Sebenta · Aplicar a simbologia utilizada na prospeção de recursos minerais (UC05183)
- Introdução
- 1. Sistemas de coordenadas e cartas topográficas em Portugal
- 2. Escala, curvas de nível e declive
- 3. Orientação: os três nortes e a bússola de geólogo
- 4. Sinais convencionais das cartas topográficas
- 5. A carta geológica: fundamentos e normas
- 6. A legenda geológica: cores, tramas e idades
- 7. Atitude das camadas: direção e inclinação
- 8. Estruturas geológicas: foliação, contactos e dobras
- 9. Falhas: tipos e simbologia
- 10. Filões e ocorrências minerais
- 11. Sondagens e amostras de campo
- 12. Litologias, afloramentos e identificação de rocha
- 13. Recursos minerais: metálicos e não metálicos
- 14. Minas e pedreiras: ativas e não ativas
- 15. Segurança e saúde no trabalho de campo
- 16. Cartas litológicas, cartas de recursos e outras fontes de apoio
- 17. Um dia de campo: praticar a leitura integrada
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a ler e a produzir a simbologia usada na prospeção e pesquisa de recursos minerais: a linguagem gráfica normalizada das cartas topográficas e geológicas. Um técnico de prospeção passa grande parte do tempo a interpretar mapas antes de ir a campo, e a registar no mapa o que observa depois. Sem dominar esta simbologia, a informação recolhida no terreno não chega a ninguém de forma útil.
O percurso segue a lógica do trabalho real: primeiro a base topográfica (coordenadas, escala, orientação, sinais convencionais), depois a cartografia geológica (legenda, cores, tramas), a seguir a simbologia estrutural (atitude de camadas, foliação, contactos, dobras, falhas), depois os elementos de prospeção (filões, ocorrências, sondagens, amostras), a classificação de litologias e recursos minerais, e por fim minas, pedreiras e segurança no trabalho de campo.
Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar cartas topográficas e a respetiva legenda; interpretar cartas geológicas e a respetiva legenda; analisar a simbologia utilizada em cartografia geológica; e efetuar a representação gráfica da informação geológica recolhida no terreno.
Um aviso importante antes de começar: os símbolos não têm uma única cor ou forma oficial válida para todas as cartas. A convenção geral é sempre a mesma (o que este manual descreve), mas o valor exato de cada cor, cada trama e cada sigla está definido, folha a folha, na legenda dessa carta. Ler a legenda antes de interpretar qualquer mapa é o primeiro hábito profissional a adquirir.
1. Sistemas de coordenadas e cartas topográficas em Portugal
Toda a prospeção parte de uma carta topográfica, o documento que descreve com rigor a forma do terreno e os elementos nele existentes.
O sistema de referência
Em Portugal continental, o sistema de coordenadas oficial é o PT-TM06/ETRS89, definido pela Direção-Geral do Território (DGT). Os recetores GNSS trabalham em WGS84 ou ETRS89; a diferença entre os dois é desprezável para o trabalho de campo à escala em que a prospeção opera.
As cartas militares
As cartas mais usadas em trabalho de campo são as do CIGeoE (Centro de Informação Geoespacial do Exército), na escala 1:25 000, da Série M888.
- As edições antigas usam uma quadrícula em coordenadas militares (sistema Hayford-Gauss, datum Lisboa).
- As edições recentes trazem também a quadrícula UTM/WGS84.
Por isso, antes de tirar uma coordenada de uma carta, confirma-se sempre, na legenda, que sistema e que datum essa folha usa. Duas cartas de anos diferentes da mesma zona podem ter quadrículas distintas.
O sistema UTM em Portugal
O sistema UTM (Universal Transverse Mercator) divide o globo em fusos de 6° de longitude e bandas de 8° de latitude.
| Território | Fuso | Banda |
|---|---|---|
| Continente, a sul do paralelo 40°N | 29 | S |
| Continente, a norte do paralelo 40°N | 29 | T |
| Madeira | 28 | (própria) |
| Açores | 25 e 26 | (próprias) |
Atenção: o continente inteiro está no fuso 29, mas não está todo na banda 29T. A norte do paralelo 40° a banda é 29T; a sul, é 29S. Dizer "29T para todo o continente" é um erro comum e está incorreto.
Exemplo resolvido: identificar o sistema de uma carta
Um técnico recebe uma folha 1:25 000 antiga do CIGeoE para planear uma campanha de amostragem perto de Coimbra.
- Abre a legenda da margem da folha e procura a indicação da quadrícula e do datum.
- A margem indica que a quadrícula impressa é a militar (Hayford-Gauss, datum Lisboa). Não conclui isto pela data da edição: lê-o na própria folha.
- Confirma no recetor GNSS o sistema e o datum configurados, e ajusta-os para corresponderem aos da carta antes de registar qualquer ponto.
- Regista na ficha de campo qual foi o sistema e o datum usados, para que os dados possam ser convertidos mais tarde, se necessário.
- Nota ainda que Coimbra fica muito perto do paralelo 40°N: se trabalhar em UTM, a banda (29S ou 29T) tem de ser confirmada ponto a ponto, porque a folha pode abranger as duas.
O princípio geral: nunca se assume o sistema de coordenadas de uma carta; confirma-se sempre na legenda dessa folha em concreto.
2. Escala, curvas de nível e declive
A escala
A escala de uma carta relaciona uma distância no papel com a distância real no terreno.
| Escala | 1 cm no mapa equivale a |
|---|---|
| 1:25 000 | 250 m |
| 1:50 000 | 500 m |
Quanto maior o denominador da escala, menor o detalhe representado e maior a área coberta pela mesma folha de papel.
Curvas de nível
As curvas de nível são linhas que unem, na carta, todos os pontos com a mesma altitude. Lidas em conjunto, permitem visualizar o relevo sem sair de casa.
- Na carta 1:25 000, a equidistância natural entre curvas consecutivas é de 10 metros.
- As curvas mestras, mais grossas e com a cota escrita, aparecem a cada 50 metros (uma em cada cinco curvas).
- Curvas muito próximas entre si indicam declive acentuado; curvas afastadas indicam terreno suave.
Calcular o declive
A fórmula do declive em percentagem:
Declive (%) = (desnível ÷ distância horizontal) × 100
Exemplo resolvido: cálculo de declive
Entre dois pontos de amostragem numa vertente, o desnível medido na carta é de 60 m, e a distância horizontal entre eles é de 300 m.
- Aplica-se a fórmula: (60 ÷ 300) × 100.
- 60 ÷ 300 = 0,2.
- 0,2 × 100 = 20%.
Um declive de 20% já é considerado significativo para planear o acesso a pé com equipamento de amostragem; vale a pena verificar alternativas de trajeto na carta antes de sair para o terreno.
3. Orientação: os três nortes e a bússola de geólogo
Os três nortes
Um dos erros mais frequentes de quem começa em cartografia é tratar "o norte" como um único valor. Há três nortes distintos:
| Norte | Aponta a | Como se obtém |
|---|---|---|
| Geográfico (verdadeiro) | o polo Norte geográfico | cálculo astronómico ou recetor GNSS |
| Magnético | o polo magnético terrestre | leitura direta da bússola |
| Cartográfico (da quadrícula) | o eixo vertical da quadrícula da carta | as linhas verticais da própria quadrícula |
Declinação e convergência
- Cavalgamento: falha inversa de baixo ângulo em que um bloco avança por cima do outro.
- Declinação magnética: o ângulo entre o norte geográfico e o norte magnético. Em Portugal, este valor é hoje relativamente pequeno, mas varia com o tempo e com o local. Lê-se na margem da carta, com a indicação da variação anual, ou obtém-se de um modelo atualizado; nunca se trata como uma constante fixa a decorar.
- Convergência de meridianos: o ângulo entre o norte geográfico e o norte da quadrícula.
A bússola de geólogo
As bússolas usadas em geologia (tipo Brunton ou Clar) medem ângulos com precisão suficiente para registar a atitude de uma camada. Antes de qualquer medição:
- Confirmar que a declinação configurada na bússola, quando o instrumento o permite, corresponde à da zona e da data.
- Afastar objetos metálicos e fontes de interferência magnética, como o martelo geológico ou o telemóvel.
- Registar a leitura já corrigida, ou registar a leitura bruta e a correção aplicada, conforme o protocolo da equipa.
A regra de conversão
A bússola mede o ângulo a partir do norte magnético. Para passar para o norte geográfico, trabalha-se em azimutes (0° a 360°, a partir do norte, no sentido dos ponteiros do relógio) e aplica-se:
Azimute geográfico = azimute magnético + declinação
(declinação Este com sinal +, declinação Oeste com sinal −)
A lógica é geométrica: se o norte magnético está a oeste do geográfico, a bússola "começa a contar" mais à esquerda, e por isso lê valores maiores do que os geográficos; a correção tem de os diminuir. Com declinação a Este acontece o contrário.
| Declinação | Norte magnético fica | Para obter o geográfico |
|---|---|---|
| Oeste (W) | à esquerda do geográfico | subtrai-se a declinação |
| Este (E) | à direita do geográfico | soma-se a declinação |
Para passar da carta (geográfico) para a bússola (magnético) faz-se a operação inversa. Se se trabalha na quadrícula da carta, entra também a convergência de meridianos, com o valor e o sentido indicados na margem da folha.
Exemplo resolvido: converter uma leitura de bússola
Uma leitura de bússola no campo dá um rumo de N28°E (azimute magnético 28°). A declinação magnética local é de 1°W (o norte magnético está 1° a oeste do geográfico).
- Declinação Oeste entra com sinal negativo: 28° + (−1°) = 27°.
- O rumo geográfico é N27°E.
- Verificação de coerência: com o norte magnético deslocado para oeste, a bússola lê a mais; o valor corrigido tem de ser menor do que a leitura. 27° é menor do que 28°, portanto a correção foi aplicada no sentido certo.
- Este é o valor a registar na ficha de campo e a transferir para a carta.
Exemplo resolvido: declinação a Este e rumos a oeste do norte
Uma direção de camada lida à bússola é N40°W, numa zona e época em que a declinação é de 2°E.
- Converte-se o rumo para azimute: N40°W corresponde a 360° − 40° = 320°.
- Declinação Este entra com sinal positivo: 320° + 2° = 322°.
- Volta-se à notação de rumo: 360° − 322° = 38°, ou seja N38°W.
- Repara que, em rumos a oeste do norte, o número do rumo diminui quando o azimute aumenta. É por isso que se recomenda fazer a conta sempre em azimutes e só no fim voltar à notação N..°E / N..°W.
4. Sinais convencionais das cartas topográficas
Os sinais convencionais representam, de forma normalizada, tudo o que existe fisicamente no terreno: vias, edifícios, linhas de água, vegetação e limites administrativos. Distinguem-se três famílias, conforme a geometria do elemento representado.
| Tipo | Exemplos |
|---|---|
| Pontual | igreja, marco geodésico, poço |
| Linear | estrada, linha de água, linha elétrica |
| De área | mancha florestal, zona urbana, área alagada |
Tabela de símbolos topográficos essenciais
| Símbolo (descrição) | Significado | Exemplo de leitura |
|---|---|---|
| Linha castanha fechada e numerada | curva de nível, cota em metros | a curva assinalada "340" está a 340 m de altitude |
| Triângulo preto com ponto central | vértice geodésico | ponto de referência de coordenadas conhecidas com precisão |
| Linha azul fina contínua | linha de água permanente | curso de água ativo todo o ano |
| Linha azul fina tracejada | linha de água temporária ou intermitente | só corre em época de chuva |
| Cruz | capela ou igreja | referência visual e ponto de orientação |
| Retângulo preto | edifício | zona construída |
| Linha vermelha ou laranja classificada | estrada nacional, municipal ou caminho | a espessura da linha indica a hierarquia da via |
| Área verde tramada | mancha florestal | zona de abrigo, referência de orientação |
Regra prática: a cor tem sempre significado (azul é água, verde é vegetação, castanho é relevo, preto são construções, caminhos e toponímia, vermelho e laranja são as estradas classificadas); ignorar a cor é perder metade da informação do símbolo. As descrições desta tabela são a convenção geral: a forma e a cor exatas de cada sinal mudam entre edições e estão sempre na legenda da margem da folha.
Exemplo resolvido: ler um extrato de carta militar
Num extrato 1:25 000 observa-se: uma linha castanha mais grossa com a cota "300"; quatro linhas castanhas finas, muito juntas, a subir até um triângulo com ponto central com a cota "341"; uma linha azul tracejada que nasce entre duas curvas em "V" apontado para o alto; e um caminho a preto tracejado que acompanha as curvas.
- A curva grossa com "300" é uma curva mestra; as finas são curvas de 10 em 10 m (310, 320, 330, 340).
- O triângulo com ponto é um vértice geodésico, no alto de um relevo, à cota 341 m.
- As curvas muito juntas indicam uma vertente inclinada entre os 300 e os 340 m.
- As curvas em "V" com o vértice virado para montante marcam um vale (linha de água); a linha azul tracejada diz que essa linha de água é temporária, só corre na época das chuvas.
- O caminho que acompanha as curvas mantém a mesma cota: é o acesso mais suave para levar equipamento até ao alto.
Esta leitura, feita antes de sair, decide por onde se sobe e onde se procuram afloramentos (as vertentes mais inclinadas e os leitos das linhas de água costumam expor mais rocha).
Fecho do bloco topográfico
Antes de avançar para a cartografia geológica, os quatro capítulos anteriores devem estar consolidados: um técnico competente lê o sistema de coordenadas de qualquer folha, calcula escala e declive, orienta-se com os três nortes corrigidos, e reconhece os principais sinais convencionais de uma carta topográfica. É sobre esta base que assenta toda a cartografia geológica.
5. A carta geológica: fundamentos e normas
A carta geológica usa a base topográfica para representar, por cima dela, a distribuição das rochas (litologias), a sua idade e as estruturas geológicas observadas ou inferidas.
Quem publica e a que escalas
Em Portugal, a carta geológica oficial é publicada pelo LNEG (Laboratório Nacional de Energia e Geologia), herdeiro dos antigos Serviços Geológicos de Portugal, em três escalas principais:
| Escala | Uso típico |
|---|---|
| 1:50 000 | trabalho de detalhe, cada folha acompanhada de notícia explicativa |
| 1:200 000 | síntese regional |
| 1:500 000 | visão de conjunto do território |
A notícia explicativa
Cada folha 1:50 000 é acompanhada de uma notícia explicativa: um documento que descreve as unidades cartografadas, a história geológica da região e os critérios usados na cartografia dessa folha em concreto. A sua leitura, antes de qualquer campanha de campo, não é opcional: é o que permite interpretar corretamente os símbolos e as cores dessa folha específica.
Os dados e as folhas digitais consultam-se no Geoportal do LNEG.
Normas gerais
- Cada carta geológica traz uma legenda estratigráfica, organizada por ordem cronológica das unidades.
- As convenções de cor e trama seguem princípios internacionais, adaptados pelo LNEG ao contexto geológico português.
- Toda a informação estrutural (atitudes, contactos, falhas) usa símbolos normalizados, comuns a todas as folhas, mesmo quando as cores das unidades variam.
6. A legenda geológica: cores, tramas e idades
Cores por idade
As cartas geológicas usam cor para representar a idade das unidades cartografadas, ao longo da escala de tempo geológico, do Precâmbrico ao Quaternário.
Existe uma convenção internacional geral (a da Comissão da Carta Geológica do Mundo, usada na Tabela Cronostratigráfica Internacional) que ajuda a orientar a leitura:
| Idade | Tons habituais na convenção geral |
|---|---|
| Quaternário (aluviões, terraços, dunas) | amarelos muito claros, quase brancos, ou cinzentos claros |
| Neogénico | amarelos |
| Paleogénico | alaranjados |
| Cretácico | verdes |
| Jurássico | azuis |
| Paleozoico e Precâmbrico | castanhos, verdes-azulados, cinzentos, rosados, conforme o período |
Esta tabela é uma orientação geral, não um código obrigatório: dentro de cada período cada unidade recebe uma variação de tom, as rochas magmáticas têm cores próprias (rosas e vermelhos nos granitos, por exemplo) e há folhas antigas que seguem outras escolhas. O valor exato de cada cor tem de ser confirmado na legenda de cada carta; o que nunca se faz é concluir a idade de uma unidade só pela cor, sem ir à legenda.
A legenda organiza as unidades numa coluna estratigráfica, da unidade mais antiga (em baixo) para a mais recente (em cima), espelhando a ordem de deposição normal, o princípio da sobreposição.
Tramas litológicas
Além da cor, cada unidade recebe uma trama: um padrão gráfico (pontos, traços, cruzes, losangos) que identifica o tipo de rocha.
| Tipo de trama (convenção comum) | Litologia associada |
|---|---|
| Pontos | areias e arenitos |
| Pequenos círculos | cascalheiras e conglomerados |
| Traços horizontais curtos | argilas, argilitos, pelitos |
| Padrão de "tijolos" | calcários |
| "Tijolos" inclinados (romboédricos) | dolomitos |
| Cruzes (+) dispersas | granitos e outras rochas plutónicas |
| "V" dispersos | rochas vulcânicas |
| Linhas onduladas paralelas | rochas metamórficas foliadas (xistos, gnaisses) |
Estas tramas são a convenção mais difundida (é a que se usa, por exemplo, nas colunas litológicas e nos logs de sondagem), mas cada carta define as suas na legenda. Nas cartas geológicas portuguesas a 1:50 000 a distinção faz-se sobretudo pela cor e pela sigla de cada unidade (letras e números impressos dentro da mancha, repetidos na legenda); as tramas aparecem sobretudo em cortes, colunas e cartas de síntese.
A trama e a sigla têm uma vantagem sobre a cor: mantêm-se legíveis a preto e branco, em fotocópia ou impressão sem cor. Por isso um levantamento profissional nunca depende só da cor para transmitir a litologia.
Exemplo resolvido: ler uma legenda geológica
Um técnico consulta a coluna litológica de uma folha e encontra três unidades: uma amarela muito clara com trama de pequenos círculos, no topo da coluna; uma azul com padrão de "tijolos", a meio; e uma castanha com linhas onduladas, na base.
- Pela posição na coluna, a unidade do topo é a mais recente; a da base é a mais antiga (princípio da sobreposição).
- Pela trama: a do topo (círculos) sugere cascalheiras ou conglomerados, e o tom amarelo muito claro é coerente com depósitos quaternários de cobertura; a do meio ("tijolos") sugere calcários, e o azul é coerente com a convenção do Jurássico; a da base (linhas onduladas) sugere xistos ou gnaisses, rochas metamórficas antigas.
- Entre a unidade da base (metamórfica) e as de cima há, com toda a probabilidade, uma discordância: a confirmar na legenda e na notícia explicativa.
- A confirmação exata de cada unidade (idade precisa, nome formacional) só se obtém na notícia explicativa dessa folha; a leitura da cor e da trama dá a interpretação geral e serve para fazer as perguntas certas.
7. Atitude das camadas: direção e inclinação
Direção e inclinação
A atitude de um plano geológico (camada sedimentar, filão, plano de falha, superfície de foliação) descreve-se por dois valores:
- Direção (strike): o rumo da linha horizontal contida nesse plano, medido em relação ao norte. Exemplo de notação: N30°E.
- Inclinação (dip): o ângulo entre o plano e a horizontal, medido perpendicularmente à direção, sempre acompanhado do sentido do pendor, para onde o plano desce. Exemplo de notação: 45° SE.
Há também uma notação alternativa, em azimute do pendor seguido do valor da inclinação: por exemplo, 120/45 significa que o plano mergulha na direção 120° (aproximadamente leste-sudeste), com uma inclinação de 45°.
Medir no terreno
A medição faz-se com a bússola de geólogo, apoiando-a diretamente sobre a superfície do plano a medir. A leitura magnética obtida tem de ser corrigida pela declinação local antes de ser registada como atitude geográfica.
Símbolos de atitude na carta
O símbolo de atitude tem sempre a forma de um "T" achatado: um traço longo e um traço curto perpendicular a meio dele.
| Símbolo (descrição) | Significado | Exemplo de leitura |
|---|---|---|
| Traço longo com um traço curto perpendicular de um só lado, e um número | camada inclinada | o traço longo desenha a direção; o traço curto aponta o sentido do pendor; o número é a inclinação em graus |
| Círculo com uma cruz no interior | camada horizontal | inclinação de 0°, sem direção nem sentido de pendor a assinalar |
| Traço longo cortado por um traço curto que sai para os dois lados | camada vertical | inclinação de 90°; o traço longo continua a dar a direção |
| Traço longo com o traço curto recurvado em gancho (a forma exata varia com a legenda) | camada invertida | a camada passou além da vertical: o topo original está virado para baixo |
Três regras de leitura que resolvem quase todas as dúvidas:
- O traço longo é uma linha (tem dois sentidos): N30°E e S30°W são a mesma direção. Por convenção escreve-se sempre começando por N.
- O traço curto é perpendicular ao longo. Se a direção é N30°E, o pendor só pode ser para SE ou para NW; um registo "N30°E, 45° NE" é impossível e denuncia um erro de campo.
- O número é sempre a inclinação, nunca a direção. A direção lê-se pela orientação do traço na carta, com o transferidor.
Converter entre as duas notações
- Da notação "azimute do pendor/inclinação" para a de direção: a direção é perpendicular ao azimute do pendor, ou seja, azimute do pendor ± 90°. Para 120/45: 120° − 90° = 30°, direção N30°E, inclinação 45° SE (120° fica no quadrante SE).
- Da notação de direção para a de azimute do pendor: soma-se ou subtrai-se 90° à direção, escolhendo o valor que cai no quadrante do sentido do pendor. Para N60°W, 25° NE: a direção é 300° (ou 120°); 300° + 90° = 390°, isto é, 30°, que fica no quadrante NE. Resultado 030/25.
Exemplo resolvido: registar uma atitude
Num afloramento, a bússola de geólogo dá uma direção de N40°E e uma inclinação de 30° para SE, já corrigida pela declinação.
- Regista-se na ficha de campo: N40°E, 30° SE.
- Ao transpor para a carta, desenha-se o símbolo de camada inclinada no ponto exato do afloramento, orientado segundo a direção medida, com o traço curto apontado para SE, e escreve-se "30" junto ao símbolo.
- Confere-se, olhando para o mapa, se o traço aponta mesmo para o quadrante correto, sudeste, e não para o lado oposto por engano.
- Na base de dados da campanha regista-se também a notação em azimute do pendor: 40° + 90° = 130°, logo 130/30.
Exemplo resolvido: ler três símbolos de atitude numa carta
Numa folha geológica aparecem, em três pontos, os símbolos seguintes: (A) traço longo orientado N-S com o traço curto virado para W e o número 60; (B) círculo com cruz; (C) traço longo orientado NE-SW com um traço curto a sair para os dois lados.
- (A) Direção N-S (N0°E), pendor para W, inclinação 60°. Registo: N0°E, 60° W, ou 270/60.
- (B) Camada horizontal: inclinação 0°. Numa zona onde as outras camadas estão inclinadas, pode marcar a charneira de uma dobra.
- (C) Direção N45°E, camada vertical (90°).
- Se (A) estiver a oeste de (C) e as duas pertencerem à mesma unidade, as camadas passam de verticais a inclinadas para W: a informação serve para desenhar o corte geológico entre os dois pontos.
8. Estruturas geológicas: foliação, contactos e dobras
Foliação
A foliação é o alinhamento planar de minerais que se desenvolve em rochas metamórficas por efeito da pressão e da temperatura: a xistosidade, a clivagem ardosífera e o bandado gnáissico são exemplos de foliação em diferentes graus de metamorfismo. Representa-se com um símbolo semelhante ao da atitude de camadas (traço longo para a direção, marca perpendicular no sentido do pendor, número para a inclinação), mas com uma marca diferente, definida na legenda: em muitas legendas o traço curto é substituído por um pequeno triângulo cheio, e a foliação vertical leva a marca para os dois lados. Esta distinção existe para não se confundir a foliação com o acamamento sedimentar original (S0), que pode coexistir na mesma rocha com uma atitude diferente. Quando a xistosidade é paralela ao acamamento, a legenda costuma prever um símbolo próprio para esse caso.
Uma lineação (alinhamento de minerais ou estrias numa direção, uma linha e não um plano) representa-se com uma seta que aponta para onde a linha mergulha, com o número do mergulho (em graus) junto à ponta.
Contactos geológicos
O contacto é a linha na carta que separa duas unidades geológicas distintas.
| Tipo de contacto | O que representa |
|---|---|
| Normal / concordante | sequência de deposição contínua, sem interrupção |
| Discordância | interrupção temporal na sequência, por erosão ou não deposição |
| Intrusivo | rocha magmática que penetrou noutra mais antiga |
| Por falha | contacto tectónico, tratado com a simbologia de falhas |
Tal como as falhas, os contactos distinguem-se pelo grau de certeza: contacto observado ou certo a traço contínuo fino, contacto provável ou aproximado a tracejado, contacto encoberto (sob depósitos recentes) a ponteado. A regra é a mesma para contactos e falhas: quanto menos certeza, mais interrompido o traço.
A regra do "V"
A regra do "V" permite ler, na carta, para onde mergulha um contacto (ou uma camada, um filão, uma falha) quando ele atravessa um vale. Como o contacto é uma superfície e o vale é um corte no relevo, o traço desenha um "V" ao cruzar a linha de água. A forma desse "V" depende da inclinação:
| Situação do plano | Aspeto do traço na carta |
|---|---|
| Horizontal | acompanha exatamente as curvas de nível; o "V" aponta para montante, como as próprias curvas |
| Vertical | atravessa o vale em linha reta, ignorando o relevo |
| Inclinado para montante (contra a descida do vale) | "V" aponta para montante, mais aberto do que o das curvas de nível |
| Inclinado para jusante, com inclinação maior do que o declive do vale | "V" aponta para jusante |
| Inclinado para jusante, com inclinação menor do que o declive do vale | "V" aponta para montante, mais fechado do que o das curvas (caso raro e enganador) |
Regra prática para o caso mais comum: o "V" do contacto aponta no sentido do pendor, exceto quando a camada inclina para jusante menos do que o próprio vale. Por isso a regra confirma-se sempre com as atitudes medidas nos afloramentos vizinhos.
Exemplo resolvido: aplicar a regra do "V"
Numa carta, um vale corre de norte (montante, cota 400 m) para sul (jusante, cota 300 m). Um contacto de direção aproximada E-W atravessa-o e o traço desenha um "V" com o vértice virado para sul.
- O vértice do "V" aponta para jusante (sul).
- Pela tabela, isto só acontece com um plano inclinado para jusante e com inclinação maior do que o declive do vale.
- Conclusão: o contacto mergulha para sul, com inclinação superior à do leito do vale.
- Confirmação: procura-se na carta um símbolo de atitude próximo; um "N90°E, 40° S" (direção E-W, pendor para sul), por exemplo, confirma a leitura.
Dobras
Uma dobra resulta da deformação de camadas originalmente planas, por esforços tectónicos de compressão.
- Anticlinal: dobra convexa para cima; as camadas mais antigas ficam no núcleo.
- Sinclinal: dobra côncava para cima; as camadas mais recentes ficam no núcleo.
O critério correto para distinguir um anticlinal de um sinclinal é sempre a idade das camadas no núcleo, e não a forma da topografia atual: um anticlinal muito erodido pode formar um vale, e um sinclinal pode formar uma elevação, se as rochas do núcleo forem mais resistentes à erosão.
O eixo da dobra (o traço da superfície axial à superfície do terreno) representa-se com uma linha, contínua onde é observado e tracejada onde é inferido, cortada a meio por duas pequenas setas perpendiculares:
| Estrutura | Setas no eixo | Como fixar |
|---|---|---|
| Anticlinal | apontam para fora do eixo, uma para cada lado | as camadas "descem" do eixo para os flancos |
| Sinclinal | apontam para dentro, na direção do eixo | as camadas "descem" dos flancos para o eixo |
| Eixo com mergulho | seta na extremidade do eixo, com o valor do mergulho | indica para onde a dobra afunda |
As setas repetem, de forma resumida, o que os símbolos de atitude dos flancos mostram: num anticlinal os traços curtos dos dois flancos apontam para fora do eixo; num sinclinal apontam para o eixo.
Exemplo resolvido: identificar anticlinal ou sinclinal
Numa carta, um técnico observa um eixo de dobra com camadas simétricas dos dois lados. Consultando a coluna estratigráfica da legenda, verifica que a unidade mais antiga da sequência aparece exatamente no centro da estrutura, entre as duas atitudes medidas nos flancos.
- A unidade mais antiga está no núcleo.
- Pela definição, uma dobra com as camadas mais antigas no núcleo é um anticlinal.
- O símbolo a desenhar no eixo é a linha com as duas setas apontadas para fora, para os dois flancos.
- Verificação: as atitudes dos flancos devem inclinar para fora do eixo (por exemplo, 35° W no flanco oeste e 40° E no flanco leste). Se inclinassem ambas para o eixo e a unidade do núcleo fosse a mais antiga, haveria uma incoerência a esclarecer no terreno (dobra invertida ou erro de leitura).
9. Falhas: tipos e simbologia
O que distingue uma falha
Uma falha é uma fratura ao longo da qual houve deslocamento relativo entre os dois blocos que separa. Distingue-se claramente da diáclase, que é uma fratura sem deslocamento associado. Confundir as duas é um dos erros mais graves de leitura estrutural, porque uma falha tem implicações mecânicas e económicas, de controlo de mineralizações, que uma diáclase não tem.
Na descrição de uma falha usa-se sempre:
- Teto (hanging wall): o bloco situado acima do plano de falha.
- Massa mineral: rocha sem as características de depósito mineral, explorada em pedreira, que pode ser propriedade privada.
- Muro (footwall): o bloco situado abaixo do plano de falha.
Indicadores de campo
O reconhecimento de uma falha no afloramento apoia-se em vários indicadores: espelho de falha (superfície polida pelo atrito do deslizamento), estrias (riscas paralelas na superfície, que indicam a direção do movimento), degraus na superfície do espelho, brechas e salbandas de falha (material rochoso triturado ao longo do plano), rejeito (a distância medida do deslocamento) e o deslocamento visível de camadas de um lado para o outro do plano.
Tipos de falha
| Tipo | Movimento | Regime |
|---|---|---|
| Normal | o teto desce em relação ao muro | distensão |
| Inversa | o teto sobe em relação ao muro | compressão |
| Cavalgamento | inversa de baixo ângulo, com grande deslocamento horizontal | compressão forte |
| Desligamento sinistro | movimento horizontal; o bloco do lado oposto desloca-se para a esquerda | transcorrência |
| Desligamento dextro | movimento horizontal; o bloco do lado oposto desloca-se para a direita | transcorrência |
| Oblíqua | combina uma componente vertical com uma horizontal | mista |
Falhas observadas, prováveis e encobertas
A carta distingue sempre o grau de certeza de uma falha, porque nem sempre há afloramento contínuo ao longo de todo o seu percurso.
| Estado | Significado | Traço |
|---|---|---|
| Observada | confirmada diretamente num afloramento | linha contínua |
| Provável | inferida por indícios indiretos, sem confirmação direta | linha tracejada |
| Encoberta | continua sob depósitos recentes, sem afloramento visível | linha ponteada |
Símbolos do tipo de falha
O traço diz onde está a falha e com que certeza; as marcas desenhadas sobre o traço dizem que tipo de falha é e como se moveu. As marcas aplicam-se a qualquer um dos três traços (contínuo, tracejado ou ponteado).
| Tipo de falha | Marca sobre o traço | Onde fica a marca |
|---|---|---|
| Falha (tipo desconhecido) | só o traço, mais grosso do que um contacto | não há marca |
| Normal | pequenos dentes ou barbelas (traços curtos perpendiculares, por vezes com uma bolinha na ponta) | do lado do bloco abatido (o teto, que desceu) |
| Inversa | pequenos triângulos cheios | do lado do bloco superior, o que subiu |
| Cavalgamento | triângulos cheios, com o traço normalmente mais grosso | do lado do bloco cavalgante (a placa que subiu e avançou por cima da outra) |
| Desligamento | duas meias-setas paralelas ao traço, uma de cada lado, em sentidos opostos | mostram para onde se deslocou cada bloco |
| Falha com pendor medido | seta perpendicular ao traço, com o valor da inclinação | aponta o sentido para onde o plano de falha mergulha |
Duas convenções complementares aparecem em algumas cartas e cortes:
- As letras U (up, bloco que subiu) e D (down, bloco que desceu) escritas de cada lado do traço, ou os sinais + e −.
- Nos cortes geológicos, meias-setas de cada lado do plano de falha, a mostrar o movimento relativo dos dois blocos.
Como ler o sentido de um desligamento a partir das meias-setas: coloca-te num dos blocos, de frente para a falha. Se o bloco do outro lado se desloca para a direita, é dextro; se se desloca para a esquerda, é sinistro. O resultado é o mesmo qualquer que seja o bloco em que te coloques; é por isso que a convenção funciona.
Como sempre, a forma exata das marcas (tamanho dos dentes, cor, espessura do traço) está na legenda da folha; o princípio de ler "dentes no bloco abatido, triângulos no bloco que cavalga" é comum às cartas geológicas.
Exemplo resolvido: interpretar um traço de falha
Um mapa mostra uma linha que começa como traço contínuo junto a um afloramento com espelho de falha e estrias visíveis, continua, mais adiante, como traço tracejado, e desaparece sob uma mancha de depósitos aluvionares recentes, onde retoma como traço pontilhado.
- O trecho contínuo corresponde à falha observada, confirmada no afloramento.
- O trecho tracejado corresponde à falha provável, inferida por continuidade estrutural, sem confirmação direta nesse troço.
- O trecho pontilhado corresponde à falha encoberta, sob os depósitos recentes.
- A leitura correta reconhece que se trata da mesma estrutura, com três graus de certeza diferentes ao longo do seu percurso, não de três falhas distintas.
Exemplo resolvido: ler o tipo de falha pelas marcas
Numa folha aparecem três falhas, todas a traço contínuo:
- Falha A, de direção N-S, com pequenos traços perpendiculares virados para leste.
- Falha B, de direção E-W, com triângulos cheios virados para norte.
-
Falha C, de direção NE-SW, com uma meia-seta a apontar para NE do lado noroeste e outra a apontar para SW do lado sudeste.
-
A é uma falha normal: os dentes marcam o bloco abatido, que é o bloco leste. O plano de falha inclina, portanto, para leste (o teto fica do lado para onde o plano mergulha, e numa falha normal é o teto que desce).
- B é uma falha inversa ou cavalgamento: os triângulos estão no bloco que subiu, o bloco norte, que cavalga o bloco sul. O plano mergulha para norte, por baixo do bloco cavalgante. Se o traço for sinuoso e acompanhar as curvas de nível (sinal de plano pouco inclinado), trata-se de um cavalgamento.
- C é um desligamento. Colocado no bloco sudeste, de frente para a falha (a olhar para NW), o observador vê o bloco noroeste deslocar-se para NE, isto é, para a sua direita: desligamento dextro. Confirmação: colocado no bloco noroeste, a olhar para SE, vê o bloco sudeste mover-se para SW, que também fica à sua direita.
- Registo na ficha: "A: falha normal observada, bloco E abatido; B: falha inversa observada, bloco N cavalgante; C: desligamento dextro observado".
10. Filões e ocorrências minerais
Filões
Um filão é uma fratura preenchida por minerais depositados a partir de fluidos hidrotermais, com uma direção e uma inclinação próprias, tal como uma camada ou uma falha. Representa-se na carta como uma linha estreita, com atitude assinalada, muitas vezes com uma cor ou trama que o distingue da rocha encaixante.
A relação entre filões e falhas é direta: os filões preenchem fraturas abertas por movimentos de falha, o que torna as zonas de falha alvos preferenciais de prospeção. Em Portugal, os filões de quartzo com volframite e cassiterite da região da Panasqueira, associados a mineralizações de tungsténio e estanho, são um exemplo bem conhecido deste tipo de estrutura.
A espessura, a continuidade lateral e a atitude de um filão são dados críticos: orientam onde amostrar e, mais tarde, onde localizar sondagens.
Ocorrências minerais
Uma ocorrência mineral é um local onde foi identificada a presença de uma substância de interesse económico, ainda sem a caracterização detalhada de um jazigo.
Não existe um símbolo único, igual em todas as cartas, para cada tipo de ocorrência. O que é comum a todas as legendas é a lógica de construção do símbolo, com três informações:
| Elemento do símbolo | O que transmite | Exemplo |
|---|---|---|
| Símbolo químico da substância, junto ao ponto | o que foi encontrado | Au (ouro), Ag (prata), Cu (cobre), Pb (chumbo), Zn (zinco), Sn (estanho), W (tungsténio), Li (lítio), U (urânio), Fe (ferro), Sb (antimónio), As (arsénio) |
| Forma ou tamanho do símbolo, definidos na legenda | a importância: simples indício, ocorrência, jazigo | por exemplo, um ponto pequeno para indício e um símbolo maior para jazigo |
| Estado, definido na legenda | nunca explorado, em exploração, explorado no passado | por exemplo, símbolo cheio, vazio ou com uma marca adicional |
Quando há várias substâncias, escrevem-se todas, a principal primeiro: "W, Sn" lê-se "tungsténio com estanho, sendo o tungsténio a substância principal". Para os recursos não metálicos, que não têm símbolo químico, usam-se abreviaturas definidas na legenda (por exemplo para caulino, quartzo, feldspato ou rochas ornamentais).
As ocorrências assinaladas na carta resultam normalmente de uma prospeção estratégica anterior, de reconhecimento regional; é a partir delas que se planeia a prospeção tática seguinte, de maior detalhe. Em Portugal, o LNEG mantém informação sobre ocorrências e recursos minerais que pode ser consultada no seu geoportal.
Exemplo resolvido: ler e inserir ocorrências
Uma carta de recursos tem três pontos numa área de xistos atravessados por filões de quartzo: (1) "Sn, W" com o símbolo de ocorrência vazio; (2) "W" com o símbolo de jazigo cheio e, ao lado, o símbolo de mina não ativa; (3) "Au, As" com o símbolo de indício.
- Ponto 1: ocorrência de estanho com tungsténio, sem exploração.
- Ponto 2: jazigo de tungsténio que foi explorado e já não está ativo. É o ponto de referência da área e, também, um local com riscos (galerias, escombreiras).
- Ponto 3: indício de ouro com arsénio. A associação ouro-arsénio é frequente (a arsenopirite acompanha muitas vezes o ouro); é um alvo a confirmar com amostragem.
- Ao inserir no mapa de trabalho uma nova ocorrência de cassiterite encontrada num filão, desenha-se o símbolo de ocorrência da legenda da campanha no ponto exato, escreve-se "Sn" ao lado e liga-se o ponto ao número da amostra e à ficha de campo.
11. Sondagens e amostras de campo
Sondagens
Uma sondagem é uma perfuração, vertical ou inclinada, que permite conhecer a geologia em profundidade, para além do que é visível à superfície. Na carta ou na planta de trabalho, representa-se como um ponto com uma referência numérica; o detalhe, profundidade, litologias atravessadas e inclinação do furo, fica registado num documento à parte, o relatório de sondagem (log).
Uma sondagem pode ser inclinada de propósito, quando o objetivo é intersetar um filão ou uma falha com uma orientação conhecida, de forma mais eficiente do que uma perfuração vertical conseguiria.
Na planta de sondagens usa-se muitas vezes um círculo com o número do furo e, quando a sondagem é inclinada, um traço que parte do círculo na direção do furo, com o comprimento igual à projeção horizontal do furo à escala da planta. Assim percebe-se de imediato onde é que o furo chega em profundidade.
Exemplo resolvido: representar uma sondagem inclinada
Um filão vertical aflora a 50 m do local escolhido para a boca de uma sondagem. A sondagem é feita com 60° de inclinação, na direção do filão, e com 150 m de comprimento total. A planta de trabalho está à escala 1:5000.
- Distância, ao longo do furo, até cortar o filão: 50 ÷ cos 60° = 50 ÷ 0,5 = 100 m de furo.
- Profundidade vertical a que o filão é intersetado: 50 × tan 60° ≈ 50 × 1,732 ≈ 86,6 m.
- Projeção horizontal do furo completo: 150 × cos 60° = 150 × 0,5 = 75 m; profundidade vertical final: 150 × sin 60° ≈ 150 × 0,866 ≈ 129,9 m.
- Na planta 1:5000, 75 m correspondem a 7500 cm ÷ 5000 = 1,5 cm: desenha-se o círculo da boca do furo, com o número (por exemplo "S1"), e um traço de 1,5 cm na direção do filão.
- No relatório de sondagem (log) regista-se a atitude do furo (direção e inclinação), o comprimento e a profundidade a que cada litologia foi atravessada.
Pontos de amostra
Os pontos de amostra não têm símbolos oficiais nacionais: cada empresa ou campanha define uma legenda de trabalho no início e mantém-na até ao fim. Um exemplo de legenda de trabalho, que é o usado nesta UC:
| Símbolo (descrição) | Significado |
|---|---|
| Círculo pequeno numerado | amostra de rocha |
| Quadrado pequeno numerado | amostra de solo |
| Triângulo | amostra de sedimentos de corrente |
| Losango pequeno | amostra de concentrado de bateia, minerais pesados |
| Ponto com número de estação | ponto de observação (afloramento descrito, sem amostra) |
O importante não é a forma concreta escolhida, mas que a legenda de trabalho esteja escrita no próprio mapa, que seja a mesma em toda a campanha e que não colida com símbolos da carta de base (um triângulo com ponto, por exemplo, confunde-se com o vértice geodésico).
Cada ponto assinalado no mapa corresponde a um registo de campo completo: coordenadas, tipo de amostra, data e observações. É esta ligação entre o ponto no mapa e a ficha de campo que permite, mais tarde, cruzar os resultados de laboratório com a localização exata onde cada amostra foi recolhida.
Exemplo resolvido: representar uma campanha de amostragem
Uma equipa recolhe, numa manhã de trabalho, duas amostras de rocha em afloramento e uma amostra de sedimentos de corrente numa confluência próxima.
- No mapa de trabalho, marcam-se dois círculos numerados (1 e 2) nos pontos exatos dos afloramentos amostrados.
- Marca-se um triângulo no ponto da confluência onde foi recolhida a amostra de sedimentos, numerado sequencialmente (3).
- Em cada ponto, confirma-se que a numeração no mapa corresponde exatamente à numeração do saco de amostra e da ficha de campo, para que não haja ambiguidade no laboratório.
- No fim do dia, os três pontos, com os respetivos símbolos, ficam visíveis no mapa de trabalho, prontos a cruzar com os resultados quando estes chegarem.
12. Litologias, afloramentos e identificação de rocha
Afloramentos
Um afloramento é o local onde a rocha está exposta à superfície, sem cobertura de solo, vegetação ou depósitos recentes: é o ponto de observação direta da geologia. Grande parte do território não é afloramento, está coberta por solo ou por depósitos superficiais, como o que em prospeção se designa informalmente por "cascalho". Nessas zonas, a geologia de base tem de ser inferida, por extrapolação entre afloramentos próximos ou confirmada por sondagem.
Afloramento, "cascalho" e blocos soltos
Nem toda a rocha que se vê no chão é afloramento. O técnico distingue sempre três situações, e regista-as de maneira diferente:
| Situação | Como se reconhece | Como se regista no mapa |
|---|---|---|
| Afloramento (rocha in situ) | rocha contínua, presa ao substrato, com estruturas (acamamento, foliação, fraturas) de atitude constante | ponto de observação com a litologia e as atitudes medidas |
| Blocos soltos ou calhaus rolados | fragmentos soltos, muitas vezes arredondados, sem ligação ao substrato; podem ter sido transportados | anotados como "blocos", nunca como afloramento, e nunca com atitude medida |
| Depósitos de cobertura ("cascalho", aluviões, coluviões, terraços) | material solto ou pouco consolidado, sobre o substrato | cartografados como unidade própria (geralmente quaternária) com o seu contacto |
Esta distinção tem valor prático na prospeção: um bloco de quartzo mineralizado encontrado solto numa encosta não marca a posição do filão; a origem está a montante (encosta acima, ou rio acima, se o bloco foi transportado pela água). Seguir os blocos mineralizados até deixarem de aparecer é uma técnica clássica para chegar à fonte. Pela mesma razão, uma atitude medida num bloco solto não tem significado e não se desenha na carta.
Em cada afloramento observam-se e registam-se três tipos de informação: a litologia (tipo de rocha), as estruturas (atitude, foliação, fraturas visíveis) e eventuais ocorrências minerais.
As três famílias de rochas
São três famílias; as magmáticas dividem-se em plutónicas e vulcânicas.
| Família | Origem |
|---|---|
| Magmáticas plutónicas | arrefecimento lento em profundidade |
| Magmáticas vulcânicas | arrefecimento rápido à superfície |
| Sedimentares | deposição e consolidação de partículas ou de precipitados |
| Metamórficas | transformação de rocha preexistente por pressão e temperatura |
Critérios de identificação de campo
| Critério | O que revela |
|---|---|
| Cor | orientação inicial, mas pode enganar por alteração superficial |
| Textura e granularidade | tipo de rocha e velocidade de arrefecimento ou de deposição |
| Minerais visíveis | composição mineralógica |
| Efervescência com HCl diluído | presença de carbonatos |
| Dureza (escala de Mohs) | um canivete comum corresponde a cerca de 5,5 na escala |
| Risca, cor do pó do mineral | identificação de minerais específicos |
| Magnetismo e densidade | indícios de minerais metálicos |
Exemplo resolvido: descrever um afloramento
Num afloramento, a rocha é cinzenta-esbranquiçada, de grão médio a grosseiro, com minerais visíveis a olho nu (quartzo, feldspato e mica), sem estratificação aparente, e não reage ao teste do ácido clorídrico diluído.
- A ausência de estratificação e a presença de cristais visíveis a olho nu sugerem uma rocha de arrefecimento lento: provavelmente magmática plutónica.
- A composição mineralógica descrita, quartzo, feldspato e mica, é consistente com um granito.
- A ausência de reação ao HCl confirma que não se trata de uma rocha carbonatada.
- Este registo, com fotografia e coordenadas, fica associado ao ponto de amostra correspondente no mapa de trabalho.
Exemplo resolvido: do afloramento ao símbolo
Três afloramentos visitados no mesmo dia dão as seguintes descrições: (1) rocha cinzenta-escura, de grão muito fino, que se parte em placas finas e brilhantes, sem reação ao HCl; (2) rocha clara, cinzenta, de grão fino, com efervescência forte ao HCl diluído e riscada facilmente pelo canivete; (3) rocha escura, de grão fino, sem estrutura planar, com pequenas cavidades arredondadas e ligeiramente magnética.
- (1) Placas finas e brilhantes, grão muito fino: rocha metamórfica foliada, um xisto ou uma ardósia. Símbolo: a cor e a sigla da unidade de xistos da legenda; mede-se e desenha-se a atitude da foliação.
- (2) Efervescência forte e dureza inferior à do canivete (a calcite tem dureza 3): calcário. Símbolo: cor e sigla da unidade carbonatada; mede-se a atitude do acamamento.
- (3) Grão fino, sem estrutura planar, cavidades de gases (vesículas), magnetismo ligeiro: rocha vulcânica básica, provavelmente um basalto. Símbolo: cor e sigla da unidade vulcânica; se for um filão, desenha-se como tal, com atitude.
- Nos três casos o ponto é marcado no mapa com o número da estação e ligado à ficha de campo, com fotografia com escala.
13. Recursos minerais: metálicos e não metálicos
Recursos metálicos
Um recurso mineral metálico tem o seu interesse económico centrado num elemento metálico extraível do minério. Exemplos de contexto português, a usar com moderação e sem inventar números:
- Faixa Piritosa Ibérica (Neves-Corvo, Aljustrel): sulfuretos maciços, com cobre, zinco e chumbo.
- Panasqueira: tungsténio e estanho, em filões de quartzo com volframite.
- Pegmatitos com lítio, no norte do país, na região do Barroso, com espodumena, e lepidolite noutros locais.
- Ouro, em Jales e Castromil.
- Urânio, historicamente explorado na Urgeiriça.
Estes contextos inserem-se em zonas geotectónicas do território continental, como a Zona Centro-Ibérica, a Zona de Ossa-Morena e a Zona Sul-Portuguesa.
Recursos não metálicos
Um recurso mineral não metálico tem o seu valor na própria substância mineral, sem extração de um metal.
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Rochas ornamentais | mármores, granitos para construção e decoração |
| Agregados | britas, areias e godos para construção civil |
| Argilas e caulinos | cerâmica e indústria |
| Sais e evaporitos | uso industrial e químico |
Aos exemplos acima juntam-se os minerais industriais (quartzo, feldspato, caulino, usados na cerâmica e no vidro), que são não metálicos mas, pelo seu valor, podem ser explorados em regime de mina (ver capítulo seguinte).
Os recursos não metálicos têm um peso económico relevante em Portugal, mesmo não tendo a visibilidade dos recursos metálicos. A distinção metálico e não metálico é sempre o primeiro passo de classificação de um recurso identificado em campo.
Exemplo resolvido: classificar e simbolizar recursos de uma área
Numa folha aparecem: um filão de quartzo com volframite; uma massa de granito cinzento explorado para cantaria; uma bolsada de caulino num granito alterado; e areias de um terraço fluvial.
| Recurso | Metálico ou não metálico | Como se assinala |
|---|---|---|
| Volframite em filão de quartzo | metálico (tungsténio) | símbolo de ocorrência com "W", sobre o traço do filão |
| Granito para cantaria | não metálico (rocha ornamental) | símbolo de pedreira da legenda e abreviatura da rocha |
| Caulino | não metálico (mineral industrial) | abreviatura definida na legenda (não há símbolo químico) |
| Areias de terraço | não metálico (agregado) | símbolo da legenda para areeiro ou pedreira de agregados |
Repara que o quartzo do primeiro caso não é o recurso: é a ganga do filão. O que dá valor ao filão é a volframite, e é esse o símbolo que se escreve.
14. Minas e pedreiras: ativas e não ativas
Definições: a distinção é legal, não de profundidade
Em Portugal, a diferença entre mina e pedreira não depende de a exploração ser subterrânea ou a céu aberto, nem de o recurso ser metálico: depende do tipo de recurso geológico, tal como a lei o classifica.
| Mina | Pedreira | |
|---|---|---|
| O que explora | um depósito mineral: ocorrência que, pela raridade, pelo alto valor específico ou pela importância em processos industriais, tem especial interesse económico (metálicos, mas também alguns minerais industriais) | uma massa mineral: rochas e ocorrências minerais sem essas características (rochas ornamentais, rochas industriais, agregados) |
| A quem pertence o recurso | domínio público do Estado | pode ser propriedade privada (em regra, do proprietário do terreno) |
| Enquadramento legal | Lei n.º 54/2015, de 22 de junho (bases do regime dos recursos geológicos), regulamentada para os depósitos minerais pelo Decreto-Lei n.º 30/2021, de 7 de maio | Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de outubro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de outubro |
| Como se obtém o direito | contrato com o Estado (prospeção e pesquisa, depois concessão de exploração), através da DGEG | licença de pesquisa e de exploração, com a entidade licenciadora definida na lei conforme a dimensão da pedreira |
| Método | subterrâneo ou a céu aberto | normalmente a céu aberto (também existem pedreiras subterrâneas) |
- Ativa: exploração em funcionamento, com direitos e licenciamento em vigor.
- Não ativa: exploração suspensa, encerrada ou abandonada, incluindo eventuais áreas mineiras degradadas.
Simbologia
Tal como nas ocorrências, a forma exata do símbolo vem da legenda da carta em uso. Há, no entanto, convenções muito difundidas:
| Elemento | Convenção frequente |
|---|---|
| Mina | martelos cruzados (ou picareta e martelo cruzados) |
| Pedreira, areeiro, saibreira | símbolo pontual próprio da legenda, ou o contorno da área escavada com pequenos traços (a crista do talude) virados para dentro da cava |
| Poço mineiro e entrada de galeria (emboquilhamento) | símbolos pontuais próprios da legenda; a entrada de galeria desenha-se com a abertura virada para o lado da encosta onde fica a boca |
| Escombreira | área com trama própria da legenda |
| Estado (ativa ou não ativa) | variante do mesmo símbolo definida na legenda: cor diferente, símbolo cheio e vazio, símbolo invertido ou a anotação "abandonada", "desativada" |
Na legenda de trabalho desta UC, para os exercícios de inserção de símbolos, usa-se a convenção seguinte:
| Símbolo | Significado |
|---|---|
| Martelos cruzados, cheios | mina ativa |
| Martelos cruzados, só contorno | mina não ativa |
| Quadrado com trama de pedra, cheio | pedreira ativa |
| Quadrado com trama de pedra, só contorno | pedreira não ativa |
A regra "cheio é ativo, contorno é não ativo" é prática e fácil de ler, mas é uma convenção de trabalho: numa carta oficial manda sempre a legenda dessa carta.
Exemplo resolvido: classificar e inserir explorações
Numa área de trabalho existem: (1) uma exploração subterrânea antiga de volframite, fechada há décadas, com duas entradas de galeria; (2) uma exploração a céu aberto de quartzo e feldspato para cerâmica, em laboração, com concessão atribuída pelo Estado; (3) uma pedreira de granito para cantaria, em laboração; (4) uma cava de extração de areia abandonada.
- (1) É uma mina (volframite, depósito mineral) não ativa: martelos cruzados só em contorno, mais os símbolos das duas entradas de galeria. Anotação: "perigo, galerias abertas".
- (2) É uma mina ativa, apesar de ser a céu aberto e de os minerais serem não metálicos: o que conta é que o recurso é um depósito mineral concessionado. Martelos cruzados cheios.
- (3) É uma pedreira ativa (massa mineral): quadrado cheio com trama de pedra.
- (4) É uma pedreira não ativa (areeiro): quadrado só em contorno; a cava pode ter taludes instáveis ou água acumulada.
Uma exploração não ativa não é sinónimo de segura: pode conter poços e galerias abandonadas, taludes instáveis e outros riscos, tratados no capítulo seguinte.
15. Segurança e saúde no trabalho de campo
O enquadramento
A segurança no trabalho de campo não é uma cortesia: é uma obrigação partilhada. O regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho (Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro) obriga o empregador a avaliar os riscos, informar e formar os trabalhadores e fornecer o EPI adequado, e obriga o trabalhador a cumprir as instruções de segurança, usar corretamente o EPI e comunicar situações de perigo. Nas minas e pedreiras aplica-se ainda um regulamento próprio de segurança e higiene no trabalho (Decreto-Lei n.º 162/90, de 22 de maio). Entrar numa exploração em laboração exige sempre autorização e o acolhimento de segurança dado pelo responsável da exploração.
A lógica de prevenção é sempre a mesma: identificar o perigo, avaliar o risco, eliminar ou reduzir o risco na origem, proteger coletivamente e, só por fim, proteger individualmente (EPI).
Antes de sair
- Trabalhar sempre em pares.
- Deixar a alguém um plano de campo, com a rota prevista e a hora de regresso.
- Levar meios de comunicação e conhecer o número de emergência 112.
- Confirmar a autorização dos proprietários dos terrenos a visitar.
Equipamento
Água e proteção solar são obrigatórias em qualquer saída. O EPI (equipamento de proteção individual) inclui botas adequadas ao terreno, capacete junto a taludes ou frentes de escavação, e óculos de proteção sempre que se parte rocha com o martelo geológico.
Riscos específicos da prospeção
- Poços e galerias mineiras abandonadas: nunca se entra. Podem ter ar pobre em oxigénio ou gases perigosos, abatimentos e poços escondidos por vegetação. A recuperação ambiental das áreas mineiras degradadas está a cargo da EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro).
- Taludes e frentes de pedreira: não circular no pé nem na crista de taludes; capacete sempre que se trabalha junto a uma frente.
- Escombreiras e lagoas de lamas: podem conter materiais instáveis e metais pesados; não pisar, não recolher água.
- Reagentes de campo: o ácido clorídrico diluído usado no teste de carbonatos transporta-se em frasco conta-gotas bem fechado e identificado; óculos de proteção ao usá-lo.
- Incêndios, calor, fauna (cães, cobras, vespas) e condições meteorológicas adversas.
Exemplo resolvido: avaliar os riscos de uma saída
Uma saída de dois dias vai incluir uma pedreira de granito em laboração, e uma encosta com uma mina antiga de volframite, em agosto, numa zona de mato.
| Perigo | Medida de prevenção | EPI ou meio |
|---|---|---|
| Queda de blocos na frente da pedreira | pedir autorização e acolhimento ao responsável; seguir as indicações; manter distância da frente | capacete, colete refletor, botas |
| Poços e galerias da mina antiga | não entrar; assinalar no mapa; não se aproximar de bocas escondidas pela vegetação | carta com a posição das bocas |
| Calor e desidratação | começar cedo; pausas à sombra; plano com hora de regresso | água, chapéu, proteção solar |
| Incêndio rural | não usar equipamento que produza faíscas no mato; conhecer o acesso de saída | comunicação e 112 |
| Fragmentos ao partir rocha | afastar o colega; não bater martelo contra martelo | óculos de proteção, luvas |
O resultado desta tabela passa para o plano de campo deixado na base.
Em caso de desorientação
O procedimento correto segue sempre a mesma sequência:
- PARAR de caminhar.
- Reorientar-se com a carta, a bússola e o GNSS.
- Se não for possível reorientar-se, ficar num local visível e pedir ajuda pelos meios de comunicação disponíveis.
Nunca se deve ensinar "seguir a linha de água a jusante" como regra de orientação em caso de desorientação. Esta prática leva frequentemente a ravinas e a cascatas, e é uma causa reconhecida de acidentes de campo. O procedimento correto é sempre parar e reorientar-se, nunca continuar a caminhar às cegas.
Exemplo resolvido: reagir a uma desorientação
Uma equipa, a meio de uma campanha de amostragem numa zona de mato denso, perde a noção exata da sua posição.
- Param imediatamente e não continuam a caminhar.
- Consultam a carta e o recetor GNSS, confirmando o datum configurado.
- Identificam um ponto de referência visível, uma linha de festo, uma torre, uma estrada, e recalculam a posição a partir daí.
- Se a posição não ficar clara, permanecem num local visível e contactam a base pelo rádio ou telemóvel, indicando a última posição conhecida.
16. Cartas litológicas, cartas de recursos e outras fontes de apoio
Além da carta topográfica e da carta geológica, um técnico de prospeção trabalha com outros documentos e ferramentas complementares, cada um com a sua própria simbologia a interpretar.
Cartas litológicas
Uma carta litológica foca-se especificamente na distribuição das rochas por tipo, com menos ênfase na idade do que a carta geológica clássica. É útil quando o objetivo imediato é identificar litologias favoráveis a um determinado tipo de recurso, sem entrar em todo o detalhe estratigráfico.
Cartas de recursos minerais
Uma carta de recursos minerais sintetiza, sobre a base topográfica ou geológica, todas as ocorrências, jazigos, minas e pedreiras de uma região, com a simbologia própria descrita nos capítulos 10 e 14 deste manual. É o documento de síntese que orienta a decisão de onde concentrar uma campanha de prospeção tática.
Manuais técnicos, simuladores e estudos de caso
- Os manuais técnicos de prospeção e pesquisa de recursos minerais detalham procedimentos, normas e boas práticas que complementam a leitura das cartas.
- Os simuladores permitem praticar a leitura e a interpretação de cenários geológicos antes de os enfrentar em campo real, sem custo nem risco.
- Os estudos de caso de campanhas reais de prospeção mostram como todo o conjunto de simbologia (topográfica, geológica, estrutural e de recursos) se articula na prática, do reconhecimento regional até à decisão de sondar.
Exemplo resolvido: cruzar três fontes de informação
Uma equipa prepara uma campanha de prospeção tática numa área já estudada estrategicamente. Dispõe de três documentos: a carta topográfica 1:25 000, a carta geológica 1:50 000 e uma carta de recursos minerais da região.
- Na carta topográfica, identificam-se os acessos e os pontos de referência para orientação no terreno.
- Na carta geológica, sobrepõe-se a informação de litologias e estruturas, localizando contactos e falhas próximos da área de interesse.
- Na carta de recursos, confirmam-se ocorrências minerais já assinaladas na zona e o seu estado, indício ou jazigo.
- Cruzando as três leituras, a equipa concentra o trabalho de amostragem junto às estruturas (falhas, filões) mais próximas das ocorrências já conhecidas, em vez de amostrar a área toda de forma indiferenciada.
Esta é a essência da realização "efetuar a representação gráfica da informação geológica recolhida no terreno": nunca um documento isolado, mas a leitura cruzada de várias fontes, sempre com a legenda de cada uma como referência.
17. Um dia de campo: praticar a leitura integrada
Este capítulo junta, numa única narrativa, tudo o que os capítulos anteriores trataram em separado. Serve como guião de estudo: ao lê-lo, tenta identificar em cada passo qual o conhecimento ou a aptidão do referencial que está a ser aplicada.
Preparação, antes de sair
A equipa reúne a carta topográfica 1:25 000, a carta geológica 1:50 000 e a respetiva notícia explicativa, e uma carta de recursos minerais da região. Confere o sistema de coordenadas de cada folha, ajusta o recetor GNSS ao mesmo datum, e calcula na carta a distância e o declive até ao primeiro ponto de trabalho. Preenche o plano de campo, deixa-o a um colega na base, com a rota e a hora de regresso prevista, e confirma que tem autorização para aceder aos terrenos.
Chegada ao primeiro ponto
No primeiro afloramento, a equipa regista a litologia observada: uma rocha de grão fino, cinzenta-esverdeada, com um alinhamento planar de minerais visível. Aplica os critérios de identificação de campo, cor, textura, minerais visíveis, e conclui tratar-se de uma rocha metamórfica com foliação bem marcada. Mede a atitude da foliação com a bússola de geólogo, corrigida pela declinação local, e regista o valor na ficha de campo. Fotografa o afloramento com escala, e marca um ponto de amostra no mapa de trabalho, numerado e correspondente ao saco recolhido.
Ao longo do percurso
Seguindo o trajeto planeado, a equipa cruza um contacto bem definido entre duas unidades: de um lado, a rocha metamórfica já descrita; do outro, uma rocha mais clara, de grão grosseiro, sem foliação. O contacto entre as duas é nítido, sem indícios de deformação ao longo dele, o que sugere um contacto intrusivo ou normal, a confirmar com a notícia explicativa da folha. Um pouco mais adiante, um pequeno vale expõe o mesmo contacto, e a forma do "V" formado permite estimar o sentido do seu pendor.
Uma estrutura de falha
Mais à frente, a equipa encontra um afloramento com uma superfície polida e estriada: um espelho de falha claro, com um pequeno rejeito visível numa veia próxima. Confirma o tipo de falha pelo sentido do deslocamento das estrias e pela posição do teto em relação ao muro, e regista-a como falha observada. Segue o alinhamento da estrutura ao longo do terreno, e verifica que, mais adiante, o traço deixa de ter afloramento visível: assinala essa parte como falha provável, e outra, já sob depósitos recentes, como encoberta.
Um filão e uma ocorrência
Próximo da zona de falha, encontra-se um filão de quartzo com alguns minerais metálicos visíveis. A equipa mede a atitude do filão, regista a sua espessura aproximada e recolhe uma amostra de rocha do próprio filão, numerada e associada às coordenadas do ponto. Consultando a carta de recursos da região, confirma que este ponto já constava como ocorrência mineral pontual, sem exploração; a nova amostra vai contribuir para decidir se essa ocorrência merece avançar para uma prospeção tática mais detalhada.
Regresso e registo
No regresso, a equipa passa perto de uma antiga exploração, sinalizada na carta como mina não ativa. Mantém-se afastada de qualquer poço ou entrada visível, sem tentar aceder ao interior, e regista a observação. De volta à base, transcreve todos os pontos, atitudes e amostras para o mapa de trabalho definitivo, cruzando os símbolos usados em campo com os da legenda oficial da folha, e prepara a ficha de campo completa para entrega ao laboratório e ao responsável técnico.
O que este exemplo demonstra
Cada decisão tomada ao longo do dia, desde a preparação até ao registo final, depende de uma leitura correta da simbologia: sem ela, a equipa não saberia que sistema de coordenadas usar, não distinguiria uma falha de uma diáclase, não saberia representar corretamente a atitude de uma camada, nem reconheceria os riscos de uma mina abandonada. É esta integração, entre a leitura das cartas e a produção rigorosa de novos registos gráficos, que a UC pretende desenvolver.
Erros comuns
- Assumir que todo o continente português está na banda UTM 29T; a sul do paralelo 40° é 29S.
- Tratar a declinação magnética como um valor fixo, em vez de a confirmar na carta ou num modelo atualizado.
- Confundir falha com diáclase, ignorando a ausência de deslocamento nesta última.
- Decidir anticlinal ou sinclinal pela forma da topografia, colina ou vale, em vez de pela idade das camadas no núcleo da dobra.
- Assumir uma cor fixa para uma idade geológica, sem confirmar na legenda dessa folha em concreto.
- Representar uma falha inferida, provável, com o mesmo traço de uma falha confirmada, observada.
- Aplicar a declinação ao contrário: com declinação a Oeste, o azimute geográfico é menor do que o magnético (subtrai-se); com declinação a Este, é maior (soma-se).
- Desenhar os dentes de uma falha normal no bloco que subiu, ou os triângulos de um cavalgamento no bloco de baixo; os dentes vão no bloco abatido e os triângulos no bloco cavalgante.
- Registar um sentido de pendor que não é perpendicular à direção (por exemplo, "N30°E, 45° NE").
- Chamar "mina" a qualquer exploração subterrânea e "pedreira" a qualquer exploração a céu aberto: a distinção é o tipo de recurso (depósito mineral ou massa mineral), não o método.
- Medir uma atitude num bloco solto e desenhá-la como se fosse de afloramento.
- Ignorar a trama de uma unidade litológica e ler apenas pela cor.
- Marcar um ponto de amostra na ficha de campo mas esquecer de o representar no mapa.
- Tratar uma mina ou pedreira não ativa como se não tivesse riscos de segurança.
- Ensinar "seguir a linha de água a jusante" como regra de orientação em caso de desorientação.
Glossário
- Afloramento: local onde a rocha está exposta à superfície, sem cobertura de solo ou vegetação.
- Anticlinal: dobra com as camadas mais antigas no núcleo.
- Atitude: direção e inclinação de um plano geológico.
- Azimute do pendor: ângulo, de 0° a 360°, entre o norte e a direção para onde o plano mergulha.
- Cavalgamento: falha inversa de baixo ângulo em que um bloco avança por cima do outro.
- Contacto: linha que separa duas unidades geológicas na carta.
- Declinação magnética: ângulo entre o norte geográfico e o norte magnético.
- Depósito mineral: recurso geológico de especial interesse económico, do domínio público do Estado, explorado em regime de mina.
- Desligamento: falha com movimento horizontal, dextro ou sinistro.
- Diáclase: fratura numa rocha sem deslocamento associado.
- Dip (inclinação): ângulo de um plano com a horizontal, com o sentido do pendor.
- Discordância: interrupção temporal na sequência de deposição.
- Equidistância: intervalo de altitude entre curvas de nível consecutivas.
- Falha: fratura com deslocamento relativo entre os blocos que separa.
- Filão: fratura preenchida por minerais de origem hidrotermal.
- Foliação: alinhamento planar de minerais numa rocha metamórfica.
- Jazigo: depósito mineral já reconhecido e caracterizado.
- Massa mineral: rocha sem as características de depósito mineral, explorada em pedreira, que pode ser propriedade privada.
- Muro (footwall): bloco situado abaixo do plano de uma falha.
- Ocorrência mineral: local onde foi identificada uma substância de interesse económico, sem caracterização detalhada.
- Regra do "V": relação entre a forma do traço de um plano ao cruzar um vale e o sentido e valor da sua inclinação.
- Rejeito: distância de deslocamento ao longo de uma falha.
- Sinclinal: dobra com as camadas mais recentes no núcleo.
- Sondagem: perfuração para conhecer a geologia em profundidade.
- Strike (direção): rumo da linha horizontal de um plano geológico.
- Teto (hanging wall): bloco situado acima do plano de uma falha.
- Trama: padrão gráfico que identifica a litologia de uma unidade na carta.
Síntese
A leitura e a produção de simbologia em prospeção de recursos minerais seguem sempre a mesma lógica: a carta topográfica é a base (coordenadas, escala, orientação, sinais convencionais); a carta geológica acrescenta litologias, idades e estruturas, sempre com a legenda da folha como referência única; a simbologia estrutural (atitude, foliação, contactos, dobras, falhas) descreve como as rochas foram deformadas; os elementos de prospeção (filões, ocorrências, sondagens, amostras) registam onde e o que foi observado no terreno; a classificação de litologias e recursos (metálicos e não metálicos) organiza o que se encontrou; e as minas, pedreiras e a segurança de campo completam o quadro de um trabalho profissional, rigoroso e seguro. Nunca se inventa um símbolo, nunca se decora uma cor fixa, e nunca se compromete a segurança da equipa por pressa.
Exercícios resolvidos
1. Um recetor GNSS indica uma banda UTM 29S para um ponto perto de Faro. É plausível?
Resolução: sim. Faro situa-se a sul do paralelo 40°N, pelo que a banda UTM correta para essa zona do continente é 29S. Só a norte do paralelo 40° a banda passa a 29T.
2. Entre dois pontos de uma vertente, o desnível é de 45 m e a distância horizontal é de 150 m. Qual é o declive em percentagem?
Resolução: (45 ÷ 150) × 100 = 0,3 × 100 = 30%.
3. Um afloramento apresenta um plano polido com estrias paralelas, um pequeno rejeito visível numa camada, e uma faixa de rocha triturada junto ao plano. É uma falha ou uma diáclase?
Resolução: é uma falha. O espelho de falha (superfície polida), as estrias, o rejeito e a salbanda de rocha triturada são indicadores de deslocamento relativo entre blocos, o que distingue a falha de uma diáclase, que não teria nenhum destes sinais.
4. Numa dobra, a unidade mais recente da coluna estratigráfica aparece no centro da estrutura. É um anticlinal ou um sinclinal?
Resolução: é um sinclinal. No sinclinal, as camadas mais recentes ficam no núcleo; no anticlinal, são as mais antigas que ali ficam.
5. Numa carta, uma falha aparece com traço contínuo junto a um afloramento confirmado, e depois muda para traço pontilhado sob uma mancha de aluviões. Que estados representam estes dois troços?
Resolução: o traço contínuo representa a falha observada, confirmada no afloramento; o traço pontilhado representa a falha encoberta, sob os depósitos recentes, sem afloramento visível nesse troço.
6. Porque é que os filões são, muitas vezes, encontrados junto a falhas?
Resolução: porque as falhas abrem fraturas no maciço rochoso, que funcionam como vias de circulação para fluidos hidrotermais. Quando esses fluidos arrefecem e precipitam minerais dentro da fratura, forma-se um filão. Por isso as zonas de falha são alvos preferenciais de prospeção.
7. Uma equipa perde-se numa zona de mato denso, sem referências visíveis próximas. Qual é o primeiro passo correto, e qual é o erro mais perigoso que poderia cometer?
Resolução: o primeiro passo correto é parar e reorientar-se com a carta, a bússola e o GNSS. O erro mais perigoso seria seguir uma linha de água a jusante como forma de encontrar caminho, prática que leva frequentemente a ravinas e cascatas e é causa reconhecida de acidentes de campo.
8. Na legenda de uma carta geológica, uma unidade litológica aparece com trama de pontos e outra com traços horizontais curtos. Que tipo geral de rocha sugere cada trama, e porque não basta olhar só à cor?
Resolução: na convenção mais difundida, a trama de pontos sugere areias ou arenitos; os traços horizontais curtos sugerem argilas ou argilitos. Não basta olhar só à cor porque a cor segue apenas uma convenção geral de idades e o valor exato varia de folha para folha; a trama e a sigla mantêm-se legíveis mesmo sem cor, por exemplo numa cópia a preto e branco. Em qualquer caso, a leitura confirma-se na legenda da folha.
9. Uma carta de recursos assinala, junto a um filão de quartzo, o símbolo de jazigo com "W, Sn", próximo de uma falha de desligamento dextro, e ao lado o símbolo de mina não ativa. Como se lê este conjunto e que cuidado de segurança acresce?
Resolução: trata-se de um jazigo de tungsténio com estanho (a substância principal escreve-se primeiro), associado a um filão que preenche uma fratura ligada à falha de desligamento, o que é coerente com o modelo de mineralização controlada por falhas. O símbolo de mina não ativa indica que o jazigo foi explorado no passado. A equipa deve reforçar as precauções: nunca entrar em poços ou galerias abandonadas, afastar-se de bocas escondidas pela vegetação e de escombreiras, e manter o plano de campo e o EPI adequados, porque uma exploração não ativa não é sinónimo de local seguro.
10. A bússola dá uma direção de N35°E numa zona onde a declinação é de 1°W. Qual é a direção geográfica? E se a declinação fosse de 1°E?
Resolução: azimute geográfico = azimute magnético + declinação (E positiva, W negativa). Com 1°W: 35° − 1° = 34°, logo N34°E. Com 1°E: 35° + 1° = 36°, logo N36°E. Verificação: com o norte magnético a oeste do geográfico, a bússola lê a mais, por isso o valor corrigido tem de ser menor.
11. Uma falha de direção N-S tem triângulos cheios desenhados do lado oeste do traço. Que tipo de falha é, que bloco subiu e para onde mergulha o plano?
Resolução: os triângulos indicam uma falha inversa ou cavalgamento, e ficam no bloco que subiu e cavalgou: o bloco oeste. O plano de falha mergulha por baixo do bloco cavalgante, isto é, para oeste. Se fossem dentes (traços curtos) do lado oeste, seria uma falha normal com o bloco oeste abatido, e o plano também mergulharia para oeste.
12. Uma exploração a céu aberto de caulino, com concessão atribuída pelo Estado, está desenhada numa carta de trabalho com o símbolo de pedreira. Está correto?
Resolução: não. Se o recurso foi concessionado pelo Estado, foi tratado como depósito mineral (domínio público do Estado, Lei n.º 54/2015), e a exploração é uma mina, mesmo sendo a céu aberto e não metálica. O símbolo correto é o de mina ativa. As pedreiras exploram massas minerais, que podem ser propriedade privada e seguem o regime do Decreto-Lei n.º 270/2001.
13. Converte a atitude N60°W, 25° NE para a notação azimute do pendor/inclinação.
Resolução: a direção N60°W corresponde ao azimute 300° (ou 120°, que é a mesma linha). O azimute do pendor é perpendicular: 300° + 90° = 390°, isto é, 30°, que fica no quadrante NE, como indicado. Resultado: 030/25.