UFCD 10968

Sistemas de climatização e AQS

Do calor e da hidráulica à bomba de calor com inversão de ciclo, com a oficina em cada sistema

Curso profissional · 25h · Técnico/a de Refrigeração e Climatização

Plano

  1. Calor, temperatura e hidráulica
  2. Enquadramento regulamentar
  3. Sistemas de arrefecimento (expansão direta e indiretos)
  4. Sistemas de aquecimento e componentes
  5. Distribuição, emissão e rendimento
  6. Preparação de AQS e solar térmico
  7. Fluidos térmicos
  8. Regulação e controlo
  9. Ciclo de compressão de vapor e válvula de 4 vias
  10. Oficina e complementaridade entre sistemas

Bloco 1 · Calor, temperatura e hidráulica

Calor e temperatura

  • Temperatura: quão quente está um corpo (°C ou K). Lê-se com termómetro.
  • Calor: energia que passa do corpo quente para o frio (J, kJ, kWh).
  • Sensível: muda a temperatura, Q = m × c × ΔT. Latente: muda o estado, Q = m × L.
  • Água: c ≈ 4,18 kJ/kg·K (1,163 Wh/kg·K); evaporar 1 kg a 100 °C absorve cerca de 2 257 kJ.
  • 1 kWh = 3 600 kJ. Diferenças de temperatura escrevem-se em K.

200 l de 15 a 60 °C: 200 × 4,18 × 45 = 37 620 kJ = 10,45 kWh; com 2 kW, cerca de 5,2 h.

A fórmula de oficina

P (kW) = 0,001163 × caudal (l/h) × ΔT (K)

Caso Dados Resultado
Ramal de radiadores 600 l/h, 70/55 °C 10,5 kW
Fan-coil de frio 430 l/h, 7/12 °C 2,5 kW
Chiller de 35 kW ΔT 5 K 6 019 l/h
  • Caudal baixo, potência baixa: o circuito "não aquece".
  • ΔT muito pequeno no chiller: caudal a mais. ΔT grande: caudal a menos.

Transmissão de calor e medição de temperatura

Forma Onde se vê
Condução parede da caldeira, tubo de cobre
Convecção radiador, fan-coil, água na tubagem
Radiação piso radiante, superfície quente

Medir ida e retorno: lixar o tubo, sonda de braçadeira com contacto firme, isolar a sonda, esperar 1 a 2 min, medir em regime estável (15 min depois de arrancar), registar com a temperatura exterior.

  • Infravermelhos em metal brilhante enganam: colar fita preta mate.

Hidráulica: pressão, caudal, perda de carga

  • 10 m de coluna de água ≈ 1 bar; 1 m c.a. ≈ 0,1 bar.
  • Q = A × v; velocidade recomendada em tubo pequeno: 0,5 a 1,5 m/s.
  • Tubo 22 × 1 (int. 20 mm) com 600 l/h: v = 0,53 m/s.
  • Perda de carga: atrito em tubos, curvas e válvulas; cresce com o quadrado do caudal.
  • Manómetro a frio e a quente; caudalímetro no coletor; diferencial nas válvulas de equilíbrio.

A bomba de circulação

  • A bomba tem uma curva (altura em função do caudal); o circuito tem a sua curva de perdas.
  • O ponto de funcionamento é a interseção.
  • Fechar válvulas ou sujar filtros desloca o ponto para menos caudal.
  • Cavitação (ruído de areia): ar, pressão baixa, válvula de aspiração semi-fechada.
  • Verificar: seta de sentido, veio na horizontal, purga do rotor, velocidade, nunca em seco.

Equilíbrio hidráulico: a água segue o caminho mais fácil. Detentores, caudalímetros e válvulas de equilíbrio dão a cada ramal o caudal de projeto.

Bloco 2 · Enquadramento regulamentar

Que regras se cruzam

Área Fonte de consulta
Desempenho energético e certificação (SCE) Decreto-Lei n.º 101-D/2020, na redação em vigor; ADENE; DGEG
Gases fluorados e certificação de técnicos regulamento europeu em vigor; APA
Água e Legionella Lei n.º 52/2018, Portaria n.º 25/2021 e Despacho n.º 1547/2022, na redação em vigor
Gás legislação do gás; técnico credenciado
Eletricidade, equipamentos sob pressão, ecodesign regras técnicas, marcação CE, regulamentos europeus

Regra de ouro: saber a que área pertence a situação e consultar a redação em vigor na fonte oficial.

O que o SCE pede, em termos práticos

  • O desempenho energético conta com aquecimento, arrefecimento e AQS.
  • Requisitos mínimos para sistemas técnicos novos ou substituídos; contributo de renováveis no AQS.
  • Manutenção e inspeção de sistemas de climatização, com documentação e registo de intervenções.
  • O certificado é emitido por perito qualificado do SCE, não pelo instalador.

Na oficina: manual, ficha técnica e registo de intervenções ficam sempre com o equipamento.

AQS, Legionella e gases fluorados

  • Legionella: evitar água estagnada, braços mortos e temperaturas favoráveis; os valores estão no Despacho n.º 1547/2022 (procedimentos) e na Portaria n.º 25/2021 (medidas por risco), na redação em vigor.
  • Água quente queima: válvula misturadora termostática antes do ponto de uso.
  • Gases fluorados: só quem tem certificação intervém no circuito; o fluido é recuperado, nunca libertado.
  • Classe de segurança e GWP: chapa e ficha de segurança.

Nas aulas o circuito frigorífico não se abre: mede-se por fora e interpreta-se.

Bloco 3 · Sistemas de arrefecimento

Expansão direta: visão geral

O fluido frigorigéneo evapora na bateria que arrefece o ar. Sem fluido intermédio.

Família Onde se vê
Unidades autónomas janela, parede, portátil, armário
Compactas ar/ar cobertura de supermercado, pavilhão
Split ar/ar sala, quarto, escritório
Multi-split apartamento, moradia
VRF hotel, edifício de serviços

Unidades autónomas e compactas

  • Autónomas: tudo no mesmo bloco (janela, parede, portátil). Sem tubo de fluido na obra.
  • Portáteis: mangueira de extração; frestas por onde entra ar quente anulam o efeito.
  • Compactas ar/ar: cobertura ou sala de máquinas, ar distribuído por condutas.

Medir: tensão, corrente (comparar com a chapa), ΔT do ar na bateria (8 a 12 K), filtro, drenagem. Nos trifásicos, sentido de rotação dos ventiladores.

Split ar/ar: o que se vê e o que se mede

Elemento Verificar
Unidade interior filtro, bandeja, ventilador, sonda
Unidade exterior grelhas livres, base, ruídos
Tubo de aspiração frio e húmido em arrefecimento
Tubo de líquido isolamento inteiro
Drenagem declive contínuo, a escoar

Ensaio sem abrir o circuito: arrefecimento a 17 °C, esperar 10 a 15 min, ΔT do ar entre entrada e saída, corrente da exterior, drenagem, filtros.

ΔT do ar: 8 a 12 K é normal. Muito baixo aponta para pouca capacidade (pouco fluido, compressor fraco); muito alto para pouco caudal de ar (filtro sujo, ventilador). Um filtro sujo faz o ΔT subir, não descer.

Multi-split e VRF

  • Multi-split: uma exterior para várias interiores, cada uma com válvula de expansão eletrónica; soma de potências dentro do intervalo do fabricante.
  • VRF: exterior com inversor; fluxo de fluido variável; endereçamento e carga registados.
  • 2 tubos: todas as interiores no mesmo modo. Recuperação de calor: algumas aquecem enquanto outras arrefecem.

Nas aulas: ler parâmetros no comando e interpretar códigos de erro. Vácuo, carga e arranque são de quem tem certificação.

Sistemas indiretos: chiller e terminais

O frigorigéneo arrefece água no chiller; a água leva o frio a fan-coils, UTA, vigas frias.

  • Fluido frigorigéneo fica todo na sala do chiller.
  • Condições típicas: 7 °C ida, 12 °C retorno (ΔT 5 K).
  • Chiller de 35 kW: 6 m³/h.
  • Fluxostato: sem caudal, sem arranque (evita congelar o evaporador).
  • Tubagem fria bem isolada (condensação); proteção antigelo.

Sistemas a 2 tubos e a 4 tubos

2 tubos 4 tubos
Circuitos 1 (frio ou quente) 2 (frio e quente)
Fan-coil 1 bateria 2 baterias
Zonas em modos opostos não sim
Custo mais baixo mais alto

Fan-coil, verificação: cortar alimentação, limpar filtro, bandeja e drenagem, verificar válvula e servo, medir ΔT da água (4 a 6 K) e do ar, ver se pinga.

Bloco 4 · Sistemas de aquecimento e componentes

Alta e baixa temperatura

Sistema Ida típica Emissor Gerador mais adequado
Alta 70 a 80 °C radiadores, convectores caldeira convencional
Média 55 a 65 °C radiadores maiores, fan-coils condensação, bomba de calor
Baixa 30 a 45 °C piso radiante, parede, teto condensação, bomba de calor

Quanto mais baixa a ida, maior o rendimento da caldeira de condensação e da bomba de calor.

Piso radiante: composição e arranque

Isolamento, fita periférica, tubo (passo 10 a 20 cm), coletor com caudalímetros, betonilha, misturadora.

  1. Teste de pressão com água antes e durante a betonilha.
  2. Esperar a cura do fabricante.
  3. Aquecimento progressivo: começar com ida de 20 a 25 °C, subir por degraus, sem saltos.
  4. Purgar cada circuito e equilibrar nos caudalímetros.

Caudal: 1,4 kW com ΔT 6 K = 200 l/h, ou 3,3 l/min.

Caldeira, radiadores, coletores

  • Caldeira de condensação só condensa com retorno abaixo de cerca de 55 °C (gás natural).
  • Análise de combustão: técnico credenciado. Nas aulas, lê-se o ecrã.
  • Radiador: potência dada para um regime (ex. 70/50/20 °C); baixar a ida baixa a potência mais do que proporcionalmente.
  • Coletor: corte, caudalímetros, purgador no topo, dreno na base.

Purgar um radiador: parar bomba, abrir purgador com pano, até sair fio contínuo, fechar, repor pressão, religar.

Termoacumulador e bombas

  • Termoacumulador: cuba, isolamento, resistência, termóstato, termostato de segurança, ânodo, grupo de segurança.
  • Válvula de segurança com descarga encanada a ralo, sem torneira.
  • Encher antes de ligar a resistência.
  • Ânodo: inspecionar periodicamente; drenar o fundo.
  • Bomba: sentido do fluxo, veio na horizontal, purga do rotor, velocidade, nunca em seco.

Válvulas

Válvula Função
Corte isolar
Retenção impedir retorno
Segurança proteger contra sobrepressão
Misturadora 3 vias baixar a ida
Desviadora 3 vias alternar aquecimento e AQS
De zona ligar ou cortar um circuito
Detentor equilibrar
Termostática regular por divisão
Purgador tirar ar no ponto alto

Termostatos, fluxostatos, pressostatos

  • Termostato de ambiente (liga/desliga com histerese), de segurança (corta gerador), antigelo.
  • Fluxostato: palheta empurrada pelo caudal; testar parando a bomba, o contacto abre e a máquina para.
  • Pressostato de água: impede funcionar com pouca pressão.
  • Pressostatos de alta e baixa no circuito frigorífico: segurança, só ajustam quem tem certificação.

Vaso de expansão: verificar a pré-carga

  1. Isolar o vaso e descarregar a água até o lado da água estar a zero.
  2. Manómetro de ar na válvula Schrader, ler a pré-carga.
  3. Comparar com a chapa (ex. 1,0 bar).
  4. Corrigir com ar ou azoto.
  5. Fechar a tampa, reabrir, repor pressão.

Sem manual: pré-carga ≈ altura/10 + 0,2 a 0,3 bar; enchimento a frio 0,2 a 0,3 bar acima. O manual da caldeira prevalece.

Sintomas: válvula de segurança a descarregar, pressão a cair a frio, água na válvula de ar (membrana rota).

Medição e regulação

Equipamento Para que serve
Manómetro pressão do circuito
Termómetro / termomanómetro temperaturas de ida e retorno
Contador de energia térmica mede caudal e ΔT e integra a energia entregue
Sonda exterior alimenta a curva de aquecimento
Centralina de regulação processa as sondas e comanda válvulas e bombas
Cronotermostato programa horários e temperaturas

O contador faz a conta do capítulo 1: P = 0,001163 × V̇ × ΔT, somada ao longo do tempo.

Bloco 5 · Distribuição, emissão e rendimento

Distribuição e emissão nos espaços

Esquema Característica
Bitubular, retorno direto o mais usado em habitação
Retorno invertido equilibra naturalmente
Monotubular instalações antigas
Por coletor par de tubos por emissor
  • Radiador sob a janela; piso radiante em toda a área; fan-coil serve frio e calor.
  • Tubagem em zonas não aquecidas leva isolamento.
  • Radiador tapado por cortinas ou móveis perde potência.

Fatores que decidem o rendimento

Fator Atuação
Retorno alto baixar curva, emissores maiores, equilibrar
Gerador sobredimensionado ciclos curtos; potência certa ou modulante
Isolamento da rede isolar troços
Equilíbrio hidráulico detentores e caudalímetros
Regulação sonda exterior, programação
Estado do circuito purgar, limpar, tratar

Caso: condensação com radiadores 80/60: retorno 60 °C, quase nunca condensa. Ativar curva climática e equilibrar.

Bloco 6 · Preparação de AQS

Requisitos e energia útil

Requisito Prática
Higiene água potável, sem estagnação
Segurança válvula de segurança, termostato, misturadora
Conforto temperatura estável, recirculação em redes longas
Eficiência isolamento, regulação, renováveis

Exemplo de cálculo: 40 l/pessoa/dia a 60 °C, água fria a 15 °C (no projeto usa-se o valor da regulamentação em vigor).

4 pessoas: 160 l × 4,18 × 45 = 8,36 kWh/dia, 3 051 kWh/ano.

Acumulação: quanto volume

  • A acumulação desfasa produção e consumo.
  • Termoacumulador elétrico: volume próximo do consumo diário (160 l pede 200 l).
  • Bomba de calor AQS: volume maior (potência baixa), resistência de apoio.
  • Mistura a 40 °C com fria a 15 °C: fração de quente = 25/45 = 0,556.
  • 200 l a 60 °C dão 360 l de água a 40 °C.

Instantâneos: esquentador e caldeira mista

  • Esquentador: acende com o caudal; potência = 0,001163 × caudal × ΔT.
  • 8 l/min de 15 a 45 °C: 16,75 kW.
  • Caldeira mista: permutador de placas, desviadora dá prioridade à AQS; precisa de caudal mínimo.
  • Vantagens: pouco espaço, sem perdas de armazenamento. Limites: vários pontos em simultâneo.

Verificar: pressão e caudal da água fria, filtro, temperatura de saída. A descarga de gases é do técnico credenciado.

Acumulação: termoacumulador, caldeira, bomba de calor

Sistema Fonte Nota
Termoacumulador elétrico resistência reposição lenta
Caldeira com acumulação serpentina reposição rápida
Bomba de calor AQS ciclo de refrigeração COP 2,5 a 4; resistência de apoio
  • 10,45 kWh de calor: resistência gasta 10,45 kWh; bomba de calor com COP 3 gasta 3,5 kWh.
  • A bomba de calor AQS arrefece o ar do local: volume e drenagem.

Solar térmico para AQS

Coletor, circuito primário com glicol, bomba solar, controlador diferencial, acumulador com serpentina, vaso solar, válvula de segurança, misturadora, apoio.

  • Liga com Tc - Ta de 6 a 8 K; desliga com 3 a 4 K.
  • Estagnação: o fluido evapora no coletor sem consumo; vaso e glicol dimensionados.
  • ΔT ida/retorno do coletor em funcionamento: 8 a 15 K.
  • Termossifão (sem bomba) ou circulação forçada.
  • Exemplo: 60% de 3 051 kWh = 1 831 kWh/ano (fração solar sai de simulação).

Bloco 7 · Fluidos térmicos

Água, glicol e frigorigéneos

Fluido Notas
Água c elevado; congela a 0 °C; corrosão e calcário
Água glicolada 30% de propilenoglicol em volume protege até cerca de -14 °C (40% em volume, -22 °C); mede-se com refratómetro
Frigorigéneo muda de estado no ciclo; classe de segurança e GWP na chapa e na ficha de segurança
  • Escolhe-se a concentração com margem de segurança face à temperatura mínima prevista para o local, conforme a ficha técnica do fluido; alguns fluidos solares não admitem menos de 40% em volume.
  • Glicol: c menor, viscosidade maior, mais caudal e mais perda de carga (35 kW passa de 6 019 para cerca de 6 535 l/h).
  • Nunca misturar frigorigéneos nem carregar fluido diferente do da chapa.

Bloco 8 · Regulação e controlo

Tipos de regulação e termostato de ambiente

Tipo Exemplo
Tudo ou nada termostato simples
Modulante caldeira modulante, compressor inversor
Proporcional válvula termostática
PI/PID centralina de bomba de calor
Climática ida em função do exterior

Afinar um termostato: local a 1,5 m, parede interior, longe de sol e radiador; verificar a leitura com termómetro de referência; histerese (21 °C com 1 K: liga a 20,5, desliga a 21,5); redução noturna de 3 a 4 K; ensaio de contacto.

Curva de aquecimento

Relaciona a ida com a temperatura exterior. Dois parâmetros: declive e paralelo.

O declive mexe sobretudo nos dias muito frios; o paralelo mexe por igual em todas as temperaturas.

Piso radiante: 25 °C a 20 °C exterior e 50 °C a -5 °C: declive 1 K/K; a 5 °C exterior, ida de 40 °C.

Queixa Ação
Frio só nos dias frios subir declive
Calor só nos dias muito frios baixar declive
Calor nos dias amenos, bem nos frios baixar paralelo e subir declive
Frio sempre subir paralelo
Calor sempre baixar paralelo

Mudar um parâmetro de cada vez e esperar 24 a 48 horas.

Proteções e teste

Proteção Teste
Antigelo simular temperatura baixa
Termostato de segurança verificar o rearme
Fluxostato parar a bomba
Pressostato de água simular pressão baixa
Válvula de segurança alavanca, com cuidado, água quente
  • Arrefecimento: setpoint de água, estágios ou inversor, válvulas de 2 ou 3 vias, velocidades do fan-coil.
  • VRF e multi-split: comandos individuais, central e supervisão (BMS).

Bloco 9 · Ciclo de compressão de vapor e válvula de 4 vias

O ciclo e o COP

Componente Estado à saída
Evaporador vapor (sobreaquecido)
Compressor vapor quente, alta pressão
Condensador líquido (subarrefecido)
Expansão líquido e vapor frios
  • Sobreaquecimento = T aspiração - T evaporação (5 a 8 K típico). Subarrefecimento = T condensação - T líquido (4 a 8 K).
  • COP = calor útil / energia elétrica. 12 kWh com 3 kWh elétricos: COP 4, 9 kWh vêm do exterior.
  • O COP cai quando a diferença entre origem e destino aumenta.

Válvula de 4 vias: por onde passa o fluido

Ligações: D descarga, S aspiração, E bateria interior, C bateria exterior.

Modo D vai para Exterior Interior S vem de
Arrefecimento C (exterior) condensador evaporador E (interior)
Aquecimento E (interior) evaporador condensador C (exterior)
  • O compressor aspira sempre por S e descarrega sempre por D.
  • Êmbolo deslizante movido por pressão, comandado por válvula piloto com bobina.
  • Bobina alimentada em aquecimento em alguns fabricantes e em arrefecimento noutros: ver esquema.

Verificar a válvula e o degelo

  1. Arrefecimento: D quente, S frio; interior fria, exterior quente.
  2. Mudar para aquecimento: "pancada" suave e os papéis trocam.
  3. Bobina sem tensão: a válvula não muda (multímetro).
  4. Êmbolo preso a meio: baterias mornas, mau rendimento nos dois modos.
  5. Passagem interna: S mais quente do que devia, corpo da válvula uniforme.

Degelo: em aquecimento o ciclo inverte, gás quente vai à exterior, o ventilador interior para ou entra a resistência. Vapor na exterior é normal; a drenagem não pode gelar.

Bloco 10 · Oficina e complementaridade

Enchimento e purga, passo a passo

  1. Esquemas, manual, corte elétrico bloqueado, EPI.
  2. Lavar o circuito novo.
  3. Encher devagar pelo ponto baixo, purgadores altos abertos.
  4. Purgar do mais baixo ao mais alto.
  5. Pressão de enchimento a frio (ex. 1,3 bar).
  6. Ligar a bomba em velocidade baixa, purgar de novo, repor pressão.
  7. Aquecer, purgar a quente, repor pressão.

Ensaio, colocação em serviço e entrega

  • Ensaio de estanquidade: pressão acima da de serviço e abaixo do limite do componente mais fraco; critério: sem queda de pressão e sem fuga visível.
  • Medir: pressão a frio e a quente, pré-carga do vaso, ΔT ida/retorno (15 K em radiadores 70/55, 5 a 8 K em piso), caudalímetros, proteções.
  • Entregar: explicar termostato e pressão; manual e esquema; ficha de colocação em serviço com valores, data e nome.

Complementaridade entre sistemas

Combinação Ideia
Caldeira + solar sol no AQS, caldeira cobre o resto
Bomba de calor + caldeira caldeira só no frio extremo
Bomba de calor + resistência resistência só em picos e desinfeção
Radiadores + piso radiante duas temperaturas, misturadora
Chiller + caldeira frio no verão, calor no inverno

Regra: a fonte mais eficiente primeiro, a mais potente só quando é preciso, com a regulação a decidir a prioridade.

Segurança integrada

  • Desligar, bloquear, sinalizar, verificar ausência de tensão antes de abrir.
  • Água quente e circuitos pressurizados: despressurizar e arrefecer antes de intervir.
  • Descarga das válvulas de segurança encanada e livre.
  • Circuito frigorífico fechado nas aulas; certificação para intervir.
  • Combustão e gás: técnico credenciado.
  • Ficha de segurança do fluido sempre acessível.

Recapitulando

  • Q = m × c × ΔT e P = 0,001163 × caudal × ΔT são as contas de todos os dias.
  • Arrefecimento por expansão direta ou indireto (chiller com fan-coils a 2 ou 4 tubos).
  • Aquecimento a alta ou baixa temperatura; vaso, válvulas e proteções lidos e testados.
  • AQS: energia útil, acumulação, instantâneos, acumulação e solar.
  • Curva de aquecimento e termostato afinados com um parâmetro de cada vez.
  • Válvula de 4 vias: a descarga vai sempre para o condensador do modo.

Próximo: fichas e mini-projeto, encher, purgar, medir e entregar um circuito.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o calor latente é a razão de ser do ciclo de refrigeração - erro comum: confundir a quantidade de calor com a temperatura - exemplo: o balde a 60 °C e a piscina a 30 °C, qual tem mais calor

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medir ida, retorno e caudal permite calcular a potência sem abrir nada - erro comum: esquecer o fator 0,001163 ou trocar l/h por m³/h - exemplo: pedir aos alunos que calculem a potência do circuito da oficina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a sonda mal encostada dá sempre leituras baixas - erro comum: ler a temperatura do tubo tinto ou oxidado - exemplo: medir o mesmo tubo com e sem isolamento da sonda e comparar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o circuito fechado só tem de vencer perdas, não elevar a água - erro comum: confundir pressão relativa com absoluta - exemplo: um prédio de 18 m tem 1,8 bar de diferença estática entre o piso 0 e o último

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: bomba maior nem sempre resolve, às vezes só faz ruído - erro comum: ligar a bomba sem purgar o rotor - exemplo: o último radiador da fila frio e o primeiro a ferver

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o técnico não decora diplomas, sabe onde ir e o que perguntar - erro comum: citar de memória temperaturas e prazos legais - exemplo: o cliente quer trocar a caldeira por bomba de calor, que áreas tocam?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a documentação do equipamento faz parte da instalação - erro comum: achar que o certificado é emitido pelo técnico que monta - exemplo: mostrar uma ficha de colocação em serviço preenchida

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: segurança e ambiente fazem parte do procedimento, não de um capítulo à parte - erro comum: ligar o aquecimento de AQS a baixa temperatura "para poupar" - exemplo: ler uma chapa de características e localizar fluido e carga

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: quanto mais longe as unidades, mais cuidado com óleo e carga - erro comum: achar que expansão direta serve qualquer distância - exemplo: pedir aos alunos que identifiquem a família de equipamentos na escola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ventilador trifásico invertido dá caudal baixo e corrente baixa - erro comum: ligar o portátil sem sair a mangueira pela janela - exemplo: medir ΔT do ar numa unidade da oficina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o diagnóstico começa por filtro, drenagem e caudal de ar - erro comum: concluir "falta de gás" sem medir o ΔT do ar - ΔT do ar muito baixo aponta para pouca capacidade (pouco fluido, compressor fraco); com pouco caudal de ar (filtro sujo) o ΔT sobe - exemplo: aparelho que pinga dentro de casa, causa mais comum é a drenagem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a soma das potências e o comprimento das linhas têm limites no manual - erro comum: pôr uma interior a aquecer e outra a arrefecer num sistema de 2 tubos - exemplo: apartamento com 3 divisões, multi-split ou três splits?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fluxostato é a proteção mais barata contra a rotura do evaporador - erro comum: ligar o chiller antes de purgar e fazer circular a água - exemplo: ΔT de 3 K em plena carga indica caudal a mais

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nas meias-estações o 2 tubos não serve zonas com pedidos opostos - erro comum: esquecer a mudança sazonal no sistema de 2 tubos - exemplo: escritório com zona sul quente e zona norte fria em abril

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o emissor decide a temperatura de ida - erro comum: ligar uma bomba de calor a radiadores pequenos a 80 °C - exemplo: reabilitação de moradia com radiadores antigos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aquecer depressa a betonilha nova fendilha-a - erro comum: ligar a 45 °C no primeiro dia - exemplo: ler o caudalímetro de um coletor e comparar com o cálculo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: radiador frio em cima tem ar, frio em baixo tem lamas - erro comum: purgar com a bomba a funcionar - exemplo: purgar um radiador da oficina e repor a pressão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pingar na válvula ao aquecer é normal, escorrer sem parar não - erro comum: ligar a resistência sem água - exemplo: acumulador que não aquece, resistência queimada?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada válvula tem seta e posição de montagem - erro comum: instalar uma válvula de retenção ao contrário - exemplo: mostrar uma misturadora e uma desviadora e apontar a diferença

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: proteções testam-se, não se presume - erro comum: ponte nos contactos de uma proteção para "passar" a avaria - exemplo: caldeira elétrica que não arranca, fluxostato sujo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medir com a água ainda pressurizada dá uma leitura falsa - erro comum: encher o circuito sem verificar a pré-carga - exemplo: 150 l, expansão 2,7%, vaso mínimo cerca de 9,5 l, escolher 12 l

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem sonda exterior não há curva de aquecimento - erro comum: ler o ΔT com sondas mal isoladas ou fora de contacto com o tubo - exemplo: mostrar um contador de energia e ler caudal, ida, retorno e energia acumulada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a posição do emissor contraria a descida de ar frio da janela - erro comum: pintar o radiador com tinta metalizada - exemplo: o toalheiro que não aquece, caudal ou ar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: rendimento é do conjunto, não só do gerador - erro comum: culpar a caldeira nova quando o retorno está alto - exemplo: medir ida e retorno e calcular a distância ao ponto de orvalho

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a conta de AQS é sempre m × c × ΔT - erro comum: usar 40 °C em vez de 60 °C ao calcular o consumo do acumulador - exemplo: calcular a energia diária da casa de um aluno

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a água do duche é mistura, o acumulador rende mais do que o volume - erro comum: esquecer a fração da mistura - exemplo: 4 duches de 60 l gastam cerca de 133 l do acumulador

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: potência e caudal estão ligados pelo ΔT - erro comum: escolher o esquentador só pelos litros por minuto da etiqueta sem ver o ΔT - exemplo: duche que arrefece quando alguém abre a cozinha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a poupança vem de o calor ser retirado do ar - erro comum: instalar a bomba de calor AQS num armário pequeno sem ventilação - exemplo: garagem como local ideal, fria na estação fria

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o solar contribui, o apoio garante - erro comum: deixar a bomba solar a funcionar com o acumulador já quente demais - exemplo: verificar ΔT entre ida e retorno do coletor ao meio-dia

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a bomba tem de ser verificada para a mistura - erro comum: encher com água pura um circuito que gela no inverno - exemplo: o refratómetro dá o ponto de congelação diretamente (o ponto de primeiros cristais)

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a localização do sensor decide metade das queixas - erro comum: subir o setpoint para aquecer mais depressa - exemplo: termostato junto à janela a ligar a caldeira em excesso

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o piso tem inércia, os efeitos demoram - erro comum: mexer no declive e no paralelo ao mesmo tempo - exemplo: pedir aos alunos que construam a curva da sua casa

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma proteção não testada não existe - erro comum: anular a proteção para a máquina não parar - exemplo: o chiller que dispara por falta de caudal, causa e solução

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medições do circuito frigorífico são de quem tem certificação - erro comum: dizer que a bomba de calor "produz" calor - exemplo: piso a 35 °C versus radiadores a 55 °C no mesmo exterior

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o gás quente vai sempre para o condensador do modo - erro comum: achar que o compressor inverte o sentido - exemplo: desenhar o ciclo no quadro nos dois modos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: trocar a válvula é intervenção no circuito frigorífico - erro comum: confundir degelo com avaria - exemplo: unidade exterior a deitar vapor num dia húmido de janeiro

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a circulação arrasta bolhas, é preciso purgar depois de ligar a bomba - erro comum: purgar uma vez e dar por terminado - exemplo: pressão que cai de 1,3 para 0,8 depois de aquecer, o que verificar?

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: valores medidos, nunca "está bem" - erro comum: ensaiar acima da pressão do radiador mais fraco - exemplo: preencher uma ficha de colocação em serviço da oficina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: complementar é decidir prioridades, não somar equipamentos - erro comum: duas regulações a comandar o mesmo emissor - exemplo: moradia com piso radiante, bomba de calor ar/água e 2 coletores solares

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a segurança é parte do procedimento de cada tarefa - erro comum: confiar que "está desligado" sem medir - exemplo: queimadura por válvula de segurança a descarregar sem encanamento