UC02086

Aplicar técnicas de fixação das peças a maquinar em centros de trabalho CNC para mobiliário e carpintaria

Fixação por vácuo, mesa reticulada, consolas porta-ventosas, moldes e fixação mecânica

Curso profissional · 25h · Técnico de CNC em Madeira e Mobiliário

Plano

  1. CNC no mobiliário e na carpintaria
  2. Porque a fixação é crítica
  3. Vácuo: princípio, unidades e força
  4. Mesa reticulada e pontos de vácuo
  5. Cordão esponjoso e ventosas
  6. Consolas e guias porta-ventosas
  7. Fixação mecânica: pressores e grampos
  8. Moldes de fixação
  9. Placa de sacrifício
  10. Peças pequenas e peças grandes
  11. Centros de 5 e 6 eixos, e torno CNC
  12. Testar a fixação, segurança, EPI e qualidade

Bloco 1 · CNC no mobiliário e na carpintaria

Os centros de trabalho CNC e as suas mesas

O tipo de mesa decide, logo à partida, que técnicas de fixação estão disponíveis.

Mesa Como fixa Uso típico
Plana com placa de sacrifício vácuo através do MDF corte do painel inteiro em peças (nesting)
Reticulada (grelha) cordão esponjoso e pontos de vácuo, ou ventosas sobre a grelha peças de formatos variados, maciço, séries curtas, moldes
Consolas/guias porta-ventosas ventosas que levantam a peça peças já esquadrejadas a contornar e furar nos topos

Há ainda multifuradoras, centros multifunções, centros de 5 e 6 eixos e tornos CNC.

O papel do operador na fixação

Antes de correr qualquer programa, o operador:

  1. Analisa o desenho e as especificações técnicas (dimensões, material, face à vista, percursos).
  2. Analisa as características da máquina, dos acessórios e da peça (área útil, planeza, porosidade).
  3. Seleciona a solução de fixação: vácuo, pressores/grampos, molde, ou combinação.
  4. Posiciona os acessórios fora do percurso da ferramenta e da cabeça.
  5. Testa a fixação e cumpre as normas de segurança, saúde e qualidade.

Bloco 2 · Porque a fixação é crítica

As forças em jogo

  • Força de corte lateral: a fresa empurra a peça no plano da mesa (contorno, corte passante).
  • Força vertical: a fresa ascendente tende a levantar a peça; a descendente empurra-a contra o apoio; a de compressão combina as duas.
  • Vibração nas zonas em balanço.
  • Binário da broca na furação, que roda peças pequenas.

O vácuo aperta a peça contra o apoio. O que a impede de escorregar é o atrito, proporcional a esse aperto: superfícies limpas, sem serrim, borrachas em bom estado.

Consequências de uma fixação ineficiente ou ineficaz

  • Deslocamento: cotas e furações erradas, peça rejeitada.
  • Vibração: acabamento irregular, arestas lascadas.
  • Levantamento da peça pela fresa ascendente.
  • Quebra da ferramenta e projeção da peça ou de fragmentos.
  • Colisão da ferramenta ou da cabeça com ventosas, pressores ou moldes.
  • Marcas nas faces à vista por pressores mal regulados.

Ineficiente: segura mal (vibra, cota varia). Ineficaz: não segura (solta-se).

Bloco 3 · Vácuo: princípio, unidades e força

O princípio físico do vácuo

A bomba retira o ar entre a peça e o apoio; a pressão atmosférica, que atua sobre a face de cima, empurra a peça contra o apoio.

  • É preciso um vedante: lábio da ventosa, cordão esponjoso, ou a peça sobre uma placa plana e permeável.
  • Pressão relativa (a do vacuómetro): medida a partir da atmosférica; abaixo dela é depressão, por exemplo -0,8 bar.
  • Pressão absoluta: medida a partir do vácuo perfeito; atmosfera ao nível do mar ≈ 1013 mbar.
  • Limite físico: a depressão nunca passa de cerca de -1 bar. Em altitude, ainda menos.

Unidades e valores admissíveis de depressão

Unidade Equivalência
bar 1 bar = 100 000 Pa = 100 kPa = 1000 mbar (exato)
mbar = hPa 1 mbar = 100 Pa
mmHg · inHg 1 mmHg ≈ 1,333 mbar · 1 inHg ≈ 33,86 mbar
  • Ventosas ou cordão bem vedados: tipicamente -0,7 a -0,9 bar.
  • Placa de sacrifício carregada: valores mais baixos, frequentemente -0,5 a -0,6 bar, porque o ar atravessa o MDF.
  • O que conta é o valor habitual daquela máquina e montagem, e o limiar do vacuóstato, definido pelo fabricante.

Exemplo resolvido · força de uma ventosa

F = Δp × A, com A = área dentro do lábio de vedação.

Ventosa de 120 × 120 mm a -0,8 bar:

  1. Δp = 0,8 × 100 000 = 80 000 Pa.
  2. Face inteira: 0,120 × 0,120 = 0,0144 m² → F = 80 000 × 0,0144 = 1152 N (teórico, por excesso).
  3. Zona útil de 100 × 100 mm: 0,01 m² → F = 800 N.
  4. Resistência ao deslizamento ≈ μ × F. Com μ = 0,5 (valor só de exemplo): cerca de 400 N.

Peça grande contra peça pequena

-0,8 bar, μ = 0,5 (valores de exemplo), zona de vácuo dentro do cordão:

Lateral 700 × 400 mm Calço 80 × 40 mm
Zona útil 660 × 360 mm = 0,2376 m² 60 × 20 mm = 0,0012 m²
Aperto F 19 008 N 96 N
Resistência lateral cerca de 9500 N cerca de 48 N

Cerca de 200 vezes menos área, 200 vezes menos força: a peça pequena precisa de outras técnicas.

Bloco 4 · Mesa reticulada e pontos de vácuo

A mesa reticulada

Mesa com uma grelha de ranhuras e pontos de vácuo (furos ligados à bomba) que se abrem ou fecham com tampões, válvulas ou comandos da máquina, muitas vezes divididos em zonas.

  • Fixação direta: cordão esponjoso nas ranhuras forma um perímetro fechado dentro da peça; abre-se um ponto de vácuo dentro do perímetro.
  • Fixação sobre suportes: ventosas pousadas na grelha levantam a peça.
  • Na fixação direta a peça está encostada à mesa: nada de cortes passantes, senão a fresa corta a mesa.
  • Ponto aberto fora de um perímetro vedado = fuga direta.

Exemplo resolvido · preparar a mesa para uma prateleira

Prateleira 600 × 300 mm, pinho de 22 mm, canal e furos cegos. Margem de exemplo: 15 mm.

  1. Nada atravessa a peça: fixação direta serve.
  2. Limite do cordão: 570 × 270 mm; maior retângulo de ranhuras que cabe: 560 × 260 mm.
  3. Abrir um ponto de vácuo dentro do perímetro; fechar os outros.
  4. F = 80 000 × (0,56 × 0,26) = 80 000 × 0,1456 = 11 648 N.
  5. Encostar aos batentes, ler o vacuómetro, testar à mão.

Regra: perímetro fechado dentro da peça, ponto dentro do perímetro, restantes fechados.

Bloco 5 · Cordão esponjoso e ventosas

Cordão esponjoso

Perfil de espuma de borracha flexível, em rolo, que se encaixa nas ranhuras da mesa reticulada (ou de um molde) e, comprimido pela peça, não deixa passar o ar.

  • Sempre para dentro do contorno, com margem, e fora dos percursos de ferramenta.
  • Perímetro fechado, pontas topo a topo, sem esticar o cordão.
  • Ranhuras limpas de serrim; peça plana (empeno = fuga).
  • Contornos curvos: o cordão segue as ranhuras retas, por isso forma um polígono dentro da curva.
  • Consumível: substitui-se quando perde elasticidade ou rasga.

Ventosas (suportes de fixação)

Blocos com lábio de vedação que recebem o vácuo e levantam a peça, deixando a fresa contornar a toda a espessura e trabalhar os topos.

  • Toda a ventosa debaixo da peça; parcialmente fora não veda.
  • Afastada do contorno pelo raio da ferramenta mais a folga da oficina.
  • A ferramenta desce só alguns milímetros abaixo da peça, nunca até à ventosa.
  • Distribuídas junto dos cantos e das zonas de esforço; todas à mesma altura.
  • Ventosas sem peça por cima desativadas.

Tipos: retangulares, estreitas, rotativas, de dupla ação, com grampo, altas (5 eixos).

Bloco 6 · Consolas e guias porta-ventosas

Consolas e guias porta-ventosas

  • As consolas deslocam-se ao longo do eixo X, sobre guias.
  • As ventosas deslizam ao longo de cada consola (eixo Y).
  • O vácuo chega pela consola; a ativação é por pedal, botão ou programa, conforme a máquina.
  • Batentes de referência (muitas vezes pneumáticos) e grampos para peças estreitas.
  • Posicionamento manual (réguas, laser, indicações no ecrã) ou automático; o software pode propor posições, o operador confirma.

Uso típico: portas, laterais, tampos e peças de maciço já esquadrejadas, a contornar e furar nos topos.

Posicionar consolas e ventosas

  1. Ler todos os percursos: contorno, topos, canais, rebaixos.
  2. Nenhuma consola debaixo de um percurso que desça abaixo da peça.
  3. Ventosas dentro da peça, com a margem ao contorno.
  4. Cada parte que o programa separar precisa das suas próprias ventosas; senão é projetada.
  5. Reforçar junto das zonas de maior esforço e em balanço.
  6. Vácuo só com a peça encostada; batentes em baixo antes do arranque.

Exemplo: lateral de 2000 × 580 mm, 4 consolas (a primeira e a última a cerca de 150 mm das pontas), 2 ventosas em cada, entre as linhas de furos. 8 × 800 N = 6400 N teóricos.

Bloco 7 · Fixação mecânica: pressores e grampos

Pressores e grampos

Usam-se sozinhos ou combinados com o vácuo quando a peça tem pouca área, não veda (maciço com fendas, empeno, furos passantes), sofre grande esforço lateral ou é alta e estreita.

  • Pressores: apertam de cima para baixo; mecânicos (parafuso, excêntrico, alavanca) ou pneumáticos (cilindro de ar comprimido).
  • Grampos: apertam lateralmente contra um batente ou prendem a peça a um suporte.
  • Pneumáticos: F = p × A. Cilindro de 40 mm a 6 bar: 600 000 × 0,001257 = 754 N teóricos.
  • Ar comprimido de rede tipicamente 6 a 7 bar; a pressão de trabalho é a do fabricante.

Onde e como posicionar pressores e grampos

  • Fora do percurso da ferramenta e da cabeça, contando com o corpo do pressor.
  • Sapata por cima de um apoio (ventosa, molde, mesa), nunca sobre uma zona em balanço.
  • Aperto distribuído e regulado ao material; sapatas de proteção sobre faces à vista.
  • Confirmar a pressão de ar antes do arranque.
  • Nunca pôr as mãos entre a sapata e a peça: o pressor pneumático fecha de repente.

Exemplo: peça com dois furos passantes: ventosas só nas zonas cheias, dois pressores sobre as ventosas, furos feitos antes do contorno.

Bloco 8 · Moldes de fixação

Moldes de fixação

Acessório feito à medida da peça (MDF, contraplacado ou material técnico, muitas vezes maquinado na própria máquina), com:

  • canais de vácuo e ranhura para cordão com o perímetro exato da peça;
  • batentes e pinos de referência, para posicionamento repetível;
  • pressores incorporados e alturas para peças curvas ou com relevo.

Dois motivos: técnico (forma difícil, peça pequena, 5 eixos) e económico (série grande).

O molde acrescenta altura: confirmar a origem Z e as colisões com a cabeça.

Exemplo resolvido · a partir de quantas peças compensa o molde

Tempos de exemplo: sem molde, 6 min por peça; molde demora 180 min a fazer e depois 1 min por peça.

  1. Sem molde: 6n. Com molde: 180 + n.
  2. 6n = 180 + n → 5n = 180 → n = 36 peças.
  3. 300 peças: 1800 min sem molde, 480 min com molde (poupam-se 22 h).
  4. 15 peças: 90 min sem molde, 195 min com molde: não compensa, salvo motivo técnico.

Perguntas: quantas peças, que forma, que repetibilidade, que tempo poupado.

Bloco 9 · Placa de sacrifício

A placa de sacrifício

Painel entre a mesa de vácuo e a peça, que a ferramenta pode marcar em vez da mesa. É a base do nesting.

  • Normalmente MDF com as duas faces facejadas, para o ar atravessar a placa.
  • Permite cortes passantes: a fresa entra só o necessário na placa.
  • Tapar as zonas descobertas ou ativar só a zona coberta pelo painel.
  • Origem Z a partir da face da placa, para controlar a profundidade.
  • Perde vácuo com as ranhuras dos cortes: facejar de novo e, quando fica fina, substituir.

Painel de 2800 × 2070 mm a -0,55 bar: 55 000 × 5,796 = cerca de 319 kN; uma peça de 60 × 60 mm já cortada: menos de 200 N.

Diagnosticar uma placa de sacrifício gasta

Leitura de -0,40 bar quando o habitual com aquela placa é cerca de -0,55 bar.

  1. Só a zona coberta ativa? Zonas descobertas tapadas?
  2. Painel plano e bem assente?
  3. Placa com ranhuras profundas e zonas brilhantes ou queimadas?
  4. Facejar; se já estiver fina ou continuar baixa, substituir.
  5. Registar a intervenção e a nova leitura.

Placa limpa, sem serrim, facejada a tempo: vácuo constante e peças no sítio.

Bloco 10 · Peças pequenas e peças grandes

Fixar peças de pequena dimensão

Pouca área, pouca força; o esforço da ferramenta é o mesmo.

  • Pele fina: fica uma camada de décimas de milímetro por cortar no fundo; remove-se no fim.
  • Pontes: pequenas zonas do contorno por cortar, que seguram a peça ao painel.
  • Ordem de corte: peças pequenas primeiro; recortes interiores antes do contorno.
  • Fresa descendente ou de compressão; evitar a ascendente.
  • Passagens menos profundas e avanço reduzido na última volta.
  • Molde com cavidades e pressores, para séries.

Fixar peças de grande dimensão

Força não falta; o risco é outro.

  • Flexão e vibração nas pontas se os apoios ficarem só ao centro.
  • Empeno: a ponta que não assenta perde vácuo; verificar com régua, pressor nessa ponta.
  • Apoios distribuídos, reforço nas pontas e nas zonas de maior esforço.
  • Mais do que uma zona de vácuo ativa, se preciso.
  • Manuseamento a dois ou com meios de elevação; luvas só na carga e descarga, com a máquina parada.

Exemplo: tampo de carvalho de 1800 × 900 mm em 4 consolas, 8 ventosas, margem recalculada para a ferramenta de perfilar.

Bloco 11 · Centros de 5 e 6 eixos, e torno CNC

Fixação em centros de 5 e 6 eixos

A cabeça inclina-se: eixos rotativos A, B, C (rotação em torno de X, Y, Z), conforme o fabricante. O que é o 6.º eixo varia de máquina para máquina: confirmar no manual.

  • A cabeça, volumosa, chega por baixo e pelos lados: um acessório longe da fresa vertical pode ficar no caminho.
  • Peça mais levantada (ventosas altas, molde) e bordas a trabalhar salientes.
  • Simulação com a fixação modelada; só deteta o que estiver desenhado.
  • Primeira execução com avanço reduzido, do posto de comando, mão junto da paragem de emergência.

Fixação no torno CNC

A peça roda; a fixação é outra, o princípio é o mesmo.

  • Entre pontos: arrastador (dentes ou garras, cabeçote fixo) e contraponto (cabeçote móvel).
  • Prato de grampos para peças curtas ou trabalho no topo.
  • Luneta para peças longas e finas.
  • Marcar bem os centros; contraponto com o aperto indicado.
  • Peça em bruto ou desequilibrada: começar com rotação baixa.
  • Rodar à mão antes de ligar; proteções fechadas; nada de luvas, adornos ou roupa larga.

Bloco 12 · Testar a fixação, segurança, EPI e qualidade

Testar a fixação antes de maquinar

  1. Visual: peça assente, encostada aos batentes, sem serrim por baixo.
  2. Vacuómetro: leitura estável no valor habitual; vacuóstato ativo.
  3. Pressores e grampos: pressão de ar correta, sapatas protegidas.
  4. Manual: com a máquina parada e em segurança, tentar mover a peça.
  5. Percurso: nada no caminho da ferramenta nem da cabeça; batentes em baixo.
  6. Primeira peça com avanço reduzido; medir e comparar com o desenho.

Leitura baixa e estável: fuga constante. Oscila: fuga intermitente ou peça empenada. Cai no ciclo: o corte abriu uma fuga.

Segurança e saúde no trabalho

  • DL 50/2005: prescrições mínimas de segurança na utilização de equipamentos de trabalho.
  • Diretiva Máquinas (DL 103/2008); o Regulamento (UE) 2023/1230 aplica-se a partir de 20 de janeiro de 2027.
  • Pó de madeira dura: cancerígeno; valor-limite de 2 mg/m³ (8 h) desde 18 de janeiro de 2023 (Diretiva 2017/2398). Aspiração sempre ligada.
  • Riscos da fixação: esmagamento (consolas, pressores), projeção, arranque inesperado.
  • Nunca entrar na área de trabalho em ciclo; tapetes, barreiras, cortinas de luz e para-choques nunca se anulam.

EPI e normas da qualidade

  • EPI: óculos, proteção auditiva, calçado de segurança; máscara FFP2 ou FFP3 quando a aspiração não chega.
  • Luvas só na carga, descarga e manuseamento com a máquina parada; nunca junto de ferramentas em rotação. Sem adornos nem roupa larga.
  • Qualidade: procedimento de fixação por peça, inspeção da primeira peça, registos (leituras de vácuo, facejamentos, cordões e ventosas substituídos, não conformidades), moldes identificados.

Recapitulando

  • A fixação é a condição de partida: sem ela não há precisão nem segurança.
  • F = Δp × A com a área útil; depressão sempre menor do que cerca de -1 bar; o atrito trava o deslizamento.
  • Mesa reticulada (cordão e pontos de vácuo, ou ventosas), consolas (ventosas em X e Y), placa de sacrifício (nesting, facejada).
  • Pressores e grampos quando o vácuo não chega; moldes para formas difíceis e séries.
  • Pequenas soltam-se, grandes fletem; em 5 e 6 eixos e no torno, verificação própria.
  • Testar antes de arrancar, sempre.

Próximo: fichas e projeto, aplicar estas técnicas a peças reais.

NOTAS DO PROFESSOR - Desfazer já um equívoco frequente: a mesa de consolas não é a máquina do corte de painel inteiro. O nesting precisa de superfície contínua por baixo (placa de sacrifício). - Erro comum: os alunos pensam primeiro na programação e só depois na fixação. Na oficina a ordem é a inversa. - Se a escola tiver máquina, identificar com a turma o tipo de mesa que tem.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar aos critérios de desempenho: acessórios e/ou moldes, precisão e segurança, normas de segurança e saúde. - Pergunta: quem verifica a fixação antes do arranque? Sempre o operador. - Os manuais da máquina e de programação são consulta obrigatória para cada modelo.

NOTAS DO PROFESSOR - Ideia-chave: o vácuo dá força perpendicular; a fresa faz força lateral. O elo entre as duas é o atrito. - Mostrar duas fresas helicoidais (ascendente e descendente) e perguntar para onde vai a apara em cada uma. - Erro comum: achar que "com vácuo está sempre seguro". Uma peça pequena com fresa ascendente solta-se.

NOTAS DO PROFESSOR - Este slide é o porquê de toda a UC; voltar a ele quando alguém quiser saltar um passo. - O perigo vem da velocidade da ferramenta, não do tamanho da máquina. - Pergunta: qual destas consequências é mais grave? A projeção, porque atinge pessoas.

NOTAS DO PROFESSOR - Analogia da ventosa de cozinha: o princípio é o mesmo, muda a escala e a bomba. - Erro comum: "o vácuo puxa". É a atmosfera que empurra. - Perguntar: faz sentido uma leitura de -1,5 bar num vacuómetro de pressão relativa? Não.

NOTAS DO PROFESSOR - Aptidão do referencial: identificar unidades e intervalo de valores admissíveis de depressão. - Exercício rápido: converter -75 kPa (-0,75 bar), -620 mbar (-0,62 bar) e 18 inHg (cerca de -0,61 bar). - Sublinhar que os intervalos são ordens de grandeza; o manual da máquina manda.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: usar a medida exterior da ventosa. A zona útil é menor. - 1 bar = 100 000 Pa é uma igualdade exata, não uma aproximação. - O coeficiente de atrito depende do material e do estado das superfícies; é por isso que se testa à mão.

NOTAS DO PROFESSOR - A relação é linear: metade da área, metade da força. - Pedir aos alunos para refazerem as contas na calculadora: 80 000 × 0,2376 e 80 000 × 0,0012. - Ponte para o Bloco 10 (peças pequenas).

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar no quadro a grelha, um perímetro de cordão e o ponto de vácuo dentro dele. - Aptidão avaliada: identificar os pontos de vácuo (onde estão, como se abrem, que zona alimentam, onde se lê a depressão). - Erro comum: contornar a toda a espessura em fixação direta.

NOTAS DO PROFESSOR - A margem de 15 mm é um valor de exemplo; cada oficina define a sua. - Sem batentes a peça fica bem presa mas no sítio errado: eficaz, não precisa. - Exercício: dar o esquema de uma mesa e pedir que marquem cordão e ponto a abrir.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar uma amostra e comprimi-la: volta à forma enquanto está boa; cordão velho fica achatado. - Erro comum: cordão rente à borda ou por baixo do percurso. Tem de ficar para dentro. - Aptidão do referencial: utilizar cordão esponjoso para fixação direta em mesa reticulada.

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: fresa de 12 mm contorna por fora, folga de 10 mm; a borda da ventosa fica a 10 mm para dentro do contorno (o gume coincide com o contorno). - Os nomes comerciais variam; usar o catálogo da máquina da escola. - Erro comum: ventosa ativa sem peça, que rouba vácuo às outras.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar em vídeo uma máquina de consolas a reposicionar consolas entre peças. - Erro comum: confundir consola (suporte móvel) com ventosa (elemento que veda). - Corrigir a ideia de que a mesa de consolas serve para cortar um painel inteiro em peças: isso é nesting, sobre placa de sacrifício.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro grave: ventosa na trajetória da ferramenta. Parte a ferramenta e a ventosa. - Exercício: com o desenho e o percurso assinalado, marcar consolas e ventosas. - As consolas que sobram afastam-se para fora da peça.

NOTAS DO PROFESSOR - Comparar: um cilindro pequeno a 6 bar aperta quase tanto como uma ventosa de 0,01 m² a -0,8 bar. Por isso resolve peças pequenas, e por isso marca a madeira. - Na madeira maciça estreita, os grampos pneumáticos podem ser a fixação principal, não apenas um reforço. - Área do êmbolo: π × 0,020² = 0,001257 m²; pedir à turma para confirmar.

NOTAS DO PROFESSOR - Regra repetida de propósito: nada no caminho da ferramenta. - Erro comum: força máxima "para garantir", que marca ou deforma painéis finos. - Risco de esmagamento: ligar à segurança do bloco 12.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar um molde real da oficina, se existir, e identificar cordão, batentes e canais. - Erro comum: fazer molde para uma peça única que se resolvia com cordão ou ventosas. - Aptidão do referencial: avaliar a necessidade de utilização de molde de fixação.

NOTAS DO PROFESSOR - Os tempos são de exemplo; o método é que conta. Cada oficina mede os seus. - Discussão em grupo: 10 peças ou 500 peças, decisão fundamentada. - Lembrar que a repetibilidade também tem valor, além do tempo.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar o nome: sacrifica-se em vez da mesa. - Aptidão do referencial: aplicar a técnica de fixação por placa de sacrifício. - A leitura com placa é naturalmente mais baixa do que com ventosas; comparar sempre com o valor habitual daquela placa.

NOTAS DO PROFESSOR - Não há um número fixo de dias para substituir: depende do uso e das leituras. - Ligar à qualidade: os registos permitem ver a tendência e prever o facejamento. - Erro comum: adiar porque "ainda dá".

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar com a conta do bloco 3: 96 N de aperto no calço de 80 × 40 mm. - Erro comum: aplicar às peças pequenas os mesmos critérios das grandes. - Aptidão do referencial: técnicas para fixação de peças de pequena ou grande dimensão.

NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor ao slide anterior: pequena solta-se, grande flete e empena. - Pergunta: o que acontece a um tampo com vácuo só ao centro? As pontas vibram ou levantam. - Uma ferramenta de perfil tem diâmetro maior: a margem das ventosas muda.

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: furo a 30 graus perto da ponta de um montante; na vertical tudo livre, inclinada a cabeça passa por cima do grampo. Solução: recuar grampo e ventosa, simular de novo. - Erro comum: verificar colisões só com a ferramenta na vertical. - Aptidão do referencial: técnicas de fixação em centros de 5 e 6 eixos.

NOTAS DO PROFESSOR - Ponte para as UCs de torneamento; aqui basta dominar a fixação. - Pergunta: e se o contraponto estiver mal apertado? A peça solta-se do arrastador e é projetada. - A aptidão do referencial inclui expressamente o torno CNC.

NOTAS DO PROFESSOR - Caso real típico: -0,55 bar quando o habitual é -0,8; uma ventosa estava 15 mm fora da peça. Não se arranca. - Erro comum: saltar o teste "porque a peça é igual à de ontem". - Sugestão: afixar esta lista junto de cada máquina.

NOTAS DO PROFESSOR - Queda de vácuo ou de ar a meio do ciclo: a máquina deve parar e não se retoma sem novo teste. - Pedir à turma que localize na máquina da escola as paragens de emergência e os dispositivos de proteção. - Ligar às atitudes: responsabilidade e respeito pelas regras.

NOTAS DO PROFESSOR - O EPI complementa as proteções coletivas; não as substitui. - Numa empresa certificada (por exemplo, NP EN ISO 9001) estes registos fazem parte do sistema. - Pergunta final: qual dos passos do teste é mais esquecido na prática? Discutir.