UC02375

Implementar as normas de segurança e saúde no trabalho na produção de peças vidro

Riscos, EPI, planos de emergência e procedimentos de segurança no atelier de vidro

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Vidro Artístico

Plano

  1. Segurança e saúde no trabalho: princípios e enquadramento legal
  2. Riscos gerais e sua prevenção
  3. A hierarquia da prevenção
  4. Planos e documentos de segurança
  5. Equipamentos de proteção individual (EPI)
  6. Trabalho a quente: fornos, radiação e queimaduras
  7. Trabalho a frio: corte, lapidação e jato de areia
  8. Causas de acidentes de trabalho
  9. Primeiros socorros e situações de emergência
  10. Incêndios: causas, tipos e deteção
  11. Extintores e atuação em caso de incêndio
  12. Prevenção de roubo e fecho

Bloco 1 · Segurança e saúde no trabalho

O que é a segurança e saúde no trabalho

A segurança e saúde no trabalho (SST) é o conjunto de princípios, normas e procedimentos que protegem a vida, a integridade física e a saúde de quem trabalha. Não é um extra: é uma condição para poder trabalhar.

  • Analisar os princípios gerais de SST é o primeiro resultado de aprendizagem desta UC.
  • Aplica-se a qualquer contexto de trabalho com vidro: oficina ou atelier.
  • Cruza três frentes: prevenção do risco, atuação em emergência e respeito pelo protocolo interno, que são os critérios de desempenho desta UC.

Um técnico competente conhece o risco antes de estar exposto a ele.

Em Portugal, a SST assenta em legislação concreta, não em boas intenções:

  • Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro: regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho. Define as obrigações do empregador (avaliar e eliminar riscos, formar e informar) e os direitos e deveres do trabalhador.
  • Decreto-Lei n.º 348/93, de 1 de outubro: prescrições mínimas de segurança e saúde para a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) pelos trabalhadores.
  • Portaria n.º 988/93, de 6 de outubro: lista as atividades e situações em que o uso de EPI é obrigatório.
  • A ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) fiscaliza o cumprimento destas normas.

Conhecer a lei é a base para exigir e para cumprir condições seguras.

Bloco 2 · Riscos gerais e sua prevenção

Riscos gerais no posto de trabalho

Antes de falar do vidro em concreto, há riscos que existem em qualquer posto de trabalho e que condicionam a segurança de tudo o resto:

  • Condições de segurança: estado das instalações, eletricidade, arrumação, sinalização.
  • Meio ambiente de trabalho: ruído, iluminação, temperatura, ventilação, poeiras.
  • Carga de trabalho: exigência física e mental da tarefa.
  • Fadiga e insatisfação laboral: cansaço acumulado e falta de motivação aumentam o erro humano.

Um atelier desarrumado ou mal ventilado é, por si só, um fator de risco.

Sistemas elementares de controlo de riscos

Controlar o risco é um processo, não um gesto isolado:

  1. Identificar o perigo (o que pode causar dano).
  2. Avaliar o risco (probabilidade × gravidade).
  3. Controlar: eliminar, reduzir ou proteger.
  4. Verificar se a medida funciona e rever periodicamente.

Este ciclo aplica-se a cada posto de trabalho do atelier: do forno à bancada de lapidação.

Bloco 3 · A hierarquia da prevenção

A ordem correta da prevenção

A lei (Lei 102/2009, art. 15.º) estabelece uma ordem de prioridade para as medidas de prevenção. Não se escolhe ao acaso: começa-se sempre pelo topo.

  1. Evitar os riscos.
  2. Combater os riscos na origem.
  3. Substituir o perigoso pelo não perigoso ou pelo menos perigoso.
  4. Adaptar o trabalho ao ser humano (ergonomia, ritmo, postos de trabalho).
  5. Dar prioridade às medidas de proteção coletiva sobre as individuais.
  6. Só depois, as medidas de proteção individual (EPI).
  7. Formação e informação adequadas em todas as fases.

Aplicar a hierarquia num atelier de vidro

Exemplo prático, aplicando os degraus da hierarquia a um risco real do atelier:

Degrau Medida no atelier de vidro
Evitar Não expor quem não é necessário à zona do forno
Combater na origem Exaustão local sobre o forno, para captar fumos e calor
Substituir Usar processos de corte a húmido em vez de a seco (menos poeira de sílica)
Proteção coletiva Barreiras térmicas, ventilação geral da oficina
Proteção individual Óculos, luvas, avental resistente ao calor
Formação Explicar a cada aluno o risco antes de o expor a ele

Bloco 4 · Planos e documentos de segurança

Plano de segurança interno e manuais

O plano de segurança interno organiza, num único documento, como o atelier previne e responde a incidentes. Reúne vários planos específicos:

  • Plano de prevenção de acidentes: medidas para reduzir a probabilidade de acidente em cada posto.
  • Plano de prevenção de incêndios: medidas estruturais e de comportamento contra o fogo.
  • Os manuais de segurança documentam os procedimentos, para que sejam consultados e cumpridos por todos.

Interpretar e utilizar estes documentos é uma aptidão exigida nesta UC.

Planos de evacuação, emergência e contra roubo

  • Plano de evacuação: percursos, saídas e ponto de encontro, definidos e sinalizados.
  • Plano de emergência: quem faz o quê, por que ordem, em qualquer situação grave (incêndio, acidente, fuga de gás).
  • Plano contra roubos: controlo de acessos, chaves e materiais valiosos (vidro, metais preciosos usados em decoração, ferramentas).

Respeitar o protocolo interno definido é um dos três critérios de desempenho desta UC: seguir o plano do local onde se trabalha, não improvisar.

Bloco 5 · Equipamentos de proteção individual

O que são EPI e quando são obrigatórios

Um equipamento de proteção individual (EPI) é qualquer equipamento destinado a ser usado pelo trabalhador para se proteger de um ou mais riscos suscetíveis de ameaçar a sua saúde ou segurança.

  • É o último recurso da hierarquia da prevenção, não o primeiro.
  • É obrigatório sempre que o risco não pode ser eliminado nem controlado por outra via (Portaria 988/93).
  • Tem de estar adequado ao risco concreto, ser confortável e não criar um risco novo.
  • A entidade formadora ou empregadora fornece o EPI; usá-lo corretamente é responsabilidade do trabalhador.

Regras de vestuário e movimentação de materiais

  • Vestuário: sem partes soltas, mangas largas ou adornos que possam prender-se ou incendiar-se perto do forno.
  • Prevenção de choques elétricos: verificar cabos e equipamentos antes de usar; nunca com mãos ou vestuário húmidos.
  • Movimentação de peças pesadas: técnica correta de levantamento (pernas, não costas), usar meios auxiliares e pedir ajuda quando necessário.
  • Ergonomia e proteção de máquinas: postos ajustados à pessoa, resguardos das máquinas sempre no lugar.

Estas regras cobrem o critério "tipos de risco existentes no posto de trabalho e respetivas medidas de segurança".

Bloco 6 · Trabalho a quente

Riscos do trabalho a quente

O trabalho junto do forno de vidro, com o material incandescente, concentra riscos próprios:

  • Radiação infravermelha do forno e do vidro fundido: pode lesar a pele e sobretudo a vista.
  • Queimaduras por contacto direto, radiação ou projeção de vidro quente.
  • Gases e fumos de combustão, se o forno não estiver bem ventilado ou exaustado.
  • Superfícies quentes fora do forno (ferramentas, bancadas, peças em arrefecimento) que continuam perigosas muito depois de saírem do calor visível.

Uma peça de vidro parece fria à vista muito antes de o estar ao toque.

EPI específico do vidro a quente

Para trabalhar junto do forno, o EPI tem de responder aos riscos específicos do calor e da radiação:

  • Proteção ocular contra radiação infravermelha: óculos ou viseira com filtro específico para IV, não óculos de sol comuns.
  • Luvas resistentes ao calor, próprias para manuseio de vidro incandescente.
  • Vestuário resistente ao calor: avental e mangas em material não inflamável, sem sintéticos que derretam.
  • Calçado de proteção: fechado, resistente e antiderrapante, para projeções e para o chão junto do forno.

Nenhum destes EPI é opcional junto de um forno em funcionamento.

Bloco 7 · Trabalho a frio

Riscos do trabalho a frio: corte, lapidação e jato de areia

Depois de o vidro arrefecer, o trabalho de acabamento traz outro tipo de riscos:

  • Cortes e estilhaços: o vidro parte-se em arestas afiadas e fragmentos que podem projetar-se.
  • Sílica cristalina respirável: libertada ao cortar, lapidar ou aplicar jato de areia a seco; a inalação repetida é um risco grave para os pulmões.
  • Ruído: máquinas de corte, lapidação e jato de areia podem atingir níveis elevados.
  • Projeções de partículas de vidro e de abrasivo durante o jato de areia.

O pó fino de vidro e de abrasivo não se vê a olho nu tão facilmente como um estilhaço.

EPI e boas práticas no trabalho a frio

  • Corte e lapidação a húmido: usar água para reduzir drasticamente a poeira de sílica no ar, sempre que o processo o permita.
  • Proteção respiratória adequada: quando não é possível trabalhar a húmido, ou no jato de areia, usar máscara ou proteção respiratória própria para partículas finas.
  • Proteção ocular contra projeções: óculos ou viseira resistentes a impacto, em todo o corte, lapidação e jato de areia.
  • Proteção auditiva: em processos e máquinas ruidosos.
  • Luvas resistentes ao corte na manipulação de vidro partido ou em bruto.

A combinação húmido + proteção respiratória é a regra de ouro contra a sílica.

Bloco 8 · Causas de acidentes de trabalho

Causas de acidentes no atelier

Conhecer as causas mais frequentes é o que permite antecipá-las:

  • Movimentação: quedas, entorses, esforços mal feitos ao levantar peso.
  • Choques e quedas: pisos escorregadios, objetos no caminho, degraus mal sinalizados.
  • Ferramentas e máquinas em movimento: contacto com partes móveis, resguardos retirados.
  • Choques elétricos: cabos e equipamentos danificados, mãos húmidas.
  • Agentes químicos e gases: contacto ou inalação de produtos usados no atelier (corantes, ácidos, gases de combustão).
  • Queimaduras: contacto com o forno, peças quentes ou ferramentas.

Negligência, atenção e ergonomia

Muitos acidentes não têm uma causa técnica isolada, resultam de fatores humanos e organizativos:

  • Negligência e falta de atenção: rotina, pressa e distração aumentam o erro. Combate-se com procedimentos claros, pausas e supervisão.
  • Proteção de máquinas: resguardos, paragens de emergência e sinalização, sempre operacionais.
  • Ergonomia: postos de trabalho ajustados à tarefa e à pessoa, para reduzir fadiga e posturas forçadas.

A atitude de autocontrolo e responsabilidade conta tanto como o equipamento.

Bloco 9 · Primeiros socorros e emergências

Caixa de primeiros socorros e situações de emergência

A caixa de primeiros socorros deve estar acessível, completa e verificada regularmente, para responder a situações como:

  • Perda de sentidos, feridas abertas ou fechadas.
  • Choque elétrico e eletrocussão.
  • Ataque cardíaco, entorses ou distensões.
  • Envenenamento e queimaduras.

Em qualquer emergência, os primeiros minutos são decisivos: manter a calma, avaliar a situação sem se colocar em risco, e acionar ajuda especializada.

O número 112 e o procedimento de emergência

Em qualquer emergência grave, ligar 112 e seguir sempre este procedimento:

  1. Avaliar a segurança do local antes de agir; não te tornes uma segunda vítima.
  2. Ligar 112, dar a morada exata, o tipo de emergência e o número de vítimas.
  3. Seguir as instruções do operador até chegar ajuda.
  4. Não mover a vítima, exceto se houver perigo imediato (fogo, gás).
  5. Manter a vítima consciente e calma, se possível, até à chegada da ajuda.

Regra crítica: nunca tocar diretamente numa vítima em contacto com corrente elétrica. Corta-se primeiro a corrente no quadro elétrico ou afasta-se a vítima com um objeto seco e não condutor (madeira, plástico); só depois se presta assistência.

Bloco 10 · Incêndios: causas, tipos e deteção

Causas e tipos de incêndio no atelier

Um atelier de vidro tem várias fontes possíveis de incêndio:

  • Sistema de aquecimento e cozedura (o próprio forno).
  • Chaminé e tubos de fumo mal limpos ou danificados.
  • Materiais inflamáveis perto de zonas quentes.
  • Aparelhos elétricos avariados ou sobrecarregados.
  • Trabalhadores ou outras pessoas fumadoras em zonas não autorizadas.

Os incêndios classificam-se por tipo, consoante o material que arde (sólidos comuns, líquidos inflamáveis, gases, metais, elétricos), o que determina o extintor certo para cada um.

Sistemas de deteção

  • Deteção de fumo: sensores que reagem a partículas de combustão, os mais comuns em espaços interiores.
  • Deteção de calor: sensores que reagem à temperatura, úteis onde há fumo ou vapor normais (perto do forno).
  • Deteção de gás: sensores específicos onde há garrafas ou linhas de gás.
  • Todos os sistemas devem estar ligados a um alarme audível e ser testados periodicamente.

Detetar cedo é o que transforma um princípio de incêndio num incidente controlado.

Bloco 11 · Extintores e atuação

Tipos de extintores

Cada tipo de extintor destina-se a classes de incêndio específicas; usar o errado pode agravar o fogo:

Extintor Indicado para
Água/espuma sólidos comuns (madeira, papel, tecido)
Pó químico vários tipos, uso genérico
CO2 equipamento elétrico, sem deixar resíduos
Específicos para metais/gases riscos particulares do atelier

Antes de usar qualquer extintor, é preciso saber qual o tipo de fogo que se tem à frente.

Atuação em caso de incêndio

Procedimento de atuação, por ordem:

  1. Dar o alarme e avisar quem está por perto.
  2. Avaliar se é um princípio de incêndio controlável ou se é preciso evacuar de imediato.
  3. Se controlável: usar o extintor certo, seguindo o plano de ataque (aproximar a favor do vento/saída, atacar a base do fogo).
  4. Se não for controlável: evacuar pelo percurso definido, acionar o sistema automático se existir, e ligar 112.
  5. Nunca voltar a uma zona evacuada antes de autorização.

Para incêndios de gás (ex.: fuga junto de garrafas ou linhas), a prioridade é cortar a alimentação de gás sempre que seguro fazê-lo, e afastar toda a gente; só técnicas específicas de extinção de incêndio de gás, por pessoal preparado, devem ser tentadas.

Bloco 12 · Prevenção de roubo e fecho

Prevenção de roubo no atelier

O atelier de vidro guarda material valioso (matérias-primas, ferramentas, peças acabadas) que também precisa de proteção:

  • Controlo de acessos: chaves, códigos ou registo de quem entra e sai.
  • Inventário atualizado de materiais e ferramentas.
  • Armazenamento seguro de peças e materiais de maior valor.
  • Seguir sempre o plano contra roubos definido pelo local de trabalho.

Aplicar medidas de prevenção de roubo é uma das aptidões avaliadas nesta UC.

O que fica desta UC

  • SST assenta em princípios, legislação (Lei 102/2009, DL 348/93) e no protocolo interno de cada local.
  • A hierarquia da prevenção manda evitar e combater o risco na origem antes de recorrer ao EPI.
  • O vidro tem riscos próprios: calor e radiação IV a quente; cortes, sílica e ruído a frio.
  • Em qualquer emergência: avaliar, ligar 112, seguir instruções, e nunca tocar numa vítima em contacto elétrico.
  • Responsabilidade, autocontrolo e respeito pelas normas protegem tanto quanto qualquer equipamento.

Um atelier seguro começa antes do primeiro acidente, não depois.

Recapitulando

  • SST: princípios, enquadramento legal (Lei 102/2009, DL 348/93) e protocolo interno.
  • Hierarquia da prevenção: evitar → combater na origem → substituir → adaptar o trabalho → proteção coletiva → EPI → formação.
  • Vidro a quente: radiação IV, queimaduras, EPI térmico. Vidro a frio: cortes, sílica, ruído, corte/lapidação a húmido.
  • Emergências: 112, procedimento passo a passo, nunca tocar numa vítima em contacto elétrico.
  • Incêndios: causas, tipos, deteção, extintor certo, plano de ataque ou evacuação.

Próximo: fichas e projeto, aplicar estas normas a casos concretos do atelier.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: SST não é burocracia, é o que separa um acidente evitado de um acidente que acontece. - erro comum: achar que "já sei, tenho cuidado" chega. O cuidado individual não substitui o procedimento. - exemplo: pedir à turma para listar, em 1 minuto, 3 riscos que já viram num atelier ou oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estes diplomas não são decoração, aparecem nas fichas e no exame. Ficar com os nomes e o essencial de cada um. - erro comum: confundir a lei geral de SST (102/2009) com a lei específica de EPI (348/93). Uma define o regime, a outra o equipamento. - exemplo/analogia: a Lei 102/2009 é a "constituição" da segurança no trabalho; o DL 348/93 é uma "lei especial" sobre uma peça concreta dessa constituição, o EPI.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fadiga não é só "estar cansado", é um fator de risco mensurável que precede muitos acidentes. - erro comum: pensar que o risco é só o que se vê (uma máquina), esquecendo o ambiente (calor do forno, ruído da lapidação). - exemplo: comparar um turno no fim do dia, cansado e com pressa, com o início do turno, para discutir porque a maioria dos acidentes acontece a certas horas.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: é um ciclo contínuo, não "faz-se uma vez e está resolvido". - erro comum: avaliar o risco só pela gravidade e esquecer a probabilidade, ou vice-versa. - exemplo/analogia: como uma revisão do carro, não se faz só quando avaria, faz-se antes, com regularidade.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o EPI é o penúltimo recurso, não o primeiro. Isto é o erro mais comum de quem entra na área. - erro comum: achar que "ter o EPI" resolve tudo. O EPI protege quem já está exposto; a prevenção verdadeira evita a exposição. - exemplo: perguntar à turma o que é melhor, extrair os fumos do forno na origem (exaustão) ou dar uma máscara a quem está ao lado. Resposta: extrair na origem primeiro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a mesma hierarquia serve para qualquer risco do atelier, não só o forno. Pedir à turma para repetir o exercício para o ruído da lapidação. - erro comum: saltar direto para "dar o EPI" sem passar pelos degraus anteriores. - exemplo/analogia: é como apagar um incêndio, primeiro corta-se o gás (origem), só depois se usa o extintor (proteção).

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um plano que ninguém leu não protege ninguém. Tem de ser conhecido por toda a equipa. - erro comum: pensar que o plano é "papel para a inspeção". É uma ferramenta de trabalho diário. - exemplo: mostrar (ou simular) um índice de um manual de segurança de um atelier e identificar as suas secções.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada atelier tem o seu protocolo próprio. O que se aprende aqui é o método, não um plano único para todos os locais. - erro comum: confundir plano de evacuação (sair em segurança) com plano de emergência (o que fazer antes de sair, quem aciona o quê). - exemplo/analogia: o plano de evacuação é o "mapa de saída"; o plano de emergência é o "guião" de quem faz o quê.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: EPI errado (ex.: luva fina perto do forno) dá uma falsa sensação de segurança, que é pior do que não ter EPI nenhum. - erro comum: usar o mesmo EPI para todas as tarefas. Cada risco pede o EPI certo. - exemplo: mostrar (ou descrever) um par de luvas de algodão fino e perguntar se servem para retirar uma peça do forno. Não servem.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as normas de vestuário perto do forno não são estética, evitam queimaduras e incêndio no próprio vestuário. - erro comum: retirar o resguardo de uma máquina "só por um instante". É nesse instante que ocorre o acidente. - exemplo/analogia: levantar uma caixa pesada dobrando os joelhos, não as costas, é o mesmo princípio que se aplica a mover uma peça de vidro grande.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a radiação infravermelha lesa mesmo sem contacto direto e sem se sentir de imediato, é um risco silencioso. - erro comum: tocar numa peça "porque já não brilha" e queimar-se, o vidro perde a cor incandescente muito antes de arrefecer de facto. - exemplo: perguntar à turma quanto tempo acham que uma peça retirada do forno demora a poder tocar-se sem proteção. Muito mais do que parece.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: óculos de sol NÃO protegem da radiação infravermelha do forno, é um erro perigoso e frequente. É preciso filtro específico para IV. - erro comum: usar luvas sintéticas (podem derreter e colar à pele) em vez de luvas próprias para calor. - exemplo/analogia: comparar com um soldador, que usa viseira própria e não óculos comuns, pelo mesmo motivo, a radiação do processo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o perigo da sílica cristalina respirável não é imediato, é um risco de exposição repetida ao longo do tempo. Isso não o torna menos grave. - erro comum: pensar que só o corte "corta", esquecendo que a lapidação e o jato de areia geram pó igualmente perigoso para respirar. - exemplo: perguntar porque é que um estilhaço grande se vê e evita-se facilmente, mas o pó fino não. Ligar isso à necessidade de proteção respiratória mesmo sem cortes visíveis.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: trabalhar a húmido não substitui a proteção respiratória quando não é possível fazê-lo, são medidas complementares, não alternativas automáticas. - erro comum: usar uma máscara de pano comum em vez de proteção respiratória própria para partículas finas. Não é equivalente. - exemplo/analogia: é como regar uma estrada de terra para não levantar pó, molhar reduz a poeira no ar, mas onde não se consegue molhar, protege-se a respiração.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maioria destes acidentes tem uma causa evitável e conhecida à partida, não são "azar". - erro comum: achar que os acidentes elétricos só acontecem com equipamento avariado. Mãos húmidas em equipamento normal também são risco. - exemplo: pedir à turma que associe cada causa a uma medida de prevenção já vista nos blocos anteriores.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: procedimento claro + atenção do trabalhador é a combinação que reduz o erro, um sem o outro não chega. - erro comum: culpar só "o trabalhador distraído" e ignorar se o posto de trabalho estava mal desenhado, o que também causa o erro. - exemplo/analogia: comparar com conduzir cansado, o erro humano aumenta muito, mas um carro com bons sistemas de segurança reduz as consequências.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: primeiros socorros não substituem assistência médica, servem para estabilizar e pedir ajuda o mais depressa possível. - erro comum: mexer numa vítima sem avaliar primeiro o próprio risco (eletricidade, gás, fogo) e acabar por criar uma segunda vítima. - exemplo: perguntar quem na turma já usou uma caixa de primeiros socorros e para quê.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: repetir a regra do choque elétrico até ficar automática, é a que mais vidas salva por evitar uma segunda vítima. - erro comum: correr a tocar na vítima por instinto de ajudar. É exatamente isso que transforma uma vítima em duas. - exemplo/analogia: é como não entrar numa casa em chamas para salvar um objeto, o instinto de ajudar tem de vir depois de garantir a própria segurança.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o forno é a fonte de calor mais óbvia, mas as causas elétricas e a chaminé mal limpa são igualmente frequentes. - erro comum: guardar materiais inflamáveis "só por um dia" perto do forno. É precisamente esse "só por um dia" que causa o incidente. - exemplo: pedir à turma para identificar, num atelier tipo, os pontos onde poderia começar um incêndio.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: junto do forno, um detetor de fumo comum pode disparar falsos alarmes, daí a preferência por deteção de calor nessa zona. - erro comum: desligar ou tapar um detetor "porque dispara muito". Resolve-se trocando o tipo de sensor, nunca desligando. - exemplo/analogia: comparar com um detetor de fumo doméstico junto do forno da cozinha, o mesmo princípio de escolher o sensor certo para o ambiente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: água nunca em equipamento elétrico ligado, é um dos erros mais graves e mais comuns. - erro comum: agarrar no extintor mais próximo sem verificar se é o indicado para aquele tipo de fogo. - exemplo: mostrar (ou descrever) a etiqueta de um extintor e identificar para que classes de fogo serve.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a primeira decisão é sempre "ataco ou evacuo", nunca tentar apagar algo que já está fora de controlo. - erro comum: tentar apagar um incêndio de gás com água ou extintor comum sem cortar primeiro a alimentação, quando é seguro fazê-lo. - exemplo/analogia: como um simulacro de evacuação escolar, o treino da rota e da ordem de passos é o que faz a diferença no momento real.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: segurança não é só evitar acidentes, é também proteger o património do atelier e dos colegas. - erro comum: deixar portas ou armários abertos "só um instante" fora do horário de trabalho. - exemplo: perguntar que medidas simples de controlo de acesso já viram num espaço de trabalho ou escola.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é o slide para rever todos os critérios de desempenho da UC de uma vez, antes das fichas. - erro comum: tratar esta UC como "teórica e sem interesse". É a que mais protege a integridade física ao longo de todo o curso. - exemplo/analogia: fazer um jogo relâmpago, dizer um risco do vidro e a turma responde com a medida de prevenção certa.