UC01860

Executar métodos elétricos e eletromagnéticos de prospeção (em perfis e em malha) na prospeção de recursos minerais

Resistividade, polarização, eletromagnetismo, GPR, VLF e radiometria no terreno

Curso profissional · 25h · Técnico de Prospeção e Pesquisa de Recursos Minerais

Plano

  1. Da prospeção geofísica aos métodos elétricos e eletromagnéticos
  2. Correntes elétricas e camadas em subsuperfície
  3. O método da resistividade: 1D, 2D e 3D
  4. Disposições de elétrodos, perfis e malha
  5. Polarização espontânea (SP)
  6. Polarização induzida (IP)
  7. Métodos eletromagnéticos: princípios
  8. Radar de solos (GPR)
  9. O método VLF
  10. Métodos radiométricos e elementos radioativos
  11. Equipamento de prospeção: calibração
  12. Manobrar o equipamento no terreno
  13. Análise de superfície e mapeamento geológico
  14. Analisar potenciais recursos minerais a prospetar
  15. Segurança, EPI e boas práticas

Bloco 1 · Da prospeção geofísica aos métodos elétricos e eletromagnéticos

Porque se prospeta com geofísica

A prospeção geofísica mede propriedades físicas do subsolo (resistividade, cargabilidade, permitividade, radioatividade) a partir da superfície, sem escavar. É trabalho de campo na área de prospeção e pesquisa, muitas vezes ligado diretamente a minas em atividade ou em avaliação.

  • Permite localizar alvos antes de sondar ou abrir trincheiras.
  • Reduz custo e tempo: a sondagem mecânica fica reservada para testar os alvos já identificados.
  • É complementar à geologia de superfície e à geoquímica, nunca um substituto.
  • Tem alcance limitado: Neves-Corvo (1977) foi descoberto sobre uma anomalia gravimétrica; os outros métodos aplicados não resultaram, pela profundidade das massas.

A família de métodos desta UC

Família O que mede Métodos nesta UC
Elétricos resistividade, cargabilidade, potencial natural resistividade 1D/2D/3D, SP, IP
EM de indução condutividade (correntes induzidas) Slingram, TDEM, VLF
Radar de solos permitividade (reflexões de ondas) GPR
Radiométricos radioatividade natural de K, U e Th cintilómetro, espectrómetro gama

O fio condutor comum é o equipamento de prospeção elétrica e eletromagnética: quem o calibra e manobra bem, aplica qualquer um destes métodos.

Bloco 2 · Correntes elétricas e camadas em subsuperfície

Injetar corrente no solo

Os métodos elétricos injetam uma corrente elétrica no terreno através de dois elétrodos cravados no solo e medem a diferença de potencial entre outros dois pontos.

  • A resistividade elétrica (ρ, em Ω·m) descreve a resistência de um material à passagem de corrente.
  • Rochas, minérios, água subterrânea e argilas têm resistividades muito diferentes: é esse contraste que a prospeção explora.
  • Um corpo mineralizado condutor (ex.: sulfuretos maciços) destaca-se como zona de baixa resistividade face à rocha encaixante.

Camadas em subsuperfície, fluxo e equipotencial

O subsolo real é estratificado: várias camadas em subsuperfície com resistividades diferentes, que distorcem o percurso da corrente.

  • Linhas de fluxo de corrente: o caminho que a corrente segue de A (+) para B (−), sempre do potencial mais alto para o mais baixo.
  • Linhas de equipotencial: lugares onde o potencial elétrico é constante; cortam sempre as linhas de fluxo em ângulo reto.
  • Com um só elétrodo num terreno homogéneo, as equipotenciais são hemisférios centrados nele (V = ρI / 2πr); com dois elétrodos, são quase hemisférios junto a cada um e o plano a meio de A e B é equipotencial.
  • Um corpo condutor ou resistivo deforma esse padrão e revela a sua presença.

Analisar linhas de equipotencial

O que se vê no mapa Gradiente Meio
Equipotenciais afastadas, a contornar uma zona fraco condutor (a corrente é atraída, o potencial quase não varia)
Equipotenciais apertadas forte resistivo (a corrente desvia-se)
  • Método das linhas equipotenciais: com dois elétrodos de potencial e um voltímetro, procura-se o ponto onde ΔV = 0 e unem-se os pontos de igual potencial.
  • Corpo carregado (mise-à-la-masse): o elétrodo A é posto no próprio minério (afloramento, galeria, sondagem); as equipotenciais alongam-se segundo a direção do corpo.

Bloco 3 · O método da resistividade: 1D, 2D e 3D

Sondagem elétrica vertical (1D)

A sondagem elétrica vertical (SEV) faz medições num único ponto, aumentando progressivamente o afastamento entre os elétrodos de corrente.

  • Quanto maior o afastamento, mais profunda é a informação amostrada (a corrente penetra mais fundo).
  • O resultado é um perfil 1D: como a resistividade varia com a profundidade naquele ponto.
  • Útil para detetar camadas horizontais (ex.: nível freático, topo de rocha mineralizada a uma dada profundidade).

Perfilagem 2D e modelos 3D

  • 2D (ERT): dezenas de elétrodos ao longo de um perfil, ligados por cabo multicondutor; o instrumento mede centenas de quadripolos. Dados → pseudossecçãoinversão → secção de resistividade (com erro RMS).
  • 3D: várias linhas paralelas numa malha, invertidas em conjunto num modelo volumétrico; as linhas não podem ficar muito afastadas (regra prática: até cerca do dobro do espaçamento entre elétrodos).
  • Profundidade útil: da ordem de um quinto do comprimento da linha de elétrodos, menos sob cobertura condutora.
  • É a distinção do título da UC: trabalhar em perfis ou em malha.

Bloco 4 · Disposições de elétrodos, perfis e malha

Disposições de elétrodos

Um levantamento de resistividade usa quatro elétrodos: dois de corrente (A, B) e dois de potencial (M, N). A forma como se dispõem no terreno chama-se disposição (array):

Dispositivo Fator geométrico K Para quê
Wenner (A M N B a espaçamento a) 2πa sinal forte, camadas horizontais
Schlumberger (MN muito menor que AB) π(L² − l²)/(2l), L = AB/2, l = MN/2 SEV clássica
Dipolo-dipolo (dipolos de comprimento a, afastados n·a) π·a·n(n+1)(n+2) boa resolução lateral, filões e falhas, IP
Polo-dipolo (um elétrodo "no infinito") 2π·a·n(n+1) mais alcance com cabos curtos

Resistividade aparente: ρa = K · ΔV / I

Exemplo (Wenner): a = 10 m, I = 100 mA, ΔV = 250 mV.

  1. K = 2π × 10 = 62,83 m
  2. R = ΔV / I = 0,250 / 0,100 = 2,5 Ω
  3. ρa = 62,83 × 2,5 = 157 Ω·m
  • "Aparente" porque só é a resistividade real num terreno homogéneo; o modelo do subsolo sai da inversão.
  • Em dipolo-dipolo, passar de n = 3 para n = 6 multiplica K por quase 6: mais profundidade, muito menos sinal.
  • Condutividade: σ = 1/ρ; 50 Ω·m = 0,02 S/m = 20 mS/m.

Adequar o método ao trabalho: perfis e malha

Escolher entre trabalhar em perfis ou em malha é um critério de desempenho central desta UC: adequar o tipo de prospeção à finalidade do trabalho.

  • Perfis: rápido, ideal para alvos alongados (falhas, filões, contactos litológicos) de direção conhecida; perfis perpendiculares à direção do alvo.
  • Malha: mais lento, mas dá cobertura espacial completa, essencial para corpos irregulares ou de direção desconhecida.
  • Contar nós, não células: n intervalos têm n + 1 nós. 20 × 20 intervalos = 21 × 21 = 441 nós (400 células).
  • Exemplo: 200 m × 150 m, linhas de 200 m a cada 25 m, estações a 10 m → 7 linhas × 21 estações = 147 estações.

Bloco 5 · Polarização espontânea (SP)

O que é a polarização espontânea

A polarização espontânea (SP) é um método passivo: não se injeta corrente, mede-se apenas a diferença de potencial natural que já existe no solo.

  • Origina-se em processos eletroquímicos (um condutor de sulfuretos ou grafite a funcionar como pilha natural) e eletrocinéticos (fluxo de água subterrânea através de rochas porosas).
  • Sobre o topo de corpos de sulfuretos surge em geral uma anomalia negativa, de dezenas a centenas de milivolts.
  • A grafite dá anomalias negativas iguais ou mais fortes: é o falso positivo clássico.
  • Usa elétrodos não polarizáveis (cobre em sulfato de cobre) e um voltímetro de alta impedância.

Deriva em SP: exemplo resolvido

A base lê 0 mV às 09:00 e +6 mV às 12:00. Uma estação lida às 10:30 deu −85 mV.

  1. Deriva: +6 mV em 3 h = +2 mV/h (admitindo deriva linear).
  2. Às 10:30 (1,5 h): deriva = +3 mV.
  3. Valor corrigido: −85 − 3 = −88 mV.
  • Antes e depois do trabalho: medir os dois elétrodos juntos para conhecer a sua diferença própria.
  • Registar sempre a polaridade (que elétrodo vai a que terminal).

Aplicação e procedimento de campo em SP

  • Aplicações: localizar corpos sulfuretados, mapear percursos de água subterrânea e frentes de contaminação.
  • Procedimento: fixa-se um elétrodo de referência (base fixa) e move-se o segundo elétrodo por estações sucessivas, ou usa-se o método do gradiente entre elétrodos vizinhos.
  • Regista-se a leitura em cada estação e traça-se um mapa de isolinhas de potencial, procurando anomalias negativas fechadas ou alongadas.

Método rápido e barato, útil como reconhecimento de condutores pouco profundos.

Bloco 6 · Polarização induzida (IP)

O que é a polarização induzida

A polarização induzida (IP) mede a capacidade do solo de armazenar carga eletricamente, como um pequeno condensador, sobretudo em interfaces entre minerais e o fluido dos poros.

  • Ao cortar a corrente, a tensão não cai logo a zero: decai durante uma fração de segundo a alguns segundos.
  • Domínio do tempo: mede-se a cargabilidade, em mV/V (tensão residual / tensão primária) ou em ms (área da curva de decaimento / tensão primária).
  • Domínio da frequência: mede-se o efeito de frequência (PFE, em %) ou a fase (mrad).
  • Fontes: grãos metálicos (sulfuretos, grafite), resposta forte; argilas, resposta fraca a moderada.

Porque combinar IP com resistividade

Resistividade Cargabilidade Mais provável
baixa baixa ou moderada argila, água salina, falha alterada
moderada ou alta alta sulfuretos disseminados
baixa alta sulfuretos abundantes, ou grafite
  • Os sulfuretos disseminados podem mal baixar a resistividade (grãos isolados), mas polarizam: a IP é o método de eleição.
  • IP e resistividade medem-se ao mesmo tempo, com o mesmo dispositivo (dipolo-dipolo, polo-dipolo).

IP no terreno: cuidados próprios

  • Elétrodos não polarizáveis nos dipolos de potencial.
  • Cabos de corrente e de potencial afastados e sem voltas: reduz o acoplamento eletromagnético, que contamina as primeiras janelas.
  • Resistência de contacto baixa nos elétrodos de corrente: regar com água salgada ou bentonite (só nos de corrente).
  • Transmissor com tensões elevadas (centenas a milhares de volts): regras de segurança do bloco 15.

Bloco 7 · Métodos eletromagnéticos: princípios

Como funciona um levantamento eletromagnético

Os métodos EM de indução não precisam de elétrodos cravados no solo.

  1. Um transmissor gera um campo magnético primário que varia no tempo.
  2. Esse campo induz correntes de Foucault nos corpos condutores (lei de Faraday).
  3. Essas correntes geram um campo secundário, que o recetor mede.
  4. A resposta (em fase e em quadratura) revela a presença, a posição e a qualidade do condutor.

Slingram, TDEM e profundidade pelicular

  • Domínio da frequência (Slingram): duas bobinas a distância fixa; condutivímetros tipo EM31 (primeiros metros) e EM34 (separações de 10, 20 e 40 m) dão a condutividade aparente em mS/m.
  • Domínio do tempo (TDEM): corrente num grande circuito de cabo, corte brusco, mede-se o decaimento do campo secundário depois do corte. Tempos longos = mais fundo; bons condutores decaem devagar.
  • Profundidade pelicular: δ ≈ 503 √(ρ/f) metros. A 20 kHz: 10 Ω·m → 11 m; 100 Ω·m → 36 m; 1000 Ω·m → 112 m.

Falsos positivos condutores

Falso condutor Como se reconhece
Grafite geologia (xistos negros); responde também em IP e SP
Argila, manto de alteração anomalia larga, difusa, em zonas baixas
Água salgada ou salobra litoral, estuários; condutividade muito alta e contínua
Falha com água faixa estreita sobre falha cartografada, sem IP
Vedações, condutas, cabos, carris anomalia forte, estreita, retilínea, sobre o objeto visível

Radiação e indução: GPR e VLF

A diferença está em como o campo se comporta no terreno, que depende da frequência e da condutividade:

  • Indução (baixa frequência: Slingram, TDEM, VLF): dominam as correntes de condução, o campo difunde-se, conta a condutividade.
  • Radiação / propagação (alta frequência: GPR): o campo propaga-se como onda e reflete-se; conta a permitividade; a condutividade só atenua.
  • O VLF usa uma fonte de radiação distante (emissor de rádio), mas deteta condutores por indução.
  • O GPR é um método de propagação de ondas, não de indução.

Bloco 8 · Radar de solos (GPR)

Princípio do GPR

O radar de solos (GPR, Ground Penetrating Radar) emite pulsos eletromagnéticos de alta frequência (tipicamente dezenas de MHz a poucos GHz) para o subsolo.

  • O sinal reflete-se nas interfaces com contraste de permitividade (mudança de material ou de teor de água, vazio, objeto).
  • Mede-se o tempo de ida e volta (ns); velocidade v = c / √εr (c = 0,3 m/ns); profundidade d = v · t / 2.
  • Frequência mais alta: melhor resolução (≈ λ/4), menos penetração; mais baixa: o contrário.
  • Em terrenos argilosos, salinos ou condutores a onda é absorvida: penetração de poucos decímetros ou metros, seja qual for a antena.

GPR: do tempo à profundidade

Exemplo: refletor a 80 ns, terreno com εr = 9.

  1. v = 0,3 / √9 = 0,1 m/ns
  2. d = 0,1 × 80 / 2 = 4 m (o tempo é de ida e volta)

Resolução: antena de 100 MHz com v = 0,1 m/ns: λ = 1 m, resolução ≈ 0,25 m; a 500 MHz: λ = 0,2 m, ≈ 5 cm.

Material εr v (m/ns)
Ar 1 0,30
Areia seca 3 a 5 0,13 a 0,17
Granito são 4 a 6 0,12 a 0,15
Água doce cerca de 80 cerca de 0,033

Trabalhar com GPR no terreno

  • Antena deslocada ao longo de um perfil, a velocidade constante, a gravar o radargrama (posição × tempo).
  • Calibrar: roda odométrica numa distância medida, tempo zero, e velocidade pelas hipérboles, por um ensaio CMP ou por um refletor de profundidade conhecida.
  • Procurar reflexões contínuas (camadas, fraturas, contacto cobertura/rocha) e hipérboles (objetos pontuais, blocos, cavidades).
  • Aplicações: espessura de coberturas, fraturas em rocha resistiva, rochas ornamentais, galerias antigas e vazios.

Bloco 9 · O método VLF

Princípio do VLF

O VLF (Very Low Frequency) aproveita os emissores de rádio militares de comunicação com submarinos, na banda aproximada de 15 a 30 kHz, a centenas ou milhares de quilómetros.

  • Na área de trabalho, o campo magnético primário é praticamente horizontal e perpendicular à direção do emissor.
  • Corpos condutores e alongados (filões mineralizados, falhas com água, contactos) ficam com correntes induzidas e distorcem o campo.
  • O recetor mede a inclinação (componente em fase) e a elipticidade (componente em quadratura), em %.

VLF: escolher a estação e ler os dados

  • Regra de ouro: escolher uma estação na direção do alinhamento do alvo; os perfis ficam perpendiculares ao alvo. Um condutor perpendicular à direção do emissor pode passar despercebido.
  • Manter sempre a mesma orientação e o mesmo sentido de marcha.
  • Filtro de Fraser: F = (M1 + M2) − (M3 + M4), no ponto médio entre M2 e M3; transforma a passagem por zero num máximo mapeável.

Exemplo (inclinações a cada 10 m): +12, +9, +4, −3, −10 → Fraser a 25 m = (9 + 4) − (−3 − 10) = 26, o máximo: condutor entre 20 e 30 m.

VLF no terreno: rapidez e limites

  • Procedimento: confirmar a intensidade do sinal; ler com o instrumento nivelado, estação a estação, a espaçamento regular; registar coordenadas, hora e estação usada.
  • Vantagens: leve, rápido, sem elétrodos nem cabos, excelente para triagem de grandes áreas.
  • Alcance: limitado pela profundidade pelicular a cerca de 20 kHz; curto sob coberturas condutoras.
  • Limites: responde a qualquer condutor alongado (falhas com água, vedações, linhas elétricas); sensível à topografia; os emissores param por vezes (ter estação alternativa).

Bloco 10 · Métodos radiométricos e elementos radioativos

Radioatividade natural das rochas

Os métodos radiométricos medem a radiação gama emitida naturalmente por três elementos radioativos presentes em quantidades variáveis nas rochas: potássio (K), urânio (U) e tório (Th).

  • Cada tipo de rocha e alteração hidrotermal tem uma assinatura radiométrica própria.
  • Permite mapear litologia e alteração à distância, e localizar diretamente depósitos ricos em elementos radioativos.
  • É um método totalmente passivo: não emite nada, só recebe a radiação natural já existente.

Equipamento e procedimento radiométrico

Elemento Emissor medido Pico (MeV) Unidade
K potássio-40 1,46 %
U bismuto-214 (descendente do U-238) 1,76 ppm eU
Th tálio-208 (descendente do Th-232) 2,61 ppm eTh
  • Cintilómetro: contagem total (cps). Espectrómetro: janelas de energia, dá K, eU, eTh e taxa de dose em nGy/h.
  • "Equivalente" porque U e Th se medem pelos descendentes, admitindo equilíbrio; a perda ou acumulação de radão falseia o eU.

Executar um levantamento radiométrico

  • Verificar o instrumento e ler um ponto de controlo no início e no fim do dia.
  • Medir o fundo por unidade geológica; limiar prático: média + 2 desvios-padrão.
  • Detetor sempre à mesma altura e geometria; não medir com chuva nem logo a seguir.
  • A radiação vem dos primeiros decímetros: uma cobertura transportada mascara a rocha.
  • Estatística: erro relativo = 1/√N. 100 cps durante 1 s: 10 %; durante 60 s: 1,3 %. Uma janela de 5 cps precisa de minutos.

Bloco 11 · Equipamento de prospeção: calibração

O equipamento desta UC

Cada método tem o seu instrumento próprio, todos enquadrados no equipamento de prospeção elétrica e eletromagnética:

Método Equipamento típico
Resistividade / IP resistivímetro ou transmissor + recetor, elétrodos, cabo multicondutor
SP elétrodos não polarizáveis, voltímetro de alta impedância
EM de indução condutivímetro (EM31/EM34), Slingram, sistema TDEM
GPR unidade de controlo + antena + roda odométrica
VLF recetor portátil
Radiométrico cintilómetro / espectrómetro gama

Conhecer o equipamento certo para cada método é pré-requisito para o manobrar e calibrar bem.

Calibrar antes de medir

Garantir a aplicação dos requisitos de calibração é um critério de desempenho desta UC. Duas coisas diferentes:

  • Calibração: comparação com um padrão, com certificado e validade (fabricante ou laboratório). Espectrómetros: blocos-padrão (pads) de K, U e Th.
  • Verificação de campo (diária): resistência de referência no resistivímetro, resistência de contacto dos elétrodos, continuidade e isolamento dos cabos, zero e deriva do condutivímetro, tempo zero e velocidade no GPR, estabilização do espetro e ponto de controlo na radiometria.
  • Registar tudo: data, instrumento e n.º de série, teste, resultado, técnico.

Bloco 12 · Manobrar o equipamento no terreno

Sequência de trabalho de campo

Manobrar o equipamento é a terceira realização central da UC. A sequência típica de campo:

  1. Marcar o perfil ou a malha com fita métrica ou GNSS (PT-TM06/ETRS89; EGNOS 1 a 3 m, RTK centimétrico).
  2. Colocar os elétrodos, bobinas ou antenas de acordo com a disposição escolhida.
  3. Ligar e verificar as leituras iniciais antes de avançar.
  4. Registar cada estação com a sua coordenada e o valor medido.
  5. Repetir o procedimento estação a estação, ao longo do perfil ou da malha.

Boas práticas e fontes de ruído

  • Manter espaçamento consistente entre estações; qualquer alteração deve ficar registada.
  • Evitar interferências: linhas elétricas, vedações metálicas e objetos enterrados distorcem leituras elétricas e eletromagnéticas.
  • Repetir leituras em pontos de controlo para verificar a qualidade dos dados.
  • Cuidar do equipamento: transporte, arrumação de cabos e limpeza dos elétrodos no final do dia.

Rigor no terreno é o que torna os dados de gabinete fiáveis.

Bloco 13 · Análise de superfície e mapeamento geológico

Análises de superfície

Antes e durante o levantamento geofísico, a análise de superfície dá contexto indispensável à interpretação:

  • Observação de afloramentos, alteração da rocha, estruturas visíveis (falhas, fraturas, veios à vista).
  • Relação entre o que se vê à superfície e o que se espera encontrar em profundidade.
  • Ajuda a desenhar o levantamento: onde colocar perfis, que orientação escolher, que método priorizar.

Um levantamento planeado sem olhar primeiro para o terreno arrisca perder o alvo mais óbvio.

Mapeamento geológico e integração de dados

  • O mapeamento geológico organiza a informação de litologia e estrutura numa base cartográfica.
  • Cada método geofísico produz o seu próprio mapa ou secção (resistividade, cargabilidade, condutividade EM, radiometria).
  • A interpretação final sobrepõe estes mapas ao mapa geológico, procurando coincidências: onde uma anomalia geofísica cai sobre uma estrutura ou litologia favorável, o alvo ganha força.

Nenhum método isolado decide; é o cruzamento de camadas de informação que aponta o alvo.

Bloco 14 · Analisar potenciais recursos minerais a prospetar

Da anomalia ao alvo

Analisar potenciais recursos minerais a serem prospetados é a primeira realização da UC, e fecha o ciclo depois dos dados recolhidos:

  1. Processar os dados de campo em mapas ou secções interpretáveis.
  2. Identificar anomalias: desvios claros face ao comportamento de fundo da área.
  3. Comparar a assinatura da anomalia (resistividade, cargabilidade, condutividade, radiometria) com assinaturas conhecidas de depósitos semelhantes.
  4. Eliminar falsos positivos (culturais, grafite, argila, água) e cruzar com a geologia de superfície e com pelo menos um segundo método.

Estudos de caso e priorização de alvos

Alvo Exemplo português Assinatura / método
Sulfuretos maciços Faixa Piritosa (Neves-Corvo, Aljustrel) condutor forte, IP alta; TDEM em profundidade
Disseminados, stockwork Faixa Piritosa IP alta, resistividade moderada
Filões de quartzo W-Sn Panasqueira filões resistivos em xistos
Pegmatitos com lítio Barroso corpos em regra mais resistivos que o encaixante
Urânio Beiras anomalias de eU e eU/eTh

Um bom relatório hierarquiza os alvos e propõe sondagens (posição, azimute, inclinação); a decisão junta geofísica, geologia e viabilidade (acesso, custo, licença da DGEG).

Bloco 15 · Segurança, EPI e boas práticas

Segurança elétrica na injeção de corrente

Os transmissores de resistividade, IP e TDEM trabalham com tensões e correntes elevadas (em IP, centenas ou milhares de volts). Um elétrodo em injeção pode matar.

  • Ninguém toca em elétrodos nem cabos com o transmissor ligado.
  • Injetar só depois de todos confirmarem por rádio que estão afastados; anunciar início e fim.
  • Elétrodos de corrente sinalizados e vigiados se houver passagem de pessoas ou gado.
  • Desligar antes de mexer num elétrodo; nunca estender cabos perto de linhas aéreas.
  • Trovoada: suspender, desligar, afastar a equipa dos cabos.

Equipamentos de proteção individual (EPI)

  • Calçado de proteção; com instrumentos EM, preferir biqueira não metálica.
  • Capacete e colete de alta visibilidade em mina, obra ou junto a vias e maquinaria.
  • Luvas de proteção mecânica para marretas e elétrodos; luvas isolantes junto a elétrodos de corrente.
  • Escombreiras e zonas de urânio: luvas, higiene das mãos, não comer nem beber no local.
  • Base legal: Decreto-Lei n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93; o EPI escolhe-se pela avaliação de riscos.

Normas de segurança e atitudes profissionais

  • Cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho (Lei n.º 102/2009) e, em minas, o regulamento de segurança nas minas e pedreiras (Decreto-Lei n.º 162/90) e as regras da própria mina.
  • Planear para minimizar riscos: reconhecimento do terreno, nunca trabalhar sozinho, comunicar a localização da equipa, plano de emergência (112).
  • Não entrar em trabalhos mineiros abandonados (colapso, quedas, radão); fontes de verificação radioativas seguem o regime de proteção radiológica (Decreto-Lei n.º 108/2018).
  • As atitudes do referencial (rigor, responsabilidade, autonomia, sustentabilidade, conduta profissional) aplicam-se tanto à segurança como à qualidade dos dados recolhidos.

Um técnico de prospeção rigoroso é, antes de tudo, um técnico que trabalha em segurança.

Recapitulando

  • Métodos elétricos (resistividade ρa = K·ΔV/I, SP, IP) usam elétrodos; métodos EM de indução (Slingram, TDEM, VLF) dispensam-nos; o GPR é propagação de ondas, não indução.
  • Equipotenciais apertadas = resistivo; afastadas = condutor. IP alta = sulfuretos disseminados ou grafite.
  • Trabalho em perfis e em malha adequa-se à finalidade da prospeção (contar nós, não células).
  • Radiometria: K em %, eU e eTh em ppm (medidos pelo Bi-214 e pelo Tl-208), dose em nGy/h.
  • Calibrar e manobrar bem o equipamento são as realizações que sustentam todas as restantes.
  • Analisar os dados face à geologia de superfície e a estudos de caso transforma anomalias em alvos priorizados, sempre em segurança.

Próximo: fichas e mini-projeto, planear e interpretar uma campanha de prospeção elétrica e eletromagnética.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a geofísica não "vê" o minério, vê um contraste físico que pode estar associado a ele. - Erro comum: os alunos pensam que um aparelho "deteta ouro". Deteta uma propriedade (condutividade, cargabilidade, radioatividade). - Exemplo: um detetor de metais de praia usa o mesmo princípio de indução que vão estudar nos métodos EM. - O caso de Neves-Corvo serve para introduzir o critério "adequar o tipo de prospeção à finalidade": primeiro pergunta-se a que profundidade pode estar o alvo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença de física: o elétrico injeta corrente por contacto; o EM de indução induz correntes sem contacto; o GPR propaga ondas e regista ecos; o radiométrico é passivo. - Erro comum: tratar "elétrico" e "eletromagnético" como sinónimos. Não são: um usa elétrodos cravados, o outro não precisa de contacto. - Erro comum: pôr o GPR e o VLF na mesma caixa. O GPR é propagação de ondas; o VLF é indução (o bloco 7 explica). - Perguntar: que métodos se usam sem tocar no solo? (EM, GPR, radiometria).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a unidade Ω·m e que não é uma propriedade "de tabela única": varia com porosidade, água e mineralogia. - Erro comum: achar que resistividade baixa = sempre minério. Água salgada e argila também são condutoras; requer interpretação. - Exemplo: comparar granito seco (muito resistivo) com uma zona de falha saturada em água (muito condutora).

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar no quadro o par A (+) e B (−), as linhas de fluxo em arco entre eles e as equipotenciais perpendiculares. - Erro comum: confundir as duas famílias de linhas. Fluxo = por onde a corrente anda; equipotencial = onde o potencial é igual. - Erro comum: dizer que as equipotenciais de dois elétrodos são "semicírculos concêntricos". Só o são junto de um elétrodo isolado. - Analogia: um rio a descer (linhas de fluxo) e as curvas de nível (equipotenciais), sempre perpendiculares entre si.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta é a aptidão "analisar linhas de equipotencial" do referencial: treinar a leitura com mapas desenhados no quadro. - Erro comum: ler ao contrário, achar que linhas apertadas indicam um condutor. É o oposto: apertadas = resistivo. - Exemplo: duas sondagens cortaram minério; injetando corrente numa delas, se as equipotenciais envolverem as duas, é provável que estejam no mesmo corpo contínuo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: 1D só dá variação vertical num ponto, não diz nada sobre a extensão lateral. - Erro comum: usar SEV isolada para caracterizar um corpo lateralmente limitado. Não serve; para isso há o 2D/3D. - Exemplo/analogia: é como uma "sonda" vertical no mesmo local, cada vez mais funda.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao título da UC: "em perfis e em malha". - Erro comum: tratar a pseudossecção como uma imagem do subsolo. É uma forma de mostrar dados; o modelo sai da inversão. - Erro comum: achar que um RMS baixo prova que o modelo está certo. Só prova que explica os dados. - Perguntar: 48 elétrodos a 5 m, que profundidade esperar? (linha de 235 m, algumas dezenas de metros no máximo).

NOTAS DO PROFESSOR - As fórmulas de K estão num formulário que os alunos podem consultar; o que se exige é saber usá-las e perceber o que cada dispositivo privilegia. - Erro comum: trocar os elétrodos de corrente e de potencial ao ligar o cabo multicondutor. - Mostrar (esquema no quadro) os quatro dispositivos lado a lado, com A, B, M, N assinalados.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta no quadro com os alunos e pedir sempre a verificação de unidades (V/A = Ω; m × Ω = Ω·m). - Erro comum: esquecer de converter mA e mV para A e V, ou usar mA e V misturados. - Exercício rápido: Schlumberger com AB/2 = 50 m e MN/2 = 1 m dá K ≈ 3925 m; com ΔV = 12 mV e I = 200 mA, ρa ≈ 236 Ω·m.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar explicitamente ao critério de desempenho "adequando o tipo de prospeção... à finalidade do trabalho". - Erro comum: escolher malha só porque "dá mais dados", sem justificar face ao objetivo e ao tempo disponível. - Erro comum: contar 6 linhas em 150 m a 25 m. São 6 intervalos e 7 linhas. - Perguntar: a anomalia esperada tem 20 m de largura; estações a 25 m servem? (não: a anomalia tem de cair em várias estações).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a SP não precisa de fonte de corrente: é o método mais simples desta UC em equipamento. - Erro comum: usar elétrodos metálicos comuns, que introduzem o seu próprio potencial de contacto e falseiam a leitura. - Erro comum: molhar os elétrodos de SP com água salgada; cria potenciais próprios.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que a correção pesa pouco numa anomalia de −300 mV mas muito numa de −20 mV. - Erro comum: não voltar à base durante o dia e ficar sem forma de corrigir a deriva. - Exercício: repetir a conta com a base a ler −4 mV no regresso.

NOTAS DO PROFESSOR - Distinguir claramente o método "base fixa" do método "gradiente"; no gradiente os erros acumulam-se, por isso fecham-se circuitos. - Erro comum: interpretar ruído de contacto (chuva, temperatura, solo seco) como anomalia geológica real. - Perguntar: porque é que a SP pode ser um bom método de reconhecimento? (baixo custo, rapidez, sem fonte de corrente).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença-chave com a resistividade: a IP mede carga acumulada, não a facilidade de passagem da corrente. - Exemplo de cálculo: Vp = 500 mV e 10 mV a 0,1 s depois do corte dão 20 mV/V. - Erro comum: comparar cargabilidades medidas com instrumentos, janelas ou ciclos diferentes. Só se comparam valores medidos da mesma forma.

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar: nenhum parâmetro elétrico separa grafite de sulfuretos; decide a geologia (xistos negros) e, no fim, a sondagem. - Erro comum: exigir resistividade baixa para aceitar um alvo de IP. Os disseminados muitas vezes não a têm. - Exercício: resistividade baixa e cargabilidade baixa, o que é mais provável? (argila ou água, não sulfuretos).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar o efeito da resistência de contacto com a lei de Ohm: 400 V em 8000 Ω dão 50 mA; em 2000 Ω dão 200 mA, sinal 4 vezes maior. - Erro comum: regar com água salgada os elétrodos de potencial. - Perguntar: porque se preferem dipolo-dipolo ou polo-dipolo em IP? (resolução lateral, cabos de corrente e de potencial separados).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a cadeia causal: campo primário, correntes induzidas, campo secundário, leitura no recetor. - Erro comum: pôr o GPR nesta cadeia. O GPR não mede correntes induzidas, mede ecos de ondas (slide "Radiação e indução"). - Analogia: um detetor de metais funciona pelo mesmo princípio, à escala pequena.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer uma das contas de δ no quadro: √(100/20 000) = 0,0707; × 503 ≈ 36 m. - Erro comum: tratar δ como a profundidade exata de deteção. É uma ordem de grandeza do alcance. - Ligar ao caso de Neves-Corvo: o TDEM de grande circuito é hoje uma das ferramentas usadas na procura de sulfuretos maciços em profundidade.

NOTAS DO PROFESSOR - Regra de campo: tudo o que é metálico junto aos perfis fica no caderno, com coordenadas. - Erro comum: chamar "alvo" a um condutor sem ter eliminado esta lista. - Perguntar: que método ajudava a separar uma falha com água de um corpo de sulfuretos disseminados? (IP).

NOTAS DO PROFESSOR - Este slide responde às aptidões "analisar a radiação e a indução através de GPR e de VLF": no GPR a radiação é a onda refletida e a "indução" são as perdas por condução; no VLF a radiação é o sinal que chega do emissor e a indução são as correntes no condutor. - Erro comum: dizer que o GPR funciona por "indução de campo próximo". Está errado. - Conta de apoio: a 100 Ω·m e εr = 10, a 20 kHz a condução é cerca de mil vezes maior do que o deslocamento (indução); a 100 MHz o deslocamento já domina (propagação).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o compromisso resolução/profundidade: é a decisão prática mais importante ao escolher a antena. - Erro comum: esperar grandes profundidades de um GPR em solo condutor. Quem manda na penetração é a condutividade do terreno. - Analogia: como um sonar, mas com ondas eletromagnéticas em vez de som.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: esquecer de dividir o tempo por 2. - Mostrar que com εr = 16 a mesma reflexão estaria a 3 m: sem calibrar a velocidade, a escala de profundidade não vale nada. - Exercício: 60 ns com εr = 4 (resposta: 4,5 m).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (ou descrever) um radargrama simples com uma hipérbole típica de um objeto pontual. - Erro comum: confundir uma reflexão múltipla (eco repetido) com uma segunda camada real. - Ligar à segurança em zonas mineiras abandonadas: o GPR ajuda a detetar vazios perto da superfície.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar ao slide "Radiação e indução": o sinal chega por radiação, mas a deteção é por indução. - Erro comum: pensar que é preciso transmissor próprio. Não é: aproveita-se um sinal já existente. - Erro comum: procurar a anomalia no máximo da inclinação. Sobre o condutor, a componente em fase passa por zero (crossover).

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir aos alunos que calculem o Fraser em 15 m e 35 m (20 e 23) e verifiquem que o máximo está a 25 m. - Erro comum: escolher a estação "com mais sinal" sem olhar para a sua direção. - Numa malha sobre estruturas de direções variadas, medir com duas estações de azimutes diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a relação custo-benefício: é o método de triagem antes dos métodos mais lentos. - Erro comum: usar o VLF como método único de decisão sobre um alvo; serve para priorizar, não para confirmar. - Perguntar: porque é que a orientação do perfil face à estrutura suspeita importa tanto no VLF?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que K, U e Th são os três elementos que qualquer levantamento radiométrico regista separadamente. - Erro comum: achar que radiometria só serve para procurar urânio. Serve sobretudo para mapear litologia e alteração. - Ligar à aptidão "identificar elementos radioativos" do referencial.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta tabela responde à aptidão "identificar elementos radioativos": cada elemento reconhece-se pelo pico de energia. - Erro comum: escrever "U em ppm" em vez de "eU". O espectrómetro não mede o urânio diretamente. - Os contadores Geiger servem para proteção radiológica, não para mapear: não separam energias.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta do limiar: fundo de 6 ppm eU com desvio de 1,5 ppm dá limiar de 9 ppm (dados fictícios). - Erro comum: comparar estações medidas em geometrias diferentes (uma no plano, outra dentro de uma vala). - Ligar aos casos portugueses: antigas minas de urânio das Beiras (Urgeiriça); interesse do K/eTh para a alteração hidrotermal.

NOTAS DO PROFESSOR - Se possível, mostrar fotografias ou catálogos reais de cada instrumento. - Erro comum: tratar "o aparelho" como genérico; cada método tem exigências de manuseamento diferentes. - Perguntar: qual destes equipamentos precisa de elétrodos cravados no solo, e quais não precisam?

NOTAS DO PROFESSOR - Exemplo: resistência de referência de 10,0 Ω lida como 10,3 Ω é um erro de 3 %; se a tolerância for 1 %, o aparelho não segue para o campo. - Erro comum: chamar "calibração" a cravar melhor um elétrodo. A resistência de contacto é uma verificação de campo, e resolve-se regando com água salgada ou bentonite (só elétrodos de corrente). - Erro comum: assumir que o equipamento "vem calibrado de fábrica para sempre".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o registo da coordenada de cada estação é tão importante como o próprio valor medido. - Erro comum: avançar sem verificar a leitura inicial e só perceber um problema no fim do perfil. - Exercício de raciocínio: porque é que a ordem "marcar → colocar → verificar → registar" evita retrabalho?

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às atitudes "rigor" e "sentido de organização" do referencial. - Erro comum: ignorar uma fonte óbvia de ruído (uma cerca metálica ao lado do perfil) por pressa. - Perguntar: se um ponto de controlo dá um valor muito diferente do esperado, o que se faz primeiro?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a análise de superfície acontece antes E durante o trabalho, não é só uma etapa inicial. - Erro comum: confiar cegamente no equipamento e ignorar pistas geológicas visíveis no terreno. - Exemplo: um veio de quartzo à vista pode indicar a orientação certa para um perfil de resistividade.

NOTAS DO PROFESSOR - Se possível, mostrar (ou desenhar) mapas sobrepostos de resistividade e geologia com uma coincidência clara. - Erro comum: tratar cada mapa como uma resposta definitiva isolada, em vez de uma camada de evidência. - Ligar à atitude "sentido analítico": cruzar informação é uma competência central desta UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "analisar" não é ler um número isolado, é comparar contra o fundo local e contra assinaturas conhecidas. - Erro comum: reportar como alvo qualquer anomalia, sem comparar com o ruído de fundo típico da zona. - Exercício de raciocínio: uma anomalia condutora e de alta cargabilidade, isolada, é mais forte ou mais fraca que uma condutora sem cargabilidade?

NOTAS DO PROFESSOR - Se disponível, trazer um estudo de caso real (ou simplificado) para a turma discutir em grupo. - Erro comum: recomendar sondagem em todas as anomalias por excesso de cautela, sem priorizar. - Perguntar: que outra informação, além da geofísica, pesa na decisão final de sondar um alvo?

NOTAS DO PROFESSOR - É o risco mais grave desta UC: ensaiar com a turma o protocolo de rádio ("vou injetar", "confirmo afastado", "injeção terminada"). - Erro comum: "é só um segundo" para ajustar um elétrodo com o transmissor ligado. - Perguntar: um colega não responde no rádio. Injeta-se? (não; primeiro localiza-se o colega).

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente à aptidão "utilizar os equipamentos de proteção individual" do referencial. - Erro comum: relaxar o uso de EPI por o trabalho "parecer" pouco perigoso (é trabalho de campo, com riscos reais de terreno e tráfego). - Perguntar: que EPI mudaria se o trabalho fosse dentro de uma mina em vez de à superfície?

NOTAS DO PROFESSOR - Fechar ligando segurança e rigor técnico: não são coisas separadas, reforçam-se mutuamente. - Erro comum: tratar as normas de segurança como burocracia à parte do trabalho técnico. - Anunciar as fichas e o mini-projeto: planear e simular uma campanha de prospeção elétrica e eletromagnética.