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UC · Unidade de Competência · UC05430

Sebenta · Aplicar moldes ou modelos em resina em placa molde (UC05430)

Do negativo ao vazamento, da placa molde à gitagem e alimentação
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Projeto de Moldes e Mod ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta cobre a UC "Aplicar moldes ou modelos em resina em placa molde", do curso Técnico/a de Projeto de Moldes e Modelos - Fundição. É uma UC de bancada e de precisão: aprende-se a reproduzir, em resina, moldes e modelos criados originalmente noutro material, e a montá-los numa placa molde, pronta para produção repetida em fundição.

O fio condutor são as cinco realizações do referencial oficial: preparar o processo de reprodução e o negativo, construir o negativo e efetuar o vazamento do molde, executar o acabamento e o controlo da qualidade, montar o(s) molde(s) na placa e construir o sistema de gitagem e de alimentação. Estas cinco etapas repetem-se sempre pela mesma ordem, e são a estrutura desta sebenta.

Objetivos de aprendizagem (referencial): selecionar e preparar materiais em função das características do molde a reproduzir; manusear resinas e desmoldantes com segurança; construir o negativo e o cheio interior em madeira; executar o vazamento de forma contínua e controlada; aplicar os procedimentos de desmoldação e acabamento; verificar a conformidade dimensional e superficial; definir o posicionamento dos modelos e montá-los na placa molde; construir o sistema de gitagem e de alimentação; e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção individual, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.

1. O ofício: da placa molde à peça fundida

Uma placa molde é a ferramenta que, montada na moldadora, dá origem à cavidade de um molde de areia usado na fundição. Sobre ela montam-se modelos (as formas positivas da peça a fundir) e o sistema de gitagem e alimentação que conduz o metal líquido até essa cavidade. É a ferramenta central da produção em série de peças fundidas.

O trabalho desta UC é aplicável a diferentes contextos da indústria metalomecânica: qualquer fundição que produza peças em série precisa de placas molde bem construídas para garantir repetibilidade, ciclo após ciclo, ao longo de milhares de moldações.

Modelo vs molde: os dois conceitos que não podem ser trocados

Esta troca de termos é a confusão mais comum de quem começa nesta área: mantém-se atenção a este par em todo o percurso.

Porque resina, e não maquinação direta em madeira

A reprodução em resina resolve um problema que a maquinação direta não resolve: produzir várias cópias idênticas de um modelo ou molde, sem repetir o trabalho de maquinação em madeira em cada peça.

Critério Maquinação direta (madeira) Reprodução em resina
Nº de cópias uma de cada vez dezenas a partir do mesmo negativo
Detalhe fino limitado pelo veio da madeira reproduz detalhe muito fino
Estabilidade ao uso repetido desgasta com o veio mais estável dimensionalmente
Investimento inicial menor por peça maior (negativo), amortizado pela série

O modelo original só é usado uma vez, para criar o negativo; a partir daí, o negativo é reutilizado para todas as reproduções seguintes.

2. Preparar o processo de reprodução

A primeira realização do referencial: preparar o processo de reprodução em resina e o negativo do molde a reproduzir. Nada se mistura ou vaza sem esta preparação.

Analisar o modelo e planear a reprodução

  1. Analisar a geometria do modelo ou molde original: contornos, saídas de molde, zonas de detalhe fino, contra-saídas.
  2. Definir o plano de partição: por onde o negativo se vai dividir (ou abrir, se for flexível) para libertar a peça reproduzida sem a prender.
  3. Escolher a técnica de negativo, normalmente silicone, por ser flexível e reproduzir detalhe fino, embora outros materiais possam ser usados consoante a geometria.
  4. Preparar o posto de trabalho: superfície nivelada e limpa, materiais de marcação (lápis, borrachas), balanças para dosear a resina com rigor.

Selecionar e preparar os materiais

Este é o primeiro critério de desempenho da UC: selecionando e preparando os materiais a utilizar em função das características do molde a reproduzir.

Material Função nesta fase
Madeiras estrutura de suporte e caixa (cheio interior) do negativo
Resinas reprodução do modelo/molde
Desmoldantes separação sem danos entre superfícies
Balanças doseamento rigoroso da resina
Materiais de escrita marcação de posições e do plano de partição

Exemplo resolvido · planear a reprodução de um modelo simples

Modelo: um bloco com um relevo central e paredes ligeiramente inclinadas (boas saídas de molde), sem contra-saídas.

  1. Geometria: paredes inclinadas → não há contra-saídas → não é preciso um negativo em várias partes, um negativo de peça única com abertura simples chega.
  2. Plano de partição: um único plano, na face oposta ao relevo, onde o negativo se vai abrir.
  3. Técnica: negativo em silicone de baixa dureza, para acompanhar bem o relevo sem rasgar ao desmoldar.
  4. Materiais: madeira para a caixa, resina epóxi para as reproduções (previstas para uso intensivo), desmoldante à base de cera.

Este raciocínio, geometria → plano de partição → técnica → materiais, aplica-se a qualquer modelo, do mais simples ao mais complexo.

3. Resinas: tipos, manuseamento e segurança

Famílias de resinas

Resina Características Uso típico nesta UC
Poliéster rápida, económica, mais frágil protótipos, séries curtas
Epóxi maior resistência mecânica e dimensional, cura mais lenta placas molde de produção
Poliuretano (PU) boa reprodução de detalhe, várias durezas disponíveis modelos e moldes de detalhe fino

Todas curam por reação química entre a resina e um endurecedor (catalisador), numa proporção fixa definida pelo fabricante, nunca "a olho".

Técnicas de manuseamento das resinas

Este é o segundo critério de desempenho da UC: manuseando as resinas e desmoldantes de acordo com as normas de segurança.

  1. Pesar os dois componentes na balança, respeitando a proporção da ficha técnica (por exemplo, 100:30 em peso).
  2. Misturar lentamente, raspando fundo e paredes do recipiente, sem bater ar para dentro.
  3. Desgaseificar, quando há câmara de vácuo disponível, para remover bolhas antes de vazar.
  4. Vazar dentro do pot life (tempo de vida útil da mistura antes de começar a gelificar).
  5. Respeitar o tempo de cura antes de desmoldar.

Exemplo resolvido · calcular a quantidade de mistura

Uma peça a reproduzir tem um volume estimado de 0,6 litros. A resina epóxi escolhida tem densidade aproximada de 1,1 kg/L e proporção de mistura 100:40 (resina:endurecedor, em peso).

  1. Massa total necessária: 0,6 L × 1,1 kg/L = 0,66 kg (≈ 660 g).
  2. Proporção total: 100 + 40 = 140 partes.
  3. Massa de resina: 660 × (100/140) ≈ 471 g.
  4. Massa de endurecedor: 660 × (40/140) ≈ 189 g.
  5. Somar sempre uma margem de segurança (5 a 10%) para perdas na mistura e no recipiente: preparar cerca de 730 g no total.

Este cálculo (volume → massa total pela densidade → repartir pela proporção → margem de segurança) aplica-se a qualquer mistura de resina.

Normas de segurança dos materiais

Resinas e desmoldantes são produtos químicos com riscos a gerir:

4. Desmoldantes

O desmoldante cria uma película que impede a resina de aderir à superfície em que é aplicado (negativo, modelo, ou uma peça já curada), permitindo separar sem danos.

Selecionar e aplicar o desmoldante

Tipo de desmoldante Uso típico
Cera superfícies rígidas, uso repetido
Líquido (silicone ou PVA) negativos de silicone, aplicações rápidas
Verniz selante + cera superfícies porosas (madeira, gesso), antes da cera

A escolha depende sempre do par de materiais em contacto: não existe desmoldante universal.

Aplicação correta:

  1. Superfície limpa e seca.
  2. Camadas finas e uniformes, com um pano ou pincel macio.
  3. Deixar secar entre camadas (normalmente 2 a 3 camadas).
  4. Cobrir toda a área que vai estar em contacto com a resina, sem exceção.

⚠️ Uma camada demasiado grossa de desmoldante prejudica a definição do detalhe fino reproduzido. Uma zona esquecida cola as peças de forma irreversível.

5. Construir o negativo do molde

O negativo é o molde intermédio, normalmente em silicone, construído a partir do modelo original. Regista todos os detalhes da sua superfície, invertidos, e é reutilizável para dezenas de reproduções.

Construir a estrutura de madeira do cheio interior

Esta é uma aptidão explícita da UC: construir a estrutura de madeira do cheio interior. É a caixa que contém o silicone (ou outro material do negativo) durante o vazamento.

  1. Medir o modelo e definir uma folga constante à sua volta (espessura mínima recomendada para o negativo aguentar o uso).
  2. Cortar e montar os painéis nas máquinas de trabalhar madeira (serra, garlopa), formando uma caixa estanque.
  3. Selar todas as juntas, para o silicone líquido não verter durante o vazamento.
  4. Fixar o modelo original no fundo da caixa, centrado, com a face a reproduzir voltada para cima.

Exemplo resolvido · dimensionar a caixa do negativo

Modelo com 200 mm × 150 mm × 40 mm de altura. Regra prática: folga lateral mínima de 20 mm e folga acima do modelo de 15 mm.

Uma caixa mais pequena do que isto deixa um negativo demasiado fino, frágil e sujeito a deformar-se ao longo do uso; uma caixa muito maior desperdiça silicone sem ganho de qualidade.

6. Vazamento do molde em resina

Terceiro critério de desempenho: executando o vazamento de forma contínua e controlada, evitando a incorporação de ar e a formação de defeitos.

Preparar o vazamento

Executar o vazamento

  1. Vazar num fio fino e contínuo, sem interromper.
  2. Verter de um ponto alto ou de canto, deixando o ar escapar à frente da resina.
  3. Encostar o recipiente à parede do negativo (ou usar funil), para reduzir a queda livre: a queda livre arrasta ar para dentro da mistura.
  4. Em zonas de detalhe fino, "pintar" a primeira camada com pincel antes de vazar o resto do volume, garantindo o preenchimento completo.
  5. Deixar em repouso, sem mexer, pelo tempo de cura indicado.

Exemplo resolvido · sequência de vazamento de uma peça com relevo

Negativo com um relevo central fino (um logótipo em baixo-relevo).

  1. Desgaseificar a mistura na câmara de vácuo (5 a 10 minutos, consoante a resina).
  2. Com um pincel, aplicar uma primeira camada fina de resina diretamente sobre o relevo, garantindo que preenche cada recanto sem ar.
  3. Deixar gelificar ligeiramente essa primeira camada (alguns minutos, consultar ficha técnica).
  4. Vazar o restante volume da resina em fio contínuo, a partir do canto mais alto do negativo.
  5. Deixar curar sem mexer.

Este método de "pincelar primeiro" é a técnica padrão para não perder detalhe fino em relevos ou gravações.

7. Defeitos de vazamento

A maioria dos defeitos nasce antes do vazamento, na preparação, mas manifestam-se depois, na peça curada.

Defeito Causa provável Prevenção
Bolhas de ar vazamento rápido, mistura mal desgaseificada vazar em fio fino, desgaseificar, pincel no detalhe
Vazios internos resina insuficiente, entrada mal escolhida reforçar volume, replanear entrada
Superfície pegajosa proporção de mistura errada, temperatura baixa pesar com rigor, respeitar temperatura mínima
Peça quebradiça desmoldação antes do tempo de cura total respeitar o tempo indicado pela ficha técnica
Marcas de junta negativo mal fechado ou desalinhado verificar alinhamento antes de vazar

8. Desmoldação e acabamento

Aplicar os procedimentos de desmoldação

Depois da cura, a peça sai do negativo seguindo procedimentos definidos:

  1. Confirmar, pela ficha técnica, que o tempo de cura foi cumprido.
  2. Soltar as margens do negativo com cuidado, sem forçar nem usar ferramentas afiadas junto à peça.
  3. Retirar a peça progressivamente, seguindo o plano de partição definido na preparação.
  4. Inspecionar de imediato a peça e o negativo, registando qualquer dano.

Acabamento final do molde reproduzido

O acabamento não é cosmético: uma rebarba na linha de junta reproduz-se em todas as peças fundidas seguintes, a partir desse molde.

9. Controlo da qualidade do molde reproduzido

Quarto e quinto critérios de desempenho: executando o acabamento final do molde de acordo com os requisitos técnicos e verificando a conformidade dimensional e superficial do molde.

Verificação dimensional

Verificação superficial

Exemplo resolvido · decidir sobre uma não conformidade

Uma peça reproduzida mede 199,3 mm onde o desenho pede 200,0 mm ± 0,3 mm.

  1. Calcular o desvio: 200,0 − 199,3 = 0,7 mm.
  2. Comparar com a tolerância: 0,7 mm > 0,3 mm → fora de tolerância.
  3. Decisão: rejeitar a peça e rever o processo (verificar se o negativo encolheu, se a proporção da mistura estava correta, se a temperatura ambiente foi respeitada) antes da próxima reprodução.

Sem este controlo sistemático, um desvio deste tipo só seria descoberto muito mais tarde, já na peça fundida em metal, e muito mais caro de corrigir.

10. A placa molde

A placa molde é a base sobre a qual se montam os modelos (formas positivas) e o sistema de gitagem e alimentação, para uso repetido na moldadora.

Equipamentos e materiais na construção da placa molde

Elemento Função
Base (madeira tratada, resina reforçada ou metal) suporte físico da montagem
Ferramentas de marcação e metrologia posicionar com rigor
Fixadores e pinos-guia garantir posição repetível na moldadora
Vernizes e tintas proteção contra o desgaste com a areia

11. Montar o(s) molde(s) na placa

Sexto critério de desempenho: definindo o posicionamento dos modelos na placa molde em função do processo de moldação.

Definir o posicionamento

Montar

  1. Marcar as posições finais com instrumentos de marcação e metrologia.
  2. Fixar cada modelo (colagem, parafusos ou pinos, consoante o sistema da placa).
  3. Verificar nivelamento e alinhamento entre todos os modelos.
  4. Confirmar que a superfície envolvente está lisa, sem obstáculos à compactação.

Exemplo resolvido · distribuir dois modelos numa placa

Placa útil de 400 mm × 300 mm; dois modelos de 100 mm × 80 mm cada, a montar lado a lado, com gitagem central.

  1. Regra prática: mínimo 40 mm entre modelos e bordas, para compactação uniforme.
  2. Espaço ocupado pelos dois modelos: 100 + 40 (espaço entre eles) + 100 = 240 mm, dentro dos 400 mm disponíveis.
  3. Reservar uma faixa central de 40 mm de largura entre os modelos para a bacia de vazamento e os canais de gitagem.
  4. Confirmar folgas às bordas: (400 − 240)/2 = 80 mm de cada lado, acima do mínimo de 40 mm: posicionamento validado.

12. Sistemas de gitagem e de alimentação

Sétimo critério de desempenho: executando o sistema de gitagem e alimentação de acordo com os requisitos do molde.

O sistema de gitagem

Conjunto de canais que conduz o metal líquido, do ponto de vazamento até à cavidade:

Elemento Função
Bacia de vazamento recebe o metal vertido pelo operador
Canal de descida (gito) conduz o metal em queda controlada
Canais de distribuição e ataque levam o metal a cada cavidade, controlando velocidade e turbulência

Regras de dimensionamento: entrada suave na cavidade, sem quedas livres nem mudanças bruscas de direção; secção decrescente do gito para o ataque; posição de entrada que evite jatos diretos contra paredes finas do molde (erosão da areia).

O sistema de alimentação

O metal, ao arrefecer, contrai. O sistema de alimentação compensa essa contração:

Gitagem enche; alimentação compensa a contração durante o arrefecimento. São funções diferentes e complementares, que se constroem e verificam como um único sistema.

Construir gitagem e alimentação na placa

  1. Marcar as posições da bacia, do gito e dos canais, segundo o plano dimensionado.
  2. Fixar os elementos de gitagem com o mesmo rigor de fixação dos modelos.
  3. Posicionar e fixar os massalotes sobre as zonas mais espessas.
  4. Verificar a continuidade do percurso completo, sem estrangulamentos nem desalinhamentos.

Exemplo resolvido · decidir a posição do massalote

Peça com uma secção espessa de 25 mm numa extremidade e uma secção fina de 6 mm na outra.

  1. Identificar qual solidifica por último: as secções mais espessas retêm calor durante mais tempo, logo é a de 25 mm que solidifica por último.
  2. O massalote posiciona-se sobre ou junto dessa secção espessa, nunca na fina.
  3. Se o massalote fosse colocado na secção fina, essa parte solidificaria antes de conseguir "alimentar" a zona espessa, e o rechupe formar-se-ia na secção espessa na mesma.

13. Acabamento, proteção final e normas transversais

Tratamento e proteção final da placa

Normas transversais a toda a UC

Oitavo e último critério de desempenho: cumprindo as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção individual, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.

Erros comuns

Glossário

Síntese

O percurso desta UC segue sempre a mesma ordem lógica: preparar o processo e analisar o modelo original → selecionar materiais (resinas, desmoldantes, madeiras) → construir o negativo e o cheio interior → vazar a resina de forma contínua e controlada → desmoldar e acabar a peça → controlar a qualidade dimensional e superficial → posicionar e montar os modelos na placa molde → construir a gitagem e a alimentaçãoacabar e proteger a placa final. Segurança, gestão de resíduos, proteção ambiental e normas da qualidade acompanham todas as etapas, do primeiro corte de madeira ao ciclo de teste final na moldadora.

Exercícios resolvidos

1. Um modelo tem paredes verticais retas, sem inclinação nenhuma. Que problema isto cria para a construção do negativo, e como se resolve?

Resolução: paredes verticais retas não têm saída de molde, o que dificulta ou impede desmoldar sem prender a peça. Resolve-se planeando um plano de partição que divida o negativo em mais do que uma parte, ou escolhendo um material de negativo suficientemente flexível (silicone macio) que consiga deformar-se ligeiramente para libertar a peça sem a danificar.

2. Uma mistura de resina começa a aquecer visivelmente no recipiente antes de terminar de vazar. O que aconteceu e o que se deve fazer?

Resolução: é a reação exotérmica da cura, acelerada porque foi preparada uma massa grande de resina de uma só vez. Deve interromper-se o vazamento dessa mistura (já comprometida) e, na próxima vez, preparar massas menores ou vazar em camadas sucessivas, respeitando o pot life de cada uma.

3. Depois de desmoldar, a peça em resina tem uma linha visível a meio, com uma pequena rebarba. Qual é a causa mais provável e como se corrige?

Resolução: é uma marca de junta, causada por um negativo mal fechado ou desalinhado no momento do vazamento. Corrige-se removendo a rebarba com lixa fina ou lâmina no acabamento; para a próxima reprodução, deve verificar-se o alinhamento e a vedação do negativo antes de vazar.

4. Porque é que se verifica a conformidade dimensional com um instrumento de medição, e não basta a inspeção visual?

Resolução: porque desvios pequenos (frações de milímetro) não são detetáveis a olho nu, mas ficam fora da tolerância definida no desenho técnico. Um instrumento como o paquímetro deteta esses desvios antes de a peça avançar para a fase seguinte, evitando que um erro dimensional se propague até à peça fundida final.

5. Numa placa molde de face dupla, porque é que o alinhamento entre os modelos de cada face é ainda mais crítico do que numa placa de face simples?

Resolução: porque, na face dupla, cada face vai moldar uma metade da cavidade final, e as duas metades têm de coincidir com rigor quando as caixas de moldação se juntam. Um desalinhamento entre as faces resulta numa peça fundida com as duas metades desencontradas (rebarba excessiva ou desvio dimensional na linha de junção).

6. Uma peça fundida a partir desta placa molde apresenta sistematicamente um rechupe na mesma zona espessa. O sistema de gitagem enche bem a cavidade. Qual é a causa mais provável?

Resolução: a causa não está na gitagem (que enche corretamente), mas no sistema de alimentação: o massalote não está bem posicionado sobre essa zona espessa, ou é insuficiente para compensar a contração do metal ao solidificar. Deve reposicionar-se ou redimensionar-se o massalote sobre a zona identificada.

7. Que três normas do referencial se aplicam simultaneamente durante a mistura de uma resina epóxi em bancada, e porquê?

Resolução: normas de segurança e saúde no trabalho (manuseamento seguro do produto químico), normas de proteção individual (uso de EPI: luvas, óculos, máscara) e normas de gestão de resíduos (destino correto de sobras de mistura e recipientes contaminados). As três aplicam-se em simultâneo porque a mistura de resina é, ao mesmo tempo, uma operação técnica e uma operação de risco químico.