UC02659

Executar peças cerâmicas com moldes em gesso

Pastas líquidas e plásticas, enchimento por via líquida e por via plástica, acabamentos, secagem, cozedura e controlo de qualidade

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Cerâmica Criativa

Plano

  1. Cerâmica com moldes em gesso: o processo
  2. Pastas cerâmicas: líquidas e plásticas
  3. Equipamentos e ferramentas
  4. Preparar as operações
  5. Enchimento por via líquida
  6. Continuar o enchimento por via líquida
  7. Enchimento por via plástica
  8. Continuar o enchimento por via plástica
  9. Acabamentos
  10. Secagem e cozedura
  11. Controlo de qualidade e defeitos
  12. Segurança, EPI e normas

Bloco 1 · Cerâmica com moldes em gesso

Porque usamos moldes em gesso

Um molde em gesso permite reproduzir a mesma peça muitas vezes, com rigor e rapidez. O gesso tem uma qualidade única: é poroso e absorve a água da pasta cerâmica, o que torna possível formar a peça só por contacto.

  • Serve para produção em série de peças iguais (chávenas, jarras, figuras).
  • Substitui a modelação manual quando se precisa de repetibilidade.
  • É a técnica central do oleiro industrial e do atelier que produz por encomenda.

Sem o molde, cada peça seria única e o processo muito mais lento.

Dois caminhos, o mesmo molde

O referencial distingue dois processos que partem do mesmo molde em gesso mas usam pastas diferentes:

Processo Pasta Resultado
Enchimento por via líquida barbotina (líquida) peças ocas, finas, uniformes
Enchimento por via plástica pasta plástica peças maciças ou com relevo, prensadas

Esta UC ensina os dois, do princípio ao fim: preparar, encher, controlar, desenformar, acabar, secar, cozer e verificar a qualidade.

Bloco 2 · Pastas cerâmicas

Pastas líquidas (barbotina)

A pasta líquida, chamada barbotina, é argila diluída em água até uma consistência de creme fluído, com desfloculante para manter as partículas em suspensão sem juntar água a mais.

  • Composição típica: argila, água, desfloculante (silicato de sódio ou similar).
  • Consistência controlada por densidade (medida com densímetro) e viscosidade.
  • Usada no enchimento por via líquida: enche o molde por gravidade.
  • Guarda-se agitada, para não sedimentar (assentar no fundo).

Uma barbotina mal preparada dá peças com bolhas ou paredes irregulares.

Pastas plásticas

A pasta plástica é argila numa consistência moldável, semelhante à massa de modelar, com pouca água e boa plasticidade (deforma sem rachar).

  • Usada no enchimento por via plástica: prensa-se contra as paredes do molde.
  • Consistência mais firme do que a barbotina, sem excesso de humidade.
  • Precisa de estar desarejada (sem bolhas de ar), normalmente por amassar bem.
  • Guarda-se em plástico fechado para não secar antes de usar.

Bloco 3 · Equipamentos e ferramentas

Equipamentos da oficina

O contexto de trabalho desta UC é a oficina ou atelier de cerâmica, equipado com:

  • Forno da cerâmica: para a cozedura das peças, a temperaturas elevadas e controladas.
  • Agitador: para manter a barbotina em suspensão homogénea, sem sedimentar.
  • Compressor e pistola de soprar: para limpar moldes, secar superfícies e alguns acabamentos.
  • Peneiros: para filtrar impurezas da pasta líquida antes de encher.

Um equipamento mal usado ou mal mantido compromete todas as peças da fornada.

Ferramentas de mão

Para a preparação, o enchimento e o acabamento:

  • Pincéis e esponjas: aplicar água, alisar superfícies, limpar rebarbas.
  • Teques e facas: cortar excessos de pasta, aparar rebarbas e abrir orifícios.
  • Réguas e esquadros: medir e controlar espessuras e ângulos.
  • Tábuas e bases em madeira: apoiar os moldes e transportar peças em cru sem as deformar.
  • Taças e recipientes para água: humedecer esponjas, molhar ferramentas, limpar mãos.

A escolha da ferramenta certa poupa tempo e evita danificar a peça ainda frágil.

Bloco 4 · Preparar as operações

Preparar o molde de gesso

A primeira realização do referencial é preparar as operações antes de encher qualquer molde. O ponto de partida é sempre o molde:

  • Verificar que está limpo e sem impurezas: pó, restos de pasta seca de uma peça anterior.
  • Confirmar que as partes do molde encaixam bem e estão bem apertadas ou presas.
  • Um molde húmido de água absorve menos: deixar secar antes de reutilizar.
  • Inspecionar se há fissuras ou desgaste que comprometam a peça.

Um molde mal preparado transmite todos os seus defeitos à peça.

Selecionar a pasta adequada

Escolher a pasta certa é outro critério de desempenho central:

  • Considerar o tipo de molde e a forma da peça: peças finas e ocas pedem barbotina; peças maciças ou com relevo pedem pasta plástica.
  • Considerar o resultado final desejado: acabamento, espessura, resistência.
  • Verificar a consistência da pasta antes de começar (densidade da barbotina, plasticidade da pasta).
  • Preparar as quantidades necessárias, com margem para eventuais falhas.

Escolher mal a pasta obriga a recomeçar depois de já se ter perdido tempo.

Bloco 5 · Enchimento por via líquida

O processo de enchimento por via líquida

O enchimento por via líquida usa a barbotina e a porosidade do gesso para formar peças ocas:

  1. Preparação do molde: limpo, seco, bem fechado e apertado.
  2. Enchimento: verter a barbotina até encher completamente a cavidade, sem bolhas de ar.
  3. Controlo de espessura: aguardar o tempo necessário para o gesso absorver água e formar uma camada de pasta nas paredes.
  4. Vazamento: escoar o excesso de barbotina ainda líquida do centro do molde.
  5. Controlo de secagem: deixar a peça secar dentro do molde até endurecer o suficiente.
  6. Desmoldagem: abrir o molde e retirar a peça com cuidado.

Enchendo uniformemente o molde

Um dos critérios de desempenho mais exigentes desta UC é encher uniformemente o molde com a pasta:

  • Verter a barbotina devagar e por um só ponto, de preferência pelo canal previsto no molde, para não criar turbulência.
  • Controlar a espessura, deixando o tempo certo de contacto com o gesso: mais tempo, parede mais grossa.
  • Evitar bolhas de ar e espaços vazios que comprometam a integridade da peça: encher devagar e sem interrupções ajuda a evitá-las.
  • Reabastecer o nível de barbotina se ela baixar durante a absorção, para que a peça não fique com uma zona mais fina no topo.

Bloco 6 · Continuar o enchimento por via líquida

Controlo de espessura e vazamento

A espessura da parede depende diretamente do tempo de contacto entre a barbotina e o gesso:

  • O gesso absorve água pela superfície interior do molde, e uma camada de argila vai-se depositando e solidificando.
  • Verificar periodicamente a espessura, tocando com cuidado na abertura do molde ou observando a marca de nível.
  • Ao atingir a espessura pretendida, vazar: inverter ou escoar o excesso de barbotina ainda líquida, deixando só a "casca" formada.
  • Um vazamento mal feito deixa gotas ou marcas que aparecem depois no acabamento.

Controlo de secagem e desmoldagem

Depois de vazada, a peça ainda está dentro do molde, a acabar de secar:

  • Deixar o tempo necessário para a peça ganhar rigidez suficiente para se aguentar sozinha, sem se deformar.
  • O molde continua a puxar humidade, o que ajuda a peça a destacar-se das paredes.
  • Na desmoldagem, abrir as partes do molde com cuidado, sem forçar, começando pelas zonas mais largas.
  • Retirar a peça apoiando-a numa tábua, sem a segurar por zonas finas ou salientes.

Desmoldar cedo de mais deforma a peça; desmoldar tarde de mais dificulta a separação.

Bloco 7 · Enchimento por via plástica

O processo de enchimento por via plástica

O enchimento por via plástica usa pasta na sua consistência moldável, prensada contra o molde:

  1. Preparação do molde: limpo e seco, tal como na via líquida.
  2. Contramoldagem e prensagem: colocar a pasta contra as paredes do molde e pressionar até tomar a forma.
  3. Controlo da espessura: garantir que a camada de pasta tem espessura uniforme em toda a peça.
  4. Controlo de secagem: deixar a peça perder humidade suficiente dentro do molde.
  5. Desmoldagem: separar a peça do molde com cuidado.

É a técnica indicada para peças mais maciças, com relevo ou textura, que a via líquida não consegue reproduzir bem.

Contramoldagem e prensagem

O passo central da via plástica é encher o molde de forma uniforme com a pasta, tal como na via líquida, mas por pressão manual:

  • Distribuir a pasta em porções regulares antes de pressionar, para não sobrar pasta numa zona e faltar noutra.
  • Pressionar com firmeza e de forma progressiva, dos cantos para o centro, para expulsar o ar preso.
  • Evitar bolhas de ar e espaços vazios: uma bolsa de ar interna pode rebentar a peça na cozedura.
  • Verificar a espessura com os dedos ou com uma ferramenta calibrada, comparando zonas diferentes da peça.

Bloco 8 · Continuar o enchimento por via plástica

Controlo de secagem na via plástica

Depois de prensada, a peça precisa de perder humidade de forma controlada, ainda dentro do molde:

  • A secagem inicial dentro do molde ajuda a peça a manter a forma enquanto ganha rigidez.
  • Um tempo de secagem demasiado curto deixa a peça mole de mais para desmoldar sem se deformar.
  • Um tempo demasiado longo pode fazer a pasta encolher em excesso e criar tensões que rasgam a peça.
  • Controlar o ambiente (temperatura e humidade da oficina) ajuda a tornar a secagem previsível.

Desmoldar peças da via plástica

A desmoldagem cuidadosa evita empenos (deformações) e danos na peça:

  • Separar as partes do molde com movimentos suaves, sem puxar a peça pela pasta ainda mole.
  • Apoiar a peça numa base rígida (tábua de madeira) desde o primeiro momento.
  • Verificar se há zonas que colaram ao molde e precisam de um destacar mais cuidadoso, sem forçar.
  • Peças com relevo têm mais pontos de contacto com o molde: dar atenção extra a essas zonas.

Uma desmoldagem apressada é a causa mais comum de peças partidas ainda em cru.

Bloco 9 · Acabamentos

Procedimentos de acabamento

Depois de desmoldada, a peça em cru precisa de acabamentos antes de secar por completo e ser cozida:

  • Corte de rebarbas: remover com o teque as linhas de junção do molde (costuras) que ficam marcadas na peça.
  • Correção de imperfeições: preencher pequenas falhas ou alisar irregularidades com pasta e ferramenta.
  • Aplicação de detalhes adicionais: pegas, decorações, texturas ou elementos extra, quando fazem parte do desenho.
  • Alisamento com esponja: passar uma esponja húmida para suavizar as superfícies e eliminar marcas de ferramenta.

Estes passos definem o aspeto final da peça: um bom acabamento não se corrige depois de cozida.

Do critério ao gesto técnico

O acabamento liga-se diretamente a um critério de desempenho avaliado: "procedendo aos acabamentos da peça produzida, corrigindo imperfeições e aplicando detalhes adicionais".

  • Trabalhar numa sequência lógica: primeiro rebarbas, depois correções, por fim detalhes e alisamento.
  • Verificar a peça de vários ângulos e com luz rasante, que revela irregularidades invisíveis de frente.
  • Guardar as ferramentas de acabamento limpas: resíduos secos riscam a superfície da peça seguinte.

Bloco 10 · Secagem e cozedura

Secar a peça de maneira homogénea

Depois dos acabamentos, a peça precisa de secar por completo antes da cozedura:

  • Secar de forma homogénea, num local sem correntes de ar diretas nem sol forte, para evitar secagem desigual.
  • Uma secagem desigual cria tensões internas: zonas mais finas secam primeiro e "puxam" as mais grossas, o que pode rachar a peça.
  • Peças com espessuras muito diferentes na mesma forma (por exemplo, uma pega grossa numa parede fina) são as mais sensíveis a este defeito.
  • Cobrir parcialmente com plástico nos primeiros dias ajuda a abrandar e uniformizar a secagem.

Cozedura das peças

A cozedura transforma a argila seca (frágil e solúvel em água) em cerâmica dura e permanente:

  1. Enfornar: colocar as peças no forno, sem se tocarem, sobre placas ou grelhas próprias.
  2. Curva de cozedura: o forno sobe de temperatura de forma controlada e programada, com patamares.
  3. Ponto crítico: entre os 500°C e os 600°C a água quimicamente ligada à argila liberta-se; subir depressa demais nesta fase pode rachar as peças.
  4. Arrefecimento: também controlado, nunca abrindo o forno ainda quente.

A cozedura é irreversível: um defeito que passe despercebido antes só se vê depois de cozido.

Bloco 11 · Controlo de qualidade e defeitos

Controlo de qualidade

O controlo de qualidade acompanha todo o processo, não é só uma verificação no final:

  • Verificar o molde antes de encher, a espessura durante o enchimento, e a peça depois de cada etapa.
  • Comparar a peça produzida com o resultado final desejado definido na preparação.
  • Registar e separar peças com defeito, para não seguirem para a cozedura desperdiçando espaço no forno.
  • Aplicar sempre as normas da qualidade definidas na oficina, de forma consistente entre peças.

Defeitos: características e prevenção

Defeito Característica Prevenção
Bolhas de ar vazios internos ou à superfície encher devagar, prensar por camadas
Rachas de secagem fendas em zonas de espessura desigual secagem lenta e homogénea
Empenos deformações fora da forma original desmoldar e transportar com cuidado
Paredes irregulares espessura desigual na peça controlar o tempo de contacto com o gesso
Rachas de cozedura fendas após o forno curva de subida lenta no ponto crítico

Reconhecer o defeito pela sua característica é o primeiro passo para corrigir a causa, não só o sintoma.

Bloco 12 · Segurança, EPI e normas

Equipamento de Proteção Individual

A oficina de cerâmica tem riscos próprios: pó de argila, gesso, água em contacto com eletricidade, e o forno a alta temperatura.

  • EPI obrigatório: luvas para manusear moldes e peças, máscara ou respirador ao lidar com pós (gesso, argila seca), avental.
  • Cumprir sempre as normas de utilização do EPI, mesmo em tarefas que parecem rápidas ou simples.
  • Manter as mãos secas perto de equipamento elétrico (agitador, compressor).
  • Nunca tocar no forno ou nas peças logo a seguir à cozedura: aguardar o arrefecimento total.

Regras, normas e atitudes profissionais

Fechar bem esta UC exige também as atitudes avaliadas no referencial:

  • Rigor e zelo na preparação de moldes e pastas.
  • Sentido de organização na oficina: ferramentas, pastas e moldes no lugar certo.
  • Responsabilidade pelas próprias ações e autonomia nas tarefas atribuídas.
  • Respeito pelas regras e normas definidas, pelas normas de segurança e saúde no trabalho, e pelas normas da qualidade.
  • Sentido crítico para identificar defeitos e persistência para repetir uma peça mal conseguida.
  • Autoconfiança e iniciativa para avançar nas tarefas sem esperar por instruções constantes.
  • Flexibilidade e adaptabilidade perante imprevistos (um molde que não desmolda bem, uma pasta a secar depressa de mais).
  • Autocontrolo nos momentos de maior tensão, como uma peça que racha depois de horas de trabalho.
  • Escuta ativa das instruções do formador e cooperação com a equipa na oficina partilhada.

Um bom ceramista técnico junta a mão treinada ao cumprimento rigoroso das normas.

Recapitulando

  • Dois processos a partir do mesmo molde em gesso: via líquida (barbotina) e via plástica (pasta moldável).
  • Sequência comum: preparar o molde e a pasta, encher de forma uniforme, controlar espessura e secagem, desmoldar com cuidado.
  • Acabamentos, secagem homogénea e cozedura transformam a peça em cru em cerâmica final.
  • Controlo de qualidade acompanha todo o processo; conhecer os defeitos ajuda a preveni-los.
  • EPI, normas de segurança e atitudes profissionais como rigor e organização atravessam toda a UC.

Próximo: fichas e mini-projecto, produzir peças pelos dois processos.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a porosidade do gesso é o princípio físico que sustenta toda a UC; sem ela, nada disto funciona - erro comum: pensar que o molde em gesso serve só para modelar à mão, como um molde de bolachas - exemplo/analogia: o gesso funciona como uma esponja seca que puxa a água da pasta encostada a ele

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: escolher o processo certo depende do resultado desejado, não é indiferente - erro comum: achar que os dois processos usam a mesma pasta só com consistências diferentes - exemplo/analogia: uma chávena fina e oca faz-se por via líquida; uma peça de relevo grosso faz-se por via plástica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o desfloculante é o que permite ter muita argila com pouca água; sem ele a barbotina fica espessa e cheia de água a mais - erro comum: deixar a barbotina em repouso sem agitar; as partículas mais pesadas sedimentam e a mistura fica desigual - exemplo/analogia: pensar na barbotina como um batido: se parar e não mexer, os sólidos vão ao fundo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a plasticidade é a capacidade de deformar sem quebrar; é o que permite premir a pasta contra o molde - erro comum: usar pasta demasiado seca (racha ao pressionar) ou demasiado húmida (cola ao molde e não larga) - exemplo/analogia: comparar com massa de pão bem amassada versus massa a que falta ou sobra farinha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o forno é o equipamento mais caro e mais perigoso da oficina; tratado à parte no bloco da segurança - erro comum: ligar o agitador só no momento de encher, em vez de manter a barbotina sempre em movimento antes de usar - exemplo/analogia: o peneiro para a barbotina é como um coador de café, retém grumos e impurezas antes de a pasta entrar no molde

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada ferramenta tem uma função específica; usar a errada (por exemplo uma faca em vez de um teque) estraga acabamentos - erro comum: transportar peças em cru sem uma base rígida por baixo, o que as deforma ou parte - exemplo/analogia: o teque é para a cerâmica o que o x-ato é para o papel, um corte limpo e controlado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é um critério de desempenho avaliado explicitamente, "preparando o molde de gesso, garantindo a sua limpeza e ausência de impurezas" - erro comum: reutilizar um molde ainda húmido de uma peça anterior sem o deixar secar, o que atrasa ou impede a absorção - exemplo/analogia: um molde sujo é como um copo de vidro com resíduos, o que se despeja para dentro fica contaminado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar este slide ao critério "selecionando a pasta adequada, considerando o molde em gesso e o resultado final desejado" - erro comum: usar a mesma pasta para todos os moldes por comodidade, sem avaliar a peça pretendida - exemplo/analogia: escolher a pasta é como escolher a farinha certa numa receita, cada resultado pede uma composição diferente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os seis passos seguem sempre esta ordem; saltar um compromete o resultado - erro comum: vazar cedo de mais (parede ainda fina de mais) ou tarde de mais (peça maciça em vez de oca) - exemplo/analogia: o processo é como fazer um ovo escalfado, o "branco" (pasta) solidifica junto ao molde antes de se escoar o resto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este critério é avaliado explicitamente e é o coração da técnica de enchimento por via líquida - erro comum: verter de forma rápida e de vários pontos, o que introduz ar e cria paredes desiguais - exemplo/analogia: encher devagar é como encher um copo de cerveja inclinado, para não se formar espuma nem bolhas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o vazamento é o momento crítico que decide se a peça fica oca e com parede certa - erro comum: vazar de um só golpe em vez de escoar devagar, o que deixa marcas de escorrência - exemplo/analogia: é como escoar a água de uma panela de massa, inclinar devagar em vez de virar de repente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o tempo de secagem no molde varia com a espessura da peça e a humidade do ambiente - erro comum: forçar a abertura do molde antes da peça ter rigidez suficiente, deformando-a - exemplo/analogia: é como tirar um bolo do tabuleiro cedo de mais, desfaz-se por não estar suficientemente firme

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a contramoldagem e prensagem substitui o "verter" da via líquida, é um trabalho manual e direto sobre a pasta - erro comum: confundir este processo com o da via líquida, usando barbotina em vez de pasta plástica - exemplo/analogia: é como forrar uma forma de tarte com massa à mão, pressionando contra as paredes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o mesmo critério de "encher uniformemente evitando bolhas de ar" aplica-se aos dois processos, líquido e plástico - erro comum: pressionar só ao centro e esquecer os cantos e as arestas do molde, que ficam mais finos - exemplo/analogia: pensar numa bolha de ar presa na pasta como uma bomba de relógio que só se revela no forno

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a secagem na via plástica é mais rápida do que na via líquida, porque a pasta já tem menos água - erro comum: aplicar o mesmo tempo de secagem da via líquida à via plástica, sem ajustar - exemplo/analogia: comparar com deixar uma escultura de plasticina ao ar, quanto mais tempo mais rígida mas também mais frágil a rachar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "desenformar a peça do molde de gesso com cuidado para evitar empenos ou danos" é uma aptidão explícita do referencial - erro comum: retirar a peça segurando-a por uma asa ou pega ainda mole, que se solta ou deforma - exemplo/analogia: é como desenformar um bolo antes do tempo, a estrutura ainda não aguenta o próprio peso

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os acabamentos são feitos com a peça ainda em cru (couro), nem muito mole nem já seca de todo - erro comum: alisar com a esponja muito molhada, o que amolece de mais a peça e apaga detalhes - exemplo/analogia: aparar as rebarbas é como tirar as rebarbas de uma peça de plástico moldada por injeção, a marca do molde fica sempre

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sequência importa, corrigir antes de alisar evita ter de alisar duas vezes - erro comum: saltar direto para os detalhes decorativos sem primeiro garantir que a base está bem acabada - exemplo/analogia: a luz rasante é a mesma técnica que um pintor usa para ver imperfeições numa parede antes de pintar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "secar a peça de maneira homogénea para evitar defeitos" é uma aptidão explícita do referencial - erro comum: colocar a peça a secar junto de uma fonte de calor para "acelerar", o que garante rachaduras - exemplo/analogia: secar de forma desigual é como esticar um elástico só de um lado, algo tem de ceder

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o ponto crítico dos 500-600°C explica porque a curva de subida não pode ser demasiado rápida - erro comum: abrir o forno para "ver como vai" enquanto ainda está quente, o choque térmico racha as peças - exemplo/analogia: comparar com tirar um pirex do forno e pôr debaixo de água fria, o choque térmico é o mesmo princípio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: controlo de qualidade não é uma etapa isolada, atravessa a preparação, o enchimento, os acabamentos e a secagem - erro comum: só verificar a peça no fim, depois da cozedura, quando já não há como corrigir - exemplo/analogia: é como rever um texto só depois de o entregar, em vez de rever a cada parágrafo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada defeito tem uma causa numa etapa específica do processo, ligar sempre defeito a etapa - erro comum: tentar corrigir um defeito de secagem alterando a receita da pasta, quando o problema é o ambiente de secagem - exemplo/analogia: mostrar fotografias reais de peças com cada defeito, se possível trazidas de fornadas anteriores da oficina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: "cumprindo as normas de higiene e segurança e o uso adequado de equipamentos de proteção individual" é um critério de desempenho explícito - erro comum: dispensar a máscara ao lixar ou aparar peças secas, por serem tarefas curtas; o pó fino de argila e gesso é o mais nocivo - exemplo/analogia: o pó de sílica presente nas argilas acumula-se nos pulmões ao longo dos anos, como qualquer poeira fina respirada com regularidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as atitudes não são "extra", fazem parte da avaliação da UC tanto quanto a técnica - erro comum: tratar segurança e normas como burocracia separada da parte "criativa" da cerâmica - exemplo/analogia: comparar com uma cozinha profissional, onde a técnica e a higiene andam sempre juntas