NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "está na internet" não significa "é livre". É o mito mais persistente da turma.
- Pergunta: se um colega reenvia por e-mail um vídeo institucional da escola a um amigo, está a infringir alguma coisa? Discutir a resposta.
- Analogia: a internet é uma fotocopiadora muito rápida, não um espaço fora da lei.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: o objetivo não é "ser advogado", é saber quando pedir uma autorização, uma licença ou consultar um jurista.
- Erro comum: achar que "isto é conversa de direito, não de multimédia". É exatamente o contrário, protege o trabalho e o cliente.
- Exemplo: um técnico que usa uma música sem licença numa campanha do cliente pode fazer a empresa ser processada.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: um logótipo é protegido por direito de autor (design) E pode ser registado como marca (propriedade industrial), são camadas diferentes.
- Erro comum: usar "propriedade intelectual" e "direito de autor" como sinónimos exatos. Um é o género, o outro é a espécie.
- Exemplo: a Sociedade Portuguesa de Autores trata do direito de autor; o INPI trata de marcas e patentes.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: os 70 anos contam-se a partir da morte do autor, não da criação da obra.
- Erro comum: achar que uma obra "antiga" (100 anos) está sempre em domínio público. Depende de quando o autor morreu, não de quando foi criada.
- Exemplo: uma sinfonia composta em 1920 por um autor falecido em 1990 só entra em domínio público a 1 de janeiro de 2061.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: a barra para "ser obra" é baixa. Qualidade artística não é requisito legal.
- Erro comum: confundir "ideia" com "obra". A ideia é livre, a expressão concreta é protegida.
- Exemplo: dois fotógrafos podem fotografar o mesmo pôr do sol (mesma ideia); cada fotografia concreta é uma obra distinta e protegida.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "original" não significa "com direito de autor" e "não original" não significa "sem direito de autor". São eixos de classificação diferentes.
- Erro comum: achar que uma obra feita por encomenda pertence automaticamente ao cliente. Depende do contrato e da lei aplicável ao caso.
- Erro comum: confundir singular/plural com "um exemplar" ou "vários exemplares". O critério é o número de autores, não o número de cópias físicas.
- Exemplo: uma pintura feita por um único artista é singular, mesmo que dela se tirem 500 reproduções; um videojogo feito por uma equipa de vários autores é plural.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: na obra em colaboração, cada autor mantém direitos próprios; na coletiva, prevalece a entidade organizadora.
- Erro comum: tratar "obra compósita" como sinónimo de "plágio". É o oposto, é uma incorporação autorizada e identificada.
- Exemplo: um trailer de filme que usa uma canção licenciada é uma obra compósita perfeitamente legal.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: comprar uma foto num banco de imagens é normalmente uma licença, não uma compra dos direitos de autor todos.
- Erro comum: um cliente achar que, por ter pago o trabalho, é automaticamente o "dono" de todos os direitos. Depende do que o contrato diz.
- Pergunta: se um freelancer não assinou contrato nenhum, quem é o titular dos direitos do que produziu? (por regra, o próprio autor, salvo acordo em contrário).
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: não registar não significa não estar protegido. O registo só facilita a prova.
- Erro comum: pensar que "não registei, então posso ser copiado sem consequências". A proteção é automática.
- Exemplo: guardar o ficheiro RAW original de uma fotografia, com data de criação, é já uma forma simples de prova.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: mesmo obras em domínio público continuam a exigir que se respeite o direito moral (nome do autor, não deturpar a obra).
- Erro comum: achar que "domínio público" significa "sem regras nenhumas". Ainda há direitos morais a respeitar.
- Exemplo: usar uma pintura clássica em domínio público, mas atribuindo-a a outro pintor, viola o direito moral de paternidade.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "estava num sítio público" não é, por si só, autorização para usar a imagem de alguém identificável de forma destacada.
- Erro comum: usar fotografias de alunos ou clientes em portefólios sem autorização de imagem assinada.
- Exemplo: numa reportagem a um festival, a multidão ao fundo é incidental; o rosto de uma pessoa em plano próximo já exige autorização.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: uma autorização verbal é frágil; a boa prática profissional é sempre um documento escrito e assinado.
- Erro comum: reutilizar uma foto de um cliente antigo numa campanha nova sem confirmar se a autorização ainda cobre esse uso.
- Pergunta: uma autorização para "usar a fotografia no site da empresa" cobre também usar em anúncios pagos nas redes sociais? Discutir com a turma.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: citação é sempre parcial e com fonte identificada; copiar a obra inteira "a citar" não é citação, é reprodução.
- Erro comum: recortar um vídeo alheio inteiro e publicá-lo dizendo apenas "créditos ao autor". Isso não é uma citação legítima.
- Exemplo: usar 15 segundos de uma música numa análise crítica em vídeo, com o nome da faixa e do artista, tende a caber no direito de citação; usar a faixa inteira como fundo musical, não.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: distribuir cópias ilegais de um programa da escola já configura usurpação, mesmo sem fins lucrativos.
- Erro comum: confundir usurpação com "download para uso pessoal". A lei não distingue bem essa intenção, o risco legal existe na mesma.
- Exemplo: vender em marketplaces réplicas de designs gráficos protegidos, sem licença, é um caso clássico de usurpação.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: contrafação é sobre roubar a autoria, não só o "uso" da obra.
- Erro comum: achar que isto só acontece a "grandes empresas". Acontece em portefólios de estudantes e de freelancers.
- Pergunta: apresentar num portefólio um trabalho de grupo como sendo só teu é uma forma de contrafação? Discutir.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: mesmo quando não há crime formal (ex.: plágio académico sem exploração comercial), há sempre uma questão de ética profissional.
- Erro comum: achar que "toda a gente faz" reduz o risco. Não reduz nem a ilegalidade nem a exposição do cliente.
- Analogia: assinar como teu um relatório que copiaste de um colega é, em espírito, o mesmo que assinar como tua uma fotografia de outro autor.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "identificável como publicidade" é chave nos formatos digitais, onde o conteúdo pode parecer editorial.
- Erro comum: achar que só a publicidade televisiva é regulada. Um banner ou uma publicação patrocinada seguem as mesmas regras.
- Exemplo: um anúncio que promete "resultados garantidos em 3 dias" sem base real é publicidade enganosa.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: publicidade digital não é uma "zona cinzenta", cumpre o mesmo Código da Publicidade de sempre.
- Erro comum: montar uma campanha com música ou imagens de bancos gratuitos sem confirmar a licença exata (ver Bloco 10).
- Pergunta: se um influenciador publica um produto sem indicar que é parceria paga, quem responde legalmente, só ele ou também a marca? Discutir.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: uma loja online de fotografia ou de design segue as mesmas regras de proteção do consumidor que qualquer outra loja online.
- Erro comum: montar uma loja de venda de conteúdos digitais sem página de termos e condições nem identificação da empresa.
- Exemplo: vender pacotes de fotografias em stock através de um site próprio obriga a cumprir este regime, tal como uma loja de roupa.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: para produtos digitais, a perda do direito de resolução não é automática, exige uma aceitação explícita do consumidor.
- Erro comum: assumir que "produto digital não tem devolução" sem ter recolhido essa declaração expressa no checkout.
- Pergunta: um curso online vendido sem essa checkbox de aceitação pode ser devolvido mesmo já tendo sido iniciado? (sim, por regra).
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "recolher tudo, para o que der jeito no futuro" é exatamente o que o RGPD proíbe (minimização).
- Erro comum: um formulário de contacto que pede dados desnecessários (ex.: data de nascimento para pedir um orçamento).
- Exemplo: um formulário de newsletter só devia pedir email, não morada completa nem número de telefone, se não são necessários.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: segurança técnica e conformidade legal andam sempre juntas, uma sem a outra não chega.
- Erro comum: guardar palavras-passe de clientes em texto simples, sem encriptação, numa base de dados.
- Pergunta: se uma base de dados de clientes for roubada, quem tem de ser avisado e em quanto tempo? Introduzir a obrigação de notificação à CNPD.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: estes direitos existem mesmo que o utilizador nunca os peça; a empresa tem de ter um processo para os atender.
- Erro comum: não ter forma nenhuma de um utilizador pedir a eliminação da sua conta ou dos seus dados.
- Exemplo: um sistema de reconhecimento facial num site exige consentimento explícito, diferente de um simples checkbox de "aceito os termos".
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: mesmo em plataformas conhecidas e "de confiança", cada ficheiro pode ter uma licença diferente.
- Erro comum: assumir que "se está num site de fotos gratuitas, posso usar em qualquer contexto, incluindo comercial".
- Exemplo: um banco de imagens pode ter fotos gratuitas para uso pessoal, mas exigir pagamento para uso comercial.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: "royalty-free" não significa "grátis", significa que não se paga de novo por cada uso dentro da licença.
- Erro comum: usar uma imagem CC BY-NC num projeto comercial de um cliente, por não reparar na condição "não comercial".
- Exercício rápido: dar à turma o nome de uma licença Creative Commons e pedir para explicarem o que permite e o que exige.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: a SPA trata do lado "coletivo" (royalties por uso público); a IGAC trata do lado "fiscalizador e registal".
- Erro comum: achar que pagar à SPA por tocar música numa loja é opcional. É uma obrigação legal.
- Exemplo: um café que toca rádio ou playlists para os clientes deve ter uma licença da SPA para execução pública de música.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: cada entidade tem uma área de competência distinta; identificar a certa poupa tempo numa dúvida real.
- Erro comum: escrever à entidade errada (ex.: reclamar de dados pessoais à IGAC em vez de à CNPD).
- Pergunta: se um site recolhe dados de utilizadores sem consentimento claro, a queixa vai para que entidade? (CNPD).
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: avaliar risco não é "adivinhar", é seguir sempre os mesmos quatro passos, de forma sistemática.
- Erro comum: só pensar em risco legal depois do projeto estar publicado. O momento certo é antes.
- Exemplo: antes de publicar um vídeo institucional, verificar se todas as pessoas filmadas assinaram autorização de imagem.
NOTAS DO PROFESSOR
- Enfatizar: esta checklist liga-se diretamente às atitudes do referencial, responsabilidade, autonomia e respeito pela legislação em vigor.
- Erro comum: deixar esta verificação só para o fim do projeto, quando já é tarde para pedir autorizações em falta.
- Exercício: dar à turma um mini-caso (ex.: site com fotos de clientes e formulário de newsletter) e pedir para aplicarem a checklist.