Dissipa o calor da combustão para o motor não gripar. Circuito líquido fechado:
Líquido: água + anticongelante (etilenoglicol) → não congela, não ferve, protege da corrosão. Avarias típicas: termóstato preso, fugas, bomba gasta, junta da cabeça queimada.
Cria uma película de óleo que separa as peças em movimento — reduz atrito, desgaste e ajuda a arrefecer.
Óleo: classificado por SAE (viscosidade, ex.: 5W-30) e API/ACEA (qualidade). Trocar óleo + filtro nos intervalos do fabricante. Pressão baixa = paragem imediata (risco de gripagem).
Sincroniza a abertura das válvulas com a posição dos pistões.
Regra de ouro: a correia de distribuição substitui-se ao km/tempo do fabricante. Partir = motor destruído (nos motores interference). Marcar sempre as marcas de PMS antes de desmontar.
Reparar um motor exige medir com rigor:
| Instrumento | Mede |
|---|---|
| Paquímetro | comprimentos, diâmetros (0,05 mm) |
| Micrómetro | diâmetros com precisão (0,01 mm) |
| Comparador | folgas, empeno, batimento |
| Súbito / apalpa-folgas | folga de válvulas |
| Manómetro de compressão | pressão nos cilindros |
Tolerância = intervalo aceitável entre o valor mínimo e máximo. Erros de medição: sistemáticos (instrumento mal calibrado — corrigíveis) e aleatórios (dispersão — reduzem-se repetindo).
Método: sintoma → hipóteses → medir → confirmar.
| Sintoma | Causas prováveis |
|---|---|
| Fumo branco + perda de água | Junta da cabeça / cabeça fissurada |
| Fumo azul | Óleo a queimar (segmentos, retentores de válvula) |
| Fumo preto (Diesel) | Injeção rica / ar insuficiente |
| Batimento metálico | Chumaceiras gastas, folgas |
| Sobreaquecimento | Termóstato, bomba, junta, falta de líquido |
Ferramentas: teste de compressão, teste de estanquidade (fugas de cilindro), aparelho de diagnóstico OBD, teste de gases de escape ao vaso de expansão.
Organizar as peças por ordem; parafusos da cabeça muitas vezes são de uso único (torque-to-yield).
Binários de aperto: respeitar valor + sequência + ângulo (aperto angular). Usar sempre chave dinamométrica — nunca "a sentimento".
Consultar sempre os valores de referência do fabricante — cada motor tem os seus. Nunca reutilizar juntas, retentores ou parafusos de uso único.
Após a montagem, validar antes de entregar:
Só se dá o motor por reparado quando os valores estão dentro das tolerâncias e não há fugas.
Toda a intervenção fica documentada no sistema informático da oficina:
Um bom registo protege a oficina e o cliente, e permite rastrear o histórico do motor.
Próximo: fichas e projeto — diagnosticar e reparar um motor completo.