Aplicar técnicas de prevenção e controlo da infeção na prestação de cuidados de saúde (UC05470)
- Introdução
- 1. Microbiologia e risco biológico
- 2. Processo infecioso e cadeia epidemiológica
- 3. Profissionais de saúde como hospedeiros e vetores de infeção
- 4. Enquadramento legal e regulador: o PPCIRA
- 5. Precauções básicas de controlo da infeção (PBCI)
- 6. Higiene das mãos
- Preparar as mãos para a higiene
- Duas técnicas: fricção antisséptica e lavagem
- Passos da técnica (resumo comum às duas)
- Os cinco momentos para a higiene das mãos
- Cuidados com a pele das mãos
- Luvas não substituem a higiene das mãos
- Medir a adesão: a auditoria de higiene das mãos
- Exemplo resolvido · Os cinco momentos numa ajuda à refeição e higiene
- 7. Equipamentos de proteção individual (EPI)
- 8. Precauções baseadas nas vias de transmissão
- 9. Limpeza, desinfeção e esterilização
- 10. Gestão de resíduos e de roupa hospitalar
- 11. Prevenção da contaminação de amostras biológicas
- 12. Exposição ao risco biológico, segurança no trabalho e técnicas assépticas
- 13. Vigilância, notificação, sensibilização e limites de intervenção
- Vigilância e sinais de alerta
- Potencial de disseminação e surtos
- Notificação e reporte
- Medidas corretivas
- Educação e sensibilização de utentes e visitantes
- Prevenção e controlo da infeção nos vários âmbitos de cuidados
- Limites de intervenção, ética e conduta profissional
- Normas e sistemas de qualidade
- Exemplo resolvido · Suspeita de surto numa ERPI
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
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Introdução
Esta sebenta prepara o Técnico Auxiliar de Saúde para aplicar, no dia a dia da prestação de cuidados, as técnicas de prevenção e controlo da infeção. Quem trabalha em saúde está sempre no meio de uma cadeia: recebe pessoas vulneráveis, manuseia superfícies, roupa, resíduos e amostras que podem estar contaminados, e passa de um utente para outro. Cada gesto seu pode interromper a transmissão de microrganismos ou, se for feito sem rigor, transformá-lo em veículo dessa transmissão.
O percurso segue a lógica do referencial. Primeiro percebe-se o que são os microrganismos e o risco biológico, e como se organiza a cadeia epidemiológica (agente, reservatório, porta de saída, via de transmissão, porta de entrada, hospedeiro suscetível). Depois conhece-se o enquadramento legal e regulador, em particular o Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA). A seguir aprendem-se as técnicas: higiene das mãos, precauções básicas, precauções baseadas nas vias de transmissão, equipamentos de proteção individual (EPI), limpeza, desinfeção e esterilização, gestão de resíduos e de roupa, técnicas assépticas e circuito das amostras biológicas. Fecha-se com a exposição ao risco biológico, a vigilância e notificação de ocorrências e surtos, a sensibilização de utentes e visitantes, a ética e os limites de intervenção do profissional.
Uma regra atravessa tudo e merece ser dita já: o Técnico Auxiliar de Saúde trabalha sob supervisão e dentro do seu âmbito de competência. Não pratica atos de enfermagem nem atos médicos. Aplica protocolos, executa tarefas de higiene, limpeza, transporte e apoio, deteta sinais de alerta e notifica o profissional de saúde ou a equipa técnica responsável. Saber parar e avisar é, em controlo da infeção, tão importante como saber fazer.
Objetivos de aprendizagem (referencial): reconhecer a importância da microbiologia e a sua interferência na saúde humana; reconhecer noções básicas da cadeia epidemiológica; descrever a estrutura de regulação na prevenção e controlo de infeções e de resistência aos antimicrobianos, a nível local e nacional; aplicar práticas promotoras da prevenção e controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde; e aplicar práticas de prevenção da contaminação de amostras biológicas em todo o seu circuito.
Uma nota sobre procedimentos. Os números e as sequências apresentados (tempos de higiene das mãos, concentrações de desinfetantes, cores de contentores, sequência de EPI) são referências de boa prática. Em cada instituição vigoram protocolos e procedimentos operacionais padrão (POP) próprios, ajustados ao tipo de serviço, aos produtos disponíveis e às orientações da DGS na redação em vigor. Em caso de diferença, cumpre-se o procedimento da instituição e, na dúvida, pergunta-se ao responsável antes de agir.
1. Microbiologia e risco biológico
A microbiologia estuda os seres vivos que só se veem ao microscópio: os microrganismos. A maioria é inofensiva ou até útil. Vivem na pele, na boca e no intestino, ajudam a digerir os alimentos e ocupam o lugar que doutra forma seria ocupado por microrganismos perigosos. Só uma minoria causa doença, e é essa minoria, juntamente com as situações em que os normais se tornam perigosos, que interessa ao controlo da infeção.
Os grupos de microrganismos
| Grupo | O que é | Exemplos relevantes em saúde | Como se combate (ideia geral) |
|---|---|---|---|
| Bactérias | seres unicelulares, com vida própria; algumas formam esporos resistentes | Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Clostridioides difficile, Mycobacterium tuberculosis | antibióticos (prescritos por médico); desinfetantes; calor |
| Vírus | partículas que só se multiplicam dentro de células vivas | gripe, SARS-CoV-2, norovírus, vírus das hepatites B e C, VIH | vacinas e antivirais (quando existem); higiene; desinfetantes com ação virucida |
| Fungos | leveduras e bolores | Candida, Aspergillus, dermatófitos (micoses da pele) | antifúngicos; ambiente limpo e seco |
| Parasitas | organismos que vivem à custa de um hospedeiro | sarna (ácaro Sarcoptes scabiei), piolhos, Giardia | antiparasitários; tratamento de contactos e do ambiente |
Os antibióticos atuam só sobre bactérias. Não servem para a gripe nem para constipações, que são virais. Usá-los sem necessidade é uma das causas da resistência aos antimicrobianos, tema do PPCIRA que se estuda mais adiante.
Flora normal, colonização e infeção
Há três situações que convém distinguir, porque parecem iguais mas não são:
- Flora normal (microbiota): microrganismos que vivem habitualmente no corpo sem causar doença.
- Colonização: um microrganismo instala-se no corpo (pele, nariz, intestino) e multiplica-se, sem causar sintomas. A pessoa colonizada pode transmiti-lo a outras, sem saber.
- Infeção: o microrganismo invade os tecidos, multiplica-se e provoca uma reação do organismo (febre, vermelhidão, pus, tosse, diarreia). Há doença.
Uma pessoa colonizada com uma bactéria multirresistente tem aspeto saudável e pode contaminar as mãos de quem a ajuda a levantar-se. Por isso as precauções são aplicadas a todos os utentes, e não apenas aos que têm diagnóstico conhecido.
Esporos, biofilmes e resistência ao ambiente
Alguns microrganismos aguentam muito tempo fora do corpo. Os esporos de Clostridioides difficile sobrevivem em superfícies durante longos períodos e não são destruídos pelo álcool; o que os remove é a lavagem das mãos com água e sabão e a limpeza e desinfeção do ambiente com produto adequado. Os biofilmes são camadas de microrganismos agarrados a superfícies húmidas (tubagens, torneiras, equipamentos mal secos), onde ficam protegidos de desinfetantes. É uma das razões pelas quais limpar antes de desinfetar e secar bem são regras e não preferências.
O que é o risco biológico
O risco biológico é a probabilidade de uma pessoa ser afetada por um agente biológico (microrganismos, incluindo os geneticamente modificados, culturas de células e endoparasitas humanos) que possa causar infeção, alergia ou toxicidade. Em saúde, o risco biológico está presente em:
- sangue e outros fluidos orgânicos (urina, fezes, vómito, secreções respiratórias, exsudados de feridas, líquidos de punção);
- materiais cortantes e perfurantes contaminados (agulhas, lancetas, lâminas);
- superfícies e equipamentos tocados por vários utentes;
- roupa, resíduos e amostras produzidos na prestação de cuidados;
- aerossóis e gotículas de pessoas com infeções respiratórias.
A legislação portuguesa sobre proteção dos trabalhadores contra agentes biológicos (Decreto-Lei n.º 84/97, na redação em vigor) classifica os agentes biológicos em quatro grupos de risco, do grupo 1 (pouco provável que cause doença) ao grupo 4 (doença grave, grande risco de propagação, sem profilaxia ou tratamento eficaz). A lista dos agentes biológicos dos grupos 2, 3 e 4 consta de um anexo ao próprio decreto-lei, na redação em vigor. Ao Técnico Auxiliar de Saúde não se pede que classifique agentes: pede-se que identifique situações de risco e aplique as medidas de prevenção definidas pela instituição.
Exemplo resolvido · Identificar o risco biológico numa tarefa
Situação. A Marta, Técnica Auxiliar de Saúde numa unidade de internamento, vai trocar a roupa da cama de um utente que teve vómito e retirar o saco do lixo da casa de banho do quarto.
Passo 1. Identificar as fontes: vómito (fluido orgânico), roupa suja (considerada contaminada), resíduos da casa de banho (fraldas, compressas, luvas usadas).
Passo 2. Identificar as vias possíveis: contacto das mãos e do fardamento com a roupa e os resíduos; salpicos para a cara ao sacudir a roupa; contacto indireto, se tocar em maçanetas e no carrinho com luvas contaminadas.
Passo 3. Escolher medidas: higiene das mãos antes de começar, luvas e avental de proteção, não sacudir a roupa, depositá-la de imediato no saco junto ao local de produção, não encher o saco acima de dois terços, fechar, retirar as luvas, higiene das mãos.
Conclusão. A mesma tarefa de rotina tem três fontes de risco e uma sequência de oito medidas de proteção. Identificar o risco é o passo que decide todos os outros.
2. Processo infecioso e cadeia epidemiológica
Uma infeção não acontece por acaso: acontece quando se juntam, por ordem, seis elos. A esta sequência chama-se cadeia epidemiológica (ou cadeia de infeção). Se um único elo for interrompido, a cadeia parte-se e a infeção não se transmite. É por isso que todas as técnicas desta UC existem: cada uma corta um elo.
Os seis elos
| Elo | O que é | Exemplos | Medida que o corta |
|---|---|---|---|
| 1. Agente infecioso | o microrganismo capaz de causar doença: bactéria, vírus, fungo ou parasita | Staphylococcus aureus, norovírus | limpeza e desinfeção; esterilização; antimicrobianos (prescritos) |
| 2. Reservatório | onde o agente vive e se multiplica: humano (utente, profissional, visitante), animal ou ambiente (água, superfícies, equipamentos) | utente colonizado, torneira com biofilme, animal de companhia | limpeza ambiental; tratamento; controlo de fontes |
| 3. Porta de saída | por onde o agente sai do reservatório | tosse e espirro, fezes, sangue, ferida com exsudado | etiqueta respiratória; conter fluidos; pensos; luvas |
| 4. Via ou mecanismo de transmissão | como o agente chega a outra pessoa | contacto, gotículas, via aérea, veículo comum, vetores | higiene das mãos; precauções por via de transmissão; EPI |
| 5. Porta de entrada | por onde o agente entra no novo hospedeiro | pele não íntegra, mucosas, vias respiratórias, trato digestivo, cateteres | técnicas assépticas; proteger feridas e dispositivos |
| 6. Hospedeiro suscetível | quem pode adoecer | idosos, recém-nascidos, imunodeprimidos, pessoas com feridas ou dispositivos | vacinação; reforço das defesas; proteção dos mais frágeis |
As vias de transmissão
A via de transmissão é o elo mais trabalhado no dia a dia, porque é aquele em que o profissional mais pode intervir.
- Contacto direto: transferência do microrganismo de uma pessoa para outra por contacto físico (por exemplo, ao levantar um utente colonizado e depois tocar noutro sem higienizar as mãos).
- Contacto indireto: o microrganismo passa por um objeto ou superfície contaminada (estetoscópio, cadeira de rodas, comando da cama, termómetro, mãos dos profissionais). É a via mais frequente em contexto de cuidados.
- Gotículas: partículas respiratórias relativamente grandes, produzidas ao tossir, espirrar ou falar, que viajam curtas distâncias e depositam-se nas mucosas da boca, do nariz e dos olhos de quem está perto, ou em superfícies próximas. Exemplo: gripe.
- Via aérea: partículas muito pequenas (aerossóis) que ficam em suspensão no ar e podem ser inaladas a maior distância e depois de a pessoa ter saído do espaço. Exemplos: tuberculose pulmonar, sarampo, varicela.
- Veículo comum: alimentos, água, medicamentos ou soluções contaminados que afetam várias pessoas.
- Vetores: animais, como insetos, que transportam o agente (menos relevante em unidades de saúde em Portugal, mas relevante para a sensibilização de quem viaja).
Uma mesma doença pode ter mais do que uma via. O SARS-CoV-2, por exemplo, transmite-se sobretudo por gotículas e aerossóis em proximidade, mas também por contacto com superfícies. Daí a importância de combinar medidas.
O hospedeiro suscetível
Nem todos os que contactam com o agente adoecem. Depende do hospedeiro: idade (muito novos e muito velhos), doenças crónicas (diabetes, doença pulmonar), imunodepressão (quimioterapia, corticoides prolongados, VIH não controlado), feridas, dispositivos invasivos (sonda vesical, cateter venoso, tubo de traqueostomia), desnutrição, internamentos longos e vacinação incompleta. Nas estruturas residenciais para pessoas idosas e nas unidades de cuidados continuados, a combinação de idade, doenças crónicas, vida em comunidade e dispositivos torna a transmissão especialmente fácil.
Exemplo resolvido · Percorrer a cadeia numa gastroenterite em lar
Situação. Numa estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI), três residentes de um mesmo piso têm diarreia e vómitos desde ontem. A Diretora Técnica pede à equipa que identifique onde se pode cortar a cadeia.
Passo 1. Agente. Suspeita de um vírus gastrointestinal (como o norovírus); o diagnóstico é feito pela equipa de saúde, não pelo Técnico Auxiliar.
Passo 2. Reservatório. Residentes com infeção; superfícies e casas de banho contaminadas.
Passo 3. Porta de saída. Fezes e vómito.
Passo 4. Via. Contacto (mãos e superfícies) e, em episódios de vómito, gotículas e contaminação do ambiente.
Passo 5. Porta de entrada. Boca (mãos contaminadas levadas à boca, alimentos).
Passo 6. Hospedeiro suscetível. Os restantes residentes, frágeis e em convivência próxima.
Passo 7. Elos a cortar. Via: lavagem das mãos com água e sabão (o álcool é menos eficaz para alguns vírus gastrointestinais e para esporos), luvas e avental nos cuidados, limpeza e desinfeção reforçadas das casas de banho e superfícies de grande contacto, roupa manuseada como contaminada. Reservatório e hospedeiros: informar a equipa de saúde, limitar a circulação dos doentes e das visitas, segundo a orientação recebida.
Conclusão. Percorrer os seis elos dá uma lista de ações possíveis. O Técnico Auxiliar executa as que cabem na sua função e comunica de imediato à enfermagem ou à responsável técnica a existência de vários casos.
3. Profissionais de saúde como hospedeiros e vetores de infeção
O profissional de saúde ocupa dois papéis ao mesmo tempo. É hospedeiro, porque pode ser infetado pelos utentes (por exemplo, através de uma picada de agulha ou de salpicos para os olhos). E é vetor, porque as suas mãos, fardamento, calçado e equipamento passam microrganismos de um utente para outro, ou do ambiente para o utente.
Como o profissional se torna vetor
As mãos são o principal veículo de transmissão cruzada em cuidados de saúde. Em cada tarefa tocam-se utentes, camas, mesas de apoio, corrimãos, telefones, carrinhos e computadores. Uma pessoa pode contaminar as mãos em segundos e transportar microrganismos durante todo o turno, se não as higienizar nos momentos certos. Outros mecanismos frequentes:
- usar o mesmo par de luvas em vários utentes ou em várias tarefas, ou calçar luvas por cima de mãos sujas;
- levar fardamento para casa e usá-lo fora do trabalho, ou usar fora da unidade o fardamento de serviço;
- usar adornos (anéis, pulseiras, relógio) e unhas compridas, com verniz ou artificiais, que acumulam microrganismos e dificultam a higiene;
- partilhar equipamento entre utentes (tensiómetro, termómetro, cadeira de banho) sem o limpar e desinfetar entre utilizações;
- circular com carrinhos de roupa limpa e suja misturados, ou colocar material limpo em superfícies sujas;
- trabalhar doente (diarreia, gripe, feridas infetadas nas mãos) sem informar a chefia.
Como o profissional se torna hospedeiro
Os riscos principais são: acidentes com cortantes e perfurantes, salpicos de sangue ou fluidos para a face e mucosas, contacto com pele não íntegra, e inalação de partículas infeciosas em doentes com infeção respiratória transmissível. A proteção passa por vacinação (as recomendadas para profissionais de saúde, definidas no plano da instituição e na medicina do trabalho), EPI, contentores de cortantes junto ao local de uso, e conhecimento do que fazer após uma exposição.
Infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS)
Chamam-se infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS) às infeções adquiridas por uma pessoa em consequência de cuidados de saúde recebidos numa unidade (hospital, centro de saúde, lar, unidade de cuidados continuados, clínica) e que não estavam presentes nem em incubação à data da admissão. Os tipos mais comuns incluem infeção urinária associada a sonda vesical, infeção da ferida cirúrgica, pneumonia associada a ventilação, infeção associada a cateter venoso e infeções gastrointestinais. Muitas são evitáveis com práticas simples e consistentes, entre as quais a higiene das mãos é a mais importante.
As IACS aumentam o sofrimento, o tempo de internamento e os custos, e podem ser causadas por microrganismos multirresistentes, difíceis de tratar. Cada elo que o Técnico Auxiliar de Saúde ajuda a cortar protege utentes que ainda não adoeceram.
Exemplo resolvido · A cadeia que passou pelas mãos
Situação. O João, Técnico Auxiliar de Saúde, ajuda o utente A, com infeção da pele por bactéria resistente, a vestir-se. Não troca de luvas, afasta a cadeira com a mão enluvada e, a seguir, ajuda o utente B a sentar-se à mesa com o mesmo par.
Análise. 1. Reservatório: utente A (e a sua pele, roupa e cadeira). 2. Porta de saída: pele com lesão e exsudado. 3. Via: contacto indireto, através das luvas e da cadeira. 4. Porta de entrada: mãos do utente B (que as leva à boca) e eventuais feridas. 5. Hospedeiro: utente B, idoso e diabético.
Falhas do João. Não removeu as luvas no fim da tarefa em A, não fez higiene das mãos, reutilizou luvas num segundo utente, tocou em equipamento comum.
Prática correta. Higiene das mãos antes do contacto, luvas e avental (precauções de contacto, se indicadas), remoção das luvas e do avental no quarto antes de sair, higiene das mãos, limpeza e desinfeção da cadeira. Notificar a enfermagem se se aperceber de que a lesão tem pus ou se houver sinais semelhantes noutros residentes.
4. Enquadramento legal e regulador: o PPCIRA
A prevenção e o controlo da infeção não dependem da boa vontade de cada profissional: têm enquadramento legal, estrutura de coordenação e normas oficiais. Conhecê-los permite ao Técnico Auxiliar de Saúde saber a quem pertence cada decisão e a quem deve reportar.
O que é o PPCIRA
O Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA) é um programa de saúde prioritário, coordenado a nível nacional pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O seu objetivo é reduzir as infeções associadas aos cuidados de saúde e travar o crescimento da resistência aos antimicrobianos, através de normas, formação, vigilância epidemiológica e apoio às unidades de saúde. A resistência aos antimicrobianos é a capacidade de microrganismos sobreviverem a medicamentos que antes os matavam; é um problema de saúde pública mundial, acompanhado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
Estrutura em três níveis
O PPCIRA organiza-se por níveis, do mais abrangente ao mais próximo do utente:
| Nível | Quem | Papel |
|---|---|---|
| Nacional | DGS, com a coordenação nacional do programa | define estratégia e normas, coordena a vigilância epidemiológica, produz orientações e dados nacionais |
| Regional | estruturas regionais do PPCIRA, nos termos do despacho que regula o programa na redação em vigor | apoiam e acompanham as unidades da região, uniformizam práticas, promovem formação |
| Local | unidades locais do PPCIRA, nos hospitais, agrupamentos de centros de saúde, unidades locais de saúde e unidades de cuidados continuados | implementam o programa na instituição, vigiam as infeções, apoiam as equipas, fazem auditorias e formação, reportam |
A terminologia exata das estruturas regionais e locais foi sendo atualizada ao longo dos anos pelos despachos que regulam o programa. Em termos práticos, o que interessa saber é que, em cada unidade, existe uma estrutura local responsável por prevenção e controlo da infeção, com profissionais de referência (médico e enfermeiro com formação específica), a quem se reportam ocorrências, dúvidas e suspeitas de surto. Na prática, essas pessoas apoiam os serviços de limpeza e de apoio, que são as primeiras linhas de defesa.
Normas e orientações da DGS
A DGS publica normas e orientações que as instituições adotam. Para esta UC, os documentos de referência são, entre outros:
- a norma sobre Precauções Básicas do Controlo da Infeção (PBCI), que reúne os dez componentes das precauções básicas aplicáveis a todos os utentes;
- as normas e orientações sobre precauções de isolamento (precauções baseadas nas vias de transmissão);
- a orientação de boa prática para a higiene das mãos nas unidades de saúde;
- as orientações sobre limpeza e desinfeção de superfícies e sobre descontaminação do equipamento clínico;
- o Despacho n.º 242/96 do Ministério da Saúde, sobre a classificação e gestão de resíduos hospitalares, que se articula com o regime geral de gestão de resíduos em vigor.
Estes documentos são atualizados. Consulta-se sempre a versão em vigor no portal da DGS e nos manuais da própria instituição, onde as normas são traduzidas em POP concretos para cada serviço.
Outras peças do enquadramento
- Segurança e saúde no trabalho: o regime geral de promoção da segurança e saúde no trabalho (Lei n.º 102/2009, na redação em vigor) obriga o empregador a avaliar riscos e a fornecer EPI e formação. O Decreto-Lei n.º 84/97, na redação em vigor, define as prescrições mínimas de proteção contra agentes biológicos.
- Acidentes de trabalho: o regime de reparação de acidentes de trabalho e doenças profissionais (Lei n.º 98/2009, na redação em vigor) exige participação e registo dos acidentes, incluindo exposição a sangue.
- Qualidade e segurança do doente: as unidades têm planos de qualidade e de segurança do doente, com indicadores e auditorias; a norma de PBCI prevê explicitamente que a avaliação do desempenho dos profissionais inclua a prevenção e controlo de infeção.
- Direitos dos utentes e proteção de dados: o dever de sigilo e a proteção de dados pessoais aplicam-se também às informações sobre infeções.
Deveres de cada profissional
A norma das PBCI estabelece que os dirigentes asseguram formação, acesso às normas e recursos para as cumprir. Do lado do profissional, o essencial é:
- conhecer e cumprir as normas e os POP do serviço;
- usar os EPI adequados ao risco;
- reportar por escrito ao superior hierárquico falhas de stock de EPI, deficiências nesses equipamentos ou outros obstáculos ao cumprimento das precauções (é uma exigência expressa da norma de PBCI);
- comunicar acidentes, suspeitas de infeção e ocorrências;
- frequentar a formação e participar nas auditorias.
Exemplo resolvido · A quem reportar
Situação. A Teresa, Técnica Auxiliar de Saúde numa unidade de cuidados continuados, repara que as luvas de tamanho pequeno acabaram há três dias e que a caixa de óculos de proteção do piso está vazia. Duas colegas passaram a trabalhar sem luvas em tarefas em que deviam usá-las.
Passo 1. Reconhecer que se trata de um obstáculo ao cumprimento das precauções básicas.
Passo 2. Não improvisar (usar luvas largas ou reutilizar), nem aceitar trabalhar sem proteção.
Passo 3. Reportar por escrito ao superior hierárquico (chefia do serviço/enfermeiro responsável), com data, o material em falta e o impacto.
Passo 4. Entretanto, seguir a orientação da chefia sobre a solução temporária, incluindo reencaminhamento de tarefas de maior risco.
Conclusão. A estrutura do PPCIRA só funciona se a informação sobe: do posto de trabalho à chefia e daí para a estrutura local.
5. Precauções básicas de controlo da infeção (PBCI)
As precauções básicas (também chamadas precauções padrão) são o conjunto mínimo de medidas aplicadas a todos os utentes, em todos os cuidados, independentemente de se conhecer o seu estado infecioso. O princípio é simples e está escrito na norma da DGS: não há doentes de risco, há procedimentos de risco. Assume-se que todo o utente pode estar colonizado ou infetado, e adaptam-se as precauções ao nível de interação e ao grau de exposição previsto a sangue e outros fluidos orgânicos.
Os dez componentes das PBCI
| N.º | Componente | Ideia central |
|---|---|---|
| 1 | Colocação de doentes | quem representa risco acrescido de transmissão (por exemplo, diarreia) fica num local que o minimize, como o quarto individual; evitar deslocações desnecessárias |
| 2 | Higiene das mãos | a medida mais importante para reduzir a transmissão |
| 3 | Etiqueta respiratória | conter as secreções ao tossir e espirrar |
| 4 | Equipamento de proteção individual (EPI) | luvas, avental, bata, proteção ocular e facial, máscara, calçado, cobertura do cabelo, de acordo com o risco |
| 5 | Descontaminação do equipamento clínico | limpar e desinfetar o equipamento reutilizável entre utentes |
| 6 | Controlo ambiental | superfícies limpas e secas; derrames removidos logo que possível |
| 7 | Manuseamento seguro da roupa | toda a roupa usada é contaminada |
| 8 | Recolha segura de resíduos | triagem no local de produção, grupos corretos |
| 9 | Práticas seguras na preparação e administração de injetáveis | técnica asséptica; uma seringa nunca serve para mais do que um doente |
| 10 | Exposição a agentes microbianos no local de trabalho | conhecer o que fazer após exposição significativa |
Os componentes 9 e 10 mostram bem a diferença de âmbito: a preparação e administração de injetáveis é ato de enfermagem e médico, mas o Técnico Auxiliar de Saúde precisa de conhecer a regra para não a comprometer (por exemplo, deixando material limpo em superfícies sujas) e para saber o que se espera dos colegas.
Colocação de doentes
Utentes com sintomas que sugiram transmissão fácil (diarreia, vómitos, tosse intensa, lesões com exsudado abundante) devem, quando possível, ficar em quarto individual com casa de banho, e a decisão cabe à equipa clínica. O Técnico Auxiliar de Saúde aplica a decisão: respeita sinalização, não coloca outro utente na mesma cama ou quarto sem ordem, e avisa quando observa os sintomas.
Etiqueta respiratória
Medidas simples dirigidas a utentes, visitantes, profissionais e acompanhantes:
- cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, de preferência com um toalhete de uso único, que se elimina logo no contentor mais próximo;
- em alternativa, tossir ou espirrar para a dobra do cotovelo (e não para as mãos);
- higienizar as mãos depois de contactar com secreções respiratórias;
- evitar tocar nos olhos, na boca e no nariz;
- nos períodos de maior circulação de vírus respiratórios, oferecer máscara cirúrgica a quem tem sintomas e entra na unidade, e ajudar quem precisa (idosos, crianças) com toalhetes, recipientes e solução de base alcoólica.
Controlo ambiental e descontaminação (visão geral)
Na norma de PBCI, o ambiente de cuidados deve estar livre de objetos desnecessários, limpo, seco e em bom estado. Para a limpeza regular recomenda-se detergente de uso geral em água quente, diluído na altura do uso, substituído regularmente (no mínimo ao fim de uma hora), na passagem de uma área para outra (entre quartos ou enfermarias) e sempre que visivelmente sujo. Nas louças sanitárias usam-se produtos mistos de detergente e desinfetante, por exemplo à base de cloro. Estes conteúdos desenvolvem-se no capítulo 9.
O papel do Técnico Auxiliar de Saúde nas PBCI
- Aplica as PBCI sempre, com todos os utentes, mesmo quando o diagnóstico é desconhecido ou negativo.
- Adapta a proteção à tarefa (higiene íntima, limpeza de casa de banho, transporte de amostras) e não à "cara" do utente.
- Respeita os limites: não decide isolamentos, mas cumpre-os.
Exemplo resolvido · Escolher precauções pela tarefa e não pelo utente
Situação. Uma Técnica Auxiliar de Saúde tem de realizar três tarefas na mesma manhã com o mesmo utente, sem diagnóstico infecioso conhecido: (a) servir o pequeno-almoço, (b) ajudar na higiene íntima após dejeção, (c) limpar a mesa de cabeceira.
Passo 1. (a) Servir o pequeno-almoço. Sem exposição previsível a fluidos. Higiene das mãos antes do contacto; sem luvas.
Passo 2. (b) Higiene íntima. Exposição previsível a fezes e possível contacto com pele não íntegra. Higiene das mãos antes; luvas e avental; luvas removidas no fim e imediatamente descartadas; higiene das mãos; resíduos para o contentor correto; fralda e compressas em saco do grupo adequado.
Passo 3. (c) Limpeza da mesa de cabeceira. Superfície de contacto frequente. Retirar o excesso de sujidade com pano descartável, limpar com detergente e depois desinfetar com produto do protocolo. Luvas se for previsível contacto com fluidos.
Conclusão. O mesmo utente exigiu três níveis de proteção. Decidir pela tarefa é a essência das precauções básicas.
6. Higiene das mãos
A higiene das mãos é a medida mais simples, barata e eficaz para reduzir a transmissão de microrganismos entre utentes e para proteger os profissionais. Quase nenhuma outra técnica desta UC tem tanto impacto por tão pouco esforço, e é também aquela em que mais se falha.
Preparar as mãos para a higiene
Antes de qualquer higiene das mãos, a norma de PBCI exige que:
- as unhas estejam curtas e limpas, sem verniz, sem extensões ou outros artefactos;
- os adornos sejam removidos (incluindo a aliança);
- cortes e abrasões estejam cobertos com penso impermeável;
- os antebraços estejam expostos (fardamento sem mangas compridas até aos pulsos).
Duas técnicas: fricção antisséptica e lavagem
| Fricção com solução antisséptica de base alcoólica (SABA) | Lavagem com água e sabão | |
|---|---|---|
| Quando se usa | técnica de escolha sempre que as mãos não estejam visivelmente sujas | mãos visivelmente sujas ou contaminadas com matéria orgânica; cuidados a doentes com infeção gastrointestinal (confirmada ou suspeita, por exemplo C. difficile); após ir à casa de banho |
| Duração de referência (OMS) | cerca de 20 a 30 segundos, até as mãos ficarem secas | cerca de 40 a 60 segundos |
| Quantidade | a que for necessária para cobrir todas as superfícies das mãos, segundo as instruções do produto | molhar as mãos, aplicar sabão suficiente |
| Vantagens | rápida, acessível junto do utente, menos agressiva para a pele (emolientes), eficaz contra a maioria dos microrganismos | remove sujidade e esporos; indispensável nos casos acima |
| Limites | não remove sujidade visível; não é eficaz contra esporos | mais demorada; exige lavatório, sabão, toalhete; irrita se for excessiva |
Passos da técnica (resumo comum às duas)
- Cobrir todas as superfícies: palmas, dorso das mãos, espaços interdigitais, polegares, pontas dos dedos e unhas, punhos.
- Fricção ou lavagem com movimentos de rotação e atrito, durante o tempo de referência.
- Na lavagem: enxaguar bem, secar com toalhete de papel de uso único, e fechar a torneira com o toalhete se esta for de comando manual.
- Na fricção: esperar que seque completamente; não limpar nem enxaguar.
A sequência de movimentos ensinada pela OMS (palma com palma, palma sobre dorso, dedos entrelaçados, dorso dos dedos nas palmas opostas, polegares, pontas dos dedos nas palmas, punhos) garante que nenhuma zona fica por tratar. As zonas mais esquecidas são o polegar, as pontas dos dedos, o espaço entre os dedos e o dorso das mãos.
Os cinco momentos para a higiene das mãos
A OMS organizou as indicações em cinco momentos, ligados ao sítio onde estão os microrganismos e ao que se vai fazer a seguir:
| Momento | Quando | Para que serve |
|---|---|---|
| 1 | Antes do contacto com o utente | proteger o utente dos microrganismos que as mãos trazem |
| 2 | Antes de um procedimento limpo ou asséptico | evitar introduzir microrganismos em locais vulneráveis (boca, feridas, dispositivos) |
| 3 | Após risco de exposição a fluidos orgânicos | proteger o profissional e o ambiente |
| 4 | Após o contacto com o utente | proteger o profissional e o ambiente de cuidados |
| 5 | Após contacto com o ambiente envolvente do utente | evitar levar para outros utentes microrganismos deixados em cama, mesa, grades, comandos |
A norma portuguesa acrescenta a higiene das mãos após a remoção de EPI, porque as luvas não evitam completamente a contaminação das mãos e porque a remoção pode contaminá-las.
Cuidados com a pele das mãos
Mãos com fissuras são mais difíceis de limpar e mais vulneráveis. A norma recomenda creme dermoprotetor durante as pausas e no final do turno, de embalagem individual, que não interfira com o antisséptico nem com a integridade das luvas. Quem desenvolve dermatite (vermelhidão, descamação, comichão) deve comunicar à medicina do trabalho ou à chefia, em vez de deixar de higienizar as mãos.
Luvas não substituem a higiene das mãos
Luvas são EPI e não um substituto: calçam-se sobre mãos limpas, removem-se logo após o uso em cada utente ou tarefa, e a seguir higienizam-se as mãos. Usar luvas durante todo o turno ou "lavar as luvas" são erros graves.
Medir a adesão: a auditoria de higiene das mãos
As unidades medem se a higiene das mãos está a ser feita, e esse número é um dos indicadores de qualidade do serviço. A observação funciona assim:
- Uma oportunidade é um momento em que a higiene das mãos está indicada, ou seja, um dos cinco momentos. Se um profissional entra no quarto, toca no utente e sai, houve pelo menos duas oportunidades.
- Para cada oportunidade, o observador regista o que aconteceu: fricção, lavagem ou omissão.
- A taxa de adesão é a percentagem de oportunidades em que houve higiene das mãos:
adesão (%) = (ações realizadas ÷ oportunidades observadas) × 100
Exemplo: 48 ações em 60 oportunidades dá 48 ÷ 60 = 0,8, ou seja, 80 %.
A ficha tem uma linha por oportunidade, com a data, o serviço, a categoria profissional do observado (sem o nome), o momento (1 a 5), a ação e uma coluna de observações. Observa-se sem identificar pessoas e o resultado devolve-se à equipa, para melhorar e não para punir.
Exemplo resolvido · Os cinco momentos numa ajuda à refeição e higiene
Situação. Uma Técnica Auxiliar de Saúde apoia a Sr.ª Albertina, residente numa ERPI, no levante: levanta-a da cama, acompanha-a à casa de banho, apoia a higiene íntima, ajuda-a a vestir-se e a sentar-se à mesa para a refeição.
Passo 1. Antes de tocar na residente para a levantar: momento 1. Fricção com SABA, mãos secas.
Passo 2. Antes da higiene íntima, que implica contacto com mucosas e pele: momento 2 (pelo contacto previsível com mucosas, muitos serviços tratam-na como procedimento limpo; confirma no POP). Higiene das mãos, depois luvas e avental.
Passo 3. Após a higiene, com risco de exposição a fezes ou urina: momento 3. Remover as luvas, eliminar, e lavar as mãos com água e sabão se estiverem sujas; fricção se não estiverem.
Passo 4. Terminado o contacto com a residente: momento 4.
Passo 5. Antes de arrumar a cama ou tocar na mesa de cabeceira, e depois de o fazer: momento 5. O ambiente envolvente da residente também está contaminado com os seus microrganismos.
Conclusão. Numa só manhã de cuidados, os cinco momentos repetem-se várias vezes. A prática correta é associar o gesto ao momento e não ao relógio.
7. Equipamentos de proteção individual (EPI)
Os equipamentos de proteção individual (EPI) são barreiras físicas entre o profissional e os agentes de risco. Protegem quem os usa e, em certas circunstâncias, também os utentes e visitantes. Não eliminam o risco: reduzem-no, e só funcionam bem se forem escolhidos pelo risco, colocados e removidos corretamente.
Regras gerais dos EPI (norma de PBCI)
Os EPI devem:
- estar disponíveis junto do local de utilização;
- estar guardados em local limpo e seco, respeitando os prazos de validade;
- ser de uso único, salvo indicação em contrário do fabricante;
- no caso de artigos reutilizáveis, haver um programa de descontaminação com responsável definido.
Tipos de EPI e quando usar
| EPI | Para que serve | Quando se usa (resumo) | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Luvas | barreira para sangue, fluidos, mucosas, pele não íntegra e produtos químicos | quando se antecipa exposição a sangue ou outros fluidos orgânicos; limpeza com produtos; manuseamento de resíduos e roupa | adequadas ao tamanho e à tarefa; removidas logo após o uso, em cada utente; trocadas se rompem; higiene das mãos antes e depois; luvas de nitrilo ou vinilo para quem tem alergia ao látex |
| Avental de plástico | proteger o fardamento de salpicos e contacto | procedimentos com contacto direto com o utente (higiene, mudança de fralda), quando é provável contaminação do fardamento | substituir no fim do procedimento e entre utentes |
| Bata de manga comprida | barreira mais completa para braços e tronco | risco acrescido de salpicos de sangue ou fluidos; precauções de contacto | substituir no fim do procedimento e entre utentes; não usar por rotina em unidades de alto risco como forma de prevenção |
| Máscara cirúrgica | barreira para salpicos e gotículas na boca e nariz; protege o utente das secreções do profissional | risco de salpicos à mucosa respiratória; precauções por gotículas; técnicas assépticas | bem ajustada, cobrindo boca e nariz; trocar se húmida, danificada ou no fim do procedimento |
| Máscara de proteção respiratória | filtra partículas pequenas em suspensão | precauções por via aérea (por exemplo, tuberculose pulmonar); outras indicações definidas pela instituição | na Europa a referência é a FFP2 (norma EN 149, marcação CE, filtração mínima de 94 %), e uma classe superior em risco acrescido; a classe exata é a do POP da instituição. Exige verificação de ajuste à face antes de cada utilização e treino. Não se partilha. A máscara cirúrgica não é máscara de proteção respiratória: não filtra aerossóis nem veda à face. |
| Proteção ocular e facial (óculos ou viseira) | proteger olhos e face de salpicos | risco de projeção de fluidos; procedimentos geradores de aerossóis; limpeza com produtos químicos que possam salpicar | óculos graduados pessoais não protegem; limpar e desinfetar se reutilizáveis |
| Calçado | proteger de derrames e de cortantes que caiam | sempre | antiderrapante, limpo, a cobrir todo o pé; removido antes de sair de áreas específicas (por exemplo, bloco operatório) |
| Cobertura do cabelo | evitar queda de cabelo e contaminação | áreas protegidas (bloco operatório, zona limpa da esterilização, cozinha) e procedimentos assépticos | cobrir todo o cabelo; substituir ou eliminar entre sessões e se contaminada |
Escolher o EPI pelo risco
A pergunta é: a que vou ficar exposto nesta tarefa?
- Contacto com fluidos nas mãos: luvas.
- Contacto com fluidos que possam sujar o fardamento: luvas e avental (ou bata).
- Possibilidade de salpicos à cara: proteção ocular/facial e máscara.
- Produtos químicos de limpeza concentrados: luvas resistentes, proteção ocular, avental, conforme a ficha de dados de segurança do produto.
- Doente com via aérea confirmada ou suspeita: máscara de proteção respiratória FFP2 (ou classe superior em risco acrescido) e as medidas do protocolo da instituição.
Sequência de colocação e remoção
A sequência existe para evitar autocontaminação. As sequências exatas variam com o conjunto de EPI e o procedimento da instituição, mas os princípios são estáveis.
Colocação (princípio: do mais afastado das mãos ao mais próximo, luvas por último)
- Higiene das mãos.
- Bata ou avental, bem atado ao pescoço e à cintura.
- Máscara, ajustada ao nariz e ao queixo (e verificação de ajuste à face, se for máscara de proteção respiratória).
- Proteção ocular ou viseira.
- Luvas, cobrindo os punhos da bata.
Remoção (princípio: retirar primeiro o que está mais contaminado, sem tocar com as mãos nuas na parte exterior)
- Luvas: pinçar a parte externa de uma luva ao nível do punho e retirá-la virada do avesso; segurá-la na mão enluvada; introduzir os dedos da mão livre por dentro do punho da outra e retirá-la, envolvendo a primeira. Eliminar de imediato.
- Bata ou avental: soltar atilhos sem tocar na frente; enrolar para dentro, com o exterior para dentro, e eliminar.
- Higiene das mãos.
- Proteção ocular: pegar pelas hastes ou pela tira, sem tocar na frente.
- Máscara: retirar pelos atilhos ou elásticos, sem tocar na frente. Em precauções por via aérea, retira-se fora do quarto, com a porta fechada.
- Higiene das mãos.
Se o procedimento da instituição indicar uma ordem ligeiramente diferente (por exemplo, remover luvas e bata em conjunto), segue-se o procedimento da instituição. O que nunca se altera: nunca tocar na face com luvas, nunca guardar EPI usado no bolso, nunca reutilizar EPI de uso único, nunca sair do quarto com EPI contaminado e sempre higienizar as mãos no fim.
Alergia ao látex e pele sensível
Há profissionais e utentes com alergia ao látex. As instituições disponibilizam alternativas (nitrilo, vinilo). Se uma luva provoca vermelhidão ou comichão, comunica-se e não se aguenta em silêncio.
Exemplo resolvido · Colocar e retirar EPI para limpar um quarto de isolamento por contacto
Situação. Um utente com infeção por bactéria multirresistente está em quarto individual com sinalização de precauções de contacto. O Técnico Auxiliar de Saúde vai fazer a limpeza e desinfeção do quarto.
Passo 1. Consultar a sinalização e o POP: bata (ou avental) e luvas, e o material de limpeza dedicado ao quarto.
Passo 2. Fora do quarto: higiene das mãos, colocar bata, calçar luvas sobre os punhos da bata.
Passo 3. No quarto: limpar do mais limpo para o mais sujo e de cima para baixo; superfícies de grande contacto (comando da cama, grades, interruptores, maçanetas, mesa de cabeceira) com atenção especial; casa de banho no fim.
Passo 4. Antes de sair: retirar as luvas e a bata dentro do quarto, eliminando no contentor do quarto (sem tocar no exterior).
Passo 5. Higiene das mãos à saída, preferencialmente com lavagem se houver suspeita de C. difficile.
Passo 6. Material de limpeza reutilizável (cabos, balde) desinfetado ou deixado no quarto, segundo o protocolo.
Conclusão. O EPI protege, mas só se a remoção for tão cuidada como a colocação. A maior parte das contaminações acontece ao retirar.
8. Precauções baseadas nas vias de transmissão
As precauções básicas protegem na maioria dos casos, mas não são suficientes para todos os agentes. A norma de PBCI refere especificamente microrganismos como Clostridioides difficile, Mycobacterium tuberculosis, Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) ou Acinetobacter multirresistente, para os quais estão indicadas medidas adicionais, as precauções baseadas nas vias de transmissão. Estas complementam, e nunca substituem, as precauções básicas.
A decisão de aplicar uma precaução adicional, o tipo e a duração, são da responsabilidade da equipa clínica e da estrutura de controlo da infeção. O Técnico Auxiliar de Saúde cumpre o que está sinalizado e ensinado, e avisa quando observa sinais que sugerem a necessidade.
Os três tipos
| Tipo | Quando se aplica (exemplos) | Medidas principais |
|---|---|---|
| Precauções de contacto | agentes transmitidos por contacto direto ou indireto (bactérias multirresistentes, infeções gastrointestinais como C. difficile, sarna, algumas infeções da pele) | quarto individual sempre que possível; luvas e avental/bata ao entrar; retirar à saída; equipamento dedicado ao utente; limpeza e desinfeção reforçadas; lavagem das mãos com água e sabão em C. difficile |
| Precauções por gotículas | agentes que se transmitem por gotículas respiratórias (gripe, tosse convulsa, algumas formas de meningite) | quarto individual (ou agrupar utentes com o mesmo agente, por decisão clínica); máscara cirúrgica ao entrar na proximidade do utente; utente com máscara cirúrgica ao sair do quarto; proteção ocular quando há risco de salpicos |
| Precauções por via aérea | agentes em aerossóis que ficam em suspensão (tuberculose pulmonar ativa, sarampo, varicela) | quarto individual com porta fechada e, quando existir, com a ventilação prevista para isolamento; máscara de proteção respiratória FFP2 (ou classe superior em risco acrescido), com verificação de ajuste à face, segundo o POP da instituição; utente só se desloca se necessário, com máscara cirúrgica; profissionais imunes quando aplicável |
Há situações com mais do que uma via (por exemplo, varicela disseminada, que combina via aérea e contacto, ou COVID-19 em procedimentos geradores de aerossóis). Nesses casos somam-se as medidas.
Como se sinaliza
Cada unidade tem cartazes e cores para indicar o tipo de precauções, afixados à porta do quarto. Regras práticas:
- ler a sinalização antes de entrar;
- ter o EPI à entrada do quarto e o contentor de resíduos à saída;
- não retirar a sinalização;
- não transferir o utente ou os seus objetos sem indicação;
- informar visitantes sobre o EPI que devem usar, segundo as orientações do serviço.
Transporte e deslocação do utente em isolamento
Se o utente tem de sair do quarto (exame, transferência), a equipa clínica informa o serviço de destino. O Técnico Auxiliar de Saúde que faz o transporte: confirma as precauções necessárias, coloca no utente a máscara cirúrgica quando indicado, cobre feridas ou lesões, utiliza o EPI adequado, higieniza as mãos e, no fim, desinfeta a cadeira de rodas, a maca ou o equipamento utilizado e informa o serviço de destino de acordo com as normas internas.
Fim do isolamento
O isolamento só termina por decisão da equipa clínica. Depois de terminado, faz-se uma limpeza e desinfeção terminal do quarto, incluindo equipamento, de acordo com o protocolo, e a roupa é tratada como contaminada.
Exemplo resolvido · Duas sinalizações no mesmo corredor
Situação. No piso de medicina, o quarto 12 tem a sinalização de precauções por via aérea (tuberculose pulmonar suspeita) e o quarto 14 tem a de precauções de contacto (infeção por bactéria multirresistente). A Técnica Auxiliar de Saúde precisa de levar a refeição a ambos os quartos.
Passo 1. Quarto 14 (contacto). Higiene das mãos; bata ou avental e luvas; entrar, pousar o tabuleiro, retirar luvas e bata no quarto; eliminar; higiene das mãos à saída. Equipamento de serviço não regressa ao carro sem ser limpo.
Passo 2. Quarto 12 (via aérea). Consultar o POP: máscara de proteção respiratória FFP2 (ou a classe que o POP indicar) colocada antes de entrar, com verificação de ajuste à face; porta mantida fechada; deixar o tabuleiro, sair, retirar a máscara fora do quarto, com a porta fechada; higiene das mãos.
Passo 3. Ordem. Em geral, começa-se pelos quartos sem precauções e termina-se pelos de isolamento; havendo dúvida, pergunta-se ao enfermeiro responsável.
Passo 4. Se observar utente do quarto 12 fora do quarto sem máscara, não o repreende nem tenta resolver sozinho: coloca-lhe uma máscara cirúrgica se tiver autorização, acompanha-o de volta e avisa a enfermagem.
Conclusão. A mesma tarefa exige EPI diferente conforme o risco e a via. A sinalização é a primeira fonte de informação.
9. Limpeza, desinfeção e esterilização
O ambiente é um reservatório e uma via de transmissão. Garantir que superfícies e equipamentos estão corretamente tratados é uma das principais contribuições do Técnico Auxiliar de Saúde para o controlo da infeção. Os três termos têm significados diferentes e não são intermutáveis.
Os três níveis de descontaminação
| Nível | O que faz | Resultado | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Limpeza | remove sujidade, matéria orgânica e parte dos microrganismos, com água, detergente e ação mecânica | superfície visivelmente limpa; menos carga microbiana | lavar a mesa de cabeceira com solução de detergente |
| Desinfeção | elimina ou inativa a maioria dos microrganismos (não necessariamente os esporos), com produtos desinfetantes ou calor | superfície com carga microbiana reduzida a nível seguro | desinfetar o comando da cama com o produto do protocolo |
| Esterilização | elimina todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos | material estéril | instrumentos cirúrgicos, esterilizados por vapor |
A regra de ouro é limpar antes de desinfetar: a sujidade protege os microrganismos e consome o desinfetante. Desinfetar uma superfície suja é gastar produto e dar uma falsa segurança. Há produtos que fazem as duas coisas (detergente-desinfetante) mas mantêm-se dois passos conceptuais: remover a sujidade e depois permitir a ação do desinfetante pelo tempo de contacto.
A classificação de Spaulding
Spaulding classificou o material pela forma como contacta com o corpo, e daí o nível de descontaminação exigido:
| Categoria | Tipo de contacto | Nível exigido | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Crítico | penetra tecidos estéreis ou o sistema vascular | esterilização | instrumentos cirúrgicos, agulhas, cateteres |
| Semicrítico | contacta com mucosas ou pele não íntegra | esterilização ou desinfeção de alto nível | endoscópios, material de anestesia respiratória |
| Não crítico | contacta com pele íntegra ou não contacta com o utente | limpeza, ou desinfeção de baixo ou intermédio nível | estetoscópio, tensiómetro, mesa de cabeceira, grades da cama, cadeira de rodas |
O Técnico Auxiliar de Saúde trabalha sobretudo com material não crítico e superfícies do ambiente. Os níveis mais exigentes são geridos por serviços especializados, como a central de esterilização, onde o seu papel, quando existir, é de apoio sob supervisão, no cumprimento dos circuitos e das regras de higiene: colabora no circuito de material sujo, limpo e estéril, sem decidir ciclos.
Esterilização: noções
A esterilização mais usada em unidades de saúde é a vapor de água sob pressão (autoclave): o vapor saturado a temperatura elevada, durante um tempo de exposição definido, destrói os microrganismos. Os ciclos usam temperaturas, pressões e tempos de exposição definidos pelo fabricante e validados para o equipamento e para a carga; o Técnico Auxiliar de Saúde não os decide. Outros métodos (óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogénio) são usados para material que não tolera calor e humidade.
O que o Técnico Auxiliar deve saber:
- material esterilizado está embalado, com indicador de processo e prazo de validade;
- embalagem rasgada, molhada, caída no chão ou fora de prazo torna o material não estéril: não se usa e devolve-se à central;
- o material não é esterilizado num serviço por iniciativa própria, e o Técnico Auxiliar de Saúde não decide ciclos, apenas cumpre circuitos e regras;
- o circuito é sempre do sujo para o limpo, sem cruzamentos.
Produtos químicos de limpeza e desinfeção
Selecionar o produto certo é parte do trabalho. Critérios:
- Finalidade: detergente (limpar), desinfetante (inativar microrganismos), detergente-desinfetante (as duas coisas).
- Espectro de ação: bactérias, vírus, fungos, esporos (o produto deve indicar a que se destina).
- Compatibilidade com o material (aço inox, plástico, estofos) e com outros produtos.
- Tempo de contacto e concentração, que constam da ficha técnica do fabricante.
- Segurança: pictogramas, frases de perigo e ficha de dados de segurança (FDS).
Exemplos frequentes: álcool etílico a 70 % em pequenas superfícies e equipamentos limpos (evapora, tem tempo de contacto curto); desinfetantes à base de cloro (hipoclorito de sódio) em casas de banho, derrames e ambientes com risco de gastroenterites ou esporos; compostos de amónio quaternário em superfícies gerais; detergentes enzimáticos em pré-limpeza de material.
Manuseamento e conservação de solutos
- Nunca misturar produtos (a mistura de lixívia com ácidos ou produtos amoniacais liberta gases tóxicos).
- Diluir segundo a ficha técnica, com água fria no caso do hipoclorito (a água quente decompõe-no e a solução perde atividade), primeiro a água e depois o produto, no momento do uso.
- Etiquetar os recipientes com nome, concentração, data e hora de preparação; nunca reutilizar embalagens de alimentos.
- Manter em local fresco, ao abrigo da luz e do calor, fechado, fora do alcance de utentes e visitantes.
- Respeitar o prazo de validade da solução diluída (o hipoclorito, por exemplo, perde atividade ao longo do tempo) e o prazo de validade do produto.
- Usar o EPI indicado na FDS: luvas, proteção ocular, avental.
- Em caso de derrame de produto, de projeção para olhos ou pele, seguir a FDS (lavar com água abundante) e comunicar.
A concentração de hipoclorito de sódio a usar na desinfeção geral e em derrames de sangue ou fluidos orgânicos consta da ficha técnica do produto e do POP da instituição, que prevalecem; o Técnico Auxiliar não improvisa diluições.
Como se lê uma diluição na ficha técnica
A ficha técnica nunca diz "use hipoclorito": diz quanto produto se põe em quanta água. Há três formas habituais de o escrever e todas se resolvem com a mesma conta.
| O que a ficha diz | Como se lê | Para um balde de 5 litros |
|---|---|---|
| 1:100 | uma parte de produto em cada 100 partes de solução final | 50 mL de produto, água até perfazer 5 L |
| 20 mL por litro | mede-se o produto e completa-se com água até ao litro | 100 mL de produto, água até perfazer 5 L |
| 2 % | 2 mL de produto em cada 100 mL de solução | 100 mL de produto, água até perfazer 5 L |
A regra é sempre a mesma: volume de produto = volume total a preparar ÷ número de partes. Num balde de 5 L, ou seja 5000 mL, uma diluição de 1:100 dá 5000 ÷ 100 = 50 mL de produto. Uma de 1:50 dá 5000 ÷ 50 = 100 mL. Estes números servem para treinar a conta: a diluição a usar é sempre a da ficha técnica.
Depois da conta, mantêm-se as regras: pôr primeiro a água e depois o produto, completando com água até ao volume pretendido; preparar no momento do uso; etiquetar com nome, concentração, data e hora; e usar o EPI da ficha de dados de segurança. A concentração de trabalho é a da ficha técnica e do POP, nunca uma estimativa a olho.
Etapas de um programa de limpeza
A limpeza de um quarto ou espaço segue etapas:
- Preparar: carrinho, panos, produtos, EPI, sinalização de piso molhado.
- Retirar resíduos e roupa, segundo os grupos.
- Limpar de cima para baixo e do mais limpo para o mais sujo (mobiliário e superfícies de contacto, depois casa de banho; chão no fim), com pano limpo para cada área.
- Desinfetar superfícies de grande contacto com o produto e o tempo de contacto indicados.
- Secar ou deixar secar.
- Repor consumíveis e tratar o material: lavar panos reutilizáveis, trocar águas, desinfetar baldes e carrinho.
- Remover EPI, higienizar as mãos e registar.
Exemplo resolvido · Derrame de sangue numa área de espera
Situação. Um utente deixa cair uma amostra com sangue no chão do corredor de uma unidade de saúde. A Técnica Auxiliar de Saúde está próxima.
Passo 1. Isolar a área e avisar outros para não passarem. Sem partilhar informação desnecessária com o público.
Passo 2. EPI: luvas resistentes e avental; proteção ocular se houver risco de salpico.
Passo 3. Remover o excesso com papel absorvente, sem esfregar para alastrar, e eliminar em saco de resíduos do grupo adequado (resíduo com sangue é, em regra, grupo III); se houver vidro partido, usar pinça ou pá, nunca as mãos, e depositar em contentor de cortantes.
Passo 4. Limpar a zona com detergente.
Passo 5. Desinfetar com o produto previsto no protocolo para derrames (por exemplo, hipoclorito de sódio, na concentração que a ficha técnica do produto indica para derrames de sangue), respeitando o tempo de contacto dessa ficha, e depois deixar secar.
Passo 6. Remover EPI, eliminar, higienizar as mãos.
Passo 7. Comunicar ao responsável e registar. Se alguém se expôs (pele ou mucosas), seguir o protocolo de exposição.
Conclusão. Cada fase tem uma razão: isolar protege terceiros, EPI protege o profissional, limpar antes de desinfetar garante eficácia.
10. Gestão de resíduos e de roupa hospitalar
Porquê gerir os resíduos
Os resíduos produzidos na prestação de cuidados de saúde incluem material inofensivo (papel, embalagens) e material perigoso (com sangue, secreções, cortantes, medicamentos citotóxicos). Misturá-los é perigoso por duas razões: expõe quem os manuseia ao risco e encarece e complica o tratamento, porque o que é contaminado exige tratamento próprio. A regra de ouro é: triar no local de produção, no momento em que o resíduo é produzido, e nunca reabrir o que já foi fechado.
Classificação em quatro grupos
O Despacho n.º 242/96 do Ministério da Saúde classifica os resíduos hospitalares em quatro grupos:
| Grupo | Designação | Exemplos | Destino de referência |
|---|---|---|---|
| I | resíduos equiparados a urbanos, sem exigências especiais de tratamento | papel, cartão, resíduos de escritório, restos de refeições, embalagens sem contaminação | recolha como resíduos urbanos (com reciclagem quando aplicável) |
| II | resíduos hospitalares não perigosos, que não estão sujeitos a tratamento específico | por exemplo, embalagens vazias de medicamentos, material ortopédico não contaminado, fraldas e resguardos não contaminados e sem vestígios de sangue | equiparados a urbanos, segundo o protocolo da unidade |
| III | resíduos hospitalares de risco biológico, contaminados ou suspeitos de contaminação | material com sangue ou fluidos orgânicos, fraldas de utentes com infeção, compressas, luvas e aventais usados em precauções, material de diálise | tratamento prévio (por exemplo, autoclavagem ou outro tratamento) antes de eliminação |
| IV | resíduos hospitalares específicos, de incineração obrigatória | peças anatómicas, material cortante e perfurante (agulhas, lâminas, lancetas), citotóxicos, outros resíduos com risco químico ou biológico elevado | incineração |
Os resíduos dos grupos I e II são tratados em conjunto, de modo geral, com os urbanos, e os dos grupos III e IV são os resíduos de risco, a que corresponde a legislação específica de transporte, armazenamento e tratamento, também enquadrada pelo regime geral de gestão de resíduos em vigor.
Acondicionamento: sacos, contentores e cores
- Grupo III: saco branco, resistente e estanque, identificado com a indicação de risco biológico.
- Grupo IV: saco vermelho, com a identificação própria.
- Cortantes e perfurantes: depositados em contentor rígido, imperfurável e estanque, de abertura simples com uma só mão, próprio para o efeito, sem reencapsular agulhas.
- Grupos I e II: sacos e contentores segundo o código de cores da unidade (por exemplo, para urbanos e para recicláveis).
As unidades podem ter regras e cores adicionais; o código de cores da instituição afixa-se junto dos pontos de produção.
Regras práticas, que constam das PBCI:
- Triar e eliminar junto ao local de produção.
- Depois de acondicionados, os resíduos não são manipulados (não se despejam, não se calcam, não se passam de saco para saco).
- Sacos e contentores de cortantes não se enchem além de dois terços, para permitir o fecho seguro.
- Contentores junto ao local de produção devem manter-se fechados, ser de abertura sem as mãos (pedal), ser facilmente higienizáveis, e quando se aplica têm data de abertura e de encerramento.
- Fechar bem o saco (nó ou abraçadeira), identificar com o serviço de origem e a data.
Transporte interno
O transporte interno dos resíduos dos pontos de produção ao local de armazenamento temporário faz-se:
- com EPI (luvas, avental, calçado fechado) e higiene das mãos no fim;
- em carros ou contentores fechados, de superfície lavável, dedicados a resíduos (nunca no carro de roupa limpa ou de refeições);
- por circuitos e horários definidos, evitando cruzamento com circuitos de roupa limpa, alimentos, utentes e visitantes;
- sem arrastar nem atirar sacos, sem os segurar junto ao corpo;
- depositando-os no armazém temporário (local fechado, identificado, ventilado, de acesso restrito), onde são recolhidos por operador autorizado.
Os carros, os contentores e o local de armazenamento são lavados e desinfetados segundo o protocolo.
Roupa hospitalar
A norma de PBCI é muito clara: toda a roupa usada é considerada contaminada, independentemente do aspeto, e manuseia-se com cuidado para não contaminar o ambiente nem o fardamento.
- Não sacudir nem agitar a roupa.
- Segurar afastada do corpo, com luvas (e avental se estiver húmida ou suja).
- Depositar de imediato em contentor disponível junto ao local de produção, sem a pousar no chão ou na cama.
- Separar só quando for necessário pelas características dos tecidos (sensibilidade ao calor, roupa de bebé, cobertores) e não pelo nível de contaminação.
- Sacos de roupa suja não se enchem a mais de dois terços; ficam em local fechado, ventilado, ao abrigo do calor e inacessível a crianças e animais.
- Roupa limpa em armários fechados e áreas reservadas, em prateleiras laváveis (a madeira é desaconselhada por ser porosa), e transportada em carros limpos e cobertos.
- Circuitos de roupa limpa e suja não se cruzam.
Roupa de utentes com precauções de contacto ou via aérea segue as indicações específicas do serviço. Roupa com derrame de sangue em quantidade ou com cortantes esquecidos exige atenção especial: verificar a presença de objetos antes de manusear, nunca apalpar a roupa com as mãos desprotegidas.
Proteção ambiental
Uma boa gestão de resíduos protege também o ambiente: evita que cortantes, medicamentos e químicos acabem em aterro comum ou em esgotos, diminui a carga de incineração e favorece a reciclagem dos grupos I e II. Nunca deitar medicamentos, produtos de limpeza concentrados ou líquidos orgânicos no lavatório sem indicação do protocolo.
Exemplo resolvido · Triar resíduos num serviço de internamento
Situação. Após a higiene de um utente com diarreia, a Técnica Auxiliar de Saúde tem nas mãos: luvas usadas, avental de plástico, fralda com fezes, embalagem de toalhetes, caixa de cartão da dispensa, e encontra no chão do quarto uma agulha de uma colega.
Passo 1. Luvas usadas, avental e fralda: contaminados com fluidos, grupo III, saco branco.
Passo 2. Embalagem de toalhetes: sem contaminação, grupo I ou II, contentor de urbanos ou reciclável, conforme as regras da unidade.
Passo 3. Caixa de cartão: grupo I, reciclagem.
Passo 4. Agulha: grupo IV, contentor de cortantes. Não tocar com as mãos: usar pinça ou pá e, se houver dúvida, pedir ajuda ao enfermeiro. Comunicar como ocorrência, porque uma agulha fora do contentor significa que alguém não cumpriu o circuito.
Passo 5. Fechar o saco branco a dois terços, identificar, transportar no carro fechado até ao armazém temporário. Retirar as luvas e higienizar as mãos.
Conclusão. Seis resíduos, quatro destinos. A decisão certa evita risco para colegas e custos para a unidade.
11. Prevenção da contaminação de amostras biológicas
As amostras biológicas (sangue, urina, fezes, expetoração, exsudados, líquidos) são colhidas por profissionais habilitados (enfermeiros, técnicos de análises, médicos) e seguem até ao laboratório. Do ponto de vista do Técnico Auxiliar de Saúde, o que se pede é colaborar no circuito de encaminhamento definido pela instituição e garantir que as amostras permanecem em condições ótimas de conservação e ausência de contaminação. Uma amostra mal acondicionada não é só um risco para quem a transporta: dá um resultado falso, e uma decisão clínica errada.
Duas proteções em simultâneo
| Proteger | Contra quê | Como |
|---|---|---|
| A amostra | contaminação do exterior (mãos, ambiente, outras amostras), degradação por tempo e temperatura | recipiente correto e fechado, identificação completa, transporte rápido, temperatura adequada |
| As pessoas | contacto com o material biológico | EPI, embalagens estanques, higiene das mãos, derrames tratados |
O circuito da amostra
O percurso típico é: colheita, identificação, acondicionamento, transporte, receção no laboratório, e o Técnico Auxiliar de Saúde intervém sobretudo no acondicionamento, no transporte interno e na entrega. As regras gerais:
- Identificação: a amostra segue identificada (nome ou código do utente, data e hora, tipo de produto, serviço) e acompanhada da requisição, fora do saco da amostra. Nunca se levam amostras sem identificação ou com etiqueta duvidosa: devolvem-se a quem as colheu.
- Recipiente: usar o recipiente adequado a cada análise e bem fechado, sem fugas, e limpo por fora. Nunca encher mais do que o indicado.
- Embalagem secundária: colocar os recipientes em saco ou caixa de transporte próprio, com compartimento separado para a requisição. Nunca nos bolsos, nunca soltos na mão.
- Transporte: em mala ou contentor rígido, lavável, fechado, com identificação de risco biológico, na vertical e protegido de choques.
- Tempo e temperatura: respeitar o prazo máximo até ao laboratório e a temperatura de conservação definidos no manual de colheitas (algumas amostras vão à temperatura ambiente, outras refrigeradas, e algumas nunca se refrigeram). O Técnico Auxiliar de Saúde não decide: segue a instrução do manual e pergunta, se não souber.
- Entrega: entregar diretamente no ponto de receção do laboratório, registando a hora e a pessoa que recebeu, quando o circuito o exige.
- Higiene das mãos antes e depois, luvas se houver risco de contacto com o exterior do recipiente.
Erros que contaminam ou estragam a amostra
- recipiente sujo por fora (urina, sangue), que contamina mãos e saco;
- tampa mal fechada ou recipiente cheio demais;
- requisição dentro do saco da amostra, que fica contaminada;
- amostras juntas de utentes diferentes sem separação, com risco de troca;
- demora excessiva no serviço;
- pousar a amostra em superfícies sujas ou junto de alimentos;
- tocar com luvas contaminadas em portas, botões do elevador, telemóvel.
Derrame ou rotura
Se uma amostra se parte ou derrama, procede-se como em qualquer derrame: isolar, EPI, absorver, limpar, desinfetar, eliminar como resíduo do grupo adequado, higienizar as mãos, comunicar à chefia e à pessoa que colheu a amostra, porque pode ser necessário repetir a colheita (e o utente deve ser informado por quem tem essa função).
Exemplo resolvido · Transporte de três amostras ao laboratório
Situação. Às 10h, o enfermeiro entrega ao Técnico Auxiliar de Saúde três amostras do serviço: uma urina, uma colheita de sangue e uma expetoração, com requisições. Uma das etiquetas está meio apagada e o recipiente da urina tem sinais de escorrimento no exterior.
Passo 1. Não transportar a amostra com etiqueta duvidosa: devolver ao enfermeiro, que a identifica ou repete a colheita.
Passo 2. Calçar luvas e limpar o exterior do recipiente da urina com toalhete desinfetante; confirmar que a tampa está bem fechada; trocar de luvas e higienizar as mãos.
Passo 3. Colocar cada recipiente em saco individual, com a requisição no bolso externo, e todos no contentor rígido, na vertical.
Passo 4. Verificar no manual os requisitos de cada amostra (prazo e temperatura) e transportar de imediato pelo circuito definido, sem paragens.
Passo 5. Entregar na receção do laboratório, registar hora e quem recebeu, limpar o contentor, retirar as luvas e higienizar as mãos.
Conclusão. A qualidade do resultado começa antes do laboratório. Cada passo protege a amostra e protege quem a leva.
12. Exposição ao risco biológico, segurança no trabalho e técnicas assépticas
Exposição acidental: o que é
A norma de PBCI define como exposição significativa:
- traumatismo percutâneo com cortante ou perfurante contaminado (picada ou corte);
- exposição de feridas ou de lesões da pele a sangue ou fluidos de risco;
- exposição de mucosas (boca, nariz, olhos) a salpicos de sangue ou de outros fluidos orgânicos de risco.
É um dos riscos mais importantes para os profissionais, porque pode transmitir agentes como os vírus das hepatites B e C e o VIH. O risco depende do tipo de exposição, do fluido e do estado do utente-fonte, e é avaliado por profissionais de saúde.
O que fazer, de imediato (autoexposição)
As etapas gerais, a seguir sempre o protocolo da instituição, são:
- Interromper a tarefa quando for seguro fazê-lo.
- Cuidados imediatos no local da exposição:
- picada ou corte: deixar sangrar livremente, não espremer nem esfregar, lavar abundantemente com água e sabão;
- mucosas ou olhos: irrigar abundantemente com água ou soro fisiológico;
- pele com contacto: lavar com água e sabão.
- Comunicar de imediato à chefia/enfermeiro responsável.
- Dirigir-se ao serviço indicado (medicina do trabalho, serviço de urgência ou saúde ocupacional), onde um profissional avalia o risco, pode propor análises e profilaxia pós-exposição quando necessária, que se inicia o mais cedo possível.
- Registar e participar o acidente de trabalho, nos termos da lei e do procedimento interno.
- Seguir o acompanhamento recomendado.
O Técnico Auxiliar de Saúde não decide se há risco nem se faz profilaxia, mas tem o dever de comunicar e de procurar avaliação imediata: demorar pode custar a eficácia do tratamento.
Exposição do utente
Há também exposição do utente a risco biológico: por exemplo, usar material não estéril, deixar cair material esterilizado para o chão, não limpar um equipamento entre dois utentes, falhar a higiene das mãos antes de um procedimento. Nestes casos: parar, não prosseguir com o material comprometido, avisar a equipa e registar a ocorrência, para que o utente seja avaliado e informado por quem tem competência para isso.
Prevenir a exposição acidental
- Nunca reencapsular agulhas, nem dobrar, partir ou desmontar à mão.
- Contentor de cortantes junto do local de uso, em posição estável, com abertura simples.
- Não encher acima de dois terços; fechar e substituir.
- Não transportar cortantes em bolsos, nem os deixar na roupa ou na cama.
- Usar dispositivos de segurança quando disponíveis.
- Vacinação atualizada, com a ajuda da medicina do trabalho.
- EPI adequado e cuidados com a pele das mãos.
- Formação contínua e simulacros.
Segurança, higiene e saúde no trabalho
O empregador tem de avaliar riscos, informar, formar e fornecer EPI gratuitamente. O trabalhador tem de cumprir as regras, usar os EPI e comunicar perigos e acidentes. No contexto desta UC, os riscos relevantes incluem risco biológico, risco químico (produtos de limpeza), risco ergonómico (levantamento de utentes, posturas), risco de queda (pisos molhados) e risco psicossocial. A sinalização de piso molhado, a ficha de dados de segurança dos produtos e as técnicas de movimentação fazem parte do mesmo cuidado.
Biossegurança e proteção ambiental
Biossegurança é o conjunto de medidas que protegem pessoas e ambiente do risco biológico: separar circuitos limpo e sujo, tratar resíduos, descontaminar material, controlar o acesso a zonas de risco, usar EPI e vacinar. Uma boa biossegurança evita infeções, protege a comunidade e reduz o impacto ambiental da atividade de saúde.
Técnicas assépticas
Assepsia é o conjunto de práticas que impedem que microrganismos cheguem a locais que devem estar livres deles: feridas, dispositivos invasivos, material esterilizado, campos de trabalho. Distinguem-se:
- Assepsia médica ou técnica limpa: reduz o número de microrganismos e evita a sua propagação (higiene das mãos, luvas limpas, material limpo).
- Assepsia cirúrgica ou técnica estéril: elimina os microrganismos do campo e do material (material estéril, luvas estéreis, campo estéril), usada em procedimentos invasivos por profissionais habilitados.
O Técnico Auxiliar de Saúde não executa procedimentos estéreis como cateterismos, pensos de feridas cirúrgicas ou punções, que são atos de enfermagem ou médicos. Mas contribui para a assepsia ao: higienizar as mãos nos momentos certos, preparar o ambiente (arrumar, limpar superfícies, remover resíduos), manter o material limpo longe do sujo, não contaminar o material estéril que lhe cabe manusear (por exemplo, abrir embalagens apenas quando solicitado), não interromper quem está a fazer um procedimento asséptico e não circular desnecessariamente no espaço.
Exemplo resolvido · Picada com agulha ao arrumar uma bandeja
Situação. Ao arrumar o carro de apoio, o Rui sente uma picada no dedo: uma agulha usada tinha ficado entre compressas.
Passo 1. Largar a tarefa com cuidado, sem pousar a agulha em local onde outros se possam picar (pedir ajuda ou colocá-la de imediato num contentor de cortantes se o puder fazer em segurança).
Passo 2. Deixar sangrar, sem espremer; lavar com água e sabão em abundância.
Passo 3. Comunicar de imediato ao enfermeiro responsável, indicando o que aconteceu e, se souber, a origem da agulha.
Passo 4. Seguir para o serviço indicado pelo protocolo para avaliação, com eventual análise ao utente-fonte (por quem tem competência) e profilaxia, se necessária.
Passo 5. Participar o acidente de trabalho e preencher o registo da instituição.
Passo 6. Analisar a causa com a chefia: por que razão a agulha estava entre as compressas? Foi reencapsulada? O contentor estava longe? Corrigir o circuito.
Conclusão. O que protege o Rui é a rapidez e o cumprimento do protocolo. O que protege os colegas é a análise da causa.
13. Vigilância, notificação, sensibilização e limites de intervenção
Vigilância e sinais de alerta
A vigilância é a recolha, análise e comunicação sistemática de informação sobre infeções, para detetar problemas cedo e agir. É feita por equipas especializadas, mas depende de observações do terreno, e o Técnico Auxiliar de Saúde é quem mais tempo passa junto do utente. Sinais de alerta que deve comunicar, sem os interpretar clinicamente:
- vários utentes do mesmo serviço, quarto ou piso com sintomas semelhantes (diarreia, vómitos, tosse, febre, erupção) em poucos dias;
- utente com febre, calafrios, confusão súbita, dor ou pele quente e vermelha em torno de uma ferida, sonda ou cateter;
- pus, mau cheiro ou aumento de drenagem em feridas;
- diarreia persistente, sobretudo após antibióticos;
- tosse prolongada, sobretudo com sangue ou emagrecimento;
- erupção cutânea que apareceu em vários residentes ou profissionais;
- falhas de limpeza, de EPI, de lavatórios ou contentores;
- profissionais com sintomas que continuam a trabalhar;
- reações adversas a medicamentos ou a produtos de saúde observadas no utente: comunicam-se à enfermagem, que as notifica pelo sistema de farmacovigilância.
Potencial de disseminação e surtos
Um surto é a ocorrência de um número de casos acima do esperado, num dado local e período, com uma ligação entre eles. Em unidades fechadas (ERPI, unidades de cuidados continuados, enfermarias), um surto espalha-se depressa porque os utentes partilham espaços, profissionais e equipamentos. Reconhecer cedo e notificar permite à estrutura local do PPCIRA e às autoridades de saúde coordenar medidas (isolamento, coortes de utentes e profissionais, reforço de limpeza, restrição de visitas).
Notificação e reporte
O que o Técnico Auxiliar de Saúde faz:
- Observar e anotar o que viu: quem, onde, quando, o quê.
- Comunicar imediatamente ao enfermeiro ou ao responsável técnico, seguindo a cadeia hierárquica do serviço, por via oral e por escrito, se o procedimento o exigir.
- Cumprir as medidas decididas (EPI, isolamento, limpeza reforçada).
- Registar as tarefas que lhe cabem.
- Não divulgar informações fora do circuito, em respeito pela confidencialidade.
A notificação oficial de doenças de declaração obrigatória e de surtos às autoridades de saúde é feita por profissionais de saúde com essa competência (médicos e enfermeiros, em articulação com a estrutura local do PPCIRA e a autoridade de saúde). A ocorrência (falha, incidente, quase-incidente) é reportada através do sistema de registo de incidentes da instituição.
Medidas corretivas
Depois de uma ocorrência, a unidade analisa a causa e define medidas corretivas: reforço de formação, mudança de circuitos, nova norma, aquisição de equipamento. O Técnico Auxiliar de Saúde contribui com sugestões e cumprindo as novas regras.
Educação e sensibilização de utentes e visitantes
Utentes e visitantes são, ao mesmo tempo, hospedeiros e vetores. Sensibilizá-los é uma técnica de prevenção. Princípios:
- linguagem simples, respeitosa e sem culpabilizar;
- mostrar (demonstração prática da fricção das mãos) em vez de apenas dizer;
- cartazes e folhetos nos locais certos (entrada, casas de banho, quartos);
- mensagens curtas: higienizar as mãos ao entrar e sair, cobrir a boca ao tossir, não visitar com sintomas, respeitar a sinalização de isolamento, não tocar em feridas ou dispositivos, não trazer alimentos quando proibido, usar o EPI quando indicado;
- adaptar a pessoas com dificuldades (idosos, pessoas com défice cognitivo, crianças, pessoas com língua diferente);
- encaminhar dúvidas clínicas para a equipa de enfermagem.
Prevenção e controlo da infeção nos vários âmbitos de cuidados
| Âmbito | Particularidades | Cuidados específicos |
|---|---|---|
| Cuidados de saúde primários (centros de saúde, USF, UCC) | grande fluxo de utentes, salas de espera partilhadas, consultas e visitas ao domicílio | etiqueta respiratória, triagem de sintomas à entrada, limpeza de macas e gabinetes entre utentes, transporte seguro de amostras do domicílio |
| Hospitais | doentes graves, dispositivos invasivos, bactérias multirresistentes, blocos operatórios | precauções por via de transmissão rigorosas, circuitos limpos e sujos, EPI e assepsia, resíduos de risco |
| Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) | internamentos longos, doentes frágeis, dispositivos, vida em comunidade | higiene das mãos, limpeza de equipamento partilhado, vigilância de surtos, vacinação |
| Estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) | pessoas idosas, espaços comuns, refeições partilhadas, poucos profissionais de saúde | lavagem de mãos antes das refeições, vigilância de sintomas, limpeza reforçada de espaços de convívio |
| Clínicas, com ou sem bloco operatório | procedimentos ambulatórios e cirúrgicos | assepsia, esterilização de material, circuitos de resíduos |
| Centros de apoio a populações socialmente fragilizadas | condições de higiene precárias, exposição acrescida a certas doenças (sarna, tuberculose) | triagem, informação, higiene das mãos acessível, deteção precoce |
Limites de intervenção, ética e conduta profissional
O Técnico Auxiliar de Saúde:
- atua dentro do âmbito de competência, sob supervisão de enfermeiro ou outro profissional responsável;
- não administra medicação, não realiza pensos, punções, cateterismos nem decide isolamentos ou terapêuticas;
- não faz diagnósticos nem informa familiares sobre o estado clínico;
- notifica o profissional de saúde sempre que deteta algo fora do normal;
- respeita a confidencialidade e a dignidade do utente, incluindo quando está em isolamento;
- não discrimina utentes com infeções (VIH, tuberculose, hepatites): aplica as mesmas precauções a todos;
- assume responsabilidade pelos seus atos, reconhece os seus erros e corrige-os;
- colabora com a equipa e participa na formação.
Normas e sistemas de qualidade
As unidades de saúde trabalham com sistemas de qualidade, em que as boas práticas são descritas em procedimentos operacionais padrão (POP), verificadas por auditorias e acompanhadas por indicadores (por exemplo, adesão à higiene das mãos, taxa de infeção). O Técnico Auxiliar de Saúde contribui com cumprimento rigoroso, registos legíveis e atempados, cooperação nas auditorias e comunicação de não conformidades. A melhoria contínua só acontece quando as falhas são reportadas e aprendidas, e não escondidas.
Exemplo resolvido · Suspeita de surto numa ERPI
Situação. Numa ERPI com 36 residentes, a Técnica Auxiliar de Saúde que faz o turno da manhã nota que quatro residentes do segundo piso tiveram tosse e febre nos últimos dois dias e uma funcionária da copa faltou ao serviço com sintomas semelhantes.
Passo 1. Reconhecer o sinal de alerta: vários casos com sintomas semelhantes num curto período e num mesmo espaço.
Passo 2. Aplicar as precauções básicas e, até indicação em contrário, máscara ao prestar cuidados a esses residentes (de acordo com o plano de contingência da ERPI).
Passo 3. Comunicar de imediato à responsável técnica ou ao enfermeiro de referência, dizendo quem, onde e desde quando, e por escrito quando for o procedimento.
Passo 4. Não comunicar diretamente a familiares nem a visitantes o que acha que se passa, nem sugerir diagnósticos. A decisão sobre o isolamento, o contacto com a autoridade de saúde e a comunicação às famílias cabe à direção técnica e aos profissionais de saúde.
Passo 5. Cumprir as medidas decididas: coorte de residentes, refeições nos quartos, restrição de visitas, limpeza reforçada das superfícies de contacto, roupa tratada como contaminada, resíduos em saco apropriado.
Passo 6. Participar na avaliação posterior: o que funcionou, o que falhou, que medidas corretivas se adotam.
Conclusão. Ver e dizer é o contributo decisivo. Quem interpreta, decide e informa de forma oficial são outros profissionais.
Erros comuns
- Higienizar as mãos "quando se lembra" em vez de nos cinco momentos: antes do contacto, antes de procedimento limpo ou asséptico, após risco de exposição a fluidos, após o contacto e após o contacto com o ambiente do utente.
- Usar fricção alcoólica com as mãos visivelmente sujas, ou em utentes com diarreia por C. difficile, quando é a lavagem com água e sabão que está indicada.
- Tratar as luvas como substituto da higiene das mãos, usando o mesmo par em vários utentes ou durante todo o turno.
- Retirar o EPI de forma descuidada: tocar no exterior da bata, puxar a máscara pela frente, sair do quarto com luvas.
- Calçar luvas sobre mãos sujas, ou com unhas compridas, verniz, anéis e pulseiras.
- Desinfetar sem limpar antes, ou limpar sem desinfetar as superfícies de grande contacto.
- Misturar produtos de limpeza (lixívia com ácidos ou amoníaco) ou reutilizar embalagens de alimentos para soluções.
- Preparar a solução desinfetante "a olho", sem seguir a ficha técnica, e deixá-la dias num balde descoberto.
- Usar material esterilizado com embalagem rasgada, molhada ou fora do prazo.
- Reencapsular agulhas, ou deixar cortantes em bolsos, camas e carros de apoio.
- Encher sacos e contentores de cortantes acima de dois terços, ou reabrir sacos já fechados para "corrigir" a triagem.
- Misturar resíduos de grupos diferentes, pondo cortantes em saco comum ou material contaminado no lixo urbano.
- Sacudir roupa suja ou pousá-la no chão, e cruzar o circuito de roupa suja com o da roupa limpa.
- Transportar amostras sem identificação, com o exterior sujo ou com a requisição dentro do saco, e deixá-las no serviço por horas.
- Demorar a comunicar uma picada ou um salpico, ou espremer o local, quando o que conta é lavar de imediato e procurar avaliação.
- Ignorar sinais de alerta (vários casos de diarreia ou tosse no mesmo piso) por "já ser habitual".
- Divulgar o estado infecioso de um utente a quem não precisa de saber, ou tratar de forma diferente utentes com VIH, hepatite ou tuberculose.
- Ultrapassar o âmbito de competência: decidir isolamentos, fazer pensos, administrar produtos ou informar familiares sobre o diagnóstico.
- Trabalhar doente, com diarreia, gripe ou lesões infetadas nas mãos, sem informar a chefia.
Glossário
- Agente infecioso: microrganismo capaz de causar doença (bactéria, vírus, fungo ou parasita).
- Antisséptico: substância usada em tecidos vivos (pele, mãos) para reduzir microrganismos.
- Assepsia: conjunto de práticas que impedem a chegada de microrganismos a locais que devem estar livres deles.
- Biossegurança: conjunto de medidas que protegem pessoas e ambiente do risco biológico.
- Cadeia epidemiológica: sequência de seis elos (agente, reservatório, porta de saída, via de transmissão, porta de entrada, hospedeiro suscetível) necessária para a transmissão.
- Colonização: presença e multiplicação de um microrganismo no corpo sem causar doença.
- Contaminação: presença de microrganismos ou sujidade numa superfície, num objeto ou numa amostra onde não deviam estar.
- Cortante e perfurante: material que corta ou fura (agulha, lâmina, lanceta), resíduo do grupo IV.
- Desinfeção: eliminação ou inativação da maioria dos microrganismos de uma superfície ou objeto.
- Descontaminação: processo que torna um objeto seguro para manuseamento ou uso, por limpeza, desinfeção ou esterilização.
- Detergente: produto que remove sujidade e matéria orgânica por ação química e mecânica.
- DGS: Direção-Geral da Saúde, autoridade que emite normas e coordena o PPCIRA a nível nacional.
- Esporo: forma de resistência de certas bactérias, que sobrevive no ambiente e não é destruída pelo álcool.
- Esterilização: eliminação de todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos.
- EPI: equipamento de proteção individual.
- ECDC: Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.
- Etiqueta respiratória: conjunto de medidas para conter as secreções ao tossir e espirrar.
- FDS: ficha de dados de segurança de um produto químico.
- Fricção antisséptica: higiene das mãos com solução de base alcoólica, até secar.
- Gotículas: partículas respiratórias grandes, de curto alcance, produzidas ao tossir, espirrar ou falar.
- Hospedeiro suscetível: pessoa que pode adoecer ao contactar com um agente infecioso.
- IACS: infeção associada aos cuidados de saúde.
- Infeção: invasão e multiplicação de um microrganismo nos tecidos, com reação do organismo.
- Lavagem das mãos: higiene das mãos com água e sabão.
- Microbiota: conjunto de microrganismos que vivem normalmente no corpo.
- Multirresistente: microrganismo resistente a vários antimicrobianos.
- OMS: Organização Mundial da Saúde.
- PBCI: precauções básicas do controlo da infeção, aplicáveis a todos os utentes.
- POP: procedimento operacional padrão.
- PPCIRA: Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos.
- Precauções baseadas na via de transmissão: medidas adicionais de contacto, gotículas ou via aérea.
- Reservatório: local onde o agente infecioso vive e se multiplica (humano, animal ou ambiente).
- Resistência aos antimicrobianos: capacidade de microrganismos sobreviverem a medicamentos que antes os eliminavam.
- Risco biológico: probabilidade de exposição a agentes biológicos capazes de causar dano.
- SABA: solução antisséptica de base alcoólica.
- Spaulding (classificação): classificação do material em crítico, semicrítico e não crítico, que determina o nível de descontaminação.
- Surto: número de casos acima do esperado, num local e período, com ligação entre eles.
- Técnica asséptica: procedimento que evita a contaminação de locais ou materiais que devem estar livres de microrganismos.
- Via de transmissão: forma como o agente passa do reservatório ao hospedeiro (contacto, gotículas, via aérea, veículo comum, vetores).
Síntese
A infeção só se transmite quando se completa a cadeia epidemiológica: agente, reservatório, porta de saída, via de transmissão, porta de entrada e hospedeiro suscetível. Todas as técnicas desta UC existem para cortar um elo. O profissional de saúde é, ao mesmo tempo, hospedeiro e vetor, e por isso as precauções básicas aplicam-se a todos os utentes, escolhidas pela tarefa e pela exposição previsível, e não pelo diagnóstico.
A higiene das mãos, nos cinco momentos, é a medida mais eficaz: fricção com solução de base alcoólica (cerca de 20 a 30 segundos) quando as mãos não estão visivelmente sujas, e lavagem com água e sabão (cerca de 40 a 60 segundos) quando estão sujas ou há infeção gastrointestinal. As luvas não a substituem. Os EPI escolhem-se pelo risco, colocam-se e retiram-se por uma sequência que evita a autocontaminação. Quando as precauções básicas não chegam, aplicam-se as precauções de contacto, gotículas e via aérea, decididas pela equipa clínica e cumpridas por todos.
Limpa-se antes de desinfetar, escolhe-se o produto pela ficha técnica, nunca se misturam produtos, e o nível de descontaminação depende do tipo de material (classificação de Spaulding). Os resíduos triam-se à origem pelos grupos I a IV, com cortantes em contentor imperfurável e sem encher além de dois terços; a roupa usada é sempre contaminada. As amostras biológicas seguem identificadas, fechadas, limpas por fora e no tempo e temperatura certos. Após uma exposição, lava-se, comunica-se e procura-se avaliação sem demora.
Tudo isto assenta no enquadramento do PPCIRA (nacional, regional e local), nas normas da DGS e nos POP de cada instituição. O Técnico Auxiliar de Saúde cumpre, observa, comunica e notifica, sempre dentro do seu âmbito e sob supervisão.
Exercícios resolvidos
1. Uma Técnica Auxiliar de Saúde vai mudar a roupa da cama de um utente e nota que está húmida de urina. Que EPI usa e que cuidados tem com a roupa?
Resolução: higiene das mãos antes; luvas e avental (a roupa está húmida e há contacto com fluidos). Não sacode a roupa, segura-a afastada do corpo e deposita-a de imediato no contentor junto ao local de produção, sem a pousar no chão. Fecha o saco a dois terços, retira as luvas e o avental e higieniza as mãos.
2. Um residente tem diarreia e suspeita de Clostridioides difficile. Que técnica de higiene das mãos se usa depois de lhe prestar cuidados?
Resolução: lavagem com água e sabão, e não apenas fricção alcoólica, porque os esporos de C. difficile não são destruídos pelo álcool e a lavagem remove-os mecanicamente. Dura cerca de 40 a 60 segundos, com enxaguamento e secagem com toalhete de uso único.
3. Associa cada situação ao momento de higiene das mãos: (a) antes de dar a mão a um utente para o levantar; (b) depois de arrumar a mesa de cabeceira; (c) antes de ajudar na higiene da cavidade oral; (d) depois de limpar vómito.
Resolução: (a) momento 1, antes do contacto com o utente; (b) momento 5, após contacto com o ambiente envolvente; (c) momento 2, antes de procedimento limpo (mucosas); (d) momento 3, após risco de exposição a fluidos orgânicos.
4. Que nível de descontaminação é exigido para cada item, segundo a classificação de Spaulding: (a) bisturi, (b) tensiómetro, (c) endoscópio?
Resolução: (a) material crítico, penetra tecido estéril: esterilização; (b) material não crítico, contacta pele íntegra: limpeza e desinfeção de baixo ou intermédio nível; (c) material semicrítico, contacta mucosas: esterilização ou desinfeção de alto nível, feita por serviço especializado.
5. Classifica os resíduos: (a) caixa de cartão da dispensa, (b) compressa com sangue, (c) agulha usada, (d) fralda de utente sem infeção.
Resolução: (a) grupo I, resíduo equiparado a urbano; (b) grupo III, risco biológico, saco branco; (c) grupo IV, cortante e perfurante, contentor imperfurável; (d) grupo II se não estiver contaminada nem tiver vestígios de sangue, e grupo III se estiver contaminada; na dúvida, aplicam-se as regras do serviço e pergunta-se ao responsável.
6. Um contentor de cortantes está cheio até ao topo. O que se deve fazer?
Resolução: não encher acima de dois terços. Um contentor excedido deve ser fechado com o fecho definitivo e substituído, evitando enfiar cortantes à mão ou empurrar. Regista-se a data de encerramento e comunica-se à chefia, porque o stock e a substituição fazem parte do circuito.
7. A solução de hipoclorito preparada ontem foi deixada num balde sem tampa e sem etiqueta. Pode usar-se?
Resolução: não. Sem etiqueta não se sabe a concentração, a data nem a hora; descoberta, perde atividade e liberta vapores. Elimina-se segundo o protocolo e prepara-se solução nova, no momento do uso, seguindo a ficha técnica e com EPI.
8. Uma amostra de urina chega ao ponto de recolha com a etiqueta a escorrer e a requisição dentro do saco, em contacto com o recipiente. O que está errado?
Resolução: a identificação está comprometida, o exterior do recipiente está contaminado e a requisição, que deve ir fora do saco, está molhada. Devolve-se a quem colheu para identificar de novo ou repetir a colheita, e a pessoa que transporta limpa o recipiente com EPI e higieniza as mãos.
9. Quais são as três categorias de exposição significativa a agentes microbianos no trabalho?
Resolução: (1) traumatismo percutâneo com cortante ou perfurante contaminado; (2) exposição de feridas ou lesões da pele a sangue ou fluidos de risco; (3) exposição de mucosas, incluindo a ocular, a salpicos de sangue ou outros fluidos orgânicos de risco.
10. O que distingue o que o Técnico Auxiliar de Saúde faz e não faz perante um utente em precauções por via aérea?
Resolução: faz: cumpre a sinalização, usa máscara de proteção respiratória FFP2 com ajuste, mantém a porta fechada, retira o EPI fora do quarto, limpa o equipamento e comunica sinais de alerta. Não faz: não decide o isolamento, não o levanta, não interpreta diagnósticos e não informa familiares sobre o estado clínico.