UC02026

Atuar em situações de emergência no treino desportivo

Cadeia de sobrevivência, SBV com DAE, SBV pediátrico, trauma, lesões desportivas e outras emergências médicas

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Desporto

Plano

  1. Primeiros socorros, ética e planeamento de contingência
  2. SIEM, 112 e cadeia de sobrevivência
  3. Segurança e equipamento de proteção individual
  4. Suporte Básico de Vida no adulto
  5. DAE e posição lateral de segurança
  6. SBV pediátrico e obstrução da via aérea
  7. Comunicação e controlo emocional
  8. Feridas, hemorragias, choque e trauma
  9. Lesões desportivas, concussão e calor
  10. Outras emergências médicas
  11. Síntese e boas práticas

Bloco 1 · Primeiros socorros, ética e planeamento

O que são primeiros socorros

Cuidados imediatos, simples e não especializados prestados a uma pessoa doente ou acidentada até à chegada de ajuda diferenciada.

  • O técnico de desporto não é médico: reconhece a gravidade, protege, pede ajuda e mantém a pessoa viva e estável.
  • Em contexto desportivo é, muitas vezes, a primeira pessoa com formação a chegar.
  • O que faz nos primeiros minutos pesa mais do que tudo o que vem depois.

Este curso segue as orientações do INEM e do European Resuscitation Council (ERC).

Limites de atuação

Pode Não deve
Avaliar segurança, consciência e respiração Diagnosticar ou dizer «não é nada»
Ligar 112, fazer SBV, usar o DAE Dar medicação por iniciativa própria
Controlar hemorragia, imobilizar, arrefecer queimadura Reduzir fraturas, retirar objetos empalados
Colaborar com a equipa de emergência Dar comida ou bebida a quem está confuso

Princípio orientador: na dúvida, não agravar.

Ética, sigilo e privacidade

  • Sigilo: a saúde de um praticante não se conta a colegas, a outros alunos nem às redes sociais.
  • Privacidade e dignidade: afastar curiosos, cobrir a pessoa, não filmar nem fotografar.
  • Respeito: explicar o que se vai fazer, pedir consentimento, não julgar.
  • Registo factual da ocorrência: hora, o que se viu, o que se fez, quem foi chamado.
  • Aplicar o código de conduta e os protocolos internos da instalação.

Planeamento de contingência

O plano responde, antes de haver um problema, a cinco perguntas:

  1. Quem faz o quê? Quem liga ao 112, quem traz o DAE, quem espera a ambulância.
  2. Onde está o material? DAE, mala de primeiros socorros, saídas, telefone.
  3. Qual é a morada exata e o melhor acesso para a ambulância?
  4. Como se treina? Simulacros periódicos.
  5. O que se verifica? Validade do DAE, elétrodos, baterias e mala.

Prevenir é socorrer antes

  • Preparar o local e o evento: piso seco, material arrumado, equipamento revisto.
  • Questionário de aptidão e conhecimento do estado de saúde dos praticantes.
  • Carga adequada ao nível, aquecimento e retorno à calma.
  • Hidratação e vigilância do calor.
  • Lotação e rácio de vigilância adequados, sobretudo em piscinas e com crianças.

Agir ativamente na prevenção é um critério de desempenho desta UC.

Bloco 2 · SIEM, 112 e cadeia de sobrevivência

O Sistema Integrado de Emergência Médica

O SIEM garante a assistência à pessoa em doença súbita ou acidente, do local ao hospital. É coordenado pelo INEM.

Fase Quem intervém
Deteção testemunha, técnico
Alerta (112) testemunha; centro operacional 112
Triagem e orientação CODU do INEM
Socorro no local técnico, bombeiros, ambulâncias, equipas do INEM
Transporte ambulância, viatura médica, helicóptero
Tratamento hospital

O número 112 e o CODU

  • O 112 é o número europeu de emergência, único e gratuito.
  • Em situação de saúde, o centro operacional transfere a chamada para o CODU.
  • O técnico do CODU ajuda a reconhecer a paragem, indica o início das compressões e acompanha até chegar a equipa.
  • Sempre que possível, liga-se junto da vítima, em alta voz.

Como fazer uma boa chamada

  • Manter a calma; respirar fundo antes de falar.
  • Aguardar que atendam: nova tentativa vai para o fim da fila.
  • Identificar-se e dar um contacto que fique livre.
  • Onde? Morada, freguesia, código postal, pontos de referência.
  • O quê? Quem? Como? O que aconteceu, quem é, como está.
  • Seguir as instruções e não desligar até o técnico mandar.
  • Mandar alguém à porta esperar a equipa.

A cadeia de sobrevivência

Quatro elos, de igual importância (INEM):

  1. Reconhecimento precoce e pedido de ajuda
  2. Início precoce de SBV
  3. Desfibrilhação precoce
  4. Cuidados avançados pós-reanimação e recuperação

A cadeia é tão forte como o elo mais fraco. Os três primeiros passam pelas mãos de quem está no local.

Porque é que o tempo manda

  • O ritmo mais frequente na paragem súbita é a fibrilhação ventricular: o coração treme e não bombeia sangue.
  • O único tratamento eficaz é o choque elétrico.
  • Cada minuto sem desfibrilhação tira cerca de 10 a 12 % de hipótese de sobreviver; com SBV a decorrer, cerca de 3 a 4 %.
  • O SBV não substitui o choque: ganha tempo até o DAE chegar.

Cada minuto conta.

Cadeia de sobrevivência pediátrica

  • Na criança, a paragem é em regra por falta de oxigénio: asfixia, afogamento, engasgamento, doença respiratória.
  • O INEM usa na criança os mesmos 4 elos do adulto, com atenção especial a reconhecer cedo a criança gravemente doente.
  • Pesam mais a prevenção (água, objetos pequenos, vigilância) e a oxigenação.
  • O protocolo pediátrico começa por 5 insuflações iniciais.
  • Sozinho e sem telefone: cerca de 1 minuto de SBV antes de ligar.

Bloco 3 · Segurança e equipamento de proteção individual

Primeiro, não ser uma segunda vítima

Três perguntas antes de abordar:

  • Estou seguro?
  • A pessoa está segura?
  • Os outros estão seguros?

A segurança avalia-se antes de abordar e mantém-se em toda a intervenção, incluindo no uso do DAE.

Se o perigo não puder ser corrigido: não entres, liga ao 112 e espera pelos meios.

Perigos em contexto desportivo

Perigo Exemplo Ação
Elétrico cabos soltos, humidade cortar a energia
Mecânico pesos instáveis, bolas, tráfego parar a atividade, sinalizar
Estruturas instáveis ou metálicas bancadas, andaimes remover a vítima; arco voltaico no DAE
Químico produtos de piscina, gás arejar, não inalar, CIAV 800 250 250
Biológico sangue, secreções luvas, máscara
Terceiros público, trânsito afastar, atribuir tarefas

Equipamento de proteção individual

  • Luvas descartáveis: calçar antes, retirar de dentro para fora.
  • Máscara de bolso com válvula unidirecional para insuflar.
  • Máscara e proteção ocular com risco de salpicos.
  • Colete e triângulo na estrada.

Regras: usar sempre que disponível; verificar validade; não reutilizar o descartável; lavar as mãos depois.

O EPI nunca deve atrasar o início das compressões.

Bloco 4 · Suporte Básico de Vida no adulto

Objetivo e limitações do SBV

O SBV é o conjunto de manobras que mantém a circulação e a oxigenação sem equipamento especializado até chegar ajuda diferenciada.

  • Objetivo: ganhar tempo, proteger o cérebro, preparar o choque do DAE.
  • Limitações: sozinho raramente recupera o coração; cansa; pode partir costelas, o que é aceitável.
  • A eficácia depende da qualidade e da rapidez.

Os três passos para salvar uma vida

  1. Verificar segurança e reatividade
  2. Ligar 112 e verificar se respira
  3. Iniciar SBV com DAE

Sequência única, válida para qualquer reanimador: o sucesso de cada passo depende do anterior.

Passo 1: segurança e reatividade

  • Colocar-se ao lado da pessoa.
  • Abanar suavemente os ombros (estímulo tátil) e perguntar alto: «Está a ouvir-me?» (estímulo verbal).
  • Reage? Mantém a posição, procura a causa, liga 112 se necessário e reavalia.
  • Não reage? Gritar por ajuda e passar ao passo 2.

Sem estímulos dolorosos nem manobras bruscas.

Passo 2: 112 e permeabilizar a via aérea

  • Ligar 112 em alta voz e, enquanto atendem, verificar a respiração.
  • Com 2 ou mais pessoas: uma liga, outra avalia e antecipa o DAE.
  • Abrir a via aérea: deitar de costas, mão na testa, dois dedos no queixo, extensão da cabeça.
  • Na pessoa inconsciente, a língua pode obstruir a via aérea.

VOS e respiração agónica

VOS durante 10 segundos: Ver o tórax, Ouvir a boca e o nariz, Sentir o ar na face.

Respiração Decisão
Normal PLS e vigilância
Ausente paragem: SBV
Agónica: lenta, ruidosa, suspiros, sem expansão do tórax paragem: SBV
No atleta, início da paragem: respiração ofegante ou quase normal sem reação e sem respiração normal: SBV

Na dúvida, é paragem. Não se procura pulso.

Compressões torácicas de qualidade

  • Superfície firme; base da mão no centro do tórax, a outra por cima.
  • Braços esticados, ombros sobre as mãos.
  • 5 a 6 cm de profundidade.
  • 100 a 120 por minuto.
  • Descompressão total sem tirar as mãos.
  • Minimizar as interrupções.

Na cama: começa lá, comprime mais fundo e muda assim que possível.

Insuflações e rácio 30:2

  • Após 30 compressões, 2 insuflações de cerca de 1 segundo.
  • O tórax tem de elevar como na respiração normal; sem excessos.
  • Máscara de bolso: técnica C + E para selar.
  • Não demorar mais de 10 segundos a retomar compressões.
  • Sem proteção ou sem à-vontade: compressões contínuas.

Um ciclo 30:2 demora cerca de 15 a 18 s só nas compressões; 2 minutos são cerca de 5 ciclos.

Quando parar e como trocar

Manter as manobras até:

  • chegar ajuda diferenciada que indique parar ou trocar;
  • a vítima mostrar sinais de vida;
  • exaustão do reanimador.

Trocar quem comprime a cada 2 minutos, aproveitando a análise do DAE. A fadiga reduz a qualidade ao fim de 1 a 2 minutos.

Afogamento

Relevante em piscinas e meio aquático:

  • A causa é a falta de oxigénio.
  • Retirar a vítima da água em segurança.
  • Se não respira normalmente: 5 insuflações iniciais, depois 30:2.
  • Secar o tórax antes de colar os elétrodos do DAE.
  • Pedir ajuda cedo.

Bloco 5 · DAE e posição lateral de segurança

O DAE: o que é e para que serve

  • Aparelho que, por elétrodos adesivos, analisa o ritmo e recomenda choque se for preciso.
  • Para leigos: fala e mostra imagens.
  • Só dá choque a quem precisa de choque.
  • Usa-se com o SBV, nunca em vez dele.
  • A sua prática por pessoal não médico está enquadrada no Programa Nacional de DAE, coordenado pelo INEM, e no diploma em vigor.

Utilizar o DAE: passos

  1. Ligar e seguir as instruções (se estiver só, buscar o DAE apenas se estiver a cerca de 1 minuto).
  2. Descobrir o tórax, secar, remover pelos se preciso.
  3. Colar os elétrodos: um à direita do esterno, abaixo da clavícula; outro na linha da axila esquerda.
  4. Análise: «Afastar!», ninguém toca.
  5. Choque se recomendado, com todos afastados.
  6. Retomar o SBV de imediato, 2 minutos.

Segurança e cuidados com o DAE

  • Ninguém em contacto com a vítima na análise e no choque.
  • Água: retirar da poça, secar o tórax.
  • Estruturas metálicas: risco de arco voltaico.
  • Oxigénio afastado pelo menos 1 metro.
  • Pacemaker ou desfibrilhador implantado: colar a mais de 8 cm.
  • «Choque não recomendado»: retomar as compressões.
  • Não desligar nem retirar os elétrodos antes de a equipa chegar.

O DAE na criança e no lactente

  • Pode ser usado em crianças e lactentes.
  • Até cerca de 8 anos: elétrodos pediátricos ou atenuador, se existirem.
  • Se só houver elétrodos de adulto: usá-los, melhor um choque do que nenhum.
  • Elétrodos de adulto em criança abaixo de 25 kg: um na frente e outro nas costas, para não se tocarem.
  • Elétrodos pediátricos nunca em adultos.

Posição lateral de segurança: quando

Para pessoa inconsciente que respira normalmente, adulta ou criança, e após restabelecer sinais de vida.

  • Mantém a via aérea aberta e permite drenar vómito e secreções.
  • Posição lateral, estável, sem pressão no tórax, fácil de desfazer.
  • Mudar de lado a cada 30 minutos.
  • Contraindicada em trauma ou suspeita de lesão da coluna.

Técnica da PLS

  1. Ajoelhar ao lado, retirar objetos, alinhar o corpo.
  2. Braço mais próximo a 90°, palma para cima.
  3. Dorso da mão do outro braço junto à face do teu lado.
  4. Dobrar a perna oposta acima do joelho.
  5. Rolar a vítima para o teu lado, puxando a perna.
  6. Anca e joelho em ângulos retos.
  7. Extensão da cabeça, via aérea aberta.
  8. Reavaliar a respiração; na dúvida, desfazer e fazer VOS.

Bloco 6 · SBV pediátrico e obstrução da via aérea

Sequência do SBV pediátrico

  1. Segurança; estimular e gritar por ajuda.
  2. Abrir a via aérea: criança com ligeira extensão; lactente em posição neutra.
  3. VOS até 10 s.
  4. Se não respira normalmente: 5 insuflações iniciais.
  5. Procurar sinais de vida (até 10 s).
  6. Sem sinais: 15 compressões e 2 insuflações (15:2).
  7. 112: com telefone, de imediato; sozinho e sem telefone, após cerca de 1 minuto de SBV (depois das 5 insuflações). Colapso presenciado: alguém busca o DAE em simultâneo.
  8. DAE assim que chegar.

Compressões no lactente e na criança

Lactente Criança
Local metade inferior do esterno metade inferior do esterno
Técnica técnica do abraço (2 polegares, mãos a envolver o tórax) uma mão, ou duas
Profundidade pelo menos 1/3 (cerca de 4 cm) pelo menos 1/3 (cerca de 5 cm)
Ritmo 100 a 120/min 100 a 120/min
Rácio 15:2 15:2

Insuflar no lactente com a boca a cobrir boca e nariz.

Obstrução da via aérea: tipos e sintomas

Ligeira Grave
Fala consegue não consegue
Tosse eficaz fraca ou ausente
Respiração consegue esforço, ruído agudo ou silêncio
Sinais ruído na inspiração cianose, mãos no pescoço
  • Mais comum em crianças e idosos, ligada à alimentação.
  • Ligeira: encorajar a tossir.

Desobstrução no adulto

Grave e consciente:

  1. Até 5 pancadas interescapulares, com a vítima inclinada para a frente; verificar após cada uma.
  2. Até 5 compressões abdominais (Heimlich): punho acima do umbigo, para dentro e para cima.
  3. Alternar até sair o objeto ou ficar inconsciente.

Grávidas e obesos: compressões torácicas. Inconsciente: amparar, 112, SBV 30:2.

Depois: observação médica.

Desobstrução na criança e no lactente

Lactente Criança
1.º 5 pancadas nas costas, de bruços no antebraço, cabeça baixa 5 pancadas nas costas, inclinada para a frente
2.º 5 compressões torácicas 5 compressões abdominais
  • Nunca compressões abdominais no lactente.
  • Se fica inconsciente: abrir a via aérea, 5 insuflações, depois 15:2; 112.

Bloco 7 · Comunicação e controlo emocional

Comunicação de suporte

Com a vítima consciente:

  • Apresentar-se, perguntar o nome e usá-lo.
  • Explicar antes de agir e pedir consentimento.
  • Escuta ativa: deixar falar, repetir o essencial.
  • Tranquilizar sem mentir: «A ajuda está a caminho».
  • Voz calma, frases curtas, contacto visual.

Liderar os presentes

  • Dar tarefas concretas a pessoas concretas, pelo nome ou apontando.
  • Uma ordem sem dono («alguém ligue!») não funciona.
  • Dar uma tarefa a quem está em pânico: segurar o casaco, abrir a porta, contar em voz alta.
  • Promover a calma: a tua atitude contagia.
  • Afastar curiosos e proteger a privacidade.

Com a equipa de emergência: o que aconteceu, quando, o que encontrei, o que fiz, estado atual.

Controlo emocional e autorregulação

  • Respirar fundo uma vez, devagar, antes de agir.
  • Seguir o algoritmo: dá estrutura quando a cabeça falha.
  • Dar voz às ações: «Vou ver se respira».
  • Partilhar tarefas e pedir ajuda.
  • Depois: falar com o responsável ou colega; aceitar apoio psicológico.

Presenciar uma paragem pode ser traumático para o reanimador e para os assistentes.

Bloco 8 · Feridas, hemorragias, choque e trauma

Feridas e hemorragias

Controlo em escada:

  1. Pressão direta com compressa limpa, pelo menos 10 minutos.
  2. Penso compressivo; acrescentar compressas por cima, sem retirar as primeiras.
  3. Elevar o membro se não houver fratura.
  4. Hemorragia de membro com risco de vida não controlada: garrote acima da ferida, anotar a hora.
  5. 112 nas graves.

Epistaxe: sentar, inclinar para a frente, apertar a parte mole do nariz cerca de 10 min.

Cuidados à ferida

  1. Luvas.
  2. Controlar a hemorragia.
  3. Lavar com água corrente ou soro, do centro para fora; sem algodão.
  4. Desinfetar em redor e cobrir com compressa esterilizada.
  5. Vigiar infeção: vermelhidão, calor, pus, febre.

Encaminhar: feridas profundas, sujas, por mordedura, na face ou articulação, ou vacina do tétano por rever.

Choque

Falha da circulação eficaz de sangue pelos órgãos: emergência.

  • Sinais: palidez, pele fria e suada, pulso rápido e fraco, ansiedade, sede.
  • Atuação: 112; tratar a causa; deitar e elevar as pernas (cerca de 30 cm), se sem fratura, coluna ou cabeça; cobrir; não dar de beber; vigiar.
  • Se inconsciente e respira: PLS; se não respira: SBV.

Queimaduras

Grau Aspeto
1.º vermelhidão, sem bolhas
2.º bolhas, pele rosada e húmida
3.º branca, acastanhada ou carbonizada, pouca dor

Arrefecer com água corrente fresca cerca de 20 minutos, retirar anéis, cobrir com penso não aderente.

Nunca: gelo, cremes, manteiga, rebentar bolhas. 112 se extensas, face, mãos, químicas, elétricas, ou em crianças se extensas ou com bolhas amplas.

Olhos e objetos empalados

Olhos:

  • Corpo estranho: não esfregar, lavar com água.
  • Químico: irrigar 15 a 20 min, 112/CIAV.
  • Objeto cravado: não tocar, proteger com um copo, 112.

Objetos empalados: nunca retirar; estabilizar com compressas volumosas, controlar a hemorragia à volta e manter a pessoa quieta; 112.

Articulações e fraturas

Entorse, luxação, rotura muscular: repouso, frio protegido 10 a 20 min, compressão, elevação; não reduzir luxações.

Fratura:

  1. Não endireitar nem mobilizar sem necessidade.
  2. Imobilizar na posição encontrada, incluindo a articulação acima e abaixo (talas, lenço triangular).
  3. Verificar cor, calor e sensibilidade distal.
  4. Aberta: cobrir com compressa esterilizada; não empurrar o osso.
  5. 112 se grave; sem comer nem beber.

Bloco 9 · Lesões desportivas, concussão e calor

Lesões desportivas frequentes

Lesão Primeiros socorros
Contusão frio protegido, repouso
Entorse repouso, frio, compressão, elevação
Distensão / rotura parar, frio, compressão, avaliação
Luxação imobilizar, não reduzir, 112
Fratura imobilizar na posição, 112 se grave
Feridas e escoriações lavar, cobrir

Causas: trauma agudo ou sobrecarga.

Prevenção das lesões

  • Avaliação prévia e historial do praticante.
  • Aquecimento progressivo e retorno à calma.
  • Progressão da carga adequada ao nível.
  • Técnica correta e supervisão.
  • Equipamento adequado e em bom estado; instalação segura.
  • Cultura de comunicação: dizer «parei porque me dói» deve ser fácil.

Concussão no desporto

Lesão cerebral após pancada que transmite força à cabeça. Não é preciso desmaiar.

  • Sinais: dor de cabeça, tonturas, confusão, olhar vazio, perda de memória, náuseas, equilíbrio alterado.
  • Retirar de imediato do treino ou jogo: na dúvida, fica de fora.
  • Não deixar sozinho; avaliação médica; regresso gradual.
  • 112 com vómitos repetidos, sonolência, convulsão, pupilas desiguais, dor no pescoço.

Traumatismo da coluna vertebromedular

Suspeitar de: queda de altura, mergulho em águas pouco profundas, colisão violenta, dor no pescoço ou costas, formigueiro, fraqueza.

  • Não mover a pessoa, salvo perigo iminente.
  • Estabilizar a cabeça em posição neutra com as mãos.
  • 112, vigiar respiração e consciência.
  • Não remover o capacete, salvo para a via aérea.
  • Se não respira: via aérea e SBV têm prioridade.

Golpe de calor

Exaustão pelo calor Golpe de calor
Sinais suor, cansaço, náuseas, tonturas, cãibras mais de 40 °C, confusão, desmaio, convulsão
Atuação sombra, arrefecer, hidratar 112 e arrefecer já

Arrefecer: imersão em água fria (cabeça fora), ou toalhas molhadas, ventilação, gelo no pescoço, axilas e virilhas.

Prevenção: aclimatização, evitar horas quentes, pausas e água.

Bloco 10 · Outras emergências médicas

Dor no peito e AVC

Dor precordial: aperto no peito que pode irradiar para braço ou mandíbula; suores, náuseas.

  • Parar, sentar, 112, preparar o DAE; seguir o CODU (medicação só por indicação do CODU).

AVC: face descaída, braço sem força, fala alterada, perda súbita de visão ou equilíbrio.

  • 112 de imediato, anotar a hora de início, nada de comer, beber ou medicar.

Epilepsia

  • Proteger a cabeça, afastar objetos, soltar roupa apertada, cronometrar.
  • Não segurar à força, não pôr nada na boca.
  • No fim: PLS e vigilância.
  • 112 se dura mais de 5 minutos, se é a primeira crise, se há ferimentos, se repete ou não recupera.

Glicemia: hipo e hiperglicemia

Hipoglicemia: suor frio, tremor, fome, confusão.

  • Consciente e capaz de engolir: açúcar de ação rápida (15 a 20 g), repetir em 15 min.
  • Inconsciente: nada pela boca, PLS, 112.

Hiperglicemia: sede, urinar muito, cansaço, hálito frutado. Repouso, água, avaliar e 112 se vómitos ou sonolência. Não dar insulina.

Intoxicações e envenenamentos

  • Segurança: não inalar vapores; arejar; luvas em corrosivos.
  • Identificar produto, quantidade e hora; guardar a embalagem.
  • CIAV 800 250 250 ou 112; seguir as instruções.
  • Não provocar o vómito; não dar leite nem antídotos caseiros.
  • Se inconsciente e respira: PLS; se não respira: SBV.

Bloco 11 · Síntese e boas práticas

Do aviso ao hospital: o fluxo completo

Segurança -> reage? -> 112 -> via aérea e VOS -> SBV (30:2) + DAE -> PLS ou continuar até ajuda
  • Adulto: 30:2; criança: 5 insuflações e 15:2.
  • Usar o DAE logo que disponível.
  • Cada passo depende do anterior.
  • Atuar com calma, respeitando os limites e o sigilo.

Boas práticas finais

  • Segurança primeiro, sempre.
  • Ligar cedo ao 112 e não desligar até mandarem.
  • Comprimir bem: fundo, rápido, sem interrupções.
  • Usar o DAE sem medo.
  • Não passar dos limites: imobilizar, não reduzir; não medicar.
  • Treinar com regularidade e rever o plano de contingência.
  • Sigilo e respeito pela pessoa.

Recapitulando

  • O 112 e a cadeia de sobrevivência dão o enquadramento; os três primeiros elos estão nas tuas mãos.
  • Adulto: 30 compressões (5 a 6 cm, 100 a 120/min) e 2 insuflações, DAE cedo. Criança: 5 insuflações e 15:2.
  • PLS para quem respira e está inconsciente (nunca em trauma da coluna); OVA com pancadas e compressões.
  • Trauma e lesões: pressão na hemorragia, água fresca na queimadura, imobilizar na posição, concussão fora de jogo, arrefecer o golpe de calor.

Próximo: fichas e mini-projeto, decidir e atuar em cenários reais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico é o primeiro elo de uma corrente que continua no INEM e no hospital - erro comum: achar que sem ser profissional de saúde não se deve fazer nada - exemplo: o técnico de piscina que é o primeiro a chegar a um banhista inconsciente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: saber onde parar faz parte da competência - erro comum: oferecer um comprimido para a dor «só para ajudar» - exemplo: o consentimento implícito numa pessoa inconsciente em perigo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dados de saúde são dados sensíveis, partilham-se só com quem precisa - erro comum: publicar uma foto ou um vídeo do episódio «para alertar» - pergunta: o que contam aos pais de um menor, e a quem mais?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quem descobre no dia que não sabe onde está o DAE perdeu minutos - erro comum: o DAE existe mas está fechado à chave ou sem bateria - exemplo: escrever a morada e os pontos de referência junto ao telefone da receção

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a melhor emergência é a que não chega a acontecer - erro comum: tratar a prevenção como burocracia - exemplo: recusar começar um treino num pavilhão com o chão molhado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a qualidade da chamada decide o meio enviado - erro comum: achar que o INEM atende diretamente toda a gente, quando o 112 transfere para o CODU - exemplo: meios diferentes consoante a gravidade (ambulância, viatura médica, helicóptero)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: alta voz para ter as mãos livres e ouvir as instruções - erro comum: ligar para o número direto de um posto em vez do 112 - exemplo: o CODU a contar o ritmo das compressões ao telefone

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: onde, o quê, quem, como, por esta ordem de importância - erro comum: desligar assim que se diz a morada - exemplo: treinar a chamada em pares, com cronómetro de 30 segundos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: se um elo falha, os outros perdem eficácia - erro comum: achar que a sobrevivência depende só do hospital - analogia: uma corrente de bicicleta, um elo partido e a roda não anda

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: compressões mantêm o cérebro oxigenado enquanto o DAE não chega - erro comum: esperar pela ambulância sem fazer nada - pergunta: quantos minutos demora a ambulância a chegar ao vosso local de trabalho?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o oxigénio entra primeiro porque a causa é respiratória - erro comum: aplicar à criança exatamente a sequência do adulto - exemplo: criança retirada da piscina sem reação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um socorrista ferido deixa de ajudar e dá mais um doente - erro comum: correr para a vítima sem olhar ao redor - exemplo: a pessoa caída junto a um equipamento ligado à corrente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: retificar a segurança quando é possível, abster-se quando não é - erro comum: tocar numa vítima de choque elétrico sem cortar a corrente - exemplo: trocar o cloro com ácido numa piscina e criar gás tóxico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o risco de transmissão na reanimação é muito baixo - erro comum: esperar por luvas antes de comprimir - exemplo: sem máscara, compressões contínuas até chegar o DAE ou a equipa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: costelas partidas curam; a falta de reanimação mata - erro comum: parar por medo de magoar - pergunta: o que é mais grave, uma costela partida ou uma paragem sem socorro?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: três passos, sempre pela mesma ordem - erro comum: saltar a verificação de segurança - exemplo: ensaiar os três passos em voz alta, em pares

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estímulo dos dois lados, voz alta, abanar sem violência - erro comum: abanar com força ou esbofetear - exemplo: o praticante que «parece desmaiado» e afinal responde

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: abrir a via aérea antes de avaliar a respiração - erro comum: avaliar sem abrir a via aérea e concluir «não respira» - analogia: dobrar uma mangueira, o fluxo pára até a endireitar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a respiração agónica engana, é um sinal de paragem - erro comum: ver um suspiro e concluir que a pessoa respira - exemplo: o ronco ruidoso a cada 6 segundos na paragem testemunhada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: profundidade e descompressão total são o que falha mais - erro comum: compressões superficiais, curtas, com os cotovelos dobrados - exemplo: treinar ao ritmo de uma música conhecida

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pausas curtas, insuflações suaves - erro comum: soprar com força e insuflar o estômago - exemplo: 30 compressões a 110 por minuto demoram cerca de 16 segundos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a troca em menos de 5 segundos - erro comum: aguentar até à exaustão e comprimir sem profundidade - exemplo: dois técnicos a trocar de lugar na análise do DAE

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o oxigénio primeiro, como na criança - erro comum: drenar a água dos pulmões, não funciona e atrasa - exemplo: nadador retirado de uma piscina sem reação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o risco de usar é baixo, o benefício é enorme - erro comum: ter medo de «matar» a pessoa com o choque - exemplo: o símbolo do coração com raio que sinaliza o DAE

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: manter as compressões até ao último momento possível - erro comum: continuar a comprimir durante a análise, o que pode impedir a decisão - exemplo: encenar os seis passos com um DAE de treino

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: afastar, olhar à volta, carregar - erro comum: tocar na vítima por reflexo no momento do choque - exemplo: DAE numa piscina com o chão molhado, secar antes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o DAE existe também para a criança - erro comum: recusar usar o DAE por não ter elétrodos pediátricos - exemplo: lactente pequeno com elétrodos à frente e atrás

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a PLS não se usa quando a pessoa não respira - erro comum: colocar em PLS uma vítima de queda de altura - exemplo: o praticante que desmaia no vestiário e respira normalmente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a mão junto à face guia a cabeça e protege a via aérea - erro comum: esquecer de manter a cabeça em extensão - exemplo: treinar a PLS em pares, trocando de papel

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as 5 insuflações iniciais são a diferença principal para o adulto - erro comum: começar por compressões numa criança sem as insuflações - exemplo: criança de 7 anos retirada de uma piscina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: profundidade proporcional ao tórax, não um valor fixo - erro comum: comprimir com a força do adulto - exemplo: treino com manequim de lactente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: não intervir enquanto a tosse é eficaz - erro comum: bater nas costas de quem tosse bem - exemplo: o adolescente que engasga com goma de mascar durante um jogo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: verificar após cada pancada ou compressão - erro comum: tentar remover o objeto com os dedos às cegas - exemplo: o jantar de equipa, alguém engasga com um pedaço de carne

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: lactente leva compressões torácicas, não abdominais - erro comum: aplicar Heimlich a um bebé - exemplo: brinquedo pequeno numa atividade de enriquecimento curricular

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a comunicação faz parte do tratamento - erro comum: dizer «não é nada» a quem tem dor forte - exemplo: ajoelhar-se ao nível dos olhos de uma criança assustada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: olhar para a pessoa e dizer o que fazer - erro comum: gritar ordens genéricas para a sala - exemplo: «A pessoa de camisola azul: ligue ao 112 e diga a morada»

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o treino reduz o pânico porque o corpo conhece a sequência - erro comum: achar que pedir apoio depois é fraqueza - pergunta: o que faz cada um para se acalmar antes de agir?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pressão direta contínua, sem levantar para espreitar - erro comum: retirar a compressa cheia de sangue e perder o coágulo - exemplo: jorro vermelho-vivo e pulsátil indica hemorragia arterial

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: lavar bem é metade do tratamento - erro comum: álcool diretamente na ferida - exemplo: escoriação num joelho após queda no piso do pavilhão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o choque trata-se pela causa e pela posição, não com líquidos - erro comum: dar água a uma pessoa em choque - exemplo: hemorragia interna após colisão num desporto de contacto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: água fresca, não gelada, e o mais cedo possível - erro comum: gelo ou pasta de dentes na queimadura - exemplo: queimadura com água quente na cozinha do clube

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o objeto pode estar a tapar um vaso, retirar causa hemorragia - erro comum: puxar o objeto «para aliviar» - exemplo: lasca de madeira numa atividade de bricolage com crianças

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: imobilizar na posição encontrada - erro comum: «meter o osso no sítio» ou fazer massagem - exemplo: antebraço fraturado numa queda no basquetebol

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: reconhecer, proteger e encaminhar, sem diagnosticar - erro comum: mandar continuar a treinar «com dor, passa» - exemplo: o entorse do tornozelo no futsal

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a progressão da carga previne mais do que o equipamento - erro comum: aumentar a carga para recuperar o tempo perdido - exemplo: programa de iniciação com subida semanal gradual

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maioria das concussões ocorre sem perda de consciência - erro comum: deixar o jogador regressar porque «já está bem» - exemplo: choque de cabeças num jogo de andebol de formação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir à vítima que não se mexa - erro comum: sentar a pessoa «para ela respirar melhor» - exemplo: mergulho de cabeça numa zona pouco funda de uma piscina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: arrefecer primeiro, transportar depois - erro comum: dar água a quem está confuso ou levá-lo no carro sem arrefecer - exemplo: corrida de verão com praticante a cambalear

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tempo é cérebro e tempo é coração - erro comum: esperar que a dor passe com repouso - exemplo: praticante de 55 anos com aperto no peito numa aula de grupo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pessoa não engole a língua - erro comum: meter um objeto na boca - exemplo: crise na piscina, retirar da água em segurança primeiro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: na dúvida entre as duas, dar açúcar se consciente é mais seguro - erro comum: dar açúcar a quem está inconsciente - exemplo: praticante diabético sem pequeno-almoço, trémulo e confuso

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar antes de agir, o CIAV orienta o que fazer - erro comum: provocar o vómito com os dedos - exemplo: produtos de limpeza de piscina mal armazenados

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fluxo como fio condutor da UC - erro comum: tratar cada técnica isoladamente - exemplo: percorrer o fluxo com um caso trazido pela turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as competências perdem-se sem treino - erro comum: achar que o curso feito uma vez chega para sempre - analogia: um piloto treina emergências em simulador todos os anos