UC01855

Prospeção litogeoquímica em rochas amostradas em canal e em painel

Fundamentos de litogeoquímica, seleção de locais, riscos e segurança, afloramentos, litologias e alteração, propriedades das rochas, amostragem em canal e em painel, controlo de qualidade

Curso profissional · 50h · Técnico de Prospeção e Pesquisa de Recursos Minerais

Plano

  1. Litogeoquímica: fundo, limiar, anomalia e indicadores
  2. O ciclo da prospeção de recursos minerais
  3. Seleção de locais para amostragem
  4. Análise de riscos e impactos da campanha
  5. Equipamentos de proteção individual (EPI)
  6. Normas de segurança e saúde no trabalho
  7. Geomorfologia e estrutura
  8. Relações geométricas em afloramentos
  9. Litologias e materiais geológicos
  10. Tipos de alteração das rochas
  11. Propriedades geomecânicas
  12. Propriedades físicas das formações geológicas
  13. Amostragem em canal
  14. Amostragem em painel
  15. Controlo de qualidade, preparação e análise
  16. Registo, análise crítica e fecho

Bloco 1 · Litogeoquímica: fundo, limiar, anomalia e indicadores

O que é a litogeoquímica

A litogeoquímica é o estudo da composição química das rochas com o objetivo de detetar anomalias geoquímicas, concentrações de elementos acima do valor normal de fundo (background), que apontam para a presença de mineralizações no subsolo.

  • É uma das ferramentas da prospeção mineral, a par da geologia de campo, da geofísica e da fotointerpretação.
  • Baseia-se na recolha de amostras de rocha representativas, depois enviadas a laboratório para análise química.
  • O resultado orienta a pesquisa seguinte: onde furar, onde aprofundar o estudo, onde descartar.

Sem amostragem rigorosa no terreno, a análise laboratorial mais precisa não vale nada.

Fundo, limiar e anomalia

  • Fundo (background): gama normal de um elemento numa dada litologia, sem mineralização.
  • Limiar (threshold): valor acima do qual o fundo já não explica a concentração.
  • Anomalia: valor (ou grupo de valores vizinhos) acima do limiar; é um alvo a verificar.

Os elementos traço têm distribuição aproximadamente lognormal, por isso o limiar calcula-se sobre os logaritmos:

limiar = 10^(média dos log + 2 × desvio-padrão dos log)

Exemplo: média dos log de As = 1,169; desvio-padrão = 0,190 → 10^1,549 ≈ 35 ppm.

Unidades e elementos indicadores

  • 1 % = 10 000 ppm · 1 ppm = 1 g/t = 1000 ppb · o ouro reporta-se em ppb (prospeção) ou g/t.
  • Maiores (%): Si, Al, Fe, Ca, Mg, Na, K · traço (ppm, ppb): Cu, Zn, As, W, Sn, Li, Au.
Alvo Indicadores habituais
Ouro em filões As, Sb, Bi, W, Te
Sn e W (Panasqueira) F, Li, Rb, Cs, B
Sulfuretos maciços (Faixa Piritosa) Cu, Zn, Pb, Ag, Ba, Tl, perda de Na
Pegmatitos com lítio (Barroso) Li, Cs, Rb, Ta, Nb

Os halos de dispersão primária são maiores do que o corpo mineralizado: é por eles que se chega ao alvo.

Objetivo desta UC

Esta unidade prepara o/a técnico/a para executar uma campanha de amostragem litogeoquímica do princípio ao fim:

  • Analisar e identificar locais adequados para a prospeção.
  • Avaliar riscos e impactos antes de sair para o terreno.
  • Executar a amostragem em canal e em painel, os dois métodos de amostragem em rocha exposta.
  • Analisar criticamente as propriedades das rochas amostradas.

Estas quatro realizações do referencial organizam toda a matéria que se segue.

Bloco 2 · O ciclo da prospeção de recursos minerais

Contexto de trabalho

O técnico de prospeção e pesquisa de recursos minerais trabalha tipicamente em dois contextos, indicados no referencial:

  • Gabinete de estudos de prospeção e pesquisa: análise de cartografia, mapas geológicos, imagens de satélite, resultados de campanhas anteriores, planeamento da campanha.
  • Área de prospeção e pesquisa: trabalho de campo, no afloramento, com instrumentos de amostragem e de segurança.

O trabalho alterna entre estes dois contextos: planeia-se no gabinete, executa-se no terreno, e os resultados voltam ao gabinete para interpretação.

Conceito Regime
Depósitos minerais (metálicos, lítio...) domínio público do Estado (Lei n.º 54/2015, DL n.º 30/2021) → minas
Massas minerais (granito ornamental, calcário...) propriedade privada (DL n.º 270/2001) → pedreiras
  • DGEG: atribui os direitos de prospeção e pesquisa e de exploração.
  • LNEG: laboratório do Estado para geologia e minas (cartografia, arquivo de dados).
  • Contextos de referência: Faixa Piritosa Ibérica (Neves-Corvo: Cu, Zn, Sn; Aljustrel), Panasqueira (W, Sn), Barroso (pegmatitos com lítio).

Das fases gerais à amostragem litogeoquímica

O ciclo típico de uma campanha de prospeção mineral:

  1. Revisão de dados existentes (cartografia, campanhas anteriores).
  2. Reconhecimento geológico de campo (mapeamento, observação de afloramentos).
  3. Seleção de locais de amostragem com base em indícios geológicos.
  4. Amostragem litogeoquímica (canal, painel, ou pontual).
  5. Análise laboratorial e interpretação dos resultados.
  6. Decisão: aprofundar (sondagens) ou descartar a área.

Esta UC foca-se sobretudo nos passos 3, 4 e no princípio do 5.

Bloco 3 · Seleção de locais para amostragem

Critérios para identificar locais de amostragem

Analisar e identificar locais para prospeção litogeoquímica exige cruzar vários indícios:

  • Indícios geológicos: presença de mineralização visível, alteração hidrotermal, veios, filões.
  • Contexto estrutural: falhas, fraturas e contactos litológicos, zonas frequentemente favoráveis à circulação de fluidos mineralizantes.
  • Dados de campanhas anteriores: anomalias geoquímicas ou geofísicas já identificadas na área.
  • Acessibilidade e exposição da rocha: o afloramento tem de estar suficientemente exposto e fresco (sem alteração superficial excessiva) para representar bem a rocha em profundidade.

A escolha do local condiciona todo o resultado da campanha.

Do reconhecimento à decisão

O processo de seleção combina trabalho de gabinete e de campo:

  1. Gabinete: cruzar cartografia geológica, fotointerpretação e dados históricos para pré-selecionar zonas de interesse.
  2. Campo: percorrer e observar os afloramentos pré-selecionados, confirmando ou descartando cada um.
  3. Registo: documentar cada afloramento observado (localização, litologia, estruturas, alterações) mesmo que não venha a ser amostrado.
  4. Decisão final: escolher os pontos concretos de amostragem em canal ou em painel.

Um bom registo de campo evita repetir trabalho em campanhas futuras.

Bloco 4 · Análise de riscos e impactos da campanha

Avaliar riscos antes de sair para o terreno

Antes de qualquer amostragem, avaliam-se os potenciais riscos e impactos na campanha:

  • Riscos para as pessoas: queda de blocos e quedas em taludes, projeção de fragmentos, ruído e poeira de sílica da serra, calor, animais e insetos, isolamento e falta de comunicações em zonas remotas.
  • Riscos para os equipamentos: queda ou perda em terreno instável, chuva e poeira em equipamento eletrónico (GNSS, pXRF), avaria, furto.
  • Impactos ambientais: perturbação de solo e vegetação, marcas no afloramento, ruído, resíduos, proximidade a linhas de água ou áreas protegidas (Rede Natura 2000).
  • Riscos para o cronograma: acessos cortados pela chuva, autorizações de acesso em falta, época do ano (incêndios, caça, nidificação).

A avaliação de riscos não é burocracia, é o que permite decidir como e quando avançar.

Do risco à medida de controlo

Os princípios gerais de prevenção (Lei n.º 102/2009) dão a ordem de prioridade:

Nível Medida Exemplo
1. Eliminar evitar o perigo escolher outro ponto sem blocos soltos
2. Substituir trocar por algo menos perigoso corte com água em vez de corte a seco
3. Proteção coletiva agir sobre o perigo para todos sanear os blocos instáveis
4. Medidas organizacionais procedimentos e exposição balizar, limitar o tempo no talude, nunca sozinho
5. Proteção individual equipar a pessoa capacete, óculos, máscara

O EPI é sempre a última linha de defesa, nunca a primeira medida a considerar.

Bloco 5 · Equipamentos de proteção individual (EPI)

EPI da prospeção em afloramento

Antes de iniciar a amostragem, equipar-se corretamente:

  • Capacete de proteção, obrigatório junto a taludes e afloramentos.
  • Óculos de proteção, contra projeção de fragmentos ao percutir a rocha.
  • Luvas resistentes, contra cortes e arestas afiadas.
  • Calçado de proteção com biqueira e sola antiderrapante.
  • Colete de alta visibilidade, sobretudo perto de vias ou máquinas.
  • Proteção auditiva, quando se usam equipamentos de corte ou perfuração.
  • Proteção respiratória contra poeiras finas (sílica), ao cortar ou partir rocha quartzosa.

O EPI protege quem o usa, mas só funciona se estiver adequado, em bom estado e efetivamente utilizado.

Utilizar corretamente o EPI

Utilizar os equipamentos de proteção individual implica mais do que os vestir:

  1. Verificar o estado do equipamento antes de cada saída (fissuras no capacete, riscos nos óculos).
  2. Ajustar ao corpo de quem o usa (capacete bem preso, luvas do tamanho certo).
  3. Substituir equipamento danificado ou fora de validade.
  4. Guardar e transportar o EPI de forma a não o danificar entre campanhas.

A responsabilidade de manter o EPI em condições é de cada técnico, não só da entidade que o fornece.

Serra de corte e poeira de sílica

Serrar ou partir a seco rocha rica em quartzo liberta sílica cristalina respirável: causa silicose e é classificada como cancerígena (regime revisto pelo DL n.º 35/2020).

  1. Substituir: corte com água em vez de corte a seco.
  2. Organizar: vento pelas costas, ninguém no plano de corte, só quem corta junto à serra.
  3. Proteger: máscara filtrante de partículas bem vedada, óculos ou viseira, proteção auditiva, luvas.

Enquadramento: Lei n.º 102/2009 (segurança e saúde no trabalho), DL n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93 (EPI), DL n.º 162/90 (minas e pedreiras).

Bloco 6 · Normas de segurança e saúde no trabalho

Princípios de segurança no terreno

Aplicar as normas de segurança e saúde no trabalho em campanhas de prospeção significa seguir princípios concretos:

  • Nunca trabalhar sozinho em afloramentos isolados; manter sempre um segundo elemento ou contacto regular.
  • Comunicar o plano do dia: local, horário previsto de regresso, contacto de emergência.
  • Respeitar a sinalização e o balizamento das zonas de risco.
  • Parar o trabalho perante condições inseguras (chuva forte, visibilidade reduzida, instabilidade do talude).
  • Reportar incidentes e quase-acidentes, mesmo sem consequências visíveis.

A segurança é uma condição do trabalho, não um obstáculo a ele.

Sinalização, boas práticas e primeiros socorros

Complementam as normas de segurança:

  • Sinalização de risco: fita balizadora, sinalética de queda de blocos, delimitação de zonas de percussão.
  • Kit de primeiros socorros disponível na equipa, com alguém formado para o usar.
  • Meios de comunicação (rádio, telemóvel com cobertura ou satélite) sempre operacionais no terreno.
  • Plano de emergência simples: quem contactar, como chegar ao ponto mais próximo com assistência.

Autonomia, sentido de organização e responsabilidade, atitudes do referencial, aplicam-se diretamente aqui.

Bloco 7 · Geomorfologia e estrutura

Identificar a geomorfologia e a estrutura

A geomorfologia estuda as formas do relevo e como se formaram; a estrutura geológica estuda a disposição e deformação das rochas (dobras, falhas, fraturas).

  • Formas de relevo: vertentes, cristas, vales, escarpas, refletem a resistência das rochas e a ação de agentes erosivos.
  • Estruturas tectónicas: falhas (fraturas com deslocamento dos blocos), diaclases (fraturas sem deslocamento apreciável), dobras (deformação sem rutura), xistosidade e zonas de cisalhamento.
  • Atitude: direção (strike) e inclinação (dip) descrevem a orientação de um plano geológico no espaço.
  • Pistas no relevo: cristas de rocha silicificada ou de quartzito, vales retilíneos ao longo de falhas, chapéus de ferro (gossans) sobre sulfuretos.

Reconhecer estas formas e estruturas orienta a escolha e a interpretação de cada afloramento.

Caracterizar a geomorfologia e a estrutura no terreno

Caracterizar, no terreno, implica registar de forma sistemática:

  1. Localização exata do ponto de observação.
  2. Tipo de estrutura observada (falha, dobra, fratura, diaclase) e a sua orientação.
  3. Relação com o relevo envolvente (a estrutura explica a forma do terreno?).
  4. Fotografia e esquema de campo, com escala e orientação (norte).

Esta caracterização é o primeiro passo antes de decidir onde e como amostrar o afloramento.

Atitude de um plano e espessura real

  • Direção (strike): rumo da horizontal contida no plano, ex. N30°E.
  • Inclinação (dip): ângulo com a horizontal e sentido, ex. 60°SE.
  • Mesmo plano em azimute da inclinação / inclinação: 120/60. Usar sempre a mesma convenção.

Numa superfície horizontal, medindo perpendicularmente à direção:

espessura real = largura aparente × sen(inclinação)

Exemplo: 1,20 m de largura, veio a 60° → 1,20 × 0,866 ≈ 1,04 m.

Bloco 8 · Relações geométricas em afloramentos

O que são relações geométricas em afloramentos

As relações geométricas em afloramentos descrevem como diferentes unidades de rocha, estruturas e feições se dispõem umas em relação às outras num mesmo afloramento.

  • Contactos litológicos: onde uma litologia termina e outra começa, podem ser nítidos ou graduais.
  • Relações de corte: uma estrutura mais jovem corta e desloca uma mais antiga, o que permite ordenar os acontecimentos geológicos no tempo.
  • Continuidade lateral: até onde se estende uma camada ou um veio visível no afloramento.
  • Espessura e geometria de camadas, veios e filões.

Estas relações são a base para interpretar a história geológica do local.

Da relação geométrica à decisão de amostragem

As relações geométricas observadas num afloramento influenciam diretamente onde e como amostrar:

  • Um veio mineralizado com limites bem definidos e continuidade lateral clara amostra-se em canal: vários canais perpendiculares à direção, espaçados ao longo do veio.
  • Uma zona de contacto ou de cisalhamento também se atravessa em canal, dividindo as amostras nos limites entre litologias.
  • Uma zona de mineralização disseminada ou alteração extensa, sem direção dominante, amostra-se em painel.
  • A espessura e a continuidade condicionam o número de amostras e o espaçamento entre canais.

Interpretar a geometria do afloramento é o elo entre a geologia observada e o método de amostragem escolhido.

Bloco 9 · Litologias e materiais geológicos

Identificar diferentes litologias

A litologia é o tipo de rocha, definido pela sua composição mineralógica, textura e origem. Reconhecer litologias no terreno é uma competência central desta UC.

Grupo Exemplos Origem
Ígneas granito, pegmatito, basalto, riólito arrefecimento de magma
Sedimentares calcário, arenito, grauvaque, argilito acumulação e litificação de sedimentos
Metamórficas xisto, filito, quartzito, mármore transformação por pressão e temperatura

Cada grupo tem propriedades e comportamento distintos perante a amostragem e a mineralização.

Reconhecer materiais geológicos no terreno

Além da litologia da rocha "sã", reconhecer outros materiais geológicos presentes no afloramento:

  • Veios e filões: preenchimentos de fraturas por minerais, muitas vezes o alvo direto da prospeção (quartzo, calcite, sulfuretos).
  • Solo e regolito: material alterado e desagregado sobre a rocha sã, geralmente evitado na amostragem litogeoquímica.
  • Depósitos superficiais: blocos soltos, tálus, aluviões, que não representam a rocha em profundidade.
  • Xenólitos e inclusões: fragmentos de rocha estranha englobados numa rocha ígnea.

Só a rocha fresca e representativa deve ser amostrada; material alterado ou deslocado introduz erro na análise.

Bloco 10 · Tipos de alteração das rochas

Identificar diferentes tipos de alteração de rochas

A alteração modifica a composição e a textura original da rocha, por ação de agentes físicos, químicos ou hidrotermais.

  • Alteração meteórica (meteorização): ação do clima e da água à superfície, oxidação, hidratação, dissolução.
  • Alteração hidrotermal: ação de fluidos quentes ricos em minerais, frequentemente associada a mineralizações, é um dos indícios mais procurados na prospeção.
  • Alteração supergénica: lixiviação e reprecipitação de metais perto da superfície, sobre um corpo mineralizado (chapéu de ferro por cima, enriquecimento por baixo).

Distinguir estes tipos é essencial: a alteração hidrotermal é um guia direto para onde amostrar.

Reconhecer a alteração no terreno

No terreno, a alteração observa-se através de sinais visuais e táteis:

  1. Cor: manchas, halos ou tons distintos da rocha sã envolvente.
  2. Textura: rocha mais friável, porosa ou com minerais secundários visíveis (óxidos, argilas, carbonatos).
  3. Dureza: rocha alterada é geralmente mais macia do que a rocha fresca do mesmo tipo.
  4. Distribuição espacial: a alteração concentra-se perto de fraturas, veios e contactos, precisamente onde circularam os fluidos.

Registar a extensão e a intensidade da alteração é parte da descrição de cada afloramento amostrado.

Tipos de alteração hidrotermal

Tipo Minerais Aspeto Contexto
Silicificação quartzo dura, vítrea, forma cristas filões de ouro
Sericítica sericite, quartzo, pirite clara, sedosa sulfuretos maciços
Cloritização clorite verde-escura, branda Faixa Piritosa Ibérica
Propilítica clorite, epídoto, calcite verde-clara, extensa margem dos sistemas
Argílica caulinite branca, terrosa partes superficiais
Greisenização quartzo, moscovite granular clara Sn e W (Panasqueira)

Índice de Ishikawa: IA = 100 × (K₂O + MgO) ÷ (K₂O + MgO + Na₂O + CaO), sobe com a alteração.

Bloco 11 · Propriedades geomecânicas

Identificar propriedades geomecânicas nas rochas amostradas

As propriedades geomecânicas descrevem o comportamento mecânico da rocha, essencial tanto para a segurança do trabalho como para a interpretação geológica.

  • Resistência: capacidade de resistir a esforços sem se fraturar (rocha dura ou rocha friável).
  • Grau de fraturação: espaçamento (cm) ou frequência (número por metro) das descontinuidades, e as suas famílias de orientação.
  • Coerência: o quanto a rocha se mantém coesa ao ser manuseada ou percutida.
  • Estabilidade do maciço: relevante para avaliar o risco de queda de blocos junto ao ponto de amostragem.

Estas propriedades condicionam diretamente o método e a segurança da amostragem.

Reconhecer as propriedades geomecânicas nas rochas amostradas

No momento da amostragem, reconhecer estas propriedades ajuda a decidir o método e as ferramentas a usar:

Propriedade Como se avalia no terreno Implicação prática
Resistência pancadas do martelo, canivete, som escolha da ferramenta de corte
Grau de alteração cor, brilho, desagregação (W1 a W5) representatividade da amostra
Fraturação espaçamento medido com fita (F1 a F5) desagregação da amostra, queda de blocos
Coerência resistência ao manuseamento necessidade de embalagem reforçada

Uma rocha muito fraturada é mais fácil de amostrar, mas mais difícil de manter íntegra até ao laboratório.

Descrição geotécnica básica (ISRM)

Alteração Espaçamento das descontinuidades Resistência (compressão)
W1 são F1 > 200 cm S1 > 200 MPa
W2 pouco alterado F2 60 a 200 cm S2 60 a 200 MPa
W3 medianamente alterado F3 20 a 60 cm S3 20 a 60 MPa
W4 muito alterado F4 6 a 20 cm S4 6 a 20 MPa
W5 decomposto F5 < 6 cm S5 < 6 MPa

Exemplo: 12 diaclases em 3,00 m → 4 por metro, espaçamento ≈ 25 cm → F3.

No terreno, a resistência estima-se com o martelo e o canivete; o esclerómetro e o ensaio de carga pontual dão valores mais objetivos.

Bloco 12 · Propriedades físicas das formações geológicas

Propriedades físicas das formações geológicas

Além do comportamento mecânico, cada formação geológica tem propriedades físicas que a caracterizam e que apoiam a análise crítica das rochas amostradas:

  • Densidade: massa por unidade de volume, varia com a composição mineralógica e a porosidade.
  • Porosidade e permeabilidade: relevantes para perceber a circulação de fluidos e a alteração.
  • Cor e brilho: indicadores rápidos, mas sempre a confirmar com outros critérios.
  • Textura e granulometria: tamanho, forma e disposição dos grãos ou cristais.
  • Magnetismo: algumas formações e minerais respondem a testes magnéticos simples de campo.

Estas propriedades, registadas de forma sistemática, alimentam a interpretação laboratorial posterior.

Registar as propriedades de forma sistemática

Um bom registo de campo das propriedades físicas segue sempre a mesma estrutura, para permitir comparar afloramentos diferentes:

  1. Identificação do ponto (código, coordenadas, data).
  2. Litologia e alteração observadas.
  3. Propriedades físicas e geomecânicas descritas de forma objetiva.
  4. Fotografia com escala.
  5. Amostra recolhida (sim/não) e método usado.

Esta ficha de campo é o elo entre a observação no afloramento e a análise crítica feita depois em gabinete.

Bloco 13 · Amostragem em canal

O método de amostragem em canal

A amostragem em canal consiste em abrir um sulco contínuo de secção constante (largura e profundidade fixas), numa linha reta perpendicular à direção da estrutura (veio, filão, zona de cisalhamento), atravessando toda a possança e um pouco de encaixante de cada lado.

  • O canal divide-se em troços: cada troço é uma amostra, com limites nas mudanças de litologia, alteração ou mineralização, e um comprimento máximo fixado no protocolo.
  • O teor da estrutura calcula-se depois, ponderando cada teor pelo comprimento.
  • Melhor ferramenta: serra de disco (dois cortes paralelos), que garante a secção constante.

O rigor está em manter o canal reto, com secção constante, e em nunca misturar materiais diferentes na mesma amostra.

Executar a amostragem em canal, passo a passo

  1. Marcar a linha do canal, perpendicular à direção da estrutura, e os limites dos troços onde muda a geologia.
  2. Limpar a superfície: material solto, líquenes, crosta meteorizada.
  3. Abrir o sulco com largura e profundidade constantes, recolhendo o material de cada troço num saco próprio, sobre uma lona.
  4. Etiquetar de imediato cada amostra com um número único.
  5. Fotografar o canal aberto, com escala e troços marcados.
  6. Registar coordenadas de início e fim, orientação do canal, atitude da estrutura, comprimento, litologia, alteração e mineralização de cada troço.

Cada passo mal executado compromete a representatividade de toda a amostra.

Canal: teor ponderado e enviesamentos

Amostra Material m Au (g/t)
C1 xisto (muro) 0,60 0,05
C2 filão com arsenopirite 0,45 6,20
C3 xisto alterado (teto) 0,70 0,40
C4 xisto (teto) 0,50 0,03
  • C2 + C3: (2,790 + 0,280) ÷ 1,15 ≈ 2,67 g/t em 1,15 m.
  • Canal inteiro: 3,115 ÷ 2,25 ≈ 1,38 g/t em 2,25 m (o que daria uma amostra única).
  • Massa: canal de 5 × 3 cm, densidade 2,7 → 0,0015 m³/m × 2700 kg/m³ ≈ 4 kg por metro.
  • Enviesamento: o material friável (sulfuretos, argilas) salta mais e fica sobrerrepresentado; a serra reduz o problema.

Bloco 14 · Amostragem em painel

O método de amostragem em painel

A amostragem em painel (chip-panel) consiste em colher pequenos fragmentos nos pontos de uma malha regular traçada sobre uma superfície exposta.

  • Define-se um quadrado ou retângulo (painel) sobre a superfície a amostrar; uma face grande divide-se em vários painéis.
  • Os fragmentos de um painel formam uma amostra composta, com um teor indicativo da área.
  • Método preferido para mineralização disseminada, em rede ou alteração extensa, sem estrutura linear dominante.
  • Enviesamentos: escolha do fragmento "mais bonito" e sobrerrepresentação do material friável, que se solta com mais facilidade.

O painel dá uma visão de área; o canal dá uma visão de espessura.

Executar a amostragem em painel, passo a passo

  1. Delimitar o painel na face do afloramento, com dimensões definidas e registadas.
  2. Definir a grelha de pontos de recolha, espaçados de forma regular dentro do painel.
  3. Recolher um fragmento semelhante em cada ponto da grelha, com o mesmo cuidado em todos.
  4. Juntar os fragmentos numa amostra composta única, corretamente etiquetada.
  5. Fotografar o painel delimitado, com escala e a grelha visível.
  6. Registar dimensões do painel, número de pontos, litologia e alteração observadas.

Manter a regularidade da grelha é o que garante que a amostra representa toda a área, e não só os pontos mais "convenientes".

Painel: contar nós e comparar métodos

Painel de 2 × 2 m, malha de 50 cm → 4 intervalos por lado:

  • nos nós: 5 × 5 = 25 fragmentos; no centro das células: 4 × 4 = 16;
  • com fragmentos de cerca de 80 g: 25 × 80 g ≈ 2 kg.
Canal Painel Pontual
Representa teor e espessura, troço a troço teor indicativo de uma área presença de um mineral
Uso veios, filões, contactos disseminado, alteração extensa confirmação rápida
Rigor elevado indicativo seletivo, sem teor

Bloco 15 · Controlo de qualidade, preparação e análise

Controlo de qualidade às cegas

Na sequência de amostras inserem-se controlos com números da mesma série, indistinguíveis para o laboratório:

Controlo Deteta
Branco (material estéril) contaminação na preparação e na análise
Duplicado (de campo, de britado, de polpa) precisão e variabilidade da amostragem
CRM (material de referência certificado) exatidão do laboratório
  • Números de amostra únicos, talões pré-numerados, sem revelar local nem tipo.
  • Branco logo a seguir às amostras mais mineralizadas.
  • CRM de 1,52 ± 0,06 g/t reportado a 1,31 g/t → fora de ± 3 desvios-padrão (1,34 a 1,70) → reanalisar o lote.

Preparação e métodos de análise

Preparação: secagem → britagem (padrão frequente: 70 % < 2 mm) → quarteamento com divisor de riffles → pulverização (padrão frequente: 85 % < 75 µm) → limpeza entre amostras.

Método Uso
Ensaio ao fogo ouro (referência)
ICP-OES / ICP-MS multielementar, ppm a ppb
XRF de laboratório maiores, Sn, W
pXRF portátil triagem no campo; não mede Li, não serve para Au de prospeção

A digestão conta: água-régia é parcial, quatro ácidos é quase total, a cassiterite exige fusão.

Bloco 16 · Registo, análise crítica e fecho

Analisar criticamente as rochas amostradas

Depois de recolhidas, as amostras (de canal ou de painel) são objeto de análise crítica, ainda antes ou em paralelo com o resultado laboratorial:

  • Confrontar as propriedades observadas no terreno (litologia, alteração, geomecânica) com o que se espera do contexto geológico.
  • Verificar a rastreabilidade: cada amostra tem etiqueta, código, localização e fotografia coerentes entre si?
  • Identificar amostras suspeitas: contaminação, troca de etiqueta, material não representativo.
  • Relacionar os resultados de diferentes pontos entre si, procurando padrões ao longo do afloramento ou da área.
  • Com os resultados: os controlos passaram? O valor compara-se com o limiar da mesma litologia? A alteração (chapéu de ferro, meteorização) explica o valor?

A análise crítica no terreno é a primeira linha de controlo de qualidade de toda a campanha.

Rastreabilidade, cadeia de custódia e sustentabilidade

Fecham o processo de amostragem:

  • Cadeia de custódia: registo de quem recolheu, transportou e entregou cada amostra, até ao laboratório, com números de amostra únicos e guia de remessa.
  • Acondicionamento adequado para transporte, evitando contaminação cruzada entre amostras.
  • Reposição do terreno: fechar sulcos e painéis quando exigido, respeitando os princípios da sustentabilidade.
  • Arquivo do registo de campo, associado a cada código de amostra, para consulta futura.

Rigor, responsabilidade e respeito pela sustentabilidade percorrem toda a campanha, do primeiro reconhecimento ao envio para o laboratório.

Recapitulando

  • A litogeoquímica procura anomalias na composição das rochas que indiciam mineralizações.
  • Antes do terreno: selecionar locais, avaliar riscos e impactos, preparar EPI e seguir as normas de segurança.
  • No afloramento: reconhecer geomorfologia, estrutura, relações geométricas, litologias e alteração.
  • Perceber o alvo: fundo, limiar (log, média + 2 desvios-padrão), anomalia, elementos indicadores.
  • Amostrar em canal (sulco de secção constante, perpendicular à estrutura, dividido nos limites geológicos) ou em painel (fragmentos numa malha regular, teor indicativo).
  • Controlar a qualidade com brancos, duplicados e CRM às cegas, preparar e analisar com o método certo.
  • Fechar com análise crítica, cadeia de custódia e respeito pela sustentabilidade.

Próximo: fichas e mini-projecto, planear e executar uma campanha de amostragem litogeoquímica completa.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a litogeoquímica trabalha sobre a rocha sólida (in situ ou de bloco), ao contrário da geoquímica de solos ou de sedimentos de linha de água. - Erro comum: confundir prospeção (procurar indícios) com pesquisa (confirmar e avaliar o recurso). A litogeoquímica serve ambas as fases, com objetivos diferentes. - Exemplo/analogia: é como testar o sangue para detetar um sinal de doença antes de avançar para exames mais caros e demorados.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta no quadro com os dez valores da sebenta (capítulo 2): 8, 12, 15, 10, 20, 25, 9, 14, 30, 18 ppm. Com valores brutos daria cerca de 30,5 ppm; mostrar porque diferem. - Erro comum: calcular um único limiar para várias litologias juntas. A litologia mais rica aparece toda "anómala". - Sublinhar que média + 2 desvios-padrão é uma primeira aproximação clássica, não uma regra absoluta.

NOTAS DO PROFESSOR - Treinar conversões rápidas: 0,85 % Cu = 8500 ppm; 1250 ppb Au = 1,25 g/t. - Explicar porque o As serve de indicador do Au: a arsenopirite acompanha o ouro e o As mede-se facilmente em ppm, enquanto o Au é errático (efeito pepita). - Erro comum: confundir ppm com ppb, errando por um fator de mil.

NOTAS DO PROFESSOR - Ler as quatro realizações do referencial em voz alta e escrevê-las no quadro; a turma vai vê-las reaparecer bloco a bloco. - Erro comum: achar que "amostrar" é só recolher uma pedra. É um procedimento com critérios, riscos e registo. - Pergunta: porque é que analisar os riscos vem antes de sair para o terreno, e não depois?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a alternância gabinete/terreno como o ritmo normal da profissão, não uma exceção. - Erro comum: pensar que a prospeção é só trabalho de campo. O planeamento em gabinete é onde se evitam a maioria dos erros e riscos. - Exemplo: mostrar uma carta geológica e perguntar que informação dela orienta a escolha de um local de amostragem.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: achar que a diferença entre mina e pedreira é a profundidade ou o tamanho. É legal: quem é dono do recurso. - Lembrar que o título de prospeção não dispensa o acordo dos proprietários para aceder ao terreno. - Pergunta: onde se consulta a cartografia geológica oficial antes de uma campanha? (LNEG)

NOTAS DO PROFESSOR - Situar a UC no ciclo completo ajuda a turma a perceber o "antes" e o "depois" do que vão aprender. - Erro comum: saltar etapas, por exemplo amostrar sem ter revisto os dados existentes da área. - Pergunta: o que acontece se a etapa 3 (seleção de locais) for mal feita? (desperdiça-se tempo e dinheiro nas etapas seguintes).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "escolher bem onde amostrar" é uma competência de análise, não sorte. - Erro comum: amostrar apenas onde é fácil chegar, ignorando o local geologicamente mais relevante. - Exemplo: um veio de quartzo com sulfuretos visíveis é um indício direto; uma zona de fratura sem mineralização visível pode ainda ser relevante pelo contexto estrutural.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar o valor do registo sistemático, mesmo dos locais rejeitados: poupa tempo a quem vier depois. - Erro comum: confiar só na memória, sem notas de campo ou fotografias georreferenciadas. - Exercício rápido: dado um mapa geológico simples com uma falha e um filão, pedir à turma para apontar onde amostrariam primeiro e porquê.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "riscos e impactos" cobre pessoas, ambiente e o próprio projeto, não só segurança física. - Erro comum: tratar a avaliação de riscos como uma formalidade a preencher depois da campanha. - Exemplo: um talude com blocos soltos por cima do ponto de amostragem em canal é um risco a eliminar antes de começar, não a assumir durante o trabalho.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este slide diretamente aos blocos 5 e 6 (EPI e normas de segurança), que detalham o último nível. A lei manda dar prioridade à proteção coletiva sobre a individual. - Erro comum: saltar direto para "usar capacete" sem primeiro tentar eliminar ou reduzir o risco. - Pergunta: dar um risco concreto (por exemplo, projeção de fragmentos ao usar o macete) e pedir uma medida de cada nível da tabela.

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer, se possível, exemplos reais de cada EPI para a aula e mostrar o que é um equipamento em mau estado. - Erro comum: ter o EPI disponível mas não o vestir "porque só é um minuto". - Exemplo: cada pancada do martelo pode soltar lascas de rocha e de aço do escopro a grande velocidade; os óculos são indispensáveis sempre que se percute rocha.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à atitude do referencial "responsabilidade pelas suas ações". - Erro comum: usar um capacete com fissuras "porque ainda parece inteiro". Um impacto anterior compromete-o mesmo sem fratura visível. - Exercício: inspecionar em pares o EPI disponível na sala e identificar um problema em cada peça (real ou simulado).

NOTAS DO PROFESSOR - Aplicar a hierarquia de controlo a um caso concreto: a máscara vem no fim, depois da água. - Erro comum: usar máscara de pó simples ou mal ajustada (uma barba impede a vedação). - Lembrar os deveres do trabalhador: usar o EPI fornecido, cumprir as instruções e comunicar avarias e situações de perigo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o "trabalhar a par" como regra, não sugestão, em contexto de afloramento isolado. - Erro comum: não reportar um quase-acidente por receio ou por "não ter sido nada". É precisamente essa informação que evita o acidente seguinte. - Analogia: as normas de segurança são como o cinto de segurança, servem sempre, não só quando "achamos" que vai acontecer algo.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às atitudes do referencial: autonomia (agir bem sem supervisão direta) e sentido de organização (ter tudo preparado antes de sair). - Erro comum: assumir que "vamos estar perto, não é preciso plano de emergência". Zonas rurais e de montanha têm tempos de resposta muito mais longos. - Pergunta: que informação mínima deve constar de um plano do dia antes de sair para o terreno?

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer fotografias de afloramentos reais com dobras e falhas visíveis para a turma identificar. - Erro comum: confundir uma fratura (sem deslocamento) com uma falha (com deslocamento relativo dos dois lados). - Exemplo/analogia: uma falha é como um livro cortado e uma metade deslizada; uma dobra é o mesmo livro flectido sem se cortar.

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar que um esquema de campo simples, à mão, vale mais do que uma descrição só por palavras. - Erro comum: fotografar sem escala nem indicação do norte, o que torna a imagem quase inútil para comparação posterior. - Exercício: com uma fotografia de afloramento, pedir à turma para identificar o tipo de estrutura dominante.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar com uma bússola de geólogo e um caderno inclinado a fazer de plano. - Erro comum: trocar direção e inclinação, ou registar a inclinação sem o sentido do mergulho. - Pergunta: um veio vertical com 1,20 m de largura aparente tem que espessura real? (1,20 m, porque sen 90° = 1).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o princípio da interseção (relações de corte): o que corta é mais recente do que o que é cortado. Não confundir com o princípio da sobreposição, que se aplica à ordem de deposição das camadas. - Erro comum: descrever o afloramento como um conjunto de elementos soltos, sem relacionar uns com os outros. - Analogia: ler um afloramento é como ler as camadas de tinta sobrepostas numa parede, a mais recente está sempre por cima ou a cortar as anteriores.

NOTAS DO PROFESSOR - Este slide antecipa os blocos 13 e 14 (canal e painel); voltar a ele quando se chegar lá. - Erro comum: escolher o método de amostragem antes de perceber a geometria do afloramento, em vez de ser a geometria a determinar o método. - Pergunta: um veio estreito e muito irregular, canal ou painel? (depende, mas geralmente canal, perpendicular ao veio).

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer amostras de mão de cada grupo, se disponíveis, para a turma manusear e comparar textura e dureza. - Erro comum: classificar pela cor apenas. A textura (grão, foliação, cristalização) é o critério mais fiável. - Exemplo: um xisto (metamórfico) confunde-se facilmente com um argilito (sedimentar). O argilito parte pela estratificação e não mostra micas; o xisto parte pela xistosidade, com brilho sedoso de micas.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao critério de "rocha fresca" que vai reaparecer nos blocos de amostragem em canal e painel. - Erro comum: amostrar um bloco solto de tálus a pensar que representa a rocha do afloramento; pode ter rolado de outro local. - Exercício: mostrar fotografias de um afloramento e pedir à turma para apontar onde amostraria e onde não amostraria.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "alteração" não é sinónimo de "má qualidade da amostra"; a alteração hidrotermal é muitas vezes o próprio alvo da prospeção. - Erro comum: descartar uma zona alterada por parecer "degradada", quando pode ser exatamente onde está a mineralização. - Exemplo: rochas com coloração avermelhada (óxidos de ferro) ou esverdeada (minerais de alteração) chamam a atenção do prospetor treinado.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma para distinguir, com amostras de mão, rocha fresca de rocha alterada do mesmo tipo litológico. - Erro comum: descrever "alterado" sem qualificar o tipo nem a intensidade, o que torna o registo pouco útil. - Pergunta: porque é que a alteração se concentra perto de fraturas e contactos? (são os caminhos preferenciais de circulação de fluidos).

NOTAS DO PROFESSOR - Registar sempre tipo e intensidade: "cloritização forte", não só "alterada". - Fazer a conta do índice com os valores da sebenta: rocha afastada ≈ 42, rocha junto ao contacto = 87,5. - Avisar: um chapéu de ferro (alteração supergénica) não tem o teor da rocha fresca; os metais móveis foram lixiviados.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar diretamente ao Bloco 4 (riscos): um maciço muito fraturado é também um maciço de maior risco de queda de blocos. - Erro comum: avaliar a resistência só "à vista", sem testar com o martelo de geólogo (som e marca deixada). - Exemplo: bater com o martelo de geólogo e comparar o som "seco" de uma rocha sã com o som "surdo" de uma rocha muito alterada ou fraturada.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o compromisso entre facilidade de recolha e integridade da amostra até chegar ao laboratório. - Erro comum: escolher o ponto de amostragem mais fácil de partir, ignorando se representa bem a rocha do afloramento. - Exercício: dadas duas descrições de rocha (uma dura e coerente, outra fraturada e friável), pedir à turma para prever dificuldades de cada uma.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que a escala de Mohs é para minerais (unha ≈ 2,5; canivete e vidro ≈ 5,5; quartzo 7), não para rochas. - Erro comum: medir a fraturação "por área" sem método. Mede-se ao longo de uma linha com fita métrica. - Exercício: medir espaçamentos numa fotografia de talude com escala e classificar F1 a F5.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que estas propriedades físicas são complementares, não substitutas, da análise química laboratorial. - Erro comum: confiar só na cor para classificar uma formação; a cor pode enganar por causa de alteração superficial. - Exemplo: mostrar como um íman de bolso simples ajuda a distinguir rapidamente rochas com maior ou menor conteúdo em minerais magnéticos.

NOTAS DO PROFESSOR - Distribuir (ou projetar) um modelo simples de ficha de campo e preenchê-lo em conjunto com um exemplo fictício. - Erro comum: registar as propriedades de forma subjetiva ("bonita", "estranha") em vez de critérios objetivos e comparáveis. - Ligar à atitude "sentido de organização" do referencial: um registo consistente é o que torna o trabalho de campo útil depois.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença central: dentro de cada troço recolhe-se TODO o material do sulco, não se escolhe o "melhor" pedaço; mas o veio e a encaixante vão em sacos diferentes. - Erro comum: juntar o canal inteiro numa só amostra. Dilui o teor do veio com encaixante estéril e perde-se a informação de onde está o metal. - Analogia: é como cortar uma fatia de um bolo em camadas e analisar cada camada em separado; a média da fatia calcula-se depois, pesando cada camada pela sua espessura.

NOTAS DO PROFESSOR - Se possível, demonstrar (ou simular) a abertura de um pequeno canal numa amostra de rocha em sala, marcando os troços com giz. - Erro comum: etiquetar as amostras só no final do dia, "de memória". A troca de etiquetas invalida todo o resultado laboratorial. - Exercício: dado um esquema de afloramento com um veio inclinado, pedir à turma para desenhar por onde passaria o canal.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer as contas com a turma, produto a produto (comprimento × teor). - Se as densidades forem muito diferentes, pondera-se por comprimento × densidade. - Pergunta: se o minério estiver no quartzo duro e o canal for aberto à mão, o teor sai por excesso ou por defeito? (por defeito).

NOTAS DO PROFESSOR - Contrapor diretamente ao bloco anterior: canal segue uma linha, painel cobre uma área. - Erro comum: concentrar a recolha só onde a rocha "parece" mais mineralizada dentro do painel, em vez de seguir a grelha regular definida. - Pergunta: para um veio fino e contínuo, canal ou painel? E para uma zona de alteração dispersa numa grande face rochosa?

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar a palavra "sistemático": a grelha regular é o que distingue amostragem em painel de uma recolha ao acaso. - Erro comum: misturar fragmentos de painéis diferentes na mesma amostra composta, perdendo a rastreabilidade. - Exercício: com um retângulo desenhado no quadro, pedir à turma para marcar uma grelha regular de 9 ou 12 pontos de recolha.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro comum: confundir intervalos com nós. Nós = intervalos + 1 em cada direção. - Escolher um espaçamento que divida os lados em partes inteiras; 45 cm num lado de 2 m deixa um bordo mal amostrado. - Sublinhar que a amostra pontual nunca deve ser apresentada como teor.

NOTAS DO PROFESSOR - Montar no quadro uma sequência de 1001 a 1025 com um CRM, um branco e um duplicado, como na sebenta. - Duplicado 2,40 e 2,10 g/t: diferença relativa = 0,30 ÷ 2,25 ≈ 13 %; o critério de aceitação vem do protocolo. - Erro comum: marcar os controlos de forma que o laboratório os reconheça (números fora da série, sacos diferentes).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar um divisor de riffles, se houver, e explicar porque não se tira "uma mão-cheia" do saco (os minerais pesados assentam). - Erro comum: pedir Sn ou W por água-régia e concluir que não há metal. - Pergunta: porque é que o resultado do pXRF sobre a superfície do afloramento não substitui a análise de laboratório?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que esta análise não substitui o laboratório, mas evita enviar amostras claramente comprometidas. - Erro comum: assumir que "se foi recolhida, está bem" sem rever criticamente o registo de campo. - Ligar às atitudes do referencial: sentido crítico e sentido analítico aplicam-se diretamente a este momento do trabalho.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar explicitamente à atitude "respeito pelos princípios da sustentabilidade" do referencial. - Erro comum: negligenciar a reposição do terreno, tratando-a como um detalhe sem importância. - Anunciar as fichas e o mini-projecto: aplicar todo este processo, do planeamento à amostragem, a um caso concreto.