UC00195

Liderar e trabalhar em equipa

Do comportamento organizacional à liderança funcional: comunicar, motivar e coordenar equipas na Marinha

Curso técnico-militar-naval · 50h · Técnico/a Militar Naval

Plano

  1. Comportamento organizacional e a equipa
  2. Indivíduo, grupo e equipa
  3. Liderança: conceito e evolução
  4. O estilo de liderança funcional
  5. O ciclo da liderança funcional
  6. Autoridade e poder
  7. Comunicação
  8. Comunicação em ambiente formal
  9. Motivação
  10. Trabalho em equipa
  11. Cooperação, colaboração e cultura organizacional
  12. Gestão de um grupo de trabalho
  13. Resolução de conflitos
  14. Gestão de tempo e saúde na equipa
  15. Síntese e boas práticas de liderança

Bloco 1 · Comportamento organizacional

O que é o comportamento organizacional

O comportamento organizacional estuda como pessoas, grupos e a própria organização se influenciam mutuamente. Analisa três níveis:

  • Individual: personalidade, perceção, motivação, atitudes.
  • De grupo: normas, papéis, coesão, comunicação interna.
  • Organizacional: estrutura, cultura, cadeia de comando.

Estuda-se em antecedentes (o que existia antes), processos (o que acontece no dia a dia) e resultados (desempenho, satisfação, retenção).

Porque importa numa organização militar

Numa unidade da Marinha, o desempenho da equipa determina a segurança da missão. O comportamento organizacional dá as ferramentas para:

  • Compreender porque uma guarnição funciona bem ou mal.
  • Relacionar o desempenho individual com o desempenho coletivo.
  • Antecipar problemas antes de se tornarem incidentes operacionais.

Relacionar estes três níveis é a primeira realização desta UC: relacionar o comportamento organizacional com o desempenho do indivíduo e da equipa.

Bloco 2 · Indivíduo, grupo e equipa

Indivíduo vs grupo

Indivíduo e grupo não são a mesma unidade de análise. O indivíduo traz consigo:

  • Identidade pessoal: valores, traços, história.
  • Identidade social: os grupos com que se identifica (a guarnição, a Marinha).
  • Identidade profissional: o papel que desempenha (mecânico, operador de sonar, oficial).

Em contexto de grupo, a influência social molda atitudes: o que uma pessoa pensa isoladamente pode mudar sob pressão dos pares.

De grupo a equipa

Um grupo é um conjunto de pessoas com um objetivo em comum, mas nem todo o grupo é uma equipa. A equipa acrescenta:

  • Interdependência real entre as tarefas de cada elemento.
  • Objetivo partilhado e sentido de responsabilidade coletiva.
  • Perceção do grupo: como cada elemento lê as intenções e o desempenho dos outros, o que pode divergir da perceção individual de cada um.

Uma guarnição só se torna equipa quando a falha de um afeta visivelmente todos os outros.

Bloco 3 · Liderança: conceito e evolução

Conceito e características do líder

Liderar é influenciar um grupo para atingir um objetivo comum. Não se confunde com ocupar um posto de chefia: há postos de chefia sem liderança e liderança informal sem posto.

Características associadas a um líder eficaz:

  • Visão e capacidade de comunicar objetivos com clareza.
  • Integridade e coerência entre o que diz e o que faz.
  • Capacidade de decisão, sobretudo sob pressão.
  • Empatia e atenção às pessoas, não só à tarefa.

Evolução das abordagens à liderança

Abordagem Ideia central
Traços o líder nasce com características fixas
Comportamental o que importa é o que o líder faz, não quem é
Situacional o estilo certo depende da situação e da maturidade da equipa
Funcional a liderança serve três necessidades: tarefa, equipa, indivíduo

Fatores para uma liderança eficiente: adequar o estilo à situação, comunicar com clareza, e cuidar tanto da missão como das pessoas.

Bloco 4 · O estilo de liderança funcional

Características do estilo funcional

O estilo de liderança funcional parte de uma ideia simples: liderar é satisfazer três necessidades em simultâneo, nunca só uma.

  • Necessidade da tarefa: cumprir a missão, atingir o objetivo.
  • Necessidade da equipa: manter a coesão, a cooperação, o espírito de grupo.
  • Necessidade individual: reconhecer, desenvolver e cuidar de cada pessoa.

Ignorar uma das três áreas por muito tempo compromete as outras duas: uma equipa sem coesão falha a tarefa, uma tarefa sem cuidado individual esgota as pessoas.

Os modelos: John Adair e Kouzes e Posner

John Adair (Action Centred Leadership) formalizou o modelo dos três círculos: tarefa, equipa e indivíduo, com ações concretas em cada um, como definir objetivos (tarefa), resolver conflitos (equipa) ou elogiar o desempenho (indivíduo).

Kouzes e Posner (The Leadership Challenge) propõem cinco práticas:

  1. Mostrar o caminho (dar o exemplo).
  2. Inspirar uma visão conjunta.
  3. Desafiar o processo.
  4. Permitir que os outros ajam.
  5. Encorajar a vontade.

Bloco 5 · O ciclo da liderança funcional

Briefing, planeamento e organização da tarefa

Antes de qualquer tarefa, o ciclo da liderança funcional começa por:

  • Briefing: reunir a equipa, explicar o objetivo, o contexto e os riscos.
  • Planeamento: definir os passos, os recursos e os prazos.
  • Organização da tarefa: atribuir funções a cada elemento de acordo com a competência e a disponibilidade.

Um briefing claro no início poupa horas de correção a meio da tarefa.

Direção, apoio, avaliação e debriefing

Durante e depois da execução:

  • Direção e apoio: acompanhar a equipa, corrigir desvios, apoiar quem tem dificuldade, sem microgerir quem já domina a tarefa.
  • Avaliação do progresso: comparar o que está a acontecer com o planeado.
  • Debriefing: no fim, rever com a equipa o que correu bem, o que correu mal e o que fica para a próxima vez.

O debriefing fecha o ciclo e alimenta o briefing seguinte: a equipa aprende com a própria experiência.

Bloco 6 · Autoridade e poder

Autoridade e poder: conceitos

Autoridade é o direito reconhecido de dar ordens e tomar decisões, geralmente ligado ao posto ou à função. Poder é a capacidade real de influenciar comportamentos, mesmo sem autoridade formal.

Formas de autoridade:

  • Formal: atribuída pela hierarquia (o posto, a função).
  • Informal: reconhecida pela equipa, ganha pela competência ou pela confiança.

Um bom líder combina as duas: usa a autoridade formal para decidir e a informal para ser seguido de boa vontade.

Poder legítimo e ilegítimo

Tipo de poder Fonte
Legítimo posto, função, competência reconhecida
Ilegítimo coação, intimidação, favorecimento

O poder legítimo é essencial à disciplina e à eficácia da organização militar. O poder ilegítimo destrói a confiança, mesmo quando produz obediência a curto prazo.

A disciplina assenta em autoridade legítima e reconhecida, nunca em intimidação.

Bloco 7 · Comunicação

Elementos e estilos de comunicação

Todo o processo de comunicação tem: emissor, mensagem, canal, recetor e feedback. Falhar em qualquer um destes elementos distorce a mensagem.

Estilos de comunicação:

  • Passivo: evita expressar-se, cede sempre.
  • Agressivo: impõe-se sem respeitar o outro.
  • Assertivo: expressa-se com clareza e respeito, defende a posição sem atacar.

O estilo assertivo é o recomendado numa equipa: claro, direto e respeitador.

Fluxos de comunicação e gestão da ansiedade

Numa organização, a comunicação flui em várias direções:

  • Descendente: de quem comanda para a equipa (ordens, orientações).
  • Ascendente: da equipa para quem comanda (relatos, dúvidas, propostas).
  • Horizontal: entre pares, dentro ou entre equipas.

Fatores que facilitam a comunicação: clareza, escuta ativa, momento e canal certos. A ansiedade de falar (em briefings, apresentações) gerir-se com preparação e prática, respiração controlada e foco na mensagem, não em quem escuta.

Bloco 8 · Comunicação em ambiente formal

Escolha do tema e estruturação

Uma apresentação ou briefing formal exige preparação:

  • Escolha do tema: relevante para a audiência, com objetivo claro.
  • Estruturação: introdução (o que vou dizer), desenvolvimento (o conteúdo, organizado por pontos), conclusão (o que ficou decidido ou a reter).
  • Adequar a linguagem e o nível de detalhe a quem escuta.

Uma comunicação formal bem estruturada poupa tempo a toda a equipa.

Técnicas de conceção e apresentação

  • Conceção: organizar as ideias em tópicos, preparar suportes visuais simples e claros.
  • Apresentação: postura, tom de voz, contacto visual, ritmo controlado.
  • Gestão do tempo de intervenção: respeitar o tempo atribuído.
  • Antecipar perguntas e preparar respostas.

Praticar em voz alta antes do momento formal reduz o erro e a ansiedade.

Bloco 9 · Motivação

Motivação intrínseca e extrínseca

Motivação é o que impulsiona uma pessoa a agir. Distinguem-se dois tipos:

  • Intrínseca: vem de dentro, o gosto pela tarefa, o sentido de propósito, o orgulho no trabalho bem feito.
  • Extrínseca: vem de fora, recompensas, reconhecimento, avaliação.

A motivação intrínseca é mais duradoura e é uma das atitudes centrais desta UC: motivação intrínseca.

O papel do líder na motivação

O líder motiva o indivíduo e a equipa quando:

  • Explica o porquê de cada tarefa, ligando-a ao objetivo maior.
  • Reconhece o esforço e o resultado, publicamente e a tempo.
  • Dá autonomia adequada ao nível de competência de cada elemento.
  • Cuida do bem-estar, não só do desempenho.

Mobilizar os recursos pessoais da equipa para obter os melhores resultados é um dos critérios de desempenho desta UC.

Bloco 10 · Trabalho em equipa

Fases de desenvolvimento da equipa

Toda a equipa passa por fases previsíveis até funcionar bem:

  1. Formação: os elementos conhecem-se, há cortesia e incerteza.
  2. Conflito: surgem tensões, disputa de papéis e ideias.
  3. Normalização: definem-se regras, papéis e confiança mútua.
  4. Desempenho: a equipa funciona com autonomia e eficácia.
  5. Dissolução: a equipa termina ou reorganiza-se.

Uma equipa nova não deve ser avaliada como se já estivesse na fase de desempenho.

Fatores pessoais, relacionais e organizacionais

O desempenho da equipa depende de três tipos de fatores:

Fator Exemplos
Pessoal estilos comportamentais individuais, competência, atitude
Relacional confiança, comunicação, respeito mútuo
Organizacional recursos, clareza de papéis, apoio da chefia

Facilitadores da eficácia: objetivos claros, papéis definidos, comunicação aberta. Inibidores: falta de confiança, sobrecarga, ambiguidade de funções.

Bloco 11 · Cooperação, colaboração e cultura organizacional

Cooperação e colaboração na equipa

  • Cooperar é contribuir com a parte que cabe a cada um para o objetivo comum.
  • Colaborar vai além: é ajudar ativamente os outros, partilhar conhecimento e assumir tarefas fora do estritamente definido quando a equipa precisa.

A cultura e os valores organizacionais moldam se a cooperação é a norma ou a exceção numa unidade.

Comportamentos de cidadania organizacional

São ações voluntárias que beneficiam a organização sem serem formalmente exigidas:

  • Individuais: ajudar um colega, sugerir melhorias, reportar problemas cedo.
  • De grupo: defender a reputação da equipa, manter o espírito de corpo, cumprir normas mesmo sem supervisão.

Estes comportamentos ligam-se diretamente às atitudes do referencial: cooperação com a equipa e respeito pelas regras e normas definidas.

Bloco 12 · Gestão de um grupo de trabalho

Conceito de gestão, eficácia e eficiência

Gerir é planear, organizar, dirigir e controlar recursos para atingir um objetivo. Dois conceitos a distinguir:

  • Eficácia: atingir o objetivo, fazer a coisa certa.
  • Eficiência: atingir o objetivo com o mínimo de recursos, fazer bem a coisa certa.

Recursos de gestão: pessoas, tempo, material, informação. Gerir bem é usar cada um destes recursos onde rende mais.

Fases da gestão e gestão vs liderança

Fases sequenciais da gestão: planear, organizar, dirigir, controlar. É um ciclo contínuo, não uma sequência única.

Gestão Liderança
Foco recursos e processos pessoas e visão
Pergunta central "como fazer bem?" "porque fazer isto?"
Necessárias juntas sim, complementares sim, complementares

Um bom chefe de equipa gere recursos e lidera pessoas ao mesmo tempo.

Bloco 13 · Resolução de conflitos

Técnicas de resolução de conflitos

O conflito numa equipa não se evita, gere-se. Técnicas úteis:

  • Escuta ativa: ouvir as duas partes sem interromper, antes de decidir.
  • Separar a pessoa do problema: discutir o comportamento, não atacar o caráter.
  • Procurar interesses comuns: encontrar o objetivo que ambas as partes partilham.
  • Mediação: um terceiro elemento ajuda a encontrar uma solução aceite por ambas as partes.

Gerir situações de conflito na prática

Gerir situações de conflito é um dos critérios de desempenho desta UC. Passos práticos:

  1. Identificar o conflito cedo, antes de escalar.
  2. Reunir as partes num ambiente calmo e privado.
  3. Ouvir cada versão sem tomar partido de imediato.
  4. Acordar uma solução concreta e um prazo para a rever.

Um conflito bem gerido reforça a confiança na equipa; mal gerido, corrói-a de forma duradoura.

Bloco 14 · Gestão de tempo e saúde na equipa

Gestão de tempo

Gerir o tempo é gerir prioridades. Técnicas úteis:

  • Priorização: distinguir o urgente do importante.
  • Planeamento: calendarizar tarefas com margem para imprevistos.
  • Autoavaliação: rever no fim do dia ou da tarefa o que consumiu mais tempo do que devia.

Uma equipa que gere bem o tempo reduz o stress e aumenta a qualidade do trabalho entregue.

Saúde na equipa de trabalho

O bem-estar da equipa é uma responsabilidade da liderança, não um extra:

  • Reconhecer sinais de risco associados aos estados mentais da equipa: cansaço extremo, isolamento, irritabilidade fora do padrão.
  • Criar espaço para a equipa falar de dificuldades sem receio de julgamento.
  • Equilibrar exigência operacional com tempo de recuperação.

Uma equipa saudável mantém o desempenho ao longo do tempo; uma equipa esgotada falha quando mais é preciso.

Bloco 15 · Síntese e boas práticas

Colaborar e coordenar: o que fica

Ao longo desta UC percorremos o caminho do indivíduo à equipa, e da equipa à liderança funcional:

  • Comportamento organizacional liga o desempenho individual ao coletivo.
  • A liderança funcional cuida da tarefa, da equipa e do indivíduo, sempre em conjunto.
  • Comunicação, motivação e gestão de conflitos são competências treináveis, não talentos inatos.

Coordenar equipas e colaborar no trabalho em equipa são as duas últimas realizações do referencial: colocam em prática tudo o que foi visto.

Recapitulando

  • Comportamento organizacional liga indivíduo, grupo e organização.
  • Liderança funcional (Adair, Kouzes e Posner) cuida da tarefa, da equipa e do indivíduo.
  • O ciclo de liderança: briefing, planeamento, direção e apoio, avaliação, debriefing.
  • Comunicação assertiva, motivação intrínseca e resolução de conflitos sustentam a equipa no dia a dia.
  • Gestão de tempo e saúde na equipa garantem desempenho sustentado.

Próximo: fichas e mini-projeto, aplicar a liderança funcional a situações reais de equipa.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que os três níveis se sobrepõem sempre: uma decisão individual afeta o grupo e a organização inteira - erro comum: tratar comportamento organizacional como "só psicologia"; é também estrutura e processo - exemplo: um marinheiro pouco assertivo (nível individual) numa guarnição mal coordenada (nível de grupo) a bordo de um navio com cadeia de comando confusa (nível organizacional)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação direta à realização do referencial, não é teoria solta - pergunta à turma: numa emergência a bordo, o que falha primeiro, a pessoa, a equipa ou a organização? - exemplo/analogia: um navio é como um organismo, cada órgão (indivíduo) depende dos outros e do sistema nervoso central (organização)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estas três identidades convivem na mesma pessoa e por vezes entram em conflito - erro comum: confundir identidade social com identidade profissional, são coisas diferentes - exemplo: um novo elemento de uma guarnição sente-se ainda "de fora" (identidade social fraca) mesmo já dominando a função (identidade profissional forte)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre "estar no mesmo espaço" e "depender uns dos outros" - pergunta: dá um exemplo de um grupo que não é equipa (fila de espera) e de uma equipa (guarnição de máquinas) - exemplo/analogia: uma tripulação de remo, se um rema fora de ritmo, todo o barco perde velocidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a distinção entre posto/cargo e liderança real, é central para a disciplina militar - erro comum: achar que a patente basta para liderar; a autoridade formal não substitui a confiança da equipa - exemplo: um cabo experiente que lidera informalmente uma tarefa técnica mesmo sem ser o mais graduado presente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a UC segue a abordagem funcional, é a que se aplica no bloco seguinte - erro comum: achar que existe um único "estilo certo" universal; depende da situação - exemplo/analogia: comparar um comandante em exercício de rotina com o mesmo comandante numa situação de emergência no mar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar as três áreas com um desenho de três círculos sobrepostos, é o modelo mais citado da liderança funcional - erro comum: focar só a tarefa e esquecer a equipa e o indivíduo, sobretudo sob pressão de prazos - exemplo: um chefe de máquinas que cumpre sempre o prazo mas cuja equipa está exausta e a rotatividade é alta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que os dois modelos são complementares: Adair dá a estrutura, Kouzes e Posner dão o comportamento diário - erro comum: decorar os nomes sem ligar a ações concretas; pedir sempre um exemplo prático de cada prática - exemplo/analogia: um instrutor que primeiro executa a manobra (dar o exemplo) antes de a pedir aos formandos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o briefing não é opcional, é a fase onde se evitam a maior parte dos erros posteriores - erro comum: saltar o briefing por pressa e distribuir tarefas "de ouvido" - exemplo: o briefing antes de uma manobra de amarração, quem faz o quê, em que ordem, com que sinal de comando

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o debriefing como prática sistemática, não como reação a um problema - erro comum: só fazer debriefing quando algo corre mal; deve ser feito sempre - exemplo/analogia: o debriefing de um exercício, o que ficaria diferente numa situação real

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que ter autoridade formal não garante ser obedecido de boa vontade - erro comum: confundir autoridade com poder; podem existir separadamente - exemplo: um especialista técnico sem posto elevado a quem a guarnição recorre antes de recorrer ao chefe direto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre disciplina (baseada em regras aceites) e intimidação (baseada em medo) - erro comum: achar que "ser duro" é sinónimo de autoridade forte - pergunta à turma: dá um exemplo de poder legítimo e um de poder ilegítimo no contexto profissional

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar o estilo assertivo com exemplos de frases, "preciso que isto esteja pronto até às 14h" em vez de agressivo ou passivo - erro comum: confundir assertividade com agressividade; assertivo respeita o outro, agressivo não - exemplo/analogia: o feedback é o "eco" que confirma que a mensagem chegou como foi enviada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a comunicação ascendente é tão importante quanto a descendente e muitas vezes falha primeiro - erro comum: achar que comunicar bem é só "falar claro"; escutar é metade do processo - exemplo: um elemento que detecta uma avaria mas não a reporta por receio de errar na análise, a comunicação ascendente falhou

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a estrutura em três partes, é aplicável a qualquer briefing ou apresentação - erro comum: começar pelos detalhes antes de dar a visão geral, perde-se a audiência - exemplo: estruturar um briefing de situação, ponto de situação, ações previstas, pedidos de apoio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que a técnica de comunicação deve adequar-se aos interlocutores e ao contexto, é critério de desempenho da UC - erro comum: ler um texto em vez de apresentar, quebra o contacto com a audiência - exemplo/analogia: comparar um briefing informal entre colegas com uma apresentação a um estado-maior

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que ambos os tipos coexistem numa pessoa, não são mutuamente exclusivos - erro comum: achar que só recompensas externas motivam; o sentido de missão motiva mais a longo prazo - exemplo: um marinheiro que se esforça mais numa tarefa que entende ser importante para a segurança do navio, mesmo sem elogio imediato

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação direta ao critério de desempenho "mobilizando os recursos pessoais para a obtenção dos melhores resultados da equipa" - erro comum: motivar só com prémios ou elogios genéricos, sem explicar o porquê da tarefa - pergunta à turma: qual foi a última vez que se sentiram genuinamente motivados numa tarefa e porquê

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que o conflito inicial é normal e até saudável, não é sinal de fracasso - erro comum: esperar alto desempenho logo na fase de formação - exemplo: uma guarnição recém-formada num navio, o tempo até "assentar" é a passagem pelas primeiras quatro fases

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que um único fator organizacional mal resolvido, como recursos insuficientes, pode anular o melhor esforço individual - erro comum: atribuir todos os problemas de equipa a "personalidades difíceis" e ignorar fatores organizacionais - exemplo/analogia: uma equipa bem entrosada mas sem ferramentas adequadas continua a falhar prazos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre cumprir a própria parte (cooperar) e ajudar ativamente os outros (colaborar) - erro comum: achar que cumprir só a própria tarefa é suficiente numa equipa interdependente - exemplo: um elemento que termina a sua tarefa mais cedo e ajuda um colega em atraso, em vez de esperar pelo fim do turno

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que estes comportamentos não estão descritos em nenhuma norma escrita, mas fazem toda a diferença - erro comum: achar que "fazer só o que está escrito" é o padrão de bom desempenho - pergunta à turma: que comportamento de cidadania organizacional já observaram na sua unidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a diferença entre eficácia e eficiência com um exemplo numérico simples - erro comum: confundir "trabalhar muito" com "trabalhar bem"; eficiência não é só esforço - exemplo: duas guarnições cumprem a mesma tarefa, uma gasta metade do combustível e do tempo, é mais eficiente

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que gestão e liderança não são opostas, são complementares, uma equipa precisa das duas - erro comum: achar que "gerir" é suficiente e que a componente humana da liderança é dispensável - exemplo/analogia: a gestão é o motor, a liderança é o leme, um navio sem qualquer um dos dois não chega ao destino

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar "separar a pessoa do problema" como técnica central, é a que mais previne escaladas - erro comum: evitar o conflito em vez de o gerir, deixando-o crescer - exemplo: dois elementos da guarnição discordam sobre o método de uma tarefa, o chefe medeia focando no objetivo comum

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a ligação direta ao critério de desempenho "gerindo situações de conflito" - erro comum: resolver o conflito "a favor de alguém" em vez de procurar a solução mais justa para a equipa - pergunta à turma: como reagiriam se dois colegas discordassem publicamente durante uma tarefa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar a distinção urgente vs importante, é a base de qualquer técnica de gestão de tempo - erro comum: tratar tudo como urgente, o que impede priorizar o que é realmente importante - exemplo/analogia: uma lista de tarefas ordenada por prazo em vez de por impacto real na missão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que reconhecer sinais de risco é uma aptidão explícita do referencial, não uma opção do chefe - erro comum: interpretar sinais de esgotamento como "falta de vontade" em vez de risco a gerir - exemplo: um elemento habitualmente comunicativo torna-se isolado após semanas de esforço intenso, é um sinal a não ignorar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar que liderança e trabalho em equipa são competências que se treinam, não traços fixos de personalidade - erro comum: achar que só quem tem "jeito nato" pode liderar bem - exemplo/analogia: recapitular o modelo dos três círculos de Adair como fio condutor de toda a UC