Dois lineares do mesmo corredor, no mesmo mês:
| Linear | Comprimento | Vendas | PVP unitário | Custo unitário |
|---|---|---|---|---|
| A · Charcutaria | 2,80 m | 3.920 € | 4,00 € | 2,60 € |
| B · Conservas | 5,00 m | 4.500 € |
Rendimento em valor:
Rendimento em margem do linear A: margem unitária = 4,00 − 2,60 = 1,40 € (35% do PVP); unidades vendidas = 3 920 / 4,00 = 980; margem total = 980 × 1,40 = 1 372 €; rendimento em margem = 1 372 / 2,80 ≈ 490 €/m.
Conclusão: apesar de vendas absolutas semelhantes, a charcutaria rende quase o dobro por metro. Justifica-se reforçar o espaço A e rever o espaço de B, sempre dentro do que o plano de merchandising permitir.
Repor é garantir que o linear se mantém completo, correto e apresentável ao longo do dia, à medida que os produtos são vendidos.
Um linear bem reposto é invisível ao cliente: ele só nota quando falha.
A rotação de stock mede quantas vezes o stock médio é vendido e substituído num período.
Exemplo: uma peixaria vende em média 240 kg de peixe fresco por semana e mantém um stock médio de 30 kg em exposição, por ser um produto muito perecível.
O stock roda cerca de 8 vezes por semana, ou seja, mais de uma vez por dia. Uma rotação alta é desejável em produtos perecíveis: significa produto sempre fresco e menos risco de quebra. Uma rotação muito baixa é sinal de excesso de stock ou de fraca procura.
Quebra é a diferença entre o stock que devia existir, segundo o sistema informático, e o stock que realmente existe na loja.
Cada unidade perdida por quebra é uma venda que nunca vai acontecer.
Um talho apurou no sistema informático um stock de 800 kg de carne no fim do mês. A contagem física registou 764 kg.
Sabendo que o custo médio é de 6,50 €/kg:
\text{Valor da quebra} = 36 \times 6{,}50 = 234{,}00\ €
O talho perdeu 234,00 € por diferenças entre o stock contabilístico e o stock físico. Este valor entra no relatório de quebra e é analisado para identificar a causa.
Duas regras de rotação de stock usadas na reposição:
| Sigla | Significado | Critério de saída |
|---|---|---|
| FIFO | First In, First Out | sai primeiro o que entrou primeiro no armazém |
| FEFO | First Expired, First Out | sai primeiro o que expira primeiro, independentemente de quando entrou |
Trocar FIFO por FEFO em produtos perecíveis é uma das causas mais comuns de quebra.
Num armazém de loja há três lotes do mesmo iogurte:
| Lote | Quantidade | Validade |
|---|---|---|
| C | 25 unidades | 05/09 |
| D | 90 unidades | 15/09 |
| E | 45 unidades | 25/09 |
É preciso repor 100 unidades na prateleira. Aplicando o FEFO (sai primeiro o que expira primeiro):
Resultado: 25 (C) + 75 (D) = 100 unidades repostas, sempre pela ordem de validade.
A embalagem protege o produto, mas também comunica e vende, especialmente quando é a própria embalagem que fica exposta no linear.
A embalagem é a última superfície de comunicação antes da decisão de compra.
Colocar sinalética correta é um dos critérios de desempenho desta UC.
Uma etiqueta errada anula todo o trabalho de exposição feito até ali.
Os principais meios de promoção usados dentro da loja:
A escolha do meio depende do produto, do público-alvo e do calendário promocional do plano de merchandising.
Cada estratégia deve ser escolhida em função dos fatores críticos de promoção do produto: público-alvo, margem, prazo de validade e objetivo do plano.
O sistema informático de gestão comercial é a base de dados que liga stock, preços, encomendas e vendas.
Um técnico de comércio que domina o sistema informático toma decisões com dados, não só por intuição.
O retalho tem vindo a integrar novos equipamentos tecnológicos como apoio à exposição e à experiência de compra:
Integrar estes equipamentos exige planeamento: devem reforçar a experiência, não complicar a compra.
Sempre que a exposição envolve produtos alimentares, aplicam-se normas específicas de segurança e qualidade alimentar:
A segurança alimentar não é negociável: um erro aqui é um risco direto para a saúde do cliente.
Ao expor e repor produtos, o técnico de comércio segue sempre as normas de segurança e saúde no trabalho da empresa e a legislação aplicável.
Cumprir estas normas protege o técnico, os colegas e os clientes.
Esta UC junta três competências que se reforçam mutuamente:
Tudo isto assente em dados do sistema informático, no rigor das normas de segurança e qualidade, e no sentido de organização exigido pelo referencial.
A seguir: fichas de trabalho e o mini-projeto, para aplicar planograma, rendimento do linear, rotação, quebra e FEFO num caso real.
Próximo: fichas e projeto, planear e repor uma secção real de loja.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que esta UC parte de planos já definidos pela empresa: o técnico aplica-os, não inventa a estratégia do zero. - Erro comum: confundir promoção comercial (comunicar e estimular a venda) com promoção de carreira ou desconto isolado. - Exemplo: uma campanha de televisão que vende um iogurte só resulta se, na loja, o iogurte estiver bem exposto e reposto.
NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma: já compraram algo que não estava na lista, só por estar bem exposto? Recolher exemplos. - Erro comum: achar que o trabalho de exposição é só "arrumar". É uma ferramenta de vendas. - Ligar às atitudes do referencial: sentido de organização e responsabilidade pelo espaço que se gere.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a distinção publicidade (fora da loja) versus merchandising (dentro da loja); são complementares. - Erro comum: reduzir merchandising a "decoração". Inclui também dados, rotação e rendibilidade por metro. - Exemplo/analogia: merchandising é um vendedor silencioso, que trabalha 24 horas por dia sem falar.
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, um exemplo simplificado real de plano de merchandising de uma cadeia conhecida. - Erro comum: alterar a exposição por iniciativa própria sem confirmar se contraria o plano de merchandising. - Perguntar: porque é que uma cadeia com várias lojas precisa de um plano escrito, e não de "cada loja à sua maneira"?
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre merchandising (mais orientado a vendas e rotação) e visual merchandising (mais orientado à experiência e à imagem); trabalham juntos. - Erro comum: achar que visual merchandising é só para lojas de moda ou decoração; aplica-se a qualquer retalho, incluindo alimentar. - Exemplo: comparar a montra de uma loja antes e depois de uma renovação de visual merchandising.
NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma que identifique zonas quentes e frias na própria sala de aula ou na cantina, como analogia simples. - Erro comum: acumular demasiados pontos focais; se tudo se destaca, nada se destaca. - Referir os novos equipamentos tecnológicos do referencial (RA, RV, beacons, espelhos inteligentes) como tendência crescente no retalho.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o planograma não é opcional: é um critério de desempenho da UC seguir rigorosamente as suas diretrizes. - Erro comum: alterar posições do planograma por preferência pessoal ou pressão de um fornecedor sem autorização. - Exemplo: mostrar um planograma simples desenhado em grelha (linhas = prateleiras, colunas = posições) com produtos identificados por código.
NOTAS DO PROFESSOR - Fazer um exercício em aula: dar um planograma simples desenhado no quadro e pedir para a turma o "montar" com objetos ou cartões. - Erro comum: preencher espaços vazios com o produto errado só para não deixar buracos. Segue-se o planograma, não a conveniência. - Ligar à aptidão do referencial "aplicar as diretrizes do planograma".
NOTAS DO PROFESSOR - Levar fotografias ou exemplos de topo de gôndola e ilha de supermercados conhecidos. - Erro comum: confundir topo de gôndola com linear normal; o topo tem regras próprias de rotação e é normalmente pago pelo fornecedor. - Perguntar: porque é que um topo de gôndola vazio é um erro grave de merchandising? (perde-se um dos espaços mais visíveis da loja).
NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à aptidão "caracterizar o espaço de intervenção" do referencial. - Erro comum: aplicar um planograma pensado para uma loja grande a um espaço pequeno sem adaptar. - Exemplo: comparar a iluminação de uma joalharia (focada, dramática) com a de um supermercado (uniforme, ampla).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre "vende muito" e "rende muito por metro"; um produto pode vender muito mas ocupar demasiado espaço para isso. - Erro comum: comparar vendas absolutas de dois lineares de tamanhos diferentes sem dividir pelo comprimento. - Analogia: dois trabalhadores que produzem o mesmo total, mas um trabalha metade das horas, é mais produtivo por hora.
NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo no quadro com a turma, incluindo o passo intermédio de unidades vendidas. - Erro comum: esquecer que a margem depende de quantas unidades foram vendidas, não só da margem unitária. - Pedir à turma para propor, com estes números, se vale a pena reduzir o linear das conservas e para onde ficaria esse espaço.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que reposição não é só "encher espaços vazios"; é confirmar validade, preço e apresentação. - Erro comum: repor por cima de produto antigo em vez de rodar o stock (ver FIFO/FEFO no bloco seguinte). - Exemplo: perguntar à turma o que fariam se encontrassem, ao repor, um produto com a embalagem danificada.
NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo com a turma e discutir o que aconteceria se o stock médio fosse maior (rotação mais baixa, mais risco de quebra). - Erro comum: achar que rotação alta é sempre boa em qualquer produto; para produtos não perecíveis, o ideal depende do custo de manter stock. - Ligar à aptidão "aplicar técnicas de reposição de produtos".
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a quebra não é "normal" ou inevitável; é um indicador a minimizar ativamente. - Erro comum: só associar quebra a furto; a maior parte da quebra em produtos frescos vem de validade e manuseamento. - Perguntar: que hábitos diários de reposição ajudam a reduzir a quebra? (rodar stock, verificar validades, sinalizar danos).
NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo com a turma passo a passo: quebra em quantidade, depois em percentagem, depois em valor. - Erro comum: confundir a base do cálculo da percentagem (deve ser sobre o stock contabilístico, não sobre o físico). - Discutir: uma quebra de 4,5% é alta ou baixa? Depende do produto e do histórico da loja; produtos frescos toleram mais.
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença: FIFO olha para a data de entrada, FEFO olha para a data de validade. Nem sempre coincidem. - Erro comum: repor sempre "por cima", empurrando o stock antigo para o fundo. A regra é colocar o novo atrás, não por cima. - Exemplo: um lote entregue mais tarde pode ter validade mais curta que um lote mais antigo (por atraso de produção); nesse caso, o FEFO manda-o sair primeiro.
NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o exercício com a turma usando cartões ou post-its a representar os lotes, para visualizar o FEFO. - Erro comum: repor só do lote D "porque tem mais quantidade" e deixar o lote C parado, arriscando expirar em loja. - Perguntar: e se o pedido fosse só de 20 unidades? (sairiam só do lote C, sobrando 5 nesse lote).
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que embalagem promocional sem sinalética correta perde grande parte do efeito da promoção. - Erro comum: expor embalagens amolgadas ou rasgadas "porque o produto lá dentro está bem". A imagem também vende. - Exemplo: comparar o mesmo produto em embalagem normal e em embalagem de edição promocional lado a lado.
NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "colocando etiquetas com os preços e outra sinalética promocional de acordo com o plano definido". - Erro comum: mudar o preço no sistema mas esquecer de trocar a etiqueta física, ou vice-versa. - Perguntar: que impacto legal e de confiança tem, para o cliente, uma etiqueta com preço diferente do de caixa?
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os meios de promoção do ponto de venda são complementares à publicidade tradicional, não substitutos. - Erro comum: usar sempre o mesmo meio (só desconto) e ignorar amostras, demonstrações ou PLV. - Exemplo: uma degustação de um novo produto alimentar costuma ter mais impacto do que só um cartaz de desconto.
NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma exemplos de cross-merchandising que já viram (ex.: churrasco e carvão, massa e molho, café e filtros). - Erro comum: escolher a estratégia mais vistosa em vez da mais adequada ao produto e ao objetivo definido. - Ligar à aptidão "identificar fatores críticos na embalagem e promoção de produtos".
NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, um ecrã real (ou simulado) de um sistema de gestão comercial com stock e preços. - Erro comum: repor "de memória" sem confirmar o stock disponível no sistema, criando ruturas ou excessos. - Ligar à aptidão "utilizar as funcionalidades do sistema informático".
NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma se já usaram algum destes equipamentos numa loja (beacon, espelho inteligente, écran interativo). - Erro comum: instalar tecnologia "porque está na moda" sem ligação ao plano de visual merchandising ou ao público-alvo da loja. - Ligar à aptidão "integrar novos equipamentos tecnológicos na exposição do produto".
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que estas regras se aplicam mesmo sob pressão de tempo (loja cheia, prazo apertado). - Erro comum: "esticar" a validade de um produto a olho. A validade impressa é sempre o critério, não a aparência. - Ligar à aptidão "aplicar normas de segurança alimentar" e ao critério "respeitando as normas de segurança e saúde no trabalho".
NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os procedimentos concretos de movimentação de cargas e de trabalho em zonas de altura são definidos pela empresa e pela legislação em vigor, e seguidos com a formação e o EPI adequados, nunca improvisados. - Erro comum: adiar reportar um risco "porque não há tempo". Um acidente custa muito mais tempo do que o reportar a tempo. - Perguntar à turma: que EPI já viram usar-se em armazéns ou lojas (luvas, calçado de proteção, coletes)?
NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular os três grandes blocos de competência (expor, repor, promover) e como se ligam. - Reforçar que os cálculos (rendimento do linear, rotação, quebra, FEFO) vão ser praticados nas fichas e no projeto. - Anunciar o mini-projeto como o momento de aplicar tudo num caso de loja completo.