UC01782

Executar circuitos de terra e de proteção contra descargas atmosféricas

Regimes de neutro, elétrodos e condutores de terra, proteção em quadros, SPCDA, descarregadores de sobretensões e ensaios

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Instalações Elétricas

Plano

  1. Perigos da corrente e tipos de contacto
  2. Esquemas e simbologia
  3. Terra de serviço e de proteção
  4. Regimes de neutro: TT
  5. Regimes de neutro: TN e IT
  6. Elétrodos de terra
  7. Condutores de terra, de proteção e equipotenciais
  8. O quadro elétrico e os circuitos de proteção
  9. Descargas atmosféricas: fenómeno e risco
  10. Proteção externa: captores e descidas
  11. Descarregadores de sobretensões
  12. Proteção de estruturas especiais
  13. Instrumentos, testes e verificação
  14. Segurança, EPI e procedimento

Bloco 1 · Perigos da corrente e tipos de contacto

Porque se liga à terra

A corrente que atravessa o corpo é da ordem dos miliamperes e depende da tensão, da resistência do percurso e do tempo: I = U / R.

  • Perceção, contração muscular, fibrilhação ventricular, queimaduras.
  • A proteção das pessoas atua a 30 mA, muito abaixo dos amperes de um disjuntor.
  • A ligação à terra dá à corrente de defeito um caminho seguro e faz disparar a proteção.
  • Pele molhada e locais húmidos baixam a resistência e aumentam o perigo.

Contacto direto e contacto indireto

Tipo Contacto com Exemplo
Direto parte ativa (normalmente em tensão) condutor desisolado
Indireto massa posta em tensão por defeito carcaça de uma máquina
  • Massa: parte condutora acessível, normalmente sem tensão.
  • Parte condutora estranha: elemento metálico que não é da instalação (tubagem de água).
  • Cada tipo tem a sua família de medidas de proteção.

Medidas de proteção

Contra contactos diretos: isolamento, barreiras e invólucros (grau IP), obstáculos e afastamento, diferencial de 30 mA como proteção suplementar, muito baixa tensão de segurança (SELV).

Contra contactos indiretos: corte automático da alimentação, que exige três coisas em conjunto:

  1. ligação das massas à terra por condutores de proteção;
  2. equipotencialidade;
  3. dispositivo (disjuntor, diferencial, fusível) que corta a tempo.

Outras: equipamento de classe II, separação elétrica.

Bloco 2 · Esquemas e simbologia

Tipos de esquemas

Esquema Mostra Uso
Unifilar cada circuito num traço quadro, proteção, secções
Multifilar todos os condutores ligação de cada aparelho
De blocos blocos funcionais princípio de funcionamento
Potência circuito de força motores, contactores
Comando circuito auxiliar botões, bobinas
Sinalização lâmpadas e sinais estado e alarmes

Símbolos e cores

  • Terra: três traços horizontais decrescentes; PE em verde-amarelo.
  • Neutro azul claro; fases castanho, preto e cinzento.
  • Diferencial com toroide, disjuntor com disparo, DPS com varistor ou espaçador para a terra.
  • Verde-amarelo nunca serve para outra função.

Ao ler um esquema pergunta sempre: de onde vem a terra, onde estão os diferenciais, qual é o regime anunciado?

Bloco 3 · Terra de serviço e de proteção

Terra de serviço e terra de proteção

Função Objetivo Exemplo
Serviço ligar um ponto do circuito ativo à terra neutro do transformador
Proteção ligar as massas à terra carcaça de uma máquina
  • A terra é um condutor enorme de resistência baixa, mas não nula.
  • Em torno de um elétrodo forma-se uma bacia de potencial: nasce a tensão de passo e a tensão de contacto.

Os elementos da instalação de terra

  1. Elétrodo de terra dispersa a corrente no solo.
  2. Condutor de terra liga o elétrodo ao terminal principal.
  3. Terminal principal de terra reúne todos os condutores.
  4. Condutores de proteção (PE) ligam as massas.
  5. Ligação equipotencial principal liga as partes estranhas à entrada.
  6. Ligação equipotencial suplementar onde for exigida.

A tubagem de gás e a canalização de água pública ligam-se à equipotencialidade, mas nunca servem de elétrodo.

Bloco 4 · Regimes de neutro: TT

Ler a designação TT, TN, IT

  • 1.ª letra: a fonte. T = neutro ligado à terra; I = fonte isolada ou por impedância.
  • 2.ª letra: as massas. T = terra própria; N = ligadas ao neutro da fonte pelo condutor de proteção.
  • Letras seguintes (TN): S = neutro e proteção separados; C = combinados (PEN).

Resultado: TT, TN-S, TN-C, TN-C-S e IT.

O regime TT

Neutro do distribuidor à terra; massas do cliente a um elétrodo próprio, independente.

  • Regime típico de habitações, pequeno comércio e serviços ligados à rede pública.
  • O circuito de defeito inclui duas resistências de terra (R_A e R_B): corrente limitada, de poucos amperes.
  • Insuficiente para um disjuntor, suficiente para o diferencial.

Condição de proteção: R_A × I_Δn ≤ U_L (U_L = 50 V em condições normais).

TT: resistência de terra máxima

I_Δn R_A máxima = 50 / I_Δn
30 mA cerca de 1667 ohm
100 mA 500 ohm
300 mA cerca de 167 ohm
500 mA 100 ohm
  • Não se projeta a terra para o limite: a resistência varia com a estação.
  • Uma terra baixa também ajuda nas sobretensões e nos descarregadores.
  • Diferencial tipo S à cabeça e 30 mA nos circuitos finais dão seletividade.

Bloco 5 · Regimes de neutro: TN e IT

O regime TN

Massas ligadas ao neutro da fonte pelo condutor de proteção: a corrente de defeito volta por um percurso metálico e é elevada.

Variante Neutro e proteção
TN-S separados em toda a instalação
TN-C combinados (PEN) em toda a instalação
TN-C-S PEN a montante, separados a jusante

Depois do ponto de separação, N e PE nunca se voltam a ligar.

TN: condição de proteção

Z_s × I_a ≤ U_0, com U_0 = 230 V.

Curva Disparo magnético I_a a usar
B 3 a 5 I_n 5 I_n
C 5 a 10 I_n 10 I_n
D 10 a 20 I_n 20 I_n

Exemplo: C16 e Z_s = 0,85 ohm. I_a = 160 A; I_d = 230 / 0,85 = 270,6 A. Verifica-se. Z_s máxima = 230 / 160 = 1,4375 ohm.

O tempo máximo de corte vem da tabela das RTIEBT na redação em vigor. Sem a ficha técnica usa-se o limite superior da banda (20 I_n na curva D). Nalguns fabricantes a curva D termina mais cedo, por exemplo em 14 I_n: confirmar na ficha técnica e nunca adotar um valor mais baixo sem ela.

O regime IT

Fonte isolada da terra (ou por impedância), massas à terra: o objetivo é a continuidade de serviço.

  • Primeiro defeito: corrente muito baixa, sem corte, mas com alarme do controlador permanente de isolamento (CPI).
  • Segundo defeito: comporta-se como TN ou como TT, e a proteção tem de cortar.
  • Usos: blocos operatórios, processos contínuos, instalações de segurança.

Primeiro defeito: R_A × I_d ≤ U_L. Ex. (linha de produção em IT): 15 ohm × 0,4 A = 6 V.

Comparar e escolher o regime

TT TN IT
Neutro da fonte à terra à terra isolado
Massas terra própria ao neutro (PE) terra própria
Proteção principal diferencial disjuntor CPI
Continuidade corte no 1.º defeito corte no 1.º defeito mantém-se
  • Rede pública de baixa tensão: normalmente TT, imposto pelo distribuidor.
  • Posto de transformação próprio: o projetista pode escolher TT, TN ou IT.
  • O instalador segue o projeto, mas tem de perceber a escolha.

Bloco 6 · Elétrodos de terra

Tipos de elétrodos

Tipo Característica
Estaca vertical, atinge camadas húmidas
Fita ou condutor enterrado horizontal, ideal com a vala aberta
Anel perimetral equilibra potenciais
Malha reduz tensão de passo e de contacto
Fundação ferros da armadura, tem de ser previsto antes do betão
  • Materiais e dimensões mínimas: tabelas da RTIEBT e das normas de componentes na redação em vigor.
  • Atenção ao par galvânico entre metais diferentes.

Dimensionar o elétrodo

A resistência depende da resistividade do solo ρ (Ω·m), que varia em ordens de grandeza.

Elétrodo Expressão aproximada
Estaca vertical R ≈ ρ / L
Condutor horizontal R ≈ 2 ρ / L
n elétrodos afastados R / n, majorado

Exemplo: ρ = 100 ohm·m, estaca de 3 m: 33,3 ohm; duas estacas afastadas de 3 m: cerca de 16,7 ohm no caso ideal. Fita de 20 m: 10 ohm.

O valor definitivo é sempre o medido.

Boa execução do elétrodo

  • Estaca vertical, com acessório de proteção na cabeça.
  • Caixa de visita e junta de ensaio para medir sem desmontar.
  • Fotografar antes de tapar e registar posições e comprimentos.
  • Repor a terra em camadas, sem pedras junto ao elétrodo.
  • Proteger as ligações enterradas contra a humidade e a corrosão.

Bloco 7 · Condutores de terra, de proteção e equipotenciais

Os condutores e as suas funções

Condutor Liga
Terra elétrodo ao terminal principal
Proteção (PE) massas ao terminal principal
Equipotencial principal partes estranhas ao terminal principal
Equipotencial suplementar massas e partes simultaneamente acessíveis
PEN neutro e proteção num só (TN-C)
  • Verde-amarelo em todo o percurso.
  • Nenhum aparelho de corte no condutor de proteção.

Determinar a secção do condutor de proteção

  1. Método da tabela: secção do PE em função da secção das fases (condutor de proteção do mesmo material que as fases), pela tabela das RTIEBT na redação em vigor.
  2. Método de cálculo: S ≥ √(I² t) / k, com I² t do dispositivo e k do material e isolamento.

Exemplo: I² t = 50 000 A²s e k = 143 (dado do enunciado): √50 000 = 223,6; S ≥ 223,6 / 143 = 1,56 mm²; normalizada seguinte 2,5 mm².

Os dois métodos são alternativos e ambos respeitam o mínimo mecânico. Nos exercícios, por prudência didática, compara-se o cálculo com a tabela e o mínimo mecânico e adota-se a maior.

Ligações equipotenciais na prática

  • Abraçadeiras próprias para tubagem, nunca soldar a tubagem.
  • Etiqueta Não desligar.
  • Ligar antes de válvulas, contadores ou juntas isolantes.
  • Proteger o condutor contra dano mecânico.
  • Secção pelas regras das RTIEBT, em função do maior condutor de proteção.

Bloco 8 · O quadro elétrico e os circuitos de proteção

Características e componentes do quadro

Característica Exemplo
Corrente estipulada 63 A, 100 A
Grau IP / IK IP2X interior, IP55 exterior
Invólucro metálico (ligar ao PE) ou classe II
Reserva módulos livres

Componentes: pente e barramentos, barra de terra, disjuntor geral e parciais, seccionador, diferencial, contactor, relé térmico, sinalizadores, transformadores e fontes, DPS.

Tipos de diferencial

Tipo Deteta
AC defeitos alternados sinusoidais
A AC e pulsantes contínuos
F A mais frequências mistas
B todas, incluindo contínuas lisas
S seletivo, com temporização
  • O tipo escolhe-se pelo equipamento ligado a jusante, segundo o fabricante.
  • S à cabeça, 30 mA nos circuitos finais: só o circuito com defeito fica sem energia.

Circuitos de iluminação, tomadas, sinalização e alarme

  • Iluminação: disjuntor de baixa corrente, PE nas luminárias de classe I.
  • Tomadas: diferencial de 30 mA nas condições das RTIEBT; PE sempre ligado.
  • Sinalização e alarme: muito baixa tensão por transformador ou fonte; bateria de apoio; cablagem separada da potência.
  • Utilizações especiais: banhos, piscinas, estaleiros, carregadores de veículos, motores com variador: regras da secção específica.

Regra do circuito: I_b ≤ I_n ≤ I_z.

Montagem de dispositivos de proteção em quadros

  1. Ler o esquema e confirmar o material.
  2. Garantir a ausência de tensão.
  3. Geral, depois diferencial, depois parciais.
  4. Ligar o pente e os cabos com ponteiras e binário correto.
  5. Ligar a barra de terra à massa do quadro e ao condutor de terra.
  6. Montar os DPS com ligação mais curta.
  7. Etiquetar e atualizar o esquema.
  8. Testar antes de energizar.

Um aperto mal dado aquece, falha e pode iniciar um incêndio.

Bloco 9 · Descargas atmosféricas: fenómeno e risco

Fontes de dano e análise de risco

Fonte Ponto de impacto
S1 na estrutura
S2 perto da estrutura
S3 numa linha que entra
S4 perto de uma linha
  • A necessidade e o nível de proteção (I a IV) vêm da avaliação de risco (EN 62305-2).
  • Nível I é o mais exigente, IV o menos.
  • O executor lê os resultados e executa o nível pedido.

Zonas de proteção contra raios (LPZ)

Zona Descrição
LPZ 0A exterior, impacto direto possível
LPZ 0B exterior, protegido de impacto direto
LPZ 1 interior, correntes limitadas à entrada
LPZ 2 e seguintes interior, mais protegidas

À fronteira de cada zona, todas as linhas (energia, dados, tubagens) ligam-se à equipotencialidade, diretamente ou por descarregadores.

Bloco 10 · Proteção externa: captores e descidas

O SPCDA e os captores

O SPCDA tem proteção externa (captores, descidas, terra) e proteção interna (equipotencialização, DPS).

Captores: hastes, fio ou fita, malha, cabos tensionados e elementos naturais da estrutura.

Métodos de posicionamento: esfera rolante, ângulo de proteção e malha, que se podem combinar.

Parâmetros por nível de proteção

Nível Esfera rolante R Malha Entre descidas
I 20 m 5 × 5 m 10 m
II 30 m 10 × 10 m 10 m
III 45 m 15 × 15 m 15 m
IV 60 m 20 × 20 m 20 m

Valores de referência da EN 62305-3: confirmar sempre a versão em vigor e o projeto.

Esfera rolante: raio protegido

r_p = √( h (2R - h) ) ao nível do solo.

r_x = √( h (2R - h) ) - √( h_x (2R - h_x) ) a uma altura h_x.

Mastro de 10 m, nível III (R = 45 m): r_p = √800 = 28,28 m; a 4 m de altura, r_x = 28,28 - 18,55 = 9,73 m.

Nível II (R = 30 m): r_p = √500 = 22,36 m. Mais exigência, menos área por captor.

Malha numa cobertura plana

Cobertura de 30 × 18 m, nível III (malha máx. 15 × 15 m).

  • Direção de 30 m: 2 troços de 15 m, 3 linhas.
  • Direção de 18 m: 2 troços de 9 m, 3 linhas.
  • 3 linhas de 30 m + 3 linhas de 18 m = 90 + 54 = 144 m de condutor.
  • Células de 9 × 15 m: cumprem.

Fixar sem comprometer a impermeabilização e ligar as massas salientes.

Condutores de descida

  • Em regra, pelo menos duas descidas, distribuídas pelo perímetro.
  • Percurso curto e retilíneo, sem laços nem curvas apertadas.
  • Junta de ensaio em cada descida.
  • Proteção mecânica perto do solo.
  • Elementos naturais (pilares de betão armado, fachadas metálicas) se a continuidade for verificada.

Exemplo: perímetro 96 m. Nível III: 96 / 15 = 6,4, logo 7 descidas. Nível II: 96 / 10 = 9,6, logo 10 descidas.

Sistema de terra do SPCDA

Arranjo Descrição
Tipo A elétrodos ligados a cada descida
Tipo B anel exterior ou elétrodo de fundação
  • Um sistema de terra único e equipotencializado para todos os fins.
  • Separar as terras cria diferenças de potencial perigosas durante um raio.
  • Ligar o anel aos ferros de fundação e às descidas; caixa de visita e junta de ensaio.
  • Em solos resistivos, aumentar comprimento em vez de perseguir um valor.

Distância de separação e equipotencialização

s = k_i × (k_c / k_m) × l

  • k_i: nível I = 0,08; II = 0,06; III e IV = 0,04.
  • k_m: ar = 1; betão ou tijolo = 0,5.
  • k_c: lido na norma, consoante a configuração; 1 para descida única.

Exemplo: nível III, k_c = 1, l = 12 m: no ar s = 0,48 m; em betão s = 0,96 m. Conduta a 0,30 m: afastar ou ligar ao SPCDA.

Bloco 11 · Descarregadores de sobretensões

Para que servem os DPS

Em funcionamento normal comportam-se como circuito aberto; num surto conduzem a corrente para a terra e limitam a tensão.

Origem das sobretensões: descargas atmosféricas, manobras na rede, defeitos.

Categoria Equipamento Suportável (230/400 V)
I eletrónica sensível 1,5 kV
II aparelhos domésticos 2,5 kV
III quadros e aparelhagem fixa 4 kV
IV origem da instalação 6 kV

Tipos e parâmetros

Tipo Ensaio Local
1 10/350 µs (I_imp) origem, com SPCDA exterior ou linha aérea
2 8/20 µs (I_n) quadros de distribuição
3 combinado junto do equipamento, após um Tipo 2

U_c: tensão de funcionamento contínuo. U_p: nível de proteção. I_n, I_imp: correntes de descarga. I_sccr: curto-circuito suportável. Mais a proteção de reserva do fabricante.

Ligações curtas: a regra que decide

U_p,ef = U_p + ΔU, com ΔU estimado em cerca de 1 kV por metro de condutor (ordem de grandeza para um surto 8/20 µs de cerca de 10 kA; não é valor normativo e varia com a corrente).

Equipamento de categoria II (2,5 kV), DPS com U_p = 1,2 kV, considerando ΔU = 1 kV por metro, como atrás:

  • ligações de 0,5 m: 1,2 + 0,5 = 1,7 kV, protege;
  • ligações de 1,5 m: 1,2 + 1,5 = 2,7 kV, não protege.

Ligação em V, cabos o mais curtos possível, à barra principal de terra. O comprimento máximo das ligações fixa-o a norma de seleção e instalação de DPS (RTIEBT, secção 534, na redação em vigor).

Instalar um DPS: roteiro

  1. Regime de neutro, tensão e existência de SPCDA ou linhas aéreas.
  2. Escolher o Tipo.
  3. Verificar U_c e U_p.
  4. Escolher I_n ou I_imp segundo o projeto.
  5. Proteção de reserva do fabricante.
  6. Ligar curto, à barra principal de terra.
  7. DPS em cascata: respeitar a distância ou a indutância de desacoplamento.
  8. Verificar o indicador de estado e incluir na manutenção.

Bloco 12 · Proteção de estruturas especiais

Estruturas especiais

Estrutura Cuidado principal
Risco de explosão ou incêndio análise específica, SPCDA muitas vezes isolado
Muito altas (chaminés, torres, aerogeradores) descidas múltiplas, anéis por andares
Fotovoltaicas equipotencializar suportes, DPS em corrente contínua e alternada
Antenas e telecomunicações DPS em todas as linhas
Muita gente (escolas, hospitais) níveis mais elevados
Património cultural projeto discreto e próprio

O executor segue o projeto específico e nunca improvisa.

Exemplo: cobertura com painéis fotovoltaicos

60 painéis num armazém com SPCDA de nível III.

  1. Painéis dentro da zona protegida? Se não, acrescentar captores com distância de separação.
  2. Ligar a estrutura de suporte à equipotencialização.
  3. DPS no lado de corrente contínua e no de alternada.
  4. Cabos positivo e negativo lado a lado, espira mínima, afastados das descidas.
  5. Medir continuidade e resistência de terra e registar.

Bloco 13 · Instrumentos, testes e verificação

Instrumentos de medida e verificação

Instrumento Mede
Detetor de tensão presença ou ausência de tensão
Ohmímetro de baixa resistência continuidade de PE e ligações
Megóhmetro resistência de isolamento
Telurímetro resistência de terra
Medidor de impedância de malha Z_s
Testador de diferenciais corrente e tempo de disparo
Pinça amperimétrica corrente e fugas

Instrumentos com calibração válida, categoria de medição adequada ao local.

Continuidade e cablagens

Primeiro o exame visual, depois os ensaios com a instalação sem tensão.

  1. Compensar os cabos de ensaio.
  2. Medir do terminal principal de terra a cada tomada, massa e ligação equipotencial.
  3. Registar.

R = 0,0175 × L / S (cobre, ohm·mm²/m).

PE de 2,5 mm² e 24 m: R = 0,168 Ω. Uma leitura de 1,8 Ω aponta para ligação defeituosa.

Medir a resistência de terra

Queda de potencial (3 pontos): E (elétrodo), C (corrente) e P (potencial), em linha.

  • Abrir a junta de ensaio com a instalação sem tensão (detetor testado antes e depois).
  • P a cerca de 62% da distância E-C (regra prática, válida para solo aproximadamente homogéneo).
  • Repetir com P a 90% e 110%: leituras coerentes, valor fiável.
  • Com trovoada: fechar a junta de ensaio, recolher os cabos e abrigar-se.

E-C = 40 m: P a 24,8 m. Leituras de 28,4 ohm a 90% da posição, 28,0 ohm na posição de 62% e 28,3 ohm a 110%: adota-se a leitura da posição de 62%, 28,0 ohm.

Outros métodos: impedância de malha, pinça de terra.

Testar os dispositivos de proteção

Diferencial: botão de teste (periodicamente) e testador (corrente e tempo de disparo).

Ensaio Esperado
0,5 × I_Δn não dispara
1 × I_Δn dispara dentro do limite
5 × I_Δn dispara rapidamente

Exemplo com limite de 300 ms: 28 ms conforme; 410 ms não conforme, substituir.

TN: medir Z_s. TT: medir R_A. IT: testar o CPI. DPS: indicador de estado.

Bloco 14 · Segurança, EPI e procedimento

Trabalhar sem tensão

  1. Seccionar todas as fontes.
  2. Bloquear e sinalizar (cadeado e etiqueta pessoais).
  3. Verificar a ausência de tensão com detetor testado.
  4. Colocar à terra e em curto-circuito, quando necessário.
  5. Proteger as partes vizinhas em tensão.

Só depois se trabalha. A reposição faz-se pela ordem inversa, com aviso a todos.

O EPI é a última barreira, não a primeira.

EPI e cuidados nestes trabalhos

EPI Regra
Capacete com viseira anti-arco verificar prazo e fendas
Luvas isolantes classe de tensão, teste por insuflação, sobreluvas
Calçado isolante sola em bom estado
Óculos ou viseira sempre em manobras em quadros
Arnês e linha de vida trabalho em altura, ancorar sempre
  • Valas: ver redes enterradas antes de escavar.
  • Coberturas: nunca trabalhar com trovoada a aproximar-se.
  • Cabos de ensaio no terreno: sinalizar o risco de tropeço.

Enquadramento e procedimento completo

  • RTIEBT: Portaria n.º 949-A/2006, de 11 de setembro, na redação em vigor.
  • Lei n.º 14/2015, de 16 de fevereiro: acesso e exercício da atividade.
  • EN 62305 e normas de componentes (série EN IEC 62561) para o SPCDA.

Sequência: ler o projeto, planear, segurança, elétrodo e condutor de terra, equipotenciais, quadro, SPCDA, ensaios, corrigir, registar e entregar (relatório, esquema, fotografias).

Manutenção: inspecionar ligações, medir a terra e os diferenciais, verificar DPS depois de tempestades.

Recapitulando

  • Terra e regime de neutro: TT com diferencial, TN com disjuntor e baixa impedância, IT com CPI.
  • Elétrodos e condutores: dimensionar, ligar, equipotencializar e medir.
  • Quadro: montagem, diferenciais coordenados, barra de terra, DPS curtos.
  • SPCDA: nível de proteção, captores, descidas, terra única, distância de separação.
  • Ensaios e segurança: continuidade, isolamento, resistência de terra, diferenciais, sem tensão, EPI e registo.

Próximo: fichas e mini-projeto, executar e verificar uma instalação de terra e de proteção.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pessoa nunca pode ser o caminho de menor resistência - erro comum: achar que só tensões altas são perigosas, 230 V chega - exemplo: 230 V sobre 2300 ohm dá 100 mA, mais de três vezes o limiar de 30 mA

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o indireto só aparece depois de um defeito de isolamento - erro comum: chamar massa a qualquer metal da casa - pergunta: a tubagem de água é massa ou parte condutora estranha?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as três partes do corte automático existem sempre juntas - erro comum: pensar que o diferencial substitui o isolamento e as barreiras - exemplo: um candeeiro de classe II não leva fio de terra, um de classe I leva

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o desenho é a linguagem comum entre projeto, obra e inspeção - erro comum: ler o unifilar como se fosse a ligação física dos fios - exemplo: três traços oblíquos num circuito monofásico: fase, neutro e proteção

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quem faz a manutenção depois confia nas cores - erro comum: usar um condutor verde-amarelo como fase de retorno - pergunta: que circuitos ficam atrás do diferencial no unifilar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: duas funções, dois nomes, duas finalidades - erro comum: confundir terra de serviço com terra de proteção - analogia: a bacia de potencial é como as ondas em redor de uma pedra na água

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tudo converge no terminal principal de terra - erro comum: usar a tubagem de gás ou de água pública como elétrodo - exemplo: a ligação equipotencial principal tem etiqueta Não desligar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: conhecer as letras permite decifrar qualquer designação - erro comum: ler o N de TN como neutro da fonte e não como ligação das massas ao neutro - exemplo: TN-C-S tem PEN a montante e N e PE separados a jusante

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: no TT o diferencial é indispensável - erro comum: dizer que uma boa terra dispensa o diferencial - exemplo: R_A = 45 ohm e R_B = 10 ohm dão 4,18 A e 188 V na massa sem diferencial

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calcula-se o limite mas procura-se um valor bem inferior - erro comum: aceitar o valor medido no verão sem margem para o inverno ou a seca - exemplo: 28 ohm com 30 mA dá 0,84 V de tensão de contacto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a regra do TN-C-S, separa-se uma só vez - erro comum: ligar a barra de neutro à barra de terra a jusante - pergunta: porque não se usa diferencial a jusante de um PEN?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: usa-se o limite superior da banda magnética - erro comum: usar a corrente nominal em vez da de disparo - exemplo: Z_s = 1,60 ohm dá 143,75 A, abaixo de 160 A, não cumpre com C16

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o IT não corta ao primeiro defeito, avisa - erro comum: ignorar o alarme do CPI e esperar o segundo defeito - exemplo: um bloco operatório não pode ficar às escuras por um defeito simples

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o regime é imposto na rede pública, escolhido só com posto próprio - erro comum: usar a mesma solução de terra em qualquer regime - exemplo: moradia em TT, fábrica com posto próprio em TN-S ou IT

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o elétrodo de fundação decide-se antes de betonar - erro comum: misturar cobre com aço galvanizado enterrado - exemplo: aproveitar a vala dos cabos para enterrar a fita

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as fórmulas servem para planear, o telurímetro serve para confirmar - erro comum: juntar estacas demasiado próximas - analogia: duas pessoas no mesmo corredor ocupam o mesmo espaço e não se somam

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem junta de ensaio, medir torna-se um problema - erro comum: tapar a vala sem fotografias - exemplo: a caixa de visita mostra onde está o elétrodo vinte anos depois

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada condutor tem nome, função e regras próprias - erro comum: interromper o PE num interruptor ou fusível - exemplo: o PE de um cabo flexível é o último a ficar em tração

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: na norma os métodos são alternativos; nos exercícios compara-se tudo e escolhe-se o mais exigente - erro comum: parar no cálculo sem ver a tabela e o mínimo mecânico - pergunta: de onde vem o valor de k num problema real?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a equipotencial garante que tudo à entrada fica ao mesmo potencial - erro comum: ligar depois de um contador ou junta isolante - exemplo: tubagem de água metálica entra no edifício e liga ao terminal principal

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o quadro concentra a terra, a proteção e os DPS - erro comum: esquecer de ligar o invólucro metálico ao PE - exemplo: 13,8 kVA a 230 V dá 60 A, geral de 63 A

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o tipo de diferencial depende do que está a jusante - erro comum: usar tipo AC com variadores ou carregadores - exemplo: defeito de 100 mA numa tomada dispara o 30 mA, não o 300 mA tipo S

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um circuito, uma proteção, um PE até ao último ponto - erro comum: tomada com o terminal de terra por ligar - exemplo: máquina de lavar de 2,3 kW: 10 A de serviço, disjuntor 16 A e diferencial 30 mA

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: montar bem vale tanto como escolher bem - erro comum: dois condutores de secções muito diferentes no mesmo borne - exemplo: chave dinamométrica com o binário do fabricante

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o dano não vem só do impacto direto, vem da indução também - erro comum: achar que sem impacto direto não há risco para os equipamentos - exemplo: raio num poste a 200 m queima o router de um escritório

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: é a fronteira da zona que organiza a proteção interna - erro comum: proteger só a linha de energia e esquecer dados e antenas - analogia: a LPZ é como as portas de uma eclusa, cada uma baixa o nível

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: externa e interna são complementares - erro comum: instalar só a ponta de captação e esquecer o resto - exemplo: cobertura plana, malha; cumeeira, fita ao longo da cumeeira

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quanto mais exigente o nível, mais captores e mais descidas - erro comum: aplicar a malha do nível III num projeto de nível II - pergunta: porque é que a esfera rolante é menor no nível I?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a esfera toca o captor e o solo, daí a geometria - erro comum: usar a expressão com h maior do que R - exemplo: no nível II são precisos mais mastros para cobrir o mesmo telhado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: calcula-se o número de troços e depois as linhas, que são sempre troços mais um - erro comum: contar troços em vez de linhas - exemplo: telha, painel e membrana pedem fixações diferentes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mais caminhos, menos corrente em cada um - erro comum: arredondar por defeito o número de descidas - exemplo: 7 descidas dão 13,7 m entre elas, abaixo dos 15 m

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: terra única e equipotencializada - erro comum: manter uma terra do SPCDA separada da terra da instalação elétrica - exemplo: o anel Tipo B liga-se aos ferros da fundação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ou se afasta, ou se liga - erro comum: ligar linhas ativas diretamente à equipotencialidade, em vez de usar DPS - exemplo: tubagem de água liga-se direta, condutores de energia por DPS

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o DPS só vale se U_p estiver abaixo da tensão suportável do equipamento - erro comum: ignorar a categoria do equipamento - analogia: o DPS é uma válvula de alívio de uma panela de pressão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: Tipo 1 é para raio, Tipo 2 para surtos de rede, Tipo 3 para o equipamento - erro comum: pôr um Tipo 3 sozinho, sem Tipo 2 a montante - exemplo: armazém com SPCDA: Tipo 1 no geral e Tipo 2 no quadro de comando

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um DPS excelente com cabos longos é pior do que um médio com cabos curtos - erro comum: deixar rabos de cabo enrolados no quadro - exemplo: medir o cabo e cortar o excesso

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o DPS envelhece a cada surto, por isso tem indicador - erro comum: não verificar o indicador depois de uma tempestade - exemplo: janela verde operacional, vermelha a substituir

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nestes casos a decisão é do projeto, a execução é do instalador - erro comum: aplicar a solução de moradia a uma estrutura especial - exemplo: em atmosfera explosiva, qualquer ligação que possa produzir faísca obriga a rever o projeto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: espira de área mínima reduz a indução - erro comum: passar a cablagem junto a uma descida - exemplo: o DPS de corrente contínua fica junto ao inversor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: testar o detetor de tensão antes e depois - erro comum: usar um instrumento fora de calibração - exemplo: categoria III ou IV para quadros e origem de instalação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma ligação que faz contacto não é uma ligação que aguenta corrente - erro comum: esquecer de compensar os cabos de ensaio - exemplo: oxidação ou aperto fraco num borne pode multiplicar a resistência de um PE por dez ou mais

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: três leituras coerentes validam o método - erro comum: aceitar a primeira leitura - exemplo: medição em tempo húmido pede margem para a seca

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o que não dispara no teste não protege - erro comum: ligar um diferencial que não dispara no botão de teste - exemplo: relatório com tempos de disparo registados

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: eliminar o risco antes de proteger o trabalhador - erro comum: confiar no interruptor sem verificar a ausência de tensão - exemplo: cadeado pessoal que só o dono abre

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: tempestade a aproximar-se obriga a interromper e descer - erro comum: cravar a estaca sem confirmar os cabos enterrados - exemplo: luvas insufladas para detetar furos antes de usar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o que não está registado não foi feito - erro comum: dar a obra por concluída sem ensaios - exemplo: dossiê da instalação com relatório de ensaios e fotografias do elétrodo