UC00202

Atuar no caso de emergência a bordo

Higiene, saúde, socorrismo e primeiros socorros em contexto naval

Curso técnico-militar naval · 25h · Técnico/a Militar Naval

Plano

  1. O socorrista a bordo: segurança, EPI e protocolo
  2. Higiene e saúde a bordo
  3. Anatomia, fisiologia e material clínico
  4. Exame inicial à vítima e tipologia do socorro
  5. Estado de choque
  6. Obstrução da via aérea
  7. Hemorragias
  8. Intoxicações a bordo
  9. Choque cardiogénico
  10. Afogamento e métodos de reanimação
  11. Feridas
  12. Queimaduras
  13. Distúrbios térmicos e lesões musculoesqueléticas
  14. Epilepsia, lipotimia, desequilíbrios metabólicos e AVC
  15. Fecho: atuar em segurança, do risco ao relatório

Bloco 1 · O socorrista a bordo

Porque é que esta UC existe

A bordo, o socorro profissional pode estar a horas ou dias de distância. Quem está no local é quem socorre. Esta UC prepara o militar para atuar com segurança em caso de acidente e aplicar os primeiros socorros básicos, antes de qualquer evacuação médica.

  • Dois eixos da UC: atuar com segurança perante o acidente e aplicar os primeiros socorros básicos.
  • O ambiente naval tem riscos próprios: espaço confinado, máquinas, eletricidade, mar, isolamento.
  • O socorrista não substitui o médico, estabiliza a vítima até chegar ajuda diferenciada.

Segurança em primeiro lugar (proteger, alertar, socorrer)

Antes de tocar na vítima, o socorrista segue sempre a mesma sequência:

  1. Proteger: eliminar ou isolar o risco (elétrico, incêndio, gás, queda ao mar) para si e para a vítima.
  2. Alertar: comunicar de imediato à cadeia de comando, segundo o protocolo organizacional do navio.
  3. Socorrer: só depois se aproxima e atua sobre a vítima.
  • Adotar equipamento de proteção individual (EPI) adequado ao risco presente.
  • Manter o controlo emocional e promover a calma entre os presentes, é um critério de desempenho da UC.
  • Agir de forma ativa na prevenção de acidentes, não só na resposta.

Bloco 2 · Higiene e saúde a bordo

Higiene individual, alimentar, sexual e mental

A saúde a bordo assenta em quatro pilares de higiene, todos vigiados pela guarnição:

Higiene Foco
Individual asseio pessoal, mãos, dentes, pele
Alimentar conservação, confeção e validade dos alimentos
Sexual prevenção de infeções sexualmente transmissíveis
Mental gestão do isolamento, stress e convivência prolongada

Em espaço confinado e sem alternativa de saída, um foco de infeção espalha-se depressa: a higiene individual é responsabilidade coletiva.

Higiene a bordo e aprontamento sanitário

A higiene do navio propriamente dito cobre quatro operações:

  • Limpeza: remoção de sujidade visível das superfícies e espaços.
  • Desinfeção: eliminação de microrganismos patogénicos.
  • Desinfestação: eliminação de insetos e artrópodes.
  • Desratização: controlo e eliminação de roedores.

O aprontamento sanitário inclui a vacinação da guarnição antes de missões, ajustada aos riscos sanitários da zona de operação. A ergonomia dos postos de trabalho previne lesões músculo-esqueléticas relacionadas com posturas e esforços repetidos a bordo.

Bloco 3 · Anatomia, fisiologia e material clínico

Anatomia e fisiologia: o corpo em contexto de socorro

Para socorrer bem, é preciso conhecer minimamente a estrutura e o funcionamento do corpo humano:

  • Sistema respiratório: vias aéreas, pulmões, trocas gasosas, é o que falha na obstrução e no afogamento.
  • Sistema circulatório: coração, vasos, pulso, é o que falha no choque e no enfarte.
  • Sistema nervoso: estado de consciência, reflexos, é o que se avalia no exame inicial.
  • Sistema músculo-esquelético: ossos, músculos, articulações, é o que se lesiona em quedas e esforços.

Cada capítulo seguinte desta UC liga a um destes sistemas: saber "onde e o quê" acelera o diagnóstico.

Material clínico a bordo e farmacologia básica

O navio tem um posto de socorro com material clínico e uma farmácia de bordo organizados:

  • Equipamentos de socorrismo: máscara de bolso com válvula unidirecional, manequim de treino de SBV, desfibrilhador automático externo (DAE) de treino.
  • Saco de primeiros socorros: ligaduras, compressas, soluções de lavagem e desinfeção, adesivo, talas, lençol térmico, lenço triangular, avaliador de pressão arterial eletrónico.
  • Material de avaliação e diagnóstico: máquina de teste de glicémia, lanterna de reflexos pupilares.
  • Farmacologia: classes de medicamentos disponíveis, indicações, contraindicações e via de administração, sempre dentro do protocolo autorizado.

Bloco 4 · Exame inicial e tipologia do socorro

O exame inicial à vítima

Antes de qualquer intervenção, o socorrista avalia sistematicamente:

  1. Estado de consciência: a vítima responde a estímulos verbais ou dolorosos?
  2. Sinais vitais: respiração, pulso, temperatura, cor da pele.
  3. Sinais e sintomas: o que se observa (sinal) e o que a vítima relata (sintoma).
  4. Interrogatório à vítima e ao mirone: o que aconteceu, há quanto tempo, doenças prévias, testemunhas presentes.

Este exame determina toda a atuação seguinte, é o ponto de partida de qualquer socorro.

Tipologia do socorro: imediato e urgente

Nem todas as situações têm a mesma prioridade:

Tipo Característica Exemplo
Imediato risco de vida iminente, atua-se já paragem cardiorrespiratória, hemorragia grave
Urgente necessita de atenção rápida, mas não é instantânea fratura fechada, queimadura ligeira

Classificar corretamente o tipo de socorro orienta a ordem de atuação quando há mais de uma vítima ou mais de um problema na mesma vítima.

Bloco 5 · Estado de choque

Estado de choque: definição, causas e sinais

O estado de choque é a incapacidade do sistema circulatório em manter um fluxo sanguíneo suficiente aos órgãos vitais.

  • Causas: hemorragia grave, queimaduras extensas, reações alérgicas graves, desidratação, dor intensa, problemas cardíacos.
  • Sinais e sintomas: pele pálida, fria e húmida; pulso rápido e fraco; respiração acelerada; ansiedade ou confusão; sede intensa.
  • Primeiros socorros: deitar a vítima, elevar as pernas (salvo suspeita de fratura), manter o calor corporal, tranquilizar, não dar de beber, alertar e acompanhar até à evacuação.

Bloco 6 · Obstrução da via aérea

Tipos, sintomas e atuação na obstrução

A obstrução da via aérea pode ser parcial ou total:

  • Parcial: a vítima tosse, consegue falar ou emitir sons, há ainda passagem de ar.
  • Total: a vítima não fala, não tosse, leva as mãos à garganta, cianose progressiva.

Atuação na obstrução total num adulto consciente:

  1. Cinco pancadas interescapulares firmes, entre as omoplatas.
  2. Se não desobstruir, cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich): mãos entrelaçadas acima do umbigo, compressão brusca para dentro e para cima.
  3. Alternar os dois métodos até desobstruir ou a vítima ficar inconsciente, e nesse caso iniciar reanimação.

Bloco 7 · Hemorragias

Hemorragias: definição, classificação e primeiros socorros

Hemorragia é a perda de sangue de um vaso sanguíneo lesionado, para o exterior ou para o interior do corpo.

Classificação Critério
Externa sangue visível, sai para o exterior do corpo
Interna sangue não visível, acumula-se em cavidades internas
Arterial sangue vivo, jorra em jato, ritmado pelo pulso
Venosa sangue escuro, sai em fluxo contínuo

Primeiros socorros na hemorragia externa: pressão direta sobre o ferimento com compressa, elevar o membro se possível, manter a pressão até parar, ligadura compressiva, e alertar sempre que for abundante. Em hemorragia interna suspeita, não há o que "estancar" à vista, atuar como em estado de choque e alertar de imediato.

Bloco 8 · Intoxicações a bordo

Intoxicações: classificação e atuação

A bordo há risco de intoxicação por combustíveis, gases, produtos de limpeza, tintas e alimentos.

  • Classificação: por via de entrada (respiratória, digestiva, cutânea) e por tipo de agente (químico, alimentar, medicamentoso).
  • Prevenção: EPI adequado, ventilação de espaços fechados, rotulagem e armazenamento correto de produtos.
  • Exposição e suspeita: reconhecer os sinais (náuseas, tonturas, dificuldade respiratória, alteração da consciência) e associá-los ao ambiente onde a vítima estava.
  • Recolha de informação: identificar o agente, a quantidade e o tempo de exposição, sempre que possível, guardar a embalagem ou rótulo do produto.
  • Primeiros socorros: afastar do agente em segurança, arejar, não provocar o vómito sem indicação, alertar e transmitir a informação recolhida à evacuação médica.

Bloco 9 · Choque cardiogénico

Ataque cardíaco, angina de peito e enfarte agudo do miocárdio

O choque cardiogénico resulta da incapacidade do coração em bombear sangue suficiente.

  • Angina de peito: dor torácica por falta temporária de oxigénio ao músculo cardíaco, geralmente cede com repouso.
  • Enfarte agudo do miocárdio (EAM): morte de tecido cardíaco por obstrução prolongada de uma artéria coronária, não cede com repouso.
  • Sinais comuns: dor ou aperto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou costas; falta de ar; suores frios; náuseas; ansiedade.

Primeiros socorros: sentar a vítima numa posição confortável, tranquilizar, aliviar roupa apertada, alertar de imediato, e preparar para reanimação se evoluir para paragem cardiorrespiratória.

Bloco 10 · Afogamento e reanimação

Vítima de afogamento

No afogamento, a prioridade é a via aérea e a ventilação:

  • Retirar a vítima da água em segurança, sem se tornar uma segunda vítima.
  • Verificar a via aérea e iniciar insuflações, mesmo antes de confirmar a ausência total de pulso, dado o défice de oxigénio ser a causa principal.
  • Manter a vítima aquecida e monitorizada até à evacuação, mesmo que recupere a consciência: o afogamento pode agravar-se horas depois.

Métodos de reanimação e socorro secundário

Suporte básico de vida (SBV) numa vítima sem resposta e sem respiração normal:

  1. Alertar e pedir o DAE.
  2. Iniciar compressões cardíacas: no centro do peito, 100 a 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 cm.
  3. Alternar 30 compressões com 2 insuflações, se treinado para tal.
  4. Usar o DAE assim que disponível, seguindo as instruções de voz.
  5. Se a vítima recuperar a respiração normal mas continuar inconsciente, colocar em posição lateral de segurança (PLS).

O socorro secundário é a reavaliação contínua da vítima após a estabilização inicial, até à chegada de apoio diferenciado.

Bloco 11 · Feridas

Feridas: classificação, limpeza e tratamento

Uma ferida é uma rutura da continuidade da pele ou de uma mucosa.

Classificação Descrição
Incisa corte limpo, bordos regulares
Contusa por impacto, bordos irregulares
Perfurante por objeto pontiagudo, orifício estreito e profundo
Lacerante rasgada, bordos muito irregulares

Tratamento: lavar as mãos ou usar luvas, limpar a ferida do centro para a periferia com soro ou água e sabão, desinfetar, cobrir com compressa e ligar. Vigiar reações adversas (vermelhidão crescente, calor, pus, febre) que indicam infeção, e contraindicações de certos produtos em peles sensíveis ou alérgicas.

Bloco 12 · Queimaduras

Queimaduras: agentes, classificação e gravidade

As queimaduras classificam-se por agente (térmico, elétrico, químico, radiação) e por profundidade:

Grau Profundidade Aspeto
1º grau epiderme vermelhidão, dor, sem bolhas
2º grau derme bolhas, dor intensa
3º grau todas as camadas pele esbranquiçada ou carbonizada, pode não doer

A gravidade depende ainda da extensão (percentagem de superfície corporal) e da localização (face, mãos, articulações e genitais são sempre mais graves).

Primeiros socorros: arrefecer com água corrente tépida durante 10 a 20 minutos, retirar anéis e roupa não aderente, cobrir com compressa limpa, não rebentar bolhas, não aplicar gelo, pasta de dentes ou manteiga. Vigiar reações adversas e alertar sempre em queimaduras extensas, profundas ou em zonas críticas.

Bloco 13 · Distúrbios térmicos e lesões

Distúrbios térmicos: insolação, golpe de calor e hipotermia

Distúrbio Causa Sinais
Insolação exposição solar direta prolongada dor de cabeça, pele vermelha, tonturas
Golpe de calor esforço em ambiente muito quente temperatura corporal muito elevada, confusão, pele seca e quente
Hipotermia exposição ao frio, água fria tremores, confusão, lentidão, pele fria e pálida

Primeiros socorros: no calor, deslocar para local fresco, hidratar, arrefecer a pele; no golpe de calor é uma emergência, alertar de imediato. Na hipotermia, retirar roupa molhada, aquecer progressivamente com cobertores e lençol térmico, evitar aquecimento brusco.

Lesões das articulações, músculos e ossos

Lesão Definição
Entorse distensão ou rutura de ligamentos numa articulação
Luxação deslocação de um osso da sua posição articular normal
Cãibra contração muscular involuntária e dolorosa
Distensão estiramento excessivo de um músculo
Fratura rutura total ou parcial de um osso

Primeiros socorros comuns: imobilizar a zona afetada, com talas se necessário, aplicar frio local nas primeiras horas (entorses e distensões), nunca tentar reduzir uma luxação ou fratura, e alertar sempre que haja deformidade, dor intensa ou incapacidade funcional.

Bloco 14 · Epilepsia, lipotimia e AVC

Epilepsia: crises e primeiros socorros

  • Crise tónico-clónica: perda de consciência, rigidez seguida de movimentos convulsivos, pode haver espuma na boca.
  • Crise de ausência: breve desconexão do ambiente, sem convulsão visível, olhar fixo.

Primeiros socorros na crise tónico-clónica: proteger a cabeça, afastar objetos que possam magoar, não imobilizar os movimentos, não colocar nada na boca, cronometrar a duração, e colocar em PLS após a crise. Alertar sempre, sobretudo se for a primeira crise, se durar mais de 5 minutos, ou se houver ferimento.

Lipotimia, síncope, desequilíbrios metabólicos e AVC

  • Lipotimia: sensação iminente de desmaio, com tonturas, palidez e suores, sem perda total de consciência.
  • Síncope: perda breve e súbita de consciência, por diminuição momentânea do fluxo sanguíneo ao cérebro.
  • Hiperglicemia e hipoglicemia: desequilíbrios do açúcar no sangue, avaliáveis com a máquina de teste de glicémia; a hipoglicemia (confusão, suores frios, tremores) trata-se com açúcar de absorção rápida se a vítima estiver consciente.
  • Acidente vascular cerebral (AVC): interrupção do fluxo sanguíneo a uma zona do cérebro; sinais súbitos como assimetria facial, fraqueza num braço, dificuldade a falar. É sempre uma emergência de alerta imediato.

Bloco 15 · Fecho

Do risco ao relatório: síntese da atuação

A sequência aprendida nesta UC repete-se em qualquer emergência a bordo:

  1. Proteger, alertar, socorrer, sempre por esta ordem.
  2. Exame inicial: consciência, sinais vitais, interrogatório.
  3. Classificar: tipo de socorro (imediato ou urgente) e problema específico.
  4. Atuar: técnicas e procedimentos adequados a cada situação.
  5. Socorro secundário: reavaliar continuamente até à evacuação.

Atitudes exigidas em todo o processo: responsabilidade, autocontrolo, assertividade na comunicação, sentido crítico e respeito pelas normas, regulamentos e procedimentos instituídos.

Recapitulando

  • Segurança primeiro: proteger, alertar, socorrer, com EPI e controlo emocional.
  • Higiene a bordo e conhecimento do material clínico sustentam toda a prevenção.
  • Exame inicial e tipologia do socorro orientam a prioridade de atuação.
  • Técnicas específicas: choque, obstrução, hemorragias, intoxicações, choque cardiogénico, afogamento e reanimação, feridas, queimaduras, distúrbios térmicos, lesões musculoesqueléticas, epilepsia, lipotimia/síncope, desequilíbrios metabólicos e AVC.

Próximo: fichas e mini-projeto, treinar o protocolo de emergência de raiz.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a distância ao hospital é o que torna esta UC crítica em contexto naval, diferente de um socorrismo em terra. - Erro comum: confundir "socorrer" com "curar". O objetivo é estabilizar e não agravar. - Exemplo: um enfarte a 200 milhas da costa depende inteiramente da tripulação até à evacuação.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: "proteger, alertar, socorrer" é a sequência que nunca se salta, mesmo sob pressão. - Erro comum: correr para a vítima sem avaliar o risco e tornar-se uma segunda vítima. - Pergunta: porque é que alertar vem antes de socorrer, e não depois?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a vida em navio multiplica o impacto de uma falha de higiene, comparado com viver em terra. - Erro comum: tratar a higiene mental como secundária. O isolamento prolongado é um risco de saúde real. - Exemplo: um surto gastrointestinal a bordo pode incapacitar parte da guarnição em horas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: limpeza, desinfeção, desinfestação e desratização são quatro operações distintas, não sinónimos. - Erro comum: achar que "limpo" é o mesmo que "desinfetado". Limpar remove sujidade, desinfetar mata microrganismos. - Exemplo/analogia: o aprontamento sanitário funciona como o "check-up" de saúde pública antes de uma missão.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: não é preciso ser médico, mas é preciso saber localizar os sinais nos sistemas certos. - Erro comum: avaliar a vítima sem uma ordem lógica, saltando entre sistemas ao acaso. - Exemplo: um pulso irregular aponta ao sistema circulatório, uma respiração ruidosa ao respiratório.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: saber o que existe no saco de socorro é meio caminho andado para agir depressa. - Erro comum: administrar medicação fora do protocolo ou sem confirmar alergias e contraindicações. - Pergunta: qual destes materiais usarias primeiro numa hemorragia? E numa paragem cardiorrespiratória?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: sinal é o que se vê (uma ferida), sintoma é o que a vítima diz sentir (dor). Ambos contam. - Erro comum: pular o interrogatório por pressa. As respostas do mirone poupam tempo de diagnóstico. - Exemplo: perguntar "o que aconteceu?" a um mirone pode revelar que a vítima caiu de uma escada, e não desmaiou sozinha.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: em múltiplas vítimas, classificar por tipo de socorro evita perder tempo com o menos grave. - Erro comum: tratar tudo como "imediato" e entrar em pânico, ou tudo como "urgente" e perder tempo crítico. - Pergunta: entre uma vítima inconsciente e uma com uma entorse, qual é imediata e qual é urgente?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o choque agrava-se rapidamente se não for reconhecido cedo, é uma emergência silenciosa. - Erro comum: dar água ou alimentos a uma vítima em choque, o que pode complicar uma cirurgia posterior. - Exemplo: uma hemorragia interna após uma queda pode evoluir para choque sem sangue visível no exterior.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: na obstrução parcial com tosse eficaz, incentivar a tossir, não interferir. - Erro comum: dar pancadas nas costas numa obstrução parcial eficaz, o que pode agravar e empurrar o corpo estranho mais fundo. - Exemplo/analogia: a manobra de Heimlich funciona como um "êmbolo" que expulsa o ar dos pulmões de forma brusca.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: pressão direta e contínua é o primeiro gesto, nunca retirar a compressa para "ver se parou". - Erro comum: usar torniquete como primeira opção. Reserva-se para hemorragias maciças de membro sem controlo por pressão. - Pergunta: como se suspeita de uma hemorragia interna se não há sangue à vista? (sinais de choque sem ferida visível)

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a informação recolhida sobre o agente é tão importante quanto o próprio socorro, orienta o tratamento definitivo. - Erro comum: entrar num espaço confinado sem ventilar nem usar EPI para socorrer alguém intoxicado, criando uma segunda vítima. - Exemplo: um vazamento de vapores numa casa das máquinas exige primeiro ventilar e proteger, só depois entrar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a dor que não cede com repouso é o sinal de alarme que distingue o EAM da angina. - Erro comum: esperar para "ver se passa" perante dor torácica súbita. O tempo é músculo cardíaco. - Pergunta: que outros sinais, além da dor no peito, ajudam a suspeitar de um problema cardíaco grave?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: no afogamento, ventilar cedo pesa mais do que noutras paragens, porque a causa é a falta de oxigénio. - Erro comum: dar alta a uma vítima de afogamento só porque "já respira bem". Precisa de vigilância médica. - Exemplo: um marinheiro que cai ao mar em exercício deve ser sempre avaliado, mesmo consciente e a tossir.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a frequência e a profundidade das compressões (100 a 120/min, 5 a 6 cm) são valores para memorizar e treinar no manequim. - Erro comum: parar as compressões por muito tempo para verificar o pulso. As interrupções devem ser mínimas. - Exemplo/analogia: as compressões são o "coração de reserva" enquanto o verdadeiro não bombeia sozinho.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: limpar sempre do centro para a periferia, para não levar sujidade para dentro da ferida. - Erro comum: aplicar algodão diretamente sobre a ferida, cujas fibras se colam e dificultam a cicatrização. - Pergunta: que sinais indicam que uma ferida tratada há dois dias está a infetar?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: arrefecer com água tépida corrente, nunca gelada nem com gelo diretamente sobre a pele. - Erro comum: usar remédios caseiros (manteiga, pasta de dentes, clara de ovo), que pioram a lesão e a infeção. - Exemplo: uma queimadura de 3º grau pode doer menos do que uma de 2º grau, porque destrói as terminações nervosas.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: o golpe de calor é sempre uma emergência imediata, distinta da insolação mais ligeira. - Erro comum: aquecer uma vítima de hipotermia de forma brusca (água muito quente), o que pode causar arritmias. - Exemplo: um náufrago recuperado da água fria precisa de aquecimento lento e vigiado, nunca de imersão em água quente.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: imobilizar sem tentar "endireitar" o membro, essa manobra é sempre de socorro diferenciado. - Erro comum: confundir entorse com fratura só pela dor. Na dúvida, imobilizar e tratar como fratura. - Pergunta: porque se aplica frio, e não calor, nas primeiras horas de uma entorse?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: nunca colocar objetos na boca da vítima em crise, é um mito perigoso, não há risco de "engolir a língua". - Erro comum: tentar conter à força os movimentos convulsivos, o que pode causar fraturas. - Exemplo/analogia: a crise de ausência pode ser confundida com um simples "devaneio", exige atenção para não passar despercebida.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: perante sinais de AVC, o tempo até ao tratamento diferenciado determina a recuperação, alertar sem demora. - Erro comum: confundir hipoglicemia com embriaguez ou cansaço, atrasando o tratamento com açúcar. - Pergunta: que três sinais rápidos ajudam a reconhecer um AVC? (face, braço, fala)

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: esta sequência é o fio condutor de toda a UC, aplica-se a qualquer um dos temas anteriores. - Erro comum: tratar cada tema (queimadura, choque, obstrução) como isolado, em vez de aplicar sempre o mesmo método. - Exemplo: pedir à turma que aplique a sequência completa a um cenário novo, não estudado em detalhe nas aulas.