UC00143

Aplicar técnicas básicas de segurança pessoal e coletiva, de primeiros socorros e de prevenção e combate a incêndios a bordo

Segurança pessoal e responsabilidades sociais, primeiros socorros básicos e prevenção e combate a incêndios (STCW)

Técnico Militar Naval / Técnico de Aquacultura Offshore / Técnico de Serviços Marítimos · 50h

Plano

  1. A UC e a certificação STCW
  2. Familiarização com o navio e tipos de emergência
  3. Planos de contingência e sinais de emergência
  4. Rol de chamada, treino e percursos de evacuação
  5. Proteção ambiental e o meio marinho
  6. Segurança no trabalho, EPI e espaços confinados
  7. Comunicação eficaz a bordo
  8. Trabalho em equipa e responsabilidades sociais
  9. Fadiga, descanso e ritmos circadianos
  10. Primeiros socorros: princípios e exame da vítima
  11. Suporte básico de vida e vítimas inconscientes
  12. Hemorragias, choque, queimaduras e envenenamento
  13. Afogamento, resgate e transporte da vítima
  14. Prevenção de incêndios: triângulo do fogo e riscos
  15. Deteção, classes de fogo e agentes extintores
  16. Combate a incêndios: instalações fixas e ARICA

Bloco 1 · A UC e a certificação STCW

Porque esta UC é obrigatória

Esta UC dá acesso à certificação em Segurança Básica, exigida pela Convenção STCW (Standards of Training, Certification and Watchkeeping) a qualquer pessoa que trabalhe a bordo de uma embarcação.

  • Cobre três realizações: procedimentos de emergência, primeiros socorros e combate e extinção de fogo a bordo.
  • É desenvolvida apenas em formação certificada pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos.
  • Aplica-se a embarcações de comércio, pesca, recreio, rebocadores, investigação e auxiliares do Estado.

Sem esta certificação, ninguém embarca.

As três realizações da UC

Realização O que envolve
Procedimentos de emergência a bordo Reconhecer, comunicar e agir perante qualquer emergência
Técnicas de primeiros socorros a bordo Socorrer vítimas até chegar ajuda especializada
Técnicas de combate e extinção de fogo Prevenir, detetar e combater incêndios a bordo

Os critérios de desempenho exigem procedimentos adequados a cada emergência, comunicação eficaz, técnicas de socorrismo corretas e uso correto do ARICA.

Bloco 2 · Familiarização com o navio e tipos de emergência

Familiarização com o navio

Antes de qualquer viagem, todo o tripulante deve conhecer o navio onde vai trabalhar.

  • Localização dos postos de reunião, meios de salvamento e saídas de emergência.
  • Localização dos equipamentos de combate a incêndios e do material de primeiros socorros.
  • Leitura da planta de segurança afixada a bordo (fire and safety plan).
  • Reconhecimento dos percursos de evacuação a partir do próprio camarote ou posto de trabalho.

Quem não conhece o navio perde tempo precioso numa emergência real.

Tipos de emergência a bordo

  • Incêndio ou explosão.
  • Alagamento ou via de água.
  • Colisão ou encalhe.
  • Homem ao mar.
  • Abandono do navio.
  • Emergência médica grave.
  • Poluição acidental (derrame de hidrocarbonetos).

Cada tipo de emergência tem um sinal sonoro e um procedimento próprios, definidos no plano de contingência do navio.

Bloco 3 · Planos de contingência e sinais de emergência

Planos de contingência

O plano de contingência é o documento que define, para cada tipo de emergência, quem faz o quê, com que equipamento e por que percurso.

  • Existe um plano específico para incêndio, alagamento, homem ao mar e abandono do navio.
  • Está sempre disponível na ponte, na casa das máquinas e em locais visíveis do navio.
  • É treinado periodicamente através de exercícios (drills), obrigatórios pela SOLAS.

Um plano só serve se for treinado; um plano nunca treinado é papel.

Sinais de emergência

Sinal Significado
7 apitos curtos + 1 longo Sinal geral de alarme (emergência)
Toque contínuo da sirene Abandono do navio
Anúncio pelo sistema de megafonia Instruções específicas da ponte
  • Os sinais são normalizados internacionalmente para que qualquer tripulante, de qualquer nacionalidade, os reconheça.
  • Ao ouvir um sinal de alarme, dirige-se imediatamente ao posto de reunião atribuído, com o colete salva-vidas.

Confundir sinais custa tempo que, no mar, não existe.

Bloco 4 · Rol de chamada, treino e percursos de evacuação

O rol de chamada

O rol de chamada (muster list) atribui a cada tripulante uma função específica em cada tipo de emergência: apagar fogo, lançar uma baleeira, prestar primeiros socorros, contar tripulantes no posto de reunião.

  • Está afixado em locais visíveis (ponte, camarotes, corredores).
  • Deve ser consultado e memorizado por cada tripulante logo após o embarque.
  • Ações a executar após identificar uma emergência: alertar, confirmar o tipo, seguir o rol de chamada.
  • Ações a executar após ouvir os sinais de alarme: dirigir-se ao posto atribuído com o equipamento indicado.

O rol de chamada transforma o caos numa emergência em ações coordenadas.

Treino, exercícios e percursos de evacuação

  • A importância do treino e dos exercícios: só a repetição transforma o procedimento em reflexo sob pressão.
  • Reconhecer os percursos de evacuação e os sistemas de comunicações e de alarme de bordo de cada zona do navio.
  • Os exercícios simulam incêndio, alagamento, homem ao mar e abandono do navio, com registo em livro próprio.
  • A iluminação de emergência e a sinalética fotoluminescente marcam sempre o caminho até ao posto de reunião.

Sob stress, faz-se o que se treinou, não o que se leu.

Bloco 5 · Proteção ambiental e o meio marinho

Impacto do transporte marítimo no ambiente

  • O transporte marítimo tem impacto direto no meio marinho: descargas, derrames e resíduos.
  • A poluição acidental (colisão, encalhe, avaria) tem efeitos distintos da poluição operacional (descargas de rotina mal geridas).
  • O ambiente marinho é complexo e diverso: uma mancha de hidrocarbonetos afeta cadeias alimentares inteiras, não só a superfície.
  • A legislação internacional (convenções e códigos ambientais) regula descargas, resíduos e emissões de navios.

Cada tripulante é, na prática, o primeiro responsável pelo ambiente à sua volta.

Procedimentos básicos de proteção ambiental

  • Cumprir as normas de gestão de resíduos: separar, armazenar e entregar em terra conforme o tipo de resíduo.
  • Nunca descarregar óleos, lixo ou químicos ao mar fora das condições legais previstas.
  • Reportar imediatamente qualquer derrame, por pequeno que pareça.
  • Aplicar as normas de proteção ambiental e de segurança no mar definidas no plano do navio.

Proteger o ambiente marinho é também proteger o próprio local de trabalho.

Bloco 6 · Segurança no trabalho, EPI e espaços confinados

Regras de segurança no trabalho a bordo

  • Observar sempre as regras de segurança no trabalho específicas de cada tarefa e de cada zona do navio.
  • Conhecer os dispositivos de segurança e proteção existentes: guarda-corpos, redes de segurança, sinalização de risco.
  • Usar corretamente os equipamentos de proteção individual (EPI): capacete, calçado antiderrapante, colete, luvas, proteção auditiva.
  • Cumprir as medidas nacionais e internacionais de segurança e higiene no trabalho.

A segurança no trabalho a bordo não é opcional, é uma condição para embarcar.

Precauções em espaços confinados

Um espaço confinado (tanque, porão, casa das bombas) pode ter atmosfera irrespirável sem aviso visível.

  • Verificar sempre a atmosfera (oxigénio, gases tóxicos ou inflamáveis) antes de entrar.
  • Garantir ventilação adequada e um sistema de permissão de entrada (permit to work).
  • Manter alguém de vigia no exterior e um meio de comunicação permanente.
  • Ter sempre equipamento de resgate disponível junto à entrada.

Mais acidentes fatais a bordo acontecem em espaços confinados do que em incêndios.

Bloco 7 · Comunicação eficaz a bordo

Princípios da comunicação eficaz

Um dos critérios de desempenho da UC é respeitar os princípios para uma comunicação eficaz a bordo.

  • Usar linguagem clara e objetiva, sem ambiguidades, sobretudo em emergência.
  • Confirmar sempre a receção da ordem (repetir a mensagem recebida).
  • Usar os diversos dispositivos de comunicação interna do navio: rádio, telefone interior, megafonia, sinais manuais.
  • Conhecer as barreiras à comunicação: ruído, idioma, stress, falta de visibilidade.

A comunicação falhada é, em muitas emergências reais, a primeira causa do agravamento da situação.

Estabelecer comunicações inequívocas

  • Utilizar sempre fraseologia normalizada quando exista (ex.: comandos de manobra, chamadas de emergência).
  • Verificar que a mensagem foi compreendida sem ambiguidade, não apenas ouvida.
  • Adequar o canal de comunicação à situação: rádio para longas distâncias, sinais manuais quando o ruído impede a voz.
  • Reportar imediatamente qualquer falha de comunicação a um superior.

Comunicar bem é tão parte da segurança a bordo como usar o colete salva-vidas.

Bloco 8 · Trabalho em equipa e responsabilidades sociais

Relacionamento e trabalho em equipa a bordo

  • Manter um bom relacionamento humano e de trabalho a bordo, num ambiente de convivência permanente e fechado.
  • Aplicar princípios básicos de trabalho em equipa, incluindo a resolução de conflitos.
  • Reconhecer a importância do trabalho em equipa nas manobras, nas emergências e na rotina diária.
  • Respeitar a hierarquia e as funções definidas no rol de chamada.

A bordo, a equipa vive, come e trabalha em conjunto; um conflito mal gerido afeta a segurança de todos.

Responsabilidades sociais e individuais

  • Conhecer os direitos e obrigações individuais, as condições de trabalho e as responsabilidades sociais a bordo.
  • Reconhecer os perigos do abuso de álcool e de drogas em ambiente de trabalho marítimo.
  • Cumprir a legislação laboral e marítima aplicável, incluindo as diretrizes da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
  • Manter a autonomia e a responsabilidade pelas próprias ações, atitudes centrais desta UC.

Segurança pessoal e responsabilidade social andam sempre a par.

Bloco 9 · Fadiga, descanso e ritmos circadianos

Fadiga: causas e efeitos

A fadiga é um dos maiores riscos silenciosos da vida a bordo.

  • Reconhecer a importância de ter o necessário descanso a bordo, regulada por normas internacionais de horas de repouso.
  • Os efeitos do sono, dos horários e dos ritmos circadianos na fadiga: turnos de quarto desalinham o relógio biológico.
  • Os efeitos do stress físico nos marítimos: esforço, calor, ruído e vibração acumulam-se ao longo da viagem.
  • As mudanças de horários (quartos rotativos) agravam a fadiga acumulada.

Um tripulante cansado é um risco para si e para toda a tripulação.

Stress ambiental e prevenção da fadiga

  • Os efeitos do stress ambiental dentro e fora do navio (calor, frio, balanço, ruído constante) e o seu impacto nos marítimos.
  • Planear os turnos de forma a respeitar os períodos mínimos de descanso obrigatórios.
  • Identificar sinais precoces de fadiga em si e nos colegas: lapsos de atenção, irritabilidade, lentidão de reação.
  • Reportar situações de fadiga excessiva antes que comprometam uma tarefa crítica.

Prevenir a fadiga é uma responsabilidade individual e coletiva, todos os dias da viagem.

Bloco 10 · Primeiros socorros: princípios e exame da vítima

Princípios gerais do socorrismo

  • Proteger: garantir que o local é seguro antes de socorrer (não criar uma segunda vítima).
  • Alertar: comunicar a emergência médica de acordo com o procedimento do navio.
  • Socorrer: prestar os primeiros cuidados até chegar ajuda especializada ou evacuação médica.
  • Conhecer, de forma básica, as funções e a estrutura do corpo humano relevantes para o socorrismo (sistema respiratório, circulatório, esquelético).

A sequência proteger, alertar, socorrer nunca muda, seja qual for a situação.

Exame e posicionamento da vítima

  1. Verificar a consciência: falar e estimular a vítima.
  2. Verificar a respiração: ver, ouvir e sentir durante 10 segundos.
  3. Posicionar a vítima em segurança conforme o estado encontrado.
Estado da vítima Posicionamento
Consciente, sem trauma grave Posição confortável, sentada ou deitada
Inconsciente, a respirar Posição lateral de segurança (PLS)
Inconsciente, sem respirar Deitada de costas, iniciar SBV

Bloco 11 · Suporte básico de vida e vítimas inconscientes

Vítimas inconscientes

  • Reconhecer uma vítima inconsciente: não responde a estímulos verbais nem físicos.
  • Identificar os principais cuidados no seu socorro: abrir a via aérea, verificar a respiração, pedir ajuda.
  • Uma vítima inconsciente que respira vai para posição lateral de segurança; que não respira, inicia-se de imediato o suporte básico de vida (SBV).
  • Alterações cardiorrespiratórias podem instalar-se rapidamente: vigiar continuamente até à chegada de ajuda.

Cada minuto sem oxigénio no cérebro reduz as hipóteses de sobrevivência.

Manobras de suporte básico de vida (SBV)

  1. Confirmar ausência de resposta e de respiração normal.
  2. Pedir ajuda e alertar de imediato o posto médico do navio.
  3. Iniciar compressões torácicas: 30 compressões, ritmo de 100 a 120 por minuto, no centro do peito.
  4. Alternar com 2 insuflações (técnicas de reanimação), se treinado para tal.
  5. Manter o ciclo até a vítima recuperar, chegar ajuda especializada ou ser fisicamente impossível continuar.

A qualidade das compressões (ritmo e profundidade) determina a eficácia da reanimação.

Bloco 12 · Hemorragias, choque, queimaduras e envenenamento

Controlo de hemorragias e estado de choque

  • Controlar hemorragias: compressão direta sobre o ferimento, elevação do membro, ligadura compressiva.
  • Reconhecer o estado de choque: pele pálida e fria, pulso rápido e fraco, sudação, confusão.
  • Aplicar as técnicas de primeiros socorros no controlo básico do choque: deitar a vítima, elevar as pernas (se não houver trauma), manter aquecida, tranquilizar.
  • Adequar sempre a técnica ao tipo de situação de emergência encontrada, critério central da UC.

Uma hemorragia não controlada é uma das causas de morte evitável mais comuns a bordo.

Queimaduras, acidentes elétricos e envenenamento

  • Queimaduras e acidentes provocados por eletricidade: arrefecer com água corrente, nunca gelo direto, cobrir sem apertar.
  • Antes de tocar numa vítima de acidente elétrico, cortar a fonte de energia.
  • Envenenamento: identificar a substância (rótulo, ficha de segurança), nunca induzir o vómito sem indicação médica.
  • Usar pensos, ligaduras e talas, improvisando com o material disponível no estojo de primeiros socorros quando necessário.

Cada agente causador exige uma resposta diferente; adaptar é a competência central desta realização.

Bloco 13 · Afogamento, resgate e transporte da vítima

Afogamento

  • Reconhecer os sinais de afogamento: pode ser silencioso, sem gritos nem agitação visível.
  • Prioridade: retirar a vítima da água em segurança, sem o socorrista se tornar uma segunda vítima.
  • Verificar respiração e circulação assim que a vítima está em segurança; iniciar SBV se necessário.
  • Vigiar mesmo após recuperação aparente: pode haver água nos pulmões com efeito tardio.

Retirar a vítima da água é só o primeiro passo, não o fim do socorro.

Resgate e transporte da vítima

  • Efetuar o resgate e o transporte de vítimas com os meios disponíveis: maca, cadeira de transporte, apoio de vários tripulantes.
  • Proteger a coluna cervical em caso de suspeita de trauma, especialmente em quedas ou colisões.
  • Coordenar o transporte com a equipa do rol de chamada, comunicando o estado da vítima ao posto médico.
  • Preparar a vítima para eventual evacuação médica (helitransporte ou transferência para outro navio).

Transportar mal uma vítima pode agravar lesões que o socorro inicial evitou.

Bloco 14 · Prevenção de incêndios: triângulo do fogo e riscos

O triângulo do fogo

O fogo só existe quando três elementos se encontram em simultâneo: os elementos do fogo e explosão.

Elemento Exemplo a bordo
Combustível óleo, madeira, tecidos, gases
Comburente oxigénio do ar
Calor / fonte de ignição faísca elétrica, superfície quente, chama
  • Retirar qualquer um dos três elementos extingue o fogo: é o princípio de toda a extinção.
  • Tipos e fontes de ignição: elétricas, mecânicas (atrito), químicas, chamas nuas.

Sem os três, não há fogo; controlar um já evita o incêndio.

Riscos de incêndio a bordo

  • Materiais inflamáveis frequentemente encontrados a bordo: combustíveis, óleos lubrificantes, tintas, gases de cozinha.
  • Necessidade de vigilância constante, sobretudo na casa das máquinas, na cozinha e nos paióis.
  • A propagação do fogo em diferentes partes do navio é rápida devido a espaços fechados e materiais combustíveis próximos.
  • Identificar antecipadamente os riscos de incêndio de cada zona de trabalho.

A prevenção de incêndios começa muito antes de qualquer chama existir.

Bloco 15 · Deteção, classes de fogo e agentes extintores

Organização e deteção de incêndios

  • A organização de combate a incêndios a bordo define equipas, funções e responsável pela ação inicial.
  • Conhecer a localização de equipamentos de combate a incêndios e percursos de evacuação de cada zona.
  • Sistemas de deteção de fogo e fumo a bordo e sistemas automáticos de alarme: detetores de calor, de fumo e sprinklers.
  • Quanto mais cedo o fogo é detetado, menor é a área a combater e maior a segurança da tripulação.

Um sistema de deteção que funciona ganha o tempo que a tripulação precisa para reagir.

Classes de fogo e agentes extintores

Classe Combustível Agente extintor típico
A sólidos (madeira, papel, tecido) água, espuma, pó químico
B líquidos inflamáveis (óleo, combustível) espuma, CO2, pó químico
C gases inflamáveis corte do gás, pó químico
D metais agentes específicos para metais
Elétrico equipamento sob tensão CO2, nunca água

Selecionar os aparelhos e equipamentos de acordo com o tipo de incêndio é obrigatório: usar água num fogo elétrico agrava o acidente.

Bloco 16 · Combate a incêndios: instalações fixas e ARICA

Precauções e instalações fixas

  • As instalações fixas de combate a incêndios (CO2, água pulverizada, espuma) cobrem espaços de maior risco, como a casa das máquinas.
  • Precauções e uso de instalações fixas: nunca ativar um sistema de CO2 fixo sem confirmar que o espaço está desocupado (desloca o oxigénio).
  • Extinguir incêndios de reduzida extensão com extintores portáteis, de grandes proporções com monitores de jato direto ou pulverizado.
  • Extinguir com espuma, pó químico ou outro agente adequado conforme a classe do fogo.

Usar o sistema errado no momento errado transforma um combate em desastre.

Uso do ARICA em combate e resgates

O ARICA (Aparelho Respiratório Isolante de Circuito Aberto) permite respirar em atmosferas com fumo denso ou gases tóxicos.

  • Cumprir os procedimentos na utilização do ARICA: verificação da pressão, vedação da máscara, tempo de autonomia.
  • Combater incêndios em espaços fechados com uso de ARICA, sempre com colega de apoio no exterior.
  • Executar a evacuação e o salvamento num compartimento com fumo usando o ARICA.
  • Entrar e atravessar um compartimento com espuma de alta expansão, com linha de vida, sem aparelho respiratório, quando aplicável.

O ARICA só protege se for verificado antes de cada utilização, sem exceção.

Recapitulando

  • A UC dá acesso à certificação STCW em Segurança Básica: emergência, primeiros socorros e combate a incêndios.
  • Familiarização, rol de chamada, sinais e treino são a base de qualquer resposta a emergência.
  • Comunicação eficaz e trabalho em equipa evitam que uma emergência se agrave.
  • Primeiros socorros: proteger, alertar, socorrer, adequando sempre a técnica à situação.
  • Fogo: eliminar um dos três elementos do triângulo, escolher o agente certo para a classe certa, usar o ARICA com rigor.

Próximo: fichas e projeto, aplicar os procedimentos a casos práticos a bordo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: isto não é uma UC teórica qualquer, é um requisito legal para trabalhar no mar (Decreto-Lei 166/2019). - Erro comum: achar que "segurança básica" é um conceito genérico. É uma certificação STCW com conteúdo obrigatório e fixo. - Exemplo: sem este certificado válido, a tripulação não pode ser inscrita no rol de tripulação de um navio.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar cada realização a um bloco de matéria que se segue nesta apresentação. - Erro comum: tratar as três realizações como independentes. Numa emergência real, cruzam-se sempre (ex.: incêndio com vítima a socorrer). - Perguntar à turma: qual das três acham mais provável de acontecer numa viagem normal? Discutir.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a familiarização é a PRIMEIRA coisa a fazer ao embarcar, antes de largar amarras. - Erro comum: os novos tripulantes ficam à espera que alguém os "mostre" o navio. É responsabilidade individual verificar a planta de segurança. - Exemplo: pedir à turma para imaginar que acordam com fumo no corredor, sem saber onde fica a saída mais próxima.

NOTAS DO PROFESSOR - Pedir à turma para associar cada emergência a um sinal ou procedimento que já conheçam (mesmo intuitivamente). - Erro comum: confundir o procedimento de "abandono do navio" com o de "postos de emergência". São fases distintas e sucessivas. - Analogia: como os simulacros de incêndio na escola, mas a bordo não há "fora do edifício" a salvo, há o mar.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a ligação à Convenção SOLAS (Segurança da Vida Humana no Mar), que obriga aos exercícios periódicos. - Erro comum: pensar que o plano de contingência é só para o comandante. Cada tripulante tem uma função atribuída nele. - Exemplo: um exercício de abandono do navio típico decorre semanalmente em navios de passageiros.

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma repetir o padrão do sinal geral de alarme (curto-curto-curto...-longo) até memorizarem. - Erro comum: ficar a arrumar pertences antes de se dirigir ao posto de reunião. A prioridade é sair, não é embalar. - Perguntar: porque é que os sinais têm de ser universais e não específicos de cada empresa? (tripulações multinacionais).

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar um exemplo real de rol de chamada (mesmo que simplificado) com nomes, funções e postos. - Erro comum: achar que só o comandante e o imediato têm função no rol. Todos, sem exceção, têm uma linha. - Exercício: distribuir à turma papéis do rol de chamada e simular a chamada de emergência.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a memória muscular treinada vence o pânico. É por isso que a SOLAS exige exercícios regulares, não só formação teórica. - Erro comum: seguir o tripulante da frente sem saber o próprio percurso. Cada um deve conhecer o seu caminho, mesmo às escuras ou com fumo. - Exemplo/analogia: como o treino de evacuação de um avião, repetido até se tornar automático.

NOTAS DO PROFESSOR - Distinguir claramente poluição acidental de poluição operacional: a primeira é um acidente, a segunda é negligência do dia a dia. - Erro comum: achar que "só um pouco de óleo" não faz diferença. Discutir a escala do impacto cumulativo. - Exemplo real: derrames de hidrocarbonetos em zonas de aquacultura afetam diretamente a produção e a fauna local.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar à aptidão "reconhecer causas de poluição marinha provocada por embarcações" do referencial. - Erro comum: assumir que a gestão de resíduos é só responsabilidade do comandante ou de um tripulante específico. É de todos. - Perguntar: que tipo de resíduo a bordo é mais perigoso para o meio marinho? (óleos e plásticos, entre outros).

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: no mar, um acidente de trabalho comum em terra (queda, entalão) tem consequências agravadas pela distância a cuidados médicos. - Erro comum: retirar o EPI por ser "desconfortável" numa tarefa rápida. Reforçar que acidentes acontecem nas tarefas "rápidas". - Exemplo: um tripulante sem calçado antiderrapante num convés molhado é um dos acidentes mais comuns a bordo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar: a atmosfera pode ser perfeitamente transparente e, ainda assim, letal (falta de oxigénio ou gás inodoro). - Erro comum: entrar "só um segundo" sem verificar a atmosfera. É precisamente esse "só um segundo" que mata. - Exemplo real: vários acidentes fatais na indústria marítima começam com uma tentativa de resgate sem equipamento, de um colega que também caiu.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a técnica de "read-back": quem recebe uma ordem repete-a para confirmar que percebeu corretamente. - Erro comum: assumir que "percebi" só porque acenou com a cabeça. Numa emergência com ruído, confirmar sempre em voz alta. - Exercício: simular uma ordem transmitida por rádio com ruído de fundo e pedir o read-back correto.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este slide ao critério de desempenho explícito da UC sobre comunicação eficaz. - Erro comum: usar gíria pessoal em vez da fraseologia normalizada, que pode não ser entendida por toda a tripulação. - Perguntar: porque é que uma tripulação multinacional depende ainda mais desta disciplina de comunicação?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a diferença de um ambiente de trabalho em terra: a bordo não há "ir para casa" no fim do dia. - Erro comum: deixar um conflito pessoal por resolver "porque o mar é grande". Em espaço confinado, cresce. - Exemplo: um exercício de emergência falha quando dois tripulantes não comunicam por atrito pessoal por resolver.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar às atitudes do referencial: responsabilidade, autonomia, autoconhecimento e autocontrolo. - Erro comum: pensar que álcool e drogas são um problema "pessoal" sem impacto na segurança coletiva. A bordo, é sempre coletivo. - Perguntar: que consequências tem, numa emergência, um tripulante sob efeito de álcool?

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar o conceito de ritmo circadiano de forma simples: o "relógio biológico" que regula sono e vigília em ciclos de 24h. - Erro comum: achar que "café resolve" a fadiga. Reduz o sintoma, não a causa; o défice de sono acumula-se. - Exemplo: muitos acidentes marítimos investigados apontam a fadiga como fator contribuinte principal.

NOTAS DO PROFESSOR - Ligar este tema à aptidão "identificar causas e consequências de fadiga nos marítimos a bordo". - Erro comum: só falar de fadiga depois de um acidente. Deve ser gerida preventivamente, todos os dias. - Pergunta: que sinais de fadiga um colega de quarto consegue detetar antes de o próprio se aperceber?

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma repetir a sequência "proteger, alertar, socorrer" (PAS) até a memorizarem. - Erro comum: correr logo para a vítima sem avaliar o local. Pode agravar a emergência (fumo, eletricidade, mar agitado). - Exemplo: um tripulante que cai numa casa das máquinas com gases: entrar sem verificar cria uma segunda vítima.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar fisicamente a posição lateral de segurança e explicar porque previne a asfixia por vómito ou língua. - Erro comum: mover uma vítima com suspeita de trauma na coluna sem necessidade. Só se move se houver risco imediato (fogo, afogamento). - Perguntar: porque é que a PLS é diferente de simplesmente "deitar de lado"?

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a urgência: o cérebro sem oxigénio sofre danos irreversíveis em poucos minutos. - Erro comum: perder tempo a tentar "acordar" a vítima com métodos ineficazes em vez de avaliar e agir. - Exemplo: recontar um caso de reanimação bem sucedida graças ao início rápido do SBV, mesmo antes de chegar ajuda especializada.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar o ritmo das compressões com um exemplo sonoro ou contagem em voz alta. - Erro comum: comprimir demasiado devagar ou parar frequentemente. As pausas reduzem drasticamente a eficácia. - Exercício prático: treinar a sequência num manequim, se disponível, com cronómetro para o ritmo.

NOTAS DO PROFESSOR - Enfatizar a ordem de prioridade: primeiro parar a hemorragia, só depois tratar o choque resultante. - Erro comum: usar torniquete como primeira opção. É último recurso, quando a compressão direta falha. - Exemplo: um corte profundo na casa das máquinas exige compressão imediata e forte, sem hesitação.

NOTAS DO PROFESSOR - Reforçar a regra de segurança: nunca tocar numa vítima de choque elétrico sem cortar primeiro a corrente. - Erro comum: aplicar gelo diretamente numa queimadura, o que agrava a lesão dos tecidos. - Exercício: identificar, num estojo de primeiros socorros real ou fotografado, os materiais para improvisar uma ligadura.

NOTAS DO PROFESSOR - Desmistificar o afogamento "de filme": na realidade é frequentemente silencioso, sem agitação nem gritos. - Erro comum: saltar à água sem equipamento de flutuação ou plano de resgate. Regra de ouro: alcançar, atirar, remar, nadar (por esta ordem). - Exemplo: usar sempre a boia salva-vidas ou uma linha antes de entrar na água.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, uma maca de resgate real e como se imobiliza uma vítima nela. - Erro comum: mover uma vítima sozinho quando há tripulantes disponíveis para ajudar. Pedir sempre apoio. - Perguntar: que informação deve ser transmitida ao posto médico antes da chegada da vítima?

NOTAS DO PROFESSOR - Desenhar o triângulo do fogo no quadro e pedir à turma para identificar como cada agente extintor atua sobre um dos lados. - Erro comum: pensar que basta "apagar a chama" sem eliminar o combustível ou arrefecer. O fogo reacende. - Exemplo: um curto-circuito elétrico é a fonte de ignição mais comum em incêndios de casa das máquinas.

NOTAS DO PROFESSOR - Percorrer mentalmente as zonas de maior risco do navio: casa das máquinas, cozinha, paiol de tintas. - Erro comum: guardar materiais inflamáveis perto de fontes de calor "só por esta vez". É precisamente assim que começam incêndios. - Exemplo: um pano com óleo esquecido perto de um motor quente é um risco real e comum.

NOTAS DO PROFESSOR - Mostrar, se possível, imagens ou o equipamento real de deteção de fumo do navio ou da escola. - Erro comum: desligar ou ignorar um alarme "porque costuma disparar por nada". Deve ser sempre verificado primeiro. - Perguntar: qual a diferença entre um detetor de calor e um detetor de fumo, e onde se usa cada um?

NOTAS DO PROFESSOR - Fazer a turma associar cada classe a um exemplo concreto do navio (cozinha, casa das máquinas, paiol elétrico). - Erro comum clássico: usar água num incêndio elétrico ou de óleo. Reforçar porque é perigoso (condução elétrica, propagação de óleo em chamas). - Exercício: mostrar fotografias de diferentes extintores e pedir para identificar a classe de fogo correspondente.

NOTAS DO PROFESSOR - Explicar porque o CO2 desloca o oxigénio: eficaz contra o fogo, mas letal para quem estiver no espaço. - Erro comum: ativar um sistema fixo de CO2 sem fazer a contagem de tripulantes primeiro. Regra absoluta: confirmar espaço vazio. - Exemplo: procedimento normalizado de alarme sonoro antes da libertação de CO2 numa casa das máquinas.

NOTAS DO PROFESSOR - Demonstrar (ou descrever em detalhe) a verificação da pressão da garrafa e a vedação da máscara antes da entrada. - Erro comum: entrar num compartimento com fumo denso sem confirmar a autonomia de ar restante. Planear sempre a saída antes da entrada. - Exercício: cronometrar mentalmente com a turma quanto tempo de trabalho útil resta com uma garrafa a determinada pressão.