UC01731

Implementar os procedimentos da cadeia de abastecimento

Aprovisionamento, stocks, logística, economato, mapeamento de processos e avaliação

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Gestão e Administração

Plano

  1. Gestão da cadeia de abastecimento e intervenientes
  2. Aprovisionamento, encomendas, compras e receção
  3. Gestão de stocks e inventário
  4. Códigos de barras e software de gestão de stocks
  5. Processos logísticos: transporte, distribuição, armazenamento
  6. Organização do economato e controlo de inventários
  7. Checklists, formulários, manuais e relatórios
  8. Mapeamento e padronização de processos
  9. Avaliação organizacional: indicadores e reporte
  10. Segurança, ambiente e qualidade

Bloco 1 · A cadeia de abastecimento

O que é a cadeia de abastecimento

Conjunto de organizações, pessoas, atividades, informação e recursos que levam um produto da matéria-prima ao cliente final.

  • Na prática é uma rede: um fornecedor serve vários clientes.
  • Gestão da cadeia (SCM): levar o produto certo, na quantidade certa, ao local certo, no momento certo e ao custo certo.
  • Esta UC situa-se no plano operacional: executar os procedimentos definidos, cumprindo orientações superiores, regulamentos e procedimentos internos.
Plano Horizonte Exemplo
Estratégico anos escolher a rede de armazéns
Tático meses contratos-quadro, políticas de stock
Operacional dias e semanas encomendar, receber, contar, expedir

Os três fluxos: materiais, informação, financeiro

  • Materiais: produtos, embalagens, devoluções (logística inversa).
  • Informação: encomendas, guias, faturas, saldos, estado das entregas. Circula nos dois sentidos.
  • Financeiro: pagamentos e notas de crédito, do cliente para o fornecedor.

O trabalho administrativo é sobretudo tratar o fluxo de informação para que espelhe o fluxo físico.

Prazo de reposição (lead time) = processamento interno + preparação no fornecedor + transporte + receção e arrumação.

Push, pull e efeito chicote

  • Empurrar (push): compra-se com base em previsão e guarda-se à espera de venda.
  • Puxar (pull): só se repõe o que o consumo já provocou. O ponto de encomenda é um mecanismo de puxar.
  • Just in time: stocks mínimos e entregas frequentes; muito sensível a atrasos.
  • Efeito chicote: pequenas oscilações no consumo final ampliam-se a montante, porque cada elo acrescenta uma margem de precaução.

Remédio: partilhar informação de consumo real e reduzir prazos.

Intervenientes e posicionamento

Interveniente Papel
Fornecedor de matérias-primas início da cadeia
Produtor transforma matérias-primas em produto acabado
Importador, distribuidor, grossista zona intermédia
Retalhista e cliente final fim da cadeia
Operador logístico transporte, armazenagem, preparação de encomendas
Transitário e despachante formalidades e transporte internacional

Montante (lado dos fornecedores) e jusante (lado dos clientes): depende sempre de quem olha.

Operadores logísticos: 1PL, 2PL, 3PL, 4PL

Nível Serviço
1PL a própria empresa faz tudo
2PL serviço básico contratado (só transporte)
3PL serviço integrado: armazenagem, picking, embalagem, transporte
4PL gestão e coordenação de vários operadores

Recorre-se a um 3PL para ganhar flexibilidade em épocas altas e evitar investimento em armazéns e frota. Contrato com níveis de serviço: prazos, taxa de erro, horários, responsabilidades.

Bloco 2 · Aprovisionamento, encomendas, compras e receção

Aprovisionamento e seleção de fornecedores

Quatro momentos: seleção de fornecedores, negociação de contratos, compra de materiais, acompanhamento da entrega.

A compra nasce de uma necessidade identificada: saldo abaixo do ponto de encomenda, requisição interna, projeto ou substituição de equipamento.

Critérios: preço, qualidade, prazo, serviço, fiabilidade, localização, sustentabilidade. Avalia-se com uma matriz ponderada (pesos somam 100%, notas de 1 a 5).

Exemplo: matriz de decisão de fornecedores

Pesos: preço 30%, qualidade 30%, prazo 25%, serviço 15%.

Critério Peso A B C
Preço 30% 4 5 3
Qualidade 30% 5 3 4
Prazo 25% 3 4 5
Serviço 15% 4 3 5
  • A = 1,20 + 1,50 + 0,75 + 0,60 = 4,05
  • B = 1,50 + 0,90 + 1,00 + 0,45 = 3,85
  • C = 0,90 + 1,20 + 1,25 + 0,75 = 4,10

Custo total de aquisição, cotação e Incoterms

Custo total = preço dos artigos + transporte + seguro + taxas - descontos.

Exemplo, 500 unidades: A (4,20 €, transporte 30 €, desconto 2%) = 2 088,00 €; B (4,00 €, transporte 120 €) = 2 120,00 €.

Pedido de cotação: mesmo pedido a todos (artigo, especificação, quantidade, prazo, local, pagamento, data de resposta).

Incoterms 2020 (ICC): onze regras que repartem custos, riscos e entrega. Sete para qualquer transporte (EXW, FCA, CPT, CIP, DAP, DPU, DDP) e quatro só para mar e rios (FAS, FOB, CFR, CIF). Não regulam a propriedade nem o preço.

Negociação de contratos

O que se negoceia e fica escrito no contrato ou nas condições gerais de compra:

  • Preço e revisão (fixo ou indexado)
  • Descontos de quantidade e de pronto pagamento
  • Prazos, local e condição de entrega; quantidades mínimas
  • Garantias, defeitos e devoluções
  • Penalizações por atraso e níveis de serviço
  • Pagamento (prazos e modalidades)
  • Duração, renovação e rescisão; confidencialidade

Quem colabora na compra raramente negoceia, mas tem de conhecer o contrato: é ele que dita o que se confere na receção.

Tipos de compra e avaliação dos fornecedores

Tipo Quando se usa Cuidado
Recorrente consumo regular respeitar ponto de encomenda e lote
Pontual necessidade única pedir mais de uma proposta
Contrato-quadro vários pedidos ao mesmo fornecedor verificar preços e validade em cada pedido
Urgente rutura iminente documentar a exceção e o custo extra
Equipamento ativo de vida longa manutenção, garantia, formação

Avaliação periódica do fornecedor: entregas a tempo, entregas completas, reclamações, tempo de resposta. Registar sempre as divergências na receção: são os dados da avaliação.

O ciclo de compra e os seus documentos

Requisição, aprovação, pedido de cotação, nota de encomenda, confirmação, expedição com guia, receção, registo da entrada, fatura, pagamento.

Documento Função
Requisição interna pede o material dentro da empresa
Nota de encomenda compromisso formal de compra
Guia de remessa ou de transporte acompanha a mercadoria
Fatura pede o pagamento
Nota de crédito corrige ou anula valor faturado

Os bens em circulação em território nacional seguem o Regime dos Bens em Circulação (Decreto-Lei n.º 147/2003, na redação em vigor).

Requisitar e emitir a nota de encomenda

A requisição vai para o departamento de compras, se existir. Se não existir, o colaborador emite a nota de encomenda diretamente ao fornecedor.

A nota de encomenda leva:

  • número sequencial e data; fornecedor (nome, NIF, morada)
  • quem compra e local de entrega
  • por linha: referência, descrição, quantidade, unidade, preço, desconto
  • totais, impostos e condições de pagamento
  • data de entrega e condição de entrega
  • assinatura ou aprovação de quem tem competência

Procedimento de receção de mercadoria

  1. Preparar a receção (notas de encomenda abertas, espaço, meios).
  2. Verificar o transporte e registar reservas antes de assinar.
  3. Conferir documentos (guia contra nota de encomenda).
  4. Conferir a mercadoria: volumes, referências, quantidades, lotes e validades.
  5. Inspeção de qualidade.
  6. Aceitar, aceitar com reservas ou recusar.
  7. Registar a entrada no software.
  8. Arrumar nos endereços.
  9. Arquivar e comunicar divergências.

Conferência cega: contar sem ver as quantidades esperadas.

Divergências e a regra dos três documentos

Divergência Ação
Falta registar o contado, assinalar na guia, comunicar
Excesso não dar entrada sem decisão do comprador
Artigo errado recusar ou quarentena
Dano fotografar, reservas, informar
Preço diferente não pagar sem esclarecimento

Regra dos três documentos: só se paga a fatura se nota de encomenda, nota de entrada e fatura estiverem de acordo em artigo, quantidade e preço.

Exemplo: 200 resmas faturadas, 190 recebidas, 3,10 € cada: contestar 31,00 €.

Bloco 3 · Gestão de stocks e inventário

Stock, custos e inventário

Tipos: matérias-primas, produtos em curso, produtos acabados, materiais de consumo, sobressalentes, stock de segurança, stock em trânsito.

Custos: aquisição, encomenda (por pedido) e posse (stock parado). Encomendar pouco e muitas vezes sobe o custo de encomenda; muito e de uma vez sobe o de posse.

  • Inventário permanente: cada movimento registado na hora.
  • Inventário periódico: só se conhece o stock quando se conta.

Valorização: FIFO ou custo médio ponderado, aplicada de forma consistente.

Stock de segurança e ponto de encomenda

SS = (consumo máx × prazo máx) - (consumo médio × prazo médio)

PE = (consumo médio × prazo médio) + SS

Exemplo: consumo médio 8 caixas/dia, máximo 11; prazo médio 5 dias, máximo 7.

  1. Consumo no prazo médio: 8 × 5 = 40
  2. Pior cenário: 11 × 7 = 77
  3. SS = 77 - 40 = 37 caixas
  4. PE = 40 + 37 = 77 caixas

Lote económico (EOQ)

Q* = √(2 × D × S ÷ H)

D = procura anual; S = custo por encomenda; H = custo de posse por unidade e ano.

D = 2 400, S = 30,00 €, H = 1,20 €:

  • Q* = √120 000 ≈ 346 caixas; cerca de 7 encomendas por ano.
  • Custo total ≈ 208,09 + 207,60 = 415,69 €.
  • Lote de 600: 480,00 €. Lote de 200: 480,00 €.

O custo de posse usa o stock médio (Q ÷ 2).

Rotação, cobertura, ABC, FIFO e FEFO

Rotação = custo das saídas ÷ stock médio; cobertura = dias do período ÷ rotação.

Saídas 96 000 €; stock médio (14 000 + 18 000) ÷ 2 = 16 000 € e rotação 6, cobertura 61 dias.

ABC por valor anual: A (cerca de 65% a 80%), B (cerca de 15% a 30%), C (cerca de 5% a 10%). No exemplo, de 22 600 €: 3 artigos em 10 valem 65% (A), três valem 27,4% (B) e quatro valem 7,5% (C).

FIFO: sai o que entrou primeiro. FEFO: sai o que expira primeiro (validades).

Bloco 4 · Instrumentos e software de gestão de stocks

Códigos de barras e identificação

SKU: código interno de cada variante. Um código nunca se reutiliza.

Tipo Uso
EAN-13 produtos de consumo (GS1)
Code 128 / GS1-128 etiquetas internas e logísticas
QR e DataMatrix muita informação em pouco espaço
RFID leitura por rádio, inventários rápidos

SSCC: 18 dígitos que identificam uma palete.

Dígito de controlo EAN-13: pesos 1 e 3 alternados nos 12 dígitos; 560123456789 dá soma 118, controlo 2, código 5601234567892.

Aplicações informáticas de gestão de stocks

ERP (módulo de stocks), WMS (armazém), TMS (transportes).

  • Ficha de artigo, movimentos (entrada, saída, transferência, devolução, ajuste), saldos em tempo real
  • Alertas de mínimo e de ponto de encomenda
  • Inventário, valorização, rastreabilidade por lote
  • Relatórios: rotação, ABC, rupturas

Boas práticas: credenciais pessoais, registo na hora, sem artigos duplicados, correção com rasto e nunca apagar.

Bloco 5 · Processos logísticos

Transporte: modos e escolha

Modo Vantagem Limitação
Rodoviário flexível, porta a porta capacidade, combustível
Ferroviário grandes volumes menos flexível
Marítimo muito barato por tonelada lento
Aéreo muito rápido caro
Multimodal combina modos coordenação

Escolhe-se equilibrando custo, prazo, natureza da carga, volume, distância e fiabilidade.

Paletização e distribuição

Europalete: 1 200 × 800 mm.

Caixas 600 × 400 × 300 mm, altura máxima 1 500 mm com palete de 144 mm:

  • Por camada: 960 000 ÷ 240 000 = 4
  • Camadas: (1 500 - 144) ÷ 300 = 4,52, logo 4
  • Total: 16 caixas

Distribuição: entrega direta, via armazém central, cross-docking, hub e ramais.

14 paletes: grupagem 14 × 38,00 = 532,00 € contra camião dedicado 480,00 €.

Armazenamento, endereçamento e picking

Funções: receber, arrumar, guardar, picking, embalar, expedir.

Zona Para que serve
Receção descarga e conferência
Quarentena produto em dúvida ou não conforme
Armazenagem reserva e picking
Preparação e expedição embalar e carregar
Devoluções produto que regressa

Corredores de circulação sinalizados e desimpedidos.

Endereço único (corredor, estante, nível, posição): 03-B-2-04. Um endereço, um artigo (ou lote).

Regra: pesado em baixo, rotação alta à mão, valor alto controlado.

Picking: por encomenda (uma de cada vez), por lote (um artigo para várias encomendas) ou por zona (cada operador a sua).

Bloco 6 · Economato e controlo de inventários

Organizar o economato

  1. Um lugar para cada coisa, com etiqueta.
  2. Agrupar por família e rotação.
  3. FIFO e FEFO: o mais antigo à frente.
  4. Pesados em baixo; químicos separados.
  5. Corredores livres e acesso seguro.
  6. Acesso controlado: toda a saída contra requisição.

Mínimo e máximo: saldo 3 (mínimo), máximo 10: encomendar 7; mas se já há 7 em trânsito, não se encomenda de novo.

Requisições, ficha de stock e cartão de prateleira

Toda a saída é contra requisição: data, serviço, artigo, quantidade pedida e fornecida, assinatura de quem recebe. Lançada no sistema, desce o saldo e imputa o custo ao serviço.

Instrumento O que regista
Ficha de stock (kardex) data, documento, entrada, saída, saldo
Cartão de prateleira referência, mínimo, máximo, junto à arrumação

Estado de conservação e substituição de equipamentos

Ronda periódica com lista de verificação:

Item O que verificar
Equipamento funciona? ruídos, falhas, fios danificados
Material desgaste, quebras, falta de peças
Segurança escadas, extintores, sinalização, proteções
Identificação inventário e etiqueta de cada bem

Resultado: bom, a reparar ou a substituir.

Substituir quando há avarias frequentes, perigo, obsolescência ou inadequação; comparar o custo anual das reparações com o do equipamento novo.

Impressora: 4 reparações × 85,00 € = 340,00 € por ano; nova 420,00 € ÷ 5 anos = 84,00 € por ano. Propor substituição.

Equipamento eletrónico velho: recolha própria, nunca no lixo comum.

Inventário físico: técnicas e procedimento

Técnica Característica
Geral tudo numa data; para a atividade
Cíclica partes ao longo do ano
Por classe ABC A mais vezes que C
Dirigida quando há alerta

Procedimento: preparar, contar (cego, duas contagens), comparar, investigar, ajustar com aprovação, relatar, arquivar.

Exatidão = artigos corretos ÷ artigos contados × 100: 470 ÷ 500 = 94%.

Controlar os stocks: digital e físico

Controlar é cruzar o digital (o que devia haver: saldos e movimentos) com o físico (o que há: armazém, guias, requisições, folhas de contagem).

Frequência diária, semanal ou mensal, conforme o valor e a rotação: rotação alta e valor alto verificam-se mais vezes.

Artigo Verificação
Valor alto, rotação alta diária ou semanal
Valor médio mensal
Valor baixo, rotação baixa mais espaçada, por exemplo anual

Procedimentos gerais, internos e arquivo

Gerais: boas práticas de qualquer armazém (conferir ao receber, registar na hora, arrumar no endereço, FIFO).

Internos: regras da organização (quem aprova compras acima de certo valor, horário da receção, tratamento de devoluções, quem pode ajustar inventários). Cumprem-se; se um não funciona, propõe-se melhoria.

Arquivo: guias, faturas, notas de encomenda e folhas de contagem, por tipo, ano e número; acesso restrito; cópias de segurança; eliminação só no fim do prazo que a legislação fiscal e comercial exige, na redação em vigor.

Bloco 7 · Informação, processos e avaliação

Selecionar e organizar a informação de suporte

Antes de cada tarefa, reunir a informação certa:

Tarefa Informação a ter pronta
Receber mercadoria notas de encomenda abertas, contactos do fornecedor, locais de arrumação, procedimento de receção
Fazer uma encomenda saldos, pontos de encomenda, preços e prazos acordados, orçamento, fornecedores aprovados
Fazer um inventário listagem por local, folhas de contagem, movimentos pendentes
Preparar uma expedição pedidos, endereços, meios de transporte, condições de entrega
Reportar dados do período, indicadores, desvios e causas

Informação correta, atual, completa, consistente e acessível; um local único com a versão válida.

Checklists, formulários, manuais e relatórios

Checklist: preencher no momento; resposta clara (conforme, não conforme, não aplicável); data, hora, responsável; arquivar. Item não conforme: escrever o que se viu e a ação tomada.

Formulários padronizados: requisição, nota de devolução, ficha de não conformidade, folha de contagem, relatório de ocorrência. Um modelo único, com número, campos pela ordem de preenchimento e quem preenche e aprova.

Manual de procedimentos: objetivo, âmbito, responsáveis, passos, documentos, indicadores, versão (data e revisão).

Relatório: cabeçalho, resumo, indicadores (valor atual, anterior e meta), ocorrências, causas, propostas. Factos separados de interpretações.

Mapear processos: fluxograma e SIPOC

Mapear é desenhar o processo passo a passo, como acontece: início e fim, atividades, decisões, documentos, responsáveis e sistemas.

Fluxograma: oval (início e fim), retângulo (atividade), losango (decisão), setas.

Receção: transportador chega, estado exterior, guia contra encomenda, decisão: existe encomenda? contagem, decisão: há divergências? registo, arrumação, arquivo.

SIPOC de "Repor o economato": fornecedores (material de escritório), entradas (saldos, requisições), processo (verificar, encomendar, receber, arrumar), saídas (material disponível, relatório de rupturas), clientes (serviços internos).

Outros mapas: pistas (quem faz), BPMN, fluxo de valor, diagrama de espaguete.

Desperdícios: esperas, deslocações, excesso de stock, retrabalho, excesso de documentos, defeitos, informação em falta.

Padronizar e melhorar

Instrumentos: procedimento, instrução de trabalho, modelo de documento, checklist.

Padronização dos processos de registo: códigos fixos, datas num só formato, unidades definidas, tipos de movimento fixos, nomes de ficheiros padronizados.

PDCA: planear, executar, verificar, agir.

RACI: Responsável, Aprova, Consultado, Informado.

Antes 42 minutos por palete, depois 30: ganho de 12 minutos (28,6%), 5 horas por semana com 25 paletes.

Indicadores de desempenho

Indicador Fórmula
Nível de serviço (disponibilidade) pedidos sem falta de stock ÷ totais × 100 (= 100 - rutura)
Taxa de rutura pedidos com falta ÷ totais × 100
OTIF a tempo e completas ÷ totais × 100
Exatidão de inventário corretos ÷ contados × 100
Rotação e cobertura saídas ÷ stock médio; dias do período ÷ rotação

240 linhas pedidas: 200 expedidas, 6 em rutura por falta de stock, 34 em carteira. Das 200 expedidas, 180 no prazo e completas, 12 incompletas, 8 atrasadas, logo OTIF 90%; rutura 6 ÷ 240 = 2,5%, serviço 97,5%.

Análise de causas, reporte e ações

  • Cinco porquês: do sintoma à causa de raiz. Toner a zero: não houve encomenda, o alerta de mínimo não disparou, o mínimo estava a zero, o artigo foi criado sem esse campo. Causa de raiz: campos obrigatórios em falta.
  • Ishikawa: pessoas, métodos, materiais, equipamentos, ambiente, medição.
  • Pareto: ordena as causas da mais à menos frequente; falta de quantidade explica 5 de 8 divergências (62,5%).

Reporte periódico (o mensal) e reporte de exceção (rutura, acidente, falha grave: de imediato). Diz o que aconteceu, a dimensão, a causa e a proposta.

Ação corretiva, preventiva ou de melhoria: responsável, prazo e verificação.

Auditorias internas e externas

Auditoria interna ou externa: verifica se os procedimentos são cumpridos e se são eficazes.

O colaborador:

  • fornece registos
  • mostra como trabalha
  • aplica as ações decididas

Atitude esperada: sentido crítico (apontar o que não está bem) e respeito pelas regras.

Bloco 8 · Segurança, ambiente e qualidade

Segurança e saúde no trabalho na logística

Regime geral: Lei n.º 102/2009, na redação em vigor. Movimentação manual de cargas: Decreto-Lei n.º 330/93.

Risco Medida
Cargas pesadas meios mecânicos, técnica de levantamento, pedir ajuda
Quedas corredores livres, derrames limpos
Atropelamento circuitos separados, só opera empilhador quem tem formação
Queda de objetos pesado em baixo, capacidade respeitada
Incêndio extintores acessíveis, saídas livres

EPI: última barreira. Calçado de segurança, luvas, colete, proteção ocular, capacete.

Emergência e primeiros socorros

Todos devem conhecer:

  • a saída de emergência mais próxima e o ponto de reunião
  • os extintores e o estojo de primeiros socorros
  • o 112 e o procedimento interno de alerta

Comunicar sempre acidentes e quase-acidentes: o quase-acidente permite corrigir o risco antes de alguém se magoar.

Proteção ambiental e qualidade

Reduzir, reutilizar, reciclar e dar o destino certo.

Resíduo Destino
Papel e cartão recolha seletiva
Toners e cartuchos recolha própria
Equipamentos elétricos e eletrónicos operador licenciado
Pilhas pontos específicos
Químicos resíduo perigoso, operador licenciado

Qualidade (ISO 9001): foco no cliente, processos, evidências, melhoria contínua. Não conformidade: isolar, registar, comunicar, decidir, causa, verificar. Rastreabilidade por lote.

Obrigado

UC01731 · Implementar os procedimentos da cadeia de abastecimento

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a força da cadeia é a do elo mais fraco; cada registo bem feito protege o elo seguinte. - erro comum/pergunta: pedir aos alunos que identifiquem os cinco 'certos' numa receção de material de escritório. - exemplo/analogia: uma camisola passa por agricultor, fiação, tecelagem, confeção, armazém e loja antes de chegar ao cliente.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o registo de entrada é a informação a atravessar a porta do armazém ao mesmo tempo que o produto. - erro comum/pergunta: porque é que um prazo de reposição só com o tempo do fornecedor leva a rupturas? - exemplo/analogia: exemplo: prazo de 1 + 2 + 1 + 1 = 5 dias úteis, e não apenas 3.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o efeito chicote nasce de previsões feitas só com as encomendas do elo seguinte. - erro comum/pergunta: o que acontece se a loja encomendar 'um pouco a mais' e o distribuidor também? - exemplo/analogia: cada elo reforça por precaução e o produtor acaba a produzir muito mais do que o mercado consumiu.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: identificar o posicionamento de cada elo e saber de quem a empresa depende. - erro comum/pergunta: confundir primeiro nível (fornece à empresa) com segundo nível (fornece ao fornecedor). - exemplo/analogia: fábrica de mesas: a serração está a montante, o retalhista a jusante.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o contrato de serviços é que dá controlo sobre o que se externaliza. - erro comum/pergunta: quando compensa externalizar apenas o pico de novembro e dezembro? - exemplo/analogia: 20 encomendas por dia o ano todo, 120 no Natal: dimensionar para o pico deixa recursos parados dez meses.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comprar sem necessidade documentada gera stock parado e despesas indevidas. - erro comum/pergunta: antes de comprar, o que se confirma? Stock existente, quantidade razoável, orçamento. - exemplo/analogia: critério eliminatório (certificação exigida) dispensa a matriz para quem não o cumpra.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fornecedor com pior preço pode ser o melhor no conjunto; diferenças pequenas justificam amostra ou visita. - erro comum/pergunta: o mais barato é automaticamente o melhor? Não. - exemplo/analogia: refazer as contas no quadro, linha a linha.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comparar sempre o custo total e escrever a regra e o lugar no contrato. - erro comum/pergunta: comparar só o preço unitário esconde o transporte. - exemplo/analogia: o preço unitário mais baixo (B) saiu 32,00 € mais caro no total.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o contrato é a referência da receção: o prazo e o desconto que lá estão são os que se exigem na entrega e na fatura. - erro comum/pergunta: o que se faz se a fatura não traz o desconto de pronto pagamento que o contrato prevê? Contesta-se antes de pagar. - exemplo/analogia: o contrato é o regulamento de um jogo: sem o ler, não se sabe quando há falta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quem regista as receções tem nas mãos a matéria-prima da avaliação dos fornecedores. - erro comum/pergunta: porque é que uma compra urgente deve ser documentada como exceção e não tornar-se regra? - exemplo/analogia: avaliar um fornecedor é como a pauta de um aluno: só há nota se houver registos ao longo do período.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada passo deixa um documento que serve de prova no passo seguinte. - erro comum/pergunta: quem requisita ao departamento de compras e quem emite a nota de encomenda diretamente? - exemplo/analogia: ciclo como uma corrente: uma ligação em falta e não há prova.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma nota de encomenda bem preenchida elimina metade das divergências na receção. - erro comum/pergunta: emitir a nota de encomenda sem aprovação de quem tem competência, ou sem preço e prazo. - exemplo/analogia: a nota de encomenda é o bilhete da viagem: sem destino, data e preço, ninguém sabe o que foi combinado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: só se dá entrada ao que foi realmente recebido e aceite. - erro comum/pergunta: registar a quantidade da guia em vez da contada. - exemplo/analogia: guia diz 30 caixas, contagem dá 24: a entrada é 24 e faltam 6 a reclamar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o controlo mais simples e eficaz contra erros e fraude. - erro comum/pergunta: pagar por 200 quando entraram 190. - exemplo/analogia: 10 resmas × 3,10 € = 31,00 € pedidos em nota de crédito.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o equilíbrio é stock suficiente para não faltar e não mais do que isso. - erro comum/pergunta: dinheiro parado em armazém também é custo. - exemplo/analogia: FIFO: 100 a 2,00 € e 150 a 2,40 €, saem 120 = 248,00 €; custo médio 2,24 € dá 268,80 €.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o stock de segurança é a reserva ADICIONAL; o consumo no prazo de entrega é outra parcela. - erro comum/pergunta: erro clássico: dizer que o SS são 40 caixas. - exemplo/analogia: cinto de segurança: só se usa quando o consumo ou o prazo fogem ao normal.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: no lote económico os dois custos são aproximadamente iguais. - erro comum/pergunta: usar o lote inteiro em vez de Q ÷ 2 no custo de posse. - exemplo/analogia: ajustar a múltiplos da embalagem do fornecedor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: atenção proporcional ao valor: contagens mais frequentes nos A. - erro comum/pergunta: rotação com stock final em vez de stock médio. - exemplo/analogia: detergente: lote que entrou depois mas caduca primeiro sai primeiro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o dígito de controlo serve para o leitor detetar erros. - erro comum/pergunta: somar sem alternar os pesos 1 e 3. - exemplo/analogia: coletor de dados: inventário de 2 000 artigos deixa de ser trabalho de dias.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada movimento tem tipo, data, artigo, quantidade, local e documento de origem. - erro comum/pergunta: apagar o erro em vez de lançar um movimento de correção. - exemplo/analogia: saída de 12 em vez de 10: entrada de correção de 2 com nota explicativa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: qual o meio mais barato que cumpre o prazo e protege a carga? - erro comum/pergunta: urgência de escritório por avião quando o rodoviário expresso chega. - exemplo/analogia: 3 paletes a 300 km para amanhã: rodoviário; granel intercontinental: marítimo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a quantidade de paletes muda a decisão entre grupagem e camião. - erro comum/pergunta: arredondar camadas para cima. - exemplo/analogia: com 8 paletes a grupagem custa 304,00 € e já compensa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um endereço, um artigo (ou lote). - erro comum/pergunta: arrumar o pesado em cima. - exemplo/analogia: papel A4 no nível 1; agrafos à altura da cintura; cartuchos em prateleira fechada.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a requisição diz quem gasta o quê. - erro comum/pergunta: esquecer o stock em trânsito e duplicar a encomenda. - exemplo/analogia: ficha de stock (kardex): data, documento, entrada, saída, saldo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a requisição responde a quem gasta o quê; a ficha de stock mostra a história de cada artigo. - erro comum/pergunta: entregar material sem requisição e lançar depois de memória, ou nunca. - exemplo/analogia: o kardex é o extrato bancário do artigo: cada linha tem data, documento e saldo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comparar custos anuais, não só o preço de compra. - erro comum/pergunta: reparar sempre 'porque ainda funciona'. - exemplo/analogia: 340,00 ÷ 84,00 dá cerca de 4 vezes mais caro.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: investigar antes de ajustar. - erro comum/pergunta: ajustar o sistema para 'tapar' a diferença. - exemplo/analogia: 120 no sistema, 111 contadas; requisição de 10 por lançar: fica +1 resma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o saldo do sistema é uma afirmação; o armazém é a prova. - erro comum/pergunta: contar com o mesmo rigor um artigo de 0,10 € e um de 90 €? - exemplo/analogia: o médico mede a tensão ao doente grave todos os dias e ao saudável uma vez por ano.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cumprir o procedimento interno e, quando falha, propor a melhoria em vez de o contornar. - erro comum/pergunta: arquivar sem ordem ou deitar fora documentos antes do prazo legal; onde se confirma o prazo? Na legislação em vigor e nas regras internas. - exemplo/analogia: o arquivo é a memória da empresa: uma guia que não se encontra é uma guia que nunca existiu.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: organizar é estruturar para que se encontre depressa e de forma fiável: nomes padronizados, modelos prontos, versão única. - erro comum/pergunta: o mesmo artigo com dois códigos: o que acontece ao saldo? Divide-se e nenhum mostra a verdade. - exemplo/analogia: o cirurgião não procura os instrumentos durante a operação: tudo preparado antes.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: informação correta, atual, completa, consistente e acessível. - erro comum/pergunta: preencher checklists de memória no fim do dia. - exemplo/analogia: 76 de 84 receções conformes dão 90,5%.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: mapear o processo COMO É, não como devia ser. - erro comum/pergunta: desenhar o ideal e ignorar as deslocações reais. - exemplo/analogia: diagrama de espaguete mostra quanto se anda no armazém.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o padrão é o ponto de partida da próxima melhoria. - erro comum/pergunta: padronizar e congelar. - exemplo/analogia: um modelo único de requisição acaba com três canais de pedido.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: registo errado, indicador errado. - erro comum/pergunta: contar como OTIF uma linha a tempo mas incompleta. - exemplo/analogia: fornecedor: 24 de 30 a tempo = 80%, meta 95%, 15 pontos abaixo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem verificação não se sabe se a ação resolveu. - erro comum/pergunta: tratar o sintoma (repor) sem a causa (alerta de mínimo a zero). - exemplo/analogia: exatidão de 94% contra meta de 98%: requisições lançadas na hora e contagem cíclica dos A.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a auditoria avalia o processo, não castiga a pessoa; os registos em dia são a melhor defesa. - erro comum/pergunta: esconder uma falha em vez de a registar; o que muda se a falha estiver registada e com ação associada? - exemplo/analogia: a inspeção periódica do automóvel: não procura culpados, procura o que pode falhar na estrada.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: comunicar acidentes e quase-acidentes sempre. - erro comum/pergunta: subir a estantes com um banco. - exemplo/analogia: estante com pesados no topo: descer a carga e usar escada com plataforma.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: numa emergência não há tempo para procurar; o que não se sabe antes não se faz bem depois. - erro comum/pergunta: caixas de cartão a bloquear a saída de emergência; quem a desimpede e quem comunica? - exemplo/analogia: a saída de um avião: ouve-se a explicação antes de haver problema.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as atitudes do referencial aparecem em gestos: rigor, responsabilidade, cooperação. - erro comum/pergunta: deitar pilhas e toners no lixo comum. - exemplo/analogia: 12 de 200 embalagens com derrame: 188 entram, 12 em quarentena.