Sebenta · Executar moldes simples (UC05426)
- Introdução
- 1. Do desenho técnico ao molde
- 2. Tecnologia de fundição em areia
- 3. Desenho e projeto do molde
- 4. Materiais: madeiras e resinas
- 5. Saídas, contrações e sobre-espessuras de maquinagem
- 6. Equipamentos e ferramentas de carpintaria
- 7. Traçagem: marcar as dimensões no material
- 8. Executar os constituintes do molde
- 9. Ligações e montagem
- 10. Controlo metrológico
- 11. Acabamento: massas, tintas e vernizes
- 12. Segurança, resíduos e ambiente
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta cobre a UC "Executar moldes simples", do curso Técnico/a de Projeto de Moldes e Modelos - Fundição. Aqui aprende-se a construir, em madeira e em resina, o molde (ou modelo) que dá forma, na areia, à cavidade onde o metal fundido vai ser vazado. É uma UC de bancada: desenho técnico, projeto, traçagem, maquinação, montagem e controlo dimensional, tudo aplicado à peça central de qualquer fundição em areia.
O fio condutor são as cinco realizações do referencial oficial: analisar o desenho técnico da peça a fundir, elaborar o projeto do molde, desenhar no material as dimensões e as partes que o constituem, executar cada um dos constituintes e, por fim, efetuar a montagem de todos eles. Estas cinco etapas repetem-se em qualquer molde, do mais simples ao mais complexo, e estruturam esta sebenta.
Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar o desenho técnico da peça a fundir; selecionar o material e o tipo de ligação adequados; manusear as ferramentas de desenho e operar máquinas e ferramentas de trabalhar madeira; aplicar saídas, contrações e sobre-espessuras de maquinagem; operar os instrumentos de controlo metrológico e verificar a conformidade das medidas; e cumprir as normas de segurança e saúde no trabalho, de proteção individual, de gestão de resíduos, de proteção ambiental e da qualidade.
1. Do desenho técnico ao molde
Antes de qualquer corte, o técnico analisa o desenho técnico da peça que vai ser fundida. Não se lê o desenho da peça acabada como se fosse o desenho do molde: o molde é sempre maior, porque tem de somar a contração do metal e a sobre-espessura de maquinagem (ver capítulo 5).
Na análise do desenho, identificam-se:
- As vistas (frente, topo, perfil), cotas e tolerâncias de cada dimensão.
- O plano de partição: a linha por onde o molde se vai dividir para ser extraído da areia.
- Furos e reentrâncias internas, que vão exigir caixas de macho na moldação.
- O material final da peça (ferro fundido, aço, alumínio, bronze), que determina o fator de contração a aplicar.
A cadeia da fundição em areia
O molde é uma etapa dentro de um processo maior:
Desenho técnico → Projeto do molde → Molde (em madeira/resina)
→ Moldação em areia → Vazamento do metal → Peça fundida
O molde não é a peça final: é o positivo a partir do qual se obtém, em areia compactada, o negativo (a cavidade) onde o metal líquido é vazado. Um erro no molde não se corrige depois: aparece, sempre, na peça fundida.
Exemplo resolvido · ler um desenho técnico simples
O desenho de um bloco de apoio indica: comprimento 500 mm, material ferro fundido, uma face a maquinar.
- A cota de 500 mm é a medida da peça final, depois de fundida e maquinada.
- O material (ferro fundido) diz ao técnico que fator de contração aplicar (aproximadamente 1%).
- A indicação "uma face a maquinar" avisa que essa face vai precisar de sobre-espessura no molde.
- Só depois de identificar estes três dados é que se pode calcular a medida a marcar no molde (ver capítulo 5).
2. Tecnologia de fundição em areia
A moldação em areia é o processo de fundição mais comum para peças de ferro, aço, alumínio e bronze, e é o processo para o qual os moldes desta UC são construídos.
As etapas do processo
- O modelo é prensado em areia compactada, dentro de uma caixa de moldação.
- Retira-se o modelo com cuidado, deixando a cavidade com a forma da peça.
- Colocam-se, quando necessário, machos de areia para formar furos e reentrâncias internas.
- Executam-se os canais de vazamento e a mazarota (reserva de metal líquido que compensa a contração durante o arrefecimento).
- O metal fundido é vazado na cavidade, arrefece e solidifica.
- A areia é desmoldada e a peça é limpa e, se aplicável, maquinada.
O papel do modelo
O modelo tem de ser extraível da areia sem a danificar, o que exige saídas em todas as paredes verticais (capítulo 5). As zonas correspondentes a furos internos recebem assentos de macho, que posicionam corretamente a caixa de macho dentro da moldação. E, porque o mesmo modelo é usado dezenas ou centenas de vezes, um modelo bem acabado poupa horas de retrabalho e de maquinagem ao longo de toda a série de peças.
3. Desenho e projeto do molde
A segunda realização do referencial é elaborar o projeto de moldes: decidir, antes de tocar em qualquer material, como o molde vai ser construído.
O que o projeto define
- O plano de partição: onde o molde se divide para permitir a extração e a desmoldação.
- O tipo de modelo a usar, em função da geometria da peça.
- As caixas de macho necessárias, para furos e reentrâncias que a areia sozinha não consegue formar.
- Os constituintes do molde: quantas peças vão ser precisas e como se vão ligar entre si.
Tipos de modelo
| Tipo de modelo | Quando usar | Constituintes |
|---|---|---|
| Simples (inteiro) | peças com uma face plana que serve de plano de partição | 1 peça |
| Bipartido | peças com forma em ambos os lados do plano de partição | 2 metades + pinos guia |
| Com caixa de macho | peças com furos ou reentrâncias internas | modelo + caixa(s) de macho |
O modelo bipartido é o mais comum em peças mecânicas: uma metade fica alojada na caixa inferior da moldação, a outra na superior, e os pinos guia garantem que as duas metades alinham sempre da mesma forma, molde após molde.
Exemplo resolvido · escolher o tipo de modelo
Uma peça em forma de casquilho, com um furo passante ao centro e forma simétrica dos dois lados de um plano intermédio, precisa de:
- Um modelo bipartido, porque tem forma em ambos os lados do plano de partição.
- Uma caixa de macho, porque o furo passante não pode ser formado apenas pela areia da moldação exterior.
- Pinos guia, para alinhar as duas metades do modelo em cada moldação.
4. Materiais: madeiras e resinas
A escolha do material do molde é uma decisão técnica e económica, feita logo no projeto.
Madeiras
| Madeira | Características | Uso típico |
|---|---|---|
| Tília / pinho | leve, fácil de trabalhar, económica | modelos simples, série curta |
| Faia | densa, resistente ao desgaste | modelos de uso frequente |
| Contraplacado | estável, pouco empeno | painéis e placas-base |
| MDF | homogéneo, lixa muito bem | superfícies de acabamento fino |
A madeira absorve humidade e pode empenar; por isso precisa de ser selada com verniz ou tinta (capítulo 11).
Resinas
As resinas (epóxi, poliéster, muitas vezes reforçadas com fibra de vidro) usam-se quando se precisa de mais durabilidade ou mais rigor dimensional. Não empenam com a humidade, suportam muitos mais ciclos de moldação e permitem detalhes finos com pouco trabalho de acabamento; em contrapartida, custam mais e exigem mistura e cura controladas (proporções, tempo, temperatura).
Selecionar o material
- Confirmar o número de peças a produzir com aquele molde.
- Avaliar a complexidade e o detalhe exigidos pelo desenho.
- Verificar o prazo e o orçamento disponíveis.
- Decidir: séries curtas e protótipos, madeira; séries longas ou detalhe fino, resina.
5. Saídas, contrações e sobre-espessuras de maquinagem
Este é o capítulo com mais cálculo da UC, e o que mais separa um molde bem executado de um molde que produz peças fora de cota.
Saídas
Uma saída (ângulo de desmoldação) é a inclinação dada às paredes verticais do modelo para que este saia da areia sem a arrastar nem a danificar. Sem saída, uma parede vertical arrasta a areia ao ser extraída e destrói a cavidade. O valor típico é 1° a 3°, consoante a altura da parede e o tipo de areia, e aplica-se em todas as superfícies que ficam perpendiculares ao sentido de extração.
Exemplo resolvido · calcular uma saída
Uma parede vertical do modelo tem 80 mm de altura e leva uma saída de 1,5°.
Deslocamento na base = 80 × tan(1,5°) ≈ 80 × 0,0262 ≈ 2,1 mm
A parede fica 2,1 mm mais larga na base do que no topo, o suficiente para libertar a areia sem esforço na extração.
Contração dos materiais
Os metais contraem ao arrefecer, do estado líquido até à temperatura ambiente. O modelo tem de ser feito maior do que a peça final, por um fator de contração linear típico do metal:
| Metal | Contração linear típica |
|---|---|
| Ferro fundido cinzento | ≈ 1% (10 mm/m) |
| Aço fundido | ≈ 2% (20 mm/m) |
| Alumínio | ≈ 1,3% (13 mm/m) |
| Bronze / latão | ≈ 1,5% (15 mm/m) |
Estes valores são típicos: cada fundição tem a sua própria régua de contração, já graduada com a escala ampliada, e o técnico deve confirmar sempre o valor com a régua ou a tabela da oficina.
Exemplo resolvido · aplicar a contração
Uma peça em ferro fundido precisa de 500 mm de comprimento final. Contração de 1%:
Medida do modelo = 500 × 1,01 = 505 mm
Sobre-espessuras de maquinagem
Nas superfícies que vão ser maquinadas depois da fundição, deixa-se material extra: a sobre-espessura de maquinagem, tipicamente 2 a 4 mm por superfície, consoante a dimensão da peça e o processo de maquinagem seguinte. Aplica-se depois de somar a contração, e só nas superfícies que o desenho indica como maquinadas; as restantes ficam ao natural, em bruto de fundição.
Exemplo resolvido · combinar contração e sobre-espessura
Peça em aço, cota final 200 mm, com uma face a maquinar (sobre-espessura de 3 mm):
- Contração (2%):
200 × 1,02 = 204 mm - Sobre-espessura (3 mm nessa face):
204 + 3 = 207 mm
A medida final a marcar no modelo é 207 mm. Se a mesma peça fosse em ferro fundido, o cálculo seria 200 × 1,01 + 3 = 205 mm.
6. Equipamentos e ferramentas de carpintaria
Máquinas e ferramentas
A execução dos constituintes do molde recorre ao equipamento típico de uma oficina de modelos:
- Máquinas de corte: serra de fita, de disco, tico-tico.
- Máquinas de desbaste: garlopa e desengrosso, para faces planas e espessura uniforme.
- Máquinas de furação: berbequim de coluna, para furos de pinos guia e parafusos.
- Ferramentas manuais: formões, limas, lixas, martelo, chaves de fendas e de bocas.
O manual do fabricante e as normas de segurança condicionam como cada equipamento é operado, e não são opcionais.
Ferramentas de desenho e de traçagem
- Metro e fita métrica: medições gerais de comprimento.
- Compassos: transferir medidas e traçar arcos e circunferências.
- Esquadros: verificar e marcar ângulos retos entre faces e constituintes.
- Graminhos: marcar linhas paralelas a uma face de referência, a uma distância fixa.
- Materiais de escrita (lápis, borracha): esboçar e anotar informações no desenho técnico.
Estas mesmas ferramentas voltam a ser usadas no capítulo 10, agora para verificar em vez de marcar.
7. Traçagem: marcar as dimensões no material
A terceira realização do referencial é desenhar no material as dimensões do molde e as partes que o constituem: passar o projeto do papel para a peça de madeira ou resina, já com a contração e a sobre-espessura aplicadas.
Procedimento
- Escolher a face de referência de cada constituinte.
- Marcar as cotas principais com metro e esquadro.
- Traçar o plano de partição e as linhas de centro com o graminho.
- Marcar a posição de furos, pinos guia e caixas de macho.
- Rever todas as marcações contra o desenho antes de cortar.
A traçagem é o último ponto de controlo antes de o material ser irreversivelmente cortado: um erro apanhado aqui custa minutos, um erro apanhado depois de cortar custa a peça inteira.
Exemplo resolvido · traçar um constituinte bipartido
Constituinte de um modelo bipartido, com plano de partição a meio da peça, cota final 505 mm (já com contração de ferro fundido aplicada):
- Marca-se a linha de centro ao longo do comprimento, com o graminho apoiado na face de referência.
- Marca-se o plano de partição, perpendicular à linha de centro, com o esquadro.
- Marcam-se as posições dos dois pinos guia, a 20 mm de cada topo, dispostas de forma assimétrica entre si para impedir a montagem ao contrário.
- Confere-se cada marcação com o desenho técnico antes de qualquer corte.
8. Executar os constituintes do molde
A quarta realização do referencial: transformar o material traçado em cada uma das peças (constituintes) do molde.
Sequência de execução
Cortar em bruto → Desbastar (garlopa + desengrosso) → Furar
→ Ajustar saídas → Lixar → Verificar dimensões
- Cortar em bruto, com margem, seguindo as linhas de traçagem.
- Desbastar as faces até às medidas finais, em garlopa e desengrosso.
- Furar para os pinos guia e outras ligações, só depois de a face de referência estar plana.
- Moldar ou laminar os constituintes em resina, quando aplicável, respeitando o tempo de cura do fabricante.
- Verificar cada constituinte isoladamente antes de avançar para a montagem.
Nunca se inverte desbaste e furação: furar antes de a face estar plana desalinha o furo em relação ao resto da peça. O critério de desempenho da UC exige cumprir os procedimentos na execução dos constituintes: a ordem e o rigor de cada etapa não são negociáveis.
9. Ligações e montagem
A quinta realização do referencial é efetuar a montagem de todos os constituintes. Antes de montar, escolhe-se o tipo de ligação certo para cada junção.
Selecionar o tipo de ligação
| Ligação | Quando usar |
|---|---|
| Pinos guia | alinhar sempre da mesma forma as duas metades de um modelo bipartido |
| Parafusos | ligações que precisam de ser desmontadas para manutenção |
| Pregos | fixações definitivas em madeira, sem necessidade de desmontar |
| Colas (branca, contacto, epóxi) | juntas fixas, madeira-madeira ou madeira-resina |
A escolha certa depende de a ligação precisar de ser desmontada e do material dos constituintes a ligar. Um erro frequente é colar duas metades de um modelo bipartido que precisam de se separar para desmoldar.
Montar e alinhar o molde completo
- Confirmar que cada constituinte já passou no controlo dimensional isolado.
- Posicionar os constituintes segundo o plano de partição definido no projeto.
- Inserir os pinos guia e confirmar o alinhamento entre as duas metades.
- Aplicar as ligações definitivas (parafusos, colas ou pregos) na sequência correta.
- Verificar de novo o conjunto montado antes de o entregar à moldação.
A montagem é a etapa final: um molde bem executado peça a peça, mas mal alinhado na montagem, continua a produzir peças fundidas fora de cota.
10. Controlo metrológico
O controlo metrológico acompanha todo o processo, da traçagem à montagem final, com os mesmos instrumentos usados para marcar: metro e fita métrica, paquímetro, compassos, esquadros e graminhos. Verificar não é opcional: é o critério de desempenho que garante a conformidade dimensional do molde com o desenho técnico.
O paquímetro
O paquímetro mede comprimentos, diâmetros interiores/exteriores e profundidades, com resolução típica de 0,05 mm. Existe em versão analógica (escala com nónio) e digital (leitura direta no visor). Procedimento: limpar as faces de medição, encostar sem forçar, ler a escala fixa mais o nónio (ou o visor digital).
Exemplo resolvido · ler o paquímetro e verificar a conformidade
A escala fixa mostra 34 mm antes do zero do nónio, e a sétima marca do nónio coincide com uma marca da escala fixa.
- Valor da escala fixa: 34 mm.
- Valor do nónio:
7 × 0,05 = 0,35 mm. - Medida final:
34 + 0,35 = 34,35 mm.
O desenho técnico do constituinte pede 34,30 mm ± 0,20 mm, entre 34,10 e 34,50 mm. Como 34,35 mm está dentro do intervalo, o constituinte está conforme.
11. Acabamento: massas, tintas e vernizes
Massas de reparação
Antes de pintar ou envernizar, corrigem-se pequenas imperfeições da madeira com massa de reparação: preenche poros, fendas e pequenos defeitos de superfície. Aplica-se em camada fina, deixa-se secar e lixa-se rente à superfície. Uma superfície com poros por tapar absorve tinta de forma irregular e fica com um acabamento inconsistente, que se transfere depois para a peça fundida.
Tintas e vernizes
A camada final de tinta ou verniz protege o modelo e facilita o trabalho de moldação:
- Sela a madeira, reduzindo a absorção de humidade e a tendência a empenar.
- Reduz o atrito entre o modelo e a areia, facilitando a extração sem danificar a cavidade.
- Segue frequentemente uma convenção de cores da oficina (pode variar entre fundições), útil para identificar de imediato quais as superfícies a maquinar.
- Aplica-se em demãos finas, com secagem completa entre cada uma.
12. Segurança, resíduos e ambiente
Normas de segurança e EPI
| EPI | Protege de |
|---|---|
| Óculos de proteção | aparas e partículas projetadas |
| Protetor auricular | ruído das máquinas |
| Máscara/respirador | pó de madeira e vapores de resina |
| Calçado de segurança | quedas de peças e ferramentas |
Operar sempre de acordo com as instruções do manual do fabricante de cada equipamento, nunca remover resguardos de proteção, e ler a ficha de segurança de qualquer resina ou cola antes de a usar: as resinas trazem riscos diferentes da madeira, sobretudo vapores e contacto com a pele.
Gestão de resíduos e proteção ambiental
- Aparas e serrim de madeira: separados e encaminhados para reciclagem ou valorização energética.
- Resíduos de resina (embalagens, restos de mistura, catalisador): tratados como resíduos perigosos, nunca misturados com o lixo comum.
- Tintas, vernizes e solventes: armazenados em local ventilado, longe de fontes de ignição, e descartados segundo as normas de proteção ambiental.
Cumprir estas normas é uma das atitudes centrais da UC: responsabilidade e respeito pelas regras e normas definidas.
Normas da qualidade
- Conformidade dimensional: cada constituinte e o conjunto montado verificados contra o desenho técnico, com instrumentos calibrados.
- Rastreabilidade: registar as decisões tomadas (material, contração, sobre-espessura aplicada) para o molde poder ser reproduzido ou reparado.
- Sentido crítico: questionar um valor de medição estranho em vez de o aceitar sem verificar.
A cadeia completa, analisar, projetar, traçar, executar e montar, é em si mesma um processo de garantia da qualidade: cumprir as normas é o resultado natural de fazer bem cada uma das cinco etapas.
Erros comuns
- Marcar as cotas da peça final diretamente no material, esquecendo de somar contração e sobre-espessura.
- Esquecer as saídas em alguma parede vertical, impossibilitando a extração sem danos.
- Aplicar o fator de contração errado para o metal em causa (por exemplo, o do aço numa peça de alumínio).
- Colar duas metades de um modelo bipartido que precisam de se separar para desmoldar.
- Furar antes de desbastar, desalinhando os furos de pinos guia em relação à face de referência.
- Confiar só na vista para validar uma cota crítica, sem medir com paquímetro.
- Misturar resíduos de resina com o lixo comum, ignorando que são resíduos perigosos.
- Verificar só os constituintes isolados, sem controlar de novo o conjunto depois de montado.
Glossário
- Molde (modelo) · peça positiva, em madeira ou resina, que dá forma à cavidade de areia da fundição.
- Plano de partição · linha por onde o molde se divide para ser extraído e a moldação desmoldada.
- Modelo bipartido · modelo em duas metades, uma para cada caixa da moldação.
- Caixa de macho · molde auxiliar que forma, em areia, os furos e reentrâncias internas da peça.
- Assento de macho · zona do modelo que posiciona a caixa de macho na moldação.
- Saída (ângulo de desmoldação) · inclinação das paredes verticais do modelo que permite a extração sem danificar a areia.
- Contração · encolhimento do metal ao arrefecer, compensado por um modelo maior do que a peça final.
- Sobre-espessura de maquinagem · material extra deixado nas superfícies a maquinar depois da fundição.
- Régua de contração · régua já graduada com a escala ampliada para o metal em causa.
- Pino guia · elemento que alinha sempre da mesma forma as duas metades de um modelo bipartido.
- Paquímetro · instrumento de medição de comprimentos, diâmetros e profundidades, com resolução típica de 0,05 mm.
- Graminho · instrumento para marcar linhas paralelas a uma face de referência.
- Mazarota · reserva de metal líquido que compensa a contração durante o arrefecimento da peça fundida.
- EPI · equipamento de proteção individual (óculos, protetor auricular, máscara, calçado).
Síntese
Executar um molde simples segue sempre as cinco realizações do referencial: analisar o desenho técnico da peça a fundir → elaborar o projeto do molde (plano de partição, tipo de modelo, caixas de macho) → desenhar no material as dimensões e as partes, já com a contração e a sobre-espessura aplicadas → executar cada constituinte (cortar, desbastar, furar, ajustar saídas, lixar) → efetuar a montagem de todos os constituintes, com a ligação certa em cada junção. O controlo metrológico acompanha todo o processo, e a segurança (EPI, normas do fabricante), a gestão de resíduos (sobretudo os de resina, perigosos) e as normas da qualidade atravessam cada etapa, da leitura do primeiro desenho ao molde montado e pronto para a moldação.
Exercícios resolvidos
1. Uma peça final em alumínio precisa de 300 mm de comprimento. Que medida se marca no modelo, considerando uma contração de 1,3%?
Resolução:
300 × 1,013 = 303,9 mm. É esta a medida a marcar no modelo, não os 300 mm da peça final.
2. Um constituinte em aço tem cota final de 150 mm e uma face a maquinar, com sobre-espessura de 2 mm. Qual a medida final do modelo?
Resolução: contração do aço (2%):
150 × 1,02 = 153 mm. Sobre-espessura de 2 mm na face maquinada:153 + 2 = 155 mm. A medida a marcar é 155 mm.
3. Porque é que uma parede vertical de um modelo sem saída não pode ser extraída da areia sem danos?
Resolução: sem inclinação, a parede vertical raspa e arrasta a areia compactada ao longo de toda a extração, destruindo a cavidade. A saída (1° a 3°) cria uma folga progressiva que permite retirar o modelo sem atrito contra a areia.
4. Um técnico cola definitivamente as duas metades de um modelo bipartido de um casquilho. Que erro cometeu e qual a consequência?
Resolução: as duas metades de um modelo bipartido têm de se poder separar para permitir a extração da areia. Ao colá-las de forma definitiva, o molde deixa de poder ser desmoldado, tornando-se inutilizável. Deveria ter usado pinos guia para alinhar e, se necessário, parafusos amovíveis.
5. A escala fixa de um paquímetro mostra 12 mm antes do zero do nónio, e a quarta marca do nónio coincide com a escala fixa (resolução 0,05 mm). O desenho pede 12,20 mm ± 0,10 mm. O constituinte está conforme?
Resolução: valor do nónio:
4 × 0,05 = 0,20 mm. Medida final:12 + 0,20 = 12,20 mm. O intervalo aceitável é 12,10 a 12,30 mm; como 12,20 mm está dentro, o constituinte está conforme.
6. Que tipo de modelo e que constituinte adicional são necessários para uma peça com um furo passante ao centro?
Resolução: um modelo bipartido (para permitir extração e simetria) e uma caixa de macho (para formar o furo passante em areia, já que a moldação exterior sozinha não consegue formar reentrâncias internas fechadas).
7. Que resíduos gerados na execução de um molde exigem tratamento como resíduos perigosos, e porquê?
Resolução: os resíduos de resina (embalagens, restos de mistura e catalisador), porque contêm substâncias químicas que podem ser tóxicas ou inflamáveis. Ao contrário do serrim e das aparas de madeira, nunca podem ser misturados com o lixo comum e seguem as normas de gestão de resíduos perigosos.