10956

Procedimentos oficinais em aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração (AVAC&R)

Oficina, ferramentas, consumíveis, ligações abocardadas e brasadas, instalação, manutenção e conservação

Curso profissional · 50h · Técnico/a de Refrigeração e Climatização

Plano

  1. A oficina de AVAC&R
  2. Ferramentas manuais e elétricas de serralharia
  3. Ferramentas especiais e instrumentos de AVAC&R
  4. Consumíveis e produtos especiais
  5. Tubo de cobre e ligações abocardadas
  6. Ligações brasadas e outras uniões
  7. Instalação: estanquidade, vácuo, carga e recuperação
  8. Manutenção de caldeiras e bombas de calor
  9. Condutas, tubagens e peças especiais
  10. Conservação: desgaste, corrosão e avarias

Bloco 1 · A oficina de AVAC&R

Organização da oficina

  • Cada coisa no seu lugar, identificado: painéis com silhuetas, gavetas etiquetadas.
  • Zonas por risco: serralharia, preparação de tubo, brasagem, ensaios, armazém de garrafas, elétrica.
  • Vias livres e saídas de emergência desimpedidas.
  • Registo: ferramentas emprestadas, instrumentos em verificação, consumíveis.
Zona Risco dominante
Brasagem Chama, fumos, incêndio
Ensaios Pressão
Armazém Garrafas, gases

Regras de funcionamento

  • EPI desde a entrada: calçado de segurança, roupa justa, óculos, luvas conforme o trabalho.
  • Nenhuma máquina sem formação e autorização.
  • Ninguém sozinho em brasagem, ensaio sob pressão ou espaço confinado.
  • Ferramenta avariada: etiqueta "fora de serviço" e retirada.
  • Acidentes e quase-acidentes comunicam-se de imediato.
  • Resíduos separados: óleo, fluido recuperado, cobre, trapos contaminados.

Sinalização e manutenção da oficina

  • Círculo vermelho: proibição. Círculo azul: obrigação. Triângulo amarelo: perigo. Verde: salvamento e saídas. Vermelho: combate a incêndio.
  • Manutenção escrita:
    • diária: bancadas, ferramentas, válvulas de garrafas fechadas
    • semanal: tornos, furadora, rebarbadora, mangueiras e redutores, óleo da bomba
    • mensal: extintores, estojo de primeiros socorros, iluminação
    • anual: revisão de extintores, verificação de instrumentos

Bloco 2 · Ferramentas manuais e elétricas de serralharia

Ferramentas manuais: uso correto

Ferramenta Uso correto Erro típico
Serrote de arco Corte no avanço, 3 dentes em contacto Lâmina frouxa
Lima Pressão no avanço, sempre com cabo Sem cabo
Chave de bocas Puxar, nunca empurrar Chave ajustável que gasta a porca
Macho e tarraxa Meia volta, recuo de um quarto Forçar sem lubrificar
Martelo Golpe com o corpo Cabo solto

Ferramentas elétricas: riscos e regras

Máquina Sequência Risco
Furadora Punção, fixar, rotação menor para diâmetro maior, lubrificar Peça a rodar, cabelo
Rebarbadora Disco para a rotação gravada, proteção no lugar Disco lascado
Serra de fita Fixar, deixar atingir velocidade Corte
Esmeril Apoio a menos de 2 mm da roda Roda a partir
  • Nunca usar faíscas perto de gás, tubo com fluido ou líquidos inflamáveis.

Sequência de um furo em chapa

  1. Marcar o centro: riscador, esquadro e punção.
  2. Fixar a peça no torno de máquina ou com grampo.
  3. Escolher a broca pelo material e diâmetro; pré-furo em furos grandes.
  4. Regular a rotação.
  5. Furar com pressão constante e óleo de corte em aço.
  6. Rebarbar as duas faces.
  7. Verificar diâmetro e posição.

Aceitação: na cota (±0,5 mm num suporte), sem rebarba cortante, perpendicular.

Manutenção das ferramentas de serralharia

  1. Limpar: pano seco, escova.
  2. Inspecionar: cabos, fichas, proteções, discos, brocas.
  3. Lubrificar partes móveis; nunca superfícies de aperto.
  4. Afiar ou substituir.
  5. Guardar secas e protegidas.

Verificação semanal da rebarbadora: ficha desligada, cabo, proteção, disco sem fissuras, rotação do disco, interruptor, registo.

Bloco 3 · Ferramentas especiais e instrumentos de AVAC&R

Preparação de tubo: ferramentas

Ferramenta Função Cuidado
Corta-tubos Corte perpendicular Um quarto de volta por rotação
Rebarbador (escareador) Tira a rebarba Tubo virado para baixo
Abocardador Cone de 45° Porca enfiada antes
Expansor (swage) Encaixe do mesmo diâmetro Cabeça do tamanho certo
Curvador Curva sem enrugar Raio mínimo

Manifold e vacuómetro

  • Manifold: baixa, alta, mangueiras azul, vermelha e amarela (central).
  • A escala de temperatura do manómetro só vale para o fluido a que corresponde.
  • Verificar o zero, as juntas das mangueiras e o estado do manómetro.
  • Vacuómetro: único meio fiável de saber se o vácuo chega; mede em microns, mbar ou Pa.
  • Ligar direto ao circuito, na ponta oposta à bomba.

Bomba de vácuo, balança, detetor de fugas

  • Bomba de vácuo: óleo limpo, nível no visor, isolar o circuito antes de a parar.
  • Balança: superfície plana, zero antes da carga, verificação periódica.
  • Detetor de fugas: passar devagar por baixo das uniões, porque o vapor dos fluidos é mais pesado do que o ar; testar com fonte de referência.
  • Solução de espuma: bolhas que crescem indicam fuga.

Chave dinamométrica, recuperadora e maçarico

  • Chave dinamométrica: aperto ao binário do fabricante; guardar na escala mínima; nunca para desapertar.
  • Recuperadora: recupera o fluido sem o libertar; filtros e purga entre fluidos.
  • Garrafa de recuperação: limite de enchimento (controla-se na balança).
  • Maçarico: anti-retornos, corta-chamas, mangueiras sem fissuras, bicos limpos com instrumento próprio.

Verificar instrumentos: ficha e critério

Exemplo · verificar o zero e a estanquidade de um manifold

  1. Fechar válvulas, desligar do circuito, ler o zero.
  2. Ligar a um troço com azoto a 5 bar, através de redutor.
  3. Estabilizar 5 minutos, registar.
  4. Fechar válvulas e garrafa; esperar 15 minutos.
  5. A pressão não pode descer; se desce, espuma nas juntas.

Aceitação: zero correto, pressão estável, sem bolhas.

Bloco 4 · Consumíveis e produtos especiais

Gases: manuseamento

Gás Perigo Regra
Azoto seco Pressão alta, asfixia Sempre com redutor; ventilar
Oxigénio Combustão violenta com óleo Nunca massa ou óleo; nunca para pressurizar
Acetileno Instável, inflamável Vertical, nunca esgotar
Propano Mais pesado do que o ar Ventilar caves
Fluidos frigorigéneos Frio, asfixia, classe de segurança Ler a FDS e a etiqueta

Armazenagem e transporte de garrafas

Armazenagem: vertical, presas, local ventilado e à sombra, válvulas fechadas, capacete colocado, gases separados por tipo, cheias separadas das vazias.

Transporte: capacete e válvula fechada, carrinho com corrente, garrafas presas em viatura, zona de carga ventilada e nunca em habitáculo fechado com ocupantes.

Mercadorias perigosas: a regra depende da quantidade; consultar a regulamentação em vigor.

Fluidos frigorigéneos e regulamentação

  • Queimadura por frio: luvas isolantes, óculos ou viseira, manga comprida.
  • Asfixia: vapores mais pesados do que o ar; ventilar.
  • Chama: não brasar com fluido no circuito.
  • Inflamáveis: sem fontes de ignição; segue a classe de segurança.
  • Nunca libertar para a atmosfera.
  • Quadro: Regulamento (UE) 2024/573 (gases fluorados), Regulamento (UE) 2024/590 (camada de ozono) e lei nacional, na redação em vigor.

Óleos, ligas, fluxos e limpeza

Produto Cuidado
Óleo do compressor Tipo do fabricante; higroscópico; nunca misturar
Liga cobre-fósforo Cobre com cobre; sem fluxo
Liga com prata Cobre com latão, aço, inox; com fluxo
Fluxo Só no exterior; limpar depois
Pasta ou fita Roscas cónicas, nunca no cone abocardado

Resíduos: recipientes identificados, entrega a operador licenciado, registo.

Posto de brasagem seguro

  1. Retirar os inflamáveis da zona de trabalho; proteger com manta ignífuga o que não sair; manta à mão. Distância: regras de trabalho a quente.
  2. Extintor verificado; saída identificada.
  3. Garrafas presas, redutores, anti-retornos e corta-chamas montados.
  4. Ensaio de fugas com espuma.
  5. EPI de brasagem: óculos com filtro, luvas de couro, avental, calçado fechado.
  6. Ventilação; nunca espaço confinado.
  7. Acender segundo o fabricante.

Bloco 5 · Tubo de cobre e ligações abocardadas

Tubo de cobre: cortar, calibrar, limpar

  1. Medir duas vezes; marcar a toda a volta.
  2. Cortar com corta-tubos: um quarto de volta por rotação.
  3. Rebarbar interior e exterior, tubo virado para baixo.
  4. Limpar com azoto seco e pano; tapar.
  5. Verificar: corte perpendicular, boca redonda, parede sem riscos.

Tubo em rolo (mole) e em vara (duro). Diâmetros: 1/4", 3/8", 1/2", 5/8", 3/4".

Curvar o tubo

  • Raio mínimo do curvador: tipicamente 3 a 4 vezes o diâmetro exterior.
  • Curva de uma vez, contínua; nunca desfazer e refazer.
  • Parede sem achatamento nem rugas.
  • Troço reto antes e depois de uma união.
  • Nunca aquecer com maçarico para curvar.

Comprimento: 90° com R = 40 mm: arco = π × 40 / 2 = 62,8 mm. Troços 300 e 200 mm até ao eixo: (300 − 40) + (200 − 40) + 62,8 = 482,8 mm.

Ligação abocardada: princípio e materiais

  • Cone de 45° na ponta do tubo, apertado por porca contra o cone do componente.
  • Vedação metal com metal: sem pasta nem fita no cone.
  • Tubo de cobre mole; cobre duro fendilha.
  • Porca de latão do diâmetro certo, enfiada antes do cone.
  • Uma gota de óleo só na superfície de assentamento do cone; nunca na rosca nem na porca (o óleo baixa o atrito e o mesmo binário aperta mais, até fender o cone ou rachar a porca); nunca no interior do tubo nem na face exterior do cone, a que assenta na porca.
  • Típica das unidades split e das válvulas de serviço.

Sequência de execução do cone

  1. Cortar a direito e rebarbar.
  2. Enfiar a porca.
  3. Prender no bloco do abocardador, no furo certo, com a saliência indicada pela ferramenta (de 0 a 0,5 mm nas de embraiagem para pressão mais alta a 1 a 2 mm nas convencionais).
  4. Cone de pressão alinhado; apertar devagar.
  5. Recuar e inspecionar.
  6. Gota de óleo só na superfície de assentamento do cone; nada na rosca nem na porca.
  7. Alinhar, apertar à mão até ao fim.
  8. Chave dinamométrica + contra-chave; marcar a porca.

Binário e critérios de aceitação

Ordem de grandeza em alguns manuais (outros fabricantes indicam valores bastante mais baixos em 3/8", 1/2" e 5/8"): 1/4" ≈ 14 a 18 N·m · 3/8" ≈ 33 a 42 · 1/2" ≈ 50 a 62 · 5/8" ≈ 63 a 77 · 3/4" ≈ 100 a 120. Usa sempre o valor do manual do equipamento.

Adaptador no prolongamento da chave (afasta a porca ao longo da chave): T_regulado = T_manual × L / (L + E). Ex.: 55 × 250 / 350 = 39,3 N·m. A 90° com o eixo da chave, ou extensão só no eixo da porca: sem compensação.

Cone Aceita Rejeita
Forma Simétrico, sem tocar a rosca Excêntrico, largo ou curto
Superfície Lisa Riscos, lascas
Bordo Contínuo Fendas radiais

Cone rejeitado: cortar a ponta e refazer.

Boas práticas nas uniões abocardadas

  1. Um cone, uma vez: ao desmontar, refazer o cone.
  2. Porca do diâmetro certo.
  3. Faces limpas antes de unir.
  4. Alinhamento antes do aperto: nunca forçar para alinhar.
  5. Segurar a peça fixa com contra-chave.
  6. Nada de pasta ou fita na face do cone.
  7. Isolar depois do ensaio.
  8. Em certos fluidos e pressões o fabricante pode exigir brasagem: segue o manual.

Bloco 6 · Ligações brasadas e outras uniões

Brasagem forte: o que é

  • Metal de adição que funde acima de 450 °C e abaixo do ponto de fusão das peças.
  • Entra na folga por capilaridade; as peças não fundem.
  • Brasagem fraca (abaixo de 450 °C): água, nunca fluido frigorigéneo.
  • Ligação permanente, resistente a vibração e pressão.
Ligação Liga Fluxo
Cobre com cobre Cobre-fósforo Não
Cobre com latão ou aço Com prata Sim

Projeto da junta: folga e encaixe

  • A capilaridade exige folga de décimas de milímetro (cerca de 0,05 a 0,2 mm; prevalece o fabricante da liga).
  • Folga grande: a liga não sobe. Folga nula: não entra.
  • Profundidade de encaixe da ordem de uma vez o diâmetro do tubo.
  • Para ligar tubos do mesmo diâmetro: expansor (swage) na ponta de um deles.
  • Zona de encaixe brilhante, limpa, sem dedos nem óleo.

Sequência da brasagem (1/2)

  1. Posto preparado (extintor, manta, ventilação). Circuito recuperado, aberto e sem fluido: nunca se brasa com fluido dentro.
  2. Cortar, rebarbar e limpar até brilhar.
  3. Encaixar até ao fundo e fixar a posição.
  4. Ligar o azoto, com redutor e com uma saída aberta: purga inicial mais forte para deslocar o ar, depois caudal baixo (ordem de 1 a 2 l/min, lido no fluxómetro; prevalece o procedimento do fabricante).
  5. Proteger válvulas, sondas e vedantes (ecrã ou pano húmido).
  6. Chama neutra a ligeiramente redutora.

Sequência da brasagem (2/2)

  1. Aquecer o tubo, depois o acessório, com movimento circular, até à mesma temperatura (cobre limpo com vermelho muito ténue).
  2. Tocar a liga na junta, do lado oposto à chama: tem de fundir sozinha.
  3. Alimentar até haver um cordão contínuo; parar quando fecha.
  4. Afastar a chama, manter o azoto até arrefecer naturalmente.
  5. Limpar o exterior e inspecionar.
  6. Ensaiar a estanquidade.

Critérios de aceitação da junta

Aceita Rejeita
Cordão contínuo, liso, uniforme Falhas, buracos
Menisco côncavo Gotas, excesso
Cobre sem queimaduras Cobre preto, derretido
Interior limpo (azoto bem usado) Carepa interna
Estanque no ensaio Qualquer perda de pressão

Junta rejeitada: desmontar, limpar e refazer; nunca "remendar por cima".

Outras ligações entre componentes

Ligação Quando Nota
Abocardada Splits, válvulas de serviço Capítulo anterior
Brasada Permanente Esta secção
Roscada com vedante Sondas, pressostatos, água Vedante adequado
Flange com junta Tubagem grande, bombas Aperto em cruz, junta nova
Rotalock Compressores, unidades Vedante novo
Prensagem Água, onde o fabricante o autorize Ferramenta e acessórios do mesmo fabricante

Bloco 7 · Instalação: estanquidade, vácuo, carga e recuperação

Sequência geral de instalação de um split

  1. Preparação e leitura do manual.
  2. Fixação das unidades, nivelamento, amortecedores.
  3. Furação de parede em inclinação.
  4. Tubagem: corte, uniões, isolamento.
  5. Dreno com inclinação contínua.
  6. Estanquidade com azoto.
  7. Vácuo.
  8. Carga.
  9. Elétrica.
  10. Arranque, medições e registo.

Fixação, isolamento e dreno

Visão geral: o detalhe da montagem está noutras unidades do curso.

  • Unidade exterior: espaço livre e saída do ar desimpedida, suportes ou base nivelada, amortecedores de vibração.
  • Unidade interior: placa em estrutura sólida, nivelada, jato de ar longe dos ocupantes.
  • Isolamento contínuo na aspiração, com juntas coladas; isolar abocardados depois do ensaio.
  • Dreno: inclinação contínua (ordem de 1 a 2 %), sem sifões desnecessários; testar a deitar água.

Estanquidade com azoto: regras

  • Só azoto seco, com redutor, válvula de segurança no circuito. Nunca ar comprimido ou oxigénio.
  • Pressão de ensaio: do projeto, do fabricante ou da norma aplicável; nunca acima da pressão máxima admissível do componente mais fraco.
  • Unidade já carregada: isolar a unidade e ensaiar só a instalação.
  • Ecrã de proteção; ninguém junto às uniões na subida.
  • Por patamares; nunca apertar uniões sob pressão.

Estanquidade: sequência e correção de temperatura

  1. Ligar o azoto pelo manifold, com redutor.
  2. Patamar baixo (5 a 10 bar), espuma nas uniões.
  3. Subir ao valor de ensaio; fechar garrafa e manifold.
  4. Estabilizar; registar pressão e temperatura; esperar o tempo definido.
  5. Comparar corrigindo a temperatura: P2 = P1 × T2 / T1 (absolutas, em kelvin).
  6. Despressurizar abrindo uma válvula.

Exemplo: 20 bar rel. (21 abs) a 298 K; a 295 K espera-se 20,79 abs = 19,79 rel. Lido 19,8: sem fuga.

Vácuo e desidratação

  • Retira ar (não condensável) e humidade (ácidos e gelo).
  • Bomba com óleo limpo, mangueiras curtas e de grande diâmetro, vacuómetro no circuito, válvula de isolamento.
  • Objetivo: valor do fabricante; ordem de grandeza de oficina, abaixo de 500 microns (≈ 0,67 mbar).
  • Ensaio de subida: isolar, esperar 10 a 15 minutos.
    • sobe e estabiliza: humidade residual, aceitável
    • sobe sem parar: fuga
  • Critério de aceitação: valor-alvo atingido e, com o circuito isolado, subida pequena que estabiliza em 10 a 15 minutos. Prevalece o manual.
  • Quebra com azoto e novo vácuo se houver muita humidade.

Carga de fluido: por peso

  1. Identificar o fluido na placa e na garrafa.
  2. Calcular a carga total (placa + adicional por metro).
  3. Garrafa na balança; zero.
  4. Evacuar o ar da mangueira com a bomba de vácuo, na quarta via do manifold ou num tê com válvula na mangueira central (nunca purgar com fluido).
  5. Introduzir até à massa calculada.
  6. Fechar, estabilizar, desligar com o mínimo de fluido retido.
  7. Registar.

Segurança: luvas isolantes e óculos; ventilação; sem chamas; fechar as válvulas antes de desligar as mangueiras.

Exemplo: origem para 5 m; 12 m instalados; 20 g/m → (12 − 5) × 20 = 140 g.

Carga por líquido e acerto final

  • Misturas zeotrópicas: carregar em fase líquida, para a composição entrar igual à da garrafa; seguir a indicação da garrafa e do fabricante.
  • Com o circuito em vácuo e o compressor parado; ou no lado de baixa estrangulando no manifold.
  • Nunca líquido a um compressor em funcionamento.
  • Acerto fino em funcionamento: pequenos incrementos de vapor, estabilizar, comparar sobreaquecimento e subarrefecimento com o fabricante.
  • Nunca misturar fluidos.

Recuperação do fluido e recolha de óleo

  1. Identificar o fluido; garrafa vazia, limpa e adequada; pesar (tara).
  2. Ligar circuito, manifold, recuperadora, garrafa; evacuar o ar das mangueiras com a bomba de vácuo, com as válvulas do circuito e a da garrafa ainda fechadas, para a bomba não aspirar fluido; nunca purgar com fluido. A bomba fica na quarta via do manifold, ou num tê com válvula na mangueira central; fechar a via da bomba antes de abrir a garrafa.
  3. Recuperar primeiro o líquido, depois o vapor.
  4. Parar antes do limite de enchimento marcado na garrafa (regra corrente: no máximo 80 % do volume com líquido; controla-se pela massa).
  5. Até à pressão final exigida; fechar e verificar se sobe.
  6. Pesar; registar a massa recuperada; entregar com documentação.

Antes de abrir um circuito, recupera-se o fluido.

Óleo: drenar, medir, repor o mesmo volume; escuro ou cheiro a queimado = avaria; aspeto leitoso = humidade.

Colocação em serviço e registo

  • Alimentação, sentido dos ventiladores, ligações de comunicação e terra.
  • Abrir válvulas, arrancar, estabilizar 10 a 15 minutos.
  • Medir: pressões, ar de entrada e saída, corrente, linhas de líquido e de aspiração.
  • Sobreaquecimento = T tubo de aspiração − T saturação (aspiração). Ex.: 8 − 2 = 6 K.
  • Subarrefecimento = T saturação (condensação) − T tubo de líquido. Ex.: 45 − 41 = 4 K.
  • Ficha de intervenção e explicação ao cliente.

Bloco 8 · Manutenção de caldeiras e bombas de calor

Manutenção de caldeiras: sequência

  1. Corte de energia e do combustível; histórico e queixas.
  2. Inspeção visual.
  3. Circuito de água: pressão a frio, vaso de expansão, válvula de segurança.
  4. Queimador, elétrodos e permutador.
  5. Evacuação de fumos.
  6. Sifão e condensados.
  7. Bombas e válvulas.
  8. Análise de combustão.
  9. Segurança e controlo.
  10. Estanquidade do gás (pessoa habilitada).
  11. Registo.

Caldeiras: riscos e análise de combustão

  • Monóxido de carbono: incolor e inodoro; analisador e ventilação.
  • Fuga de gás: sem chamas nem interruptores.
  • Queimaduras e eletricidade: bloqueio de energia e ausência de tensão.
  • Análise: oxigénio, CO, temperatura dos fumos, rendimento; comparar com limites do fabricante e da regulamentação (os valores da sebenta são de exemplo).

Aceitação: combustão dentro dos limites; seguranças a disparar; sem fugas de gás, água ou fumos.

Manutenção de bombas de calor

  1. Desligar e bloquear; ausência de tensão.
  2. Inspeção visual: corrosão, fixações, vibração.
  3. Permutador exterior: escova macia, ar a baixa pressão, sem jato de alta pressão; pente de alhetas.
  4. Filtros e bateria interior.
  5. Dreno e tabuleiro.
  6. Ventiladores.
  7. Fugas no circuito frigorífico; periodicidade fixada na regulamentação em vigor.
  8. Circuito hidráulico: pressão, vaso, purgadores, filtro de rede, caudal.
  9. Elétrica: reaperto, corrente.
  10. Degelo, ensaio e registo.

Antes de abrir o circuito frigorífico, recupera-se o fluido.

Bloco 9 · Condutas, tubagens e peças especiais

Condutas de ar: instalação

Tipo Uso
Chapa galvanizada Redes principais
Flexível Ramais curtos, esticada
Pré-isolada Quando o isolamento interessa

Sequência: estudar o projeto, marcar o trajeto, suportes primeiro, preparar troços com vedante, erguer e fixar, manga flexível antivibrática na unidade, registos e difusores, isolar com barreira de vapor, ensaiar fugas e equilibrar caudais.

Dimensionar uma conduta circular

A = Q / v e d = √(4A / π).

Exemplo: Q = 0,5 m³/s, v ≈ 5 m/s.

  1. A = 0,5 / 5 = 0,10 m².
  2. d = √(4 × 0,10 / π) = 0,357 m.
  3. Normalizado: 355 mm.
  4. Verificação: A = 0,0990 m²; v = 5,05 m/s. Aceite.

Dispositivos: grelhas, difusores, registos de caudal, registos corta-fogo (segundo o projeto), mangas antivibráticas, silenciadores, portas de visita.

Tubagem de água e traçado do circuito frigorífico

Água: declives para purgar e esvaziar, suportes com dilatação, válvulas de corte, filtros, purgadores, vasos de expansão, isolamento, ensaio hidráulico à pressão do projeto, lavagem, enchimento e registo.

Frigorífico: troços curtos; retorno de óleo conforme o fabricante; distâncias e alturas máximas do manual; sem contacto direto do cobre com metal vivo; abocardados acessíveis.

Peças: filtro secador (mudar sempre que se abre o circuito), visor, solenoide, válvula de expansão (bolbo fixo e isolado), separador de óleo.

Bloco 10 · Conservação: desgaste, corrosão e avarias

Controlo do desgaste

Elemento Sinal Ação
Roda do corta-tubos Rebarba grossa Substituir
Cone do abocardador Riscos Polir ou substituir
Mangueiras do manifold Fissuras Substituir
Bicos do maçarico Chama irregular Limpar ou substituir
Óleo da bomba Turvo, vácuo pior Mudar
Discos Lascas, diâmetro reduzido Descartar

Manutenção preventiva, condicionada e corretiva. A ferramenta desgastada não se ajuda: volta à condição de aceitação ou sai de serviço.

Prevenção da corrosão

  • Armazenar seco; limpar e secar depois do uso.
  • Película de óleo em superfícies de aço.
  • Remover resíduos de fluxo de brasagem.
  • Isolar metais diferentes (forro de borracha em abraçadeiras).
  • Retocar tinta ou galvanização riscadas.
  • Corrosão galvânica: metal menos nobre corrói em contacto com outro, com água.
  • Embalagens de óleo fechadas; atmosfera sem ácidos nem amoníaco.

Diagnóstico de avarias em ferramentas

Parar, observar, isolar a causa, corrigir, ensaiar, registar.

Sintoma Causa provável Ação
Bomba não chega ao alvo Óleo contaminado, fuga Trocar óleo, ensaiar mangueiras
Cone fendido Cobre duro, falta de rebarbar Tubo recozido, rebarbar
Chama irregular Bico sujo Limpar
Recuperadora não recupera Filtro entupido, garrafa cheia Limpar filtro, nova garrafa

Cada equipamento tem ficha: identificação, plano, intervenções, verificações, avarias.

Segurança integrada: síntese

Risco Medida
Queimadura por frio Luvas isolantes, óculos
Asfixia Ventilar, acompanhado, nunca descarregar em espaço fechado
Sobrepressão Redutor, válvula de segurança, nunca oxigénio
Incêndio EPI de brasagem, manta, extintor
Choque Corte e bloqueio, ausência de tensão
Cortes e projeções Óculos, luvas, peça fixa

Obrigado

Revê as sequências e treina cada operação até cumprir o critério de aceitação.

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: organização é medida de segurança, não só de arrumação - erro comum: garrafas de oxigénio e de gás combustível juntas e sem corrente - exemplo: pedir a um aluno que encontre uma chave em menos de um minuto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a regra de não trabalhar sozinho em risco elevado - erro comum: "foi só um quase" e ninguém comunica - exemplo: simular a comunicação de um quase-acidente com tubo a cair

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: manutenção é rotina com data e responsável - erro comum: confundir cor de obrigação com a de aviso - exemplo: fazer a ronda semanal à oficina da escola com uma lista

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a chave certa para a porca certa - erro comum: usar alicate como martelo - exemplo: mostrar uma porca arredondada por chave ajustável

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a rotação máxima do disco nunca é inferior à da máquina - erro comum: segurar a peça com a mão ao furar - exemplo: ler a rotação gravada num disco real

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a peça nunca se segura à mão - erro comum: rotação alta em broca grande, que queima a ponta - exemplo: executar um furo de 6 mm e outro de 12 mm com pré-furo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: máquina com defeito não volta a serviço - erro comum: aproveitar um disco lascado - exemplo: preencher a ficha de uma rebarbadora da oficina

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a rebarba interior é limalha à espera de entrar no circuito - erro comum: usar serra de arco e deixar limalha - exemplo: cortar dois tubos, um com aperto brusco e outro com aperto progressivo

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o manómetro do manifold não mede vácuo profundo - erro comum: medir o vácuo junto da bomba - exemplo: comparar a leitura do vacuómetro na bomba e no circuito

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: balança é o instrumento da carga exata - erro comum: óleo da bomba turvo e leitura de vácuo má - exemplo: simular uma fuga com espuma numa união folgada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a chave dinamométrica é instrumento de medida - erro comum: deixá-la tensionada na gaveta - exemplo: apertar a mesma porca à mão, com chave de bocas e com dinamométrica

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: instrumento sem verificação é uma opinião - erro comum: confiar num manómetro sem ver o zero - exemplo: cada grupo verifica um manifold diferente e regista na ficha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: azoto com redutor, oxigénio nunca no circuito - erro comum: ensaio com ar do compressor - exemplo: ler a FDS de uma garrafa de azoto e de um fluido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: garrafa sempre presa - erro comum: deitar uma garrafa de acetileno - exemplo: fazer a ronda ao armazém da escola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: certificação obrigatória nos casos previstos na lei; na escola, sob supervisão - erro comum: confiar na memória em vez de consultar a regra em vigor - exemplo: pesquisar nos portais oficiais do Estado onde está a informação sobre certificação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: ligar a liga ao tipo de metal - erro comum: brasar cobre com latão sem fluxo - exemplo: mostrar as embalagens de liga e ler a composição

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o formador confirma antes de acender - erro comum: esquecer a espuma nas ligações dos redutores - exemplo: deixar um aluno preparar o posto com erros propositados para os outros detetarem

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o tubo limpo e tapado é metade do trabalho - erro comum: soprar com a boca ou com ar do compressor da oficina - exemplo: mostrar um tubo ovalizado por aperto brusco

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: cada curva poupa uma união - erro comum: esquecer de descontar o raio dos troços retos - exemplo: calcular e confirmar com o tubo cortado

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a porca entra primeiro, com a face cónica virada para a ponta - erro comum: cobre duro e esquecer a porca - exemplo: fazer propositadamente um cone sem a porca para recomeçar

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aperto à mão primeiro, para detetar rosca torta - erro comum: saliência a mais, cone largo que já não entra na porca - exemplo: medir o cone e verificar que cabe na porca

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fenda por excesso de binário (no cone ou na porca de latão) só aparece semanas depois - erro comum: apertar sem contra-chave e rodar a válvula - exemplo: apertar 3 uniões ao binário e uma a olho e comparar no ensaio

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fuga está quase sempre na execução do cone - erro comum: reaproveitar o cone depois de uma desmontagem - exemplo: desmontar e voltar a apertar o mesmo cone para sentir a diferença

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fósforo faz de desoxidante no cobre com cobre - erro comum: usar liga de cobre-fósforo em latão - exemplo: mostrar duas amostras de liga e ler a classificação

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a junta bem projetada faz metade do trabalho - erro comum: encaixar sem ir ao fundo - exemplo: expandir uma ponta de 3/8" e verificar o encaixe

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: saída aberta; se o troço é fechado, a pressão sopra a liga - erro comum: azoto com caudal alto que arrefece a junta - exemplo: medir o caudal com o fluxómetro antes de acender

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: aquece-se a peça, não a liga - erro comum: arrefecer depressa com água - exemplo: mostrar uma junta boa e uma com liga a mais

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a carepa interna entope filtros e válvulas de expansão - erro comum: acreditar que o exterior bonito garante o interior limpo - exemplo: cortar uma junta ao meio e olhar o interior com e sem azoto

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o aperto em cruz nas flanges - erro comum: reutilizar juntas - exemplo: apertar uma flange em cruz e em sequência e comparar o assentamento

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a ordem é a segurança do resultado - erro comum: fazer vácuo antes de provar a estanquidade - exemplo: desenhar o fluxograma no quadro e pedir a ordem aos alunos

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o dreno testa-se com água, não se supõe - erro comum: isolar antes de provar a estanquidade - exemplo: nivelar uma placa com nível de bolha

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o componente mais fraco manda - erro comum: confiar na pressão da garrafa - exemplo: ler a pressão máxima admissível na placa de uma unidade

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: pressão absoluta e temperatura em kelvin - erro comum: calcular com pressão relativa e graus Celsius - exemplo: refazer o cálculo com duas temperaturas diferentes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: vacuómetro é o juiz, não o ponteiro do manifold - erro comum: parar a bomba sem isolar - exemplo: interpretar uma curva 900, 450, 520, 540, 545 µm

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fabricante fixa o adicional por metro - erro comum: carregar a olho - exemplo: calcular a carga de três instalações com comprimentos diferentes

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a fase em que sai da garrafa importa - erro comum: carregar uma mistura zeotrópica em vapor - exemplo: identificar a posição da garrafa que dá líquido

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: nunca se liberta fluido para a atmosfera - erro comum: encher a garrafa acima do limite - exemplo: recuperar 1,08 kg de um circuito de 1,10 kg e interpretar a diferença

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: os valores de referência são os do fabricante - erro comum: ler a saturação na escala de outro fluido - exemplo: cada grupo calcula sobreaquecimento com leituras dadas

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: gás e combustão só por pessoal habilitado - erro comum: ignorar a pressão do vaso de expansão - exemplo: ler a pressão de um circuito de aquecimento da escola

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: sem registo, a manutenção não existe - erro comum: ler só o CO e esquecer a temperatura dos fumos - exemplo: interpretar uma folha de análise de combustão

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: antes de carregar fluido, medir e procurar a fuga - erro comum: lavar a bateria com água a alta pressão - exemplo: fazer a diferença de temperatura do ar antes e depois da limpeza dos filtros

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: suportes antes de erguer a conduta - erro comum: juntas por selar - exemplo: mostrar a diferença de perda de carga entre uma curva larga e uma apertada

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: verificar a velocidade com o diâmetro normalizado - erro comum: esquecer de converter m³/h em m³/s - exemplo: repetir com 900 m³/h

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: proteger do calor os acessórios na brasagem - erro comum: filtro secador reutilizado - exemplo: identificar o sentido de fluxo gravado numa solenoide

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: medir e comparar com o valor de referência - erro comum: continuar a usar uma roda gasta - exemplo: comparar o corte de uma roda nova com o de uma gasta

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: o fluxo é corrosivo - erro comum: deixar ferramentas húmidas na caixa - exemplo: mostrar um suporte de aço corroído junto a cobre

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: uma hipótese de cada vez - erro comum: trocar várias peças ao mesmo tempo - exemplo: simular a avaria da bomba e conduzir o diagnóstico em turma

NOTAS DO PROFESSOR - enfatizar: a segurança está no passo, não no cartaz - erro comum: dispensar os óculos "só por um minuto" - exemplo: cada grupo identifica o risco principal de um procedimento