UC00038

Prestar informação sobre o setor do turismo

Fenómeno turístico, oferta nacional, organismos e atendimento ao cliente

Curso profissional · 25h · Cozinha/Restauração

Plano

  1. O que é o turismo e o turista
  2. História e turismo de massas
  3. Impacto socioeconómico
  4. Tipos de turismo
  5. Oferta turística nacional e regional
  6. Novas tendências e produtos
  7. Fatores críticos de sucesso em Portugal
  8. Organismos internacionais
  9. Organismos nacionais e locais
  10. Entidades de informação e guias
  11. Hotelaria — tipos e organização
  12. Restauração e para-hotelaria
  13. Comunicar e informar o cliente
  14. Legislação da atividade turística

Bloco 1 · Conceitos e evolução

O que é o turismo

Turismo (definição da OMT/UNWTO): as atividades das pessoas que viajam e permanecem em locais fora do seu ambiente habitual por menos de um ano, por lazer, negócios ou outros motivos.

  • Turista — pernoita pelo menos 1 noite no destino.
  • Visitante do dia / excursionista — visita sem pernoitar.
  • Emissor (quem envia turistas) vs recetor (quem os recebe).

Três condições: deslocação, permanência temporária e motivo que não seja trabalho remunerado no destino.

O turismo é um sistema: procura (turistas) + oferta (destinos, empresas) + intermediários (agências) + entidades públicas.

História — do "Grand Tour" ao turismo de massas

Época Marca
Séc. XVII–XVIII Grand Tour — jovens da elite viajam pela Europa
Séc. XIX Comboio e Thomas Cook (1841): a 1.ª viagem organizada
Após 1950 Automóvel, avião a jato, férias pagas → turismo de massas
Séc. XXI Low-cost, internet, plataformas (Booking, Airbnb), redes sociais

Turismo de massas = viagem acessível a grandes números de pessoas, com produtos padronizados (pacotes "sol e praia").

Impacto socioeconómico do turismo

Positivo

  • Emprego e rendimento (hotelaria, restauração, transportes, comércio).
  • Divisas (exportação "invisível"); contribui para o PIB.
  • Preserva património e tradições; desenvolve regiões.

Negativo / a gerir

  • Sazonalidade e empregos precários.
  • Sobrelotação (overtourism), pressão sobre preços e habitação.
  • Impacto ambiental e na cultura local.

Em Portugal o turismo vale cerca de 15–19% do PIB e é dos maiores empregadores — daí a importância de o conhecer bem.

Bloco 2 · Tipos de turismo e oferta

Tipos de turismo

  • Lazer / sol e praia — descanso, férias, natureza.
  • Cultural — monumentos, museus, cidades históricas, património.
  • Negócios / MICE — reuniões, congressos, feiras, incentivos.
  • Religioso — Fátima, Caminhos de Santiago, romarias.
  • Saúde e bem-estar — termas, spa, turismo médico.
  • Natureza e aventura — trilhos, surf, birdwatching, montanha.
  • Gastronómico e enoturismo — rotas do vinho, gastronomia regional.
  • Rural · náutico · desportivo · city break.

Um mesmo turista pode combinar vários tipos na mesma viagem.

Oferta turística — o que o destino oferece

A oferta é tudo o que atrai e serve o turista:

Componente Exemplos
Recursos praias, serras, património, clima, gastronomia
Alojamento hotéis, alojamento local, pousadas, campismo
Restauração restaurantes, bares, cafés
Transportes aeroportos, comboio, rent-a-car, transferes
Animação eventos, museus, passeios, experiências
Intermediação agências de viagens, operadores turísticos

Regiões de turismo (Portugal): Porto e Norte, Centro, Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira.

Oferta nacional e regional — âncoras

  • Lisboa e Portocity breaks, cultura, gastronomia, cruzeiros.
  • Algarve — sol e praia, golfe (grande peso na sazonalidade).
  • Douro / Alentejo — enoturismo, paisagem, património (UNESCO).
  • Centro — Serra da Estrela, aldeias históricas, Coimbra, Fátima.
  • Açores e Madeira — natureza, mar, whale watching, montanha.

Produtos estratégicos (Turismo de Portugal): Sol e Mar, Gastronomia e Vinhos, Turismo de Natureza, Cultural, City Breaks, Náutico, Saúde e Bem-estar, MICE.

Novas tendências do turismo

  • Sustentabilidade — turismo responsável, pegada de carbono, local.
  • Experiências autênticas > "ver monumentos"; contacto com a comunidade.
  • Digital — reservas online, reviews, redes sociais, check-in móvel.
  • Bleisure (business + leisure) e nómadas digitais.
  • Turismo de proximidade e viagens mais curtas e frequentes.
  • Acessível e inclusivo — para todos, sem barreiras.
  • Gastronómico como motivo principal de viagem.

Novos produtos/serviços: food tours, experiências de chef, glamping, rotas temáticas, apps de destino.

Bloco 3 · Organização do setor

Fatores críticos de sucesso — Portugal

Porque é que Portugal ganhou vários prémios "melhor destino"?

  • Clima ameno e muitos dias de sol.
  • Segurança e hospitalidade.
  • Gastronomia e vinhos reconhecidos.
  • Património e diversidade num país pequeno (praia + serra + cidade).
  • Relação qualidade/preço; boas acessibilidades.

Riscos a gerir: dependência de poucos mercados emissores, sazonalidade, overtourism em Lisboa/Porto/Algarve.

Organismos internacionais

  • OMT / UNWTO — Organização Mundial do Turismo (agência da ONU); estatísticas, normas, código de ética.
  • WTTCWorld Travel & Tourism Council (setor privado).
  • IATA — associação do transporte aéreo.
  • Comissão Europeia — política de turismo da UE.
  • UNESCO — classifica Património Mundial (relevante para o turismo cultural).

Servem para coordenar, normalizar e promover o turismo à escala global.

Organismos nacionais e locais

  • Turismo de Portugal, I.P. — organismo público central: promoção, formação, financiamento, registo de empreendimentos.
  • Ministério com a tutela da Economia/Turismo.
  • Entidades Regionais de Turismo (ERT) — Porto e Norte, Centro, Lisboa, Alentejo, Algarve.
  • ARPT — Agências Regionais de Promoção Turística (mercados externos).
  • Câmaras municipais e postos de turismo locais.
  • ** AHRESP, AHP, APAVT** — associações do setor (restauração, hotelaria, agências).

Entidades de informação e guias

  • Postos de Turismo — atendimento presencial ao visitante.
  • visitportugal.com e sites regionais/municipais.
  • Guias turísticos — pessoas (guias-intérpretes) e publicações/apps.
  • Sinalética e centros de interpretação.
  • Mapas, roteiros e brochuras da região e da localidade.

O profissional de restauração é, muitas vezes, o primeiro informador: recomenda o que visitar, comer e onde ficar.

Bloco 4 · Hotelaria e restauração

Hotelaria — definição e classificação

Empreendimentos turísticos (Portugal) classificam-se em:

  • Estabelecimentos hoteleiroshotéis (1 a 5 estrelas), hotéis-apartamentos (aparthotéis), pousadas.
  • Aldeamentos e apartamentos turísticos.
  • Conjuntos turísticos (resorts).
  • Empreendimentos de turismo de habitação e turismo no espaço rural (agroturismo, casas de campo).
  • Parques de campismo e caravanismo.

A classificação por estrelas reflete requisitos de serviço, dimensão e equipamento.

Organização funcional do hotel

Departamento Função
Receção / portaria check-in/out, reservas, informação
Andares (housekeeping) limpeza e arranjo dos quartos
Lavandaria roupa de quartos e restaurante
Economato compras, stocks, armazém
Cozinha / pastelaria produção alimentar
Restaurante e bar serviço de comidas e bebidas (F&B)
Animação atividades e entretenimento

Front office (contacto com o cliente) vs back office (bastidores). A cozinha coordena-se com F&B, economato e andares.

Restauração e explorações para-hoteleiras

Restauração — estabelecimentos que servem refeições/bebidas:

  • Restaurantes (clássico, casual, fine dining), snack-bar, cafetaria, bar, casa de pasto, catering.
  • Organização: cozinha (brigada) + sala (serviço) + gestão.

Explorações para-hoteleiras / alojamento local:

  • Alojamento Local (AL) — moradias, apartamentos, hostels.
  • Pousadas de juventude, colónias de férias.
  • Parques de campismo e caravanismo.

Bloco 5 · Atendimento e legislação

Comunicar e informar o cliente

Boa informação = comunicação eficaz:

  • Escutar a necessidade real (destino, tempo, orçamento, gostos).
  • Falar com clareza, ser cortês e honesto (não inventar).
  • Adaptar a mensagem (idioma, cultura, acessibilidade).
  • Dar alternativas e informação atualizada (horários, preços, época).
  • Linguagem verbal e não-verbal coerentes; empatia.

Ciclo: acolher → identificar necessidade → informar/aconselhar → confirmar → despedir e fidelizar.

Legislação da atividade turística

  • Regime dos Empreendimentos Turísticos (classificação e registo).
  • Alojamento Local (AL) — registo obrigatório (RNAL) e regras.
  • RNAAT — registo de agentes de animação turística.
  • RNAVT — registo das agências de viagens.
  • Defesa do consumidor, livro de reclamações (físico e eletrónico).
  • RGPD — proteção de dados dos clientes.
  • Higiene e segurança alimentar (HACCP) na restauração.

Registos geridos, em geral, pelo Turismo de Portugal.

Recapitulando

  • Turismo = viajar/permanecer fora do ambiente habitual; turista pernoita.
  • História: Grand Tour → massas → digital; grande peso socioeconómico.
  • Tipos e oferta variados; Portugal forte em sol, cultura, gastronomia.
  • Setor organizado por OMT/UNWTO, Turismo de Portugal, ERT e postos.
  • Hotelaria/restauração com departamentos e classificação próprios.
  • Informar bem = comunicar com clareza e conhecer a oferta e a lei.

Próximo: fichas e projeto — montar um roteiro e um balcão de informação turística.