
| Veio (coluna) 25g6 | 25 | es=-0,007 / ei=-0,020 | 24,993 | 24,980 | 0,013 |
Cota média do furo:
A ISO 2768-1 define quatro classes de tolerância geral para cotas lineares e angulares, aplicáveis por uma única nota no desenho:
| Intervalo (mm) | f (fina) | m (média) | c (grosseira) | v (muito grosseira) |
|---|---|---|---|---|
| 6 a 30 | ±0,10 | ±0,20 | ±0,50 | ±1,00 |
| 30 a 120 | ±0,15 | ±0,30 | ±0,80 | ±1,50 |
| 120 a 400 | ±0,20 | ±0,50 | ±1,20 | ±2,50 |
Uma cota de 45 mm sem tolerância própria, num desenho com a nota "ISO 2768-m", tem cota máxima 45,30 mm e cota mínima 44,70 mm (classe m, intervalo 30-120: ±0,30 mm).
A ISO 2768-2 cobre as tolerâncias gerais de forma (retitude, planeza), em classes H, K e L.
A ISO 2768 é a norma geral de mecânica, mas cada processo de fabrico tem a sua própria norma, porque a variabilidade natural do processo é diferente:
| Norma | Processo | Aplicação típica em moldes |
|---|---|---|
| ISO 2768 | maquinagem em geral | placas, machos, cavidades maquinados |
| ISO 13920 | construções soldadas | estruturas e bases de molde soldadas |
| ISO 8062 | peças fundidas | blocos ou placas de fundição em bruto |
| ISO 20457 | peças moldadas em plástico | a própria peça produzida pelo molde |
| DIN 16742 | peças moldadas em plástico | alternativa/complemento à ISO 20457 |
A ISO 20457 e a DIN 16742 existem porque o plástico encolhe ao arrefecer, de forma variável consoante a espessura, a orientação das fibras e o próprio molde: por isso as suas classes de tolerância são, em regra, mais largas do que as da mecânica em metal para a mesma dimensão nominal.
A qualidade de fabrico (grau IT, International Tolerance) é um número de 01 a 18 que define a amplitude da tolerância, independentemente da posição do desvio. Quanto menor o número, mais apertada a tolerância.
| Grau IT | Amplitude típica (Ø18-30 mm) | Processos habituais |
|---|---|---|
| IT5-IT7 | 0,009 a 0,021 mm | retificação, mandrilagem fina, brunimento |
| IT7-IT9 | 0,021 a 0,052 mm | torneamento e fresagem de precisão |
| IT9-IT11 | 0,052 a 0,13 mm | torneamento e furação correntes |
| IT11-IT13 | 0,13 a 0,33 mm | laminagem, extrusão, moldação corrente |
| IT13-IT16 | acima de 0,33 mm | fundição em areia, forjamento |
Escolher a qualidade de fabrico é escolher, ao mesmo tempo, quanto custa fazer a peça e que processo a consegue produzir.
Um ajustamento é a relação entre as tolerâncias de um furo e de um veio da mesma cota nominal, destinados a montar um com o outro (ex.: coluna-guia num casquilho).
No sistema de furo normal (o mais usado em mecânica e em moldes), o furo mantém sempre a letra H (EI = 0, tolerância inteiramente positiva a partir do nominal), e é o veio que muda de letra para obter o efeito pretendido. Isto reduz o número de ferramentas de furação/alargamento necessárias na oficina: um único furo H7 serve vários tipos de ajustamento, variando apenas o veio.
A letra do veio define o desvio fundamental, ou seja, a posição da sua tolerância em relação ao nominal:
| Letra do veio | Posição da tolerância | Efeito |
|---|---|---|
| h | tolerância termina exatamente no nominal (es=0) | referência neutra |
| g, f | abaixo do nominal | folga |
| k | ligeiramente acima do nominal, dentro do IT do furo | incerto |
| p, s | acima do nominal | aperto |
Definição usada nesta UC:
Coluna-guia Ø25g6 a deslizar no casquilho-guia Ø25H7 de um molde de injeção. Valores da ISO 286-1 (intervalo 18-30 mm): furo H7 (ES=+0,021, EI=0), veio g6 (es=-0,007, ei=-0,020).
A folga nunca é negativa: ajustamento com folga confirmado. A coluna desliza sempre livre, entre 0,007 e 0,041 mm de jogo.
Um extrator (pino ejetor) Ø25f7 num furo guia Ø25H7 da placa extratora, com folga maior para permitir dilatação térmica e lubrificação. Veio f7 (es=-0,020, ei=-0,041).
Comparando com H7/g6 (0,007 a 0,041 mm), o H7/f7 dá quase o dobro de folga: adequado a peças que trabalham a temperatura mais alta, como os extratores junto à cavidade quente.
Cavilha de centragem Ø25k6 entre duas placas do molde, furo H7. Veio k6 (es=+0,015, ei=+0,002).
Consoante as peças reais que saem da produção, esta cavilha tanto pode entrar com uma folga até 0,019 mm como com um aperto até 0,015 mm: monta-se à mão, com um ligeiro esforço no pior caso, e centra bem as duas placas.
Casquilho-guia Ø25 fixado à pressão na placa, furo H7. Veio p6 (es=+0,035, ei=+0,022) e, para fixação mais exigente, veio s6 (es=+0,048, ei=+0,035).
| Ajustamento | Aperto mínimo | Aperto máximo |
|---|---|---|
| H7/p6 | 25,022-25,021 = 0,001 mm | 25,035-25,000 = 0,035 mm |
| H7/s6 | 25,035-25,021 = 0,014 mm | 25,048-25,000 = 0,048 mm |
O aperto usa-se sempre
A ISO 1101 organiza os símbolos em duas famílias, consoante precisam ou não de uma referência (datum):
| Sem referência (forma) | Com referência (orientação, localização, batimento) |
|---|---|
| Retitude ⏤ | Paralelismo ∥ |
| Planeza ▱ | Perpendicularidade ⊥ |
| Circularidade ○ | Inclinação ∠ |
| Cilindricidade ⌭ | Localização/posição ⌖ |
| Perfil de linha/superfície | Concentricidade/coaxialidade ◎ |
| Simetria ≡ | |
| Batimento circular/total |
As tolerâncias de forma avaliam a peça isolada. As de orientação, localização e batimento só fazem sentido em relação a uma referência, uma superfície ou eixo que serve de base de medição.
Um quadro de tolerância geométrica lê-se sempre da esquerda para a direita:
┌────┬─────────┬───┐
│ ⌖ │ Ø 0,05 │ A │
└────┴─────────┴───┘
Isto lê-se: "o eixo real do furo tem de estar contido numa zona cilíndrica de Ø0,05 mm, centrada na posição teórica definida em relação à referência A".
Uma referência (datum) é um plano, eixo ou ponto teórico, derivado de uma superfície real da peça, que serve de origem para medir orientação, localização ou batimento.
Escolher mal a referência é medir a peça de um jeito que não corresponde a como ela é usada.
O princípio de independência, definido na ISO 8015 e detalhado na ISO 22081, é a regra por omissão de todo o desenho técnico moderno:
Cada tolerância aplica-se de forma independente das restantes, salvo indicação expressa em contrário.
Isto significa que a tolerância dimensional (Bloco 2) e a tolerância geométrica (Bloco 8) de um mesmo elemento não se influenciam mutuamente, a não ser que um modificador (Bloco 11) ligue as duas.
| Sem modificador | Com modificador (Ⓔ, |
|---|---|
| dimensão e forma são controlos separados | dimensão e forma passam a estar ligadas |
| é a regra por omissão | tem de estar escrito no desenho |
A exigência de envolvente, símbolo Ⓔ a seguir à cota, liga a tolerância dimensional à forma: obriga a que a peça real caiba dentro de um invólucro de forma perfeita, do tamanho da cota no seu limite de máxima matéria.
Usa-se em elementos de encaixe crítico, como o furo de um casquilho-guia, quando a montagem não pode falhar por erro de forma escondido dentro da tolerância dimensional.
Quando um símbolo aparece no quadro geométrico junto ao elemento tolerado, a tolerância geométrica cresce à medida que a peça se afasta da máxima matéria (a chamada tolerância adicional, ou "bónus"):
Exemplo: um furo Ø10 (MMC=Ø10,00) com posição Ø0,10 . Se o furo real sai a Ø10,08, a tolerância adicional é
A tolerância projetada, símbolo Ⓟ, desloca a zona de tolerância geométrica para fora da peça, ao longo de uma distância indicada, em vez de a aplicar apenas dentro do furo.
Caso típico em moldes: o furo de uma coluna-guia na placa é curto, mas a coluna projeta-se 40 mm para fora da placa antes de entrar no casquilho da outra placa. Se a tolerância de perpendicularidade fosse aplicada só dentro do furo curto, um pequeno desvio angular ali poderia desviar muito a ponta da coluna 40 mm mais à frente.
⌖ Ø0,02 Ⓟ 40 A
Lê-se: "a zona de tolerância de perpendicularidade de Ø0,02 mm aplica-se ao longo de 40 mm projetados para fora da face, não apenas dentro do furo."
| Modificador | Símbolo | Significado |
|---|---|---|
| Máxima matéria | tolerância adicional conforme a peça se afasta da máxima matéria | |
| Mínima matéria | Ⓛ | tolerância adicional conforme a peça se afasta da mínima matéria |
| Tolerância projetada | Ⓟ | zona de tolerância deslocada para fora da peça |
| Exigência de envolvente | Ⓔ | liga dimensão e forma (só existe do lado ISO) |
Os modificadores , Ⓛ e Ⓟ são praticamente comuns às duas normas, ISO 1101 e ASME Y14.5. A diferença maior está na exigência de envolvente: a norma ISO trata-a como opcional (símbolo Ⓔ, tem de estar escrito), enquanto a norma ASME a aplica por omissão à maioria das cotas de tamanho (a chamada "Regra nº 1"), sem precisar de símbolo.
Quando várias peças se empilham, a cota final do conjunto depende da soma das cotas individuais: é a cadeia de cotas. A última cota, a que fecha a cadeia, chama-se cota de fecho e é sempre uma cota auxiliar, entre parênteses, sem tolerância própria no desenho: ela resulta das outras, não se cota nem se tolera diretamente.
Regra do pior caso, a mais usada neste nível: a tolerância da cota de fecho é a soma das tolerâncias das cotas que compõem a cadeia.
Cotar a mesma medida da peça duas vezes por caminhos diferentes cria uma cadeia sobreposta e uma cota redundante: mede-se a medida real da peça uma única vez, por um só caminho de cotagem.
Três placas empilhadas na direção de fecho, formam a altura de um pacote de molde: Placa A (40 ± 0,10 mm), Placa B (60 ± 0,15 mm), Placa C (25 ± 0,10 mm).
Esta altura total, entre parênteses no desenho de conjunto, tem de ser compatível com o curso de fecho da máquina de injeção. Se a folga de 0,35 mm for excessiva para a máquina, a solução é apertar a tolerância de uma das três placas, não da cota de fecho (que não se pode tolerar diretamente).
| Instrumento | Mede | Resolução típica |
|---|---|---|
| Paquímetro | comprimentos, diâmetros, profundidades | 0,02 a 0,05 mm |
| Micrómetro | diâmetros e espessuras de precisão | 0,01 mm (alguns, 0,001 mm) |
| Comparador (relógio comparador) | variações relativas, batimento, planeza | 0,01 mm, ou menos |
| Calibre passa/não passa | aceitação rápida por limites, sem valor numérico | vai/não vai |
O calibre passa/não passa é o instrumento da produção em série: não dá um número, só confirma se a peça está dentro da tolerância. É mais rápido e mais barato do que medir cada peça com um paquímetro, mas não serve para diagnosticar desvios de processo.
A CMM mede uma peça em três eixos (X, Y, Z), tocando ou digitalizando a superfície com uma sonda, e calcula automaticamente cotas, formas, orientações, localizações e batimentos a partir da nuvem de pontos recolhida.
Trabalhar com instrumentos de precisão e com a CMM implica cuidados próprios, para além dos gerais de oficina:
Rigor na medição começa por rigor no ambiente e no manuseamento.
Próximo: fichas de cálculo de ajustamentos e tolerâncias, e o mini-projeto de toleranciamento de um conjunto de molde.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: tolerância não é "erro admissível", é uma decisão de engenharia ligada à função da peça. - Erro comum: os alunos pensam que "quanto mais apertado, melhor". Mostrar que IT5 custa muito mais do que IT9 sem necessidade. - Exemplo: uma coluna-guia de molde precisa de deslizar sem folga excessiva nem gripar; a tolerância certa resolve os dois problemas ao mesmo tempo.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "sem cota tolerada" não quer dizer "sem tolerância". A norma geral cobre sempre o resto do desenho. - Erro comum: esquecer a nota de toleranciamento geral na legenda do desenho. Sem ela, a peça não tem critério de aceitação. - Pergunta à turma: porque não se tolera cada uma das centenas de cotas de um desenho de molde individualmente? (custo de desenho e de controlo, sem ganho funcional na maioria delas).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: dimensão e forma são dois controlos distintos, por norma independentes. Isto volta com detalhe no bloco 9. - Erro comum: assumir que um veio "dentro da tolerância de diâmetro" é automaticamente reto e cilíndrico. Não é, salvo indicação em contrário. - Exemplo/analogia: medir o diâmetro de um lápis em vários pontos com um paquímetro. Todos podem estar dentro da tolerância e o lápis continuar ligeiramente torto.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: IT é sempre positivo, mesmo quando os dois desvios são negativos (ex.: veio com es=-7, ei=-20; IT=-7-(-20)=13). - Erro comum: trocar ES/EI (maiúsculas, furos) com es/ei (minúsculas, veios). A convenção de maiúscula/minúscula não é decorativa, identifica o tipo de elemento. - Exemplo: um furo Ø25H7 tem ES=+0,021 mm e EI=0. Cota máxima 25,021 mm, cota mínima 25,000 mm, IT=0,021 mm.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os valores de 0,021 mm (IT7) e 0,013 mm (IT6) vêm da tabela da ISO 286-1 para o intervalo 18-30 mm; não se inventam. - Erro comum: somar o desvio à cota mínima em vez de à cota nominal. É sempre a partir do nominal. - Este par furo/veio volta nos blocos 6 e 7 para calcular o ajustamento entre eles.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a classe (f/m/c/v) é escolhida uma vez para todo o desenho, na legenda, e aplica-se só às cotas sem tolerância própria. - Erro comum: aplicar a linha errada da tabela por engano de intervalo. Confirmar sempre em que intervalo cai a cota antes de ler o valor. - Pergunta: uma cota de 15 mm em classe m usa que intervalo? (6 a 30 mm, logo ±0,20 mm, não a linha de 30-120).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: escolher a norma pelo material e processo da peça final, não pela norma "que se conhece melhor". - Erro comum: aplicar ISO 2768 (metal maquinado) a uma peça plástica moldada. O encolhimento do plástico exige margem própria, não a de uma peça maquinada. - Ligação ao curso: quem projeta o molde tem sempre duas peças em mente, o próprio molde (metal, ISO 2768/13920/8062) e a peça que ele produz (plástico, ISO 20457/DIN 16742).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a qualidade de fabrico define só a amplitude (o "tamanho" da tolerância); a posição vem do desvio fundamental (H, h, g, k, p...), tratado no bloco seguinte. - Erro comum: pedir IT6 numa cota que vai ser fundida. Nenhum processo de fundição corrente atinge essa amplitude sem maquinagem posterior. - Pergunta: porque é que a coluna-guia (retificada) leva IT6/IT7 e uma placa de base (fresada corrente) pode levar IT9 ou mais larga? (a função de cada uma exige precisões diferentes).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: no sistema de furo normal, o furo é sempre H; muda-se o veio para obter folga, incerto ou aperto. Existe o sistema simétrico, de veio normal (h fixo no veio), menos usado em moldes. - Erro comum: pensar que "H" significa "sem tolerância". H tem tolerância como qualquer outro, só que toda ela do lado positivo (EI=0). - Exemplo: uma oficina de moldes que furma sempre H7 pode montar colunas g6 (folga), pinos k6 (incerto) ou casquilhos p6 (aperto) no mesmo furo, sem mudar de alargador.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fixar já a definição "folga = furo menos veio" antes dos cálculos, porque troca-la a meio dá sinais errados. - Erro comum: dizer que o ajustamento incerto "tem sempre um pouco de folga e um pouco de aperto" na mesma peça. Não: cada par furo/veio real dá um resultado, folga OU aperto; é o conjunto das combinações possíveis que inclui os dois casos. - Ligar à função: escolher o tipo de ajustamento é escolher se a peça desliza, centra ou fica fixa.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: folga máxima usa a cota MAIS FAVORÁVEL à folga de cada peça (furo grande, veio pequeno); folga mínima usa a menos favorável (furo pequeno, veio grande). É sempre este cruzamento. - Erro comum: usar cota máxima do furo com cota máxima do veio. Não, cruzam-se sempre os extremos opostos. - Exemplo/pergunta: se a folga mínima fosse zero, a coluna ainda deslizaria sempre sem gripar? (não, zero é o limite; abaixo disso já seria aperto nalgumas peças).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: mudar só a letra do veio (g para f), mantendo o mesmo furo H7, muda a folga sem tocar no furo. É a vantagem do sistema de furo normal. - Erro comum: escolher f7 "só porque dá mais folga" sem justificar a função. Cada ajustamento existe por uma razão funcional (aqui, dilatação térmica do extrator). - Pergunta: porque não usar sempre f7 em vez de g6? (mais folga também é mais ruído/desalinhamento; usa-se f7 só onde a função pede).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a mesma fórmula (folga = furo menos veio) dá, aqui, um resultado positivo e outro negativo. É isso que torna o ajustamento "incerto". - Erro comum: concluir que k6 "é sempre um aperto pequeno". Pode ser folga pequena também, depende das cotas reais de cada peça fabricada. - Exemplo: dowel pins de centragem em moldes usam tipicamente H7/k6 ou H7/m6, exatamente por esta razão.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: aperto = veio menos furo = simétrico da folga definida no bloco 5. Nunca inverter a ordem a meio de um exercício. - Erro comum: montar um casquilho p6 ou s6 sem prensa, "à mão". Um aperto de décimas de milímetro em metal não entra sem força ou sem aquecer a placa. - Pergunta: qual dos dois ajustamentos escolher para um casquilho que vai ser substituído com frequência por desgaste? (H7/p6, aperto mais ligeiro, mais fácil de desmontar sem danificar a placa).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: se um símbolo aparece no quadro de tolerância COM uma letra de referência ao lado, é da segunda família; se não tem letra, é de forma. - Erro comum: aplicar perpendicularidade sem indicar a referência. Sem referência, a perpendicularidade em relação a quê não tem significado. - Exemplo: a face de apoio de um postiço leva planeza (forma, sem referência); o furo do casquilho-guia leva perpendicularidade à face de apoio (com referência).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o valor da tolerância geométrica é o diâmetro OU a largura da zona, nunca um "mais ou menos". - Erro comum: ler a tolerância geométrica como se fosse dimensional (±). É sempre uma zona de amplitude total, não um desvio para cada lado a somar. - Exemplo: comparar com o quadro de um furo de coluna-guia real de um desenho de molde, se houver um disponível na sala.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a referência tem de ser a mesma superfície pela qual a peça se apoia ou se monta na realidade, senão a medição não representa a função. - Erro comum: escolher como referência uma face que nunca serve de apoio real à peça, só porque é fácil de medir. - Pergunta: numa placa de molde, que referência faz mais sentido para o furo do casquilho-guia? (a face de encosto na prensa e, se necessário, um segundo furo de centragem).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "independência" é a regra por omissão desde a ISO 8015; antes dela, muitos desenhos assumiam implicitamente a exigência de envolvente (regra de Taylor), o que gerava ambiguidade internacional. - Erro comum: assumir por hábito que uma peça "dentro do diâmetro" está automaticamente dentro da forma. Só está se houver um modificador a ligar as duas. - Ligar ao bloco seguinte: a exigência de envolvente é precisamente a forma de voltar a ligar dimensão e forma, quando é isso que a função exige.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: Ⓔ é uma exceção ao princípio de independência, não a regra. Só se aplica quando escrita explicitamente a seguir à cota. - Erro comum: confundir exigência de envolvente com tolerância geométrica de forma. São coisas diferentes: a envolvente deriva da PRÓPRIA cota dimensional, não é um quadro geométrico à parte. - Exemplo: um furo Ø25H7 Ⓔ garante que, mesmo no seu diâmetro mínimo (25,000), a forma real não ultrapassa o cilindro perfeito de Ø25,021, o limite de máxima matéria do furo.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o "bónus" de tolerância só existe quando o símbolo Ⓜ ou Ⓛ está explicitamente no quadro; sem ele, aplica-se a regra do pior caso (RFS), sem bónus. - Erro comum: aplicar máxima matéria ao veio quando o texto indica o furo, ou vice-versa. Verificar sempre a que elemento a tolerância geométrica se refere. - Ligar à função: MMC usa-se onde importa garantir montagem (furos de fixação com parafuso); LMC usa-se onde importa garantir espessura mínima de parede.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a tolerância projetada corrige exatamente o problema do "efeito alavanca": um pequeno erro angular dentro do furo cresce muito ao longo do comprimento projetado. - Erro comum: esquecer Ⓟ em furos que recebem colunas ou cavilhas compridas. Sem ela, a peça pode passar no controlo do furo e ainda assim não montar. - Pergunta: em que outros casos do dia a dia isto se aplica? (um parafuso comprido também sofre este efeito, daí Ⓟ ser comum em furos roscados de fixação).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: quando um desenho vem de um cliente ou fornecedor estrangeiro, verificar sempre se segue ISO ou ASME, porque a regra por omissão da envolvente muda. - Erro comum: interpretar um desenho ASME com a lógica de independência da ISO 8015. Nesses desenhos, a envolvente já está implícita. - Exemplo: um desenho americano de um molde de exportação pode não ter nenhum Ⓔ escrito e mesmo assim ter a exigência de envolvente ativa, por ser ASME.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a cota de fecho nunca leva tolerância própria; ela é a consequência aritmética das outras cotas da cadeia. - Erro comum: cotar a mesma distância de dois lados diferentes de um desenho "para garantir". Isso cria uma cadeia fechada com duas cotas de fecho, ambiguidade pura. - Exemplo: recapitular a regra de ouro da cotagem, uma medida, uma cota, um único caminho até ao fecho.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: 0,10+0,15+0,10=0,35 é uma soma direta; refazer a conta na aula, sem atalhos, para fixar o método do pior caso. - Erro comum: tentar "apertar" a tolerância da cota de fecho. Não é possível diretamente, porque ela resulta da soma; aperta-se uma das cotas componentes. - Pergunta: qual das três placas compensa mais apertar, a mais crítica ou a mais fácil de fabricar mais precisa? (normalmente a mais barata de apertar, não necessariamente a maior).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: escolher o instrumento certo é ligar a resolução do instrumento à amplitude da tolerância; medir um IT6 com um paquímetro de 0,05 mm não tem sentido. - Erro comum: usar sempre o instrumento "mais preciso disponível" sem necessidade, o que trava a produção sem ganho de qualidade. - Exemplo: numa oficina de moldes, o calibre passa/não passa controla furos de série (casquilhos), o comparador controla o batimento de um veio na rotação.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a CMM não substitui o desenho, ela verifica-o; o programa de medição tem de usar as mesmas referências (datums) do quadro de tolerâncias. - Erro comum: programar a CMM com referências "convenientes para medir" em vez das referências funcionais do desenho. - Ligar às atitudes da UC: operar a CMM exige rigor e sentido de organização, um erro de referência invalida todo o relatório de medição.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a temperatura da sala de metrologia não é um detalhe de conforto, é uma condição de medição válida em tolerâncias apertadas (IT6/IT7). - Erro comum: medir uma peça acabada de sair da máquina, ainda quente, e assumir a cota como definitiva. - Ligar às atitudes do referencial: rigor, autodisciplina e respeito pelas normas aplicam-se tanto ao desenho como à sala de metrologia.