UC00676

Implementar as normas de segurança e saúde no trabalho no setor da eletricidade e eletrónica

Do risco elétrico ao plano de emergência: prevenir, proteger e socorrer com as regras que se aplicam na oficina e na obra

Curso profissional · 25h · Técnico de Instalações Elétricas

Plano

  1. Princípios de segurança e saúde no trabalho
  2. Enquadramento legal e organização da SST
  3. Normas e regras na eletricidade e eletrónica
  4. Plano de segurança e manuais de segurança
  5. Risco elétrico e o corpo humano
  6. Proteção das instalações contra choques elétricos
  7. Trabalhar em instalações elétricas: cinco regras de ouro
  8. Equipamentos de proteção individual
  9. Eletrónica: bancada, ESD e químicos
  10. Máquinas, ergonomia e movimentação de cargas
  11. Acidentes de trabalho: causas e análise
  12. Primeiros socorros e procedimentos em acidente
  13. Incêndio: causas, deteção e extinção
  14. Emergência, evacuação e prevenção de roubos
  15. Sinalização de segurança
  16. Síntese e boas práticas

Bloco 1 · Princípios de segurança e saúde no trabalho

Porque a SST importa na eletricidade e eletrónica

A energia elétrica não se vê, não se cheira e não avisa. Segurança e saúde no trabalho (SST) é o conjunto de regras e práticas que previnem acidentes e doenças profissionais e promovem o bem-estar de quem trabalha.

  • Segurança: evita acidentes, acontecimentos súbitos (choque, queda, queimadura).
  • Saúde: evita doenças e desgaste lento (ruído, posturas, químicos).
  • No setor, o mesmo cabo com isolamento bom ou rasgado tem o mesmo aspeto a dois metros.

Prevenir é uma competência técnica, tão central como ler um esquema.

Perigo, risco, dano e prevenção

Termo Significado Exemplo
Perigo Fonte com potencial de dano Quadro com tensão
Risco Probabilidade × gravidade Tocar num barramento ao abrir o quadro
Dano Consequência Queimadura, fibrilação
Acidente Evento súbito com lesão Choque ao trocar uma tomada
Quase-acidente Podia ter causado dano Chave cai sobre barramentos
Prevenção Evitar ou reduzir antes Bloquear a alimentação

O perigo existe; o risco mede-se. Prevenir é baixar o risco até um nível aceitável.

Princípios gerais de prevenção

Em resumo prático, em ordem de prioridade (a partir dos princípios do art. 15.º da Lei n.º 102/2009, na redação em vigor):

  1. Evitar os riscos: se pode fazer-se sem tensão, faz-se sem tensão.
  2. Avaliar os que não se evitam e combatê-los na origem.
  3. Adaptar o trabalho ao trabalhador.
  4. Substituir o perigoso pelo menos perigoso.
  5. Proteção coletiva antes da individual.
  6. Instruir os trabalhadores: informação e formação.
  7. Planificar a prevenção.

O EPI é a última barreira, não a primeira.

Avaliar o risco: a matriz probabilidade × gravidade

Prob. \ Grav. Ligeira (1) Grave (2) Muito grave (3)
Baixa (1) 1 2 3
Média (2) 2 4 6
Alta (3) 3 6 9
  • 1 a 3: aceitável, manter controlos.
  • 4: reduzir, planear medidas.
  • 6 a 9: inaceitável, parar até haver medidas eficazes.

Exemplo: trocar uma tomada com circuito ligado = 3 × 3 = 9. Com bloqueio e verificação de ausência de tensão, a probabilidade desce para 1 e o risco para 3.

Bloco 2 · Enquadramento legal e organização da SST

Os textos que regem a SST em Portugal

Tema Diploma (redação em vigor)
Promoção da SST Lei n.º 102/2009
Acidentes e doenças profissionais Lei n.º 98/2009
Equipamentos de trabalho Decreto-Lei n.º 50/2005
Segurança de máquinas Decreto-Lei n.º 103/2008
Utilização de EPI Decreto-Lei n.º 348/93
Sinalização Decreto-Lei n.º 141/95
Cargas manuais Decreto-Lei n.º 330/93
Incêndio em edifícios Decreto-Lei n.º 220/2008
Instalações de BT Portaria n.º 949-A/2006 (RTIEBT)

No topo estão a Constituição e o Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009).

Quem faz o quê: entidades

  • ACT: fiscaliza a legislação laboral e de SST; recebe comunicação de certos acidentes.
  • DGEG: competências nas instalações elétricas (regras técnicas, licenciamento, inspeção).
  • ANEPC: segurança contra incêndio e proteção civil.
  • IPQ: normalização em Portugal (EN adotadas como NP EN).
  • INEM: emergência médica, através do 112.
  • Seguradoras: cobertura dos acidentes de trabalho.

Cada tema tem a sua entidade; saber a quem recorrer poupa tempo em emergência e em obra.

Deveres do empregador e do trabalhador

Empregador Trabalhador
Avaliar riscos Cumprir as prescrições de SST
Organizar serviços de SST Zelar pela sua segurança e a dos outros
Fornecer EPI e equipamentos Usar corretamente máquinas e EPI
Informar, formar, consultar Cooperar e comunicar deficiências
Vigilância da saúde Adotar medidas em perigo grave e iminente
Planear a emergência Participar em formação e simulacros

Direitos do trabalhador: informação, formação, consulta, representantes de SST, vigilância da saúde e afastar-se de perigo grave e iminente sem prejuízo.

Vigilância da saúde e serviços de SST

  • Exames de admissão, periódicos e ocasionais, feitos por médico do trabalho.
  • Ficha de aptidão: apto, apto condicionalmente ou inapto.
  • Serviços de SST internos, comuns ou externos, consoante a dimensão e os riscos.
  • Representantes dos trabalhadores para a SST, eleitos.
  • Registos: formação, acidentes, simulacros, manutenção.

A vigilância da saúde não é uma formalidade: deteta cedo o que o posto de trabalho vai causando.

Bloco 3 · Normas e regras na eletricidade e eletrónica

RTIEBT e domínios de tensão

As RTIEBT (Portaria n.º 949-A/2006, na redação em vigor) seguem a estrutura da IEC 60364 e regulam projeto, execução e verificação de instalações de baixa tensão.

Domínio Referência
Extra-baixa tensão até 50 V c.a. e 120 V c.c. sem ondulação
Baixa tensão até 1000 V c.a. e 1500 V c.c.
Alta tensão acima de 1000 V c.a.

Rede doméstica: 230 V monofásica e 400 V trifásica.

EN 50110 e a organização do trabalho elétrico

A NP EN 50110-1 trata da operação de instalações elétricas.

  • Pessoa qualificada: formação, conhecimentos e experiência para evitar o perigo elétrico.
  • Pessoa instruída: informada ou supervisionada por pessoa qualificada.
  • Pessoa comum: não deve intervir em instalações.
  • Responsável pela instalação e responsável pelo trabalho.
  • Trabalhos sem tensão, sob tensão e na vizinhança.

Trabalhar sem tensão é a regra; sob tensão é exceção procedimentada.

Marcação CE, manuais e documentos de referência

  • Marcação CE: conformidade com as diretivas ou regulamentos aplicáveis.
  • Não dispensa ler o manual do fabricante: instalação, utilização, manutenção, limites.
  • Cada tarefa tem o seu documento de referência:
    • quadro e circuitos de BT: RTIEBT;
    • procedimento de trabalho: NP EN 50110-1;
    • deveres e organização: Lei n.º 102/2009;
    • equipamento: manual do fabricante.

O técnico tem de saber qual consultar.

Bloco 4 · Plano de segurança e manuais de segurança

O plano de segurança do estabelecimento

Componente Função
Plano de prevenção de acidentes Riscos do posto e medidas
Plano de prevenção de incêndios Reduzir probabilidade e consequências
Plano de evacuação Rotas, saídas, ponto de encontro
Plano de emergência Quem alerta, quem intervém
Plano contra roubos Alarmes, acessos, procedimento
Plantas de emergência Saídas, extintores, quadro, primeiros socorros
Registos Formação, simulacros, manutenção

Ler o plano é tão importante como ler um esquema elétrico.

Manuais de segurança e protocolo interno

  • Manual do equipamento: instalação, utilização, manutenção, símbolos.
  • Instruções de trabalho: bloqueio de quadros, escadas, trabalhos em altura.
  • Fichas de dados de segurança (FDS): perigos, primeiros socorros, incêndio, armazenamento.
  • Manual de acolhimento: regras gerais e contactos.

Protocolo interno: as regras da empresa para autorizações, comunicação de acidentes e registo de quase-acidentes. Se parece errado, comunica-se; até ser alterado, cumpre-se.

Como interpretar um documento de segurança

  1. Data e versão: planos desatualizados apontam para saídas ou responsáveis que já não existem.
  2. Localiza o teu posto na planta; traça saída principal e alternativa.
  3. Proibições e obrigações do local.
  4. Contactos: internos e 112.
  5. Pergunta o que não percebes.

Exemplo: loja com saída a norte, extintores junto às portas, quadro geral no armazém, ponto de encontro no parque. Do armazém, a saída de emergência a norte é a mais próxima.

Bloco 5 · Risco elétrico e o corpo humano

Efeitos da corrente no corpo

A gravidade depende da intensidade, do tempo, do percurso e do tipo de corrente. Ordens de grandeza (c.a. de frequência industrial):

Corrente Efeito típico
0,5 a 1 mA Limiar de perceção
Cerca de 10 mA Contração involuntária, difícil largar
Desde cerca de 30 mA Risco de fibrilação ventricular, conforme o tempo
Dezenas a centenas de mA Fibrilação provável, paragem cardíaca
Ampere e acima Queimaduras graves, destruição de tecidos

Lei de Ohm: I = U ÷ R.

Tensões de segurança e condições de contacto

  • Pele seca oferece resistência elevada; molhada ou lesionada, muito menor.
  • Tensão limite convencional de contacto: 50 V c.a. em condições normais e valor mais baixo, 25 V, em locais de condições particulares.
  • MBTS: muito baixa tensão de segurança, com separação da rede.
Contacto Exemplo Proteção
Direto Tocar num fio sem isolamento Isolamento, invólucros, barreiras
Indireto Carcaça com falha de isolamento Terra, diferencial, classe II, MBTS

Arco, queimaduras, eletrização e eletrocussão

  • Queimaduras elétricas: lesão externa pequena pode esconder dano interno grande.
  • Arco elétrico: descarga no ar com calor intenso, luz e projeção de metal fundido, mesmo sem contacto.
  • Incêndio e explosão: sobreaquecimento, faíscas.
  • Efeitos secundários: queda em altura após o choque.

Eletrização: choque sem morte. Eletrocussão: morte por corrente.

Toda a vítima de choque elétrico deve ser avaliada por um médico, mesmo parecendo bem.

Bloco 6 · Proteção das instalações contra choques elétricos

Classes de equipamento

Classe Princípio Identificação
I Isolamento de base + ligação das massas à terra Símbolo de terra, ficha com terra
II Isolamento duplo ou reforçado, sem terra Dois quadrados concêntricos
III Extra-baixa tensão de segurança Losango com III

Uma instalação segura combina várias barreiras independentes: a falha de uma não deixa as pessoas expostas.

Graus de proteção IP e IK

IP (EN 60529): 1.º algarismo sólidos (0 a 6), 2.º água (0 a 9). X quando não especificado.

1.º Sólidos 2.º Água
2 Dedos (12,5 mm) 3 Água pulverizada
4 1 mm 4 Projeções
5 Poeiras 5 Jatos
6 Estanque a poeiras 7 / 8 Imersão temporária / contínua

IK (EN 62262): impactos. IK06 = 1 J, IK07 = 2 J, IK08 = 5 J, IK09 = 10 J, IK10 = 20 J. A emenda A1:2021 acrescentou IK11 = 50 J.

Ex.: IP54, IK08 = poeiras, projeções e 5 J.

Regimes de neutro: TT, TN e IT

1.ª letra: alimentação face à terra (T ligada, I isolada). 2.ª letra: massas (T terra local, N ligadas ao neutro).

Regime Contexto típico
TT Instalações alimentadas pela rede pública de BT
TN (S, C, C-S) Instalações com posto de transformação próprio
IT Continuidade de serviço crítica, com controlador de isolamento

Em TT: RA × IΔn ≤ UL (50 V). Com RA = 80 Ω, IΔn ≤ 625 mA.

Disjuntores, fusíveis e diferenciais

Dispositivo Função
Disjuntor Sobrecarga e curto-circuito
Fusível Sobreintensidades, por fusão
Diferencial (DDR) Corrente de fuga à terra
Interruptor-seccionador Isolar para trabalhar sem tensão
Descarregador Sobretensões transitórias

Sensibilidades de uso corrente: 30, 100, 300 e 500 mA. Com IΔn ≤ 30 mA, alta sensibilidade: proteção suplementar contra contactos diretos (tomadas, locais de risco elevado, segundo as RTIEBT).

O diferencial não substitui o disjuntor nem a terra. Ensaiar com o botão de teste, como indica o fabricante.

Bloco 7 · Trabalhar em instalações elétricas: cinco regras de ouro

As cinco regras de ouro (EN 50110-1)

Por esta ordem, sempre:

  1. Desligar completamente, todas as fontes, todos os polos.
  2. Impedir qualquer possível religação: bloquear e sinalizar.
  3. Verificar a ausência de tensão com detetor adequado, em todos os condutores.
  4. Ligar à terra e em curto-circuito, quando haja risco de tensão de retorno ou induzida.
  5. Proteger contra elementos adjacentes sob tensão: barreiras, delimitação, sinalização.

A instalação só é segura depois de concluída a sequência.

Bloqueio e sinalização (lock-out / tag-out)

  • Cada pessoa tem o seu cadeado e a sua chave; só quem bloqueia desbloqueia.
  • Etiqueta com nome, data, motivo e contacto.
  • Antes de repor: todos fora da zona, ferramentas recolhidas, instalação em condições.
  • A reposição é feita pelo responsável, avisando os envolvidos.

Autorização de trabalho: local, circuito, responsável, equipa, medidas e hora; no fim o responsável declara o trabalho concluído.

Verificar a ausência de tensão

  • Usar detetor de tensão de dois polos adequado (ou multímetro de categoria correta).
  • Testar-verificar-testar: confirmar o instrumento num ponto conhecido com tensão, medir o circuito, voltar a confirmar o instrumento.
  • Testar todos os condutores: fase-neutro, fase-terra, neutro-terra.
  • Inspecionar cabos e ponteiras antes de cada uso.

Nunca se confia só em etiquetas, esquemas ou no que outra pessoa disse.

Categorias de medição: CAT I a CAT IV

Categoria Onde Exemplos
CAT I Circuitos não ligados à rede Eletrónica protegida
CAT II Aparelhos ligados por tomada Eletrodomésticos, ferramentas
CAT III Instalação do edifício Quadros de distribuição, motores fixos
CAT IV Origem da instalação Contador, ligação à rede

Quanto mais perto da origem, maior a energia e a categoria. Ler categoria e tensão em conjunto (por exemplo, CAT III 600 V). Cabos e ponteiras com a mesma categoria.

Ferramentas isoladas e zonas de trabalho

  • Ferramentas isoladas (EN/IEC 60900), para trabalhos até 1000 V c.a.
  • Revestimento rachado ou descolado: sai de serviço. Nada de fita adesiva a improvisar.
  • Zonas: trabalhos sob tensão (métodos e EPI próprios) e vizinhança (sem tocar, com risco de aproximação).
  • As distâncias dependem da tensão e constam da norma e dos procedimentos da empresa.
  • Regra prática em BT: evitar contacto e impedir aproximação acidental com barreiras isolantes.

Exemplo resolvido · substituir uma tomada

  1. Preparar: informar, identificar o circuito, levar detetor, ferramentas isoladas, cadeado e EPI.
  2. Desligar o disjuntor; confirmar outras alimentações.
  3. Bloquear com cadeado e etiqueta.
  4. Verificar ausência de tensão (testar-verificar-testar).
  5. Proteger partes ativas próximas.
  6. Executar: ligar a nova tomada, apertar bornes.
  7. Fechar: recolher ferramentas, avisar, retirar bloqueio, fechar disjuntor, ensaiar, incluir botão de teste do diferencial.
  8. Registar segundo o protocolo.

Bloco 8 · Equipamentos de proteção individual

Princípios e categorias de EPI

  • Última linha de defesa: só se não for possível eliminar ou proteger coletivamente.
  • Fornecido pelo empregador, adequado ao risco, ao utilizador e à tarefa.
  • Pessoal, limpo, guardado corretamente, substituído se danificado.
  • Marcação CE e norma na etiqueta.
  • Decreto-Lei n.º 348/93 e Portaria n.º 988/93; Regulamento (UE) 2016/425.
Categoria Risco
I Mínimo
II Intermédio
III Muito grave ou irreversível (inclui risco elétrico de tensão perigosa)

EPI para risco elétrico

EPI Norma Notas
Luvas isolantes EN 60903 Classes 00 e 0 em BT; inspeção e ensaio periódico
Capacete isolante EN 50365 Marcação de isolamento
Calçado EN ISO 20345; isolante EN 50321 Sola isolante
Viseira contra arco EN 166 Quando possa ocorrer arco
Vestuário contra arco EN 61482 Classes 1 e 2
Ferramentas isoladas EN/IEC 60900 Até 1000 V c.a.

Luvas isolantes: classes e verificação

Classe Tensão máxima de utilização (c.a.)
00 500 V
0 1000 V
1 7500 V
2 17 000 V
3 26 500 V
4 36 000 V

Em BT usam-se as classes 00 e 0. Antes de usar: inspeção visual (cortes, furos, rigidez), teste de insuflação, data de ensaio. Em dúvida, não se usa.

Outros EPI e vestuário de trabalho

Risco EPI
Partículas, faíscas Óculos ou viseira
Ruído Proteção auditiva
Fumos, poeiras Máscara com filtro
Corte Luvas mecânicas
Queda de objetos Capacete, biqueira
Queda em altura Arnês e ancoragem

Vestuário: fato ajustado de mangas compridas, material adequado ao risco, sem anéis, relógios, pulseiras ou colares metálicos, cabelo preso, sem roupa solta junto a máquinas, calçado fechado.

Bloco 9 · Eletrónica: bancada, ESD e químicos

Bancada de trabalho segura e ESD

  • Superfície limpa e iluminada; alimentação com diferencial e disjuntor; sem extensões em cadeia.
  • Transformador de isolamento ao reparar equipamento ligado à rede.
  • EPA contra ESD: tapete dissipativo e pulseira antiestática com resistência, ligados ao ponto comum de terra; embalagens antiestáticas.
  • A pulseira não se usa perto de tensão de rede acessível sem outras medidas.
  • Norma de referência: série IEC/EN 61340.

Soldadura, condensadores e baterias

Risco Prevenção
Queimaduras Suporte do ferro, não deixar ligado sem vigilância
Fumos Extração localizada ou ventilação
Salpicos Óculos
Incêndio Bancada limpa, extintor próximo
  • Condensadores guardam carga: desligar, esperar o tempo do fabricante, descarregar com resistência, medir antes de tocar.
  • Baterias de lítio: carregador adequado, superfície não combustível, vigilância; não usar baterias inchadas ou danificadas.

Substâncias químicas e outros riscos

  • Limpa-contactos, solventes, álcool, decapantes: rótulo CLP e FDS.
  • Local arejado, luvas e óculos, longe de ignição, nunca recipientes sem rótulo.
  • Radiação ótica: leds intensos e lasers, nunca olhar para o feixe.
  • Ecrã: pausas, posição, iluminação.
  • Fontes em sobrecarga ou cabos quentes: verificar antes de tocar.

Bloco 10 · Máquinas, ergonomia e movimentação de cargas

Proteção de máquinas e consignação

Medida Exemplo
Resguardo fixo Cobertura de correias
Resguardo móvel com encravamento Tampa que para a máquina ao abrir
Dispositivo sensível Cortina ótica
Comando bimanual Prensas
Paragem de emergência Cogumelo vermelho em fundo amarelo
Homem-morto Só funciona enquanto premido

Consignação: isolar todas as energias (elétrica, pneumática, hidráulica, residual), bloquear, sinalizar, verificar. Decreto-Lei n.º 103/2008 e Decreto-Lei n.º 50/2005.

Supressão da negligência e da falta de atenção

A segurança não se pode apoiar só na atenção. Métodos:

  1. Eliminar a possibilidade do erro (encravamentos).
  2. Listas de verificação antes de iniciar.
  3. Procedimentos escritos com ordem fixa.
  4. Comunicação: confirmar em voz alta, dupla verificação.
  5. Sinalização e código de cores.
  6. Posto organizado: um lugar para cada coisa.
  7. Gestão da fadiga e da pressa.
  8. Formação e treino.
  9. Cultura de comunicação de quase-acidentes.

Ergonomia e postos com ecrã

  • LMERT: dores nas costas, ombros, pescoço e punhos por posturas forçadas e esforços repetidos.
  • Postura neutra, alternar posições, pausas curtas e frequentes.
  • Ferramentas com boa pega; altura do posto ajustada.
  • Ecrã à altura dos olhos ou ligeiramente abaixo, a cerca de um braço, sem reflexos (Decreto-Lei n.º 349/93).
  • Trabalho fino à altura dos cotovelos.

Movimentação manual de cargas e peças pesadas

Decreto-Lei n.º 330/93: evitar, usar meios mecânicos e, se não der, avaliar: carga, esforço, ambiente, capacidade individual. Não há um peso único.

Técnica: avaliar, aproximar-se, dobrar os joelhos, costas direitas, levantar com as pernas, carga junto ao corpo, sem torções, pedir ajuda.

Quadros, transformadores, motores: consultar a ficha técnica, usar carrinho ou porta-paletes, trabalhar em equipa, libertar o percurso e não passar sob cargas suspensas.

Condução de equipamentos e escadas portáteis

  • Porta-paletes, empilhadores, plataformas: habilitação e autorização do empregador; inspeção prévia, carga baixa e estável, sem transportar pessoas, respeitar limites.
  • Escadas portáteis: base firme e nivelada, inclinação adequada (regra prática de cerca de 1 para 4), três pontos de apoio, mãos livres.
  • Perto de instalações elétricas: escadas de material isolante.

Bloco 11 · Acidentes de trabalho: causas e análise

Conceito e tipos de acidentes

Acidente de trabalho (Lei n.º 98/2009): ocorre no local e no tempo de trabalho e produz lesão, perturbação funcional ou doença com redução da capacidade ou morte. Inclui situações como o trajeto nas condições previstas.

Tipo Exemplos
Movimentação Lesões ao levantar, esmagamentos
Choques e quedas Escadas, cabos no chão
Ferramentas e máquinas Cortes, entalamentos
Choques elétricos Contacto direto ou indireto, arco
Agentes químicos e gases Fumos, solventes, ácido de baterias
Queimaduras Ferro de soldar, arco

Causas e análise por 'porquês'

  • Causa imediata: ato inseguro ou condição insegura.
  • Causa de fundo: formação em falta, procedimento inexistente, pressão de prazos, manutenção deficiente.

Método dos porquês: perguntar até a resposta deixar de ser comportamento e passar a ser sistema.

Exemplo: choque ligeiro num barramento sob tensão, porque só o disjuntor do circuito foi aberto, porque o procedimento não o previa, porque nunca foi revisto após a ampliação do quadro. Ação: rever o procedimento e formar a equipa.

Quase-acidentes: registar e analisar antes de alguém se magoar.

Bloco 12 · Primeiros socorros e procedimentos em acidente

PAS e avaliação da vítima

Proteger, Alertar, Socorrer.

  1. Proteger: a ti, à vítima, ao local; em acidente elétrico, cortar a energia.
  2. Alertar: 112; local, o que aconteceu, vítimas e estado, nome e contacto; não desligar antes do operador.
  3. Socorrer: avaliar consciência, abrir via aérea, ver/ouvir/sentir a respiração (até 10 s).

Se não respira normalmente: 112 e suporte básico de vida.

Suporte básico de vida e DAE

Adulto: 30 compressões e 2 insuflações.

  • Centro do tórax, braços direitos.
  • Profundidade de cerca de 5 a 6 cm.
  • Ritmo de 100 a 120 por minuto, deixando o tórax voltar.
  • DAE: ligar e seguir as instruções de voz.
  • Continuar até respirar normalmente, chegar o socorro ou exaustão.

Um ciclo de 30 compressões demora entre 15 e 18 segundos.

Choque elétrico: sequência segura

  1. Não toques na vítima enquanto a corrente passa.
  2. Corta a energia (disjuntor, interruptor ou ficha), se seguro.
  3. Em baixa tensão, sem alternativa: afastar com material isolante e seco.
  4. Alta tensão: não te aproximes; 112 e aguardar que a rede seja desligada por quem tem competência.
  5. Avaliar, chamar 112, SBV se não respira.
  6. Toda a vítima é avaliada por um médico.

Tratar também as queimaduras de entrada e de saída.

Outras emergências do referencial

Situação Ação principal
Perda de sentidos Respira: posição lateral de segurança e 112; não respira: SBV
Ferida aberta Compressão direta com compressa limpa
Ferida fechada Frio protegido, repouso
Queimadura Água corrente fria ou fresca durante 20 minutos; cobrir; não rebentar bolhas
Ataque cardíaco Repouso sentado, 112, SBV/DAE se perder os sentidos
Entorse Repouso, frio, compressão leve, elevação
Envenenamento CIAV 800 250 250 ou 112; identificar o produto; não provocar vómito

Caixa de primeiros socorros e comunicação do acidente

Caixa: identificada, acessível, com inventário e validade verificados. Conteúdo conforme os riscos: luvas descartáveis, compressas, ligaduras, adesivo, soro fisiológico, desinfetante, tesoura, pinça, manta térmica, máscara de bolso, números de emergência.

Comunicar:

  • Internamente, logo, e por escrito.
  • Seguradora: nas 24 horas seguintes ao conhecimento (Lei n.º 98/2009).
  • ACT: acidentes mortais ou com lesão física grave, nas 24 horas seguintes (art. 111.º da Lei n.º 102/2009).
  • Registar e analisar as causas.

Bloco 13 · Incêndio: causas, deteção e extinção

Tetraedro do fogo e causas de incêndio

Fogo = combustível + comburente + energia de ativação; mantido, reação em cadeia (tetraedro).

Método Elemento eliminado
Arrefecimento Calor
Abafamento Comburente
Isolamento Combustível
Inibição Reação em cadeia

Causas no setor: cabos sobreaquecidos, curto-circuito, equipamentos tapados, extensões em sobrecarga, baterias, soldadura, acumulação de papel e cartão, inflamáveis mal guardados.

Classes de fogo (EN 2)

Classe Combustível Exemplos
A Sólidos que formam brasas Madeira, papel, cartão, têxteis
B Líquidos Solventes, tintas, gasolina
C Gases Butano, propano, gás natural
D Metais Magnésio, sódio
F Óleos e gorduras de cozinha Fritadeiras

Em equipamento elétrico, o fogo classifica-se pelo material que arde, mas o agente tem de ser adequado a equipamento sob tensão.

Sistemas de deteção e alarme

  • Detetor de fumo (ótico, iónico), de temperatura, de chama.
  • Botão de alarme manual.
  • Central de deteção.
  • Sirenes e avisadores.
  • Sistemas automáticos de extinção: chuveiros, gases inertes ou agentes limpos em salas técnicas.

Só são eficazes se mantidos e testados. Para trabalhos que causem fumo ou poeira, pede-se a inibição formal ao responsável e repõe-se no fim. Nunca se tapam detetores.

Tipos de extintores

Tipo Classes Equipamento sob tensão?
Água pulverizada A Não
Espuma A, B Não
Pó polivalente ABC A, B, C Utilizável; resíduos
Pó BC B, C Utilizável; resíduos
CO2 B e equip. elétrico Sim, indicado
Pó para metais D Conforme fabricante

CO2: sem resíduos, pouco eficaz ao vento, risco de asfixia em espaço fechado. O rótulo indica classes, modo de uso e norma.

Plano de ataque e manipulação do extintor

Decidir: alertar, avaliar (fogo pequeno? saída livre atrás? extintor certo? sei usar?). Se não, evacuar.

Equipamento elétrico: cortar a energia, se seguro.

Quatro gestos:

  1. Retirar o extintor e o pino.
  2. Apontar à base das chamas.
  3. Apertar o manípulo.
  4. Varrer em leque, avançando.

CO2: não segurar o difusor (gela). Depois: vigiar reacendimento e registar o uso.

Técnicas de extinção e prevenção

  • Pequeno fogo isolado: extintor adequado.
  • Quadro elétrico: cortar a alimentação geral, CO2 à distância segura.
  • Fogo em pessoa: parar, deitar, rolar, abafar.
  • Líquido inflamável: abafar; nunca água.
  • Fogo grande ou fumo denso: não atacar, evacuar, fechar portas.

Prevenção: arrumação, estado de cabos e fichas, não sobrecarregar tomadas, não obstruir ventilação nem saídas, inflamáveis em local próprio, autorização de trabalhos a quente, manutenção dos extintores.

  • RJ-SCIE: Decreto-Lei n.º 220/2008, e regulamento técnico (Portaria n.º 1532/2008), na redação em vigor.
  • Edifícios classificados em utilizações-tipo e categorias de risco (1.ª a 4.ª).
  • Medidas de autoproteção: planos de prevenção e de emergência, registos de segurança, formação, simulacros, delegado de segurança.
  • Escalam consoante a categoria.

Bloco 14 · Emergência, evacuação e prevenção de roubos

Plano de emergência e plano de evacuação

Emergência: cenários (incêndio, feridos, fuga de gás, falha elétrica), organização (responsável, equipas), meios, procedimentos, contactos, formação e simulacros.

Evacuação: plantas, sinalização e iluminação de segurança, ponto de encontro, responsáveis por zona, verificação final, apoio a pessoas com mobilidade reduzida.

Conduta: calma, parar tarefas, seguir a rota, sem elevadores, fechar portas sem trancar, ir ao ponto de encontro, não regressar.

Reportar a emergência ao 112

Por esta ordem:

  1. Quem: nome e telefone.
  2. Onde: morada, piso, referência, acessos.
  3. O quê: incêndio, queda, choque, fuga.
  4. Quantas vítimas e em que estado.
  5. Perigos: gás, eletricidade, fumo, químicos.
  6. Não desligar antes do operador.

Informar também o responsável de segurança e a gerência.

Prevenção de roubos e comportamento em assalto

Medida Exemplo
Controlo de acessos Registo de entradas
Alarmes Central, sensores
Videovigilância Sinalizada, RGPD
Chaves e códigos Registo e alteração periódica
Armazenamento Cofre, inventário
Rotinas de fecho Portas, janelas, luzes

Em assalto: prioridade à vida, não resistir, gestos lentos, observar sem fixar, 112 só quando seguro, não tocar em nada, registar.

Bloco 15 · Sinalização de segurança

Cores, formas e significados

Decreto-Lei n.º 141/95 e Portaria n.º 1456-A/95 (redação em vigor).

Sinal Forma e cor Exemplo
Proibição Círculo, orla e barra vermelhas Proibido fumar
Aviso Triângulo, orla preta, fundo amarelo Perigo de eletricidade
Obrigação Círculo azul, pictograma branco Uso obrigatório de luvas
Salvamento Retângulo verde Saída de emergência
Combate a incêndios Retângulo vermelho Extintor

Complementar: sinais gestuais, luminosos e acústicos, marcação de vias, etiquetas CLP, etiquetas de bloqueio.

Boas práticas de sinalização

  1. Colocar o sinal no local e à altura do risco, bem visível e iluminado.
  2. Mantê-lo limpo, legível e atualizado.
  3. Não sinalizar a mais: o excesso torna os sinais invisíveis.
  4. Não encobrir sinais, extintores nem saídas.
  5. Formar para entender os sinais.

Oficina de reparação: aviso no quadro, obrigação (óculos, luvas) na soldadura, sinal de extintor, salvamento sobre a saída e faixa de passagem livre.

Bloco 16 · Síntese e boas práticas

Ciclo seguro de uma intervenção

Fase Pergunta-chave
1. Preparar Que perigos existem? Tenho autorização e informação?
2. Proteger Que medidas coletivas e EPI?
3. Executar Estou a seguir o procedimento?
4. Verificar Está correto e arrumado?
5. Repor e registar Todos fora da zona?
6. Aprender O que melhorar?

Quando parar: não consegues verificar a ausência de tensão; a situação difere do previsto; faltam EPI ou instrumentos; o plano é contraditório; há cansaço ou pressão para saltar passos.

Atitudes e boas práticas finais

Atitude Em concreto
Responsabilidade Assumir ações, comunicar erros
Autonomia Decidir dentro do âmbito, com base no procedimento
Autocontrolo Calma em emergência
Organização Posto arrumado, registos feitos
Cooperação Avisar a equipa, partilhar riscos
Respeito pelas normas Cumprir mesmo sem ninguém a ver
  • Evitar antes de proteger; proteger coletivamente antes do EPI.
  • Sem tensão, bloqueado, verificado.
  • Registar e comunicar quase-acidentes.

Recapitulando

  • Evitar o risco, avaliar o que resta e dar prioridade à proteção coletiva; o EPI é a última barreira.
  • No trabalho elétrico: cinco regras de ouro, instrumentos de categoria adequada, ferramentas isoladas e luvas da classe certa.
  • Conhecer IP, IK, classes, regimes de neutro e diferenciais explica como a instalação protege as pessoas.
  • Em acidente: proteger, alertar, socorrer, cortar a energia, 112, SBV e comunicar à seguradora e à ACT nos prazos.
  • Em incêndio: conhecer as classes, o extintor certo e os quatro gestos; na dúvida, evacuar.

Próximo: fichas e mini-projeto, aplicar a SST a situações reais do setor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: SST não é burocracia, é a condição para chegar ao fim do dia como se começou - erro comum: achar que a segurança é só para principiantes - exemplo: dois cabos idênticos à vista, só um com isolamento seguro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um quadro desligado e bloqueado ainda é um perigo potencial, mas o risco é quase nulo - erro comum: usar perigo e risco como sinónimos nos relatórios - analogia: um precipício é perigo; andar junto à beira sem proteção é risco

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a hierarquia explica porque o EPI vem depois da proteção coletiva - erro comum: dar luvas em vez de cortar a alimentação - pergunta: que proteção coletiva existe no vosso posto?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as medidas baixam a probabilidade; a gravidade potencial da eletricidade mantém-se - erro comum: não registar a avaliação - exemplo: refazer a matriz de outra tarefa da oficina em grupo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: consultar sempre a redação em vigor no Diário da República - erro comum: citar um diploma de memória e com número errado - pergunta: onde se consulta a legislação atualizada?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: 112 é o número único de emergência - erro comum: confundir ACT com a seguradora - exemplo: um acidente grave envolve INEM, empregador, seguradora e ACT

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dever e direito andam juntos - erro comum: achar que a segurança é só responsabilidade da empresa - exemplo: técnico sem formação no bloqueio de quadros não pode ser responsabilizado por procedimento nunca dado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a periodicidade dos exames está definida na lei - erro comum: faltar ao exame periódico por falta de tempo - pergunta: quem é o médico do trabalho da vossa empresa?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: saber em que domínio se trabalha decide o procedimento - erro comum: achar que EBT é sempre inofensiva (correntes contínuas altas queimam) - exemplo: bateria de 24 V que solda uma chave inglesa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: papéis claros evitam religações com pessoas a trabalhar - erro comum: o colega da loja ao lado mexer no quadro 'só para ajudar' - pergunta: quem é o responsável pela instalação no vosso local?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o manual faz parte do produto - erro comum: instalar pela experiência sem ler as instruções do fabricante - exemplo: limite de corrente de uma fonte de bancada no manual

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o plano responde a 'onde estou e para onde vou' - erro comum: nunca ler o plano antes de precisar dele - exemplo: traçar o caminho do posto à saída e à alternativa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o protocolo interno é critério de desempenho do referencial - erro comum: substituir o protocolo pelo juízo pessoal - pergunta: onde está a FDS do limpa-contactos que usam?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: percorrer o trajeto uma vez, a andar, na primeira semana - erro comum: confiar na memória da planta sem a testar - exemplo: refazer o exercício com a planta da sala de aula

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: 30 mA é a referência dos diferenciais de alta sensibilidade - erro comum: pensar que só tensões altas matam - exemplo: 230 V com 1500 Ω dá cerca de 153 mA

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o mesmo contacto pode ser um susto numa bancada seca e fatal numa casa de banho - erro comum: confundir contacto direto com indireto - exemplo: máquina de lavar com carcaça sob tensão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: perturbações do ritmo cardíaco podem surgir mais tarde - erro comum: recusar ir ao hospital 'porque já passou' - analogia: o iceberg, pouco à vista e muito por baixo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: classe II não precisa de terra, mas não se improvisa - erro comum: cortar o pino de terra de uma ficha - exemplo: berbequim de classe II com símbolo duplo quadrado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ler cada algarismo, não 'à prova de água' em geral - erro comum: IP65 não significa que se pode submergir - exemplo: quadro de armazém com empilhadores pede IK mais alto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a condição liga a terra ao diferencial - erro comum: escolher diferencial acima do limite calculado - exemplo: com 300 Ω de terra, só 100 mA ou 30 mA cumprem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada dispositivo protege contra uma coisa diferente - erro comum: achar que o diferencial protege contra sobrecarga - pergunta: quando foi testado o diferencial da vossa oficina?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ordem importa; nunca se verifica antes de bloquear - erro comum: confiar no disjuntor aberto sem testar - analogia: tal como a lista de verificação de um piloto, não se salta passos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o cadeado pessoal protege cada trabalhador - erro comum: bloquear sem etiqueta, ninguém sabe de quem é - exemplo: três técnicos no mesmo quadro, três cadeados

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um detetor avariado pode 'mostrar' zero com tensão - erro comum: testar só entre fase e neutro - exemplo: tomada com o neutro e a fase trocados ao longo do circuito

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: CAT II não se usa em quadros de distribuição - erro comum: olhar só para a tensão máxima do multímetro - exemplo: multímetro barato sem marcação de categoria

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: inspecionar as ferramentas antes de cada trabalho - erro comum: usar alicate comum 'só para um aperto' - exemplo: chave de fendas com isolamento descascado junto ao cabo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os passos 1 a 5 vêm sempre antes de tocar na tomada - erro comum: testar o detetor só uma vez - pergunta: que mudaria se o circuito fosse partilhado com outra sala?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ler a etiqueta e as instruções do EPI - erro comum: partilhar luvas ou capacete - exemplo: capacete com prazo de validade ultrapassado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a classe vem marcada na luva - erro comum: usar luvas de proteção mecânica como se isolassem - exemplo: viseira obrigatória ao abrir quadros em carga reduzida

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: 230/400 V cabe na classe 00 - erro comum: ignorar o prazo do novo ensaio - exemplo: luva com microfuro detetada ao insuflar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o vestuário também é prevenção - erro comum: trabalhar com aliança num quadro - analogia: o anel é um condutor que a pessoa leva no dedo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ESD não se sente, mas destrói componentes - erro comum: pulseira ligada ao chassis de um aparelho em rede - exemplo: memória que falha semanas depois de uma descarga

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca descarregar com chave de fendas em curto-circuito - erro comum: abrir uma fonte 'porque está desligada' - exemplo: monitor desligado há uma hora com carga nos condensadores

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ler o rótulo antes de usar - erro comum: transferir solvente para garrafa de água - pergunta: que pictogramas aparecem no produto que usam?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca anular um resguardo, nem por um momento - erro comum: limpar a máquina em funcionamento - exemplo: roupa solta enrolada num eixo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o erro humano é previsível, por isso desenham-se barreiras - erro comum: culpar só a pessoa sem rever o sistema - exemplo: checklist de bloqueio antes de abrir um quadro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pausas curtas e frequentes valem mais do que uma longa - erro comum: trabalhar horas num quadro baixo sem alternar posição - exemplo: ajustar cadeira e ecrã na bancada em 2 minutos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a melhor carga a levantar é a que se divide - erro comum: torcer o tronco com a carga - exemplo: quadro de 45 kg transportado desmontado em vários volumes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: escada metálica perto de quadros é um condutor - erro comum: subir com os braços ocupados - exemplo: um metro de afastamento da base por quatro de altura

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o acidente é uma cadeia de causas, não um azar - erro comum: arrumar tudo em 'distração do trabalhador' - pergunta: que tipo de acidente é mais provável no vosso posto?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a lição está na causa de fundo - erro comum: parar no primeiro porquê - exemplo: refazer a cadeia de porquês de um caso da turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a segurança de quem socorre vem primeiro - erro comum: ir ao encontro da vítima eletrizada sem cortar a corrente - exemplo: dois socorristas, um liga 112 e outro inicia compressões

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: compressões sem interrupções desnecessárias - erro comum: parar para procurar o DAE em vez de pedir a alguém - exemplo: contar em voz alta ao ritmo certo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cortar a energia é o primeiro gesto de socorro - erro comum: usar objetos húmidos ou metálicos para afastar a vítima - exemplo: afastar com cabo de madeira seco só se for baixa tensão e não houver alternativa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: na dúvida, 112 - erro comum: aplicar cremes ou gelo direto em queimaduras - exemplo: respingo de solvente nos olhos, irrigar com água abundante

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o prazo conta desde o conhecimento do acidente - erro comum: deixar a participação para o dia seguinte - pergunta: onde está a caixa de primeiros socorros do vosso local?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: extinguir é retirar pelo menos um elemento - erro comum: tapar ventilação de equipamentos - exemplo: ferro de soldar esquecido sobre um bloco de papel

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: primeiro classe, depois agente - erro comum: procurar uma 'classe E' que a norma europeia não tem - exemplo: fogo de cabo = isolamento a arder, classe A, com tensão presente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: inibir um detetor é decisão do responsável - erro comum: tapar o detetor com um saco durante a soldadura - exemplo: sala técnica com agente limpo e alarme prévio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o pó corrói a eletrónica - erro comum: água em quadro sob tensão - exemplo: sala de servidores com CO2 junto à entrada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: costas para a saída - erro comum: apontar ao topo da chama - exemplo: simulacro de extintor de CO2 com a turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a prevenção custa menos do que qualquer extintor - erro comum: arrumar caixas à frente do quadro - exemplo: quantidade mínima de solvente no posto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o plano escreve-se para o edifício concreto - erro comum: copiar o plano de outro estabelecimento - pergunta: a que categoria de risco pertence a vossa escola?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o simulacro serve para falhar sem consequências - erro comum: recolher objetos pessoais antes de sair - exemplo: fechar portas atrás de si para travar fumo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: frases curtas e factuais - erro comum: desligar logo depois de dizer 'há um incêndio' - exemplo: treino a pares com o guião de seis pontos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nenhum equipamento vale uma vida - erro comum: confrontar o assaltante - exemplo: rotina de fecho de uma loja de eletrónica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: forma e cor dizem o tipo antes de ler o texto - erro comum: confundir aviso (amarelo) com proibição (vermelho) - exemplo: sinal triangular amarelo com raio no quadro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: um sinal tapado não existe - erro comum: pendurar casacos sobre o sinal da saída - exemplo: percorrer a escola e anotar sinais em falta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: parar é uma competência técnica - erro comum: continuar 'só mais um bocado' com dúvidas - exemplo: assistência a um quadro de loja do início ao registo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a cultura de segurança vê-se quando ninguém está a olhar - erro comum: tratar a segurança como burocracia final - analogia: o cinto de segurança, incómodo até ao dia em que importa