Sebenta · Aplicar moldes ou modelos em resina em placa molde (UC05430)
- Introdução
- 1. O ofício: da placa molde à peça fundida
- 2. Preparar o processo de reprodução
- 3. Resinas: tipos, manuseamento e segurança
- 4. Desmoldantes
- 5. Construir o negativo do molde
- 6. Vazamento do molde em resina
- 7. Defeitos de vazamento
- 8. Desmoldação e acabamento
- 9. Controlo da qualidade do molde reproduzido
- 10. A placa molde
- 11. Montar o(s) molde(s) na placa
- 12. Sistemas de gitagem e de alimentação
- 13. Acabamento, proteção final e normas transversais
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta cobre a UC "Aplicar moldes ou modelos em resina em placa molde", do curso Técnico/a de Projeto de Moldes e Modelos - Fundição. É uma UC de bancada e de precisão: aprende-se a reproduzir, em resina, moldes e modelos criados originalmente noutro material, e a montá-los numa placa molde, pronta para produção repetida em fundição.
O fio condutor são as cinco realizações do referencial oficial: preparar o processo de reprodução e o negativo, construir o negativo e efetuar o vazamento do molde, executar o acabamento e o controlo da qualidade, montar o(s) molde(s) na placa e construir o sistema de gitagem e de alimentação. Estas cinco etapas repetem-se sempre pela mesma ordem, e são a estrutura desta sebenta.
Objetivos de aprendizagem (referencial): selecionar e preparar materiais em função das características do molde a reproduzir; manusear resinas e desmoldantes com segurança; construir o negativo e o cheio interior em madeira; executar o vazamento de forma contínua e controlada; aplicar os procedimentos de desmoldação e acabamento; verificar a conformidade dimensional e superficial; definir o posicionamento dos modelos e montá-los na placa molde; construir o sistema de gitagem e de alimentação; e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção individual, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.
1. O ofício: da placa molde à peça fundida
Uma placa molde é a ferramenta que, montada na moldadora, dá origem à cavidade de um molde de areia usado na fundição. Sobre ela montam-se modelos (as formas positivas da peça a fundir) e o sistema de gitagem e alimentação que conduz o metal líquido até essa cavidade. É a ferramenta central da produção em série de peças fundidas.
O trabalho desta UC é aplicável a diferentes contextos da indústria metalomecânica: qualquer fundição que produza peças em série precisa de placas molde bem construídas para garantir repetibilidade, ciclo após ciclo, ao longo de milhares de moldações.
Modelo vs molde: os dois conceitos que não podem ser trocados
- Modelo: a forma positiva da peça. É o que se monta na placa e o que, pressionado na areia, deixa a sua marca.
- Molde: a cavidade negativa que recebe o metal líquido. Na moldação em areia, é a marca que o modelo deixa; nesta UC, também se chama molde à peça em resina que se reproduz para dar origem a essa cavidade.
Esta troca de termos é a confusão mais comum de quem começa nesta área: mantém-se atenção a este par em todo o percurso.
Porque resina, e não maquinação direta em madeira
A reprodução em resina resolve um problema que a maquinação direta não resolve: produzir várias cópias idênticas de um modelo ou molde, sem repetir o trabalho de maquinação em madeira em cada peça.
| Critério | Maquinação direta (madeira) | Reprodução em resina |
|---|---|---|
| Nº de cópias | uma de cada vez | dezenas a partir do mesmo negativo |
| Detalhe fino | limitado pelo veio da madeira | reproduz detalhe muito fino |
| Estabilidade ao uso repetido | desgasta com o veio | mais estável dimensionalmente |
| Investimento inicial | menor por peça | maior (negativo), amortizado pela série |
O modelo original só é usado uma vez, para criar o negativo; a partir daí, o negativo é reutilizado para todas as reproduções seguintes.
2. Preparar o processo de reprodução
A primeira realização do referencial: preparar o processo de reprodução em resina e o negativo do molde a reproduzir. Nada se mistura ou vaza sem esta preparação.
Analisar o modelo e planear a reprodução
- Analisar a geometria do modelo ou molde original: contornos, saídas de molde, zonas de detalhe fino, contra-saídas.
- Definir o plano de partição: por onde o negativo se vai dividir (ou abrir, se for flexível) para libertar a peça reproduzida sem a prender.
- Escolher a técnica de negativo, normalmente silicone, por ser flexível e reproduzir detalhe fino, embora outros materiais possam ser usados consoante a geometria.
- Preparar o posto de trabalho: superfície nivelada e limpa, materiais de marcação (lápis, borrachas), balanças para dosear a resina com rigor.
Selecionar e preparar os materiais
Este é o primeiro critério de desempenho da UC: selecionando e preparando os materiais a utilizar em função das características do molde a reproduzir.
| Material | Função nesta fase |
|---|---|
| Madeiras | estrutura de suporte e caixa (cheio interior) do negativo |
| Resinas | reprodução do modelo/molde |
| Desmoldantes | separação sem danos entre superfícies |
| Balanças | doseamento rigoroso da resina |
| Materiais de escrita | marcação de posições e do plano de partição |
Exemplo resolvido · planear a reprodução de um modelo simples
Modelo: um bloco com um relevo central e paredes ligeiramente inclinadas (boas saídas de molde), sem contra-saídas.
- Geometria: paredes inclinadas → não há contra-saídas → não é preciso um negativo em várias partes, um negativo de peça única com abertura simples chega.
- Plano de partição: um único plano, na face oposta ao relevo, onde o negativo se vai abrir.
- Técnica: negativo em silicone de baixa dureza, para acompanhar bem o relevo sem rasgar ao desmoldar.
- Materiais: madeira para a caixa, resina epóxi para as reproduções (previstas para uso intensivo), desmoldante à base de cera.
Este raciocínio, geometria → plano de partição → técnica → materiais, aplica-se a qualquer modelo, do mais simples ao mais complexo.
3. Resinas: tipos, manuseamento e segurança
Famílias de resinas
| Resina | Características | Uso típico nesta UC |
|---|---|---|
| Poliéster | rápida, económica, mais frágil | protótipos, séries curtas |
| Epóxi | maior resistência mecânica e dimensional, cura mais lenta | placas molde de produção |
| Poliuretano (PU) | boa reprodução de detalhe, várias durezas disponíveis | modelos e moldes de detalhe fino |
Todas curam por reação química entre a resina e um endurecedor (catalisador), numa proporção fixa definida pelo fabricante, nunca "a olho".
Técnicas de manuseamento das resinas
Este é o segundo critério de desempenho da UC: manuseando as resinas e desmoldantes de acordo com as normas de segurança.
- Pesar os dois componentes na balança, respeitando a proporção da ficha técnica (por exemplo, 100:30 em peso).
- Misturar lentamente, raspando fundo e paredes do recipiente, sem bater ar para dentro.
- Desgaseificar, quando há câmara de vácuo disponível, para remover bolhas antes de vazar.
- Vazar dentro do pot life (tempo de vida útil da mistura antes de começar a gelificar).
- Respeitar o tempo de cura antes de desmoldar.
Exemplo resolvido · calcular a quantidade de mistura
Uma peça a reproduzir tem um volume estimado de 0,6 litros. A resina epóxi escolhida tem densidade aproximada de 1,1 kg/L e proporção de mistura 100:40 (resina:endurecedor, em peso).
- Massa total necessária: 0,6 L × 1,1 kg/L = 0,66 kg (≈ 660 g).
- Proporção total: 100 + 40 = 140 partes.
- Massa de resina: 660 × (100/140) ≈ 471 g.
- Massa de endurecedor: 660 × (40/140) ≈ 189 g.
- Somar sempre uma margem de segurança (5 a 10%) para perdas na mistura e no recipiente: preparar cerca de 730 g no total.
Este cálculo (volume → massa total pela densidade → repartir pela proporção → margem de segurança) aplica-se a qualquer mistura de resina.
Normas de segurança dos materiais
Resinas e desmoldantes são produtos químicos com riscos a gerir:
- Consultar a ficha de dados de segurança (FDS) de cada produto antes de o usar.
- Usar sempre EPI: luvas resistentes a químicos, óculos de proteção, máscara com filtro para vapores orgânicos, avental.
- Trabalhar em espaço ventilado.
- Não vazar grandes massas de resina de uma só vez sem controlo: a cura é uma reação exotérmica (liberta calor), e massas grandes podem sobreaquecer.
4. Desmoldantes
O desmoldante cria uma película que impede a resina de aderir à superfície em que é aplicado (negativo, modelo, ou uma peça já curada), permitindo separar sem danos.
Selecionar e aplicar o desmoldante
| Tipo de desmoldante | Uso típico |
|---|---|
| Cera | superfícies rígidas, uso repetido |
| Líquido (silicone ou PVA) | negativos de silicone, aplicações rápidas |
| Verniz selante + cera | superfícies porosas (madeira, gesso), antes da cera |
A escolha depende sempre do par de materiais em contacto: não existe desmoldante universal.
Aplicação correta:
- Superfície limpa e seca.
- Camadas finas e uniformes, com um pano ou pincel macio.
- Deixar secar entre camadas (normalmente 2 a 3 camadas).
- Cobrir toda a área que vai estar em contacto com a resina, sem exceção.
⚠️ Uma camada demasiado grossa de desmoldante prejudica a definição do detalhe fino reproduzido. Uma zona esquecida cola as peças de forma irreversível.
5. Construir o negativo do molde
O negativo é o molde intermédio, normalmente em silicone, construído a partir do modelo original. Regista todos os detalhes da sua superfície, invertidos, e é reutilizável para dezenas de reproduções.
Construir a estrutura de madeira do cheio interior
Esta é uma aptidão explícita da UC: construir a estrutura de madeira do cheio interior. É a caixa que contém o silicone (ou outro material do negativo) durante o vazamento.
- Medir o modelo e definir uma folga constante à sua volta (espessura mínima recomendada para o negativo aguentar o uso).
- Cortar e montar os painéis nas máquinas de trabalhar madeira (serra, garlopa), formando uma caixa estanque.
- Selar todas as juntas, para o silicone líquido não verter durante o vazamento.
- Fixar o modelo original no fundo da caixa, centrado, com a face a reproduzir voltada para cima.
Exemplo resolvido · dimensionar a caixa do negativo
Modelo com 200 mm × 150 mm × 40 mm de altura. Regra prática: folga lateral mínima de 20 mm e folga acima do modelo de 15 mm.
- Comprimento interno da caixa: 200 + (2 × 20) = 240 mm.
- Largura interna: 150 + (2 × 20) = 190 mm.
- Altura interna: 40 + 15 = 55 mm.
Uma caixa mais pequena do que isto deixa um negativo demasiado fino, frágil e sujeito a deformar-se ao longo do uso; uma caixa muito maior desperdiça silicone sem ganho de qualidade.
6. Vazamento do molde em resina
Terceiro critério de desempenho: executando o vazamento de forma contínua e controlada, evitando a incorporação de ar e a formação de defeitos.
Preparar o vazamento
- Confirmar que o negativo está limpo, seco e com desmoldante em toda a área de contacto.
- Pesar os componentes da resina, seguir a ficha técnica.
- Preparar recipientes, espátulas, funil e, se disponível, a câmara de vácuo.
- Planear o ponto de entrada da resina, de forma a encher sem prender ar.
Executar o vazamento
- Vazar num fio fino e contínuo, sem interromper.
- Verter de um ponto alto ou de canto, deixando o ar escapar à frente da resina.
- Encostar o recipiente à parede do negativo (ou usar funil), para reduzir a queda livre: a queda livre arrasta ar para dentro da mistura.
- Em zonas de detalhe fino, "pintar" a primeira camada com pincel antes de vazar o resto do volume, garantindo o preenchimento completo.
- Deixar em repouso, sem mexer, pelo tempo de cura indicado.
Exemplo resolvido · sequência de vazamento de uma peça com relevo
Negativo com um relevo central fino (um logótipo em baixo-relevo).
- Desgaseificar a mistura na câmara de vácuo (5 a 10 minutos, consoante a resina).
- Com um pincel, aplicar uma primeira camada fina de resina diretamente sobre o relevo, garantindo que preenche cada recanto sem ar.
- Deixar gelificar ligeiramente essa primeira camada (alguns minutos, consultar ficha técnica).
- Vazar o restante volume da resina em fio contínuo, a partir do canto mais alto do negativo.
- Deixar curar sem mexer.
Este método de "pincelar primeiro" é a técnica padrão para não perder detalhe fino em relevos ou gravações.
7. Defeitos de vazamento
A maioria dos defeitos nasce antes do vazamento, na preparação, mas manifestam-se depois, na peça curada.
| Defeito | Causa provável | Prevenção |
|---|---|---|
| Bolhas de ar | vazamento rápido, mistura mal desgaseificada | vazar em fio fino, desgaseificar, pincel no detalhe |
| Vazios internos | resina insuficiente, entrada mal escolhida | reforçar volume, replanear entrada |
| Superfície pegajosa | proporção de mistura errada, temperatura baixa | pesar com rigor, respeitar temperatura mínima |
| Peça quebradiça | desmoldação antes do tempo de cura total | respeitar o tempo indicado pela ficha técnica |
| Marcas de junta | negativo mal fechado ou desalinhado | verificar alinhamento antes de vazar |
8. Desmoldação e acabamento
Aplicar os procedimentos de desmoldação
Depois da cura, a peça sai do negativo seguindo procedimentos definidos:
- Confirmar, pela ficha técnica, que o tempo de cura foi cumprido.
- Soltar as margens do negativo com cuidado, sem forçar nem usar ferramentas afiadas junto à peça.
- Retirar a peça progressivamente, seguindo o plano de partição definido na preparação.
- Inspecionar de imediato a peça e o negativo, registando qualquer dano.
Acabamento final do molde reproduzido
- Remover rebarbas deixadas pela linha de junta, com lixa fina ou lâmina.
- Lixar progressivamente, do grão mais grosso para o mais fino, para uma superfície lisa.
- Corrigir pequenos defeitos (bolhas superficiais, marcas) com massa própria para resina, quando aplicável.
- Preparar a superfície para receber vernizes e tintas de proteção, se aplicável.
O acabamento não é cosmético: uma rebarba na linha de junta reproduz-se em todas as peças fundidas seguintes, a partir desse molde.
9. Controlo da qualidade do molde reproduzido
Quarto e quinto critérios de desempenho: executando o acabamento final do molde de acordo com os requisitos técnicos e verificando a conformidade dimensional e superficial do molde.
Verificação dimensional
- Medir cotas críticas com instrumentos adequados (paquímetro, calibres).
- Comparar com o desenho técnico do modelo original ou com uma amostra de referência aprovada.
- Registar desvios: acima da tolerância definida, a peça é rejeitada.
Verificação superficial
- Inspeção visual e ao tato, à procura de bolhas, rebarbas, marcas de junta ou zonas mal preenchidas.
- Comparação direta com o modelo original.
Exemplo resolvido · decidir sobre uma não conformidade
Uma peça reproduzida mede 199,3 mm onde o desenho pede 200,0 mm ± 0,3 mm.
- Calcular o desvio: 200,0 − 199,3 = 0,7 mm.
- Comparar com a tolerância: 0,7 mm > 0,3 mm → fora de tolerância.
- Decisão: rejeitar a peça e rever o processo (verificar se o negativo encolheu, se a proporção da mistura estava correta, se a temperatura ambiente foi respeitada) antes da próxima reprodução.
Sem este controlo sistemático, um desvio deste tipo só seria descoberto muito mais tarde, já na peça fundida em metal, e muito mais caro de corrigir.
10. A placa molde
A placa molde é a base sobre a qual se montam os modelos (formas positivas) e o sistema de gitagem e alimentação, para uso repetido na moldadora.
- Face simples: modelos de um lado só.
- Face dupla: modelos de ambos os lados, para moldar as duas metades de uma vez.
- Construída para resistir a uso repetido: impactos, compactação da areia, atrito.
Equipamentos e materiais na construção da placa molde
| Elemento | Função |
|---|---|
| Base (madeira tratada, resina reforçada ou metal) | suporte físico da montagem |
| Ferramentas de marcação e metrologia | posicionar com rigor |
| Fixadores e pinos-guia | garantir posição repetível na moldadora |
| Vernizes e tintas | proteção contra o desgaste com a areia |
11. Montar o(s) molde(s) na placa
Sexto critério de desempenho: definindo o posicionamento dos modelos na placa molde em função do processo de moldação.
Definir o posicionamento
- Distância suficiente entre modelos e das bordas, para a areia compactar bem.
- Ter em conta o plano de partição da moldação.
- Reservar espaço para a gitagem e alimentação, que também vão ser montadas.
- Verificar a direção de desmoldação: todos os modelos devem sair livremente.
Montar
- Marcar as posições finais com instrumentos de marcação e metrologia.
- Fixar cada modelo (colagem, parafusos ou pinos, consoante o sistema da placa).
- Verificar nivelamento e alinhamento entre todos os modelos.
- Confirmar que a superfície envolvente está lisa, sem obstáculos à compactação.
Exemplo resolvido · distribuir dois modelos numa placa
Placa útil de 400 mm × 300 mm; dois modelos de 100 mm × 80 mm cada, a montar lado a lado, com gitagem central.
- Regra prática: mínimo 40 mm entre modelos e bordas, para compactação uniforme.
- Espaço ocupado pelos dois modelos: 100 + 40 (espaço entre eles) + 100 = 240 mm, dentro dos 400 mm disponíveis.
- Reservar uma faixa central de 40 mm de largura entre os modelos para a bacia de vazamento e os canais de gitagem.
- Confirmar folgas às bordas: (400 − 240)/2 = 80 mm de cada lado, acima do mínimo de 40 mm: posicionamento validado.
12. Sistemas de gitagem e de alimentação
Sétimo critério de desempenho: executando o sistema de gitagem e alimentação de acordo com os requisitos do molde.
O sistema de gitagem
Conjunto de canais que conduz o metal líquido, do ponto de vazamento até à cavidade:
| Elemento | Função |
|---|---|
| Bacia de vazamento | recebe o metal vertido pelo operador |
| Canal de descida (gito) | conduz o metal em queda controlada |
| Canais de distribuição e ataque | levam o metal a cada cavidade, controlando velocidade e turbulência |
Regras de dimensionamento: entrada suave na cavidade, sem quedas livres nem mudanças bruscas de direção; secção decrescente do gito para o ataque; posição de entrada que evite jatos diretos contra paredes finas do molde (erosão da areia).
O sistema de alimentação
O metal, ao arrefecer, contrai. O sistema de alimentação compensa essa contração:
- Massalote (riser): reserva de metal líquido ligada à zona que solidifica por último.
- Posiciona-se sobre as zonas mais espessas da peça.
- Sem alimentação adequada, formam-se rechupes (cavidades internas de contração).
Gitagem enche; alimentação compensa a contração durante o arrefecimento. São funções diferentes e complementares, que se constroem e verificam como um único sistema.
Construir gitagem e alimentação na placa
- Marcar as posições da bacia, do gito e dos canais, segundo o plano dimensionado.
- Fixar os elementos de gitagem com o mesmo rigor de fixação dos modelos.
- Posicionar e fixar os massalotes sobre as zonas mais espessas.
- Verificar a continuidade do percurso completo, sem estrangulamentos nem desalinhamentos.
Exemplo resolvido · decidir a posição do massalote
Peça com uma secção espessa de 25 mm numa extremidade e uma secção fina de 6 mm na outra.
- Identificar qual solidifica por último: as secções mais espessas retêm calor durante mais tempo, logo é a de 25 mm que solidifica por último.
- O massalote posiciona-se sobre ou junto dessa secção espessa, nunca na fina.
- Se o massalote fosse colocado na secção fina, essa parte solidificaria antes de conseguir "alimentar" a zona espessa, e o rechupe formar-se-ia na secção espessa na mesma.
13. Acabamento, proteção final e normas transversais
Tratamento e proteção final da placa
- Lixar toda a superfície para remover arestas e imperfeições.
- Aplicar vernizes e tintas de proteção adequados ao material e ao atrito com a areia.
- Verificar pinos-guia e fixadores.
- Fazer um ciclo de teste de moldação antes de entrar em produção.
Normas transversais a toda a UC
Oitavo e último critério de desempenho: cumprindo as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção individual, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.
- Segurança e saúde: EPI sempre, ventilação nas zonas de mistura, atenção nas máquinas de trabalhar madeira.
- Gestão de resíduos: separar sobras de resina curada, recipientes contaminados e desmoldantes usados.
- Proteção ambiental: evitar descargas de resinas/solventes, usar as quantidades estritamente necessárias.
- Qualidade: seguir os procedimentos definidos em cada etapa e registar não conformidades.
Erros comuns
- Vazar depressa e de alto, batendo ar para dentro da resina e criando bolhas.
- Não consultar a ficha técnica da resina, doseando "a olho" e comprometendo a cura.
- Aplicar desmoldante em camada grossa, perdendo definição de detalhe fino.
- Esquecer o desmoldante numa zona, colando peça e negativo de forma irreversível.
- Desmoldar antes do tempo de cura total, deformando ou fragilizando a peça.
- Confundir massalote com gito, tratando-os como o mesmo elemento do sistema.
- Posicionar o massalote na secção fina da peça em vez da mais espessa, sem resolver o rechupe.
- Não fazer o ciclo de teste da placa antes de entrar em produção.
Glossário
- Modelo: forma positiva da peça, que se monta na placa e deixa a sua marca na areia.
- Molde: cavidade negativa que recebe o metal líquido.
- Negativo: molde intermédio, em silicone ou material flexível, feito a partir do modelo original, reutilizável.
- Cheio interior: caixa (normalmente de madeira) que contém o material do negativo durante o vazamento.
- Plano de partição: local por onde o negativo (ou a caixa de moldação) se divide para libertar a peça.
- Pot life: tempo de vida útil da mistura de resina antes de começar a gelificar.
- Desmoldante: produto que impede a resina de aderir à superfície de contacto.
- Placa molde: base onde se montam os modelos e o sistema de gitagem/alimentação para uso repetido na moldadora.
- Gitagem: conjunto de canais que conduz o metal líquido até à cavidade do molde.
- Gito: canal de descida principal do sistema de gitagem.
- Massalote (riser): reserva de metal ligada à zona de solidificação mais tardia, que compensa a contração.
- Rechupe: cavidade interna de contração numa peça fundida, causada por alimentação insuficiente.
- EPI: equipamento de proteção individual.
- FDS: ficha de dados de segurança de um produto químico.
Síntese
O percurso desta UC segue sempre a mesma ordem lógica: preparar o processo e analisar o modelo original → selecionar materiais (resinas, desmoldantes, madeiras) → construir o negativo e o cheio interior → vazar a resina de forma contínua e controlada → desmoldar e acabar a peça → controlar a qualidade dimensional e superficial → posicionar e montar os modelos na placa molde → construir a gitagem e a alimentação → acabar e proteger a placa final. Segurança, gestão de resíduos, proteção ambiental e normas da qualidade acompanham todas as etapas, do primeiro corte de madeira ao ciclo de teste final na moldadora.
Exercícios resolvidos
1. Um modelo tem paredes verticais retas, sem inclinação nenhuma. Que problema isto cria para a construção do negativo, e como se resolve?
Resolução: paredes verticais retas não têm saída de molde, o que dificulta ou impede desmoldar sem prender a peça. Resolve-se planeando um plano de partição que divida o negativo em mais do que uma parte, ou escolhendo um material de negativo suficientemente flexível (silicone macio) que consiga deformar-se ligeiramente para libertar a peça sem a danificar.
2. Uma mistura de resina começa a aquecer visivelmente no recipiente antes de terminar de vazar. O que aconteceu e o que se deve fazer?
Resolução: é a reação exotérmica da cura, acelerada porque foi preparada uma massa grande de resina de uma só vez. Deve interromper-se o vazamento dessa mistura (já comprometida) e, na próxima vez, preparar massas menores ou vazar em camadas sucessivas, respeitando o pot life de cada uma.
3. Depois de desmoldar, a peça em resina tem uma linha visível a meio, com uma pequena rebarba. Qual é a causa mais provável e como se corrige?
Resolução: é uma marca de junta, causada por um negativo mal fechado ou desalinhado no momento do vazamento. Corrige-se removendo a rebarba com lixa fina ou lâmina no acabamento; para a próxima reprodução, deve verificar-se o alinhamento e a vedação do negativo antes de vazar.
4. Porque é que se verifica a conformidade dimensional com um instrumento de medição, e não basta a inspeção visual?
Resolução: porque desvios pequenos (frações de milímetro) não são detetáveis a olho nu, mas ficam fora da tolerância definida no desenho técnico. Um instrumento como o paquímetro deteta esses desvios antes de a peça avançar para a fase seguinte, evitando que um erro dimensional se propague até à peça fundida final.
5. Numa placa molde de face dupla, porque é que o alinhamento entre os modelos de cada face é ainda mais crítico do que numa placa de face simples?
Resolução: porque, na face dupla, cada face vai moldar uma metade da cavidade final, e as duas metades têm de coincidir com rigor quando as caixas de moldação se juntam. Um desalinhamento entre as faces resulta numa peça fundida com as duas metades desencontradas (rebarba excessiva ou desvio dimensional na linha de junção).
6. Uma peça fundida a partir desta placa molde apresenta sistematicamente um rechupe na mesma zona espessa. O sistema de gitagem enche bem a cavidade. Qual é a causa mais provável?
Resolução: a causa não está na gitagem (que enche corretamente), mas no sistema de alimentação: o massalote não está bem posicionado sobre essa zona espessa, ou é insuficiente para compensar a contração do metal ao solidificar. Deve reposicionar-se ou redimensionar-se o massalote sobre a zona identificada.
7. Que três normas do referencial se aplicam simultaneamente durante a mistura de uma resina epóxi em bancada, e porquê?
Resolução: normas de segurança e saúde no trabalho (manuseamento seguro do produto químico), normas de proteção individual (uso de EPI: luvas, óculos, máscara) e normas de gestão de resíduos (destino correto de sobras de mistura e recipientes contaminados). As três aplicam-se em simultâneo porque a mistura de resina é, ao mesmo tempo, uma operação técnica e uma operação de risco químico.