UC02695

Analisar os principais mapas financeiros da empresa

Balanço, demonstração de resultados, rácios e rendibilidade para o relatório económico-financeiro

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Comércio

Plano

  1. Documentos contabilísticos e o SNC
  2. O balanço e o balanço de gestão
  3. Balanços sucessivos
  4. Fundo de maneio e equilíbrio financeiro
  5. Liquidez
  6. Autonomia financeira e solvabilidade
  7. Demonstração de resultados e saldos intermédios de gestão
  8. Cash-flow, autofinanciamento e análise económica
  9. Rendibilidade e a árvore do capital próprio
  10. Orçamentos e análise de desvios
  11. A demonstração dos fluxos de caixa
  12. O relatório económico-financeiro e as normas

Bloco 1 · Documentos contabilísticos e o SNC

Os três mapas financeiros

Em Portugal, a contabilidade segue o Sistema de Normalização Contabilística (SNC). Três documentos resumem a saúde de qualquer empresa:

  • Balanço: o que a empresa tem e deve, numa data.
  • Demonstração de resultados: o que ganhou e gastou, num período.
  • Demonstração dos fluxos de caixa (DFC): de onde veio e para onde foi o dinheiro.

Uma empresa pode ter lucro e ficar sem caixa. Os três têm de se ler em conjunto.

Porque isto importa a um técnico de comércio

  • Decisões diárias (prazo a um fornecedor, desconto a um cliente) dependem de ler estes mapas.
  • Manter os programas informáticos de regularização contabilística atualizados é critério de desempenho da UC.
  • O objetivo final é participar na elaboração do relatório económico-financeiro da empresa.

Sem dados atualizados, qualquer rácio calculado hoje reflete uma realidade que já não existe.

Bloco 2 · O balanço e o balanço de gestão

A equação fundamental

ATIVO = CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO

Esta igualdade nunca falha. É a primeira verificação de qualquer balanço, antes de qualquer rácio.

Massa Conteúdo
Ativo não corrente ativos fixos, intangíveis; mais de 1 ano
Ativo corrente inventários, clientes, caixa; até 1 ano
Capital próprio capital social, reservas, resultado do período
Passivo não corrente financiamentos a médio-longo prazo
Passivo corrente fornecedores, financiamentos a curto prazo

Balanço de gestão e representação gráfica

O balanço de gestão reorganiza as massas por liquidez (ativo) e exigibilidade (capital próprio e passivo):

ATIVO                    CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO
Ativo não corrente        Capital próprio
Ativo corrente            Passivo não corrente
                           Passivo corrente

Balanço social não é o balanço financeiro: é um relatório sobre emprego e condições de trabalho, obrigatório para empresas com 100+ trabalhadores.

Bloco 3 · Balanços sucessivos

Comparar para analisar

Um balanço isolado diz pouco. Compara-se com balanços sucessivos, de três formas complementares:

  1. Valores absolutos: Ano N − Ano N-1.
  2. Percentagens: variação relativa, comparável entre rubricas diferentes.
  3. Números-índice e gráficos: Ano N-1 = base 100.

A empresa fio condutor desta UC: Comercial Vidigal, Lda., grossista de papelaria.

O balanço da Comercial Vidigal, Lda. (€)

Rubrica Ano N-1 Ano N
Ativo não corrente 190 000 218 000
Inventários 95 000 110 000
Clientes 120 000 140 000
Estado e outros entes públicos 5 000 6 000
Caixa 40 000 17 000
Total Ativo 450 000 491 000
Capital próprio 225 000 253 000
Passivo não corrente 100 000 90 000
Passivo corrente 125 000 148 000
CP + Passivo 450 000 491 000

O balanço equilibra nos dois anos: 450 000 = 450 000 e 491 000 = 491 000.

Bloco 4 · Fundo de maneio e equilíbrio financeiro

Fundo de maneio líquido (FM)

Duas fórmulas equivalentes:

FM = Ativo corrente − Passivo corrente

FM = Capitais permanentes − Ativo não corrente

  • FM > 0: equilíbrio financeiro a curto prazo cumprido.
  • FM ≤ 0: desequilíbrio, ativo não corrente financiado por dívida de curto prazo.

Exemplo resolvido: FM da Comercial Vidigal

Ano N-1: FM = 260 000 − 125 000 = 135 000 €
         FM = (225 000+100 000) − 190 000 = 135 000 €

Ano N:   FM = 273 000 − 148 000 = 125 000 €
         FM = (253 000+90 000) − 218 000 = 125 000 €

Positivo nos dois anos: equilíbrio financeiro a curto prazo garantido. A ligeira descida (-10 000 €) acompanha o reembolso de financiamento de médio-longo prazo.

Equilíbrio financeiro a médio e longo prazo

Cobertura do ativo não corrente = Capitais permanentes / Ativo não corrente

Regra: ≥ 1 é o equilíbrio financeiro mínimo a médio e longo prazo; < 1 significa ativo não corrente financiado por dívida de curto prazo.

Ano N-1: 325 000/190 000 = 1,71     Ano N: 343 000/218 000 = 1,57

Acima de 1 nos dois anos: equilíbrio garantido, com folga a diminuir, coerente com o reembolso de dívida já visto no FM.

Bloco 5 · Liquidez

Os três rácios de liquidez

Rácio Fórmula Regra
Geral AC / PC <1 risco · 1-1,5 apertada · ≥1,5 confortável
Reduzida (AC−Inventários) / PC <1 depende de vender stock · ≥1 não depende
Imediata Caixa / PC sem referência fixa; lê-se a tendência

AC = Ativo corrente; PC = Passivo corrente.

Exemplo resolvido: liquidez da Comercial Vidigal

Geral    N-1: 260 000/125 000 = 2,08   N: 273 000/148 000 = 1,84
Reduzida N-1: 165 000/125 000 = 1,32   N: 163 000/148 000 = 1,10
Imediata N-1: 40 000/125 000  = 0,32   N: 17 000/148 000  = 0,11

A geral e a reduzida mantêm-se em zona confortável/aceitável, mas a imediata cai a pique, refletindo a quebra de caixa já vista no Bloco 3.

Bloco 6 · Autonomia financeira e solvabilidade

Quem financia a empresa

Rácio Fórmula Regra
Autonomia financeira Capital próprio / Ativo total <33% dependência elevada · 33-50% razoável · ≥50% sólida
Solvabilidade Capital próprio / Passivo total <1 risco para credores · ≥1 posição sólida

Passivo total = Passivo não corrente + Passivo corrente.

Exemplo resolvido: autonomia e solvabilidade

Autonomia financeira
N-1: 225 000/450 000 = 50,0%     N: 253 000/491 000 = 51,5%

Solvabilidade (Passivo total = PNC+PC)
N-1: 225 000/225 000 = 1,00      N: 253 000/238 000 = 1,06

Os dois melhoraram ligeiramente: a empresa financia-se cada vez mais com capitais próprios, menos com dívida.

Bloco 7 · Demonstração de resultados e saldos intermédios de gestão

Saldos intermédios de gestão (SIG)

Saldo Cálculo Mede
Margem bruta Vendas − CMVMC ganho direto na venda
EBITDA Margem bruta + outros rend. − FSE − Pessoal − outros gastos resultado da atividade
EBIT EBITDA − Depreciações e amortizações resultado operacional
RAI EBIT + Juros obtidos − Juros suportados antes de impostos
Resultado líquido RAI − IRC o que sobra para os sócios

CMVMC = Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas; FSE = Fornecimentos e Serviços Externos.

Exemplo resolvido: a demonstração de resultados

Rubrica Ano N-1 Ano N
Vendas 820 000 900 000
CMVMC -580 000 -630 000
Margem bruta 240 000 (29,3%) 270 000 (30,0%)
FSE + Pessoal (líquido de outros) -187 000 -202 000
EBITDA 53 000 68 000
Depreciações -16 000 -20 000
EBIT 37 000 48 000
Juros (líquido) -5 000 -5 000
RAI 32 000 43 000
IRC -7 000 -5 000
Resultado líquido 25 000 38 000

O resultado líquido bate com o capital próprio do balanço: verificação obrigatória.

Bloco 8 · Cash-flow, autofinanciamento e análise económica

Cash-flow e autofinanciamento

Cash-flow = Resultado líquido + Depreciações e amortizações

Autofinanciamento = Cash-flow − Dividendos distribuídos

Ano N: Cash-flow = 38 000 + 20 000 = 58 000 €
       Autofinanciamento = 58 000 − 10 000 (dividendos) = 48 000 €

Dos 38 000 € de lucro, a empresa gerou 58 000 € de meios financeiros e reteve 48 000 €.

Custos fixos, variáveis e mistos

  • Variáveis: acompanham as vendas. Ex.: CMVMC.
  • Fixos: estáveis dentro de certos limites. Ex.: pessoal administrativo, rendas.
  • Mistos: parte fixa, parte variável. Ex.: FSE (renda fixa + transporte variável).

Esta separação é a base do ponto crítico das vendas: o volume a partir do qual a margem cobre os custos fixos.

Bloco 9 · Rendibilidade e a árvore do capital próprio

Os três rácios de rendibilidade

Rácio Fórmula Mede
Rendibilidade das vendas Resultado líquido / Vendas lucro por euro vendido
ROA Resultado líquido / Ativo total uso do ativo total
ROE Resultado líquido / Capital próprio retorno para os sócios

Sem valor de referência universal: compara-se com anos anteriores e com o setor.

A árvore da rendibilidade do capital próprio

ROE = Rendibilidade das vendas × Rotação do ativo × Alavanca financeira

Rotação do ativo = Vendas / Ativo; Alavanca financeira = Ativo / Capital próprio.

Ano N-1: 3,0% × 1,82 × 2,00 = 11,1%
Ano N:   4,2% × 1,83 × 1,94 = 15,0%

A melhoria veio sobretudo da rendibilidade das vendas; a rotação manteve-se estável e a alavanca até desceu.

Bloco 10 · Orçamentos e análise de desvios

A sequência orçamental

Orçamento de vendas
   → Orçamento de compras
      → Orçamento de gastos operacionais
         → Orçamento de tesouraria
            → Demonstrações financeiras previsionais

O orçamento de vendas é sempre o primeiro: condiciona todos os seguintes.

Análise de desvios

Desvio absoluto = Real − Orçado · Desvio percentual = Desvio absoluto / Orçado

Regra de classificação:

  • Rendimentos (vendas): real acima do orçado é favorável.
  • Gastos (CMVMC, FSE, pessoal): real acima do orçado é desfavorável.
Vendas: orçado 860 000, real 900 000 → +40 000 (+4,7%) FAVORÁVEL
CMVMC:  orçado 610 000, real 630 000 → +20 000 (+3,3%) DESFAVORÁVEL

Bloco 11 · A demonstração dos fluxos de caixa

As três atividades da DFC

Atividade Contém
Operacionais recebimentos e pagamentos da atividade corrente
Investimento compra e venda de ativos fixos
Financiamento novos empréstimos, reembolsos, dividendos pagos

O modelo oficial do SNC (NCRF 2) é o método direto, com rubricas como "Recebimentos de clientes" e "Pagamentos a fornecedores". O método indireto, que parte do resultado líquido, não é o modelo do SNC: é uma reconciliação usada como ferramenta de análise, porque liga o balanço, a demonstração de resultados e a caixa.

Exemplo resolvido: a DFC da Vidigal no modelo direto (SNC)

RECEBIMENTOS DE CLIENTES                     880 000
PAGAMENTOS A FORNECEDORES                   -630 000
PAGAMENTOS AO PESSOAL                       -110 000
PAGAMENTOS DE FSE                            -95 000
OUTROS RECEBIMENTOS/PAGAMENTOS OPERACIONAIS    5 000
= CAIXA GERADA PELAS OPERAÇÕES                50 000
Juros pagos (líquido)                         -5 000
Pagamento de Imposto sobre o Rendimento       -5 000
= FLUXO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS           40 000

INVESTIMENTO: Aquisição de ativos fixos tangíveis = -48 000
FINANCIAMENTO: Reembolso -10 000, novo financ. +5 000, dividendos -10 000 = -15 000

VARIAÇÃO DE CAIXA = 40 000 − 48 000 − 15 000 = -23 000

Mesmo total do método indireto (40 000 €): o direto mostra a origem de cada euro, o indireto só liga ao resultado líquido.

Exemplo resolvido: a reconciliação indireta explica a queda de caixa

OPERACIONAIS: 38 000 (RL) +20 000 (deprec.) −15 000 (inv.) −20 000 (cli.)
              +15 000 (forn.) + outras variações menores = 40 000

INVESTIMENTO: Aquisição de ativos fixos tangíveis = -48 000

FINANCIAMENTO: Reembolso -10 000, novo financ. +5 000, dividendos -10 000 = -15 000

VARIAÇÃO DE CAIXA = 40 000 − 48 000 − 15 000 = -23 000
Caixa: 40 000 → 17 000  ✓ bate com o balanço

A queda não é alarme: é o resultado de investir, reembolsar dívida e pagar dividendos, mais do que a atividade gerou. Esta reconciliação não é o modelo do SNC (visto no slide anterior), mas é a ferramenta de análise mais usada para ligar o resultado líquido à caixa.

Bloco 12 · O relatório económico-financeiro e as normas

Estrutura do relatório económico-financeiro

  1. Sumário executivo: as conclusões mais importantes, em poucas linhas.
  2. Contexto: período, empresa, fontes.
  3. Análise por bloco: estrutura, equilíbrio financeiro, rendibilidade, fluxos de caixa.
  4. Comparação com o orçamento: desvios e a sua causa.
  5. Conclusões e recomendações: sempre apoiadas em números já calculados.

Cada afirmação apoia-se num número; nunca se conclui o que os dados não sustentam.

Segurança, saúde no trabalho e qualidade

  • Segurança e saúde: postura correta ao ecrã, pausas regulares, posto de trabalho organizado; confidencialidade dos dados financeiros como segurança da informação.
  • Qualidade: verificar sempre que o balanço equilibra e que o resultado líquido bate entre documentos, documentar as fontes, e pedir revisão de um colega antes de entregar.

Rigor e respeito pelas normas são atitudes avaliadas nesta UC.

Recapitulando

  • Balanço: Ativo = Capital Próprio + Passivo; sempre verificar o equilíbrio primeiro.
  • Fundo de maneio e liquidez (geral, reduzida, imediata): equilíbrio a curto prazo.
  • Autonomia financeira e solvabilidade: quem financia a empresa.
  • Demonstração de resultados e SIG: margem bruta → EBITDA → EBIT → RAI → resultado líquido.
  • Rendibilidade e a árvore do capital próprio (ROE = margem × rotação × alavanca).
  • Orçamentos e desvios, demonstração dos fluxos de caixa, e o relatório económico-financeiro.

Próximo: fichas de trabalho e o mini-projeto, com uma empresa nova para analisar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: lucro contabilístico não é o mesmo que dinheiro em caixa; é o fio condutor de toda a UC. - Erro comum: os alunos tratam o balanço como "o documento da contabilidade" e ignoram os outros dois. - Pergunta: porque é que um cliente que não paga a tempo pode causar problemas mesmo com vendas altas?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à atitude "responsabilidade": quem lança dados desatualizados compromete a análise de outra pessoa. - Exemplo/analogia: analisar um balanço desatualizado é como navegar com um mapa de há um ano. - Anunciar o exemplo fio condutor: a Comercial Vidigal, Lda., que atravessa toda a UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: se Ativo ≠ Capital Próprio + Passivo, há um erro de lançamento antes de mais nada. - Erro comum: confundir "não corrente" com "não importante". É só o horizonte temporal (mais de 1 ano). - Exemplo: pedir à turma para classificar 5 rubricas do dia a dia de uma loja em cada massa.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar as duas colunas em espelho no quadro e pedir à turma para preencher com o exemplo da aula anterior. - Erro comum: confundir balanço social com o balanço financeiro só porque partilham o nome. - Perguntar: porque faz sentido ordenar o ativo do mais líquido ao menos líquido?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: percentagem é o que permite comparar uma rubrica de 5 000€ com uma de 500 000€. - Erro comum: só olhar ao valor absoluto e concluir "cresceu muito" sem relativizar à base. - Anunciar que todos os exemplos seguintes usam a mesma empresa, para ver a análise completa a funcionar.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma somar as massas ao vivo e confirmar a igualdade, antes de qualquer rácio. - Destacar a queda da caixa (40 000 → 17 000): será explicada só no Bloco 11, com a DFC. Criar expectativa. - Erro comum: esquecer de verificar o equilíbrio antes de avançar para os rácios.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as duas fórmulas partem da mesma equação do balanço, por isso dão sempre o mesmo valor. - Erro comum: trocar os termos e calcular Passivo corrente − Ativo corrente, invertendo o sinal e a conclusão. - Analogia: o FM é a "almofada" que absorve um atraso de cobrança sem a empresa deixar de pagar a tempo.

NOTAS DO PROFESSOR - Confirmar com a turma que as duas fórmulas dão o mesmo número nos dois anos. - Erro comum: ver o FM descer e concluir logo "a empresa piorou", sem olhar à causa (reembolso de dívida). - Pergunta: o que aconteceria ao FM se a empresa pedisse mais um empréstimo de médio prazo?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: complementa o FM, isolado ao horizonte de longo prazo; os capitais permanentes já foram calculados no FM, é só reaproveitar. - Erro comum: usar só o capital próprio no numerador, esquecendo de somar o passivo não corrente. - Pergunta: se este rácio descer de 1,71 para 1,57 mas continuar acima de 1, a empresa está em desequilíbrio? (não, ainda está coberta.)

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre geral e reduzida: a reduzida tira os inventários, a parte menos líquida do AC. - Erro comum: aplicar o limiar de 1,5 à liquidez reduzida também. Cada rácio tem a sua regra. - Perguntar: porque não há um valor de referência fixo para a liquidez imediata?

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo passo a passo no quadro, incluindo o numerador (AC − Inventários = 165 000 e 163 000). - Erro comum: usar o Ativo corrente total na liquidez reduzida, esquecendo de subtrair os inventários. - Ligar à conclusão: este é o primeiro sinal de alerta do relatório, a explicar mais tarde com a DFC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: estes dois rácios olham para quem financia a empresa, não para a capacidade de pagar já (isso é liquidez). - Erro comum: confundir autonomia financeira com liquidez. Uma empresa pode ser sólida e pouco líquida. - Exemplo: um banco olha primeiro para a solvabilidade antes de conceder um novo crédito.

NOTAS DO PROFESSOR - Contraste com o bloco anterior: a liquidez imediata piorou, mas a estrutura de financiamento melhorou. São dimensões diferentes. - Erro comum: somar só o passivo corrente na solvabilidade, esquecendo o não corrente. - Perguntar: uma empresa pode ter autonomia financeira alta e liquidez imediata baixa ao mesmo tempo? (sim, este exemplo).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a ordem: cada saldo intermédio "descasca" uma camada de gastos, sempre na mesma sequência. - Erro comum: trocar EBITDA com EBIT, esquecendo que a diferença são as depreciações e amortizações. - Exemplo: pedir à turma para identificar 3 rubricas de FSE numa loja (renda, eletricidade, seguros).

NOTAS DO PROFESSOR - Insistir na verificação cruzada: o resultado líquido da DR tem de ser o mesmo valor que consta do balanço. - Erro comum: aceitar dois documentos com resultados líquidos diferentes sem investigar o porquê. - Pergunta: a margem bruta em percentagem melhorou de 29,3% para 30,0%. O que pode explicar isto? - Nota de rigor: o IRC apresentado (7 000 € e 5 000 €) é ilustrativo, não a aplicação direta da taxa portuguesa de IRC (21%, ou 17% até 25 000 € de matéria coletável para PME); explica-se por benefícios fiscais ou prejuízos reportados de anos anteriores, fora do âmbito desta UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as depreciações somam-se de volta porque são um gasto contabilístico, não uma saída de dinheiro. - Erro comum: esquecer de subtrair os dividendos e confundir cash-flow com autofinanciamento. - Ligar aos 10 000 € de dividendos com o aumento de reservas e resultados transitados visto no Bloco 3.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: classificar todos os FSE como fixos. Pedir exemplos de FSE que variam com a atividade (transporte, comissões). - Exemplo: numa loja, o que acontece à renda se as vendas duplicarem? E ao CMVMC? - Não é preciso calcular o ponto crítico nesta UC, só reconhecer a lógica; aprofunda-se noutra UC de gestão.

NOTAS DO PROFESSOR - Contrastar com liquidez e solvabilidade, que têm limiares fixos. Rendibilidade compara-se, não se classifica sozinha. - Erro comum: usar o Ativo médio em vez do Ativo total do balanço nesta UC (fica para UCs mais avançadas). - Exemplo: duas lojas com o mesmo lucro mas ativos muito diferentes têm ROA muito diferente.

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o slide mais importante do bloco: mostra PORQUE o ROE mudou, não só que mudou. - Erro comum: multiplicar os três fatores sem confirmar que o resultado bate com o ROE calculado diretamente. - Pergunta: se a alavanca financeira tivesse subido em vez de descer, a leitura seria mais ou menos tranquilizadora?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a dependência em cadeia: sem previsão de vendas não há como estimar compras nem tesouraria. - Erro comum: começar pelo orçamento de gastos "porque é mais fácil de estimar". A ordem lógica importa. - Perguntar: porque é que o orçamento de tesouraria precisa de estar mês a mês, e não só um total anual?

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: classificar qualquer desvio positivo como favorável, ignorando se é rendimento ou gasto. - Exemplo: a margem bruta em % melhorou mesmo com o desvio desfavorável do CMVMC; ligar ao Bloco 7. - Exercício rápido: dado um desvio de pessoal (gasto) acima do orçado, a turma classifica sem ajuda.

NOTAS DO PROFESSOR - Recordar o "gancho" deixado no Bloco 3: agora explica-se a queda de caixa de 40 000 € para 17 000 €. - Erro comum: pensar que "a DFC" é só o método indireto. O modelo do SNC é o direto; o indireto é um extra de análise. - Exemplo/analogia: a DR e o balanço são fotografias; a DFC é o vídeo do que aconteceu ao dinheiro.

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o modelo que o SNC exige: recebimentos e pagamentos por categoria, não ajustamentos ao resultado líquido. - Erro comum: pensar que o método direto e o indireto dão totais diferentes. Dão sempre o mesmo total, só muda a forma de o mostrar. - Ligar à origem dos números: recebimentos de clientes = vendas menos o aumento de clientes (900 000 − 20 000 = 880 000); a mesma lógica dá cada linha.

NOTAS DO PROFESSOR - Pormenor de rigor: compra de ativos fixos = aumento líquido no balanço (30 000) + depreciação do período (18 000) = 48 000. - Erro comum: usar o aumento líquido do balanço (30 000) como se fosse o valor da compra. Falta somar a depreciação. - Fechar o ciclo: esta é a explicação que faltava desde o Bloco 3 e o Bloco 5 (liquidez imediata em queda).

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: começar o relatório pelos números em bruto em vez do sumário executivo com as conclusões. - Exemplo: reler o excerto de relatório da sebenta e identificar a que bloco de análise cada frase pertence. - Rigor: um relatório com uma conclusão que os números não sustentam é pior do que não ter relatório.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às atitudes do referencial: rigor, responsabilidade, conduta ética, cooperação com a equipa. - Erro comum: tratar estas normas como "extra" desligado do trabalho técnico. Fazem parte da avaliação. - Fechar a aula pedindo a cada aluno uma verificação de qualidade que aplicaria ao seu próprio relatório.