UC01873

Recolher, armazenar e processar dados na prospeção de recursos minerais

Recolha de dados de campo, bases de dados, modelação de informação e Sistemas de Informação Geográfica (SIG)

Curso técnico · 50h · Técnico/a de Prospeção e Pesquisa de Recursos Minerais

Plano

  1. A prospeção de recursos minerais
  2. Tipologia de depósitos minerais
  3. Recolha de dados no campo e sondagens
  4. Georreferenciação: PT-TM06/ETRS89 e GNSS
  5. Registo e armazenamento de dados
  6. Bases de dados: conceitos fundamentais
  7. Modelação de informação
  8. Software de gestão de informação
  9. Sistemas de Informação Geográfica (SIG)
  10. SIG: análise espacial e mapas
  11. Processar e analisar dados (estatística)
  12. Cruzar informação de várias fontes
  13. Controlo de qualidade dos dados
  14. Segurança, cópias (3-2-1) e responsabilidade
  15. Boas práticas e síntese

Bloco 1 · A prospeção de recursos minerais

O que é a prospeção de recursos minerais

A prospeção é o conjunto de trabalhos que procura e caracteriza depósitos de recursos minerais com interesse económico, antes de se avançar para a exploração e extração.

  • Combina trabalho de campo (geologia, amostragem, sondagens) com trabalho de gabinete (dados, mapas, relatórios).
  • O Técnico de Prospeção apoia geólogos e engenheiros de minas na recolha, organização e análise da informação.
  • O valor do trabalho não está só em encontrar minério: está em documentar tudo de forma rigorosa e reprodutível.

Sem dados bem recolhidos e bem guardados, a melhor descoberta geológica perde-se.

Fases de um projeto de prospeção

Fase O que acontece
Reconhecimento pesquisa bibliográfica, cartografia regional, deteção remota
Prospeção geral amostragem alargada, geofísica e geoquímica regionais
Prospeção de pormenor sondagens, amostragem densa, modelação inicial
Avaliação cálculo de recursos, estudo de viabilidade

Em todas as fases repete-se o mesmo ciclo: recolher, registar, armazenar, processar, interpretar. É este ciclo que esta UC ensina a dominar em gabinete técnico.

Mina ou pedreira? Uma distinção jurídica

Depósitos minerais Massas minerais
Propriedade domínio público do Estado privada (dono do terreno)
Onde se exploram minas pedreiras
Legislação Lei n.º 54/2015 e DL n.º 30/2021 DL n.º 270/2001
Exemplos cobre, zinco, volfrâmio, lítio, sal-gema granito, calcário, mármore, areias
  • DGEG: entidade licenciadora; recebe relatórios e dados dos titulares.
  • LNEG: laboratório do Estado para geologia e minas; cartas geológicas e bases de dados públicas (SIORMINP, ocorrências minerais).

Bloco 2 · Tipos de depósitos minerais

Classificar depósitos minerais

Um depósito mineral é uma concentração natural de um ou mais minerais com potencial valor económico. Classificam-se, entre outros critérios, pela sua génese:

  • Depósitos primários (endógenos): formados por processos magmáticos, hidrotermais ou metamórficos, geralmente em rocha consolidada.
  • Depósitos secundários (exógenos): formados por meteorização, erosão e deposição, incluindo os depósitos aluvionares (placeres) de ouro, estanho ou diamante.

Cada tipo de depósito tem uma assinatura própria nos dados de campo (forma, mineralogia, alteração), que o técnico aprende a reconhecer nos registos.

Principais tipos de depósitos e exemplos

Tipo Forma e assinatura Exemplo
Magmático camadas em rochas máficas; cromite, Ni-Cu Bushveld, Sudbury
Hidrotermal filoniano filões de quartzo com sulfuretos Panasqueira (W, Sn)
Pórfiro grande volume, teores baixos, Cu-Mo Andes (Chile, Peru)
Sulfuretos maciços vulcanogénicos (VMS) lentículas de sulfuretos, densos e condutores Neves-Corvo (Cu, Zn, Sn), Aljustrel
Pegmatítico cristais grandes; Li, Sn, Ta aplito-pegmatitos do Barroso (Li)
Sedimentar camadas extensas ferro de Moncorvo, sal-gema de Loulé
Placer minerais densos em cascalhos ouro e estanho aluvionar
Laterítico / supergénico manto de meteorização, gossan lateritos de níquel, bauxite

Recursos metálicos, não metálicos e energéticos

Categoria Exemplos Uso típico
Metálicos ouro, cobre, estanho, volfrâmio, ferro indústria, eletrónica, construção
Não metálicos / industriais quartzo, feldspato, caulino, argilas, sal-gema cerâmica, vidro, indústria química
Rochas ornamentais e agregados granito, mármore, calcário, areias construção (massas minerais, em pedreira)
Energéticos carvão, urânio produção de energia

A tipologia do depósito e a categoria do recurso determinam que informação recolher (teores, litologia, geometria) e como organizá-la na base de dados.

Bloco 3 · Recolha de dados no campo

Métodos de recolha de dados

A prospeção reúne informação por vários métodos complementares:

  • Cartografia geológica: mapeamento de afloramentos, litologias e estruturas no terreno.
  • Amostragem: recolha de amostras de rocha, solo ou sedimento para análise laboratorial (geoquímica).
  • Sondagens: furos que atravessam o subsolo e trazem testemunhos (rocha) ou detritos, para conhecer a geologia em profundidade.
  • Geofísica: medição de propriedades físicas do terreno (magnetismo, gravimetria, resistividade) sem escavar.

Cada método produz um tipo de dado diferente, que a ficha de campo ou o formulário digital tem de captar com o mesmo rigor.

A ficha de campo e os metadados

Cada elemento recolhido (amostra, ponto de observação, furo) tem de vir acompanhado de metadados, os dados sobre o dado:

  • Identificador único (código da amostra ou do furo).
  • Coordenadas, cota e sistema de coordenadas (PT-TM06/ETRS89), com método e precisão.
  • Data e operador (quem recolheu).
  • Método, tipo de amostra e contexto geológico (litologia, estrutura).
  • Fotografias e observações de campo; mais tarde, laboratório, método analítico e certificado.

Sem estes metadados, uma amostra fica sem contexto: chega ao gabinete um número isolado, inútil para a base de dados.

Sedimentos de corrente e malhas de solos

Sedimentos de corrente (prospeção geral): o sedimento representa a bacia a montante.

  • Amostrar cada afluente um pouco a montante da confluência, nunca na própria confluência.
  • Amostrar a montante de pontes, estradas, povoações e escombreiras (contaminação).

Malha de solos (pormenor): exemplo, 2 000 m × 1 500 m a 100 m.

  • 20 × 15 intervalos → 21 × 16 = 336 nós (amostras).
  • 20 × 15 = 300 células. Confundir nós com células faz faltar 36 amostras.

Os dados de uma sondagem

Conjunto Conteúdo Uma linha por
Colar id, coordenadas, cota, azimute, inclinação, profundidade final furo
Desvios profundidade, azimute, inclinação medição
Litologia de, até, código, descrição intervalo geológico
Amostras id da amostra, de, até, tipo intervalo amostrado
Ensaios id da amostra, elemento, resultado, unidade, certificado resultado
  • Testemunho (coroa diamantada) ou detritos (percussão com circulação inversa, RC).
  • Recuperação = comprimento recuperado ÷ comprimento furado. Ex.: 2,64 m em 3,00 m = 88 %.

Bloco 4 · Georreferenciação e coordenadas

Sistemas de coordenadas

Georreferenciar é atribuir a um ponto uma posição exata na superfície da Terra, num sistema de coordenadas definido.

  • Datum: elipsoide de referência e o seu posicionamento em relação à Terra; sem ele, a mesma coordenada pode apontar para sítios diferentes.
  • Coordenadas geográficas (latitude, longitude): posição angular sobre o elipsoide.
  • Projeção cartográfica: passa o elipsoide para um plano, com coordenadas em metros.
  • Em Portugal continental: datum ETRS89, projeção PT-TM06, sistema PT-TM06/ETRS89 (EPSG:3763). Nas regiões autónomas: PTRA08.

Toda a recolha de campo (amostra, furo, afloramento) tem de trazer a coordenada e o sistema em que foi medida.

GNSS: como se obtém a posição

  • O recetor mede a distância (pseudodistância) a cada satélite pelo tempo de viagem do sinal.
  • Com 4 ou mais satélites resolve a posição (3 coordenadas) e o erro do relógio.
  • É trilateração (distâncias), não triangulação (ângulos).
Modo Precisão horizontal típica Uso
Recetor de mão autónomo alguns metros reconhecimento, sedimentos
Com EGNOS ordem de 1 a 3 m malhas de solos largas
RTK / diferencial centimétrica colares de sondagem, limites

Precisão, exatidão e qualidade da posição

  • Precisão: quão repetível é a medição (medições próximas entre si).
  • Exatidão: quão perto a medição está do valor real.
  • Equipamentos diferentes (recetor GNSS de mão, GNSS RTK, estação total) dão precisões diferentes, que devem ficar registadas.
  • Um ponto mal georreferenciado propaga o erro a todo o modelo construído a partir dele (secção geológica, mapa, volume estimado).

Registar sempre o método e a precisão da coordenada é tão importante como a própria coordenada.

Bloco 5 · Registo e armazenamento de dados

Do papel ao ficheiro digital

Tradicionalmente os dados de campo eram registados em cadernos de campo e fichas de papel. Hoje, o registo é cada vez mais digital, desde o terreno:

  • Formulários digitais em tablet ou telemóvel, com validação no próprio ato de recolha.
  • Folhas de cálculo para conjuntos de dados simples e temporários.
  • Bases de dados para projetos com muitos registos e várias pessoas a introduzir dados.

A regra de ouro: registar o dado uma vez, na fonte, e nunca voltar a transcrevê-lo à mão; cada transcrição é uma oportunidade de erro.

Formatos de ficheiro e organização

Formato Uso típico
CSV trocar tabelas entre programas (indicar separador e codificação UTF-8)
Base de dados (ficheiro ou servidor) o projeto todo, com relações entre tabelas
GeoPackage (.gpkg) formato SIG aberto, várias camadas num só ficheiro
Shapefile (.shp) vetorial antigo: vários ficheiros (.shp, .shx, .dbf, .prj) que viajam juntos
GeoTIFF (.tif) raster georreferenciado (elevação, geofísica, interpolações)
Imagem / PDF fotografias de campo, testemunhos, certificados, relatórios

Estrutura de pastas fixa (dados brutos só de leitura, base de dados, SIG, fotografias, relatórios) e convenção de nomes sem exceções.

Limite de deteção e unidades

Situação Registo
Abaixo do limite de deteção "<LD" com o valor (ex.: "<5 ppm"), preservado tal como veio
Valor para cálculo convenção documentada, ex.: metade do LD (2,5 ppm)
Não analisado vazio, com a razão
Zero quase nunca existe em geoquímica: suspeitar

Conversões: 1 % = 10 000 ppm · 1 ppm = 1 g/t · 1 000 ppb = 1 ppm.
Ex.: 0,45 % Cu = 4 500 ppm · 850 ppb Au = 0,85 g/t · 6 000 ppm Li = 0,60 % Li ≈ 1,29 % Li₂O.

Bloco 6 · Bases de dados: conceitos fundamentais

Porque usar uma base de dados

Uma base de dados organiza informação de forma estruturada, permitindo guardar, procurar, relacionar e atualizar dados com fiabilidade.

  • Tabela: um conjunto de dados do mesmo tipo (ex.: tabela de amostras).
  • Registo (linha): um item individual (uma amostra concreta).
  • Campo (coluna): um atributo do registo (a coordenada, o teor, a data).
  • Chave primária: identifica cada registo de forma única e sem ambiguidade.
  • Chave estrangeira: guarda a chave de outra tabela e cria a ligação (ex.: id_furo na tabela de amostras).

Ao contrário de uma folha de cálculo solta, a base de dados impõe regras: tipos de dados, valores obrigatórios, relações entre tabelas.

Relações entre tabelas

Um projeto de prospeção tem várias entidades que se relacionam: furos, amostras, análises, pontos de observação. Em vez de repetir dados, criam-se relações:

Furo (1) ──── (N) Amostra (1) ──── (N) Ensaio (N) ──── (1) Elemento
  • Um para muitos: um furo tem várias amostras; uma amostra tem vários resultados (um por elemento, repetições).
  • Muitos para muitos: amostras e elementos; resolve-se com a tabela intermédia Ensaio (amostra + elemento + resultado).
  • Um para um: raro; ex.: separar dados confidenciais de um furo numa tabela à parte.

Relacionar bem as tabelas evita repetir dados e reduz o risco de inconsistências.

Bloco 7 · Modelação de informação

O que é modelar a informação

Modelar é desenhar, antes de construir, a estrutura de tabelas, campos e relações que a base de dados vai ter. Um bom modelo evita retrabalho e erros mais tarde.

  • Modelo entidade-relação: representa as entidades (furo, amostra, análise), os seus atributos e as relações entre elas.
  • Dicionário de dados: documenta cada campo, o seu tipo, unidade e obrigatoriedade.
  • Modelar obriga a pensar em todos os cenários antes de introduzir o primeiro dado real.

Um modelo mal pensado obriga a reestruturar a base de dados a meio do projeto, com risco de perder ou corromper dados já introduzidos.

Normalização básica

Normalizar um modelo de dados é organizá-lo para eliminar redundância e inconsistência:

  • Cada facto deve estar guardado num único sítio.
  • Cada tabela deve descrever um único tipo de entidade.
  • Os dados repetidos (nome do projeto, geólogo responsável) passam para uma tabela própria, ligada por um identificador.

A normalização é uma disciplina de rigor: cada peça de informação tem o seu lugar certo, e só um.

Validar na entrada e modelar o depósito

Validação: listas fechadas (códigos de litologia), campos obrigatórios, intervalos de valores, unicidade de IDs, integridade referencial.
Intervalos de sondagem: sem sobreposições, lacunas registadas, de < até ≤ profundidade final.

Teor de um intervalo = média ponderada pelo comprimento

De (m) Até (m) Comprimento Cu (%)
20,00 21,50 1,50 0,80
21,50 22,50 1,00 1,60
22,50 24,00 1,50 0,40

(1,20 + 1,60 + 0,60) ÷ 4,00 = 0,85 % Cu (a média simples daria 0,93 %).
Depois: secções, superfícies, modelos 3D e modelo de blocos.

Bloco 8 · Software de gestão de informação

Ferramentas de gestão de informação geológica

O mercado oferece software dedicado à gestão de dados de prospeção e geologia, além de ferramentas genéricas:

  • Folhas de cálculo (LibreOffice Calc, Excel): tarefas pontuais, limitadas em relações e volume.
  • Bases de dados de secretária (SQLite, LibreOffice Base, Access) ou de servidor (PostgreSQL com PostGIS).
  • Gestão de dados geológicos (ex.: acQuire): importação de laboratório, validação, QA/QC.
  • Modelação geológica (ex.: Leapfrog, Datamine, Micromine): secções, 3D, modelo de blocos.
  • SIG (QGIS, livre; ArcGIS): componente espacial (Bloco 9).

A escolha da ferramenta depende da dimensão do projeto, do orçamento e da equipa disponível, mas o fluxo de trabalho (recolher, validar, armazenar, processar) é sempre o mesmo.

Importar, exportar e integrar dados

Raramente todos os dados nascem no mesmo sistema. O técnico tem de saber:

  • Importar dados de formulários de campo, recetores GNSS ou laboratórios para a base de dados central.
  • Exportar dados para relatórios, mapas ou entrega a terceiros, em formatos combinados (ex.: CSV, ficheiros SIG).
  • Validar cada importação: verificar tipos de dados, valores fora do intervalo esperado, duplicados.

Um sistema de gestão de informação vale pela sua capacidade de comunicar com as outras ferramentas do projeto, não por trabalhar isolado.

Bloco 9 · Sistemas de Informação Geográfica (SIG)

O que é um SIG

Um Sistema de Informação Geográfica (SIG) é um software que permite guardar, visualizar, analisar e cruzar dados com localização geográfica.

  • Cada elemento (amostra, furo, afloramento) é um ponto, linha ou polígono com coordenadas e atributos associados.
  • Combina a lógica de uma base de dados com a componente espacial e visual do mapa.
  • É a ferramenta central para cruzar dados de diferentes fontes sobre o mesmo território.

Sem SIG, cruzar geologia, geoquímica e geofísica seria comparar tabelas às cegas; com SIG, cruza-se visualmente sobre o mapa.

Vetor e raster: os dois modelos de dados espaciais

Modelo Representa por Exemplos
Vetorial pontos, linhas e polígonos furos, estradas, área de concessão
Raster uma grelha de células (pixels) imagem de satélite, mapa de anomalia geofísica
  • O modelo vetorial é preciso e guarda atributos ricos por objeto, ideal para pontos de amostragem e furos.
  • O modelo raster é ideal para fenómenos contínuos no espaço (elevação, concentração interpolada, imagem).
  • Um projeto de SIG combina normalmente os dois modelos em camadas sobrepostas.

Bloco 10 · SIG: análise espacial e mapas

Camadas e sobreposição

O SIG organiza a informação em camadas (layers), cada uma com um tema: geologia, amostras, estradas, concessões, hidrografia.

  • Ligar e desligar camadas para focar a análise no que interessa.
  • Sobrepor camadas para procurar relações (ex.: amostras de alto teor perto de uma falha geológica).
  • Cada camada tem a sua simbologia: cor, símbolo, classificação por valor (ex.: teor em classes de cor).

A qualidade de um mapa de prospeção mede-se pela clareza com que comunica a relação entre camadas, não pelo número de cores usadas.

Análise espacial e mapas temáticos

Para além de visualizar, o SIG permite calcular relações espaciais:

  • Distância e proximidade: que amostras estão a menos de 500 metros de uma falha?
  • Interpolação: estimar um valor contínuo (ex.: teor) entre pontos amostrados.
  • Sobreposição de polígonos: cruzar a área de concessão com zonas protegidas.
  • Mapas temáticos: classificar e colorir dados por intervalo de valor, para comunicar um padrão.

Estes cálculos transformam pontos isolados numa interpretação geológica do território.

Interpolação: IDW e krigagem

IDW (inverso da distância): peso = 1 ÷ distânciaᵖ (p = 2 é comum).
Ex.: A 120 ppm a 50 m, B 60 ppm a 100 m, C 30 ppm a 200 m → pesos 0,000400 · 0,000100 · 0,000025 → estimativa ≈ 104 ppm.

Krigagem: usa o variograma (efeito de pepita, alcance, patamar), que descreve como a diferença entre amostras cresce com a distância; dá também a incerteza.

Mapas de anomalias: classes por percentis (P50, P75, P90, P95), não de amplitude igual; limites escritos na legenda.

Bloco 11 · Processar e analisar dados

Preparar os dados para análise

Antes de qualquer análise, os dados têm de ser limpos e organizados:

  • Deteção de erros: valores fora de intervalo, coordenadas impossíveis, unidades trocadas.
  • Tratamento de valores em falta: decidir se se completa, exclui ou assinala o registo.
  • Consistência de unidades: converter tudo para a mesma unidade antes de comparar (ex.: g/t em vez de %).
  • Documentar cada correção feita, para o processo ser reprodutível.

Uma análise sofisticada sobre dados mal preparados produz conclusões erradas, por mais robusto que pareça o método.

Estatística descritiva aplicada à prospeção

Ferramentas simples de estatística ajudam a interpretar conjuntos de dados de teores e medições:

  • Média e mediana: valor típico de um conjunto de amostras.
  • Mínimo, máximo e amplitude: gama de variação observada.
  • Histograma: distribuição dos valores, útil para identificar populações distintas (ex.: fundo geoquímico e anomalia).

Um teor isolado muito acima da média (um valor atípico) pode ser uma descoberta importante ou um erro de laboratório: exige sempre verificação, nunca é ignorado nem aceite às cegas.

Elementos-traço: distribuição lognormal

  • Muitos valores baixos, poucos muito altos: é o logaritmo dos teores que é aproximadamente normal.
  • Usar histogramas em escala logarítmica, média geométrica, percentis e gráficos de probabilidade (a linha dobra onde há duas populações).
  • Correlação (Pearson sobre logaritmos, ou Spearman): elementos farejadores, ex.: As com Au. Correlação não prova causa.

Ex.: 20 teores de Cu, 15 a 480 ppm, três acima de 300. Média 89 ppm, mediana 39 ppm.
Limiar média + 2 desvios com todos os dados: 89 + 2 × 132 ≈ 354 ppm (esconde a amostra de 320).
Só com o fundo (17 valores): 36 + 2 × 12,8 ≈ 62 ppm.

Bloco 12 · Cruzar informação de várias fontes

Porque cruzar dados

Nenhuma fonte de dados sozinha conta a história completa de um depósito. Cruzar informação é combinar fontes diferentes para chegar a uma interpretação mais robusta.

  • Geologia de superfície e sondagens: liga o que se vê à superfície com o que existe em profundidade.
  • Geoquímica e geofísica: uma anomalia química reforçada por uma anomalia física é um alvo mais forte.
  • Dados históricos e dados novos: trabalhos antigos podem confirmar ou contradizer a interpretação atual.

É este cruzamento, feito sobre bases de dados bem organizadas e num SIG, que é o critério de desempenho central desta UC.

Um exemplo de cruzamento passo a passo

Situação: existem amostras de solo com teor de cobre elevado numa área.

  1. Sobrepor no SIG os pontos de geoquímica (teor de cobre) com a geologia de superfície.
  2. Verificar se a anomalia coincide com uma litologia favorável (ex.: rocha alterada).
  3. Cruzar com dados de geofísica, se existirem (ex.: anomalia de resistividade no mesmo local).
  4. Se as três fontes convergem, o local passa a alvo prioritário para sondagem.
  5. Registar a interpretação e a decisão na base de dados do projeto, com data e responsável.

Cruzar dados não é olhar para tudo ao mesmo tempo: é um processo de confirmação sistemática, fonte a fonte.

Bloco 13 · Controlo de qualidade dos dados

Garantir a qualidade da informação

O controlo de qualidade da informação garante que os dados são fiáveis antes de servirem de base a decisões:

  • Duplicados: de campo (variabilidade da amostragem e da análise) e de laboratório (precisão analítica).
  • Brancos: material estéril, com o elemento abaixo do limite de deteção, para detetar contaminação.
  • Materiais de referência certificados (padrões): teor conhecido, para verificar a exatidão.
  • Análises de controlo noutro laboratório: parte das polpas reanalisada, para detetar desvios sistemáticos.
  • Inseridos às cegas, avaliados lote a lote. Ex.: padrão 1,05 ± 0,03 % Cu deu 1,13 % → fora de ±2 desvios, dentro de ±3: alerta.

Um programa de qualidade bem desenhado deteta erros de laboratório e de terreno antes de contaminarem todo o modelo do depósito.

Auditoria e rastreabilidade dos dados

  • Cada dado deve ser rastreável: quem o recolheu, quando, com que método, e quem o validou.
  • Um registo de alterações documenta correções feitas depois da introdução inicial.
  • Auditorias periódicas comparam uma amostra de registos com o suporte original (ficha de campo, relatório do laboratório).

A rastreabilidade transforma uma base de dados numa prova defensável, essencial se o projeto for auditado ou avaliado externamente.

Bloco 14 · Segurança, backup e responsabilidade

Proteger a informação do projeto

Os dados de um projeto de prospeção representam anos de trabalho de campo, caro e muitas vezes irrepetível. Protegê-los é uma responsabilidade central do técnico:

  • Cópias de segurança com a regra 3-2-1: 3 cópias, 2 suportes diferentes, 1 fora do local.
  • Controlo de versões: cada exportação com data e versão; saber que dados serviram a cada mapa.
  • Controlo de acesso: só quem precisa vê ou altera cada parte da informação.
  • Confidencialidade: dados de prospeção são frequentemente sensíveis do ponto de vista comercial e legal.
  • Testar o restauro da cópia de segurança; uma cópia nunca testada pode falhar precisamente quando é preciso.

Perder os dados de uma campanha de campo é, na prática, perder a campanha inteira.

Responsabilidade, autonomia e trabalho em equipa

A gestão de informação de prospeção exige atitudes profissionais claras:

  • Responsabilidade pelas ações e decisões sobre os dados que se introduz ou altera.
  • Autonomia para organizar o próprio trabalho dentro das regras definidas para o projeto.
  • Assertividade para comunicar um erro ou uma incoerência encontrada, mesmo que incómoda.
  • Rigor, sentido analítico e sentido de organização em cada validação, pasta e versão.
  • Liderança, quando aplicável, na coordenação de uma equipa de recolha ou de introdução de dados.

Estas atitudes são avaliadas tanto quanto o domínio técnico das ferramentas.

Bloco 15 · Boas práticas e síntese

Boas práticas de gestão de informação

  • Registar o dado uma vez, na fonte, com todos os metadados.
  • Georreferenciar sempre com o sistema de coordenadas identificado.
  • Modelar a base de dados antes de introduzir dados reais.
  • Validar cada importação e cada cruzamento de fontes.
  • Manter o controlo de qualidade, a rastreabilidade e as cópias de segurança como rotina, não como exceção.
  • Usar o SIG para ver e testar hipóteses sobre o território, não só para desenhar mapas.

Um técnico de prospeção que domina estas práticas transforma dados dispersos num modelo do depósito em que a equipa pode confiar.

Recapitulando

  • A prospeção segue um ciclo: recolher, registar, armazenar, processar, interpretar dados sobre depósitos minerais.
  • Bases de dados bem modeladas e Sistemas de Informação Geográfica são as ferramentas centrais desta gestão.
  • Georreferenciação, controlo de qualidade e rastreabilidade garantem a fiabilidade da informação.
  • Cruzar informação de várias fontes (geologia, geoquímica, geofísica) é o que transforma dados em alvos de prospeção.
  • Rigor, responsabilidade e organização valem tanto como o domínio do software.

Próximo: fichas e projeto, recolher, organizar e cruzar dados de um caso real de prospeção.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta UC foca-se na gestão da informação, não na geologia de campo em si (tratada noutras UCs) - erro comum: pensar que "prospeção" é só ir ao terreno; o gabinete técnico é metade do trabalho - exemplo/analogia: um projeto de prospeção é como uma investigação policial, a prova só vale se estiver bem registada e guardada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o ciclo recolher, registar, armazenar, processar, interpretar aparece em todas as fases, é o fio condutor da UC - pergunta: porque é arriscado avançar de fase sem dados de qualidade? (decisões caras sobre informação fraca) - exemplo: um furo de sondagem mal georreferenciado invalida todo o modelo construído a partir dele

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a diferença entre mina e pedreira NÃO é a profundidade nem o tamanho, é o regime jurídico do recurso - erro comum: dizer que o LNEG licencia; quem licencia é a DGEG, o LNEG é o laboratório do Estado - exercício: abrir o geoportal do LNEG e localizar as ocorrências minerais conhecidas perto da escola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o tipo de depósito condiciona o método de prospeção e os dados a recolher - erro comum: tratar todos os depósitos da mesma forma nas fichas de campo, ignorando o contexto geológico - exemplo: um placer recolhe-se por poços ou sondagens rasas e bateia; um filão hidrotermal por amostragem de rocha e sondagem com coroa diamantada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada tipo muda os elementos a analisar, a forma esperada do corpo e as unidades na base de dados - erro comum: atribuir a Neves-Corvo ouro ou ferro; é um VMS de cobre, zinco e estanho - exercício: dada uma lista de elementos analisados, adivinhar que tipo de depósito o projeto procura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a categoria do recurso muda os campos relevantes da base de dados (ex.: % para metais base, g/t para ouro, % Li₂O para lítio) - erro comum: confundir recurso (o que existe no terreno) com reserva (o que é economicamente extraível) - pergunta: que tipo de recurso se explora numa pedreira de granito perto da escola? (rocha ornamental ou agregado, massa mineral)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhum método sozinho basta, a prospeção cruza vários tipos de dado (ver Bloco 12) - erro comum: recolher a amostra mas esquecer metadados essenciais (coordenada, data, amostrador) - exemplo/analogia: a sondagem é como uma "biópsia" do subsolo, um corte estreito que representa o que está à volta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: metadados incompletos são o erro mais caro de corrigir, muitas vezes já não é possível voltar ao terreno - erro comum: usar o mesmo código para duas amostras diferentes por pressa - exercício: mostrar uma ficha de campo real (ou modelo) e identificar os campos obrigatórios

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: há sempre mais um nó do que intervalos em cada direção - erro comum: amostrar na confluência, misturando duas bacias numa só amostra - exercício: calcular os nós de uma malha de 1 200 m × 800 m a 50 m (25 × 17 = 425)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: esta estrutura (colar, desvios, litologia, amostras, ensaios) é a espinha de qualquer base de dados de sondagens - erro comum: guardar tudo numa só folha, repetindo as coordenadas do furo em cada intervalo - pergunta: porque é que uma recuperação baixa num troço mineralizado preocupa? (o teor pode não ser representativo)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: coordenada sem sistema de referência identificado não serve para cruzar com outros dados - erro comum: chamar "datum" ao PT-TM06 (é a projeção); e misturar dados antigos (Datum 73, Datum Lisboa, ED50) com ETRS89 sem converter, com desvios que podem chegar a dezenas ou centenas de metros - exemplo: um recetor GNSS de mão regista por defeito em WGS84 (latitude, longitude); para o projeto converte-se para PT-TM06/ETRS89

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o EGNOS melhora a precisão para a ordem de 1 a 3 m, não é "sub-métrico"; para colares de sondagem usa-se RTK ou topografia - erro comum: dizer que o GPS "triangula"; o GNSS mede distâncias - exercício: distância entre A (M = −18 250, P = −95 600) e B (M = −17 890, P = −95 120): √(360² + 480²) = 600 m

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: precisão e exatidão não são sinónimos, dar o exemplo clássico do alvo de tiro - erro comum: assumir que "está no GNSS" chega, sem questionar a precisão do aparelho usado - pergunta: que precisão é aceitável para posicionar um furo de sondagem? (normalmente muito maior do que para um ponto de reconhecimento geral)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a transcrição manual repetida é a principal causa de erros de dados em projetos de prospeção - erro comum: copiar dados do caderno de campo para uma folha de cálculo e depois para a base de dados, triplicando o risco de erro - exemplo: comparar o tempo e o risco de um formulário digital que grava direto na base de dados

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a organização de pastas e nomes liga-se à atitude "sentido de organização", um dos critérios avaliados - erro comum: guardar tudo numa única pasta "dados" sem estrutura, impossível de navegar meses depois - exercício: propor à turma uma convenção de nomes para amostras (ex.: projeto, ano, tipo, número) - erro comum: enviar um shapefile sem o .prj, que chega sem sistema de coordenadas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: zero diz "não tem", vazio diz "não sabemos", "<LD" diz "tem menos do que X"; são três informações diferentes - erro comum: guardar Li e Li₂O, ou % e ppm, na mesma coluna - exercício: dar um ficheiro de dois laboratórios com unidades diferentes e harmonizar antes de importar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a base de dados não é só "mais uma folha de cálculo", impõe integridade que a folha de cálculo não garante - erro comum: confundir tabela com base de dados; a base de dados é o conjunto organizado de várias tabelas relacionadas - exemplo: mostrar a mesma informação numa folha de cálculo desorganizada e numa base de dados com tabelas relacionadas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a relação um para muitos é a mais comum em projetos de prospeção (um furo, muitas amostras) - erro comum: repetir os dados do furo em cada linha de amostra em vez de relacionar por um identificador - erro comum: modelar "uma amostra, uma análise" (1:1) ou criar colunas Cu_1, Cu_2; uma amostra analisada para 3 elementos dá 3 linhas de ensaio - exercício: desenhar no quadro as tabelas Furo, Amostra e Ensaio e ligar as relações

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: modelar é um investimento inicial que poupa muito tempo de correção mais tarde - erro comum: começar a introduzir dados sem desenhar o modelo, "para ganhar tempo" - exemplo: um projeto que esqueceu o campo da unidade do teor e teve dados em % e em g/t misturados na mesma coluna

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: normalizar liga-se diretamente à atitude "rigor" do referencial da UC - erro comum: guardar o nome do geólogo em texto livre em cada registo, com grafias diferentes em cada linha - pergunta: que problema dá se o nome do projeto estiver escrito de forma diferente em cada tabela? (impossível de cruzar automaticamente)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: modelar a informação tem dois sentidos, a estrutura da base de dados e a representação do depósito (secções, mapas, 3D) - erro comum: média simples de amostras de comprimentos diferentes; e esquecer que o comprimento no furo não é a espessura real - exercício: dar cinco intervalos com uma sobreposição, uma lacuna e um fim além do furo, e pedir para os encontrar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a competência central é o fluxo de trabalho, não o software específico; a ferramenta muda, o método não - erro comum: pensar que aprender "um programa" chega; o técnico tem de compreender os conceitos por trás de qualquer ferramenta - exemplo: mostrar como a mesma tabela de furos poderia viver numa folha de cálculo, numa base de dados ou num software especializado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: importar sem validar é a porta de entrada de erros na base de dados central - erro comum: importar um ficheiro de laboratório sem verificar se as unidades correspondem às da base de dados - exercício: dado um ficheiro de exemplo, identificar em conjunto que validações fazer antes de importar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o SIG une base de dados e mapa, é o elo entre os Blocos 6 e 7 e a análise espacial - erro comum: pensar no SIG só como "fazer mapas bonitos"; o valor está na análise, não só na representação - exemplo: sobrepor num SIG os pontos de amostragem geoquímica com o mapa geológico e ver padrões

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: escolher vetor ou raster depende da natureza do fenómeno, não é uma questão de gosto; no QGIS, projeto em EPSG:3763 - erro comum: confundir o dado medido (os pontos de amostragem, vetoriais) com a superfície interpolada (raster derivado, que é uma estimativa) - pergunta: um modelo de elevação do terreno é vetor ou raster? (raster, tipicamente)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada camada tem o seu sistema de coordenadas; para medir e cruzar, todas no sistema do projeto (PT-TM06/ETRS89) - erro comum: sobrepor demasiadas camadas ao mesmo tempo e tornar o mapa ilegível - exercício: dado um mapa com 5 camadas, decidir quais desligar para responder a uma pergunta concreta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a interpolação é uma estimativa, não um dado medido, deve ser sempre apresentada como tal - erro comum: apresentar um mapa interpolado como se fosse dado observado em todos os pontos - exemplo: mostrar um mapa de teores interpolados entre furos e discutir onde a incerteza é maior, longe dos furos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o IDW nunca dá um valor acima do máximo medido; um máximo longe de todas as amostras é sinal de erro - erro comum: apresentar simbologia inventada como se fosse oficial; a simbologia do projeto é definida pela equipa e explicada na legenda - exercício: repetir o IDW com p = 1 (dá 90 ppm) e discutir o efeito da potência

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dados de má qualidade à entrada produzem sempre resultados de má qualidade à saída, por melhor que seja o método - erro comum: avançar para a análise sem verificar sequer se as unidades batem certo entre ficheiros diferentes - exercício: dar uma tabela com dois ou três erros propositados e pedir para os identificar antes de "analisar"

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um valor atípico não é sinónimo de erro, pode ser o dado mais importante do projeto; exige verificação, não descarte automático - erro comum: remover valores atípicos sistematicamente "para limpar os dados" sem investigar a causa - exemplo: um teor anómalo isolado pode indicar o centro de um depósito ainda não delimitado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os valores anómalos inflacionam a média e o desvio-padrão e escondem-se a si mesmos - erro comum: classes de amplitude igual para dados lognormais, que põem quase tudo na primeira classe - exercício: refazer a média e a mediana do exemplo à mão (1 779 ÷ 20; (38 + 40) ÷ 2)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é um dos critérios de desempenho explícitos da UC, cruzar informação proveniente da prospeção - erro comum: analisar cada fonte de dados isoladamente e nunca as sobrepor para procurar coincidências - exemplo: um alvo de prospeção fica muito mais forte quando geoquímica, geofísica e geologia apontam para o mesmo local

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o cruzamento é um processo passo a passo, documentável, não uma intuição - erro comum: decidir um alvo de sondagem só com base numa fonte, ignorando as outras disponíveis - exercício: dado um mapa com duas camadas de dados, pedir à turma que identifique zonas de coincidência

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o controlo de qualidade não é burocracia, é o que dá credibilidade a um relatório de recursos minerais - erro comum: só inserir amostras de controlo "quando sobra tempo", em vez de as planear desde o início da campanha - pergunta: porque é uma amostra em branco contaminada tão grave como um resultado errado? (mascara a real ausência do elemento)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a rastreabilidade é o que permite defender os dados perante uma auditoria externa ou um investidor - erro comum: corrigir um valor diretamente na base de dados sem deixar registo da alteração - exemplo: comparar um projeto com registo de alterações completo com um sem qualquer histórico, e discutir a diferença de confiança

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma cópia de segurança sem teste de restauro é uma falsa sensação de segurança - erro comum: guardar a única cópia de segurança no mesmo computador ou no mesmo local físico dos dados originais; ou confiar numa pasta sincronizada, que também copia os erros e os ficheiros apagados - exemplo: um disco danificado sem cópia noutro local pode apagar meses de trabalho de campo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: estas são as atitudes do referencial da UC, ligar explicitamente a cada uma um exemplo prático - erro comum: achar que a atitude não se avalia; nesta UC é tão relevante como o domínio do software - exercício: pedir à turma exemplos concretos de cada atitude no contexto de um gabinete técnico

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este slide resume o fluxo completo da UC, ligar cada ponto ao bloco onde foi ensinado - erro comum: tratar cada boa prática como isolada; são todas parte do mesmo ciclo de gestão de dados - exemplo/analogia: um projeto de prospeção bem gerido é como um arquivo de investigação, tudo tem origem, data e responsável