UC01248

Preparar e organizar madeiras e derivados

Espécies, propriedades, teor de água, classificação, derivados, cálculo de matérias-primas, qualidade e segurança no trabalho

Curso profissional · 25h · Madeira e Mobiliário (Desenho de Produto · CNC)

Plano

  1. A indústria da madeira e do mobiliário
  2. Espécies de madeira
  3. Propriedades da madeira e teor de água
  4. Classificação e defeitos
  5. Derivados da madeira
  6. Outros materiais do setor
  7. Adesivos e adjuvantes
  8. Produtos de acabamento
  9. Instrumentos de medição e pesagem
  10. Dimensões do produto, medição linear e marcação
  11. Cálculo de matérias-primas
  12. Produtos em bruto e desperdícios
  13. Documentação, armazenamento e qualidade
  14. Segurança e saúde no trabalho
  15. Fecho

Bloco 1 · A indústria da madeira e do mobiliário

Porque preparar e organizar a matéria-prima

Antes de qualquer corte ou maquinação, alguém tem de receber, identificar, medir e preparar a madeira e os derivados que vão entrar em produção. Esta UC prepara-te para esse primeiro posto da cadeia.

  • Contexto de trabalho: indústria da madeira e mobiliário e indústria da carpintaria.
  • Uma preparação mal feita propaga erros a jusante: corte errado, desperdício, peças fora de especificação.
  • É um trabalho de rigor, não de improviso.

Quem prepara bem a matéria-prima poupa tempo e material a toda a linha de produção.

Duas profissões, o mesmo material

No desenho de produto Na produção com CNC
especificas espécie, derivado, norma, tipo e espessura recebes e confirmas o que foi especificado
indicas o sentido do fio na lista de corte respeitas o fio e o veio no nesting
dimensionas a pensar nos formatos dos painéis aproveitas cada chapa e registas retalhos
escolhes ferragens, colas e acabamentos preparas as quantidades para cada ordem de fabrico

Um programa CNC para MDF de 19 mm não serve para uma chapa de 16 mm: o erro nasce na especificação ou na receção, não na máquina.

O percurso da matéria-prima

  1. Encomenda: pedir o material certo, com norma, tipo e espessura.
  2. Receção: conferir a guia de remessa com a encomenda, contar, medir, pesar.
  3. Inspeção: teor de água, defeitos, classe, espessura dos painéis.
  4. Registo: identificar o lote na ficha de produção.
  5. Armazenamento: guardar sem empenar nem ganhar humidade.
  6. Entrega à produção: separar o que cada ordem de fabrico precisa.

Critérios de desempenho: analisar as dimensões segundo as especificações, diminuir não conformidades, cumprir a segurança e saúde no trabalho, calcular as matérias-primas segundo o projeto.

Bloco 2 · Espécies de madeira

O tronco por dentro

  • Casca e câmbio: proteção e camada que produz madeira nova.
  • Borne (alburno): exterior, mais claro, conduz a seiva; pouco durável.
  • Cerne: interior, muitas vezes mais escuro; em espécies como o castanho e o carvalho é mais durável.
  • Medula: centro, frágil e instável.
  • Anéis de crescimento: lenho inicial (claro, poroso) e lenho final (escuro, denso).
  • Raios: da medula para a casca; no carvalho dão os "espelhos" do corte radial.

Resinosas e folhosas

  • Resinosas (coníferas): folhas em agulha ou escama, em geral persistentes (o lariço é exceção). Pinho, abeto, cedro. Madeira sem poros, muitas vezes com resina, geralmente mais leve.
  • Folhosas: folha larga. Carvalho, castanho, faia, eucalipto. Madeira com poros (vasos), geralmente mais densa.

"Macia" e "dura" são termos comerciais, não uma medida: a balsa é uma folhosa muito macia, o teixo é uma resinosa dura.

Espécies usadas em Portugal

Espécie Nome científico Grupo Massa vol. indicativa (12 %)
Pinho bravo Pinus pinaster resinosa 550 a 600 kg/m³
Pinho silvestre ("casquinha") Pinus sylvestris resinosa cerca de 500 kg/m³
Abeto / espruce Abies alba / Picea abies resinosa cerca de 450 kg/m³
Carvalho Quercus robur, Q. petraea folhosa 650 a 750 kg/m³
Castanho Castanea sativa folhosa 550 a 600 kg/m³
Eucalipto Eucalyptus globulus folhosa 750 a 850 kg/m³
Faia Fagus sylvatica folhosa cerca de 700 kg/m³
Freixo, nogueira, cerejeira Fraxinus, Juglans regia, Prunus avium folhosas 600 a 700 kg/m³
Nome comercial Nome científico Uso típico
Sapele Entandrophragma cylindricum mobiliário, portas, folheado
Iroko (câmbala) Milicia excelsa exterior, bancadas
Mogno Swietenia spp. mobiliário nobre; comércio controlado (CITES)
Tola Gossweilerodendron balsamiferum carpintaria de interior
  • Nome comercial não é espécie: a referência segura é o nome científico.
  • A UE exige origem legal (Regulamento (UE) 2023/1115); as certificações FSC e PEFC demonstram gestão florestal responsável.

Escolher a espécie: exemplo

Banco de exterior, à chuva, orçamento moderado.

  1. Exterior: cerne com durabilidade natural (castanho, carvalho, iroko) ou madeira tratada em autoclave.
  2. Orçamento moderado: afasta as espécies mais caras.
  3. Escolha: castanho sem borne, ou pinho bravo tratado se o orçamento apertar.
  4. Consequências: ferragens de aço inoxidável, cola D4 ou poliuretano, acabamento de exterior.

A durabilidade natural de cada espécie está classificada na EN 350.

Bloco 3 · Propriedades da madeira e teor de água

Anisotropia e sentido do fio

A madeira comporta-se de forma diferente em cada direção:

  • Longitudinal (ao longo do fio): muito resistente, quase não mexe com a humidade.
  • Radial (da medula para a casca): retração intermédia.
  • Tangencial (tangente aos anéis): retração cerca do dobro da radial.

Consequência no desenho e na lista de corte: o comprimento das peças maciças segue o fio, e o fio indica-se no desenho e na lista de corte.

Propriedades físicas, mecânicas e químicas

Físicas: massa volúmica (sempre com o teor de água indicado, referência 12 %), teor de água, retração, cor, textura, fio, comportamento térmico e ao fogo.

Mecânicas: flexão, compressão e tração (muito maiores no sentido do fio), corte e fendimento, elasticidade (rigidez), dureza.

Químicas: celulose, hemiceluloses, lenhina e extrativos (resinas, taninos, óleos), que decidem a reação a colas, acabamentos, ferro e luz.

Higroscopia e ponto de saturação das fibras

  • A madeira absorve e liberta água até ficar em equilíbrio com o ar.
  • Água livre (nas cavidades) sai primeiro e não muda as dimensões.
  • Água ligada (nas paredes das células): quando sai, a madeira retrai.
  • Ponto de saturação das fibras (PSF): cerca de 25 a 30 %. Abaixo dele, a madeira retrai ao secar e incha ao humedecer.
  • A 20 °C e 65 % de humidade relativa, a madeira tende para cerca de 12 %.

Calcular o teor de água: sempre em base seca

H (%) = (massa húmida - massa seca) ÷ massa seca × 100

Exemplo: provete com 520 g; seco em estufa (103 °C, até massa constante) fica com 460 g.

  • Água = 520 - 460 = 60 g
  • H = 60 ÷ 460 × 100 = 13,0 %

Erro frequente: dividir pela massa húmida (60 ÷ 520 = 11,5 %). O lote parece bom e entra húmido em produção.

Teor de água de referência

Aplicação Teor de água
Mobiliário de interior na ordem de 8 a 12 %
Carpintaria de interior, aquecimento 12 a 21 °C (EN 942) 9 a 13 %
Espaços aquecidos acima de 21 °C (EN 942) 6 a 10 %
Carpintaria de exterior (EN 942) 13 a 19 %
Madeira verde pode passar largamente os 30 %

Antes de trabalhar, a madeira aclimatiza no espaço de produção até chegar ao valor pedido.

Retração e corte

Exemplo: tampo de 600 mm, corte tangencial, de 16 % para 10 %, coeficiente de 0,30 % por 1 % de teor de água (dado da ficha técnica deste exemplo).

  • Variação: 16 - 10 = 6 pontos · retração: 6 × 0,30 = 1,8 %

  • 600 × 0,018 = 10,8 mm (em corte radial, cerca de metade)

  • Tábuas de corte tangencial abaulam em meia-cana, côncavas do lado da casca.

  • Tábuas de corte radial são mais estáveis e mais caras.

  • Tampos maciços fixam-se de forma a poderem trabalhar.

Propriedades dos derivados

Maciço Contraplacado Aglomerado MDF
Estabilidade no plano baixa a média muito boa boa boa
Homogeneidade baixa média alta muito alta
Aparafusar no topo bom razoável fraco razoável
Maquinação CNC depende do fio boa desgasta a ferramenta excelente

Interpretar a ficha técnica: norma, tipo, espessura e tolerância, massa volúmica, classe de emissão.

Bloco 4 · Classificação e defeitos

Defeitos de crescimento

Defeito O que é
Nó são ramo vivo bem ligado; muitas vezes admissível
Nó morto / nó solto ramo morto, mal ligado; o solto cai e deixa buraco
Fio inclinado ou torcido fibras não paralelas à aresta; baixa a resistência
Medula incluída a peça contém o centro do tronco; fende e empena
Bolsa de resina cavidade com resina; mancha o acabamento
Casca inclusa casca envolvida pela madeira
Descaio falta de madeira numa aresta, junto à periferia do tronco

Defeitos de secagem e empenos

  • Fenda: separação das fibras no sentido do fio. Racha de topo: resolve-se destopando. Racha passante: normalmente rejeição.
  • Empeno em arco: curvatura ao longo do comprimento, na face.
  • Empeno de canto: curvatura ao longo do comprimento, no canto.
  • Empeno em meia-cana (canoa): curvatura na largura, típico do corte tangencial.
  • Empeno torcido: os cantos não ficam no mesmo plano; o mais difícil de corrigir.
  • Colapso: células deformadas por secagem demasiado rápida.

Defeitos biológicos

Agente Sinais
Fungos cromogéneos (azulado do pinho) manchas azuladas no borne; estético, mas sinal de humidade
Fungos de podridão madeira mole, fibrosa ou em cubos; perda de resistência
Caruncho (Anobium punctatum) pequenos orifícios redondos e pó fino
Capricórnio (Hylotrupes bajulus) galerias grandes em resinosas, orifícios ovais
Térmitas galerias internas, superfície intacta

Lote com insetos ativos isola-se e regista-se como não conformidade.

Classificar a madeira

Classificação de aspeto (mobiliário): nós, fendas, cor, descaio. Normas europeias como a EN 975-1 (carvalho e faia) e a EN 1611-1 (resinosas), ou a norma interna da empresa ("primeira", "segunda", "refugo").

Classificação estrutural (carpintaria e construção):

  • EN 338: classes de resistência C (resinosas, por exemplo C18, C24) e D (folhosas, por exemplo D30, D40).
  • NP 4305: classificação visual do pinho bravo para estruturas, com as classes EE e E; pela EN 1912, a classe E corresponde a C18.
  • Madeira estrutural com marcação CE (EN 14081-1).

Aceitar ou rejeitar: exemplo

Tábua de castanho para tampo à vista de 1800 mm; a tábua tem 2000 mm, um nó são pequeno a 5 cm de um topo e uma racha de topo de 3 cm no outro.

  1. Nó são pequeno: admissível numa classe intermédia; se o cliente não o quer, sai no corte de acerto.
  2. Racha de topo: destopar com margem.
  3. Conta: 2000 - 50 - 30 - cerca de 20 de margem = cerca de 1900 mm úteis, chega para 1800.
  4. Decisão: aceitar, marcar as zonas a cortar e registar.

Com racha passante a meio ou caruncho ativo, rejeitava-se.

Bloco 5 · Derivados da madeira

Painéis e produtos derivados

  • Folhas de madeira: lâminas finas, faqueadas ou desenroladas, para folhear.
  • Contraplacado: folhas com o fio cruzado a 90°, em número ímpar (painel simétrico).
  • Lamelados: painel lamelado (lamelas coladas pelos cantos) e lamelado colado (lamelas face a face, para vigas).
  • Aglomerado: partículas coladas e prensadas.
  • OSB: partículas longas e finas orientadas em camadas.
  • MDF: fibras de madeira, média densidade; HDF, alta densidade, em espessuras finas.

Normas e tipos: o que se pede na encomenda

Painel Norma Tipos
Aglomerado EN 312 P1 a P7 (P2 mobiliário, seco; P3 húmido, sem carga; P4 a P7 com carga)
OSB EN 300 OSB/1 a OSB/4 (OSB/3 com carga, húmido)
MDF EN 622-5 MDF (seco), MDF.H (húmido), MDF.LA (com carga, seco)
Contraplacado EN 636 636-1 seco, 636-2 húmido, 636-3 exterior

"Hidrófugo" não é à prova de água: incha se ficar molhado, sobretudo pelos topos.

Formaldeído e formatos

  • Colas UF e MUF libertam formaldeído (cancerígeno).
  • E1 (EN 13986): até 0,124 mg/m³ em câmara de ensaio.
  • Regulamento (UE) 2023/1464: mobiliário e artigos à base de madeira até 0,062 mg/m³, desde 6 de agosto de 2026.
  • Espessuras: muitas; no corpo de móveis, 16 e 19 mm são as mais frequentes, mas a espessura vem sempre da lista de materiais.
  • Formatos: dependem do fornecedor (por exemplo 2440 × 1220, 2750 × 1830, 2800 × 2070 mm).

Escolher o derivado certo

Situação Derivado
Frente lacada de cozinha MDF (MDF.H em zona húmida)
Corpo de roupeiro revestido aglomerado melamínico (P2; P3 em zona húmida)
Fundo de gaveta, costas HDF ou contraplacado fino
Assento curvado, leve e resistente contraplacado
Mobiliário de exterior contraplacado EN 636-3
Cobertura, pavimento técnico OSB/3

Compromisso entre custo, resistência, estabilidade, humidade, maquinação e acabamento.

Bloco 6 · Outros materiais do setor

Metais, compósitos, vidro e pedra

  • Ligas metálicas: aço zincado (parafusos, corrediças), aço inoxidável (A2 corrente, A4 ambientes agressivos), alumínio (perfis, puxadores), latão, zamak.
  • Compósitos: HPL e compacto, superfície sólida, quartzo compacto, WPC (decks), fibra de vidro, aglomerado de cortiça.
  • Cerâmicas e vidros: vidro temperado (EN 12150) e laminado, espelho, vidro lacado, porcelânico.
  • Pedra: mármore (Estremoz), granito, ardósia; pesada, cortada fora da carpintaria.

O vidro temperado não se corta nem se fura depois de temperado: furos e medidas saem do desenho antes da encomenda.

Resinas, polímeros e borrachas

Grupo Exemplos Usos
Resinas epóxi, poliéster enchimento de fendas e nós, mesas com resina
Polímeros ABS, PVC, PP, PMMA (acrílico), policarbonato, poliamida orlas, puxadores, gavetas, buchas
Espumas poliuretano estofos
Borrachas natural, EPDM, silicone batentes, amortecedores, vedantes, pés

Selecionar: função · ambiente · compatibilidade · processo (dá para maquinar na nossa CNC?) · custo e prazo.

Bloco 7 · Adesivos e adjuvantes

Adesivos para madeira

Adesivo Usos
PVA (cola branca) maciço, samblagens, folheado em prensa
Ureia-formaldeído (UF), MUF fabrico de painéis, folheado em prensa quente
Poliuretano exterior, madeiras difíceis, materiais diferentes
Epóxi colagens estruturais, enchimentos, madeira com metal
Contacto (policloropreno) HPL e orlas à mão, borrachas; não se reposiciona
Termofusível (EVA, PUR) orladoras industriais

Classes das colas PVA (EN 204) e adjuvantes

Classe Uso
D1 interior seco
D2 interior, água ou humidade ocasional e curta
D3 interior com água frequente e curta; exterior sem intempérie
D4 interior com água frequente e prolongada; exterior à intempérie, com acabamento

Adjuvantes: endurecedores e catalisadores, extensores e cargas, hidrófugos, retardadores de fogo, preservadores, diluentes. Ajustam, mas não substituem a escolha da cola.

Bloco 8 · Produtos de acabamento

Lixas: numeração P (FEPA)

Grão Numeração P Uso
Grosso P40 a P60 desbaste
Médio P80 a P120 nivelar
Fino P150 a P180 preparar para acabar
Muito fino P220 e acima entre demãos

Número maior = grão mais fino. Não saltar mais de um grau (P80, P120, P180), lixar no sentido do fio, limpar o pó antes do acabamento.

Tintas, vernizes e outros acabamentos

  • Primário / isolante: prepara e bloqueia taninos e resinas.
  • Tinta ou laca: película opaca, cobre a cor e o fio.
  • Verniz: película transparente, protege e realça o fio.
  • Velatura (lasur): semitransparente, exterior.
  • Óleos e ceras: aspeto natural, manutenção periódica.
  • Base aquosa ou solvente; os COV são limitados pela Diretiva 2004/42/CE.

Lê a ficha técnica (rendimento, demãos, secagem) e a FDS (perigos, EPI, armazenamento).

Bloco 9 · Instrumentos de medição e pesagem

Balança e medidor de humidade

  • Balança: pesa peças, amostras e lotes; verifica-se periodicamente com massas conhecidas.
  • Medidor de humidade de pinos (o "higrómetro" da oficina): mede a resistência elétrica entre dois pinos; deixa pequenos furos e precisa de correção por espécie e temperatura (EN 13183-2).
  • Medidor capacitivo: não marca a peça, mas lê poucos milímetros e depende da massa volúmica.
  • Medir várias peças, em vários pontos, longe dos topos; em caso de dúvida, o método da estufa decide.

Instrumentos de medição linear

Instrumento Uso Resolução
Fita métrica, metro articulado medidas gerais 1 mm
Paquímetro (craveira) espessuras, furos, cavilhas 0,1 / 0,05 / 0,02 mm
Micrómetro folhas, orlas 0,01 mm
Esquadro, suta, graminho ângulos e paralelas ·

Leitura com nónio de 0,05 mm: escala principal 18 mm, coincide o traço 7: 18 + 7 × 0,05 = 18,35 mm.

Bloco 10 · Dimensões do produto, medição linear e marcação

Ler o desenho e a lista de corte

  • Cotas em milímetros, sem unidade escrita.
  • A cota é sempre a medida real, seja qual for a escala (1:5, 1:10, 1:20).
  • Lista de corte: peça, quantidade, C × L × E acabados, material, fio, orlas.

Estante 1800 × 800 × 300, aglomerado 19 mm, horizontais entre laterais:

  • Laterais: 1800 × 300 × 19 (2)
  • Tampo e base: 800 - 2 × 19 = 762 × 300 × 19 (2)
  • Prateleiras recuadas 20 mm: 762 × 280 × 19 (3)

Medir e marcar antes de cortar

  • Face e canto de referência: todas as medidas partem daí. Desempenar acerta a face e o canto de referência; desengrossar dá a espessura e a largura finais em paralelo a eles.
  • Medir a partir da mesma origem, não em cadeia (os erros acumulam).
  • Riscador para precisão, lápis para desbaste.
  • O traço fica do lado da peça; corta-se pelo lado do desperdício.
  • Marcar peças iguais em conjunto.
  • Esquadria pelas diagonais: caixilho 600 × 400 mm, diagonal = √(600² + 400²) = 721,1 mm; as duas diagonais têm de ser iguais.

Bloco 11 · Cálculo de matérias-primas

Volume, massa e unidades

  • Converter tudo para metros antes de multiplicar (27 mm = 0,027 m).
  • Volume (m³) = comprimento × largura × espessura.
  • Massa (kg) = volume × massa volúmica (ao teor de água real).

Exemplo: tábua 2 × 0,3 × 0,02 m, 600 kg/m³.

  1. Volume = 0,012 m³ · Massa = 0,012 × 600 = 7,2 kg
  2. Lote de 50: 7,2 × 50 = 360 kg

Chapa de MDF 2440 × 1220 × 19 mm a 750 kg/m³: 0,0566 m³, cerca de 42 kg.

Cubicagem de um lote

25 tábuas de castanho de 2500 × 150 × 27 mm, a 800 € por m³ (preço de exemplo).

  1. Uma tábua: 2,5 × 0,15 × 0,027 = 0,010125 m³
  2. Lote: 0,010125 × 25 = 0,253 m³
  3. Valor: 0,253125 × 800 = 202,50 €

Confirma na fatura se o volume é faturado pelas medidas nominais ou reais.

Quantidade por amostragem

  1. Amostra ao acaso, de várias zonas da pilha.
  2. Pesar ou medir cada peça da amostra.
  3. Média × número de peças do lote.
  4. Registar método e resultado.

Exemplo: 60 peças; amostra de 8: 6,8 · 7,4 · 7,1 · 6,5 · 7,9 · 7,2 · 6,9 · 7,6 kg. Soma 57,4 kg, média 7,175 kg, lote cerca de 430 kg.

Ferragens pelo peso: 100 parafusos = 250 g; saco com 3,75 kg (sem tara) = 3750 ÷ 2,5 = 1500 parafusos.

Bloco 12 · Produtos em bruto e desperdícios

Da medida acabada à medida em bruto

À medida acabada juntam-se sobremedidas (norma interna da empresa) para destope, desempeno, desengrosso e defeitos.

Perna acabada 700 × 60 × 22 mm; regra deste exemplo: +30 comprimento, +5 largura, pelo menos +3 espessura; tábuas de 27 e 32 mm.

  • Bruto: 730 × 65 × 27 mm (27 é a primeira espessura comercial acima de 25)
  • Volume acabado 0,000924 m³; bruto 0,001281 m³
  • Rendimento da peça: 72 %

Rendimento, desperdício e nesting

  • Rendimento = quantidade útil ÷ quantidade bruta · Desperdício = bruta - útil.
  • Lote de tábuas: 1,5 m³ bruto, 1,2 m³ útil: rendimento 80 %, desperdício 0,3 m³.
  • Chapa 2800 × 2070 mm (5,796 m²): cabem as peças de 2 estantes (2 × 2,177 m²); rendimento 75 %, cerca de 1,44 m² de sobra, parte dela aproveitável como retalho.

O plano de corte e o nesting da CNC têm de prever a espessura da serra ou o diâmetro da fresa, a refilagem e o sentido do veio.

Bloco 13 · Documentação, armazenamento e qualidade

Ficha de produção e documentos

  • Guia de remessa contra nota de encomenda: o que chegou é o que foi pedido?
  • Catálogos e fichas técnicas: espécie, norma, tipo, espessura e tolerância, massa volúmica, emissão.
  • FDS de colas e acabamentos.
  • Ficha de produção: lote, fornecedor e guia, material, medidas, quantidade, teor de água, defeitos e decisão, localização, data e responsável.

Sem registo não há rastreabilidade.

Armazenar sem estragar

  • Maciço: pilhas niveladas, afastadas do chão, separadores alinhados na vertical, cobertas e arejadas.
  • Painéis: deitados sobre apoios alinhados, ou em estantes verticais com apoio em toda a altura; chapa de proteção por cima.
  • Primeiro a entrar, primeiro a sair; lotes etiquetados.
  • Zona sinalizada para material não conforme.
  • Colas e acabamentos em armário próprio, longe do calor; colas aquosas protegidas do frio.
  • Retalhos arrumados por material e espessura, com medidas escritas.

Qualidade e não conformidades

Não conformidade = falha em cumprir um requisito (espessura, espécie, teor de água, defeitos, quantidade, emissão).

  1. Identificar e separar · 2. Registar (com fotografias) · 3. Decidir com o responsável (devolver, reclassificar, corrigir, aceitar com autorização) · 4. Ação corretiva.

Exemplo: MDF encomendado com 19 mm mede 17,9 a 18,1 mm. Fora de tolerância: separa-se, regista-se, devolve-se; a encomenda passa a indicar norma, tipo e espessura, e a receção mede sempre uma amostra.

Referência: sistemas de gestão da qualidade NP EN ISO 9001.

Bloco 14 · Segurança e saúde no trabalho

Riscos e pó de madeira

  • Enquadramento: Lei n.º 102/2009 e os procedimentos internos da empresa.
  • Riscos: , ruído, cortes, cargas, queda de materiais, químicos, incêndio.
  • O pó de madeiras duras é cancerígeno reconhecido. Valor-limite: 2 mg/m³ (8 h), desde 17 de janeiro de 2023 (Diretiva (UE) 2017/2398, Decreto-Lei n.º 35/2020).
  • Ordem da prevenção: aspiração na origem · limpeza por aspiração (nunca ar comprimido) · máscara FFP2/FFP3 quando a captação não chega.

Ruído, cargas e EPI

  • Ruído (Decreto-Lei n.º 182/2006): ação a 80 e 85 dB(A), limite 87 dB(A).
  • Cargas: chapa de MDF inteira com cerca de 42 kg: a dois ou com meios mecânicos.
EPI Contra
Óculos (EN 166) partículas, lascas
Protetores auditivos (EN 352) ruído
Máscara FFP2/FFP3 (EN 149)
Luvas mecânicas (EN 388) cortes ao manusear chapas
Calçado de segurança (EN ISO 20345) quedas de material

Sem luvas, mangas largas ou cabelo solto junto de ferramentas rotativas.

Bloco 15 · Fecho

Recapitulando

  • Preparar matéria-prima é identificar, medir, pesar, classificar e registar antes de produzir.
  • Espécies pelo nome científico; teor de água em base seca; retração tangencial cerca do dobro da radial; fio indicado na lista de corte.
  • Defeitos e classes (EN 338, NP 4305) decidem o destino de cada peça.
  • Derivados pedem-se com norma, tipo, espessura e classe de emissão.
  • Cálculos: volume, massa, amostragem, peças em bruto, rendimento, desperdício, nesting.
  • Qualidade e segurança fecham o ciclo: sem registo e sem prevenção, não há trabalho bem feito.

Próximo: fichas de trabalho e mini-projeto, preparar e organizar um lote real de madeiras e derivados.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta UC não é sobre construir mobiliário, é sobre o passo anterior, preparar e organizar o que entra na fábrica ou na oficina. - Erro comum: os alunos acham que "preparar madeira" é só cortar. É identificar, medir, pesar, classificar e registar antes de cortar. - Exemplo: comparar com uma cozinha profissional, antes de cozinhar confirmam-se e pesam-se os ingredientes.

NOTAS DO PROFESSOR - Esta UC é comum a vários cursos da área (Desenho de Produto, CNC, Marcenaria e Carpintaria, Gestão Industrial). Pedir a cada aluno que diga onde, no seu curso, vai usar o que se aprende aqui. - Erro comum: o desenhador achar que o material "é com a produção" e o operador achar que "é com o desenho". É com os dois. - Pergunta: que informação sobre o material tem de estar numa lista de corte para a CNC não errar? (material, espessura, fio ou veio, quantidade).

NOTAS DO PROFESSOR - Ler os quatro critérios de desempenho com a turma e explicar que vão reaparecer nas fichas e no mini-projeto. - Pergunta: porque é que "diminuir não conformidades" é um critério de desempenho e não só um objetivo geral? (é medível e entra na avaliação). - Contexto português: polo do mobiliário em Paços de Ferreira e Paredes; floresta dominada por eucalipto, pinheiro-bravo e sobreiro.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar uma rodela de tronco real ou uma fotografia de corte transversal e pedir aos alunos que apontem cada parte. - Erro comum: aceitar borne em peças de exterior "porque é a mesma madeira". O borne apodrece e é atacado por insetos muito mais depressa. - Ligar desde já à medula como defeito (bloco 4) e às direções de corte (bloco 3).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a divisão botânica (resinosa/folhosa) não é o mesmo que dureza real. - Erro comum: confundir "folhosa" com "folha caduca". O nome vem da forma larga da folha; há folhosas de folha persistente, como o sobreiro e o eucalipto. - Demonstração: um topo cortado com lâmina afiada mostra poros nas folhosas e não nas resinosas. Trazer amostras de pinho e carvalho para comparar peso e textura.

NOTAS DO PROFESSOR - Sublinhar que os valores são indicativos e variam com a origem e a zona do tronco: o valor que conta é o da ficha técnica do lote. - Castanho e carvalho têm taninos que mancham com o ferro: em exterior, ferragens de aço inoxidável. - Exercício rápido: para cada espécie da tabela, a turma sugere um uso (estrutura, mobiliário, pavimento, cadeiras curvadas).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar uma fatura ou etiqueta real com nome científico e certificação. - Erro comum: aceitar "mogno" ou "cedro" pelo nome comercial; há várias madeiras diferentes vendidas com esses nomes. - Pergunta: porque é que um cliente institucional pode exigir madeira certificada? (compras públicas, imagem, política ambiental).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que a escolha da espécie arrasta outras escolhas (ferragens, cola, acabamento): é uma decisão de sistema. - Erro comum: escolher a espécie só pelo aspeto ou só pelo preço. - Pedir à turma a mesma análise para uma mesa de cabeceira de interior: a durabilidade deixa de ser o critério principal.

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar um cubo de madeira no quadro com as três direções marcadas. - Erro comum: uma travessa de cadeira ou uma perna com o fio atravessado parte ao primeiro esforço. Pedir exemplos de peças partidas que os alunos já tenham visto. - Para Desenho de Produto: a seta do fio é informação obrigatória na lista de corte; para CNC: no nesting, peças com fio ou veio não podem ser rodadas.

NOTAS DO PROFESSOR - Distinguir: física é o que se mede sem esforço, mecânica é a reação a forças, química é a composição e a reação a substâncias. - Erro comum: confundir dureza (resistência à penetração e ao risco) com resistência mecânica geral (capacidade de suportar cargas). - Exemplo de oficina: parafuso junto ao topo sem pré-furo racha a peça, é a baixa resistência ao fendimento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que a higroscopia não é um defeito, é uma propriedade natural que se gere com secagem e armazenamento corretos. - Analogia: uma esponja que primeiro perde a água dos buracos (não encolhe) e depois a água da própria esponja (encolhe). - Ligar ao bloco 9: é o medidor de humidade que dá o teor de água na prática.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a conta no quadro, depois pedir à turma que a refaça com 348 g e 300 g (resultado: 16 %). - O método da estufa é o de referência (EN 13183-1); os medidores elétricos são práticos mas aproximados. - Desafio: uma tábua pesa 9,0 kg a 20 %. Quanto pesa a 12 %? (massa seca 9,0 ÷ 1,20 = 7,5 kg; a 12 % pesa 7,5 × 1,12 = 8,4 kg).

NOTAS DO PROFESSOR - Relacionar com o local final: um móvel feito com madeira a 15 % para uma casa aquecida vai retrair e abrir juntas no primeiro inverno. - Erro comum: medir só no topo da peça, que seca primeiro e dá valores baixos. - Pergunta: porque é que a madeira para exterior pode ter um teor de água mais alto? (o teor de equilíbrio no exterior é mais alto).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar os topos de duas tábuas (radial e tangencial) e desenhar os anéis de cada uma. - Erro comum: aparafusar um tampo maciço rigidamente à estrutura. Racha ou empena. - Para Desenho de Produto: prever folgas e fixações que deixem o tampo mexer; para produção: colar painéis alternando o sentido dos anéis.

NOTAS DO PROFESSOR - Distribuir uma ficha técnica real de um painel e pedir aos alunos que sublinhem estes cinco dados. - Erro comum: aparafusar no topo de aglomerado sem ferragem própria; o parafuso não segura. - Para CNC: o MDF dá perfis limpos; o aglomerado desgasta mais as ferramentas e lasca a melamina se o avanço estiver mal.

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer (ou mostrar em fotografia) exemplos reais de cada defeito para a turma reconhecer. - Erro comum: tratar todos os nós como iguais. Um nó são pequeno é muitas vezes admissível; um nó solto não. - Numa peça estrutural, nós e fio inclinado baixam a resistência mesmo quando parecem pequenos.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar como se verifica o empeno: pousar a tábua numa superfície plana e olhar ao longo do canto; usar régua ou fio esticado. - Erro comum: aceitar tábuas torcidas contando endireitá-las na desempenadeira. Perde-se muita espessura. - Ligar ao bloco 3: a meia-cana explica-se pela retração tangencial maior do que a radial.

NOTAS DO PROFESSOR - Pó fino e fresco junto aos orifícios indica atividade: esse lote não entra no armazém junto dos outros. - Pergunta: qual destes defeitos compromete mais a segurança estrutural? (podridão, térmitas e capricórnio; mas também nós grandes e fio inclinado, vistos no slide anterior). - Para Desenho de Produto: especificar madeira tratada ou espécie durável quando há risco biológico.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que classificar não é opinião: segue critérios escritos numa norma, da empresa ou do setor. - Explicar que o número da classe C é a resistência característica à flexão em N/mm². - Erro comum: classificar "a olho" sem consultar a norma ou a ficha de produção.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que a decisão depende sempre do defeito e da aplicação em conjunto. - Erro comum: rejeitar peças inteiras por defeitos que saem no destope, ou aceitar peças com defeitos que comprometem a função. - Ligar à atitude "sentido crítico" e ao critério "diminuir não conformidades".

NOTAS DO PROFESSOR - Trazer amostras físicas de MDF, aglomerado, OSB e contraplacado: o topo cortado diferencia-os logo. - Erro comum: usar "aglomerado" e "MDF" como sinónimos. Um é de partículas, o outro de fibras. - Pergunta: porque é que o contraplacado tem número ímpar de folhas? (simetria em relação à folha central, as tensões equilibram-se e o painel não empena).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar a etiqueta de uma palete de painéis com a norma e o tipo. - Erro comum: pedir "MDF 19" sem tipo. Para uma cozinha ou casa de banho, pede-se MDF.H. - Painéis para construção têm marcação CE pela EN 13986.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar que o novo limite é metade do E1 e que se pede a declaração de conformidade ao fornecedor. - Para CNC: o formato da chapa é o dado de partida do nesting; a espessura real (com tolerância) conta nos rebaixos e nas furações. - Erro comum: assumir 19 mm porque "é o normal". Confirmar com o paquímetro.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à realização "analisar as propriedades da madeira e derivados": o aluno tem de justificar a escolha, não decorá-la. - Erro comum: usar aglomerado comum onde vai haver humidade direta. - Exercício rápido: frente lacada de móvel de casa de banho? (MDF.H, com a norma e o tipo escritos na encomenda).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que "preparar madeiras e derivados" na prática inclui organizar tudo o que acompanha a peça final. - Erro comum no desenho de produto: encomendar vidro temperado sem furações e descobrir na montagem que é preciso furar. - Portugal é o maior produtor mundial de cortiça: pedir aos alunos exemplos de mobiliário com cortiça.

NOTAS DO PROFESSOR - Exercício rápido: listar, para um armário simples, que materiais não-madeira entram (dobradiças, corrediças, puxadores, parafusos, cavilhas, pés, batentes). - Erro comum: esquecer estes materiais no cálculo de matérias-primas e só contar a madeira. - Na lista de materiais, registar a referência do fabricante de cada ferragem, não só a descrição.

NOTAS DO PROFESSOR - Perguntar: porque não usar sempre a cola mais forte? (custo, tempo de trabalho e de cura, nem sempre é precisa tanta resistência). - Erro comum: escolher a cola só pelo preço, sem ver se resiste às condições de uso. - Ligar ao bloco 5: as colas UF e MUF dos painéis são a origem das emissões de formaldeído e da classe E1.

NOTAS DO PROFESSOR - Casos: cadeira de interior (D2), móvel de cozinha (D3), banco de exterior (D4 ou poliuretano). - Ler com a turma uma ficha técnica de cola: teor de água admissível, temperatura mínima, tempo aberto, tempo de prensagem. - Erro comum: guardar colas aquosas num armazém frio; se congelarem, estragam-se.

NOTAS DO PROFESSOR - Passar folhas de lixa P60, P120 e P240 pela turma para sentirem a diferença. - Erro comum: pensar que o número maior é o grão mais grosso. É o contrário. - Saltar graus deixa riscos que só se veem depois de envernizar.

NOTAS DO PROFESSOR - Cálculo rápido: 12 tampos de 1,20 × 0,80 m, 2 demãos, rendimento 10 m²/L por demão: 0,96 × 12 × 2 = 23,04 m²; 23,04 ÷ 10 = 2,3 L, mais margem. - Perguntar: quando escolher tinta em vez de verniz? (quando se quer esconder o fio ou uniformizar a cor entre peças de derivados). - Erro comum: aplicar acabamento sobre superfície mal lixada ou com pó.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar o medidor de pinos numa zona que vá ser cortada, e mostrar a seleção da espécie no aparelho. - Erro comum: medir junto ao topo, que seca primeiro e dá valores enganadoramente baixos. - Ligar ao bloco 3: comparar a leitura do aparelho com um provete seco em estufa, se a escola tiver estufa.

NOTAS DO PROFESSOR - Distribuir paquímetros e fazer medir a espessura real de amostras de painéis de 16 e 19 mm. - Erro comum: usar a fita métrica para espessuras, onde o erro de leitura pesa muito. - O gancho da fita é móvel de propósito, para compensar a sua espessura ao medir por dentro e por fora.

NOTAS DO PROFESSOR - Erro clássico: cortar o tampo com 800 mm, esquecendo que fica entre as laterais (sai 38 mm maior). - Nunca medir o desenho com a régua para tirar uma medida: a cota é que manda. - Para Desenho de Produto: esta é a lista que vão produzir; para CNC: é a lista que vão receber e verificar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a regra "medir duas vezes, cortar uma", clássica em qualquer oficina. - Erro comum: confundir desempenar com desengrossar. Desempenar cria as referências; desengrossar dá as medidas finais em paralelo. - Ligar ao critério de desempenho "analisar as dimensões do produto de acordo com as especificações técnicas".

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer o cálculo passo a passo no quadro, confirmando as unidades em cada passo. - Erro comum: multiplicar milímetros e dividir mal; pedir que convertam primeiro para metros. - Desafio: e se a espessura fosse 0,025 m? (volume 0,015 m³, massa 9 kg por tábua, 450 kg o lote).

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma que refaça a conta em calculadora e compare os arredondamentos. - Erro comum: arredondar cedo demais e acumular diferenças no lote. - Ligar à atitude "rigor": um cálculo mal feito falta material a meio da produção ou desperdiça orçamento.

NOTAS DO PROFESSOR - A amostragem só é fiável se a amostra for representativa do lote inteiro, não apenas das peças mais acessíveis. - Se a amostra variar muito, aumenta-se a amostra ou separa-se o lote por tipos antes de amostrar. - Erro comum: esquecer a tara (a embalagem) ao pesar ferragens.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar que mais de um quarto da madeira se perde antes de a peça estar pronta, e que isso tem de estar na encomenda. - Erro comum: encomendar pela medida acabada. - Pedir à turma que calcule a peça em bruto de uma travessa de 450 × 80 × 20 mm com a mesma regra.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que desperdício é matéria-prima paga e não aproveitada: tem custo direto. - Para Desenho de Produto: uma estante com 350 mm de profundidade já não deixa tirar duas por chapa; conhecer os formatos antes de fixar medidas baixa o custo. - Erro comum: cortar peça a peça sem planear o arranjo na chapa inteira.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar (ou desenhar) uma ficha de produção de receção preenchida. - Erro comum: confiar na memória e não preencher a ficha "porque é só uma peça". - Perguntar: se um móvel entregue tiver um problema de material, como se descobre que outros móveis podem ter o mesmo? (pelo lote registado na ficha).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar fotografia de uma pilha bem feita e de uma mal feita (separadores desalinhados, painéis encostados à parede). - Erro comum: encostar chapas à parede quase na vertical. Empenam em poucos dias. - Ligar à atitude "sentido de organização".

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar a consequência na CNC: ranhuras e rebaixos programados para 19 mm ficariam com folga. - Erro comum: "aproveitar" material não conforme sem registo nem autorização; o problema reaparece no cliente. - Ligar ao critério de desempenho "garantir a diminuição de não conformidades".

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o pó de madeira não é "só sujidade": é um risco respiratório real e cumulativo. - Erro comum: limpar a bancada com ar comprimido. Põe no ar o pó mais fino, o que mais se respira. - A barba impede a vedação da máscara: explicar que o EPI só protege se estiver bem ajustado.

NOTAS DO PROFESSOR - O EPI é a última barreira, depois das medidas técnicas e de organização. - Erro comum: usar luvas a trabalhar na serra ou na tupia; podem ser apanhadas e arrastar a mão. - Ligar à atitude "responsabilidade pelas suas ações": o EPI protege o próprio e os colegas.