UC00275

Planear e realizar estudos de mercado

Do problema de gestão às conclusões — método, amostra, instrumentos, análise, segmentos, posicionamento e relatório

Curso profissional · 50h · Marketing, Relações Públicas e Publicidade

Plano

  1. O mercado: delimitar antes de estudar
  2. Tipologia de estudos de mercado
  3. Do problema de gestão ao problema de pesquisa
  4. Metodologias e fontes de dados
  5. Amostragem e margem de erro
  6. Questionários e escalas
  7. Entrevistas e focus groups
  8. Observação, testes de preço e estudos causais
  9. RGPD, ética e normas de qualidade
  10. Análise quantitativa
  11. Análise qualitativa
  12. Segmentação e personas
  13. Concorrência e posicionamento
  14. Comportamento do consumidor
  15. Relatório, software e apresentação

Bloco 1 · O mercado

Um estudo serve para decidir

Um estudo de mercado não serve para "saber a opinião das pessoas".
Serve para reduzir a incerteza de uma decisão que custa dinheiro.

Amador Profissional
Começa por Fazer um questionário Escrever qual é a decisão
Mede O que é fácil medir O que muda a decisão
Entrega Percentagens Recomendações com prazo e dono
Risco Falsa segurança Incerteza reduzida e assumida
  • Teste de utilidade de cada pergunta: "se a resposta for A faço X; se for B faço Y."
  • Se não consegues escrever isso, a pergunta não serve.

Delimitar o mercado — quatro eixos

Mercado = pessoas com necessidade + capacidade de compra + acesso à oferta.

Eixo Pergunta Exemplo
Produto / necessidade Que necessidade se satisfaz? Café fora de casa ao pequeno-almoço
Geográfico Que território? Centro do Montijo, raio 800 m
Temporal Que período? Dias úteis, 7h–11h
Cliente Quem? Residentes ativos 25–55 anos
  • ✗ "O mercado do café" → impossível de estudar.
  • ✓ A frase acima com os quatro eixos → estudo fazível em 6 semanas.

TAM · SAM · SOM

Nível Significa Padaria no Montijo
TAM Mercado teórico total 55 000 residentes × 0,55 €/dia ≈ 11 M€/ano
SAM O que a empresa consegue servir Montijo + Afonsoeiro, loja física ≈ 3,4 M€
SOM O que é realista conquistar 6% do SAM em 2 anos ≈ 204 000 €
TAM  ████████████████████████████  11 M€
SAM  ████████                       3,4 M€
SOM  ▌                              204 k€

Um plano de negócios que apresenta o TAM como faturação prevista está a mentir.
O número que interessa — e que tem de ser justificado — é o SOM.

Quota e elasticidade

Quota de mercado = vendas da empresa ÷ vendas do mercado
Quota relativa = quota da empresa ÷ quota do líder

  • Mercado 2 400 000 € · empresa 168 000 € · líder 600 000 €
  • Quota = 7% · Quota relativa = 7 ÷ 25 = 0,28 → um quarto do tamanho do líder

Elasticidade-preço = Δ% quantidade ÷ Δ% preço

Valor Nome Subir o preço…
|E| > 1 Elástica reduz a receita
|E| = 1 Unitária …não altera a receita
|E| < 1 Inelástica aumenta a receita

Galão 1,00 € → 1,10 € (+10%); 300 → 270 un. (−10%) ⇒ E = −1,0

Bloco 2 · Tipologias

Os três tipos — pelo que já sabemos

Exploratório Descritivo Causal
Quando Não sabemos nada Sabemos o que perguntar Queremos provar causa
Pergunta Porquê? Quantos? Quem? Se X, então Y?
Método Entrevistas, focus groups, desk research Questionário, painel, vendas Experiência, A/B, mercado-teste
Amostra 8–30, intencional Grande, representativa Teste + controlo
Resultado Hipóteses e linguagem Números e perfis Relação causa-efeito

Ordem natural: exploratório → descritivo → causal.
Fazer questionário sem exploração prévia é a causa nº 1 de perguntar o que não interessa.

Catálogo de estudos por objetivo

Estudo Responde a Indicadores
Segmentação Que grupos existem? Dimensão, valor, perfil
Tendências Para onde vai a categoria? Séries temporais, CAGR
Aceitação de produto Interessa a alguém? Intenção, top-2 box
Preço / elasticidade Quanto podemos cobrar? Faixa aceitável, preço ótimo
Concorrência Contra quem e como? Quotas, benchmarking
Comportamento do consumidor Como decide? Jornada, gatilhos, travões
Satisfação Estamos a cumprir? CSAT, NPS, retenção
Posicionamento / imagem Que lugar ocupamos? Mapa percetual, notoriedade
Penetração Que fatia já usamos? % da população-alvo
Eficácia de campanhas Resultou? Recordação, lift, ROI

Caso · quebra de 18% nas vendas

"É do preço. Vamos fazer um questionário sobre preços."

Erro: saltou-se para a hipótese sem base. Pode ser obras na rua, concorrente novo, horário, qualidade, perda de cliente institucional.

Sequência correta:

  1. Desk research (1 dia) — vendas por categoria, dia e hora vs histórico.
    Se a quebra é só ao sábado de manhã, não é preço.
  2. Exploratório (1 semana) — 8 entrevistas: 4 a quem reduziu, 4 a quem desapareceu.
  3. Descritivo (2 semanas) — questionário a 200 pessoas para medir o peso de cada causa.
  4. Causal (opcional) — 3 semanas de preço reduzido em 2 referências, contra referências de controlo.

Bloco 3 · Planeamento

As duas formulações do problema

Problema de gestão Problema de pesquisa
Orientado a Ação Informação
De quem Decisor Investigador
Ex. 1 "Devemos abrir ao domingo?" "Qual a procura potencial ao domingo, que perfil e que ticket médio?"
Ex. 2 "Lançamos a gama sem glúten?" "Que dimensão tem o segmento com restrição alimentar, que preço aceita, onde compra hoje?"
Ex. 3 "Baixamos o preço?" "Qual a elasticidade-preço por segmento?"

Confundir os dois é o erro estrutural mais caro do planeamento.

Sete etapas do planeamento

1. Problema de gestão      →  que decisão, com que prazo
2. Objetivos de pesquisa   →  1 geral + 3–5 específicos, mensuráveis
3. Hipóteses               →  afirmações confirmáveis ou refutáveis
4. Metodologia             →  quali / quanti / mista · primária / secundária
5. Instrumentos + amostra  →  questionário, guião, n, método de seleção
6. Plano de tratamento     →  definido ANTES de recolher
7. Prazos, orçamento,      →  entregáveis e critérios de qualidade
   entregáveis
  • O ponto 6 antes do 5 é o que separa um estudo de uma recolha às cegas.
  • Escrever objetivos mensuráveis:
    • ✗ "Perceber os clientes" → ✓ "Caracterizar frequência e ticket médio por segmento (n=250)"
    • ✗ "Ver se gostam" → ✓ "Medir intenção de compra a 1,60 € em escala de 5 pontos"

Briefing de estudo · 10 pontos

# Ponto Exemplo (Adega Cooperativa)
1 Organização e contexto Adega Cooperativa, armazém devoluto
2 Decisão em causa Investir 45 000 € em loja + prova, até 30/set
3 Objetivo geral Avaliar viabilidade comercial
4 Objetivos específicos Procura · segmentos · preço da prova · concorrência
5 Hipóteses H1: visitantes pagam ≥ 12 € · H2: residente quer garrafa, não prova
6 População-alvo Residentes 18+ e visitantes de fim de semana
7 Metodologia Mista: 10 entrevistas + observação de 3 concorrentes + 250 inquéritos
8 Plano de tratamento Frequências, cruzamentos, Van Westendorp, análise temática
9 Prazo e orçamento 6 semanas · 1 800 €
10 Entregáveis Relatório 20 pág. + apresentação 15 min + base anonimizada

Bloco 4 · Metodologias e fontes

Qualitativo e quantitativo não são rivais

Qualitativo Quantitativo
Pergunta Porquê? Como? Quantos? Quanto?
Amostra 5–30, intencional Grande, representativa
Dados Palavras, comportamentos Números
Instrumentos Entrevista, focus group, observação Questionário, painel, vendas
Análise Codificação, análise de conteúdo Estatística
Limite Não generaliza Não explica
QUALITATIVO ──→ diz-te O QUE PERGUNTAR ──→ QUANTITATIVO ──→ diz-te QUANTO PESA

O padrão profissional é o estudo misto.

Secundário antes de primário

Regra de ouro: nunca se recolhem dados primários antes de esgotar os secundários.

Fonte O que dá
INE / PORDATA População, rendimento, despesa, séries por concelho
Banco de Portugal Rácios setoriais, faturação média por CAE
Racius / Informa D&B Dados de empresas concorrentes
Câmara e juntas Licenciamentos, eventos, fluxos, planos
Associações setoriais Volumes, preços de referência, tendências
Google Trends Interesse de pesquisa e sazonalidade
Dados internos Vendas, CRM, reclamações, devoluções, tráfego

Os dados internos são a fonte mais subaproveitada: 3 anos de talões contêm sazonalidade, cesta média, elasticidade e retenção — de graça.

Avaliar uma fonte secundária

Cinco perguntas obrigatórias:

  1. Quem produziu — e com que interesse?
    Um estudo sobre vinho pago por produtores de vinho não é neutro.
  2. Quando? Hábitos de consumo de 2019 já não descrevem 2026.
  3. Como foi recolhido? Amostra, dimensão, método.
  4. Sobre quem? A população coincide com a tua?
  5. O método está acessível — ou só o número bonito do comunicado de imprensa?

Se não consegues responder às cinco, o número não entra no relatório — ou entra com a limitação declarada.

Bloco 5 · Amostragem

Métodos de amostragem

Probabilísticos — permitem inferência estatística

Método Como Quando
Aleatória simples Sorteio da lista Existe lista fiável
Sistemática 1 em cada k Fluxo contínuo à entrada
Estratificada Sorteio dentro de cada estrato População heterogénea conhecida
Clusters Sorteiam-se grupos inteiros Território disperso

Não probabilísticos — mais baratos, sem inferência formal

Método Risco / uso
Conveniência Enviesamento grave
Quotas Bom compromisso prático
Bola de neve Públicos difíceis de alcançar
Intencional Padrão no qualitativo — não é falha, é o método certo

Quantos inquéritos preciso?

n = Z² × p × (1−p) / e²          Z = 1,96 (95%)   p = 0,5 (pior caso)

n = 3,8416 × 0,25 / 0,0025 = 384,16  →  385 respostas para ±5%

Correção para população finita (N = 4 000 sócios):

n_aj = n / (1 + (n−1)/N) = 385 / (1 + 384/4000) = 385 / 1,096 = 351
Amostra Erro (95%, p=0,5)
100 ±9,8%
200 ±6,9%
385 ±5,0%
600 ±4,0%
1 067 ±3,0%

Triplicar a amostra melhora o erro de 5% para 3%. A precisão é cara.
Para uma PME, 200–300 respostas bem recolhidas chegam quase sempre.

O erro que quase ninguém reporta

Margem de erro de uma amostra já recolhida: n=250, 62% disse "sim"

e = 1,96 × √(0,62 × 0,38 / 250) = 1,96 × 0,0307 = ±6,0 pp

→ O valor real está entre 56% e 68%.

  • ✓ "A maioria diz que sim" — seguro
  • ✗ "62% dos clientes preferem" — falso rigor
  • ✗ "Subiu de 61% para 63%" — não subiu nada

Enviesamento de não-resposta: 1 000 emails → 80 respostas = 8%.
Quem responde não é igual a quem não responde: respondem os muito satisfeitos e os muito insatisfeitos.
Mitigação: lembretes, incentivo simbólico, canal alternativo, comparar perfil com a população.

Bloco 6 · Questionários

Estrutura e ordem

1. Introdução      quem, para quê, duração, RGPD, consentimento
2. Filtro          pertence à população? (senão, termina)
3. Gerais          aquecimento, fáceis
4. Centrais        o núcleo dos objetivos
5. Sensíveis       rendimento, comportamentos  ← no fim
6. Caracterização  idade, freguesia, ocupação  ← no fim
7. Agradecimento   contacto e prazo de resultados
  • Perguntas sensíveis no início matam a taxa de resposta.
  • Cada pergunta tem de estar ligada a um objetivo — se não está, sai.

Tipos de pergunta

Tipo Exemplo Cuidado
Aberta "O que o levou a escolher esta loja?" Cara de codificar
Dicotómica "Já comprou aqui? Sim/Não" Perde nuance
Escolha múltipla "Onde compra pão?" Lista exaustiva + "Outro"
Likert (5/7) Concordo totalmente … Discordo totalmente Tendência para o meio
Diferencial semântico Caro 1–2–3–4–5–6–7 Barato Adjetivos opostos reais
Ordenação "Ordene por importância" Cansativo acima de 5 itens
Soma constante "Distribua 100 pontos" Mede peso relativo
NPS "0 a 10, recomendaria?" Juntar sempre um "porquê?"

Escalas — as contas

NPS = % Promotores (9–10) − % Detratores (0–6)

200 respostas:  96 deram 9–10   →  Promotores = 48%
                64 deram 7–8    →  Passivos   = 32%  (não entram na fórmula)
                40 deram 0–6    →  Detratores = 20%

NPS = 48 − 20 = +28

Os passivos não contam para a fórmula, mas contam para a leitura:
32% é um bloco grande que não muda por lealdade — muda por conveniência.

Likert: reporta-se a média e sobretudo o top-2 box (% de 4 e 5).
CSAT: % de respostas 4 e 5 numa escala de 1 a 5.

As sete regras de redação

  1. Uma ideia por pergunta — ✗ "A loja é agradável e barata?" (e se for agradável e cara?)
  2. Sem palavras enviesadas — ✗ "Concorda com o injusto aumento?"
  3. Sem pressupostos — ✗ "Com que frequência compra aqui?" antes de saber se compra
  4. Linguagem do inquirido — ✗ "grau de engagement com a brand"
  5. Opções exaustivas e exclusivas — ✗ "18–25, 25–35" (quem tem 25?)
  6. Cuidado com a memória — ✗ "cafés no último ano" → ✓ "na última semana"
  7. Escalas neutras — mesmo número de opções positivas e negativas

Nunca se lança sem pré-teste: 8–12 pessoas do perfil-alvo, a observar onde hesitam.
Custa 2 horas. Evita perder 300 respostas inúteis.

Corrigir um questionário

Original Problema Corrigido
"Não acha que os preços são justos?" Dupla negativa + indução "Face à qualidade, os preços parecem-lhe: Muito caros / Caros / Adequados / Baratos / Muito baratos"
"Com que frequência visita a nossa excelente loja? Muitas / Poucas vezes" Elogio + escala subjetiva "Nos últimos 30 dias, quantas vezes comprou? 0 / 1–2 / 3–5 / 6–10 / +10"
"Idade: 18–30 / 30–45 / 45+" Escalões sobrepostos "18–29 / 30–44 / 45–59 / 60+"
"Qual o seu rendimento mensal?" Sensível, aberta, no início Fim do questionário, escalões, + "Prefiro não responder"

Faltava ainda: pergunta-filtro, consentimento RGPD, duração estimada.

Bloco 7 · Entrevistas e focus groups

Entrevista em profundidade

30–60 min · guião semiestruturado (temas fixos, perguntas flexíveis)

1. Aquecimento     consentimento, gravação, "não há respostas erradas"
2. Contexto        rotina, hábitos
3. Núcleo          "conte-me a última vez que…"
4. Aprofundamento  porquês, comparações, alternativas
5. Projeção        cenários, reação a conceitos
6. Fecho           "o que é que eu não lhe perguntei e devia ter perguntado?"

Técnicas de moderação

  • Silêncio — a pausa de 3 segundos é a melhor pergunta de aprofundamento.
  • Eco — repetir a última palavra com entoação de pergunta.
  • Episódios, não opiniões — "a última vez que desistiu de comprar" >> "o que acha da loja".
  • Nunca defender a marca. Quem entrevista não corrige o entrevistado.

Focus group

6–10 participantes · 60–120 min · moderador + observador

Bom para Mau para
Gerar ideias e linguagem Temas íntimos ou embaraçosos
Reagir a conceitos, embalagens, anúncios Medir frequências
Ver opiniões a formarem-se em interação Grupos com um líder dominante
  • Homogéneo dentro, heterogéneo entre grupos — não misturar quem paga 5 € com quem paga 50 €.
  • Ficha de triagem no recrutamento + incentivo.
  • Controlar o dominador ("vamos ouvir quem ainda não falou"), puxar o silencioso pelo nome.
  • Materiais de estímulo (protótipos, cartões para ordenar) valem mais do que perguntas.

Saturação: para quando 2–3 recolhas seguidas não trazem categorias novas.
Na prática: 8–15 entrevistas por segmento, 3–4 focus groups por público.

Bloco 8 · Observação e causalidade

Observar em vez de perguntar

O que as pessoas dizem que fazem e o que fazem são coisas diferentes.
Dizem que reciclam mais, leem mais e são menos sensíveis ao preço do que são.

Tipo Exemplo
Estruturada Grelha: entradas, compras, tempo em loja
Não estruturada Notas etnográficas do percurso
Participante Mystery shopping
Mecânica Contadores, mapas de calor, analytics

Taxa de conversão em loja — 3 dias: 412 entradas, 173 talões

Conversão = 173 / 412 = 42%
Receita por visitante = 0,42 × 8,40 € = 3,53 €

→ Decide onde investir: atrair tráfego (montra) ou converter melhor (atendimento, layout).

Estudos de preço

Van Westendorp — 4 perguntas: demasiado barato / barato / caro mas aceitável / demasiado caro
→ dá a faixa de preço aceitável e o ponto ótimo.

Gabor-Granger — intenção de compra a vários preços (n=200):

Preço % compraria Compradores Receita
10 € 78% 156 1 560 €
12 € 61% 122 1 464 €
14 € 44% 88 1 232 €
16 € 25% 50 800 €
  • Receita máxima a 10 € — mas de 10 → 12 € a receita cai 6% e os clientes caem 22%.
  • Se a margem unitária for maior a 12 €, 12 € pode dar mais lucro.

Receita não é lucro. A tabela decide-se com a margem, não com a coluna da receita.

Causalidade exige controlo

Teste: a montra nova aumenta as entradas? Duas lojas semelhantes, 2 semanas antes / 2 depois.

Antes Depois Variação
Loja A (teste — montra nova) 380 456 +20%
Loja B (controlo) 402 422 +5%
Efeito líquido = +20% − 5% = +15 pontos
  • Sem grupo de controlo, teríamos atribuído 20% à montra — quando 5% era sazonalidade.
  • Regras do desenho causal: grupo de teste + grupo de controlo + uma só variável a mudar.

Bloco 9 · RGPD, ética e qualidade

RGPD — o que tens de demonstrar

Princípio Na prática
Licitude e transparência Quem recolhe, para quê, por quanto tempo
Limitação da finalidade Os dados do estudo não vão para a lista de email
Minimização Não pedir morada se basta a freguesia; não pedir nome se não precisas
Exatidão Corrigir dados errados
Limitação da conservação Prazo definido (ex.: apagar gravações 6 meses depois)
Integridade e confidencialidade Ficheiros protegidos, não em pen partilhada
  • Consentimento válido: livre, específico, informado, inequívoco e revogável. Caixa pré-marcada não vale.
  • Dados sensíveis (saúde, religião, política, biometria): em marketing, não recolher.
  • Menores de 13 anos: consentimento de quem exerce as responsabilidades parentais.

Anonimizar a sério

Anonimização Pseudonimização
O que faz Impossibilita reidentificar Substitui por códigos (E01, E02)
Chave Não existe Guardada à parte
RGPD Fora do âmbito Continua a ser dado pessoal

Risco de reidentificação por cruzamento:
"mulher, 34 anos, veterinária, Canha" identifica uma pessoa — mesmo sem nome.
Em amostras pequenas, agrega-se: "mulher, 30–39 anos, profissão liberal, concelho do Montijo".

Ética (ICC/ESOMAR): não vender a pretexto de pesquisar (sugging); não angariar (frugging); respeitar a recusa; não deturpar nem selecionar só os resultados que agradam ao cliente.

Qualidade (NP EN ISO 20252): rastreabilidade de cada número · ficha técnica · controlo da recolha · conservação segura · independência de quem analisa.

Bloco 10 · Análise quantitativa

Da resposta à base de dados

1. CODIFICAR    1 pergunta = 1 coluna · 1 resposta = 1 linha · 99 = NS/NR
2. LIMPAR       duplicados · incompletos · tempos absurdos (40 perguntas em 45 s)
                straightlining (tudo "3")
3. NÃO-RESPOSTA decidir e DOCUMENTAR: excluir ou imputar pela mediana
4. RECODIFICAR  escalões etários, índices, variável de segmento

Nunca se apaga a base original. Trabalha-se numa cópia, com registo de cada transformação.
É isto que garante a rastreabilidade exigida pela norma de qualidade.

Quando a média mente

Gasto mensal de 9 clientes (€): 12, 15, 18, 20, 22, 25, 28, 30, 350

Medida Valor
Média 520 ÷ 9 = 57,8 €
Mediana 22 €
Média sem o extremo 21,3 €
  • Reportar "gasto médio de 58 €" é enganador — 8 dos 9 gastam menos de 31 €.
  • ✓ Reporta-se a mediana e menciona-se o caso atípico (é institucional? é erro de digitação?).
Medida Usa quando
Média Distribuição simétrica, sem extremos
Mediana Rendimentos, gastos, tempos — há sempre extremos
Moda Variáveis nominais
Desvio-padrão Duas médias iguais podem esconder realidades opostas

Cruzar revela o que a média esconde

Intenção de comprar a nova gama, por idade (n=250):

Sim Não Total % Sim
18–34 74 36 110 67%
35–54 32 58 90 36%
55+ 12 38 50 24%
Total 118 132 250 47%
  • Média global 47%"só metade quer, não avançamos"decisão errada.
  • Há um segmento com 67% de intenção que sustenta um lançamento dirigido.

Percentua-se na direção da causa: a idade explica a intenção → percentagem por linha.

A diferença é real? Qui-quadrado

χ² = Σ (O − E)² / E          E = (total linha × total coluna) / total geral

Esperados: 18–34/Sim = (110×118)/250 = 51,9 · 35–54/Sim = 42,5 · 55+/Sim = 23,6

χ² = (74−51,9)²/51,9 + (36−58,1)²/58,1
   + (32−42,5)²/42,5 + (58−47,5)²/47,5
   + (12−23,6)²/23,6 + (38−26,4)²/26,4
   = 9,41 + 8,41 + 2,59 + 2,32 + 5,70 + 5,10 = 33,5
  • gl = (3−1) × (2−1) = 2 · valor crítico a 95% = 5,99
  • 33,5 > 5,99 → rejeita-se a independência

No relatório: "A intenção de compra difere significativamente por escalão etário (χ²=33,5; gl=2; p<0,001)."

Correlação ≠ causalidade

r de Pearson varia entre −1 e +1

|r| Interpretação
0,0–0,2 Muito fraca
0,2–0,4 Fraca
0,4–0,6 Moderada
0,6–0,8 Forte
0,8–1,0 Muito forte

r = 0,71 entre satisfação com o atendimento e intenção de recompra → forte e positiva.

Mas:

  • pode ser a simpatia a gerar recompra;
  • pode ser quem já é fiel a avaliar melhor o atendimento;
  • pode ser uma terceira variável (qualidade geral) a explicar as duas.

Só um desenho com grupo de controlo autoriza a palavra "causa".

Bloco 11 · Análise qualitativa

Do áudio ao dado

1. TRANSCREVER   automática + revisão (poupa ~70% do tempo)
2. ANONIMIZAR    nomes → códigos (E01, P3-M)
3. LER TUDO      duas vezes, antes de codificar
4. CODIFICAR     dedutiva (dos objetivos) + indutiva (emerge do material)
5. LIVRO DE      nome · definição · critério de inclusão
   CÓDIGOS       critério de exclusão · exemplo

Rigor no qualitativo:

  • Saturação declarada · Triangulação (entrevista + observação)
  • Dupla codificação — dois codificadores nos mesmos 2–3 documentos
  • Citações literais com código do entrevistado
  • Casos negativos — um relatório sem contradições é um relatório mal feito

Matriz temática — 6 entrevistas

Excerto Código Categoria
E01: "nunca sei se está aberto ao sábado" Incerteza de horário Acessibilidade
E03: "fecho às 19h e eles já fecharam" Horário incompatível Acessibilidade
E02: "não tenho onde estacionar dois minutos" Estacionamento Acessibilidade
E04: "acho tudo mais caro, mas nunca comparei" Preço percebido Preço
E05: "no supermercado vejo o preço, ali tenho de perguntar" Preços não visíveis Transparência
E06: "sinto que tenho de comprar se entro" Pressão social Experiência
E02: "gosto de saber que é da terra" Origem local Valor simbólico

Acessibilidade 3/6 · Preço 2/6 · Experiência 1/6 · Valor simbólico 1/6

O obstáculo dominante não é o preço — é a acessibilidade e a opacidade dos preços.
E há um ativo por explorar: o valor simbólico do local.

Do qualitativo ao questionário

As hipóteses saem do material — e a linguagem também:

  • H1 — mais de 50% dos não-clientes desconhecem o horário de sábado
  • H2 — a perceção de "mais caro" existe mesmo em quem nunca comparou
  • H3 — afixar preços visíveis aumenta a intenção de entrar

Pergunta gerada (com as palavras deles):

"Sabe a que horas [loja] abre e fecha ao sábado?"
( ) Sei ao certo ( ) Tenho uma ideia aproximada ( ) Não sei

Validação comportamental (porque a declaração não chega):

"Nos últimos 3 meses, alguma vez lá foi e estava fechado?"
( ) Sim, uma vez ( ) Sim, mais do que uma ( ) Não

Bloco 12 · Segmentação e personas

As quatro etapas e os critérios

1. Escolher critérios de segmentação
2. Descrever as características de cada segmento
3. Escolher o(s) segmento(s)-alvo         → targeting
4. Definir a política de marketing         → mix adaptado a cada um
Família Variáveis Acionável?
Geográfica Região, concelho, urbano/rural Média
Demográfica Idade, sexo, agregado, ciclo de vida Baixa
Socioeconómica Rendimento, escolaridade, profissão Média
Psicográfica Estilo de vida, valores Média
Comportamental Frequência, ocasião, fidelidade, benefício procurado Alta

"Mulheres 25–34" não diz o que fazer.
"Quem compra para oferecer" diz — embalagem, cartão, hora de pico.

Teste MADAR — um segmento tem de ser…

Critério Pergunta
M Mensurável Consigo estimar quantos são e quanto valem?
A Acessível Consigo chegar-lhes por algum canal?
D Dimensão suficiente Compensa financeiramente servi-lo?
A Acionável Consigo fazer algo diferente para eles?
R Rentável / durável Vai existir daqui a 2 anos?

Um segmento que falha qualquer destes critérios é uma curiosidade estatística, não um alvo.

Segmentar uma clientela (n=250)

Segmento % Freq. Ticket Motivo Valor/ano
Rotina matinal 31% 5×/sem 2,10 € Rapidez e hábito 546 €
Pausa social 24% 2×/sem 4,80 € Estar com alguém 499 €
Compra de pão 28% 4×/sem 3,20 € Abastecimento 666 €
Fim de semana 17% 0,5×/sem 12,40 € Prazer, oferta 322 €

Política de marketing por segmento:

Segmento Produto Preço Distribuição Comunicação
Rotina matinal Menu café+torrada 2,20 € fixo Balcão dedicado 7h30–9h30 Cartaz "em 90 segundos"
Pausa social Bolos de fatia, chá de folha Margem alta Mesas, esplanada Instagram 15h–17h
Compra de pão Pão do dia + encomenda Cartão 10+1 Fila rápida separada SMS de encomenda
Fim de semana Brunch, cabaz Pacote 15–25 € Reserva Parceria turismo local

Persona — nasce dos dados

Sandra Marques, 41 · Assistente administrativa no Parque Industrial · Afonsoeiro, companheiro e filho de 9 anos

Dia típico 9h–17h30; 2–3×/semana sai 25 min à tarde com uma colega
Objetivos Pausa real, conversa sem pressa, algo doce sem culpa
Frustrações Barulho; sentir que ocupa a mesa; ter de ir ao balcão e voltar
Comportamento 2×/semana, 4,80 €, 15h–17h, MB Way, quase nunca ao fim de semana
Critérios 1) mesa livre · 2) ambiente calmo · 3) qualidade do bolo · 4) preço
Canais Instagram ao fim do dia, WhatsApp de colegas, boca-a-boca
Base Segmento "Pausa social" · 24% (n=60) · 6 entrevistas

"Não é o café, é os vinte minutos. Se estiver cheio e barulhento, voltamos para trás." (E07)

Implicação: o preço não é a alavanca. Duas mesas reservadas das 15h às 17h valem mais do que um desconto.

Bloco 13 · Concorrência e posicionamento

Quatro níveis de concorrência

Nível Definição Cafetaria
Direta Mesma solução, mesmo público Outras cafetarias da zona
Indireta Solução diferente, mesma necessidade Máquina de café do escritório
Substituta Necessidade satisfeita de outro modo Levar termos de casa
Potencial Ainda não está, mas pode entrar Cadeia no novo centro comercial

A maior parte dos estudos falha por olhar só para a concorrência direta.
A quebra pode vir da máquina de cápsulas que a empresa vizinha instalou.

Grelha de benchmarking

Critérios observáveis e verificáveis — não opiniões:

Critério Nós A B C
Preço do café 0,80 € 0,75 € 0,90 € 0,85 €
Horário 7h–19h 7h30–20h 8h–18h 6h30–22h
Domingo Não Sim Não Sim
Lugares sentados 24 12 40 30
Wi-Fi Não Sim Sim Sim
Pastelaria própria Sim Não Não Não
Google (n) 4,3 (86) 4,1 (210) 3,8 (54) 4,6 (390)
  • Ativo diferenciador: somos os únicos com fabrico próprio.
  • Competir com C em horário é caro; competir em produto próprio é vantagem estrutural.
  • Fontes: visita com grelha, mystery shopping, avaliações Google (ler as de 1 e 2 estrelas), Racius, contagem de fluxo à porta.

Eixos de posicionamento

Posicionamento = o lugar que a marca ocupa na mente de quem compra, face às alternativas.
Não é o que a empresa diz de si.

Eixo Diferenciação por Exemplo
Atributo Característica objetiva "Cozido em forno de lenha"
Benefício O que o cliente ganha "Pequeno-almoço em 90 segundos"
Utilizador Para quem é "Para quem trabalha por turnos"
Uso / ocasião Quando se usa "O lanche de domingo em família"
Preço/qualidade Relação de valor "Pastelaria a preço de café"
Origem Proveniência "Feito no Montijo, farinha da região"
Concorrência Por oposição "O contrário de uma cadeia"

Benefícios: diferenciação · coerência das decisões · eficiência de comunicação · suporte ao preço · defesa competitiva

Mapa percetual

                    Alta qualidade percebida
                              ↑
          Conc. C ●           │        ● NÓS (desejado)
                              │
    Preço baixo ←─────────────┼─────────────→ Preço alto
                              │
          Conc. A ●           │   ● Conc. B
                              ↓
                    Baixa qualidade percebida
  • Os eixos são os que importam ao consumidor — identificados no estudo, não escolhidos ao acaso.
  • O quadrante "qualidade alta + preço alto" está livre.

Pergunta que separa um bom estudo de um mau: há procura nesse espaço?
Um espaço vazio pode ser oportunidade — ou um sítio onde ninguém quer estar.

Declaração de posicionamento

Para [PÚBLICO] que [NECESSIDADE],
a [MARCA] é a [CATEGORIA] que [BENEFÍCIO PRINCIPAL],
porque [PROVA / RAZÃO PARA ACREDITAR] —
ao contrário de [ALTERNATIVA], que [LIMITAÇÃO].

Preenchida:

Para quem trabalha no centro do Montijo e almoça fora, a Padaria X é a casa de pastelaria e refeições rápidas que serve um almoço leve, feito no próprio dia, em menos de 10 minutos, porque fabrica tudo no local desde as 5h da manhã — ao contrário das cadeias do centro comercial, que servem produto congelado reaquecido.

  • Sem a prova, é publicidade. Com a prova, é posicionamento.

Bloco 14 · Comportamento do consumidor

As cinco etapas da decisão

Etapa O estudo mede Alavanca
1. Reconhecimento da necessidade Gatilhos, momentos, frequência Lembrete, ocasião
2. Procura de informação Fontes, influenciadores, tempo Estar nas fontes certas
3. Avaliação de alternativas Critérios e importância relativa Sobressair no critério dominante
4. Decisão de compra Local, momento, pagamento, desistências Reduzir atrito no ponto de venda
5. Pós-compra CSAT, NPS, recompra, reclamações Acompanhamento, garantia

Dissonância cognitiva (arrependimento) é forte em compras caras.
Um email "fez uma boa escolha, veja como tirar partido" reduz devoluções — conclusão típica de um estudo de satisfação.

Tipos de comportamento e papéis

Envolvimento Diferença entre marcas Comportamento Exemplo
Alto Grande Complexo Automóvel
Alto Pequena Redutor de dissonância Seguro, alcatifa
Baixo Grande Procura de variedade Bolachas, cerveja
Baixo Pequena Habitual Sal, pão
  • Em compra habitual, a alavanca é disponibilidade e hábito — não a argumentação. Um anúncio racional e longo é dinheiro perdido.

Cinco papéis na decisão: Iniciador · Influenciador · Decisor · Comprador · Utilizador

Fardamento de empresa: utiliza o trabalhador, influencia o responsável de segurança, decide a direção financeira, compra o departamento de compras.
Um estudo que só ouça o utilizador falha o alvo da venda.

Mapear a jornada = lista de ações

Etapa Ponto de contacto Emoção Atrito Oportunidade
Descoberta Montra Indiferença Sem informação de preço Afixar 3 preços-âncora
Consideração Google, Instagram Dúvida Horário desatualizado no Google Atualizar ficha Google
Compra Balcão Pressa Fila única para café e pão Fila rápida separada
Pós-compra Satisfação Nenhum motivo para voltar amanhã Cartão de fidelização

Cada atrito identificado é uma recomendação com dono e prazo.
É a jornada que transforma o estudo em decisões.

Bloco 15 · Relatório e apresentação

Dado ≠ conclusão ≠ recomendação

Nível Exemplo
Dado "62% dos inquiridos (n=250) desconhecem o horário de sábado."
Conclusão "O desconhecimento do horário é o principal obstáculo à visita ao fim de semana."
Recomendação "Afixar horário na montra e atualizar a ficha Google até 15/out (responsável: gerência)."
  • Recomendação sem dado → não convence.
  • Dado sem recomendação → não serve para decidir.
  • Nunca misturar os três níveis na mesma frase.

Estrutura do relatório

 1. Capa                      título, entidade, autor, data, versão
 2. SUMÁRIO EXECUTIVO         1–2 pág. · 3–5 conclusões · recomendações
 3. Introdução e contexto     problema de gestão
 4. Objetivos e hipóteses
 5. Metodologia               desenho, amostra, instrumentos, período, LIMITAÇÕES
 6. Resultados                organizados PELOS OBJETIVOS (não pela ordem do questionário)
 7. Análise da concorrência
 8. Segmentos e personas
 9. Conclusões                resposta a cada objetivo + veredicto de cada hipótese
10. Recomendações             priorizadas: esforço · impacto · responsável · prazo
11. Limitações                o que o estudo NÃO permite concluir
12. Anexos                    instrumentos, tabelas completas, guiões, consentimentos

O sumário executivo é a única parte que muita gente vai ler.
Escreve-o por último e com o máximo cuidado.

Ficha técnica — obrigatória

Campo Exemplo
Entidade responsável Turma 11.º TMRPP, EP Montijo
Cliente Padaria X, Lda.
Universo Residentes 18+ no Montijo e Afonsoeiro
Método de recolha CAWI (online) + PAPI (presencial)
Amostra 250 respostas válidas, quotas por sexo e idade
Margem de erro ±6,2 pp para p=0,5, 95% de confiança
Período de recolha 3 a 21 de outubro de 2026
Taxa de resposta 34%
Responsável pela análise [nome]

Sem ficha técnica, um resultado não é verificável — e não é um estudo, é uma opinião com números.

Visualizar sem enganar

Objetivo Gráfico certo Evitar
Comparar categorias Barras (horizontais se rótulos longos) 3D, efeitos
Evolução no tempo Linhas Barras para séries longas
Composição do todo Barras empilhadas 100% Circular com >5 fatias
Relação entre variáveis Dispersão Linhas sem sentido temporal
Distribuição Histograma / caixa de bigodes Só a média

Não negociável:

  • Eixo Y começa em zero nas barras. Cortar o eixo é desonesto.
  • Sempre o n e a fonte por baixo do gráfico.
  • O título diz a conclusão ("A intenção de compra cai com a idade"), não a variável.
  • Sem decimais em amostras pequenas: "37,5%" de 40 são 15 pessoas — escreve "15 em 40".

Software e funções

Ferramenta Para quê
Excel / Calc Limpeza, tabelas dinâmicas, gráficos, χ², correlação — chega para a maioria das PME
Google / MS Forms Questionário online → folha de cálculo (atenção às definições de RGPD)
LimeSurvey Lógica de salto, alojamento próprio, dados sensíveis
SPSS · Jamovi · PSPP · R Estatística avançada (Jamovi é o gratuito mais acessível)
Power BI · Looker Studio Dashboards e monitorização contínua
NVivo · Taguette · MAXQDA Codificação qualitativa (Taguette é gratuito)
=CONTAR.SE(intervalo; critério)              frequências
=CONTAR.SE.S(int1; crit1; int2; crit2)       cruzamentos
=MÉDIA()  =MED()  =MODA.SIMPLES()  =DESVPAD.A()
=CORREL(x; y)                                 correlação de Pearson
=TESTE.CHI(observado; esperado)               p-value do qui-quadrado
Tabela Dinâmica                               a ferramenta mais rentável de todas

Apresentar em 15 minutos

  • 12 a 18 slides. Nunca ler o relatório.
  • Abrir pela conclusão, não pela metodologia. O método vem a seguir, para dar confiança.
  • Um slide por conclusão, com o gráfico que a prova.
  • Levar as limitações explicitamente — dá credibilidade, não tira.
  • Terminar com decisões pedidas: o que precisas que o cliente decida hoje.

Preparar as três perguntas difíceis:

  1. "A amostra é fiável?" → ficha técnica, margem de erro, método de seleção
  2. "Isto quanto custa a implementar?" → esforço e impacto já na tabela de recomendações
  3. "E se fizermos o contrário?" → cenário alternativo e o que o dado diz sobre ele

Erros que matam um estudo

  • Começar pelo questionário — é o 5.º passo, não o 1.º.
  • Confundir problema de gestão com problema de pesquisa.
  • Perguntar o que se podia observar.
  • Amostra de conveniência apresentada como representativa.
  • Ignorar o erro amostral: "subiu de 61% para 63%" com margem de ±6 pp.
  • Perguntas de duas pontas e escalas desequilibradas · nunca fazer pré-teste.
  • Tratar a média como se descrevesse toda a gente.
  • Correlação ≠ causalidade · estudo causal sem grupo de controlo.
  • Recolher dados pessoais a mais · reidentificar sem querer em amostras pequenas.
  • Analisar só o que confirma a hipótese do cliente; esconder os casos negativos.
  • Relatório sem recomendações, sem ficha técnica ou sem limitações.
  • Perder o dado bruto e não conseguir refazer um número.

Síntese em 12 pontos

  1. O estudo serve para reduzir o risco de uma decisão — se não há decisão, não há estudo.
  2. Delimita o mercado: produto, geografia, tempo, cliente. O número que conta é o SOM.
  3. Exploratório → descritivo → causal. Nunca medir antes de compreender.
  4. Traduz o problema de gestão em problema de pesquisa, com objetivos mensuráveis.
  5. Esgota o secundário — sobretudo os dados internos — antes do primário.
  6. 385 respostas → ±5%. Reporta sempre o n e a margem de erro.
  7. Testa o questionário antes de o lançar. Uma ideia por pergunta.
  8. Quali dá o porquê, quanti dá o quanto. O padrão é misto.
  9. RGPD: finalidade, minimização, consentimento revogável, prazo, segurança.
  10. A média mente, os cruzamentos revelam — e o χ² diz se a diferença é real.
  11. Segmento útil = MADAR. Persona nasce dos dados e acaba numa citação real.
  12. Dado → conclusão → recomendação, com ficha técnica e limitações. Sempre.

Obrigado

UC00275 · Planear e realizar estudos de mercado

Sebenta · Fichas 01 e 02 · Mini-projeto