UC01856

Executar a prospeção geoquímica de solos e sedimentos de corrente na prospeção de recursos minerais

Localizar, recolher, acondicionar e interpretar amostras geoquímicas no terreno

Curso profissional · 25h · Técnico de Prospeção e Pesquisa de Recursos Minerais

Plano

  1. Prospeção geoquímica: conceito e enquadramento
  2. Mapeamento geológico e planeamento da campanha
  3. Localizar pontos de amostragem
  4. Solos em perfil
  5. Solos em malha
  6. Sedimentos de corrente
  7. Tipos de amostras geoquímicas
  8. Tipos de análises geoquímicas
  9. Acondicionamento de amostras
  10. Contaminações
  11. Medidas de pH
  12. Equipamentos de proteção individual e segurança
  13. Riscos e impactos da campanha
  14. Propriedades das rochas amostradas
  15. Sustentabilidade, conduta profissional e síntese

Bloco 1 · Prospeção geoquímica

O que é a prospeção geoquímica

A prospeção geoquímica estuda a distribuição de elementos químicos nos materiais à superfície, solos, sedimentos, rochas e águas, para localizar concentrações anómalas que indiciem a presença de um depósito mineral.

  • Parte do princípio de que um depósito liberta elementos que se dispersam no ambiente, formando um halo geoquímico à sua volta.
  • Complementa a prospeção geológica de campo e a geofísica dentro do processo de pesquisa de recursos minerais.
  • É uma técnica de custo reduzido em relação à sondagem, usada para reduzir a área de interesse antes de investir em furos.

Onde se insere no processo de pesquisa

A prospeção geoquímica encaixa numa sequência de fases, cada uma mais focada do que a anterior:

Fase Meio mais usado Densidade
Reconhecimento regional sedimentos de corrente muito baixa
Seguimento sedimentos mais densos, bateia baixa a média
Detalhe sobre um alvo solos em malha ou em perfis, rocha alta
Sondagem testemunhos de sondagem pontual e intensiva

Aplica-se em áreas de prospeção e pesquisa e em minas já em exploração, para procurar prolongamentos de corpos conhecidos.

Halos e dispersão

  • Halo primário: na rocha à volta do depósito, formado pelos mesmos fluidos. Amostra-se rocha.
  • Halo secundário: em solos, sedimentos, águas e plantas, formado pela meteorização e erosão. É o que esta UC amostra.
  • Dispersão mecânica: grãos transportados pela gravidade e pela água (ouro, cassiterite, volframite).
  • Dispersão hidromórfica: elementos dissolvidos na água, que voltam a fixar-se em óxidos e argilas; depende muito do pH.
  • Resultado: no solo, uma mancha por cima do depósito, deslocada vertente abaixo; na linha de água, um rasto de dispersão que se dilui para jusante.
  • Lei n.º 54/2015 e Decreto-Lei n.º 30/2021: os depósitos minerais (minas) pertencem ao domínio público do Estado; prospetá-los exige direitos de prospeção e pesquisa, atribuídos por contrato.
  • Massas minerais (pedreiras) são privadas, com regime próprio (Decreto-Lei n.º 270/2001). Mina e pedreira distinguem-se pelo tipo de recurso, não pela profundidade.
  • DGEG: entidade que atribui e acompanha os direitos. LNEG: laboratório do Estado para a geologia e as minas (cartografia geológica, dados geoquímicos).
  • Ter direitos não dá acesso livre aos terrenos: autorização dos proprietários e condicionantes ambientais.

Bloco 2 · Mapeamento e planeamento

Mapeamento geológico como base do planeamento

O mapeamento geológico regista litologias, estruturas (falhas, dobras), zonas de alteração e mineralizações observadas em afloramento. É a base para decidir onde e como amostrar.

  • Formações geológicas favoráveis e zonas de alteração hidrotermal orientam a escolha das áreas a amostrar.
  • Lineamentos estruturais (falhas, fraturas) são frequentemente associados a percursos de circulação de fluidos mineralizantes.
  • Fontes: cartas geológicas oficiais, fotointerpretação, imagens de satélite e trabalho de campo anterior.

Planear a campanha de amostragem

Antes de ir para o terreno, planeia-se:

  1. O objetivo da campanha, regional ou de detalhe.
  2. O tipo de amostra a colher, solo, sedimento de corrente ou rocha.
  3. A malha e a densidade de amostragem adequadas à escala.
  4. A logística, acessos, equipas, prazos e condições de segurança.

Preparar previamente mapas base, fichas de campo, GPS, embalagens e equipamentos de proteção individual reduz erros e imprevistos no terreno.

Bloco 3 · Localizar pontos de amostragem

Critérios para localizar os pontos

Localizar um ponto de amostragem exige cruzar vários critérios:

  • Geologia: litologia e estruturas identificadas no mapeamento.
  • Morfologia do terreno: vertentes, relevo e rede de drenagem.
  • Anomalias já conhecidas: resultados de campanhas anteriores na mesma área.
  • Acessibilidade e segurança do ponto, sem comprometer a representatividade da amostra.

Sedimentos: cada afluente um pouco a montante da confluência, a montante de pontes, estradas e povoações. Solos: nós da malha ou estações das linhas de amostragem.

Registar e georreferenciar os pontos

Cada ponto amostrado tem de ficar rastreável:

  • Coordenadas em PT-TM06/ETRS89 (continente; PTRA08 nas regiões autónomas), obtidas por GNSS, e código único atribuído à amostra.
  • Ficha de campo com litologia local, vegetação, condições do terreno e observações relevantes.
  • Fotografia do ponto e do procedimento de recolha, como registo complementar.

Um ponto mal registado invalida toda a interpretação posterior dos dados, mesmo que a amostra tenha sido bem recolhida.

GNSS no terreno

  • O GNSS posiciona medindo distâncias a vários satélites (trilateração), não ângulos.
  • Recetor de mão: precisão da ordem de alguns metros; com EGNOS, da ordem de 1 a 3 m. Chega para solos e sedimentos.
  • ETRS89 é o sistema de referência (datum); PT-TM06 é a projeção. Toda a campanha usa o mesmo sistema, escrito na ficha.
  • Ponto deslocado (caminho, afloramento): o mínimo possível, com as coordenadas reais e a razão anotada.

Bloco 4 · Solos em perfil

O perfil do solo e os seus horizontes

O solo organiza-se em camadas sobrepostas, os horizontes, cada um com propriedades próprias:

Horizonte Características
O matéria orgânica em decomposição, à superfície
A mistura de matéria orgânica e mineral, escuro
B acumulação de argilas e óxidos de ferro e manganês
C material rochoso alterado, próximo da rocha-mãe

Escolhe-se normalmente o horizonte B (acumulação de óxidos e argilas, que fixam os metais), o mesmo horizonte, à mesma profundidade, em toda a campanha, com o horizonte e a profundidade registados em cada ponto.

Solos em perfil: dois sentidos

  • Perfil vertical: uma cova ou trincheira e uma amostra por horizonte, para ver a variação em profundidade (estudo de orientação, confirmação de anomalias).
  • Perfil como linha de amostragem: o mesmo horizonte em estações regularmente espaçadas ao longo de uma linha perpendicular à direção estrutural. Várias linhas paralelas formam a malha.
  • Saber sempre se o solo é residual (formado no local) ou transportado (coluvião, aluvião, aterro).

Recolher uma amostra de solo em perfil vertical

  1. Abrir a cova até ultrapassar o horizonte pretendido (covas fundas exigem medidas contra desmoronamento).
  2. Limpar uma parede, raspando alguns centímetros.
  3. Identificar os horizontes e medir a profundidade de cada um.
  4. Colher de baixo para cima, um saco por horizonte, sem raízes nem seixos grandes.
  5. Registar horizonte, profundidade, cor e textura; fotografar com escala; tapar a cova pela ordem original.

Estudo de orientação: escolher o horizonte

Horizonte Sobre o filão (Cu, ppm) Fundo (Cu, ppm) Contraste
A 35 25 1,4
B 120 30 4,0
C 95 28 3,4

Contraste = teor sobre a mineralização ÷ fundo. O B dá o maior contraste: o protocolo fixa o B, a cerca de 30 a 45 cm, para toda a malha.

Bloco 5 · Solos em malha

Amostragem de solo em malha

A malha (grid) cobre sistematicamente uma área com pontos espaçados de forma regular, para garantir uma cobertura uniforme.

  • Linhas perpendiculares à direção estrutural esperada, para atravessarem o alvo.
  • Espaçamento entre linhas maior do que entre estações (por exemplo, linhas a 100 m e estações a 25 m).
  • A anomalia esperada deve ser cortada por pelo menos duas linhas e apanhada por pelo menos duas estações em cada linha.
  • A malha permite depois construir mapas de isoteores por interpolação entre os pontos.

Executar a amostragem em malha

  • Em cada estação, afastar a folhada e colher com pá ou trado o horizonte definido no protocolo (normalmente o B), à profundidade definida; o C só onde o protocolo o prevê, e registado.
  • Manter horizonte, profundidade, ferramenta e procedimento uniformes em toda a malha, ponto a ponto.
  • Registar em cada ponto as coordenadas, o horizonte amostrado e observações do terreno.

A uniformidade é essencial: variar o procedimento entre pontos introduz ruído nos dados e pode mascarar uma anomalia real.

Contar os pontos de uma malha

Alvo de 800 m (N-S, direção do filão) × 600 m (E-W). Linhas E-W a 100 m, estações a 25 m.

  • Linhas: 800 ÷ 100 = 8 intervalos → 9 linhas.
  • Estações por linha: 600 ÷ 25 = 24 intervalos → 25 estações.
  • Total: 9 × 25 = 225 amostras de campo; com 1 duplicado, 1 branco e 1 padrão por cada 20: 12 × 3 = 36 → lote de 261.

Uma malha de 20 × 20 intervalos tem 21 × 21 = 441 nós e 20 × 20 = 400 células.

Bloco 6 · Sedimentos de corrente

Amostragem de sedimentos de corrente

Os sedimentos de corrente são os materiais depositados no leito das linhas de água. Cada ponto amostrado integra a assinatura geoquímica de toda a bacia hidrográfica a montante.

  • Método muito eficiente para o reconhecimento regional: a bacia a montante é a área representada pela amostra.
  • Amostra-se cada afluente um pouco a montante da confluência, nunca na própria confluência: assim cada amostra representa uma só bacia.
  • Colhe-se o sedimento ativo do leito, a montante de pontes, estradas, povoações e escombreiras.
  • Percorre-se a linha de água de jusante para montante, para não sujar o ponto seguinte.

Recolher e preparar o sedimento

  1. Colher em vários sítios do leito ativo ao longo de algumas dezenas de metros (amostra composta), sem margens desabadas nem entulho.
  2. Crivar para a fração fina, frequentemente < 180 µm (80 mesh), no campo por via húmida ou no laboratório depois de seca; sempre a mesma em toda a campanha.
  3. Crivos de nylon ou aço inox, nunca de latão (cobre e zinco) nem galvanizados.
  4. Escorrer, ensacar em saco de papel Kraft e registar caudal, cor da água, tipo de sedimento e fontes de contaminação a montante.

A anomalia dilui-se para jusante

Afluente com 2 km² mineralizados (Cu 400 ppm), fundo 30 ppm:

Ponto Bacia a montante Cu esperado Contraste
No afluente, a montante da confluência 2 km² 400 ppm ≈ 13
Logo abaixo da confluência 20 km² 2 × 370 ÷ 20 + 30 = 67 ppm ≈ 2,2
Muito a jusante 60 km² 2 × 370 ÷ 60 + 30 ≈ 42 ppm ≈ 1,4

Concentrados de bateia

  • A bateia separa por lavagem os minerais pesados (densos) do sedimento comum.
  • Colhe-se material mais grosseiro, onde a corrente abranda (atrás de blocos, base do cascalho).
  • Procura ouro, cassiterite, volframite e scheelite (fluoresce sob ultravioleta de onda curta).
  • É complementar do sedimento fino: deteta grãos raros e grosseiros que a análise da fração fina subestima.

Bloco 7 · Tipos de amostras geoquímicas

Diferenciar os tipos de amostra

Tipo de amostra O que é Quando se usa
Solo material residual em perfil ou malha detalhe sobre um alvo, ou área coberta
Sedimento de corrente material do leito das linhas de água reconhecimento regional
Rocha fragmento de afloramento ou testemunho de sondagem confirmação direta da mineralização
Água amostra de água superficial ou subterrânea drenagem ácida e dispersão hidromórfica
Concentrado de bateia fração pesada obtida por lavagem minerais pesados, como ouro

Escolher o tipo certo de amostra

  • A escolha depende do objetivo da campanha, do tipo de depósito procurado e das condições do terreno.
  • Em área coberta por solo espesso, a amostragem de solo ou sedimento pode ser mais prática do que a de rocha.
  • Combinar vários tipos de amostra, solo, sedimento e rocha, reforça e cruza a interpretação dos resultados.

Diferenciar bem as amostras evita interpretações erradas de uma anomalia geoquímica.

Bloco 8 · Tipos de análises geoquímicas

Métodos de análise laboratorial

Método O que mede Uso típico
ICP-OES / ICP-MS dezenas de elementos em solução (o ICP-MS com limites de deteção muito baixos) análise de rotina multielementar
Absorção atómica (AAS) um elemento de cada vez, em solução análises pontuais
FRX de laboratório composição elementar da amostra sólida elementos maiores e alguns traço
FRX portátil (pXRF) composição elementar, no terreno triagem rápida
Ensaio ao fogo (fire assay) ouro e platinoides método de referência para o ouro

A escolha do método depende dos elementos de interesse, da precisão exigida e do custo da análise.

Preparação, digestões e unidades

  • Preparação: secagem abaixo de 60 °C (não perder voláteis como o mercúrio), crivagem (por exemplo < 180 µm), pulverização.
  • Água-régia: digestão parcial (sulfuretos, óxidos); não dissolve bem silicatos nem a cassiterite.
  • Quatro ácidos: quase total. Fusão: total, para estanho, volfrâmio e minerais resistentes.
  • Unidades: 1 % = 10 000 ppm; 1 ppm = 1 mg/kg = 1 g/t; 1 ppb = 0,001 ppm. Ex.: 50 ppb Au = 0,05 g/t.

Elementos indicadores e controlo de qualidade

  • Indicadores ("pathfinders"): arsénio e antimónio para o ouro; Cu, Zn, Pb, Ba nos sulfuretos maciços; Sn, W, Bi, Mo nos granitos; Li, Cs, Rb, Nb, Ta nos pegmatitos.
  • Fundo, limiar e anomalia: uma anomalia é um valor acima do limiar, a investigar depois de excluída a contaminação.
  • QA/QC: duplicados de campo, brancos e padrões certificados, com códigos da mesma sequência das amostras normais.
  • Duplicado: 110 e 130 ppm → |110 − 130| ÷ 120 ≈ 17 %; o limite aceitável é o do protocolo.

Bloco 9 · Acondicionamento de amostras

Acondicionar amostras de sedimentos e solos

  • Solos e sedimentos em sacos de papel Kraft resistentes à humidade: a amostra seca dentro do saco. Plástico só para o que tem de manter a humidade, ou como segundo invólucro.
  • Sacos de uso único; fechar dobrando a aba, sem agrafos nem clipes metálicos.
  • Código único a marcador indelével por fora e talão por dentro; data e tipo na etiqueta, coordenadas na ficha ligada ao código.
  • Transporte de pé, por ordem e por lote; armazenamento seco e fechado.

Cadeia de custódia e preparação para o laboratório

  • A cadeia de custódia regista quem recolheu, transportou e entregou cada amostra, desde o terreno até ao laboratório.
  • A guia de remessa acompanha o lote: número de amostras, códigos, preparação e análises pedidas, assinaturas de quem entrega e de quem recebe.
  • Secagem ao ar, à sombra, ou em estufa abaixo de 60 °C; crivagem conforme o protocolo.
  • Sempre que possível, guarda-se uma amostra testemunha, para repetir uma análise se surgirem dúvidas sobre o resultado.

Bloco 10 · Contaminações

Fontes de contaminação

  • Equipamento: crivos de latão (Cu, Zn), baldes galvanizados (Zn), ferramentas pintadas (Pb) ou sujas, sacos reutilizados.
  • O próprio técnico: anéis (Au, Ag), protetor solar nas mãos (Zn, Ti), tabaco.
  • Atividade humana: estradas e pontes (Pb de antigos combustíveis, Zn de pneus), povoações, lixeiras.
  • Agricultura: vinhas tratadas com produtos cúpricos, como a calda bordalesa (Cu), adubos.
  • Mineração antiga: escombreiras, lavarias. Cruzada: de uma amostra rica para a seguinte.

Identificar e prevenir a contaminação

  • Limpar bem o equipamento entre amostras e usar luvas sempre que aplicável.
  • Registar na ficha de campo qualquer fonte de contaminação visível perto do ponto amostrado.
  • Analisar potenciais fontes de contaminação antes de validar um resultado anómalo: um teor alto pode ser um artefacto, não uma anomalia real.

Bloco 11 · Medidas de pH

O pH no trabalho de campo

  • O pH mede a acidez ou a alcalinidade de um meio, e influencia diretamente a mobilidade dos elementos químicos no solo e na água.
  • A escala é logarítmica: uma unidade de pH = fator de 10. pH 3 é 10⁴ = 10 000 vezes mais ácido do que pH 7.
  • Em meio ácido muitos metais ficam em solução; quando o pH sobe, fixam-se nos óxidos de ferro e o sedimento enriquece.
  • pH muito baixo em área de sulfuretos = drenagem ácida (oxidação da pirite); exemplo conhecido: mina de São Domingos.

Procedimento de medição de pH

  1. Calibrar o peagómetro com pelo menos duas soluções-tampão (por exemplo pH 7 e 4), no início de cada dia e sempre que as leituras derivem.
  2. Água: medir no ponto, com água corrente. Solo: suspensão 1:5 em volume (ISO 10390) em água, CaCl₂ 0,01 mol/L ou KCl 1 mol/L.
  3. Esperar que a leitura estabilize; registar o valor, o meio, a temperatura e a hora.
  4. Lavar o elétrodo com água destilada entre medições e guardá-lo húmido.

Bloco 12 · EPI e segurança

Equipamentos de proteção individual

EPI Proteção
Capacete quedas de objetos e impactos na cabeça
Botas de segurança (biqueira, palmilha antiperfuração, sola antiderrapante) quedas de objetos, perfurações, escorregadelas
Luvas (de nitrilo para águas e amostras molhadas) cortes, águas ácidas; evitam contaminar amostras
Óculos de proteção projeção de partículas e salpicos
Botas de água ou perneiras trabalho dentro das linhas de água
Colete de alta visibilidade visibilidade junto de máquinas e viaturas

Normas de segurança e saúde no trabalho

  • Lei n.º 102/2009 (regime da SST): o empregador avalia riscos e organiza a prevenção; o trabalhador cumpre e usa os meios de proteção.
  • Decreto-Lei n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93: utilização de EPI, fornecidos pelo empregador. Decreto-Lei n.º 324/95: indústrias extrativas (dentro de minas e pedreiras).
  • Prevenção por ordem: eliminar o risco, proteção coletiva (sinalizar, vedar), e só depois EPI.
  • Nunca sozinho; plano do dia deixado na base; 112; nunca entrar em minas abandonadas (a recuperação é da EDM).

Bloco 13 · Riscos e impactos

Riscos da campanha de amostragem

  • Riscos físicos: terreno acidentado, quedas, exposição solar, fauna e flora local.
  • Riscos associados a poços e trincheiras: desmoronamento e quedas de altura.
  • Riscos de deslocação em áreas remotas: falhas de comunicação, condições meteorológicas, acesso a primeiros socorros.

Avaliar o risco: probabilidade × gravidade

Risco P (1 a 3) G (1 a 3) Nível Medida
Queda numa cova aberta 2 2 4 sinalizar e tapar no próprio dia
Escorregar no ribeiro com caudal alto 3 2 6 adiar para caudal baixo; trabalhar em pares
Picada de carraça 2 2 4 roupa comprida; verificação diária

Nível 6 ou mais: medidas antes de começar. A melhor medida é evitar o perigo.

Impactos ambientais e mitigação

  • A abertura de poços e a recolha de amostras perturbam o solo e a vegetação local.
  • Medidas de mitigação: repor o terreno, minimizar o número e o tamanho dos furos, respeitar zonas sensíveis.
  • Analisar riscos e impactos antes da campanha é um dos critérios de desempenho desta UC, não um extra opcional.

Bloco 14 · Propriedades das rochas amostradas

Analisar as propriedades das rochas

  • Litologia: o tipo de rocha presente no local.
  • Grau de alteração (meteorização) e alteração hidrotermal (silicificação, argilização...).
  • Textura, estrutura e mineralização visível: veios, brechas, sulfuretos; malaquite e azurite (cobre), limonite e chapéus de ferro.
  • Cada rocha tem o seu fundo: um xisto negro tem naturalmente mais metais do que um quartzito; um granito mais estanho e lítio do que um basalto. O limiar estima-se por litologia.

Registar a observação de campo

  • Preencher a ficha de amostragem com litologia, cor, textura, minerais visíveis e grau de alteração.
  • Fotografar a amostra e o afloramento de origem, sempre que possível.
  • Um registo rigoroso das propriedades da rocha permite cruzar, mais tarde, os dados geológicos com os dados geoquímicos.

Bloco 15 · Fecho

Sustentabilidade e conduta profissional

  • Sustentabilidade: tapar as covas pela ordem dos horizontes, recolher resíduos e fitas, minimizar o corte de vegetação, respeitar áreas classificadas e proprietários.
  • Atitudes centrais: rigor, responsabilidade, autonomia, sentido analítico, sentido de organização e liderança de equipa no terreno.
  • A prospeção geoquímica só é fiável quando o rigor no procedimento é tão elevado como o rigor na análise laboratorial.

Recapitulando

  • A prospeção geoquímica localiza anomalias em solos, sedimentos de corrente e rochas que indiciam mineralização.
  • Solos em perfil, solos em malha, sedimentos de corrente e amostras de rocha exigem procedimentos próprios de localização e recolha.
  • Acondicionamento correto, cadeia de custódia e controlo de qualidade garantem resultados fiáveis.
  • Contaminações, medidas de pH e EPI/segurança acompanham toda a campanha, do planeamento ao laboratório.

Próximo: fichas e mini-projecto, planear e executar uma campanha de amostragem geoquímica.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: distinguir prospeção (procurar indícios) de pesquisa (comprovar e quantificar uma reserva). - Erro comum: assumir que qualquer anomalia geoquímica corresponde a um depósito economicamente viável. Nem sempre. - Exemplo: um halo de cobre disperso à volta de um corpo mineralizado do tipo pórfiro cuprífero.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada fase existe para reduzir o custo da seguinte, não se salta diretamente para a sondagem. - Erro comum: confundir escala regional com escala de detalhe e aplicar a malha errada. - Perguntar à turma: porque não se sonda logo a área toda? (custo e tempo).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o halo é sempre maior do que o depósito, e é por isso que a geoquímica compensa. - Erro comum: procurar a anomalia de solo exatamente por cima do corpo, esquecendo a reptação vertente abaixo. - Exemplo: os chapéus de ferro (gossans) da Faixa Piritosa são halos secundários visíveis a olho nu.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o técnico de campo não precisa de saber a lei de cor, mas tem de saber que não entra num terreno sem autorização. - Erro comum: achar que uma mina é "funda" e uma pedreira "à superfície". A diferença é o recurso (depósito mineral vs massa mineral). - Casos: Neves-Corvo e Aljustrel (Faixa Piritosa), Panasqueira (volfrâmio e estanho), Barroso (lítio).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sem mapeamento geológico, a amostragem geoquímica é feita às cegas. - Erro comum: ignorar o contexto geológico e amostrar apenas por conveniência de acesso. - Exemplo: cruzar uma carta geológica com um mapa de anomalias geoquímicas antigas da mesma área.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o planeamento é uma atitude de organização e responsabilidade, não um passo burocrático. - Erro comum: sair para o terreno sem fichas de campo preparadas e improvisar o registo. - Pergunta: o que acontece à qualidade dos dados se a malha não for respeitada no terreno?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um ponto acessível mas não representativo invalida o resultado, por mais fácil que seja de amostrar. - Erro comum: mover o ponto planeado só por conveniência de acesso, sem justificar tecnicamente a alteração. - Exemplo/analogia: escolher os pontos é como escolher onde furar um poço, a localização decide o resultado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o registo é tão importante como a recolha em si. Um dado sem localização fiável não serve para nada. - Erro comum: anotar as coordenadas de memória, depois de já ter avançado para o ponto seguinte. - Exercício: preencher em conjunto uma ficha de campo completa a partir de uma fotografia de um ponto fictício.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esperar que a posição estabilize e anotar a precisão indicada pelo recetor. - Erro comum: dizer que o GPS "triangula". Mede distâncias, por isso é trilateração. - Exercício: deslocar no mapa um ponto que cai num caminho e escrever a nota da ficha.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a escolha do horizonte não é indiferente, muda completamente o resultado analítico. - Erro comum: amostrar o horizonte A por estar mais acessível, quando o horizonte B é o indicado. - Analogia: os horizontes são como as camadas de um bolo, cada uma conta uma parte diferente da história do solo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a expressão aparece nos dois sentidos nos relatórios; o técnico tem de dominar ambos. - Erro comum: interpretar uma anomalia em coluvião de sopé como se viesse da rocha por baixo. - Pergunta: numa vertente, para onde se desloca a anomalia de solo em relação ao filão?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: limpar a parede antes de amostrar evita que material do horizonte superior contamine a amostra do horizonte alvo. - Erro comum: recolher material da superfície da parede, já em contacto com o ar e possivelmente alterado. - Exemplo/analogia: é como raspar a primeira camada de tinta antes de amostrar a camada de baixo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: poucas amostras de orientação evitam uma campanha inteira no horizonte errado. - Erro comum: escolher o horizonte pelo teor mais alto em vez do maior contraste. - Exercício: refazer as três divisões no quadro (35 ÷ 25, 120 ÷ 30, 95 ÷ 28).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a densidade da malha é uma decisão técnica ligada ao objetivo da campanha, não é arbitrária. - Erro comum: traçar as linhas paralelas ao filão, que assim correm ao lado do alvo sem o cortar. - Pergunta à turma: o que acontece à resolução do mapa de anomalias se se espaçar demasiado a malha?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a comparabilidade entre pontos só existe se o método for igual em todos. - Erro comum: mudar de horizonte a meio da malha porque um ponto tem terreno diferente, sem o assinalar. - Exercício: dado um mapa simples, marcar os nós de uma malha regular sobre a área de interesse.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pontos = intervalos + 1 em cada direção. - Erro comum: fazer 8 × 24 = 192 e ficar com uma linha e uma coluna de amostras por colher. - Pergunta: 225 ÷ 20 = 11,25; porque se arredonda para 12 grupos de controlos e não para 11?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a eficiência do método vem precisamente de "resumir" uma bacia inteira num só ponto. - Erro comum: amostrar num troço estagnado ou artificial (uma barragem, um canal betonado), sem representatividade. - Analogia: cada linha de água é como um coletor que junta tudo o que vem da bacia acima do ponto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a fração fina tem mais óxidos e argilas e dá amostras mais homogéneas; o que importa é que seja sempre a mesma. - Erro comum: encher o saco com sedimento grosseiro e areia, diluindo o sinal geoquímico procurado. - Exemplo: comparar visualmente sedimento de leito ativo com sedimento de uma margem seca contaminada por lixo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: é esta diluição que obriga a amostrar cada afluente antes da confluência. - Erro comum: concluir que "não há nada" a partir de uma única amostra no rio principal. - Ressalva: o modelo supõe erosão uniforme na bacia; a química da água também muda os teores.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: bateia = método físico (densidade); sedimento fino = análise química. - Erro comum: crivar para a fração fina a amostra destinada à bateia e perder os grãos pesados. - Contexto: regiões de volfrâmio e estanho da Beira Interior e do Norte (Panasqueira).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada tipo de amostra responde a uma pergunta diferente, nenhuma substitui completamente as outras. - Erro comum: usar sempre o mesmo tipo de amostra em qualquer contexto geológico, por hábito. - Exercício: dado um cenário de terreno, a turma escolhe qual o tipo de amostra mais adequado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a combinação de tipos de amostra é boa prática profissional, não é excesso de trabalho. - Erro comum: interpretar uma anomalia de sedimento sem cruzar com o mapeamento geológico da bacia. - Pergunta: porque é que um técnico experiente costuma pedir mais do que um tipo de amostra na mesma área?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o FRX portátil serve para triagem rápida, não substitui a confirmação em laboratório certificado. - Erro comum: usar sempre o método mais barato, mesmo quando a precisão exigida é maior. - Curiosidade: o ensaio ao fogo é uma técnica antiga, ainda hoje a referência para ouro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pedir a digestão errada dá números "certos" do laboratório mas inúteis para o objetivo. - Erro comum: comparar resultados de água-régia com resultados de quatro ácidos como se fossem iguais. - Exercício: converter 0,12 % Zn em ppm (1200 ppm) e 80 ppb Au em g/t (0,08 g/t).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o QA/QC é o que separa um dado geoquímico credível de um número sem controlo. - Erro comum: aceitar um resultado anómalo isolado sem verificar se o duplicado confirma o valor. - Pergunta: o que significa um branco analítico "contaminado" no meio de um lote?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma etiqueta ambígua ou apagada pode invalidar semanas de trabalho de campo. - Erro comum: fechar uma amostra molhada num saco de plástico, onde não seca e pode ganhar bolor. - Exercício: preencher corretamente uma etiqueta de amostra a partir dos dados de uma ficha de campo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a cadeia de custódia protege a credibilidade dos dados perante um cliente ou uma auditoria. - Erro comum: entregar amostras ao laboratório sem qualquer registo de transporte. - Pergunta: porque é que se guarda uma amostra testemunha, se já foi enviada uma parte para análise?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma anomalia geoquímica "falsa", de origem antropogénica, pode desviar semanas de trabalho de campo. - Erro comum: não registar a proximidade de uma estrada ou de uma mina antiga junto ao ponto amostrado. - Exemplo: um valor alto de chumbo perto de uma estrada antiga, associado a combustíveis com chumbo do passado.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: analisar potenciais fontes de contaminação é um critério de desempenho explícito desta UC. - Erro comum: assumir logo que um resultado alto é uma descoberta, sem descartar contaminação. - Pergunta: que perguntas fazer no terreno antes de aceitar uma anomalia como genuína? (coincide com algo humano? tem os elementos companheiros? como varia em profundidade?)

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o pH não é um dado isolado, é uma chave de leitura para os outros resultados. - Erro comum: medir o pH sem calibrar previamente o equipamento. - Analogia: o pH é como o "clima químico" do local, condiciona como os elementos se movem.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um elétrodo mal limpo transporta a leitura anterior para a amostra seguinte. - Erro comum: comparar leituras de pH feitas a temperaturas muito diferentes sem o assinalar. - Exercício: simular em conjunto os quatro passos; comparar uma leitura com tiras indicadoras (só triagem).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cada EPI protege de um risco específico, não é intercambiável nem opcional. - Erro comum: usar apenas parte do EPI exigido "porque incomoda" ou "só vai demorar um minuto". - Exercício: associar cada EPI ao risco concreto de uma tarefa desta UC.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a segurança não é uma etapa à parte, faz parte do próprio procedimento de amostragem. - Erro comum: deixar um poço aberto e sem sinalização "só até amanhã". - Pergunta: quem responde por um acidente causado por um poço não sinalizado?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: os riscos de campo são reais e variam com a geografia, não são hipotéticos. - Erro comum: subestimar riscos "porque já se fez isto muitas vezes sem problemas". - Exemplo: um poço aberto num dia de chuva forte tem risco de desmoronamento muito maior.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "ter cuidado" não é uma medida; adiar, sinalizar ou trabalhar em pares são. - Erro comum: pontuar tudo com o mesmo nível e não priorizar. - Exercício: a turma pontua os riscos de uma campanha de 20 covas em época de chuvas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: rigor e sustentabilidade andam juntos, uma campanha bem planeada perturba menos o terreno. - Erro comum: deixar os poços abertos e o terreno remexido depois de terminada a amostragem. - Pergunta: como se decide o número mínimo de furos necessário sem comprometer a qualidade dos dados?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma anomalia geoquímica ganha muito mais sentido quando cruzada com a rocha que a originou. - Erro comum: enviar amostras para análise sem descrever minimamente a rocha de origem. - Exemplo: um veio de quartzo com sulfuretos visíveis reforça a leitura de um resultado anómalo de cobre; o canivete distingue a pirite (não risca) do ouro (mole).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a análise crítica das propriedades da rocha é um critério de desempenho explícito da UC. - Erro comum: descrever a rocha de forma vaga ("rocha escura"), sem termos técnicos precisos. - Exercício: descrever em conjunto uma amostra de rocha a partir de uma fotografia, com vocabulário técnico.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as atitudes do referencial não são "soft skills" decorativas, condicionam a qualidade dos dados. - Erro comum: separar mentalmente "trabalho técnico" de "comportamento profissional", como se fossem coisas distintas. - Anunciar: fichas e mini-projecto, planear e executar uma campanha de amostragem geoquímica.