UC00668

Executar a instalação de motores elétricos

Motores de corrente alternada e contínua, arranque, variadores de velocidade, proteções, ensaios e diagnóstico de avarias

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Eletrónica e Automação

Plano

  1. Esquemas, simbologia e marcação de bornes
  2. Instrumentos de medida, ferramentas e EPI
  3. Tipos de motores e critérios de seleção
  4. Motor assíncrono trifásico e placa de terminais
  5. Motor monofásico e seus arranques
  6. Aparelhagem de comando, potência, proteção e seccionamento
  7. Arranque direto, inversão e estrela-triângulo
  8. Arrancadores progressivos
  9. Variadores de frequência
  10. Motores de corrente contínua
  11. Terra e proteções
  12. Instalação e substituição de motores
  13. Medições de funcionamento
  14. Diagnóstico e resolução de avarias
  15. Regulamentos, Diretiva Máquinas, SST e ambiente

Bloco 1 · Esquemas e representação de circuitos

Esquemas unifilar, multifilar e funcional

  • Unifilar: uma linha representa os três condutores; mostra a estrutura e os calibres.
  • Multifilar: todos os condutores e bornes; é o esquema de execução e diagnóstico.
  • Funcional: o comando por ordem de funcionamento, entre duas linhas de alimentação; lê-se de cima para baixo.
  • Implantação: onde cada aparelho está fisicamente.

Um dossiê bom tem os esquemas coerentes entre si. Se não tem, reconcilia-se antes de ligar.

Potência, comando e sinalização

Circuito Função Tensão típica
Potência leva a energia ao motor 400 V, corrente do motor
Comando decide quando liga e desliga 24 V ou 230 V, correntes baixas
Sinalização informa o operador 24 V ou 230 V

O comando a 24 V reduz o risco de quem carrega nos botões e separa o diagnóstico: primeiro decide-se em que circuito está a avaria.

Designações e marcação de bornes

  • Letras: Q seccionador, F proteções, KM contactor, KT temporizador, S botões, H sinalização, M motor.
  • Contactor: potência 1/L1-2/T1, 3/L2-4/T2, 5/L3-6/T3; bobine A1-A2.
  • Auxiliares: 1.º algarismo é a ordem, 2.º é a função: 1-2 NF, 3-4 NA (13-14, 21-22...).
  • Relé térmico: 95-96 NF no comando, 97-98 NA para sinalização.
  • Temporizador: comum 15, 16 NF e 18 NA.

Circuito de comando com retenção

  1. Em série: F2 (95-96), S1 (paragem, NF), ramo S2 (marcha, NA) com KM1 (13-14) em paralelo, bobine KM1.
  2. Carregar em S2 fecha a bobine; 13-14 fecha e mantém a bobine depois de soltar S2.
  3. S1 ou o térmico abrem o circuito e o motor para; não volta sozinho.

Falha segura: paragem em NF, para que um fio solto pare o motor.

Bloco 2 · Instrumentos, ferramentas e EPI

Verificar a ausência de tensão

  • Usa-se detetor de dois polos, nunca caneta de um polo.
  • Princípio testar, verificar, testar: confirma-se o detetor num ponto com tensão antes e depois.
  • Verifica-se entre todas as fases e de cada fase à terra, e o neutro.
  • É o 3.º dos cinco passos: faz-se depois de seccionar e bloquear e antes de ligar à terra e em curto-circuito.

Instrumentos de funcionamento

Instrumento Mede Cuidado
Multímetro tensão, resistência, continuidade categoria CAT III ou IV; resistência só sem tensão
Pinça amperimétrica corrente abraçar um só condutor
Tacómetro rpm partes em rotação
Termografia temperatura de ligações só em carga
Analisador de redes tensão, corrente, cos φ, harmónicos configurar o tipo de ligação

Verificação da instalação e ferramentas

  • Megaohmímetro: 500 V CC em circuitos até 500 V e 1000 V CC acima (motor ligado em Y a 690 V), circuito sem tensão e eletrónica desligada.
  • Medidor de terra e micro-ohmímetro de continuidade do condutor de proteção.
  • Chave dinamométrica para apertar bornes ao binário do fabricante.
  • Alicates, terminais e cravadores, chaves isoladas, ferramentas de furação e fixação.
  • Instrumentos de alinhamento (relógio comparador, laser).

Bloco 3 · Tipos de motores e critérios de seleção

Famílias de motores elétricos

  • Assíncrono trifásico de gaiola: robusto, barato, o mais usado na indústria.
  • Assíncrono de rotor bobinado (anéis): resistências no rotor, arranque suave.
  • Assíncrono monofásico: 230 V, baixas potências.
  • Síncrono (ímanes permanentes): velocidade ligada à frequência.
  • Corrente contínua: excitação independente, derivação, série, compound, ímanes permanentes.

Com variador, o assíncrono de gaiola também regula a velocidade.

Critérios de seleção do motor

Critério Verificar
Potência ≥ a da carga, com margem sensata
Velocidade pares de polos (3000, 1500, 1000, 750 rpm a 50 Hz)
Binário de arranque curva do motor acima da da carga
Regime S1 contínuo, ou intermitente
IP e isolamento poeiras, água, classe B, F, H
Eficiência IE1 a IE4
Forma construtiva B3, B5, B14

Referências: 40 °C e 1000 m; fora disto, reduz-se a potência.

Critérios de seleção de controladores de velocidade

  • Só arrancar e parar: direto, estrela-triângulo, arrancador progressivo.
  • Regular a velocidade: variador de frequência.
  • Binário alto a velocidade quase nula ou precisão: controlo vetorial, acionamento de corrente contínua ou servo.
  • Bombas e ventiladores têm binário quadrático: reduzir a velocidade poupa muita energia.

Bloco 4 · Motor assíncrono trifásico

Velocidade, escorregamento e binário

  • n_s = 60 · f / p: 3000, 1500, 1000, 750 rpm a 50 Hz.
  • s = (n_s - n) / n_s; a plena carga, 2 % a 6 %.
  • P_abs = √3 · U · I · cos φ; P_n = P_abs · η.
  • M = 9550 · P(kW) / n(rpm).
  • I = P_n / (η · √3 · U · cos φ).

Exemplo: 11 kW, 400 V, 1465 rpm, η 0,91, cos φ 0,85 dá 20,5 A, s = 2,33 %, 71,7 N·m.

Placa de características

  • Tensões e ligação: 400/690 V Δ/Y; correntes: 14,3 / 8,3 A.
  • Potência: 7,5 kW; velocidade: 1455 rpm; cos φ: 0,84.
  • IP55, isolamento F, regime S1, IE3, forma IM B3.
  • As duas tensões são as duas redes a que o motor pode ser ligado: a mais baixa com ligação em Δ, a mais alta com ligação em Y. O enrolamento recebe sempre a mesma tensão (400 V numa placa 400/690 V, 230 V numa 230/400 V).

A leitura da placa é o primeiro passo de qualquer instalação.

Placa de terminais e ligação em Δ e em Y

Cima:   W2   U2   V2
Baixo:  U1   V1   W1
  • Triângulo (Δ): pontes verticais W2-U1, U2-V1, V2-W1.
  • Estrela (Y): ponte horizontal W2-U2-V2.
  • Em qualquer caso, a rede liga a U1, V1, W1.
  • Rede de 400 V: motor 230/400 V em Y, motor 400/690 V em Δ.

Inverter o sentido: trocar duas fases na alimentação.

Corrente de arranque e binário

  • Arranque direto: corrente de 5 a 8 × I_n; binário de arranque 1,5 a 2,5 × M_n.
  • Efeitos: queda de tensão, esforço mecânico, limites do operador da rede.
  • Por isso há métodos de arranque que reduzem a tensão no motor: estrela-triângulo, arrancador progressivo, variador.

Bloco 5 · Motor monofásico

Porque não arranca sozinho

  • Uma fase cria um campo pulsante, sem binário de arranque.
  • Precisa de um enrolamento auxiliar desfasado, com condensador ou resistência.
  • Bornes: principal U1-U2, auxiliar Z1-Z2.
  • Inverter o sentido: trocar a ligação do auxiliar em relação ao principal.

Trocar fase e neutro não muda o sentido.

Tipos de arranque do monofásico

Tipo Binário de arranque Uso
Fase auxiliar resistiva baixo a médio pequenos ventiladores
Condensador de arranque elevado compressores, bombas
Condensador permanente baixo ventiladores, portões
Dois condensadores elevado, bom rendimento compressores maiores
Polos sombreados muito baixo aparelhos pequenos

Interruptor centrífugo corta o auxiliar aos 70 a 80 % da velocidade.

Exemplo: corrente e condensador

Motor 1,1 kW, 230 V, η 0,75, cos φ 0,90, condensador 25 µF / 450 V.

  • I = 1100 / (0,75 × 230 × 0,90) ≈ 7,1 A.
  • X_c = 1 / (2π · 50 · 25 × 10⁻⁶) ≈ 127 Ω.
  • Q = U² · 2π · f · C ≈ 415 var.

Sintoma clássico de condensador avariado: zumbe e roda com um empurrão.

Bloco 6 · Aparelhagem de comando, potência e proteção

Contactor, relé térmico e disjuntor-motor

  • Contactor: eletroíman que fecha os contactos principais; categoria AC-3 para motores de gaiola.
  • Relé térmico: três bimetais; regulado à corrente nominal da placa; classe 10, 20 ou 30.
  • Disjuntor-motor: proteção magnética e térmica regulável no mesmo aparelho.
  • Rearme manual em máquinas, para impedir arranque inesperado.

Corte e seccionamento

  • Seccionamento: isola de todas as fontes; com indicação segura e bloqueio por cadeado.
  • Corte de emergência: cogumelo vermelho sobre amarelo, com retenção.
  • Corte para manutenção mecânica: junto à máquina, com bloqueio.
  • Comando funcional: pelos contactores, em serviço normal.

Cinco passos: seccionar, bloquear, verificar ausência de tensão, ligar à terra e em curto-circuito (quando aplicável), proteger partes ativas vizinhas.

Sinalização de funcionamento e de defeito

Cor Significado
Verde funcionamento normal
Vermelho perigo, defeito, emergência
Amarelo atenção, condição anormal
Azul ação obrigatória, rearme
Branco informação neutra
  • Verde por NA de KM1 (13-14); vermelho por NA do térmico (97-98).
  • No variador, usa-se a saída de relé configurada para "defeito" ou "em marcha".

Bloco 7 · Arranque direto, inversão e estrela-triângulo

Arranque direto e inversão

  • Direto: um contactor, simples, binário máximo, mas 5 a 8 × I_n.
  • Cadeia de potência: Q1 → F1 → KM1 → F2 → M1, mais PE.
  • Inversão: KM1 (direto) e KM2 (duas fases trocadas).
  • Intertravamento elétrico (NF cruzados) e, se possível, mecânico: KM1 e KM2 nunca juntos.
  • Parar antes de inverter, para proteger a mecânica.

Estrela-triângulo: princípio

  • Em Y, cada enrolamento recebe 400 / √3 = 231 V.
  • A corrente de linha de arranque desce para 1/3, e o binário também para 1/3.
  • Condição: o motor tem de trabalhar em Δ à tensão da rede: placa 400/690 V em rede de 400 V.
  • Um motor 230/400 V não serve para este método numa rede de 400 V.

Estrela-triângulo: circuito e sequência

Contactor Função
KM1 rede em U1, V1, W1
KM2 fecha a estrela (U2-V2-W2)
KM3 liga L1 a W2, L2 a U2 e L3 a V2; com KM1 fechado, fecha o triângulo (U1-W2, V1-U2, W1-V2)
  1. Marcha: KM1 + KM2 e KT1 a contar.
  2. Fim do tempo: KM2 cai; pausa de dezenas de ms.
  3. KM3 liga: triângulo em serviço.

KM2 e KM3 nunca juntos: seria curto-circuito.

Estrela-triângulo: dimensionamento e limites

  • KM1 e KM3 transportam a corrente de cada enrolamento: 0,58 × I_n; KM2: 0,33 × I_n.
  • Térmico em série com o enrolamento: 0,58 × I_n; à entrada: I_n.
  • Exemplo 11 kW, I_n = 20,5 A: direto 144 A, em Y 48 A.
  • Limites: binário a 1/3, segundo pico na passagem, seis cabos até ao motor.
  • Só para máquinas que arrancam quase sem carga.

Bloco 8 · Arrancadores progressivos

Arrancador progressivo: princípio e circuitos

  • Tirístores em oposição, em cada fase, fazem subir a tensão por rampa.
  • Potência: L1, L2, L3 → T1, T2, T3 → motor; bypass no fim da rampa.
  • Comando: marcha/paragem, alimentação, saídas de relé (fim de rampa, defeito).
  • Ligação alternativa dentro do triângulo (6 fios): transporta 0,58 × I_n.
  • Binário proporcional ao quadrado da tensão.

Regulações do arrancador progressivo

Regulação Valor típico
Tensão inicial 30 a 50 %
Rampa de aceleração 2 a 30 s
Limite de corrente 2 a 4 × I_n
Rampa de desaceleração 3 a 30 s (bombas)
Proteção eletrónica corrente da placa, classe de disparo
Kick start pulso breve para cargas que "colam"

Exemplo: limitar a 3 × I_n quando o direto dá 6,5 × I_n exige 46 % de tensão e dá 21 % do binário.

Arrancador progressivo: vantagens e limitações

  • Vantagens: arranque e paragem suaves, menos esforço mecânico, corrente limitada, compacto.
  • Limitações: não regula a velocidade em serviço; binário de arranque reduzido; limite de arranques por hora; harmónicos durante a rampa; não inverte o sentido.
  • Comparação: o variador regula também a velocidade, mas custa mais e exige mais cuidados de instalação.

Bloco 9 · Variadores de frequência

Regulação de velocidade: sistemas

  • Comutação de polos (Dahlander, dois enrolamentos): 2 ou 3 velocidades fixas.
  • Resistências no rotor: motor de anéis, perdas elevadas.
  • Variação de tensão: só cargas de binário muito baixo.
  • Acoplamentos e variadores mecânicos: perdas e manutenção.
  • Variador de frequência: regulação contínua, eficiente e precisa.

Constituição e controlo do variador

  • Retificador → barramento CC (condensadores) → inversor IGBT com PWM.
  • Extras: resistência de frenagem, filtro EMC, proteções.
  • Escalar V/f: simples, para bombas e transportadores.
  • Vetorial sem sensor e com encoder: mais binário a baixa velocidade e melhor resposta.
  • Entrada 1~230 V ou 3~400 V; saída trifásica.

O barramento mantém tensão perigosa vários minutos depois de desligado.

O motor com variador: binário, potência e arrefecimento

  • Abaixo de 50 Hz, com V/f constante: binário constante.
  • Acima de 50 Hz: tensão no máximo, enfraquecimento de campo, potência constante, binário a cair com 1/f.
  • A baixa velocidade, o ventilador do veio arrefece menos: servoventilação ou motor maior.
  • Exemplo: a 30 Hz, 4 polos, 240 V e 900 rpm de sincronismo; a plena carga o escorregamento em rpm mantém-se (cerca de 60 rpm), logo cerca de 840 rpm reais.

Regras de instalação de um variador

  • Cabo do motor blindado, blindagem ligada à terra nas duas extremidades (360°), o mais curto possível.
  • Separar potência e sinal; cabos de sinal blindados.
  • Terra com ligações curtas e fortes; atenção às correntes de fuga.
  • Diferencial: em geral tipo B com variador de entrada trifásica e tipo F com entrada monofásica, salvo indicação do fabricante. O tipo é a forma de corrente que deteta; a sensibilidade (30, 100, 300 mA) é outro parâmetro.
  • Sem contactores na saída com o motor em marcha.
  • Ventilação, distâncias e derating; filtros e bobines quando indicados.
  • Entradas: digitais, 0 a 10 V, 4 a 20 mA; saídas de relé.

Configuração inicial passo a passo

  1. Verificar a cablagem sem tensão.
  2. Repor valores de fábrica, se o aparelho já foi usado.
  3. Dados da placa do motor: tensão, corrente, frequência, rpm, potência, cos φ.
  4. Autotuning, se existir.
  5. Origem do comando e da referência (bornes, teclado, 0-10 V, 4-20 mA, rede).
  6. Rampas de aceleração e desaceleração; limites de frequência e de corrente.
  7. Teste a baixa frequência: sentido e ruído; depois subir e medir a corrente.
  8. Guardar os parâmetros e registar.

Exemplo: variador num transportador

Tambor de 0,25 m, motor 4 polos (1440 rpm), redutor 1:10, velocidade pretendida 1,2 m/s.

  1. n_saída = 60 × 1,2 / (π × 0,25) ≈ 91,7 rpm; n_motor ≈ 917 rpm.
  2. Sincronismo ≈ 917 + 60 = 977 rpm; f ≈ 32,6 Hz.
  3. V/f = 8 V/Hz: 261 V.
  4. Rampa de 10 s a 50 Hz: 6,5 s até 32,6 Hz.

Bloco 10 · Motores de corrente contínua

Princípio e equações

  • Estator com campo fixo (excitação ou ímanes); rotor com escovas e coletor.
  • E = k · Φ · n e U = E + R_a · I_a; logo n = (U - R_a · I_a) / (k · Φ).
  • Velocidade: tensão do induzido (abaixo da nominal) e enfraquecimento de campo (acima).
  • Binário proporcional a Φ · I_a.

Tipos e bornes

Tipo Comportamento
Excitação independente velocidade regulável pelo induzido
Derivação (shunt) velocidade quase constante
Série binário de arranque muito alto; dispara em vazio
Compound meio termo
Ímanes permanentes pequeno, binário proporcional à corrente

Bornes habituais: A1-A2 induzido, E1-E2 derivação, D1-D2 série, F1-F2 independente. Confirmar na placa.

Arranque, inversão, regulação e perda de campo

  • Arranque: limitar a corrente (resistências por etapas ou conversor com rampa).
  • Inversão: polaridade do induzido ou da excitação, nunca as duas.
  • Regulação: tensão do induzido; enfraquecimento de campo para velocidades acima da nominal.
  • Perda de excitação: velocidade dispara; é obrigatória a proteção de perda de campo.
  • Manutenção: escovas, coletor, rolamentos; aspirar o pó, não soprar para dentro.

Exemplo: motor de corrente contínua

Excitação independente, 220 V, R_a = 0,5 Ω, I_a = 20 A, 1500 rpm.

  • E = 220 - 0,5 × 20 = 210 V.
  • Arranque direto: 220 / 0,5 = 440 A, 22 × a nominal.
  • Resistência de arranque para 40 A: 220 / 40 - 0,5 = 5,0 Ω.
  • Com 110 V: E' = 100 V, n' ≈ 714 rpm.

Bloco 11 · Terra e proteções

Proteção de pessoas e ligação à terra

  • Contacto direto: isolamento, invólucros, barreiras; diferencial de 30 mA como proteção complementar.
  • Contacto indireto: ligação das massas à terra e corte automático, mais equipotenciais.
  • Regimes: TT (o mais comum nas instalações da rede pública), TN, IT.
  • Em TT: R_A × I_Δn ≤ 50 V: 300 mA → ≤ 167 Ω; 30 mA → ≤ 1667 Ω.
  • PE verde-amarelo, nunca interrompido por aparelhos de corte.

Sobreintensidades e curto-circuitos

  • Sobrecarga: térmico, disjuntor-motor, proteção eletrónica, sondas PTC ou PT100.
  • Curto-circuito: fusíveis gG ou aM, disjuntor magnético; poder de corte ≥ curto-circuito presumido.
  • Proteção do cabo: I_b ≤ I_n ≤ I_z e I_2 ≤ 1,45 · I_z.
  • Coordenação tipo 1 e tipo 2 (contactor e relé utilizáveis, no tipo 2).
  • Rearmar sem investigar é o caminho mais curto para queimar um motor.

Sobretensões: origem, efeitos e defesa

  • Atmosféricas (descargas na rede ou perto da instalação) e de manobra (corte de cargas indutivas, bobines, longos cabos de motor).
  • Efeitos: isolamento perfurado, eletrónica destruída (variador, autómato), avarias que parecem "sem causa".
  • Descarregadores (DST) coordenados, com o nível de proteção abaixo do que o equipamento suporta.
  • Ligação de terra curta e direta: cada metro de cabo soma tensão ao nível de proteção.
  • Supressores nas bobines (RC, varistor, díodo) e filtros de saída nos cabos longos de variador.

Exemplo: o comprimento da ligação do descarregador

DST com U_p = 1,5 kV; o variador suporta 2,5 kV. Descarga de 5 kA com frente de 8 µs: di/dt ≈ 625 A/µs. Admite-se 1 µH por metro de cabo.

  • Ligação de 1,0 m: ΔU = 1 µH × 625 A/µs = 625 V; no variador: 1,5 + 0,625 = 2,1 kV, protege.
  • Ligação de 2,5 m: ΔU ≈ 1,56 kV; no variador: 3,1 kV, não protege.
  • Solução: encurtar a ligação e instalar o DST junto do equipamento.

Seleção de proteções

  • I_n do motor e corrente de arranque.
  • Classe de disparo do térmico.
  • Curto-circuito presumido (poder de corte).
  • Regime de neutro (TT, TN, IT).
  • Eletrónica de potência: tipo de diferencial e proteções indicados pelo fabricante.
  • Sobretensões: nível de proteção do DST abaixo da suportabilidade do equipamento.

Exemplo: proteger e cablar 11 kW

I_n = 20,5 A, 400 V, cos φ 0,85, arranque direto, 40 m, regime TT.

  • Curto-circuito: aM de 25 A (não protege da sobrecarga); sobrecarga: térmico 18-25 A regulado a 20,5 A.
  • Cabo (valores hipotéticos de tabela): 2,5 mm² dá 16,8 A com fator 0,8, não serve; 4 mm² dá 22,4 A: I_b = 20,5 A ≤ I_r = 20,5 A ≤ I_z = 22,4 A, serve.
  • Queda de tensão: R = 0,0225 × 40 / 4 = 0,225 Ω; ΔU ≈ 6,8 V (1,7 %), a comparar com o limite das RTIEBT.
  • Terra: com 300 mA, R_A ≤ 167 Ω.

Bloco 12 · Instalação e substituição de motores

Instalar um motor novo

  1. Verificar a placa e o motor à chegada; isolamento a 500 V.
  2. Fixar na base plana e rígida, com binário certo.
  3. Alinhar o acoplamento (angular e paralelo) ou tensionar as correias.
  4. Proteções de partes móveis.
  5. Bucins, laços de gotejamento, terminais, pontes conforme a rede, aperto dinamométrico, PE.
  6. Ensaio do sentido de rotação com o motor desacoplado.
  7. Térmico à corrente da placa; arrancar; medir e registar.

Substituir um motor existente

  1. Seccionar, bloquear, verificar; imobilizar a máquina.
  2. Documentar: fotos, etiquetas, sentido, placa antiga.
  3. Desligar (PE por último), libertar, içar com olhais.
  4. Comparar: altura de eixo, furação, veio, flange, polos, tensão.
  5. Instalar como novo.
  6. Atenção ao IE3: menor escorregamento, mais velocidade; em bombas e ventiladores a potência varia com o cubo (+1,5 % de velocidade, +4,6 % de potência).

Manutenção da ligação de motores

  • Reaperto periódico dos bornes (ciclos térmicos e vibração).
  • Inspeção visual: descoloração, cheiro, isolamento fendido.
  • Limpeza da caixa; juntas e bucins em bom estado.
  • Termografia em carga: o borne frouxo aquece mais do que os vizinhos.
  • Medições periódicas de isolamento e corrente, com registo de tendências.
  • Lubrificação: o tipo e a quantidade do fabricante.

Bloco 13 · Medições de funcionamento

Que medir e o que comparar

Grandeza Referência Desvio indica
Tensão entre fases 400 V, ±10 % queda de tensão, mau contacto
Corrente por fase placa, três semelhantes sobrecarga, desequilíbrio
Velocidade placa escorregamento alto
Resistência dos enrolamentos três iguais espira em curto, mau contacto
Isolamento acima do mínimo humidade, envelhecimento
Temperatura abaixo da classe ventilação, rolamento

Resistência de isolamento: procedimento

  1. Desligar e verificar ausência de tensão; desligar os cabos (e a eletrónica).
  2. 500 V CC (circuitos até 500 V; 1000 V CC acima) entre cada enrolamento e a carcaça e entre enrolamentos.
  3. Ler ao fim de cerca de 1 minuto.
  4. Descarregar o enrolamento à terra depois da medição.
  5. Interpretar: valor mínimo do fabricante e do regulamento; regra prática do curso: abaixo de 1 MΩ não se liga; ver a tendência.

Exemplo: desequilíbrio de tensões e correntes

Tensões 402, 398 e 380 V; correntes 20,1, 20,4 e 27,0 A.

  • Média das tensões 393,3 V; desvio 13,3 V; desequilíbrio 3,4 %.
  • Média das correntes 22,5 A; desvio 4,5 A; desequilíbrio 20 %.
  • Cerca de seis vezes o das tensões: o problema está na alimentação.
  • Ação: sem tensão, reapertar e inspecionar bornes e contactos da fase baixa.

Bloco 14 · Diagnóstico e resolução de avarias

O método de diagnóstico

  1. Recolher informação (operador, histórico, trabalhos recentes).
  2. Observar com segurança: sinalização, disparos, cheiro, aspeto.
  3. Hipóteses, da mais simples à mais complicada.
  4. Testar por divisão do circuito.
  5. Reparar a causa, não o sintoma.
  6. Verificar, ensaiar e registar.

Primeira pergunta: o contactor fecha? Comando, potência, motor ou carga.

Sintomas e causas prováveis

Sintoma Causas prováveis
Não arranca, sem ruído sem tensão, térmico, fusível, comando aberto, emergência
Zumbe (trifásico) falta de fase, carga bloqueada, rolamento
Zumbe (monofásico) condensador, interruptor centrífugo
Dispara o térmico sobrecarga, falta de fase, regulação, tensão baixa
Dispara o diferencial isolamento degradado, fugas do variador
Aquece sobrecarga, ventilação, desequilíbrio, rolamento
Sentido errado duas fases trocadas

Falta de fase e avarias típicas

  • Motor em carga continua a rodar sem uma fase, com correntes muito mais altas nas outras duas.
  • Causas: fusível fundido, contacto do contactor queimado, borne frouxo, cabo cortado.
  • Potência: contactos queimados ou colados, bornes carbonizados.
  • Comando: botões sujos, bobines queimadas, fins de curso, intertravamento esquecido.
  • Sinalização: lâmpadas fundidas, relé de variador mal configurado.

Exemplo: motor que só zumbe

O contactor fecha, o motor zumbe. Tensões nos bornes: L2-L3 = 399 V, mas L1-L2 ≈ 205 V e L1-L3 ≈ 196 V: falta L1.

  1. Contactor fecha, logo o comando está bom.
  2. Seccionar, bloquear e verificar a ausência de tensão antes de tocar em condutores.
  3. Repõe-se a tensão em segurança e mede-se só com instrumento de categoria adequada: à entrada do contactor há as três fases; à saída falta uma.
  4. Contacto principal queimado entre entrada e saída.
  5. Seccionar e bloquear de novo e, sem tensão, trocar o jogo de contactos, apertar; só depois repor, ensaiar e medir correntes semelhantes.
  6. Registar e recomendar manutenção preventiva.

Bloco 15 · Regulamentos, segurança e ambiente

RTIEBT e competências de intervenção

  • Instalações de baixa tensão regem-se pelas Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT), na redação em vigor.
  • Fiscalização: Direção-Geral de Energia e Geologia e entidades inspetoras reconhecidas.
  • A execução e a manutenção exigem habilitação adequada; o que sai da competência pertence a quem a tem.
  • Antes de entrar em serviço: inspeção e ensaios, com resultados no dossiê.

Diretiva Máquinas

  • Requisitos essenciais de segurança e saúde para máquinas colocadas no mercado europeu: a Diretiva 2006/42/CE até 19 de janeiro de 2027; a partir de 20 de janeiro de 2027, o Regulamento (UE) 2023/1230.
  • Fabricante: documentação técnica, declaração de conformidade, marcação CE, instruções em português.
  • No equipamento elétrico: seccionamento, paragem de emergência, proteção contra arranque inesperado.
  • Proteções em acoplamentos, correias e partes móveis.
  • Alterações significativas podem obrigar a reavaliar a conformidade.
  • As categorias de paragem vêm da norma EN 60204-1 (equipamento elétrico de máquinas): 0 corta a alimentação de imediato; 1 faz a paragem controlada e depois corta; 2 faz a paragem controlada com a energia mantida.
  • Paragem de emergência: categoria 0 ou 1. A categoria 2 é paragem operacional, não de emergência.

EPI: regras de utilização

EPI Risco
Luvas isolantes choque elétrico, inspecionar antes de usar
Calçado isolante choque, objetos
Óculos ou viseira projeções, arco
Capacete queda de objetos
Vestuário adequado arco, enrolamento em partes móveis
Proteção auditiva ruído

O EPI é a última barreira; não substitui seccionar, bloquear e verificar.

Segurança e saúde no trabalho

  • Choque e arco: seccionar, bloquear, verificar; EPI; ferramentas isoladas.
  • Arranque inesperado: cadeado pessoal e imobilização mecânica.
  • Partes em rotação: proteções, roupa justa.
  • Cargas pesadas: olhais, talha, trabalho a pares.
  • Superfícies quentes e tensão residual nos variadores.
  • Empregador: avaliação de riscos e formação. Trabalhador: cumprir procedimentos e comunicar perigos.

Proteção do ambiente

  • Resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos: reciclagem, nunca lixo comum; o cobre e o aço têm valor.
  • Óleos, massas, panos e embalagens contaminados: resíduos perigosos, a entregar a operadores licenciados.
  • Separar na origem: metais, plásticos, cabos, embalagens.
  • Eficiência energética: motores IE3 ou superior e variadores reduzem consumo e emissões.
  • Derrames: material absorvente à mão.

Plano de trabalho: substituir um motor

  1. Preparar: dossiê, horário, material, EPI.
  2. Avaliar riscos.
  3. Seccionar, bloquear, verificar; imobilizar.
  4. Documentar antes de desligar.
  5. Desligar, libertar, içar.
  6. Instalar, alinhar, ligar; sentido com o motor desacoplado; térmico.
  7. Medir e registar.
  8. Reciclar o motor antigo; resíduos perigosos à parte.
  9. Retirar cadeados, informar a produção, arrancar com vigilância.

Recapitulando

  • Ler esquemas e placas; escolher o motor e o método de arranque (direto, inversão, estrela-triângulo, arrancador progressivo, variador).
  • Ligar potência, comando e sinalização, com intertravamentos e proteções (curto-circuito, sobrecarga, terra, sobretensões).
  • Variador: instalação cuidada, parametrização a partir da placa, rampas e limites.
  • Motor de corrente contínua: limitar o arranque, cuidar da excitação e das escovas.
  • Medir, diagnosticar com método e registar; cumprir RTIEBT, EPI, SST e ambiente.

Próximo: fichas e projeto, instalar e ensaiar acionamentos de motores reais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o unifilar serve para perceber a instalação, nunca para ligar fios. - erro comum/pergunta: ligar "de memória" o que se viu noutro quadro parecido. O esquema desta máquina é que manda. - exemplo/analogia: o unifilar é o mapa de metro, o multifilar é a planta da rua com os números das portas.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o contactor fecha? Se fecha, o comando está bem e procura-se na potência ou no motor. - erro comum/pergunta: medir a potência quando o contactor nem fecha. - exemplo/analogia: o comando é o cérebro que decide, a potência são os músculos que trabalham.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pedir à turma que diga, sem olhar, qual é o contacto que faz a retenção (13-14 de KM1). - erro comum/pergunta: ligar o 95-96 em série na potência. Está sempre em série na bobine, no comando. - exemplo/analogia: a marcação dos bornes é como o código postal, diz onde está cada ligação sem abrir o manual.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a retenção é o que torna o arranque "de impulso" e impede o rearranque automático depois de falha de tensão. - erro comum/pergunta: ligar o botão de paragem em NA. Um fio solto tira a possibilidade de parar. - exemplo/analogia: a retenção é como o interruptor de uma campainha de porta que alguém segura carregada, depois é o contacto que a "segura".

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o detetor também avaria. É por isso que se testa antes e depois. - erro comum/pergunta: "o multímetro também serve". Não serve para verificar a ausência de tensão. Na escala errada, com o fusível interno fundido ou com uma ponteira partida, um multímetro mostra 0 V num condutor em tensão, e a sua alta impedância ainda dá leituras fantasma. O multímetro mede; quem verifica a ausência de tensão é o detetor de dois polos, testado antes e depois num ponto com tensão conhecida. - exemplo/analogia: é como testar o travão do carro antes de descer a serra.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a categoria de medição diz onde na instalação o aparelho aguenta um curto-circuito. - erro comum/pergunta: pinça a abraçar os três condutores. A soma vetorial é zero e lê-se zero. - exemplo/analogia: abraçar dois condutores é medir o fluxo de uma rua de sentido único e duplo ao mesmo tempo, o que entra anula o que sai.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aperto fraco aquece, aperto excessivo parte. A chave dinamométrica elimina as duas. - erro comum/pergunta: medir isolamento com o variador ligado ao motor. - exemplo/analogia: um borne mal apertado é uma pequena resistência que aquece como uma torradeira.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a maior parte dos motores que a turma vai ligar é assíncrona de gaiola. - erro comum/pergunta: "o motor de corrente contínua acabou". Existe em instalações antigas e aplicações específicas, e é preciso saber mantê-lo. - exemplo/analogia: o assíncrono de gaiola é o carro familiar, o de contínua é o carro desportivo mais exigente em manutenção.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a eficiência pesa mais do que o preço de compra, porque o custo de energia ao longo da vida é muito superior. - erro comum/pergunta: sobredimensionar "por segurança". Um motor muito folgado trabalha com pior fator de potência. - exemplo/analogia: é como calçar um número acima, não aperta, mas dá mais trabalho a andar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a potência de um ventilador varia com o cubo da velocidade. Pequenas reduções dão grandes poupanças. - erro comum/pergunta: regular o caudal de uma bomba com uma válvula quando um variador faria o mesmo gastando menos. - exemplo/analogia: estrangular uma válvula é conduzir com o pé no travão e no acelerador ao mesmo tempo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a potência da placa é mecânica, no veio, não a absorvida da rede. - erro comum/pergunta: usar a potência da placa diretamente na fórmula da corrente sem o rendimento. - exemplo/analogia: o escorregamento é a pequena distância a que o rotor corre atrás do campo, como um cão a seguir o dono.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada enrolamento tem de receber sempre a tensão nominal do enrolamento. - erro comum/pergunta: "a rede é 400 V, logo o motor é de 400 V". Depende da placa: pode ser 230/400 ou 400/690. - exemplo/analogia: a placa é o cartão de cidadão do motor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a rede liga sempre a U1, V1, W1. Só as pontes mudam. - erro comum/pergunta: ligar um 230/400 V em triângulo na rede de 400 V. Cada enrolamento ficaria com cerca de 1,7 vezes a tensão nominal. - exemplo/analogia: a placa de terminais é uma ficha de pontes: duas posições, mesmas peças, funcionamentos diferentes.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o binário depende do quadrado da tensão; reduzir a tensão reduz muito o binário. - erro comum/pergunta: achar que reduzir a corrente "de borla" mantém o binário. - exemplo/analogia: arrancar um camião em segunda: menos esforço no motor, mas mais devagar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quem decide o sentido é a ligação relativa entre os dois enrolamentos. - erro comum/pergunta: trocar fase e neutro para inverter. O motor continua a rodar para o mesmo lado. - exemplo/analogia: um campo pulsante é um baloiço que vai e volta no mesmo sítio, sem dar a volta ao rotor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ao trocar um condensador, manter capacidade (µF) e tensão nominal ou superior. - erro comum/pergunta: motor que zumbe e não arranca. Suspeitar do condensador e medir. - exemplo/analogia: o condensador é o empurrão inicial, como o do carrinho de bebé que depois segue sozinho.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: descarregar sempre o condensador antes de lhe tocar ou de o medir. - erro comum/pergunta: usar um condensador de 250 V num circuito que precisa de 450 V. - exemplo/analogia: um condensador é um pequeno reservatório de carga; antes de lhe tocar, esvazia-se.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a bobine tem de ter a tensão do comando (24 V ou 230 V). - erro comum/pergunta: regular o térmico "mais alto para não disparar". Fica sem proteção. - exemplo/analogia: o relé térmico é como um fusível "com memória" que reage ao calor acumulado.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada técnico tem o seu cadeado e a sua chave, e só ele o retira. - erro comum/pergunta: usar o botão de emergência como seccionamento. Não garante ausência de tensão. - exemplo/analogia: o cadeado pessoal é como a chave do carro no bolso quando se mexe no motor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a lâmpada de defeito tem de ficar acesa até alguém intervir e rearmar. - erro comum/pergunta: usar vermelho para "em marcha". Em máquinas, vermelho é perigo ou defeito. - exemplo/analogia: é o semáforo da máquina.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: se KM1 e KM2 fecharem ao mesmo tempo, há curto-circuito entre fases nos próprios bornes. - erro comum/pergunta: confiar só nos botões (um só botão por vez). Um contacto colado fecha o contactor mesmo sem botão. - exemplo/analogia: o intertravamento é como a porta de eclusa: nunca se abrem as duas ao mesmo tempo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: primeiro olha-se para a placa, depois decide-se o método. - erro comum/pergunta: arrancar um 230/400 V em estrela-triângulo. Na passagem a Δ, cada enrolamento fica com cerca de 1,7 vezes a tensão nominal. - exemplo/analogia: é como arrancar um carro em primeira e passar a segunda quando já anda.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a pausa de transição dá tempo ao arco de KM2 para extinguir antes de KM3 fechar. - erro comum/pergunta: ligar U1-U2 em vez de U1-W2 no triângulo. O motor roda mal, ou dispara. - exemplo/analogia: passar de estrela a triângulo é passar de mudança, com embraiagem pelo meio.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: se o motor ainda estiver lento na passagem, o pico quase iguala o do arranque direto. - erro comum/pergunta: usar estrela-triângulo num compressor em carga. Não acelera em estrela. - exemplo/analogia: um motor que "não passa da estrela" é um carro que não consegue subir a rampa em primeira.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem bypass, os tirístores dissipam calor em regime e o aparelho aquece. - erro comum/pergunta: ligar condensadores de compensação na saída do arrancador. Danifica-o. - exemplo/analogia: o arrancador é um regulador de intensidade de luz (dimmer) para o motor.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a paragem suave em bombas evita o golpe de aríete. - erro comum/pergunta: limitar demasiado a corrente numa carga com binário resistente alto. O motor não arranca. - exemplo/analogia: o golpe de aríete é como fechar uma torneira de repente com a água a correr com força.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: perguntar ao cliente se precisa de regular velocidade antes de propor o arrancador. - erro comum/pergunta: propor arrancador a uma aplicação que precisa de velocidade variável. - exemplo/analogia: o arrancador é um acelerador suave só no início, o variador é um acelerador completo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: de n_s = 60 f / p, só se pode mexer em f, p ou no escorregamento. Todos os sistemas decorrem daqui. - erro comum/pergunta: reduzir a tensão para baixar a velocidade e esperar binário igual. O binário cai com o quadrado da tensão. - exemplo/analogia: os sistemas antigos são engrenagens de bicicleta, o variador é uma transmissão contínua.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: respeitar o tempo de espera que o fabricante indica antes de abrir a tampa. - erro comum/pergunta: abrir o variador "logo depois de desligar". Os condensadores ainda têm carga. - exemplo/analogia: o barramento é uma bateria de condensadores que não se descarrega no instante do corte.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: acima da frequência nominal, confirmar que motor e carga suportam a velocidade. - erro comum/pergunta: pôr 80 Hz num motor "para ir mais depressa" e esperar o binário completo. - exemplo/analogia: acima de 50 Hz é como um ciclista a rolar em plano, mais velocidade mas menos força nos pedais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a blindagem mal ligada põe em risco medidores, sensores e comunicações de toda a instalação. - erro comum/pergunta: ligar a blindagem só de um lado "para evitar malhas". No variador de potência liga-se nos dois. - exemplo/analogia: a blindagem é uma gaiola de Faraday à volta do cabo para o ruído não sair.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a corrente nominal da placa é o parâmetro mais importante para a proteção térmica do motor. - erro comum/pergunta: deixar a corrente nominal de fábrica do variador, bem acima da do motor. Fica sem proteção. - exemplo/analogia: parametrizar sem placa é vestir sem saber a medida da pessoa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a frequência obtém-se pela velocidade de sincronismo, que soma o escorregamento à velocidade real. - erro comum/pergunta: usar proporção direta ignorando o escorregamento. Dá 31,8 Hz em vez de 32,6, pequena diferença, mas conceptualmente errada. - exemplo/analogia: fazer a conta de baixo para cima, da banda ao motor, é seguir a corrente da transmissão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o motor é o seu próprio sensor de velocidade, a E é proporcional a n. - erro comum/pergunta: esquecer que E=0 no arranque e a corrente é U/R_a. - exemplo/analogia: a força contraeletromotriz é o motor a "resistir" ao movimento que ele próprio produz, como a resistência do ar ao ciclista.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca acoplar um motor série a uma carga que se possa soltar. - erro comum/pergunta: arrancar em vazio um motor série "para ver se anda". Dispara de velocidade. - exemplo/analogia: o motor série em vazio é um carro com o acelerador preso, só que sem travão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a proteção de perda de campo é obrigatória em acionamentos de contínua. - erro comum/pergunta: inverter induzido e excitação e achar que o sentido muda. - exemplo/analogia: inverter as duas polaridades é como mudar a esquerda e a direita ao mesmo tempo, o sentido fica igual.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma resistência de apenas 0,5 Ω deixaria passar 440 A, razão pela qual se limita sempre a corrente de arranque. - erro comum/pergunta: esquecer a queda R_a · I_a ao calcular a velocidade com tensão reduzida. - exemplo/analogia: ligar o motor de contínua parado direto à tensão é ligar uma torneira de mangueira grossa a um tubo fino.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem terra, a carcaça avariada fica a 230 V à espera de alguém a tocar. - erro comum/pergunta: medir a terra e não a registar, ou não a medir de todo. - exemplo/analogia: o condutor de proteção é a porta de emergência da corrente: dá-lhe um caminho livre para que o disjuntor reaja.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: as duas proteções têm funções diferentes; o térmico não protege de curto-circuito e vice-versa. - erro comum/pergunta: usar fusível aM como proteção de sobrecarga. O aM protege só contra curto-circuito. - exemplo/analogia: o térmico é o alarme de fumo, o magnético é o extintor automático.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o descarregador só protege se a tensão que chega ao equipamento, nível de proteção mais a queda nos cabos de ligação, ficar abaixo do que o equipamento suporta. - erro comum/pergunta: ligar o descarregador de sobretensões com um cabo comprido. A tensão aos terminais aumenta. - exemplo/analogia: o descarregador é um para-raios dentro do quadro, que só funciona com o cabo de terra rente à parede.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o valor de 1 µH por metro é uma ordem de grandeza para o raciocínio, não um dado de catálogo. - erro comum/pergunta: olhar só para o U_p do catálogo. A tensão no equipamento inclui a queda nos cabos de ligação. - exemplo/analogia: é como uma mangueira de bombeiro: quanto mais comprida, mais pressão se perde ao longo dela.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a seleção começa na placa do motor e acaba no regime de neutro da instalação. - erro comum/pergunta: escolher a proteção só pela corrente nominal, esquecendo o arranque e o curto-circuito presumido. - exemplo/analogia: escolher proteções é como escolher o calçado: serve ao pé, ao terreno e ao percurso.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: consulta-se sempre a tabela do regulamento para o modo de instalação real. - erro comum/pergunta: calcular só a corrente admissível e esquecer a queda de tensão num cabo longo. - exemplo/analogia: o cabo é uma mangueira, quanto mais comprida, mais pressão se perde no fim.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o desalinhamento é uma das primeiras causas de rolamento gasto. - erro comum/pergunta: testar o sentido com o motor acoplado a uma bomba. Roda ao contrário e pode danificá-la. - exemplo/analogia: o laço de gotejamento é a "cauda de porco" do cabo, a água escorre sem entrar na caixa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fotografia da caixa de terminais antes de desligar vale ouro às seis da tarde. - erro comum/pergunta: trocar um motor por um de classe superior e não verificar a corrente na bomba. - exemplo/analogia: trocar por um motor mais eficiente numa bomba é pôr um pé mais leve no acelerador mas a bomba corre mais.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a tendência importa mais do que o valor isolado. - erro comum/pergunta: encher o rolamento de massa "para durar mais". O excesso aquece e destrói. - exemplo/analogia: a manutenção é a ida ao dentista, mais barata do que o tratamento de urgência.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medir é comparar com um valor esperado. Uma medição sem referência não diz nada. - erro comum/pergunta: ler só uma fase. Compara-se sempre as três. - exemplo/analogia: é como tirar a tensão arterial, o valor só interessa se souber o que é normal.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a descarga final protege quem vai tocar no motor a seguir. - erro comum/pergunta: medir com os cabos do variador ligados. Destrói a eletrónica. - exemplo/analogia: um enrolamento que absorveu humidade é como uma esponja molhada, não isola.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pequenos desequilíbrios de tensão amplificam-se nas correntes. - erro comum/pergunta: culpar o motor por um desequilíbrio que vem da rede. - exemplo/analogia: é como uma equipa de remadores com um que rema mais fraco: os outros compensam e cansam-se.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: dividir o circuito ao meio encurta qualquer diagnóstico. - erro comum/pergunta: substituir peças por tentativa e erro sem medir. - exemplo/analogia: é o método do médico: sintomas, hipóteses, exames, tratamento, alta.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a causa mais provável em primeiro lugar, e nunca saltar a medição. - erro comum/pergunta: substituir só o fusível e deixar a causa (borne frouxo, contacto queimado). - exemplo/analogia: um motor que zumbe é um motor que "pede ajuda": falta-lhe uma fase ou um empurrão.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o térmico com sensibilidade à falta de fase protege nestes casos. - erro comum/pergunta: rearmar o térmico e carregar em marcha de novo, sem medir nada. - exemplo/analogia: uma fase em falta é uma perna da mesa partida: a mesa ainda se aguenta, mas as outras sofrem.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medir à entrada e à saída do mesmo aparelho localiza a falha em poucos minutos. - erro comum/pergunta: trocar o motor sem ter medido as tensões nos bornes. - exemplo/analogia: é o método da torneira sem água: vê-se se há água na rua, na conduta, na torneira.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: saber o limite das competências próprias é parte da profissionalidade. - erro comum/pergunta: aceitar um trabalho fora das próprias competências "só desta vez". - exemplo/analogia: o técnico de instalações de baixa tensão não é o médico para tudo: sabe quando encaminhar.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: acrescentar um variador ou mudar o comando de segurança pode ser uma alteração significativa. - erro comum/pergunta: retirar a proteção de um acoplamento "para ver melhor". Vai contra o essencial da diretiva. Outra: "a categoria 2 também serve para emergência". Não serve: só 0 e 1. - exemplo/analogia: a marcação CE é o passaporte da máquina, e quem a altera pode ter de pedir um novo.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: retirar anéis, relógios e pulseiras antes de qualquer trabalho elétrico. - erro comum/pergunta: usar luvas com um furo "pequeno". Basta um furo. - exemplo/analogia: o EPI é o cinto de segurança, ajuda quando tudo o resto falhou, mas não é para conduzir sem travões.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: perigo grave e iminente dá direito a afastar-se do risco. - erro comum/pergunta: levantar à mão um motor pesado "porque é rápido". - exemplo/analogia: uma avaliação de riscos é a revisão do carro antes da viagem.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o motor velho tem valor de reciclagem, mas tem de ir pelo circuito certo. - erro comum/pergunta: despejar o óleo velho no ralo da oficina. - exemplo/analogia: o resíduo perigoso é como o lixo da cozinha, só que não pode ir para o contentor normal.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: este é o fio condutor de toda a unidade, em nove passos. - erro comum/pergunta: saltar o passo 4 e depois não saber o sentido ou as ligações. - exemplo/analogia: é o guião de um trabalho de equipa, cada um sabe o que faz e em que ordem.