UC02687

Efetuar a exposição e reposição de produtos no ponto de venda

Merchandising, visual merchandising, planogramas, lineares e reposição no comércio

Curso profissional · 50h · Técnico de Comércio

Plano

  1. Promoção comercial e o ponto de venda
  2. Merchandising: conceito, objetivos e plano
  3. Visual merchandising
  4. O planograma
  5. O espaço comercial: lineares, topos de gôndola e ilhas
  6. Rendimento do linear
  7. Reposição de produtos e rotação de stock
  8. Quebra e controlo de stock
  9. FIFO e FEFO na reposição
  10. Embalagem e sinalética promocional
  11. Meios e estratégias de publicidade e promoção
  12. Sistema informático e novos equipamentos tecnológicos
  13. Segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho
  14. Fecho

Bloco 1 · Promoção comercial e o ponto de venda

A promoção comercial no ciclo do marketing

A promoção comercial é o conjunto de ações que dão a conhecer um produto ou serviço e estimulam a sua compra. É um dos quatro pilares clássicos do marketing (produto, preço, distribuição, promoção).

  • No comércio físico e digital, a promoção não acaba na publicidade: continua dentro da loja, junto do produto.
  • O plano de marketing da empresa define objetivos gerais (vender mais, lançar um produto, escoar stock); o ponto de venda executa-os no terreno.
  • Um técnico de comércio trabalha sempre a partir do plano de marketing e do plano de visual merchandising já definidos pela empresa.

A promoção que não chega à prateleira não vende nada.

O ponto de venda como último metro do marketing

Estudos de comportamento do consumidor mostram que grande parte das decisões de compra acontece dentro da loja, mesmo quando o cliente já tinha uma lista.

  • O ponto de venda é onde o produto físico encontra o cliente real.
  • Fatores do espaço comercial: circulação, iluminação, temperatura, música, arrumação e limpeza influenciam a perceção do produto.
  • Cabe ao técnico de comércio transformar decisões de marketing e merchandising em prateleiras corretas, todos os dias.

Vender bem no ponto de venda é a última e decisiva etapa do marketing.

Bloco 2 · Merchandising: conceito, objetivos e plano

O que é o merchandising

Merchandising é o conjunto de técnicas aplicadas no ponto de venda para apresentar o produto nas melhores condições, físicas e psicológicas, de forma a maximizar a rotação e a rendibilidade do espaço.

  • Objetivos: aumentar as vendas, melhorar a rotação de stock, valorizar a imagem da marca e da loja e facilitar a decisão de compra do cliente.
  • Cobre desde a localização do produto na loja até à sinalética de preço.
  • É diferente de publicidade: a publicidade atrai o cliente à loja; o merchandising vende-lhe dentro dela.

Merchandising é a arte e a técnica de fazer o produto vender-se sozinho na prateleira.

O plano de merchandising

O plano de merchandising é o documento que traduz a estratégia de marketing em regras concretas para o espaço de venda.

Inclui tipicamente:

Elemento O que define
Objetivos comerciais o que se quer alcançar (vendas, rotação, lançamento)
Categorias e produtos prioritários onde investir mais espaço e atenção
Regras de exposição zonas quentes e frias, alturas, agrupamentos
Calendário promocional datas de campanhas e destaques sazonais
Indicadores de controlo rendimento por metro linear, rotação, quebra

O técnico de comércio parte sempre deste plano para decidir como expor e repor cada categoria.

Bloco 3 · Visual merchandising

Visual merchandising: conceito e objetivos

O visual merchandising é a componente visual e estética do merchandising: como o espaço, o mobiliário, a iluminação e a apresentação do produto comunicam com o cliente.

  • Objetivo principal: criar uma experiência de compra atrativa e coerente com a imagem da marca.
  • Trabalha a hierarquia visual: o que o olho vê primeiro, segundo e terceiro.
  • Aplica-se à montra, à entrada, aos corredores, às zonas de destaque e à própria embalagem exposta.

O plano de visual merchandising da empresa fixa cores, materiais, tipos de expositor e regras de apresentação a seguir em todas as lojas.

As ferramentas do visual merchandising

  • Zonas quentes e frias: zonas de maior e menor circulação e visibilidade dentro da loja.
  • Pontos focais: destaques visuais que atraem o olhar (topo de gôndola, ilha, montra).
  • Cor, luz e materiais: reforçam a categoria de produto e a identidade da marca.
  • Sinalética e comunicação: cartazes, etiquetas e displays que orientam e informam o cliente.
  • Novos equipamentos tecnológicos: écrãs, espelhos inteligentes, assistentes virtuais e beacons que reforçam a experiência.

Cada ferramenta deve respeitar o plano de visual merchandising e as características do espaço e dos produtos.

Bloco 4 · O planograma

O que é um planograma

O planograma é a representação gráfica e detalhada de como os produtos devem ser colocados numa prateleira, linear, expositor ou gôndola: que produto, em que posição exata, com que quantidade de frentes (faces).

  • Objetivos: garantir consistência entre lojas, otimizar o rendimento por metro linear, respeitar acordos comerciais com fornecedores e facilitar auditorias.
  • É produzido em software de planogramas, ligado normalmente ao plano de visual merchandising e aos dados de vendas.
  • Define, para cada referência: posição (prateleira e coordenada), número de frentes, orientação da embalagem e quantidade mínima em linear.

Sem planograma, cada colaborador expõe à sua maneira e o espaço deixa de ser comparável entre lojas.

Ler e aplicar um planograma

Passos para aplicar um planograma na prática:

  1. Confirmar a referência do linear (código do móvel e localização na loja).
  2. Ler a grelha: prateleira, posição e número de frentes de cada produto.
  3. Confirmar que o stock disponível chega para preencher as frentes previstas.
  4. Colocar os produtos pela ordem e orientação definidas, com a face voltada para o cliente.
  5. Verificar o resultado contra o planograma antes de dar a exposição por concluída.

Um planograma bem aplicado não deixa espaços vazios nem frentes trocadas.

Bloco 5 · O espaço comercial: lineares, topos de gôndola e ilhas

Linear, topo de gôndola e ilha

  • Linear: o comprimento de prateleira disponível para expor uma categoria ou marca, medido em metros lineares.
  • Topo de gôndola: a extremidade de um corredor de gôndolas, com grande visibilidade em duas ou três direções; usado para promoções e novidades.
  • Ilha: um expositor isolado no meio da loja, sem estar encostado a paredes ou gôndolas; cria um ponto focal forte.
  • Ponto de venda adicional (PVA): qualquer exposição fora do local habitual do produto, para reforçar a promoção.

Estes recursos visuais são os principais meios de destacar produtos e promoções fora do linear normal.

Decoração de interiores e imagem do espaço

Antes de expor um produto, o técnico precisa de caracterizar o espaço de intervenção: dimensões, circulação, iluminação, mobiliário existente e imagem de marca da loja.

  • Cor e materiais do mobiliário devem ser coerentes com a identidade da marca e a categoria de produto.
  • Iluminação destaca produtos e cria ambiente; luz mal dirigida esconde o que devia vender.
  • Circulação deve permitir ao cliente ver e alcançar o produto sem obstáculos.
  • A imagem do espaço é também comunicação: uma loja desarrumada transmite falta de qualidade, mesmo com bons produtos.

Caracterizar bem o espaço é o primeiro passo antes de decidir onde e como expor.

Bloco 6 · Rendimento do linear

Porque medir o rendimento do linear

O espaço de exposição é um recurso escasso e caro: cada metro linear tem um custo de oportunidade. Por isso mede-se o rendimento do linear, para decidir onde investir mais espaço.

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  • Pode calcular-se em valor de vendas (€ por metro) ou em margem (€ de margem por metro), que é o indicador mais completo.
  • Categorias com rendimento muito superior à média justificam mais espaço; categorias muito abaixo devem ser revistas ou reduzidas.
  • É um dos indicadores de controlo do plano de merchandising.

Mais espaço deve ir para quem mais rende por metro, não só para quem vende mais em absoluto.

Exemplo resolvido: rendimento em valor e em margem

Dois lineares do mesmo corredor, no mesmo mês:

Linear Comprimento Vendas PVP unitário Custo unitário
A · Charcutaria 2,80 m 3.920 € 4,00 € 2,60 €
B · Conservas 5,00 m 4.500 €

Rendimento em valor:

Rendimento em margem do linear A: margem unitária = 4,00 − 2,60 = 1,40 € (35% do PVP); unidades vendidas = 3 920 / 4,00 = 980; margem total = 980 × 1,40 = 1 372 €; rendimento em margem = 1 372 / 2,80 ≈ 490 €/m.

Conclusão: apesar de vendas absolutas semelhantes, a charcutaria rende quase o dobro por metro. Justifica-se reforçar o espaço A e rever o espaço de B, sempre dentro do que o plano de merchandising permitir.

Bloco 7 · Reposição de produtos e rotação de stock

A reposição no ponto de venda

Repor é garantir que o linear se mantém completo, correto e apresentável ao longo do dia, à medida que os produtos são vendidos.

  • A reposição segue sempre o planograma: mesma posição, mesma orientação, mesmo número de frentes.
  • Deve ser feita nos horários de menor afluência, sempre que possível, para não incomodar o cliente.
  • Inclui verificar validades, preços, etiquetas e o estado da embalagem de cada produto reposto.
  • Produtos danificados ou fora de prazo são retirados de imediato, nunca deixados no linear.

Um linear bem reposto é invisível ao cliente: ele só nota quando falha.

Rotação de stock: exemplo resolvido

A rotação de stock mede quantas vezes o stock médio é vendido e substituído num período.

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Exemplo: uma peixaria vende em média 240 kg de peixe fresco por semana e mantém um stock médio de 30 kg em exposição, por ser um produto muito perecível.

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O stock roda cerca de 8 vezes por semana, ou seja, mais de uma vez por dia. Uma rotação alta é desejável em produtos perecíveis: significa produto sempre fresco e menos risco de quebra. Uma rotação muito baixa é sinal de excesso de stock ou de fraca procura.

Bloco 8 · Quebra e controlo de stock

O que é a quebra

Quebra é a diferença entre o stock que devia existir, segundo o sistema informático, e o stock que realmente existe na loja.

  • Quebra conhecida: produtos fora de prazo, danificados, quebrados, identificados e registados.
  • Quebra desconhecida: diferenças sem causa identificada, como erros de registo ou furto.
  • Controlar a quebra é uma responsabilidade direta de quem gere a exposição e a reposição.
  • Reduz-se com rotação correta (FIFO/FEFO), verificação de validades e cuidado no manuseamento dos produtos.

Cada unidade perdida por quebra é uma venda que nunca vai acontecer.

Exemplo resolvido: calcular a quebra

Um talho apurou no sistema informático um stock de 800 kg de carne no fim do mês. A contagem física registou 764 kg.

Sabendo que o custo médio é de 6,50 €/kg:

\text{Valor da quebra} = 36 \times 6{,}50 = 234{,}00\ €

O talho perdeu 234,00 € por diferenças entre o stock contabilístico e o stock físico. Este valor entra no relatório de quebra e é analisado para identificar a causa.

Bloco 9 · FIFO e FEFO na reposição

FIFO vs FEFO

Duas regras de rotação de stock usadas na reposição:

Sigla Significado Critério de saída
FIFO First In, First Out sai primeiro o que entrou primeiro no armazém
FEFO First Expired, First Out sai primeiro o que expira primeiro, independentemente de quando entrou
  • O FIFO é adequado a produtos sem validade curta, onde a ordem de entrada é o que importa.
  • O FEFO é obrigatório em produtos alimentares e perecíveis: o que expira primeiro tem de sair primeiro, mesmo que tenha entrado depois.
  • Na prática, ao repor: colocar o stock novo atrás do stock antigo (ou com validade mais próxima) e não em cima.

Trocar FIFO por FEFO em produtos perecíveis é uma das causas mais comuns de quebra.

Exemplo resolvido: aplicar o FEFO

Num armazém de loja há três lotes do mesmo iogurte:

Lote Quantidade Validade
C 25 unidades 05/09
D 90 unidades 15/09
E 45 unidades 25/09

É preciso repor 100 unidades na prateleira. Aplicando o FEFO (sai primeiro o que expira primeiro):

  1. Retiram-se as 25 unidades do lote C (expira em 05/09, é o primeiro a sair).
  2. Faltam 100 − 25 = 75 unidades; retiram-se do lote D (expira em 15/09).
  3. O lote D tem 90 unidades, retiram-se 75, ficando 15 em reserva.
  4. O lote E (45 unidades, validade 25/09) não é tocado nesta reposição.

Resultado: 25 (C) + 75 (D) = 100 unidades repostas, sempre pela ordem de validade.

Bloco 10 · Embalagem e sinalética promocional

Técnicas de embalagem de produtos

A embalagem protege o produto, mas também comunica e vende, especialmente quando é a própria embalagem que fica exposta no linear.

  • Deve ser resistente o suficiente para suportar o manuseamento normal em loja e a empilhagem prevista pelo fabricante.
  • A face principal (frente) deve estar sempre voltada para o cliente, conforme o planograma.
  • Embalagens promocionais (packs, ofertas, edições especiais) precisam de sinalética própria, para o cliente identificar a vantagem.
  • Embalagem danificada compromete a imagem do produto e da loja: deve ser retirada, nunca escondida atrás de outras.

A embalagem é a última superfície de comunicação antes da decisão de compra.

Etiquetas de preço e sinalética

Colocar sinalética correta é um dos critérios de desempenho desta UC.

  • Etiqueta de preço: tem de estar sempre alinhada com o produto certo, atualizada e legível, de acordo com o plano de visual merchandising.
  • Sinalética promocional: cartazes, faixas, molas de destaque e stoppers que sinalizam descontos ou novidades.
  • Sistema informático: garante que o preço em etiqueta corresponde ao preço em caixa; qualquer alteração de preço tem de ser atualizada nos dois locais ao mesmo tempo.
  • Erros de preço entre etiqueta e sistema geram reclamações e são um risco legal para a loja.

Uma etiqueta errada anula todo o trabalho de exposição feito até ali.

Bloco 11 · Meios e estratégias de publicidade e promoção

Meios de promoção no ponto de venda

Os principais meios de promoção usados dentro da loja:

  • PLV (publicidade no local de venda): expositores, displays, molas, stoppers, faixas.
  • Amostras e degustações: experimentação direta do produto.
  • Demonstrações: apresentação ao vivo de um produto ou serviço.
  • Descontos e ofertas: redução direta de preço, promoções do tipo "leve mais, pague menos".
  • Écrãs e comunicação digital na loja: vídeos, preços dinâmicos, conteúdo interativo.

A escolha do meio depende do produto, do público-alvo e do calendário promocional do plano de merchandising.

Estratégias promocionais de bens e produtos

  • Promoção de preço: desconto direto, cupão, cartão de fidelização.
  • Promoção de quantidade: "leve 3, pague 2", packs promocionais.
  • Promoção de lançamento: destaque em topo de gôndola ou ilha para um produto novo.
  • Promoção cruzada (cross-merchandising): expor produtos complementares juntos, como massa e molho.
  • Promoção sazonal: Natal, Páscoa, regresso às aulas, verão, adaptando exposição e sinalética à época.

Cada estratégia deve ser escolhida em função dos fatores críticos de promoção do produto: público-alvo, margem, prazo de validade e objetivo do plano.

Bloco 12 · Sistema informático e novos equipamentos tecnológicos

O sistema informático na exposição e reposição

O sistema informático de gestão comercial é a base de dados que liga stock, preços, encomendas e vendas.

  • Confirma quantidades disponíveis antes de planear uma reposição.
  • Regista entradas e saídas de stock, incluindo produtos retirados por quebra.
  • Sincroniza o preço de etiqueta com o preço praticado na caixa.
  • Gera relatórios de rendimento por linear, rotação e quebra, que sustentam as decisões de merchandising.

Um técnico de comércio que domina o sistema informático toma decisões com dados, não só por intuição.

Novos equipamentos tecnológicos de apoio à exposição

O retalho tem vindo a integrar novos equipamentos tecnológicos como apoio à exposição e à experiência de compra:

  • Realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV): aplicações que mostram informação adicional ou simulam o produto em uso.
  • Écrãs, tablets e smartphones em loja: informação de produto, preços dinâmicos, catálogos digitais.
  • Beacons bluetooth: enviam notificações ou promoções ao smartphone do cliente perto do linear.
  • Espelhos inteligentes: simulam experimentação de roupa, maquilhagem ou acessórios.
  • Assistentes virtuais e robôs: apoio à navegação e informação dentro da loja.

Integrar estes equipamentos exige planeamento: devem reforçar a experiência, não complicar a compra.

Bloco 13 · Segurança, qualidade alimentar e saúde no trabalho

Normas de segurança e qualidade alimentar

Sempre que a exposição envolve produtos alimentares, aplicam-se normas específicas de segurança e qualidade alimentar:

  • Respeitar a cadeia de frio de produtos refrigerados e congelados durante a exposição e a reposição.
  • Nunca expor produto fora de prazo de validade; retirar de imediato qualquer unidade danificada ou vencida.
  • Separar produtos alimentares de produtos de limpeza ou químicos no armazenamento e na reposição.
  • Cumprir as normas de qualidade da empresa, que podem ser mais exigentes do que o mínimo legal.

A segurança alimentar não é negociável: um erro aqui é um risco direto para a saúde do cliente.

Equipamentos de proteção e saúde no trabalho

Ao expor e repor produtos, o técnico de comércio segue sempre as normas de segurança e saúde no trabalho da empresa e a legislação aplicável.

  • Usar os equipamentos de proteção individual (EPI) definidos para cada tarefa e zona de trabalho.
  • Seguir os procedimentos e a formação da empresa para movimentação de cargas, uso de equipamento de apoio e trabalho em zonas de acesso condicionado, sem improvisar.
  • Reportar de imediato qualquer situação de risco no espaço de venda: pavimento molhado, mobiliário instável, obstáculos na circulação.
  • Manter o espaço de trabalho organizado e limpo: menos risco de acidente e melhor imagem para o cliente.

Cumprir estas normas protege o técnico, os colegas e os clientes.

Bloco 14 · Fecho

Do referencial à prática

Esta UC junta três competências que se reforçam mutuamente:

  • Expor e promover produtos, aplicando o plano de merchandising, o plano de visual merchandising e o planograma.
  • Repor produtos no ponto de venda, com controlo de rotação, quebra e regras FIFO/FEFO.
  • Implementar estratégias de merchandising de promoção, escolhendo o meio e a técnica certos para cada produto e ocasião.

Tudo isto assente em dados do sistema informático, no rigor das normas de segurança e qualidade, e no sentido de organização exigido pelo referencial.

A seguir: fichas de trabalho e o mini-projeto, para aplicar planograma, rendimento do linear, rotação, quebra e FEFO num caso real.

Recapitulando

  • Merchandising e visual merchandising transformam o plano de marketing em decisões concretas no espaço de venda.
  • O planograma garante consistência; lineares, topos de gôndola e ilhas são os recursos visuais principais.
  • Rendimento do linear, rotação de stock e quebra medem se a exposição está a funcionar.
  • FIFO e FEFO garantem que o produto certo sai primeiro, sobretudo em perecíveis.
  • Embalagem, sinalética, promoção e novos equipamentos tecnológicos completam a experiência, sempre com segurança e qualidade em primeiro lugar.

Próximo: fichas e projeto, planear e repor uma secção real de loja.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que esta UC parte de planos já definidos pela empresa: o técnico aplica-os, não inventa a estratégia do zero. - Erro comum: confundir promoção comercial (comunicar e estimular a venda) com promoção de carreira ou desconto isolado. - Exemplo: uma campanha de televisão que vende um iogurte só resulta se, na loja, o iogurte estiver bem exposto e reposto.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma: já compraram algo que não estava na lista, só por estar bem exposto? Recolher exemplos. - Erro comum: achar que o trabalho de exposição é só "arrumar". É uma ferramenta de vendas. - Ligar às atitudes do referencial: sentido de organização e responsabilidade pelo espaço que se gere.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a distinção publicidade (fora da loja) versus merchandising (dentro da loja); são complementares. - Erro comum: reduzir merchandising a "decoração". Inclui também dados, rotação e rendibilidade por metro. - Exemplo/analogia: merchandising é um vendedor silencioso, que trabalha 24 horas por dia sem falar.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, um exemplo simplificado real de plano de merchandising de uma cadeia conhecida. - Erro comum: alterar a exposição por iniciativa própria sem confirmar se contraria o plano de merchandising. - Perguntar: porque é que uma cadeia com várias lojas precisa de um plano escrito, e não de "cada loja à sua maneira"?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre merchandising (mais orientado a vendas e rotação) e visual merchandising (mais orientado à experiência e à imagem); trabalham juntos. - Erro comum: achar que visual merchandising é só para lojas de moda ou decoração; aplica-se a qualquer retalho, incluindo alimentar. - Exemplo: comparar a montra de uma loja antes e depois de uma renovação de visual merchandising.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma que identifique zonas quentes e frias na própria sala de aula ou na cantina, como analogia simples. - Erro comum: acumular demasiados pontos focais; se tudo se destaca, nada se destaca. - Referir os novos equipamentos tecnológicos do referencial (RA, RV, beacons, espelhos inteligentes) como tendência crescente no retalho.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o planograma não é opcional: é um critério de desempenho da UC seguir rigorosamente as suas diretrizes. - Erro comum: alterar posições do planograma por preferência pessoal ou pressão de um fornecedor sem autorização. - Exemplo: mostrar um planograma simples desenhado em grelha (linhas = prateleiras, colunas = posições) com produtos identificados por código.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer um exercício em aula: dar um planograma simples desenhado no quadro e pedir para a turma o "montar" com objetos ou cartões. - Erro comum: preencher espaços vazios com o produto errado só para não deixar buracos. Segue-se o planograma, não a conveniência. - Ligar à aptidão do referencial "aplicar as diretrizes do planograma".

NOTAS DO PROFESSOR - Levar fotografias ou exemplos de topo de gôndola e ilha de supermercados conhecidos. - Erro comum: confundir topo de gôndola com linear normal; o topo tem regras próprias de rotação e é normalmente pago pelo fornecedor. - Perguntar: porque é que um topo de gôndola vazio é um erro grave de merchandising? (perde-se um dos espaços mais visíveis da loja).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à aptidão "caracterizar o espaço de intervenção" do referencial. - Erro comum: aplicar um planograma pensado para uma loja grande a um espaço pequeno sem adaptar. - Exemplo: comparar a iluminação de uma joalharia (focada, dramática) com a de um supermercado (uniforme, ampla).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença entre "vende muito" e "rende muito por metro"; um produto pode vender muito mas ocupar demasiado espaço para isso. - Erro comum: comparar vendas absolutas de dois lineares de tamanhos diferentes sem dividir pelo comprimento. - Analogia: dois trabalhadores que produzem o mesmo total, mas um trabalha metade das horas, é mais produtivo por hora.

NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo no quadro com a turma, incluindo o passo intermédio de unidades vendidas. - Erro comum: esquecer que a margem depende de quantas unidades foram vendidas, não só da margem unitária. - Pedir à turma para propor, com estes números, se vale a pena reduzir o linear das conservas e para onde ficaria esse espaço.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que reposição não é só "encher espaços vazios"; é confirmar validade, preço e apresentação. - Erro comum: repor por cima de produto antigo em vez de rodar o stock (ver FIFO/FEFO no bloco seguinte). - Exemplo: perguntar à turma o que fariam se encontrassem, ao repor, um produto com a embalagem danificada.

NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo com a turma e discutir o que aconteceria se o stock médio fosse maior (rotação mais baixa, mais risco de quebra). - Erro comum: achar que rotação alta é sempre boa em qualquer produto; para produtos não perecíveis, o ideal depende do custo de manter stock. - Ligar à aptidão "aplicar técnicas de reposição de produtos".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a quebra não é "normal" ou inevitável; é um indicador a minimizar ativamente. - Erro comum: só associar quebra a furto; a maior parte da quebra em produtos frescos vem de validade e manuseamento. - Perguntar: que hábitos diários de reposição ajudam a reduzir a quebra? (rodar stock, verificar validades, sinalizar danos).

NOTAS DO PROFESSOR - Refazer o cálculo com a turma passo a passo: quebra em quantidade, depois em percentagem, depois em valor. - Erro comum: confundir a base do cálculo da percentagem (deve ser sobre o stock contabilístico, não sobre o físico). - Discutir: uma quebra de 4,5% é alta ou baixa? Depende do produto e do histórico da loja; produtos frescos toleram mais.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença: FIFO olha para a data de entrada, FEFO olha para a data de validade. Nem sempre coincidem. - Erro comum: repor sempre "por cima", empurrando o stock antigo para o fundo. A regra é colocar o novo atrás, não por cima. - Exemplo: um lote entregue mais tarde pode ter validade mais curta que um lote mais antigo (por atraso de produção); nesse caso, o FEFO manda-o sair primeiro.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o exercício com a turma usando cartões ou post-its a representar os lotes, para visualizar o FEFO. - Erro comum: repor só do lote D "porque tem mais quantidade" e deixar o lote C parado, arriscando expirar em loja. - Perguntar: e se o pedido fosse só de 20 unidades? (sairiam só do lote C, sobrando 5 nesse lote).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que embalagem promocional sem sinalética correta perde grande parte do efeito da promoção. - Erro comum: expor embalagens amolgadas ou rasgadas "porque o produto lá dentro está bem". A imagem também vende. - Exemplo: comparar o mesmo produto em embalagem normal e em embalagem de edição promocional lado a lado.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de desempenho "colocando etiquetas com os preços e outra sinalética promocional de acordo com o plano definido". - Erro comum: mudar o preço no sistema mas esquecer de trocar a etiqueta física, ou vice-versa. - Perguntar: que impacto legal e de confiança tem, para o cliente, uma etiqueta com preço diferente do de caixa?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os meios de promoção do ponto de venda são complementares à publicidade tradicional, não substitutos. - Erro comum: usar sempre o mesmo meio (só desconto) e ignorar amostras, demonstrações ou PLV. - Exemplo: uma degustação de um novo produto alimentar costuma ter mais impacto do que só um cartaz de desconto.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma exemplos de cross-merchandising que já viram (ex.: churrasco e carvão, massa e molho, café e filtros). - Erro comum: escolher a estratégia mais vistosa em vez da mais adequada ao produto e ao objetivo definido. - Ligar à aptidão "identificar fatores críticos na embalagem e promoção de produtos".

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, um ecrã real (ou simulado) de um sistema de gestão comercial com stock e preços. - Erro comum: repor "de memória" sem confirmar o stock disponível no sistema, criando ruturas ou excessos. - Ligar à aptidão "utilizar as funcionalidades do sistema informático".

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar à turma se já usaram algum destes equipamentos numa loja (beacon, espelho inteligente, écran interativo). - Erro comum: instalar tecnologia "porque está na moda" sem ligação ao plano de visual merchandising ou ao público-alvo da loja. - Ligar à aptidão "integrar novos equipamentos tecnológicos na exposição do produto".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que estas regras se aplicam mesmo sob pressão de tempo (loja cheia, prazo apertado). - Erro comum: "esticar" a validade de um produto a olho. A validade impressa é sempre o critério, não a aparência. - Ligar à aptidão "aplicar normas de segurança alimentar" e ao critério "respeitando as normas de segurança e saúde no trabalho".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que os procedimentos concretos de movimentação de cargas e de trabalho em zonas de altura são definidos pela empresa e pela legislação em vigor, e seguidos com a formação e o EPI adequados, nunca improvisados. - Erro comum: adiar reportar um risco "porque não há tempo". Um acidente custa muito mais tempo do que o reportar a tempo. - Perguntar à turma: que EPI já viram usar-se em armazéns ou lojas (luvas, calçado de proteção, coletes)?

NOTAS DO PROFESSOR - Recapitular os três grandes blocos de competência (expor, repor, promover) e como se ligam. - Reforçar que os cálculos (rendimento do linear, rotação, quebra, FEFO) vão ser praticados nas fichas e no projeto. - Anunciar o mini-projeto como o momento de aplicar tudo num caso de loja completo.