UC02692

Controlar os stocks em loja e armazém

Receção, armazenagem, inventário, expedição e quebras, com os indicadores certos

Curso profissional · 50h · Técnico de Comércio

Plano

  1. Aprovisionamento, gestão de stocks e logística
  2. Indicadores: rotação, cobertura e stock de segurança
  3. Software de gestão de stocks
  4. Classificação ABC dos stocks
  5. Custos de stocks e orçamentação (incl. transporte)
  6. A função compras
  7. Gestão das encomendas
  8. O armazém: conceito, organização e equipamentos
  9. Receção, conferência e armazenagem
  10. Valorização de stocks: FIFO e custo médio
  11. Colaborar no inventário
  12. Expedição e devoluções
  13. Quebras: conceito, origem e causas
  14. Prevenção e gestão das quebras
  15. Segurança, acessos e EPI
  16. Arrumação, FIFO físico, sinalização e normas transversais

Bloco 1 · Aprovisionamento, gestão de stocks e logística

Porque é que a gestão de stocks importa

O aprovisionamento garante a mercadoria certa, na quantidade certa, no momento certo. Sem ele não há o que vender, não há o que entregar.

  • Ter stock a mais imobiliza capital e aumenta o risco de quebra.
  • Ter stock a menos gera rutura e vendas perdidas.
  • A gestão de stocks existe para equilibrar estes dois custos.
  • A logística é o fluxo físico e de informação do fornecedor ao cliente final; um atraso na origem propaga-se até à prateleira.

Tipos de gestão de stocks

Tipo O que trata
Gestão material fluxo físico: receção, arrumação, movimentação, contagem
Gestão administrativa registo documental: fichas, guias, encomendas, inventário
Gestão económica custos, valorização do stock, rentabilidade

Numa ferragem: a gestão material é arrumar os parafusos; a administrativa é dar entrada no sistema; a económica é saber quanto vale esse stock.

Bloco 2 · Indicadores: rotação, cobertura e stock de segurança

Rotação de stocks

A rotação mede quantas vezes o stock médio se renova num período.

Rotação = Vendas do período / Stock médio do mesmo período
Stock médio = (Stock inicial + Stock final) / 2

Exemplo: stock inicial 820 (início do ano), stock final 640 (final do ano) → stock médio anual = (820+640)/2 = 730. Vendas anuais = 7 300 unidades. Rotação anual = 7 300 / 730 = 10 rotações/ano.

Quanto maior a rotação, mais depressa o stock vira vendas.

Cobertura e stock de segurança

Cobertura = quantos dias o stock atual chega:

Cobertura (dias) = Dias do período / Rotação do período

Usa-se 365 se a rotação for anual, 30 se for mensal. Com rotação anual 10: cobertura = 365/10 = 36,5 dias.

Ponto de encomenda:

Ponto de encomenda = (Consumo médio diário × Prazo de entrega) + Stock de segurança

Exemplo: consumo 40 un/dia, prazo 6 dias, segurança 60 un → (40×6)+60 = 300 unidades.

Bloco 3 · Software de gestão de stocks

Ficha de artigo e mapas do sistema

Os indicadores do Bloco 2 só existem porque o software de gestão de stocks os calcula a partir dos movimentos registados.

  • Ficha de artigo · referência, fornecedor, prazo, localização, stock atual e histórico de movimentos.
  • Mapas do sistema: existências, rotação por artigo, artigos abaixo do ponto de encomenda, mapa de quebras.
  • Código de barras + terminal de recolha de dados (TRD): leitura em vez de escrita manual, menos erro em cada operação.
Artigo Stock atual Ponto de encomenda Situação
Ref. A1 180 300 Abaixo, encomendar
Ref. B2 40 60 Abaixo, encomendar
Ref. C1 500 120 Acima, ok

Bloco 4 · Classificação ABC dos stocks

A regra de corte

A análise ABC classifica artigos pelo valor anual movimentado, ordenado do maior para o menor, por percentagem acumulada:

  • Classe A · até 80% acumulados.
  • Classe B · de 80% até 95% acumulados.
  • Classe C · de 95% até 100%.

O corte é sempre pela percentagem acumulada, nunca pelo número de artigos.

Exemplo resolvido de classificação ABC

Artigo Valor anual % acumulada Classe
Ref. A1 42 000 € 42,00% A
Ref. A2 28 000 € 70,00% A
Ref. B1 12 000 € 82,00% B
Ref. B2 8 000 € 90,00% B
Ref. B3 5 000 € 95,00% B
Ref. C1-C3 5 000 € 100,00% C

2 artigos em 8 são classe A, mas valem 70% do total: é aí que o controlo compensa mais.

Bloco 5 · Custos de stocks e orçamentação

Os dois grandes grupos de custo

  • Custo de encomenda · o que custa cada ato de encomendar (processamento, transporte, receção).
  • Custo de posse · o que custa manter o stock parado (espaço, seguro, capital investido).
Custo encomenda anual = Custo por encomenda × N.º de encomendas
Custo de posse anual  = Taxa de posse × Custo unitário × Stock médio

Exemplo: 12 encomendas/ano a 25 € = 300 €. Taxa de posse 20%, artigo a 10 €, stock médio 500 un → 0,20×10×500 = 1 000 €. Total = 1 300 €/ano.

Orçamento previsional de custos de transporte

Custo fixo por expedição + custo variável (peso, volume ou distância, por escalões da transportadora).

Peso volumétrico = (Compr. × Larg. × Alt., cm) / 5000
Peso taxável = maior valor entre peso real e peso volumétrico

Exemplo: 4 caixas de 50×40×30 cm, 4 kg/caixa (16 kg reais). Peso volumétrico = 4×(50×40×30/5000) = 48 kg. Peso taxável = 48 kg (escalão 20-50 kg = 22 €). Custo fixo 8 € → total = 30 €. Para 200 unidades: 0,15 €/unidade.

Bloco 6 · A função compras

Estrutura, responsabilidades e planeamento

A função compras evoluiu de tarefa reativa a função estratégica, com peso direto na margem.

  • Identificação das necessidades · cruzar stock, vendas e indicadores.
  • Ciclo de compra e venda · o tempo entre comprar e vender.
  • Métodos de compra · pontual, programada, contrato-quadro.

Numa loja pequena, o técnico de comércio acumula estas responsabilidades.

Selecionar fornecedores

  1. Pesquisa de fornecedores (feiras, catálogos, plataformas B2B).
  2. Aspetos críticos: preço, prazo, qualidade, condições de pagamento.
  3. Critérios de seleção, ponderados conforme a prioridade da empresa.
  4. Avaliação contínua, mesmo depois de escolhido.

Boa prática: manter mais do que um fornecedor para os artigos classe A.

Bloco 7 · Gestão das encomendas

Encomenda articulada com o stock

A encomenda nasce dos indicadores (ponto de encomenda, rotação), não do impulso.

  • Organização da base de dados · ficha por artigo: fornecedor, prazo, quantidade mínima.
  • Escolha do sortido · que variedade de artigos compõe a oferta.
  • Comunicação com fornecedores · hoje sobretudo por plataformas eletrónicas (EDI, portais B2B).

Exemplo: um caderno atinge o ponto de encomenda (300 un) → o sistema alerta → encomenda-se via portal do fornecedor, referindo o código e a quantidade a repor.

Bloco 8 · O armazém: conceito, organização e equipamentos

Organização do espaço, mercadoria e documentos

O armazém separa claramente:

  • Zonas · receção, armazenagem, picking, expedição, quarentena.
  • Mercadoria · arrumada por família, rotação ou validade.
  • Documentos · guias, faturas, fichas de receção e inventário.

Um armazém desorganizado multiplica o tempo de picking e a probabilidade de erro.

Equipamentos de armazenagem

Grupo Exemplos
Apoio à operação compactador de resíduos, máquina de filmar paletes, monta-cargas
Movimentação porta-paletes, stacker, empilhador frontal e retrátil, order picker
Automação máquina de preparação, transpalete, porta-paletes elétrico

Cada equipamento exige formação e, nalguns casos, certificação específica.

Bloco 9 · Receção, conferência e armazenagem

Procedimento de receção

  1. Confirmar a encomenda em aberto.
  2. Conferir a guia de remessa contra o que chega.
  3. Contar e inspecionar: danos, validade, conformidade.
  4. Registar discrepâncias e comunicar ao fornecedor.
  5. Dar entrada no sistema.
  6. Arrumar no local definido.

Exemplo: chegam 500 garrafas, 4 com a tampa danificada → entram 496 unidades vendáveis, regista-se a não conformidade das 4.

Quando e como encomendar

  • Quando: definido pelo ponto de encomenda e pela rotação (Bloco 2).
  • Como: método (pontual, programada, contrato-quadro) e canal acordado.
  • O controlo de entradas e saídas mantém o stock do sistema fiel à realidade.

Sem este controlo rigoroso, todos os indicadores de stocks perdem fiabilidade.

Bloco 10 · Valorização de stocks: FIFO e custo médio

FIFO vs custo médio ponderado (CMP)

  • FIFO · consomem-se primeiro as unidades mais antigas.
  • CMP · todas as unidades valem o mesmo, a média ponderada das entradas.
CMP = Valor total em stock / Quantidade total em stock

Movimentos: 100un@5,00€ + 200un@5,50€ + 200un@6,00€ = 500 un, 2 800 €. CMP = 2 800/500 = 5,60 €/un.

Exemplo resolvido: 350 unidades saem do stock

Pelo CMP: saídas = 350×5,60€ = 1 960 €. Stock final = 150×5,60€ = 840 €. Soma = 2 800 € ✓.

Pelo FIFO: consome-se 100un@5,00€ + 200un@5,50€ + 50un@6,00€ = 500+1 100+300 = 1 900 € de saídas. Stock final = 150un@6,00€ = 900 €. Soma = 2 800 € ✓.

Os dois batem no total; diferem em como repartem entre saídas e stock final.

Bloco 11 · Colaborar no inventário

Tipos de inventário

  • Inventário geral · conta-se tudo, normalmente uma vez por ano.
  • Inventário rotativo (cíclico) · conta-se uma parte com regularidade (ex.: artigos classe A todos os meses).

É uma das quatro realizações centrais desta UC: colaborar no inventário de produtos, seguindo sempre o plano estabelecido pela empresa.

Exemplo resolvido: apurar diferenças

Artigo Sistema Contado Diferença Valor do ajuste
Ref. 101 200 196 −4 −12,00 €
Ref. 102 150 150 0 0,00 €
Ref. 103 80 85 +5 +60,00 €
Ref. 104 300 291 −9 −13,50 €

Ajuste total = +34,50 €. Sobras não são "lucro automático": investigar antes de aceitar.

Bloco 12 · Expedição e devoluções

Procedimento de expedição

  1. Picking · recolher os artigos da encomenda.
  2. Conferência · evitar erros de expedição.
  3. Embalagem e acondicionamento.
  4. Guia de transporte e atualização do stock.
  5. Carregamento e despacho.

Um erro de expedição gera custo duplo: transporte da devolução e transporte da correção.

Devoluções de clientes

  • Confirmar o motivo e o estado do artigo.
  • Decidir o destino: repor em stock vendável, quarentena, devolver ao fornecedor ou abater.
  • Devoluções mal geridas escondem quebra real e distorcem o stock.

Bloco 13 · Quebras: conceito, origem e causas

Quebra conhecida e desconhecida

Quebra é a diferença entre o stock do sistema e o stock real.

  • Conhecida · já identificada e documentada.
  • Desconhecida · aparece só na diferença de inventário, sem causa registada.

Exemplo: stock sistema 18 500, contado 17 930 → quebra total = 570. Conhecida = 340. Desconhecida = 570−340 = 230 unidades. Valor ≈ 570×2,50€ = 1 425 € (0,285% das vendas anuais).

Causas extraordinárias e operacionais

Extraordinárias (grande impacto, seguráveis): incêndios, danos por água, derrocadas, tempestades, roubos, vandalismo.

Operacionais (dia a dia): validade ultrapassada, quedas acidentais, mau acondicionamento, deficiente registo de localização, furtos, erros de expedição, devoluções mal tratadas.

Bloco 14 · Prevenção e gestão das quebras

Procedimentos de diminuição

  • Relacionamento com fornecedores, embalagens mais resistentes.
  • Conhecimento do produto e da procura.
  • Adequação de unidades e embalagens ao canal de venda.
  • Controlo das operações e controlo aleatório de roubos.

Tratar as quebras segundo a política interna é um critério de desempenho desta UC.

Objetivos, avaliação e monitorização

  1. Definir objetivos de quebra e metodologias para os atingir.
  2. Implementar sistemas de avaliação e de melhoria.
  3. Monitorizar constantemente e corrigir sem esperar pelo inventário seguinte.

Exemplo: meta de reduzir a quebra desconhecida em 30%; medidas: câmaras, dupla conferência, auditoria mensal a 10% dos artigos classe A.

Bloco 15 · Segurança, acessos e EPI

Sistemas de segurança e controlo de acessos

  • Delimitação de zonas de circulação · corredores para peões e para equipamentos.
  • Locais de acesso restrito · zonas de valor elevado ou produtos perigosos.
  • Controlo automático de acessos · cartões, códigos, biometria.

Manusear os equipamentos respeitando os princípios de segurança é critério de desempenho central.

EPI e normas de segurança

  • EPI de armazém: calçado de proteção, luvas, colete de alta visibilidade, capacete.
  • Normas de segurança e saúde no trabalho, com formação obrigatória para equipamentos.
  • Manutenção periódica de equipamentos de movimentação e de proteção.

Bloco 16 · Arrumação, FIFO físico, sinalização e normas transversais

Arrumação, manuseamento e acondicionamento

  • Localização e slotting: artigos classe A mais perto do picking.
  • Percurso de arrumação: minimizar distância e cruzamentos.
  • Manuseamento e embalamento adequados a cada tipo de produto.
  • Acondicionamento da carga: peso distribuído, pesado na base, carga imobilizada.

FIFO físico e FEFO

  • FIFO contabilístico (Bloco 10) · método de valorização, um cálculo em euros.
  • FIFO físico · prática de arrumação: o mais antigo à frente, para sair primeiro no picking.
  • FEFO (First Expired, First Out) · sai primeiro o que tem a validade mais próxima, não o que entrou primeiro.

Podem coexistir: valorizar por custo médio ponderado e, ainda assim, arrumar por FIFO físico ou FEFO.

Sinalização, resíduos, ambiente e qualidade

  • Sinalização de circulação, risco e emergência.
  • Normas de gestão de resíduos (separação, sistema do "Ponto Verde").
  • Normas de proteção ambiental e normas da qualidade (ex.: alinhamento com a ISO 9001).

Estas normas atravessam todos os blocos anteriores: não são um capítulo à parte.

Recapitulando

  • Indicadores (rotação, cobertura, ponto de encomenda, ABC) dizem quando e quanto encomendar, e o software de gestão de stocks traduz isso em mapas e relatórios.
  • Compras, encomendas e orçamento de transporte articulam-se com esses indicadores, nunca por impulso.
  • Receção, armazenagem, valorização (FIFO/CMP) e inventário mantêm o stock físico e financeiro corretos; o FIFO físico e o FEFO mantêm-no fisicamente correto na prateleira.
  • Expedição e devoluções fecham o ciclo até ao cliente e de volta.
  • Quebras exigem prevenção contínua; segurança e normas atravessam todo o processo.

Próximo: fichas e mini-projeto, controlar stocks de uma loja real.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: gerir stocks é um equilíbrio entre dois custos opostos, nunca "quanto mais melhor". - Erro comum: pensar que ter muito stock é sempre bom sinal. É capital parado e risco de quebra. - Exemplo: um atraso de um fornecedor asiático a chegar a uma loja em Portugal, semanas depois.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma exemplos das três dimensões na loja onde já tenham feito estágio ou trabalhado. - Erro comum: confundir gestão administrativa com gestão económica; a primeira é registo, a segunda é dinheiro. - Ligar a gestão económica ao capítulo dos custos de stocks, mais à frente.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo passo a passo no quadro: primeiro o stock médio, só depois a rotação. - Erro comum: usar o stock final em vez do stock médio, distorce o indicador em artigos sazonais. - Perguntar: um artigo com rotação 1 (renova-se só uma vez por ano), é bom ou mau sinal? Depende do setor.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "utilizar o sistema para retirar relatórios de indicadores". - Erro comum: esquecer o stock de segurança e calcular o ponto de encomenda só com consumo×prazo. - Exercício rápido: se o prazo do fornecedor duplicasse, o que acontece ao ponto de encomenda? (duplica a parte do consumo×prazo).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às aptidões "utilizar as funcionalidades do sistema" e "analisar mapas retirados do software de gestão de stocks". - Erro comum: achar que os indicadores "aparecem sozinhos". Vêm sempre de dados bem registados na ficha de artigo. - Perguntar: qual destes mapas consultarias primeiro para decidir o que encomendar hoje? (o mapa de artigos abaixo do ponto de encomenda).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a regra de corte: 80/95, sempre sobre o acumulado, nunca sobre a contagem de artigos. - Erro comum: achar que classe A tem sempre "poucos artigos". Pode ser 1 artigo ou 20, depende só do acumulado. - Analogia: é a mesma lógica da regra 80/20 de Pareto, aplicada ao valor do stock.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer notar o salto de 70% (A2) para 82% (B1): a fronteira dos 80% cai entre os dois, não em cima de nenhum. - Erro comum: classificar o artigo que "fecha os 82%" como A porque está perto de 80%. Não; passou o corte, é B. - Ligar à política de controlo: A = contagem frequente, C = controlo simples.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o trade-off: encomendar mais vezes baixa o stock médio (menos custo de posse) mas sobe o custo de encomenda. - Erro comum: esquecer a taxa de posse e comparar só o preço de compra do artigo. - Pergunta: se a empresa passasse de 12 para 24 encomendas/ano, o que acontece a cada custo? (encomenda sobe, posse desce, se o stock médio baixar).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à aptidão "elaborar orçamentos previsionais de custos de transportes de mercadorias". - Erro comum: orçamentar só pelo peso real, ignorando o peso volumétrico em cargas leves e volumosas. - Fazer o cálculo passo a passo: primeiro o peso volumétrico por caixa, depois o total, só depois comparar com o peso real.

NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor compra reativa ("encomendar o que falta") a compra estratégica (baseada em indicadores). - Erro comum: tratar a função compras como puramente administrativa. Tem impacto direto na margem. - Perguntar: qual método de compra usarias para um artigo classe A com procura estável? (contrato-quadro).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que o mais barato nem sempre é o escolhido, se o prazo ou a qualidade forem críticos. - Erro comum: parar a avaliação depois de escolher o fornecedor. É um processo contínuo. - Exemplo: um fornecedor mais caro mas com entrega garantida em 24h pode compensar para um artigo classe A.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao capítulo anterior: o ponto de encomenda é o gatilho, a gestão de encomendas é a execução. - Erro comum: encomendar por telefone sem registo, o que multiplica erros face a um canal estruturado. - Perguntar: porque é que o sortido não deve ser "o máximo de artigos possível"? (espaço e capital limitados).

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma para desenhar, em traços largos, as zonas de um armazém que conheçam. - Erro comum: não ter zona de quarentena, misturando produto com problema com o vendável. - Ligar à atitude "sentido de organização" do referencial.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar imagens ou vídeo curto de cada tipo de equipamento, muitos alunos nunca os viram. - Erro comum: usar um empilhador sem formação. É risco de acidente grave e infração à lei. - Perguntar: que equipamento usarias num corredor muito estreito? (empilhador retrátil ou tridirecional).

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o critério de desempenho central: "aplicar os procedimentos de receção e conferência". - Erro comum: dar entrada em stock antes de confirmar as quantidades e o estado da mercadoria. - Insistir na ordem: primeiro confere-se, só depois se arruma e se dá entrada no sistema.

NOTAS DO PROFESSOR - Fechar o ciclo aberto no Bloco 2: os indicadores só funcionam se as entradas/saídas forem bem registadas. - Erro comum: atrasar o registo de entradas "para mais tarde", criando um desfasamento entre sistema e realidade. - Perguntar: o que acontece ao ponto de encomenda se o registo de entradas atrasar sistematicamente? (dispara tarde, risco de rutura).

NOTAS DO PROFESSOR - Escrever a tabela de movimentos no quadro antes de calcular, para a turma ver a origem dos números. - Erro comum: dividir o valor total pelo número de entradas (3) em vez de pela quantidade total (500 unidades). - Sublinhar: os dois métodos partem sempre do mesmo valor total disponível.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer os dois cálculos lado a lado no quadro, para a turma ver a diferença de repartição. - Erro comum: aplicar o FIFO só ao preço da última entrada, esquecendo consumir os lotes anteriores primeiro. - Perguntar: em época de preços a subir, qual método dá um stock final mais valorizado? (FIFO, aproxima-se do custo mais recente).

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: porque é que os artigos classe A merecem inventário rotativo mais frequente? (maior valor, maior risco financeiro). - Erro comum: achar que o inventário geral "chega" e dispensar contagens ao longo do ano. - Ligar à atitude "responsabilidade": contar bem é uma responsabilidade individual com impacto coletivo.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma calcular cada linha antes de mostrar o total, é aritmética simples mas treina o raciocínio. - Erro comum: tratar uma sobra de inventário como ganho puro, sem investigar erro de registo anterior. - Ligar ao Bloco 13: as faltas de inventário entram no cálculo da quebra total.

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o segundo critério de desempenho central: "expedir os produtos". - Erro comum: saltar a conferência final antes de fechar a caixa, é o ponto de controlo mais barato do processo. - Perguntar: quem confere, deve ser a mesma pessoa que fez o picking? (idealmente não, dupla verificação reduz erro).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que uma devolução aceite sem inspeção pode voltar a stock vendável sem estar em condições. - Erro comum: repor automaticamente qualquer devolução no stock, sem verificar o estado do produto. - Ligar ao Bloco 13: devoluções mal tratadas são uma das causas operacionais de quebra.

NOTAS DO PROFESSOR - A quebra desconhecida é a que mais preocupa a gestão, porque pode esconder furto ou erro de processo. - Erro comum: assumir que toda a quebra é roubo. A maioria tem causas operacionais banais. - Fazer o cálculo da percentagem no quadro, comparando com uma referência do setor.

NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor as duas categorias: raras e cobertas por seguro vs frequentes e evitáveis com processo. - Erro comum: dar mais atenção às causas extraordinárias (mais visíveis) do que às operacionais (mais frequentes). - Pergunta: qual das duas categorias é mais fácil de reduzir com procedimentos internos? (a operacional).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que prevenção é sistemática, não uma reação a um incidente isolado. - Erro comum: só agir depois de uma quebra grande, em vez de manter controlo contínuo. - Ligar cada procedimento a uma causa concreta do Bloco 13.

NOTAS DO PROFESSOR - Este ciclo é o mesmo de qualquer sistema de melhoria contínua: definir, medir, corrigir. - Erro comum: definir um objetivo sem metodologia concreta para o atingir. - Perguntar: porque focar a auditoria nos artigos classe A? (maior valor, maior impacto financeiro do erro).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar o controlo de acessos à investigação de quebra desconhecida do Bloco 13. - Erro comum: achar que sinalização e delimitação são "decoração". Previnem atropelamentos reais. - Mostrar exemplo de corredor mal delimitado vs bem delimitado, se possível com fotos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a maioria dos acidentes graves envolve equipamentos de movimentação e falta de EPI. - Erro comum: usar EPI só quando "há fiscalização". Tem de ser rotina, não exceção. - Ligar à atitude "responsabilidade pelas suas ações" do referencial.

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo prático: numa loja de eletrodomésticos, os artigos classe A ficam perto da expedição. - Erro comum: arrumar por ordem de chegada em vez de por rotação, aumenta o percurso de picking. - Ligar de volta à classificação ABC do Bloco 4: a localização física devia seguir a classe do artigo.

NOTAS DO PROFESSOR - Este é o erro comum mais citado na sebenta: confundir o FIFO de valorização com o FIFO de arrumação física. - Erro comum: achar que FEFO e FIFO físico são a mesma coisa. FEFO olha à validade, FIFO físico olha à ordem de entrada. - Perguntar: um lote que chegou depois mas tem validade mais curta, sai primeiro em FIFO físico ou em FEFO? (em FEFO).

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que qualidade, ambiente e segurança não são "extra", são o mesmo rigor aplicado a frentes diferentes. - Erro comum: tratar a separação de resíduos como irrelevante para o "trabalho a sério" do armazém. - Fazer a ponte para as fichas e o mini-projeto: aplicar tudo isto a um caso concreto.