UC01093

Atuar em situações de emergência médica e trauma em contexto militar

Do reconhecimento da emergência ao Suporte Básico de Vida com DAE, em segurança e a preceito

Curso técnico-militar · 25h · Técnico/a Militar Terrestre

Plano

  1. O socorrista: limites, ética e comunicação
  2. O SIEM e a Cadeia de Sobrevivência
  3. Avaliação inicial e segurança da vítima
  4. Suporte Básico de Vida do adulto
  5. Suporte Básico de Vida com DAE
  6. Suporte Básico de Vida pediátrico
  7. Obstrução da via aérea
  8. Feridas, hemorragias e objetos empalados
  9. Queimaduras e traumatismos oculares
  10. Trauma craniano, vertebro-medular, torácico, abdominal e dos membros
  11. Lesões ambientais
  12. Emergências médicas e fecho

Bloco 1 · O socorrista: limites, ética e comunicação

Limites de atuação e ética do socorrista

Quem presta primeiros socorros age dentro de limites claros: fazer o que a formação permite, nunca substituir os meios diferenciados.

  • Competência: só se executa o que se sabe fazer, com segurança para si e para a vítima.
  • Ética e sigilo: respeitar a privacidade da vítima; não divulgar dados de saúde nem imagens.
  • Consentimento: pede-se sempre que possível; presume-se em vítima inconsciente ou incapaz de decidir.
  • Dever de assistência: agir dentro do que é exigível, sem se colocar em risco desnecessário.

Estes pontos são critérios de desempenho da UC: cumprir protocolos, respeitar sigilo e privacidade.

Comunicação em situações de emergência

A comunicação certa evita erros graves e mantém a calma à volta da vítima.

  • Comunicação fechada: quem recebe a instrução repete-a antes de agir ("compressões a 100 por minuto, entendido").
  • Mensagem ao 112 / CODU: localização exata, número de vítimas, estado, mecanismo de lesão, o que já foi feito.
  • Junto da vítima: falar de forma calma, identificar-se, explicar o que se vai fazer.
  • Com os presentes: dar ordens curtas e específicas ("tu, liga já para o 112").

Cumprir as regras de comunicação em contexto de emergência é um critério de desempenho avaliado.

Bloco 2 · O SIEM e a Cadeia de Sobrevivência

Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)

O SIEM é a rede portuguesa que liga quem precisa de ajuda aos meios de socorro, coordenada pelo INEM.

  • Fases: deteção do incidente, alerta ao 112, triagem e orientação pelo CODU, tratamento pré-hospitalar, transporte, receção hospitalar.
  • Intervenientes: CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), tripulações de ambulância de Suporte Básico de Vida (SBV) e SIV, VMER, bombeiros, forças de segurança.
  • Meios disponíveis: ambulâncias de SBV e SIV, VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação), helicópteros do INEM.

Reconhecer estas fases é o que permite ativar o SIEM no momento certo, e não tarde demais.

A Cadeia de Sobrevivência, adulto e pediátrica

A Cadeia de Sobrevivência é a sequência de ações que, encadeadas sem falhas, dão à vítima a maior hipótese de sobreviver.

Elo Adulto Pediátrica
1 Reconhecimento precoce e alerta ao SIEM Prevenção e reconhecimento precoce
2 SBV precoce SBV precoce
3 Desfibrilhação precoce Ativação do SIEM
4 Suporte avançado e cuidados pós-reanimação Suporte avançado de vida

Cada elo depende do anterior: sem deteção precoce, todos os elos seguintes chegam tarde.

Bloco 3 · Avaliação inicial e segurança da vítima

Assegurar as condições de segurança

Antes de tocar na vítima, o socorrista avalia o local: sem segurança, não há socorro.

  • Identificar perigos: trânsito, fogo, eletricidade, estruturas instáveis, substâncias perigosas, em contexto militar também munições e viaturas em movimento.
  • Proteger-se a si, à vítima e aos presentes; usar sempre o equipamento de proteção individual (EPI).
  • Só depois de segura a cena, aproximar-se da vítima.
  • Se necessário, remover a vítima de um perigo iminente com técnica adequada antes de iniciar qualquer manobra.

Esta é a primeira realização da UC: assegurar as condições de segurança é sempre o primeiro passo.

Verificação VOS e o estado de consciência

Depois de segura a cena, avalia-se rapidamente a vítima:

  1. Estado de consciência: abanar os ombros e falar alto, "está bem, ouve-me?".
  2. Se não responde, gritar por ajuda.
  3. Permeabilizar a via aérea: extensão da cabeça e elevação do queixo.
  4. VOS: Ver o movimento do tórax, Ouvir sons respiratórios, Sentir o ar exalado na face, durante no máximo 10 segundos.
  5. Decidir: respira normalmente, não respira, ou só tem gasping (respiração agónica, conta como paragem).

Esta sequência é comum ao SBV adulto e pediátrico, e antecede sempre o pedido de apoio diferenciado.

Bloco 4 · Suporte Básico de Vida do adulto

O algoritmo de SBV adulto

Confirmada a paragem (não respira normalmente), o algoritmo segue esta ordem:

  1. Pedir ajuda e o DAE, ou mandar alguém pedir (112 e DAE).
  2. Iniciar compressões torácicas: no centro do tórax, com as duas mãos sobrepostas.
  3. Profundidade entre 5 e 6 cm, frequência entre 100 e 120 por minuto.
  4. Permitir o retorno total do tórax entre compressões, sem apoiar nele.
  5. Alternar 30 compressões com 2 insuflações, se treinado e disposto a insuflar.
  6. Continuar os ciclos até chegada do DAE, de ajuda diferenciada, ou a vítima recuperar sinais de vida.

Objetivo e limitações: o SBV não substitui o tratamento definitivo, mantém a circulação e a oxigenação até esse tratamento chegar.

Posição lateral de segurança (PLS)

Se a vítima respira normalmente mas está inconsciente, coloca-se em posição lateral de segurança, para proteger a via aérea:

  1. Ajoelhar ao lado da vítima, braço mais próximo esticado.
  2. Dobrar o braço mais afastado sobre o peito, mão encostada à face.
  3. Dobrar a perna mais afastada pelo joelho.
  4. Rodar a vítima para o lado, puxando pela perna dobrada.
  5. Ajustar a cabeça em extensão, para manter a via aérea aberta; verificar a respiração com regularidade.

A PLS é um procedimento de segurança para o reanimador, a vítima e terceiros, e faz parte do algoritmo do adulto e do pediátrico.

Bloco 5 · Suporte Básico de Vida com DAE

O Desfibrilhador Automático Externo

O DAE analisa o ritmo cardíaco e, se necessário, aplica um choque elétrico para reverter uma arritmia fatal.

  • Ligar o DAE assim que chega, e seguir as instruções de voz.
  • Colocar os elétrodos: um abaixo da clavícula direita, outro no lado esquerdo do tórax, à altura das costelas inferiores.
  • Durante a análise do ritmo, ninguém toca na vítima.
  • Se o DAE aconselha o choque: avisar em voz alta para todos se afastarem, e premir o botão de choque.
  • Se não aconselha choque, ou logo após o choque, retomar de imediato as compressões torácicas.

O SBV-DAE é uma das realizações centrais da UC e cumpre os requisitos do INEM para adultos.

Sequência integrada SBV-DAE

O algoritmo completo junta o SBV e o DAE numa só sequência contínua:

Não responde, não respira normalmente
   → pedir ajuda + DAE
   → 30 compressões : 2 insuflações
   → DAE ligado, elétrodos colocados
   → análise (ninguém toca)
   → choque aconselhado? Sim → afastar todos → choque → retomar SBV 2 min
                          Não → retomar SBV 2 min
   → repetir até ajuda diferenciada ou sinais de vida

A desfibrilhação precoce é o terceiro elo da Cadeia de Sobrevivência do adulto: cada minuto de atraso reduz as hipóteses de sobrevivência.

Bloco 6 · Suporte Básico de Vida pediátrico

SBV pediátrico: o que muda em relação ao adulto

O algoritmo pediátrico segue a mesma lógica do adulto, com diferenças que salvam vidas:

  • 5 insuflações iniciais, antes de qualquer compressão, porque a paragem na criança é sobretudo de causa respiratória.
  • Profundidade das compressões: cerca de um terço do diâmetro do tórax (cerca de 4 cm no lactente, cerca de 5 cm na criança).
  • Técnica no lactente (menos de 1 ano): dois dedos, ou as duas mãos a abraçar o tórax com os polegares no centro.
  • Técnica na criança: uma ou duas mãos, conforme o tamanho.
  • Sozinho, fazer 1 minuto de SBV antes de interromper para ligar ao 112; com dois reanimadores, um liga de imediato.

Ciclos, rácio e verificação na criança

  • Rácio de compressões para insuflações: 30 para 2 com um só reanimador, 15 para 2 com dois reanimadores treinados.
  • Continuar sempre a verificar o estado de consciência e a respiração entre ciclos.
  • A posição lateral de segurança aplica-se também à criança que respira mas está inconsciente, com ajustes ao tamanho.
  • O objetivo é o mesmo do adulto: manter a circulação e a oxigenação até chegar apoio diferenciado.

Executar o algoritmo de SBV pediátrico é uma realização própria da UC, distinta da do adulto.

Bloco 7 · Obstrução da via aérea

Reconhecer a obstrução da via aérea (OVA)

A vítima leva a mão à garganta (sinal universal de engasgamento). Distingue-se o tipo de obstrução pela eficácia da tosse:

Tipo Sinais Atuação
Ligeira Tosse eficaz, consegue falar ou respirar Encorajar a tossir, vigiar
Grave Tosse ineficaz, sem ruído, não consegue falar Atuar de imediato

Se a vítima ficar inconsciente em qualquer dos casos, inicia-se de imediato o algoritmo de SBV.

Manobras de desobstrução

Perante uma obstrução grave na vítima consciente:

  1. 5 pancadas interescapulares: inclinar a vítima para a frente, bater entre as omoplatas com a base da mão.
  2. Se não resolve, 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich): por trás da vítima, punho fechado acima do umbigo, compressão para dentro e para cima.
  3. Alternar 5 e 5 até desobstruir ou a vítima ficar inconsciente.
  4. Se ficar inconsciente, deitar no chão com cuidado e iniciar SBV.
  5. No lactente, nunca compressões abdominais: usar pancadas interescapulares e compressões torácicas.

Executar manobras de desobstrução de via aérea é uma aptidão avaliada na UC.

Bloco 8 · Feridas, hemorragias e objetos empalados

Feridas e hemorragias externas

Uma ferida é uma rotura da pele ou das mucosas; a prioridade imediata é sempre controlar a hemorragia.

  • Colocar luvas (EPI) antes de qualquer contacto com sangue.
  • Compressão direta sobre a ferida com penso ou compressa, mantida com firmeza.
  • Elevar o membro ferido, se não houver suspeita de fratura.
  • Se a hemorragia não para com compressão direta e é grave num membro, usar torniquete como último recurso: acima da ferida, apertado até parar o sangramento, e anotar a hora de colocação.
  • Nunca remover um penso encharcado: coloca-se outro por cima.

Objetos empalados e hemorragias internas

  • Um objeto empalado (encravado no corpo) nunca se remove no local: imobiliza-se em volta, para não se mover no transporte.
  • Estabilizar o objeto com pensos volumosos ou material improvisado, sem pressionar sobre ele.
  • Hemorragia interna: não se vê sangue, mas há sinais de choque, pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, agitação ou confusão.
  • Perante suspeita de hemorragia interna: manter a vítima deitada, aquecida, e ativar o SIEM com urgência.

A regra de ouro do trauma: nunca agravar a lesão por querer "resolver" o que só o hospital resolve.

Bloco 9 · Queimaduras e traumatismos oculares

Queimaduras: classificação e primeiros socorros

Grau Profundidade Aspeto
Epiderme Pele vermelha, dolorosa, sem flictenas
Derme Flictenas (bolhas), muito dolorosa
Todas as camadas Pele esbranquiçada ou carbonizada, pode ser indolor

Primeiros socorros comuns a todos os graus:

  • Arrefecer com água tépida corrente, entre 10 e 20 minutos; nunca gelo direto.
  • Não rebentar as flictenas.
  • Retirar anéis, relógios e roupa não aderente antes de inchar.
  • Cobrir com penso não aderente e ativar o SIEM se extensa, no rosto, mãos ou 3º grau.

Traumatismos oculares

  • Nunca pressionar o globo ocular ferido.
  • Nunca remover um corpo estranho encravado no olho.
  • Cobrir ambos os olhos com penso limpo, para reduzir o movimento do olho lesado (os dois olhos movem-se em conjunto).
  • Se houver produto químico no olho, lavar abundantemente com água limpa, afastando-se do outro olho.
  • Ativar sempre o SIEM em traumatismo ocular com suspeita de lesão penetrante.

Aplicar as técnicas de primeiros socorros em vítimas de trauma cobre também estes casos específicos e delicados.

Bloco 10 · Trauma craniano, vertebro-medular, torácico, abdominal e dos membros

Traumatismo craniano e vertebro-medular

  • Sinais de alarme no traumatismo craniano: perda de consciência, vómitos, confusão, sonolência anormal, diferença entre pupilas.
  • Suspeitar de traumatismo vertebro-medular sempre que há queda de altura, acidente de viação, ou mecanismo violento com dor na coluna.
  • Imobilizar a cabeça e o pescoço, sem tentar corrigir a posição em que a vítima se encontra.
  • Não mover a vítima, exceto perante risco iminente para a sua vida (fogo, explosão, afogamento).
  • Manter a vítima calma e falar com ela, mesmo que pareça não reagir.

Traumatismo torácico, abdominal e dos membros

  • Torácico: dificuldade respiratória, dor a respirar, ferida que "assobia" (aspirante), tórax que se move de forma anómala; ferida aspirante tapa-se com penso de três pontas, deixando uma margem aberta para o ar sair.
  • Abdominal: se houver evisceração (órgãos expostos), nunca os empurrar de volta; cobrir com penso húmido e limpo.
  • Dos membros: suspeitar de fratura perante deformidade, dor intensa, incapacidade de mover; imobilizar com talas, sem tentar endireitar o membro.
  • Em todos os casos de trauma grave: vigiar sinais de choque e ativar o SIEM sem demora.

Bloco 11 · Lesões ambientais

Hipotermia, hipertermia e afogamento

Em contexto militar, a exposição ao ambiente é frequente e as lesões ambientais são uma prioridade de socorrismo:

  • Hipotermia: tremores, confusão, lentidão; retirar roupa molhada, aquecer de forma gradual, manter deitada e imóvel.
  • Golpe de calor: pele quente e seca ou muito suada, confusão, pode evoluir para inconsciência; arrefecer de forma ativa e ativar o SIEM de imediato.
  • Afogamento: retirar da água em segurança, verificar VOS, iniciar SBV com as 5 insuflações iniciais se em paragem (regra pediátrica aplicada por analogia, por causa respiratória).

Picadas, mordeduras e eletrocussão

  • Picadas e mordeduras: limpar a zona, imobilizar o membro, identificar o agente se possível (sem se expor a novo risco), vigiar sinais de reação alérgica grave.
  • Eletrocussão: cortar a corrente ou afastar a fonte com material não condutor antes de tocar na vítima; nunca tocar diretamente numa vítima ainda em contacto com a corrente.
  • Depois de garantida a segurança, avaliar como qualquer vítima: consciência, respiração, e ativar o SIEM.

A segurança do reanimador é sempre a primeira condição, mesmo perante uma vítima em sofrimento evidente.

Bloco 12 · Emergências médicas e fecho

Emergências médicas: reconhecer e agir

Situação Sinais Primeiro socorro
Dor torácica Aperto, pode espalhar ao braço Repouso sentado, SIEM urgente, vigiar consciência
Convulsão Movimentos involuntários, perda de consciência Proteger de lesões, não conter, nada na boca, PLS após
Alteração da consciência Confusão, sonolência, resposta lenta Avaliar VOS, posição segura, SIEM
Intoxicação Sintomas variáveis conforme o agente Identificar o agente, não induzir vómito sem indicação, contactar o Centro de Informação Antivenenos
Alteração do comportamento Agitação, agressividade Abordagem calma, distância de segurança, pedir apoio
Choque Pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, hipotensão Deitar, elevar pernas se sem trauma, aquecer, SIEM urgente

Equipamentos de proteção individual e fecho

  • EPI do socorrista: luvas sempre que há contacto com sangue ou fluidos, máscara de bolso com válvula unidirecional para insuflações, proteção ocular se houver risco de salpico.
  • Regras de utilização: colocar antes do contacto, trocar entre vítimas, descartar de forma segura.
  • Atitudes centrais desta UC: responsabilidade, autocontrolo, disciplina, liderança e cooperação com a equipa, sempre com respeito pelos procedimentos instituídos.

Da segurança do local ao SBV com DAE, passando pelo trauma e pelas emergências médicas: um socorrista competente segue sempre a mesma disciplina.

Recapitulando

  • O socorrista atua dentro de limites claros, com ética, sigilo e comunicação eficaz, dentro do SIEM.
  • A Cadeia de Sobrevivência organiza tudo: deteção, SBV precoce, desfibrilhação, suporte avançado.
  • SBV adulto e pediátrico, com e sem DAE, e a desobstrução da via aérea são as competências centrais.
  • Trauma (feridas, hemorragias, queimaduras, fraturas, lesões ambientais) e emergências médicas completam o quadro.
  • Tudo isto com EPI, segurança em primeiro lugar, e as atitudes de disciplina e cooperação em equipa.

Próximo: fichas e mini-projeto, treinar os algoritmos até se tornarem automáticos.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "socorrista" não é "profissional de saúde"; o papel é estabilizar e passar a situação a quem tem competência diferenciada. - Erro comum: alunos acham que têm de "resolver" o problema clínico. Não têm, têm de assegurar segurança, avaliar e ativar a cadeia certa. - Exemplo: fotografar uma vítima "para mostrar depois" viola o sigilo e a privacidade, mesmo com boa intenção.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma ordem vaga ("alguém chame ajuda") costuma não ser cumprida por ninguém; apontar sempre a uma pessoa concreta. - Pergunta à turma: que três dados nunca podem faltar numa chamada ao 112? (local, o que aconteceu, estado da vítima). - Exemplo: simular ao vivo uma chamada de emergência com a turma a corrigir o guião.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o CODU é quem triagem faz por telefone e decide que meio enviar; é por isso que a informação dada ao 112 importa tanto. - Erro comum: confundir SBV (ambulância de socorro básico) com SIV (Suporte Imediato de Vida, mais diferenciado) e com VMER (equipa médica). - Exemplo/analogia: o SIEM funciona como uma cadeia de comando, cada elo tem uma função e passa a informação ao seguinte.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença de ordem entre adulto e pediátrico: na criança, ativa-se o SIEM depois de um minuto de SBV, não antes. - Erro comum: achar que basta saber comprimir o tórax. Sem o elo do alerta precoce, o SBV chega tarde de mais. - Analogia: uma corrente só é tão forte como o elo mais fraco; um só elo em falha compromete tudo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: um socorrista ferido deixa de ajudar e passa a ser mais uma vítima. Segurança primeiro, sempre. - Erro comum: correr para a vítima sem olhar à volta. Treinar o hábito de parar e observar o cenário primeiro. - Exemplo: um acidente de viação com fios elétricos caídos, ou um exercício de tiro com viaturas em movimento no perímetro.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: gasping (respiração irregular, ruidosa, tipo "suspiro") não é respirar; é sinal de paragem cardiorrespiratória. - Erro comum: demorar mais de 10 segundos a decidir, ou confundir gasping com respiração normal. - Exemplo: mostrar um vídeo curto de gasping para a turma aprender a reconhecê-lo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar os três números que decidem tudo: 5 a 6 cm, 100 a 120 por minuto, 30 para 2. - Erro comum: comprimir devagar de mais ou não deixar o tórax voltar totalmente; ambos reduzem o débito de sangue gerado. - Exemplo: usar um metrónomo ou uma música a 110 batimentos por minuto para treinar a frequência das compressões.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a PLS só se usa se a vítima respira; se não respira, é SBV, nunca PLS. - Erro comum: esquecer de reavaliar a respiração depois de colocar a vítima em PLS. - Exemplo/analogia: a PLS é como deitar alguém de lado numa posição estável, para que, se vomitar, não engasgue.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o DAE só dá choque se o ritmo for "desfibrilhável"; nunca decide o socorrista, decide o aparelho. - Erro comum: parar as compressões durante muito tempo à espera do DAE, ou hesitar depois do choque em vez de retomar logo o SBV. - Exemplo: praticar com um DAE de treino a colocação dos elétrodos e a resposta às instruções de voz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: entre choques e reavaliações, os dois minutos de SBV não param por qualquer motivo que não seja o DAE a pedir nova análise. - Erro comum: desligar o DAE ou remover os elétrodos antes da chegada da equipa diferenciada. - Exemplo: correr este algoritmo completo num manequim, cronometrando os dois minutos de cada ciclo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: as 5 insuflações iniciais são a diferença que mais se esquece; sem elas, o algoritmo fica igual ao do adulto e perde eficácia na criança. - Erro comum: ligar ao 112 antes do primeiro minuto de SBV quando se está sozinho, atrasando o início das compressões. - Exemplo/analogia: a paragem cardíaca no adulto começa quase sempre no coração; na criança, começa quase sempre na respiração.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença de rácio (15:2) quando há dois reanimadores treinados, algo que não existe no algoritmo do adulto leigo. - Erro comum: aplicar sempre o rácio do adulto (30:2) mesmo com dois reanimadores presentes e treinados. - Exemplo: simular com um manequim pediátrico as 5 insuflações seguidas de compressões, cronometrando o primeiro minuto.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a pergunta chave é "consegue tossir com força e falar?". Se sim, não se intervém, só se vigia. - Erro comum: dar pancadas nas costas a uma vítima que ainda tosse eficazmente; pode piorar a obstrução. - Exemplo: pedir a um aluno para simular tosse eficaz e tosse ineficaz, a turma distingue.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a exceção do lactente: nunca Heimlich, risco de lesão de órgãos ainda imaturos. - Erro comum: continuar só com um tipo de manobra em vez de alternar pancadas e compressões abdominais. - Exemplo: treinar a manobra de Heimlich em boneco próprio, nunca em colegas com força real.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o torniquete é a última linha, não a primeira, exceto em hemorragia maciça que ameace a vida de imediato. - Erro comum: levantar o penso para "ver se parou". Isso desfaz o coágulo que se está a formar. - Exemplo: registar sempre a hora de aplicação do torniquete, escrita bem visível, para quem receber a vítima a seguir.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: remover um objeto empalado pode reabrir uma hemorragia que o próprio objeto estava a tapar. - Erro comum: tentar "puxar" ou "cortar" o objeto para facilitar o transporte. Nunca fazer isso. - Exemplo/analogia: o objeto empalado funciona como uma rolha; retirá-la sem controlo pode abrir a torneira do sangramento.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: uma queimadura de 3º grau pode doer menos do que uma de 2º porque destrói as terminações nervosas; não confundir "dói menos" com "é ligeira". - Erro comum: usar gelo diretamente, o que agrava a lesão dos tecidos por frio excessivo. - Exemplo: simular uma queimadura de contacto com uma superfície quente numa instrução, focando o arrefecimento imediato.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: cobrir os dois olhos parece contraintuitivo mas evita que o olho lesado se mova ao acompanhar o olho saudável. - Erro comum: tentar lavar um objeto encravado no olho ou tentar removê-lo com os dedos. - Exemplo: distinguir lavagem abundante (produto químico) de "não tocar" (corpo estranho ou penetração).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a regra é "não mexer, exceto se ficar for mais perigoso que mover". Contexto militar tem cenários onde isso se aplica com frequência. - Erro comum: tirar o capacete ou levantar a vítima "para ver melhor" sem suspeita de risco imediato. - Exemplo: um militar caído de um veículo em manobras, com dor na coluna; discutir se se move ou não, e porquê.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar o penso de três pontas na ferida torácica aspirante: a margem aberta evita que o ar acumulado colapse o pulmão (efeito de válvula). - Erro comum: tentar "arrumar" órgãos eviscerados de volta ao abdómen. Nunca fazer isso. - Exemplo: imobilizar um membro com talas improvisadas (revistas, ripas) usando o material disponível numa instrução de campo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: no afogamento, a paragem tem origem respiratória, por isso as insuflações iniciais importam tanto como na criança. - Erro comum: aquecer a vítima de hipotermia depressa de mais (água quente, fricção violenta), o que pode causar arritmias. - Exemplo: exercícios de campo com exposição ao frio ou ao calor são o cenário mais realista para estas lesões.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: em eletrocussão, o primeiro gesto é cortar a fonte, nunca puxar a vítima com as mãos. - Erro comum: tocar de imediato numa vítima de eletrocussão, tornando-se uma segunda vítima. - Exemplo/analogia: é a mesma lógica da segurança do local do Bloco 3, aplicada a um perigo específico.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a dor torácica como emergência de "não esperar para ver": ativar o SIEM de imediato, mesmo com dúvida. - Erro comum: tentar conter uma pessoa em convulsão ou colocar objetos na boca; nenhuma das duas coisas se faz. - Exemplo: relacionar o choque com o Bloco 8 (hemorragia interna), o sinal é o mesmo, a causa é que pode ser outra.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar que o EPI protege tanto o socorrista como a vítima seguinte, ao evitar contaminação cruzada. - Erro comum: reutilizar a máscara de bolso sem trocar a válvula entre vítimas diferentes. - Exemplo: fechar a sessão com o recital rápido do algoritmo completo, do reconhecimento inicial ao DAE, em cadeia com a turma.