UC02119

Executar portas e janelas

Desenho técnico, tipos de janelas, portas e aros, samblagens, colagem com palmetas, ferragens e vidros

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Marcenaria e Carpintaria

Plano

  1. Portas e janelas: nomenclatura e contexto
  2. Desenho técnico: leitura e interpretação
  3. Seleção e preparação da madeira
  4. Tipos de janelas e aros
  5. Tipos de portas e aros
  6. Medidas de corte
  7. Marcação e traçagem
  8. Samblagens e máquinas-ferramentas
  9. Furação, respigagem, moldagem e armação
  10. Colagem com palmetas: ajustamento e desempeno
  11. Esquadrias, empenos, afagar e lixar
  12. Ferragens para janelas e portas
  13. Aplicação de vidros
  14. Segurança, saúde, ambiente e qualidade

Bloco 1 · Portas e janelas: nomenclatura e contexto

Aro e folha

Uma porta ou uma janela é sempre um conjunto de duas partes:

  • Aro: o quadro fixo, preso ao vão da parede.
  • Folha: a parte móvel que fecha o vão (na janela também se diz caixilho móvel).
  • O conjunto tem de fechar, vedar, isolar e resistir ao uso diário, cumprindo as medidas do desenho.

Executar portas e janelas junta desenho, madeira, samblagem, colagem, acabamento, ferragem e vidro.

Nomenclatura: o que é do aro e o que é da folha

Aro (fixo) Folha (móvel)
Montantes (prumos) Couceiras (de suspensão e do fecho)
Travessa superior do aro Travessas superior, inferior, intermédias
Peitoril (janela) ou soleira (porta) Pinázios (dividem o vidro)
Batente (rebaixo onde a folha encosta) Bites ou baguetes (prendem o vidro); almofadas (portas)

A couceira é sempre da folha. "Ombreira" é a face lateral do vão da parede.

Contexto de trabalho e critérios de desempenho

Estas operações fazem-se em:

  • obras de carpintaria;
  • indústrias de carpintaria e mobiliário com madeira;
  • outras indústrias da segunda transformação da madeira.

A UC avalia três critérios: construir janelas com aro e construir portas com aro de acordo com o desenho, cumprindo as normas de segurança e saúde no trabalho.

Bloco 2 · Desenho técnico: leitura e interpretação

Ler o desenho antes de cortar

Elemento O que define
Alçado forma, medidas fora a fora, folhas, sentido de abertura
Corte horizontal montantes do aro, couceiras, encontro entre folhas
Corte vertical travessas, peitoril ou soleira, pingadeiras
Pormenores (1:1, 1:2) perfil, rebaixos, ferragens, vedantes
Lista de materiais e notas espécie, colas, ferragens, vidro, folgas, tolerâncias

Cotas em milímetros. Nunca medir o desenho com a régua: usar as cotas escritas.

Exemplo resolvido · interpretar um corte de aro

Um corte indica: montante do aro com 68 × 42 mm, batente em rebaixo de 15 × 20 mm, primeira dobradiça a 200 mm do topo da folha.

  1. Secção (68 × 42 mm): a peça a preparar, já aparelhada.
  2. Rebaixo (15 × 20 mm): o batente onde a folha fecha; ler qual é a profundidade e qual é a largura.
  3. Dobradiça (200 mm): medida sempre da mesma referência, o topo da folha.

Exemplo resolvido · da cota à lista de corte

Aro com 800 × 1200 mm fora a fora; montantes e travessa superior com 60 mm; peitoril com 80 mm.

  • Montantes do aro: 2 × 1200 mm (mais sobra).
  • Luz na largura: 800 - 60 - 60 = 680 mm.
  • Luz na altura: 1200 - 60 - 80 = 1060 mm.
  • Travessas do aro: 680 mm de ombro a ombro, mais as respigas.

A lista de corte (peça, quantidade, comprimento, largura, espessura, espécie) vai para a serra.

Bloco 3 · Seleção e preparação da madeira

A madeira mexe

  • Anisotropia: retração longitudinal desprezável; tangencial cerca do dobro da radial.
  • O comprimento das peças segue sempre o sentido do fio.
  • Peças em corte radial e madeira lamelada colada empenam menos.
  • Teor de água: 8 a 12 % para interior; mais alto para exterior (caderno de encargos).
  • Cálculo em base seca: (massa húmida - massa anidra) ÷ massa anidra × 100.

Exemplo: 520 g húmida, 460 g anidra: 60 ÷ 460 × 100 = 13,0 %.

Selecionar a madeira

Espécie Uso típico
Pinho bravo, casquinha, abeto aros, portas interiores, janelas pintadas; tratamento para exterior
Carvalho portas e janelas de qualidade, à vista
Câmbala, sapeli, meranti portas de entrada e janelas exteriores

Critérios: fio direito, sem nós soltos, fendas, medula ou ataque de insetos, teor de água dentro do especificado.

Serrar, desempenar e desengrossar

  1. Serrar com sobra (alguns milímetros na espessura e na largura).
  2. Desempenar na desempenadeira: face e canto de referência a 90°.
  3. Desengrossar na garlopa de desengrosso: espessura final paralela à face de referência; depois a largura.
  4. Cortar ao comprimento, com sobras nos topos.

A desempenadeira não garante espessura nem paralelismo. Ao conjunto chama-se aparelhar.

Bloco 4 · Tipos de janelas e aros

Tipos de janela e o seu movimento

Tipo Movimento Eixo
Batente roda como uma porta vertical, lado das dobradiças
Correr desliza na horizontal em calhas não roda
Guilhotina desliza na vertical em guias não roda
Basculante o topo inclina para dentro horizontal, geralmente inferior
Pivotante metade para dentro, metade para fora central, horizontal ou vertical
Oscilobatente batente ou báscula, um só puxador vertical e horizontal inferior

Janela de batente

  • Uma folha: couceira de suspensão (dobradiças) e couceira do fecho.
  • Duas folhas: encontro com rebaixos sobrepostos (meio-batente), régua de encontro; a folha passiva presa por ferrolhos ou pela cremona.
  • Aro: batente nos montantes e na travessa superior; peitoril inclinado com pingadeira.
  • Ferragem: dobradiças, cremona ou espanholeta, puxador.

Janela de correr e de guilhotina com aro

Correr: folhas em planos diferentes, em calhas do peitoril e ranhuras da travessa superior; a folha entra por cima e pousa em baixo; roldanas ou patins, fecho de gancho.

Guilhotina: folhas que deslizam na vertical em calhas dos montantes, separadas por uma régua; cada folha equilibrada por contrapesos com cordas e roldanas ou por balanceadores; fecho nas travessas de encontro.

Basculante, pivotante e oscilobatente

  • Basculante: dobradiças na travessa inferior, braços limitadores laterais, fecho em cima. Com eixo superior e abertura para fora chama-se projetante.
  • Pivotante: dois pivôs a meio da folha; o batente muda de face na linha do eixo.
  • Oscilobatente: ferragem perimetral (caixa de manobra, varões, pontos de fecho, compasso, dobradiça de canto inferior) com bloqueio de falsa manobra; posições pela ficha técnica.

Exemplo resolvido · escolher o tipo certo

Casa de banho, vão estreito e alto, ventilação frequente sem ocupar espaço à frente do lavatório.

  1. Movimento: basculante (ou oscilobatente em báscula), ventila pouco aberta.
  2. Aro: batente nos quatro lados, peitoril com escoamento.
  3. Ferragem: dobradiças em baixo, braços limitadores, fecho alto com comando.
  4. Vidro: translúcido, por privacidade.

Bloco 5 · Tipos de portas e aros

Tipos de porta

Pelo movimento Pela construção da folha
Batente (uma ou duas folhas) Almofadada: almofadas soltas nas ranhuras, sem cola
Correr (à face ou embutida) Envidraçada: rebaixo para vidro
Pivotante (pivôs no chão e no aro) Lisa: faces sobre quadro com enchimento
Vaivém (dobradiças ou pivôs de mola) De réguas: réguas macheadas com travessas

Aro de porta e folgas

  • Aro interior: montantes e travessa superior, com guarnições (alizares) a cobrir a junta com a parede.
  • Aro exterior: soleira inclinada, pingadeira, vedantes.
  • Três folgas: montagem (aro/vão), funcionamento (folha/aro) e inferior (folha/pavimento).

Os valores vêm do desenho, nunca a olho.

Exemplo resolvido · folha de uma porta interior

Aro 900 × 2100 mm, montantes e travessa com 40 mm, batente de 12 mm, folga de 2 mm, folga inferior de 8 mm.

  • Largura: 900 - 80 = 820; + 24 = 844; - 4 = 840 mm.
  • Altura: 2100 - 40 = 2060; + 12 = 2072; - 2 - 8 = 2062 mm.

Travessas com respiga passante: 840 mm; ombro a ombro com couceiras de 110 mm: 840 - 220 = 620 mm.

Bloco 6 · Medidas de corte

Exemplo resolvido · a folha de uma janela de batente

Aro 800 × 1200; peças do aro 60 / 60 / 80 mm; batente 12 mm; folga 2 mm.

Largura Altura
Fora a fora 800 1200
Luz do aro 680 1060
+ dois rebaixos 704 1084
- duas folgas 700 1080

Exemplo resolvido · travessas e ombros desencontrados

Folha 700 mm; couceiras de 55 mm; respiga passante com 2 mm de sobra; rebaixo de vidro de 12 mm.

  1. Ombro a ombro: 700 - 55 - 55 = 590 mm.
  2. Corte: 590 + 57 + 57 = 704 mm.
  3. Do lado do rebaixo: 700 - 43 - 43 = 614 mm (ombros desencontrados 12 mm em cada ponta).
  4. Respiga: regra do terço, 45 ÷ 3 = 15 mm.

Exemplo resolvido · vidro, diagonal e peso

  • Luz do vidro: 590 × 950 mm; com rebaixos: 614 × 974; menos 3 mm à volta: 608 × 968 mm.
  • Diagonal da folha: √(700² + 1080²) = √1 656 400 ≈ 1287 mm.
  • Peso do vidro: cerca de 2,5 kg/m² por mm. Simples 4 mm: 0,589 × 2,5 × 4 ≈ 5,9 kg; duplo 4 + 16 + 4: ≈ 11,8 kg.

Bloco 7 · Marcação e traçagem

Marcar e traçar couceiras, travessas e pinázios

  1. Tudo a partir da face e do canto de referência.
  2. Peças iguais marcadas em conjunto, lado a lado.
  3. Graminho de caixas: a mesma afinação para a caixa e para a respiga.
  4. Ombros desencontrados nas peças com rebaixo.
  5. Numerar e pôr o sinal de marceneiro; cruz nas zonas a remover.

Pinázios: luz 590 mm, 2 pinázios de 25 mm, 3 vidros: (590 - 50) ÷ 3 = 180 mm.

Marcação por tipo de janela

  • Correr: calhas e ranhuras, régua de separação, sobreposição das couceiras de encontro.
  • Guilhotina: calhas dos montantes, roldanas, acesso aos contrapesos ou balanceadores.
  • Basculante: dobradiças na travessa inferior, braços limitadores, fecho em cima.
  • Pivotante: linha do eixo e pivôs marcados com a folha no aro; ponto onde o batente muda de face.
  • Oscilobatente: caixa de manobra, dobradiça de canto, compasso e recebedores pelo gabarito da ferragem.

Bloco 8 · Samblagens e máquinas-ferramentas

Fura e respiga

A respiga (saliente no topo da travessa) entra na caixa (rasgo na couceira).

  • Ombros: encostam à couceira e definem o comprimento útil e a esquadria.
  • Espessura: cerca de 1/3 da peça.
  • Passante: atravessa e é encunhada com palmetas; a mais resistente.
  • Cega: não se vê do lado de fora.

Tipos de samblagem e onde se usam

Samblagem Onde
Respiga passante / cega cantos de folhas e aros
Respiga dupla travessas largas de portas
Respiga com contraperfil caixilharia com perfil moldado
Meia-madeira cruzamento de pinázios, aros simples
Cavilhas ligações industriais, reforço
Meia-esquadria (45°) guarnições, bites, molduras
Malhete (cauda de andorinha) pouco usado nas folhas

Máquinas-ferramentas desta UC

Máquina Operação
Serra circular / esquadrejadora serrar ao comprimento e à largura
Desempenadeira face e canto de referência
Garlopa de desengrosso espessura e largura finais
Furadora de corrente, de formão oco, horizontal caixas
Respigadeira ou tupia com carro respigas e contraperfis
Tupia rebaixos, perfis, ranhuras
Lixadoras, fresadora manual, berbequim lixar, alojamentos, furos

Serra circular e tupia: cuidados

  • Cutelo divisor atrás da serra, alinhado com ela: evita que a madeira aperte a serra e seja projetada para trás (retrocesso).
  • Serra pouco acima da peça; empurrador nas peças estreitas; não ficar na linha da peça.
  • Tupia: ferramenta certa e apertada, avanço contra a rotação, peças pequenas em gabarito.
  • Nunca luvas soltas, adornos ou roupa larga junto de ferramentas em rotação.

Bloco 9 · Furação, respigagem, moldagem e armação

As três operações de execução

  • Furação: caixas na furadora de corrente, de formão oco ou horizontal; nas passantes, furar metade de cada face e alargar a saída para as palmetas.
  • Respigagem: respigas e ombros na respigadeira, na tupia com carro de respigar ou à mão; a respiga ajusta-se à caixa.
  • Moldagem: rebaixos, ranhuras, pingadeiras e perfis na tupia (ou moldureira).

As caixas abrem-se com as sobras nos topos ainda na peça.

Exemplo resolvido · sequência numa travessa

Travessa de 704 mm, respiga passante nas duas pontas, rebaixo de vidro de 12 mm.

  1. Cortar ao comprimento, topos a 90°.
  2. Marcar os ombros: 590 mm e 614 mm (lado do rebaixo).
  3. Respigar as duas pontas, ajustando à caixa.
  4. Moldar o rebaixo, com tábua de apoio à saída.
  5. Armar a seco e ver o rebaixo alinhado com o das couceiras.

Com perfil decorativo: respiga com contraperfil ou perfil cortado à mão a 45° no ombro.

Armar a seco antes de colar

  1. Uma couceira deitada, travessas e pinázios encaixados, a outra couceira por cima.
  2. Juntas a fechar sem forçar, ombros sem luz.
  3. Aperto ligeiro: diagonais e planeza.
  4. Faces à face, rebaixos alinhados, almofadas com folga.
  5. Desmontar, corrigir, e só depois colar.

Bloco 10 · Colagem com palmetas: ajustamento e desempeno

O que são palmetas

As palmetas são pequenas cunhas de madeira metidas com cola ao lado da respiga passante, na saída da caixa. Batidas com o maço, apertam a respiga e travam a junta.

  • Madeira seca, fio direito, fio no sentido da respiga.
  • Inclinação suave; duas por respiga.
  • Cola adequada: para exterior, resistente à água (classes da EN 204 até D4, ou poliuretano).

Os pedaços de madeira entre o sargento e a peça são calços, não palmetas.

Colar e encunhar passo a passo

  1. Preparar tudo: sargentos abertos, calços, palmetas, maço, fita, pano.
  2. Cola nas faces da respiga e nas paredes da caixa.
  3. Montar pela ordem da armação a seco.
  4. Apertar com sargentos e calços, progressivamente, alternando os lados.
  5. Medir as diagonais.
  6. Encunhar com as palmetas (ajustamento).
  7. Verificar o desempeno; limpar a cola; secar no plano.

Ajustamento e desempeno

  • Ajustamento: bater mais a palmeta de um lado desloca a respiga na caixa alargada e roda a travessa; ajusta-se até as diagonais ficarem iguais. Antes da cola: acertos com formão, plaina ou lixa.
  • Desempeno: o conjunto fica plano. Bancada plana, sargentos no plano, réguas de empeno; corrigir com calços ou peso enquanto a cola está fresca.

Exemplo: diagonais 1290 e 1284 mm (teórica 1287): corrigir até 1287 e 1287.

Bloco 11 · Esquadrias, empenos, afagar e lixar

Verificar esquadrias e empenos

  • Diagonais iguais: quadro em esquadria (a verificação mais fiável num conjunto grande).
  • Esquadro: canto a canto. Regra 3-4-5: 300 e 400 mm, distância de 500 mm.
  • Empenos: torção, arqueamento, encurvamento, abaulamento; réguas de empeno, régua com luz rasante.
Desvio Ação
Diagonais diferentes sargentos e palmetas, com a cola fresca
Conjunto torcido corrigir o plano antes de secar
Peça torcida antes de colar substituir ou voltar a aparelhar

Afagar e lixar

  1. Afagar: pôr à face com plaina afiada; cortar pontas de respigas e palmetas; nas juntas, de fora para dentro.
  2. Lixar: grãos progressivos sem saltar (por exemplo 120, depois 150 ou 180), no sentido do fio.
  3. Nas juntas: primeiro a travessa, depois a couceira, com régua a proteger.
  4. Partir as arestas vivas; tirar o pó antes do acabamento.

Bloco 12 · Ferragens para janelas e portas

Ferragens para janelas

Ferragem Tipo de janela
Dobradiças, cremona ou espanholeta, ferrolhos batente
Caixa de manobra, compasso, dobradiça de canto, bloqueio de falsa manobra oscilobatente
Braços limitadores (compassos) basculante, projetante
Pivôs com travão pivotante
Roldanas, patins, calhas, fecho de gancho correr
Cordas, roldanas e contrapesos, ou balanceadores guilhotina
Vedantes (borracha, escova) todas

Ferragens para portas

Ferragem Função
Dobradiças (de pernos, de livro, ocultas, de mola) suportam e articulam a folha
Fechadura de embutir e chapa-testa trinco e lingueta; recebedor no aro
Cilindro, puxadores, espelhos trancar e manobrar
Ferrolhos folha passiva de porta de duas folhas
Fecha-portas, batentes de chão fecho controlado, proteção da parede
Calhas, pivôs, vedantes, soleira correr, pivotar, vedar

Técnicas de aplicação de ferragens

  1. Ler a ficha técnica (alojamento, posição, parafusos, mão).
  2. Marcar folha e aro em conjunto, com a folha calçada nas folgas finais.
  3. Abrir o alojamento (navalha, formão, fresadora com gabarito); asa à face.
  4. Pré-furar e fixar com os parafusos próprios.
  5. Afinar folgas e testar o funcionamento completo.

Exemplo: dobradiças de 100 mm a 180 mm do topo, 580 mm do topo e 250 mm da base (1712 a 1812 mm do topo, numa folha de 2062 mm).

Bloco 13 · Aplicação de vidros

Tipos de vidro

Vidro Característica
Simples parte em pedaços grandes e cortantes
Impresso / fosco translúcido, privacidade
Duplo (ex.: 4 + 16 + 4 = 24 mm) dois vidros com câmara, perfil separador e selagem; isola
Temperado mais resistente; parte em pequenos fragmentos
Laminado película intercalar; os fragmentos ficam presos

Zonas de risco de impacto: vidro de segurança (temperado ou laminado), conforme o projeto.

Envidraçar passo a passo

  1. Rebaixo lixado e com primário: a madeira nunca fica nua debaixo do vidro.
  2. Medir a folha colada e confirmar a medida do vidro.
  3. Calços de apoio e periféricos: o vidro nunca toca na madeira.
  4. Vedar (massa, silicone ou mástique compatível, vedantes de borracha).
  5. Bites em meia-esquadria, pregados inclinados para a folha, vidro protegido.
  6. Verificar a vedação; última demão antes ou depois, conforme o sistema.

Bloco 14 · Segurança, saúde, ambiente e qualidade

EPI e riscos

EPI: óculos, proteção auditiva, máscara FFP2/FFP3, calçado de segurança; luvas só fora das máquinas em rotação.

Risco Prevenção
Corte e amputação resguardos, empurradores, afinar com a máquina parada
Retrocesso cutelo divisor, altura da serra, fora da linha da peça
Pó de madeira captação na origem, aspiração, máscara
Esforço (aros, folhas, vidro) ajuda de um colega, meios mecânicos, carga junto ao corpo

Pó de madeira e legislação

  • O pó de madeira de folhosas é cancerígeno; valor-limite de 2 mg/m³ desde 18 de janeiro de 2023 (Diretiva (UE) 2017/2398, transposta pelo DL 35/2020).
  • Equipamentos de trabalho: DL 50/2005 (requisitos mínimos de segurança).
  • Máquinas novas: Diretiva Máquinas, DL 103/2008 (marcação CE); o Regulamento (UE) 2023/1230 aplica-se a partir de 20 de janeiro de 2027.
  • Resíduos de colas, vernizes e diluentes são perigosos.

Normas da qualidade

  • Autocontrolo em cada fase: madeira, aparelhamento, marcação, samblagens, colagem, lixagem, ferragens, vidro.
  • Tolerâncias do desenho; se não vierem, pergunta-se.
  • Registo de verificações por conjunto; peça não conforme separa-se e identifica-se.
  • Janelas e portas pedonais exteriores: norma de produto EN 14351-1 e marcação CE.

Recapitulando

  • Aro fixo (montantes, travessa, peitoril ou soleira), folha móvel (couceiras, travessas, pinázios).
  • O desenho manda: fora a fora, luz, rebaixos, folgas, ombros desencontrados, vidro.
  • Seis tipos de janela, cada um com o seu aro, ferragem e marcação; portas por movimento e por construção.
  • Armar a seco, colar e encunhar com palmetas, ajustar a esquadria e garantir o desempeno.
  • Ferragens pela ficha técnica, vidro calçado e vedado, EPI e captação de pó sempre.

Próximo: fichas e projeto, executar uma porta e uma janela de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: aro e folha têm funções diferentes; "caixilho" na linguagem corrente é muitas vezes a janela inteira, por isso na oficina diz-se folha. - Erro comum: chamar "porta" ou "janela" ao conjunto sem distinguir o fixo do móvel. - Analogia: o aro é a moldura, a folha é o quadro que se move dentro dela.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: usar o nome certo evita cortar a peça errada; couceira nunca é peça do aro. - Erro comum: chamar couceira ao montante do aro ou ombreira à couceira. - Exemplo: numa janela real, apontar cada peça e pedir à turma o nome e se é fixa ou móvel.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o desenho manda nas medidas e a segurança é avaliada em todas as operações. - Pergunta: porque é que a segurança aparece como critério de desempenho e não só como regra geral da oficina? - Exemplo: distinguir exterior (água, vento, sol) de interior (estabilidade, acabamento).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: fora a fora, luz e medida da folha são três medidas diferentes. - Erro comum: começar a serrar antes de perceber todas as cotas; medir o papel em vez de ler a cota. - Exemplo: o sentido de abertura no alçado (triângulo com o vértice no lado das dobradiças); confirmar a convenção na legenda de cada desenho.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: todas as cotas medem-se da mesma referência, nunca em cadeia. - Erro comum: medir a segunda cota a partir da primeira marca, acumulando desvios. - Pergunta: o que acontece se o montante for preparado com 40 mm em vez de 42 mm?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a lista de corte faz-se por escrito, peça a peça, antes de ligar a serra. - Erro comum: esquecer que o peitoril é mais largo do que a travessa superior. - Exemplo: pedir à turma a lista de corte completa do aro a partir destes dados.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: madeira trabalhada húmida retrai depois de montada e abre as juntas. - Erro comum: dividir pela massa húmida (60 ÷ 520 = 11,5 %), que dá um valor mais baixo e engana. - Exemplo: medir três tábuas da oficina com o higrómetro e decidir quais se podem usar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a espécie escolhe-se pelo uso (interior/exterior) e pelo acabamento (pintado ou à vista). - Erro comum: usar uma resinosa sem tratamento nem acabamento adequado numa porta exterior. - Exemplo: comparar amostras de pinho, carvalho e câmbala (peso, cor, dureza).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a face e o canto de referência marcam-se logo; todas as cotas partem deles. - Erro comum: desengrossar a partir de uma face torta; a garlopa copia o empeno. - Analogia: é construir sobre uma fundação torta, tudo o resto herda o defeito.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o movimento define o aro, a ferragem e a marcação. - Erro comum: confundir basculante com oscilobatente; a basculante só bascula. - Pergunta: qual destas escolherias para um vão largo onde a folha não pode ocupar espaço a abrir?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é o tipo mais comum e a base para perceber os outros. - Erro comum: esquecer a pingadeira na travessa inferior da folha e no peitoril; a água entra na junta. - Exemplo: mostrar o corte vertical de um peitoril e seguir o caminho da água.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: na guilhotina, o sistema de equilíbrio define a secção do aro desde o desenho. - Erro comum: calcular a altura da folha de correr sem folga para a montar na ranhura superior. - Pergunta: porque é que uma janela de correr veda pior do que uma de batente?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: na pivotante, metade da folha abre para cada lado, por isso o batente troca de face. - Erro comum: montar ferragem de basculante numa oscilobatente; não são intermutáveis. - Exemplo: manobrar uma oscilobatente real e mostrar o que o bloqueio de falsa manobra impede.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o tipo de janela nasce da função do espaço, não só da estética. - Erro comum: escolher uma batente que bate no lavatório quando abre. - Pergunta: e numa sala virada para uma varanda, que tipo escolherias e porquê?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a mesma porta classifica-se pelas duas colunas (ex.: de batente e almofadada). - Erro comum: colar a almofada na ranhura; ela racha porque não pode mexer. - Exemplo: fotografias de várias portas e a turma classifica cada uma nas duas colunas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada folga tem uma razão funcional (montar a prumo, abrir sem roçar, passar o ar). - Erro comum: confundir a folga de montagem com a de funcionamento. - Pergunta: o que acontece a uma porta sem folga de funcionamento depois de pintada?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: soma-se o rebaixo (a folha entra nele) e tira-se a folga; em baixo, sem soleira, não há rebaixo. - Erro comum: esquecer que a travessa inferior larga leva respiga dupla. - Exemplo: refazer a conta com um aro de 800 × 2100 mm.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a conta faz-se sempre nesta ordem: luz, mais rebaixos, menos folgas. - Erro comum: tirar a folga antes de somar os rebaixos e perder o fio à conta. - Exemplo: dar um aro de 1000 × 1300 mm e pedir a medida da folha (900 × 1180 mm).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: com respiga passante, a travessa tem a largura da folha mais as sobras. - Erro comum: marcar os dois ombros iguais; fica um buraco na junta do lado do vidro. - Exemplo: mostrar uma junta com ombros desencontrados cortada ao meio.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o vidro duplo quase duplica a carga nas dobradiças. - Erro comum: encomendar o vidro pelo desenho sem medir a folha já colada. - Pergunta: porque é que a câmara de 16 mm não entra na conta do peso?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma cota, uma referência; medir sempre a partir do mesmo ponto. - Erro comum: marcar cada couceira sozinha e sair com as travessas desalinhadas. - Exemplo: marcar em conjunto as couceiras de uma folha de treino; os cruzamentos de pinázios levam meia-madeira.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um erro de marcação só aparece na furação ou na montagem, quando já é tarde. - Erro comum: marcar a ferragem oscilobatente sem a ficha técnica, que depende das dimensões da folha. - Pergunta: porque é que a guilhotina tem de prever o sistema de equilíbrio desde o desenho do aro?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a respiga tem de entrar justa, com a mão; nem a martelo nem a cair. - Erro comum: cortar a respiga antes de ter a caixa aberta para a ajustar. - Analogia: chave e fechadura, feitas uma para a outra.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a meia-madeira tira metade da espessura a cada peça na zona da ligação. - Erro comum: chamar "malhete" à caixa; o malhete é a ligação em cauda de andorinha ou em dentes retos. - Exemplo: mostrar lado a lado um canto de folha com respiga passante e um cruzamento de pinázios a meia-madeira.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada máquina tem a sua afinação e os seus resguardos; afinações com a máquina parada e isolada. - Erro comum: usar a máquina errada para a peça e tirar o resguardo "porque atrapalha". - Exemplo: visita guiada à oficina, máquina a máquina, com o aluno a dizer a operação e o risco.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a tupia é a máquina mais perigosa da oficina. - Erro comum: empurrar uma peça estreita com os dedos junto da serra. - Pergunta: porque é que o cutelo divisor tem de estar alinhado com a serra e não desviado?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as sobras nos topos impedem a couceira de rachar ao abrir a caixa e ao encunhar. - Erro comum: montar a ferramenta de moldar errada ou sem resguardo na tupia. - Pergunta: porque é que a caixa passante se fura metade por cada face?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: não há uma única ordem certa, mas os ombros têm sempre de contar com o rebaixo e o perfil. - Erro comum: cortar ombros direitos numa peça que vai levar perfil; a junta fica com um vazio. - Exemplo: demonstração completa numa peça de treino, passo a passo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nunca se cola um conjunto que não foi antes armado e verificado a seco. - Erro comum: colar direto "para poupar tempo" e descobrir o erro depois de a cola secar. - Pergunta: o que se perde quando um erro só é detetado depois da colagem?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a palmeta é uma cunha que trava a respiga, mesmo que a cola envelheça. - Erro comum: chamar palmeta ao calço de proteção do sargento. - Exemplo: fazer um jogo de palmetas na bancada e encunhar uma junta de treino.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: respeitar o tempo aberto da cola; num conjunto grande, tudo pronto antes da primeira junta. - Erro comum: encunhar antes de medir as diagonais e travar o conjunto fora de esquadria. - Pergunta: quando se cortam as pontas das respigas e das palmetas?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma folha empenada não encosta ao batente nos quatro cantos. - Erro comum: colar sobre uma bancada torta, que passa a torção para a folha. - Exemplo: demonstrar as réguas de empeno numa folha torcida de propósito.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: depois de seca a cola, quase não há correção sem desmontar. - Erro comum: confiar num esquadro pequeno num quadro grande. - Exemplo: medir as diagonais de uma folha de treino em conjunto com a turma.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os riscos atravessados ao fio aparecem todos quando se aplica o verniz. - Erro comum: saltar da lixa grossa para a muito fina sem passar pelos grãos intermédios. - Exemplo: lixar uma junta de treino contra o fio e mostrar o efeito depois de uma demão.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada tipo de janela do bloco 4 tem aqui a sua ferragem. - Erro comum: montar ferragem de basculante numa oscilobatente. - Pergunta: que ferragem falta se uma janela de correr desliza mas não fecha contra o aro?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o número e o tamanho das dobradiças dependem do peso e da altura da folha (ficha técnica). - Erro comum: só duas dobradiças numa folha pesada, que acaba por descair. - Exemplo: comparar as ferragens de uma porta interior leve com as de uma porta exterior maciça.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma dobradiça mal alinhada torce a folha e força a fechadura. - Erro comum: parafusos maiores do que os previstos "para prender melhor", sem pré-furar, rachando a madeira. - Pergunta: porque é que a dobradiça do meio fica mais perto da de cima?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o rebaixo tem de servir a espessura do vidro que o projeto escolheu. - Erro comum: tentar meter vidro duplo num rebaixo desenhado para vidro simples. - Pergunta: numa porta toda envidraçada, que vidro exigirias e porquê?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o calçamento bem feito transmite o peso do vidro à folha e ajuda-a a não descair. - Erro comum: encomendar o vidro pelo desenho; exemplo: rebaixo medido 613 × 973 mm dá vidro de 607 × 967 mm, não 608 × 968. - Pergunta: porque é que o vidro precisa de calços em vez de assentar direto na madeira?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a segurança é critério de desempenho desta UC, não um extra. - Erro comum: usar luvas junto de ferramentas rotativas; podem ser agarradas. - Pergunta: porque é que um aro pesado exige técnica de elevação e não só força?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: aspiração ligada antes de começar; limpar com aspirador, não com vassoura nem ar comprimido. - Erro comum: tirar um resguardo "porque atrapalha"; se atrapalha, está mal afinado. - Exemplo: verificar com a turma os resguardos e a captação de cada máquina da oficina.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a qualidade verifica-se em cada peça, não só no conjunto final. - Erro comum: só verificar esquadrias e empenos no fim, quando corrigir já não é possível. - Exemplo: construir com a turma a folha de registo de verificações do projeto.