UC02731

Realizar o aprovisionamento e controlo de stocks

Rotação, cobertura, ponto de encomenda, stock de segurança, QEE de Wilson, FIFO/custo médio e inventário

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Vendas e Marketing

Plano

  1. Aprovisionamento e cadeia de abastecimento
  2. Gestão de stocks: conceitos e tipos
  3. Custos associados à gestão de stocks
  4. Indicadores: rotação e cobertura
  5. Ponto de encomenda e stock de segurança
  6. Quantidade económica de encomenda (Wilson)
  7. FIFO, LIFO e custo médio ponderado
  8. Análise ABC
  9. Documentos e encomendas
  10. Armazenagem: receção, conferência e expedição
  11. Inventariação: por produto, por valor e por dias
  12. Sistemas informáticos de gestão de stocks
  13. Segurança, qualidade e ambiente no armazém

Bloco 1 · Aprovisionamento e cadeia de abastecimento

Aprovisionamento: definição e importância

O aprovisionamento é a função que garante que a empresa tem, no momento certo e na quantidade certa, os bens e produtos de que precisa para vender.

  • Inclui planear, encomendar, receber e controlar stocks.
  • Objetivo duplo: nunca faltar o produto (rutura) e não imobilizar capital a mais em stock parado.
  • É uma área central do técnico de vendas e marketing: stock a menos perde vendas; stock a mais custa dinheiro parado.

Um bom aprovisionamento equilibra disponibilidade e custo.

Logística e cadeia de abastecimento

A logística é o conjunto de atividades que planeia, executa e controla o fluxo físico de bens, da origem até ao cliente final. A cadeia de abastecimento (supply chain) é a rede de todos os intervenientes desse fluxo:

Fornecedor de matéria-prima → Fabricante → Distribuidor/armazenista → Retalhista → Cliente final

  • Cada elo depende do anterior: uma rutura no fornecedor propaga-se até à loja.
  • O aprovisionamento é a ponte entre a cadeia de abastecimento externa e o stock interno da empresa.

Bloco 2 · Gestão de stocks: conceitos e tipos

O que é o stock e porque existe

Stock é a quantidade de bens armazenados que aguardam venda, produção ou consumo. Existe por boas razões, não por acaso:

  • Regulação: absorve diferenças entre o ritmo de compra e o ritmo de venda.
  • Segurança: protege contra atrasos de fornecedores ou picos de procura.
  • Especulação: aproveitar um preço baixo ou antecipar uma subida.
  • Sazonalidade: acumular antes de picos previsíveis (Natal, regresso às aulas).

Tipos de stock

Tipo O que é
Matérias-primas usadas na produção
Produtos em curso de fabrico semi-acabados
Produtos acabados prontos para venda
Mercadorias comprados para revenda, sem transformação
Consumíveis material de apoio (embalagens, etiquetas)

No comércio e nos serviços, o stock mais relevante é o de mercadorias e consumíveis.

Bloco 3 · Custos associados à gestão de stocks

Os quatro custos da gestão de stocks

  • Custo de aquisição: o preço pago ao fornecedor pelo produto.
  • Custo de posse/armazenagem: espaço, seguros, mão de obra, obsolescência, capital imobilizado enquanto o produto está parado.
  • Custo de encomenda/lançamento: fixo por cada encomenda feita (administração, transporte, conferência).
  • Custo de rutura: vendas perdidas e clientes insatisfeitos quando o stock falta.

A gestão de stocks procura o equilíbrio entre estes quatro custos, nunca minimizar um só.

Onde aparecem estes custos no dia a dia

  • Aquisição: fatura do fornecedor.
  • Posse: renda do armazém, eletricidade da câmara fria, seguro contra incêndio, juros do capital parado em stock.
  • Encomenda: tempo do funcionário a preparar cada pedido, custo de transporte por entrega.
  • Rutura: desconto dado ao cliente para compensar o atraso, encomenda urgente a um fornecedor alternativo mais caro.

Quantificar estes custos é o primeiro passo para decidir quanto e quando encomendar.

Bloco 4 · Indicadores: rotação e cobertura

Rotação de stocks: quantas vezes o stock se renova

A rotação de stocks mede quantas vezes o stock médio é vendido e reposto num período, normalmente um ano.

Rotação (valor) = Custo das vendas ÷ Stock médio (valor), com Stock médio = (Stock inicial + Stock final) / 2

Exemplo · Papelaria Central, Lda (resma de papel A4)

  • Custo das vendas anual (CMV): 87.600 €
  • Stock inicial: 20.000 € · Stock final: 24.000 €
  • Stock médio = (20.000 + 24.000) / 2 = 22.000 €
  • Rotação = 87.600 / 22.000 = 3,98 ≈ 4 vezes/ano

Cobertura de stocks: para quantos dias chega o stock

A cobertura traduz a rotação em dias de vendas que o stock médio garante.

Cobertura (dias) = 365 ÷ Rotação, equivalente a Stock médio ÷ Consumo médio diário

Exemplo (continuação)

  • Rotação = 3,98 vezes/ano → Cobertura = 365 / 3,98 = 91,7 dias
  • Verificação: consumo médio diário = 87.600 / 365 = 240 €/dia; cobertura = 22.000 / 240 = 91,7 dias

Quanto maior a rotação, menor a cobertura: giram mais depressa, aguentam menos dias parados.

Rotação em valor vs rotação em quantidade

A rotação pode calcular-se em valor (€) ou em quantidade (unidades). Nunca misturar as duas no mesmo cálculo.

Rotação (quantidade) = Quantidade vendida ÷ Stock médio (quantidade)

Neste exemplo, o preço de custo (6,00 €/un) manteve-se constante o ano todo: quantidade vendida anual = 87.600 / 6,00 = 14.600 un; stock médio em quantidade = 22.000 / 6,00 = 3.666,7 un; rotação = 14.600 / 3.666,7 = 3,98, igual à rotação em valor.

Quando o preço de custo varia ao longo do ano, os dois números divergem: o custo médio do que foi vendido pode ser diferente do custo médio do que ficou em stock.

Confundir "rotação" com "valor unitário do produto" é um erro grave: rotação é uma razão (quantas vezes gira), não um preço.

Bloco 5 · Ponto de encomenda e stock de segurança

Ponto de encomenda (ROP)

O ponto de encomenda é o nível de stock que, ao ser atingido, desencadeia uma nova encomenda, para que o produto novo chegue antes de o stock se esgotar.

Ponto de encomenda = (Consumo médio diário × Prazo de entrega) + Stock de segurança

Exemplo · Tinteiros compatíveis

  • Consumo médio diário: 18 unidades · Prazo de entrega do fornecedor: 4 dias
  • Stock de segurança: 48 unidades
  • Ponto de encomenda = (18 × 4) + 48 = 72 + 48 = 120 unidades

Quando o armazém tiver 120 unidades, é a deixa para lançar a encomenda seguinte.

Stock de segurança

O stock de segurança é a reserva extra que protege contra variações no consumo ou no prazo de entrega.

Stock de segurança = (Consumo máximo diário − Consumo médio diário) × Prazo de entrega

Exemplo (continuação)

  • Consumo médio diário: 18 un · Consumo máximo diário observado: 30 un · Prazo de entrega: 4 dias
  • Stock de segurança = (30 − 18) × 4 = 12 × 4 = 48 unidades

Sem esta reserva, um pico de vendas ou um atraso do fornecedor provoca rutura.

Bloco 6 · Quantidade económica de encomenda (Wilson)

O modelo de Wilson (QEE)

O modelo de Wilson calcula a quantidade económica de encomenda (QEE): a quantidade que minimiza a soma do custo de encomenda com o custo de posse.

QEE = √( (2 × D × Cε) ÷ Ca ), com D = procura anual, Cε = custo fixo por encomenda, Ca = custo de posse por unidade e por ano

Exemplo · Papelaria Central, Lda (resma de papel A4)

  • D = 14.600 unidades/ano · Cε = 25 € · Ca = 2 €/un/ano
  • QEE = √((2 × 14.600 × 25) / 2) = √365.000 ≈ 604 unidades

Número de encomendas e verificação do ótimo

A partir da QEE calculam-se o número de encomendas por ano e o intervalo entre elas.

Nº de encomendas/ano = D ÷ QEE · Intervalo entre encomendas = 365 ÷ nº de encomendas

Exemplo (continuação)

  • Nº de encomendas = 14.600 / 604 ≈ 24 encomendas/ano
  • Intervalo = 365 / 24 ≈ 15 dias
  • Verificação: custo de encomenda anual ≈ 24,2 × 25 € = 604 €; custo de posse anual ≈ (604 / 2) × 2 € = 604 €

Os dois custos coincidem: é a assinatura do ponto ótimo de Wilson.

Bloco 7 · FIFO, LIFO e custo médio ponderado

FIFO: primeiro a entrar, primeiro a sair

O método FIFO (First In, First Out) valoriza as saídas pelo custo dos lotes mais antigos primeiro.

Exemplo · Resma de papel A4

Movimento Quantidade Custo unitário Valor
Existência inicial 100 5,00 € 500 €
Compra 1 200 5,50 € 1.100 €
Compra 2 150 6,00 € 900 €
Total disponível 450 2.500 €

Saída de 300 unidades (venda), pela ordem FIFO: 100 un a 5,00 € + 200 un a 5,50 € = 1.600 €. Stock final: 150 un ao custo mais recente (6,00 €) = 900 €. Confirma: 1.600 + 900 = 2.500 € ✓

Custo médio ponderado e LIFO

O custo médio ponderado (CMP) valoriza todas as saídas ao mesmo custo unitário médio: Custo médio unitário = Custo total disponível ÷ Quantidade total disponível

  • CMP = 2.500 / 450 = 5,5556 €/un → Saída de 300 un = 1.666,67 € · Stock final = 150 un = 833,33 €

O LIFO (Last In, First Out) sai pelos lotes mais recentes primeiro: 150 un a 6,00 € + 150 un a 5,50 € = 1.725 €, stock final = 775 €

Método Custo da saída Stock final
FIFO 1.600,00 € 900,00 €
CMP 1.666,67 € 833,33 €
LIFO 1.725,00 € 775,00 €

Em Portugal, o LIFO não é aceite para efeitos fiscais e contabilísticos (SNC).

Bloco 8 · Análise ABC

O princípio da análise ABC (regra de Pareto)

A análise ABC classifica os produtos em stock pelo seu peso no valor total consumido/vendido, para concentrar o esforço de controlo onde mais importa.

  • Classe A: poucos produtos, grande parte do valor. Controlo apertado.
  • Classe B: peso intermédio. Controlo normal.
  • Classe C: muitos produtos, pouco valor cada. Controlo simplificado.

O corte entre classes segue uma regra fixa: a classe A inclui os produtos até a acumulada atingir ou ultrapassar pela primeira vez 80%; a classe B até ultrapassar 95%; o resto é C. A referência popular da "80/20" (20% dos produtos concentram 80% do valor) é só uma ordem de grandeza típica, não a regra de corte em si.

Exemplo de classificação ABC

Produto Valor anual (€) % do total % acumulada Classe
P1 5.000 33,3% 33,3% A
P3 4.500 30,0% 63,3% A
P5 3.000 20,0% 83,3% A
P2 1.200 8,0% 91,3% B
P7 800 5,3% 96,7% B
P4 300 2,0% 98,7% C
P6 150 1,0% 99,7% C
P8 50 0,3% 100,0% C

Total = 15.000 €. Três produtos (37,5% dos artigos) já representam 83,3% do valor: são a classe A.

Bloco 9 · Documentos e encomendas

O ciclo documental de uma encomenda

Cada encomenda gera uma sequência de documentos que dá rastreabilidade a toda a operação:

  1. Nota de encomenda: o pedido formal ao fornecedor (produto, quantidade, prazo, preço).
  2. Guia de remessa / guia de transporte: acompanha a mercadoria durante o transporte.
  3. Fatura: documento fiscal do valor a pagar.
  4. Nota de crédito/débito: corrige a fatura (devoluções, descontos, erros).

Sem estes documentos não há controlo nem prova fiscal da operação.

Realizar a encomenda: procedimento

  • Verificar o stock disponível face ao ponto de encomenda.
  • Confirmar a quantidade (idealmente próxima da QEE) e o fornecedor (preço, prazo, condições).
  • Emitir a nota de encomenda e confirmar a receção pelo fornecedor.
  • Registar a encomenda no sistema informático de gestão de stocks, com data prevista de entrega.
  • Acompanhar o prazo e alertar se se aproximar da rutura.

A qualidade do processo de encomenda é um dos critérios de desempenho desta UC.

Bloco 10 · Armazenagem: receção, conferência e expedição

Tipos de armazenagem

  • Convencional: estantes/paletização, acesso manual ou com empilhador.
  • Em bloco: paletes empilhadas diretamente, para produtos homogéneos.
  • Dinâmica: estantes com rolos, entrada por um lado e saída por outro; aplica FIFO automaticamente.
  • Automatizada: transportadores e robôs, comandados pelo sistema informático.

A escolha depende do volume, do tipo de produto e da rotação de cada referência.

Receção e conferência de mercadorias

  1. Descarga e verificação do estado da embalagem.
  2. Conferência quantitativa: contar e comparar com a guia de remessa e a nota de encomenda.
  3. Conferência qualitativa: verificar danos, validade e conformidade com a encomenda.
  4. Registo de entrada no sistema informático, que atualiza o stock.
  5. Arrumação no local definido (por referência, lote ou zona).

Qualquer divergência regista-se de imediato e comunica-se ao fornecedor.

Expedição de mercadorias

  1. Picking: recolher os produtos da encomenda do cliente.
  2. Conferência de saída: confirmar que o que sai corresponde ao pedido.
  3. Embalamento adequado ao transporte.
  4. Emissão da guia de remessa/transporte.
  5. Registo de saída no sistema, que atualiza o stock.
  6. Carregamento e expedição para o transportador.

Um erro de expedição é um cliente insatisfeito e um custo de devolução.

Bloco 11 · Inventariação: por produto, por valor e por dias

O que é inventariar

Inventariar é contar fisicamente o stock existente e comparar com o registado no sistema, para confirmar ou corrigir os valores.

  • Inventário permanente: o sistema atualiza o stock a cada movimento; contagens físicas parciais e frequentes confirmam-no.
  • Inventário periódico/intermitente: contagem completa numa data fixa (por exemplo, fim do ano).

Diferenças entre o stock contado e o stock no sistema chamam-se quebras (furto, erro de registo, deterioração).

Inventariar por produto, por valor e por dias

O critério de desempenho desta UC pede a inventariação por categorias diferentes:

  • Por produto: contagem unidade a unidade, referência a referência (a base de qualquer inventário).
  • Por valor: agrupar por classe ABC, dando mais frequência de contagem à classe A.
  • Por dias: agrupar por cobertura restante (dias de stock), sinalizando primeiro o que está prestes a esgotar ou parado há muito tempo.

Estas três lentes sobre o mesmo stock dão prioridades de ação diferentes ao mesmo inventário.

Documentos de inventariação

Cada contagem física apoia-se em documentos próprios, distintos dos documentos da encomenda (bloco 9):

  • Folha de contagem: regista a quantidade contada de cada referência; o rigor máximo é a contagem cega, sem mostrar a quantidade do sistema a quem conta.
  • Mapa/relatório de inventário: cruza a quantidade contada com a do sistema e apura a diferença (quebra ou sobra), já valorizada.
  • Ficha de stock (ou ficha de armazém): histórico permanente de entradas, saídas, existências e valor de cada produto.
  • Mapa de regularização de quebras: justifica o ajuste feito ao stock do sistema depois do inventário, com a causa de cada quebra.

Bloco 12 · Sistemas informáticos de gestão de stocks

O que fazem estes sistemas

Um sistema de gestão de stocks (WMS/ERP) regista em tempo real cada movimento e calcula automaticamente os indicadores:

  • Atualiza o stock a cada entrada/saída (receção, picking).
  • Calcula rotação, cobertura e ponto de encomenda, e alerta quando este se aproxima.
  • Gera relatórios para a análise ABC e para o inventário.
  • Integra com a faturação e com o sistema de vendas (POS/e-commerce).

Sem sistema informático, todo este capítulo teria de ser feito à mão, com erro humano constante.

Boas práticas no uso do sistema

  • Registar tudo em tempo real: cada entrada e saída, sem atrasos.
  • Códigos de barras/QR para reduzir erros de introdução manual.
  • Acessos por perfil: nem todos podem alterar stocks livremente.
  • Auditorias periódicas entre o sistema e a contagem física.
  • Cópias de segurança dos dados do sistema.

Um sistema mal alimentado dá indicadores errados, e leva a decisões de aprovisionamento erradas.

Bloco 13 · Segurança, qualidade e ambiente no armazém

Segurança e saúde no trabalho no armazém

O armazém tem riscos próprios: quedas de altura, esmagamento, queda de cargas, acidentes com empilhadores.

  • EPI (Equipamento de Proteção Individual): calçado de biqueira de aço, luvas, colete de alta visibilidade, capacete quando aplicável.
  • Procedimentos: empilhamento seguro, corredores desimpedidos, sinalização das zonas de risco.
  • Formação para operar equipamentos de movimentação (empilhador, porta-paletes).

Cumprir estas normas é uma das atitudes avaliadas nesta UC.

Normas de qualidade e proteção ambiental

  • Controlo da qualidade no aprovisionamento: verificar a conformidade de cada receção com as especificações contratadas.
  • Normas da qualidade (por exemplo, ISO 9001): procedimentos documentados e repetíveis.
  • Proteção ambiental: gestão de embalagens e resíduos, separação para reciclagem, eficiência energética do armazém.
  • Documentos de boas práticas orientam o comportamento diário de toda a equipa.

Qualidade e ambiente não são extras: fazem parte do critério de desempenho da função.

Recapitulando

  • O aprovisionamento garante disponibilidade ao menor custo possível; a cadeia de abastecimento liga fornecedor a cliente.
  • Rotação e cobertura medem a velocidade do stock; nunca misturar valor com quantidade.
  • Ponto de encomenda e stock de segurança evitam ruturas; a QEE de Wilson minimiza o custo total.
  • FIFO, LIFO e custo médio ponderado valorizam as saídas de formas diferentes; só o FIFO e o CMP são aceites em Portugal.
  • Análise ABC prioriza o controlo; inventariar por produto, por valor e por dias dá visão completa do stock.

Próximo: fichas e mini-projecto, calcular indicadores reais de aprovisionamento e stocks.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o equilíbrio entre rutura e excesso é o fio condutor de toda a UC. - erro comum: achar que "mais stock é sempre melhor" para nunca faltar nada. - exemplo/analogia: uma loja que perde uma venda de Natal por rutura, contra um armazém cheio de artigos fora de moda.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a cadeia é interligada: um atraso num elo afeta todos os seguintes. - erro comum: confundir logística com "só transporte"; é planeamento, execução e controlo. - exemplo/analogia: um componente eletrónico que atrasa numa fábrica na Ásia atrasa a entrega numa loja em Portugal meses depois.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que stock parado tem custo, mesmo sendo necessário; o objetivo é o nível certo, não zero stock. - erro comum: tratar stock como puro desperdício, ignorando as funções que cumpre. - exemplo/analogia: uma papelaria que acumula material escolar em agosto, antes do pico de setembro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o técnico de vendas e marketing trabalha sobretudo com mercadorias e consumíveis. - erro comum: confundir matéria-prima (transformada) com mercadoria (revendida tal e qual). - exemplo/analogia: uma loja de roupa só tem mercadorias e consumíveis (sacos, etiquetas, cabides), nunca matérias-primas.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que minimizar só o custo de posse costuma aumentar o custo de rutura, e vice-versa. - erro comum: achar que o único custo do stock é o preço de compra ao fornecedor. - exemplo/analogia: perguntar à turma se algum já perdeu uma venda por o produto estar esgotado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação direta com o modelo de Wilson do bloco 6, que soma estes custos. - erro comum: ignorar o custo de rutura por não aparecer destacado na contabilidade. - exemplo/analogia: um cliente que muda definitivamente de fornecedor depois de uma rutura mal gerida.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a fórmula exige unidades coerentes: valor com valor, quantidade com quantidade. - erro comum: dividir o custo das vendas pelo stock final em vez do stock médio. - exemplo/analogia: uma rotação de 4 significa que o stock "dá a volta" completa 4 vezes por ano.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a relação inversa entre rotação e cobertura; uma confirma a outra. - erro comum: achar que uma cobertura alta é sempre boa (pode ser stock parado a mais). - exemplo/analogia: perguntar qual seria a cobertura se a rotação fosse 12 (resposta: cerca de 30 dias).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que esta é a distinção mais confundida pelos alunos nesta UC. - erro comum: usar quantidade numa parte da fórmula e valor noutra, sem perceber. - exemplo/analogia: remeter para o exercício resolvido da ficha 01, onde os dois valores divergem por causa de uma subida de preço a meio do ano.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o ponto de encomenda é sobre o NÍVEL de stock atingido, não sobre uma data do calendário. - erro comum: só encomendar quando o stock chega a zero, provocando rutura. - exemplo/analogia: e se o prazo de entrega do fornecedor subir para 7 dias, sem mexer no resto? (o ponto de encomenda sobe).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o stock de segurança cobre o "pior caso razoável", não um risco infinito. - erro comum: pôr o stock de segurança a zero só para poupar custo de posse. - exemplo/analogia: o que acontece se o fornecedor atrasar 2 dias e não houver stock de segurança nenhum?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a fórmula equilibra dois custos que puxam em sentidos opostos. - erro comum: trocar Cε (custo por encomenda) com Ca (custo de posse por unidade) na fórmula. - exemplo/analogia: o que acontece à QEE se o custo de encomenda descer, por exemplo com encomendas automatizadas online? (a QEE também desce).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar esta verificação cruzada como forma prática de detetar erros de cálculo. - erro comum: esquecer que o stock médio entre encomendas é QEE/2, e não a QEE inteira. - exemplo/analogia: perguntar porque é que o stock médio é metade da QEE (o stock varia da QEE até zero entre encomendas consecutivas).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a soma (saída + stock final) tem sempre de bater certo com o total disponível. - erro comum: não esgotar completamente um lote antes de passar ao seguinte. - exemplo/analogia: com preços a subir, o FIFO dá sempre o custo de saída mais baixo dos três métodos, porque usa primeiro os preços antigos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que, com preços a subir, o LIFO dá o custo de saída mais alto e o stock final mais baixo dos três. - erro comum: usar o LIFO como se fosse aceite na contabilidade oficial portuguesa. - exemplo/analogia: perguntar o que mudaria nesta ordem se os preços tivessem descido ao longo do tempo em vez de subido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a ABC prioriza esforço de gestão; não significa deixar de vender os produtos C. - erro comum: achar que produtos C não interessam à empresa e devem ser descontinuados sem mais análise. - exemplo/analogia: numa livraria, os bestsellers são tipicamente classe A ou C? (classe A).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o método: ordenar por valor decrescente, acumular percentagens, depois cortar em classes. - erro comum: ordenar os produtos por quantidade vendida em vez de por valor. - exemplo/analogia: pedir à turma para classificar um 9.º produto novo, com 200 € de valor anual.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ordem: encomenda → transporte → fatura → eventual correção. - erro comum: aceitar mercadoria sem conferir a guia de remessa. - exemplo/analogia: o que fazer se a guia de remessa não bater certo com a mercadoria realmente recebida?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o encadeamento direto com os blocos anteriores (ponto de encomenda e QEE). - erro comum: encomendar "de cabeça", sem confirmar o stock atual no sistema. - exemplo/analogia: simular com a turma o preenchimento de uma nota de encomenda real.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que produtos de alta rotação (classe A) beneficiam de acesso fácil e rápido. - erro comum: guardar todos os produtos da mesma forma, ignorando volume e rotação. - exemplo/analogia: que tipo de armazenagem convém a um produto perecível? (dinâmica, porque força o FIFO).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a conferência é a última linha de defesa contra erros do fornecedor. - erro comum: arrumar a mercadoria antes de a conferir por completo. - exemplo/analogia: chegou uma palete com 2 caixas a menos do que a guia de remessa indica; o que se faz?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o picking incorreto é a maior fonte de erros na expedição. - erro comum: expedir sem atualizar o sistema, gerando descoordenação entre o stock físico e o informático. - exemplo/analogia: como se deteta uma discrepância entre o stock físico e o stock no sistema? (com o inventário).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a maioria das empresas usa os dois tipos de inventário em conjunto. - erro comum: só inventariar uma vez por ano e não conseguir explicar onde surgiu a quebra. - exemplo/analogia: uma loja com 3% de quebra anual, é normal? (varia por setor, mas exige sempre investigação).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que são três formas de olhar para o mesmo stock, não três inventários separados. - erro comum: tratar todos os produtos com a mesma frequência de contagem física. - exemplo/analogia: um produto A com 5 dias de cobertura é mais urgente do que um produto C com 5 dias de cobertura? (sim, o impacto financeiro é maior).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a ficha de stock é o mesmo documento que o sistema informático (bloco 12) mantém automaticamente. - erro comum: confundir a folha de contagem (o registo da contagem física) com a ficha de stock (o histórico de movimentos). - exemplo/analogia: mostrar a ficha de stock da sebenta (capítulo 11) como modelo a preencher no mini-projecto.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o sistema apoia a decisão, não a substitui. - erro comum: confiar cegamente no stock do sistema sem confirmar com contagem física. - exemplo/analogia: perguntar à turma que alertas gostariam de receber automaticamente do sistema.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ideia de "lixo a entrar, lixo a sair" aplicada aos dados de stock. - erro comum: atrasar o registo de movimentos "para mais tarde", desatualizando os indicadores. - exemplo/analogia: o que acontece ao ponto de encomenda se o consumo médio diário estiver desatualizado no sistema?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o uso de EPI não é opcional: é obrigação legal e de segurança. - erro comum: empilhar acima do limite de segurança só para poupar espaço. - exemplo/analogia: quem já viu um empilhador a trabalhar sem ninguém a usar colete de alta visibilidade por perto?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação entre qualidade na receção e menos devoluções e reclamações. - erro comum: tratar a qualidade como uma auditoria pontual, separada da rotina diária. - exemplo/analogia: que resíduos de embalagem produz um armazém, e como se separam para reciclagem?