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UC · Unidade de Competência · UC05035

Sebenta · Avaliar e executar os processos de fundição (UC05035)

Da peça ao molde, da fusão ao controlo de qualidade, um percurso completo pela fundição
50h · 4.5 pontos crédito Curso: T. Fundição, T. Laboratório - Fundição, T. Projeto de Moldes e Mod ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Esta sebenta acompanha a unidade curricular Avaliar e executar os processos de fundição, do curso de Técnico de Projeto de Moldes e Modelos, Fundição. A fundição é um dos processos de fabrico mais antigos da indústria: verte-se metal líquido para dentro de um molde com a forma pretendida e deixa-se solidificar. É assim que se obtêm blocos de motor, torneiras, ferragens, peças de arte e milhares de componentes industriais.

O percurso desta UC segue sempre a mesma lógica, repetida em cada peça: analisar os requisitos técnicos e funcionais da peça a obter, selecionar o processo de fundição mais adequado, definir as variáveis críticas desse processo, executar as técnicas e operações dos vários processos de fundição e, por fim, efetuar o controlo de qualidade das peças. Estas cinco ações são as realizações oficiais desta UC e organizam toda a matéria que se segue.

Ao longo dos próximos capítulos vamos conhecer as matérias-primas (areias e metais), os tipos de moldes e de machos, os processos de moldação manual e mecânica, os quatro grandes processos de fundição (em areia, em coquilha, injetada e por cera perdida), a fusão e o vazamento do metal, o controlo do arrefecimento, a desmoldação, a limpeza e o acabamento, o controlo de qualidade e, finalmente, as normas de segurança, gestão de resíduos, proteção ambiental e qualidade que atravessam toda a indústria de fundição.

1. Fundição: objetivo, tipos, aplicações e vantagens

Fundir é obter uma peça vertendo um metal ou uma liga metálica líquida para dentro de uma cavidade com a forma pretendida, deixando-a solidificar. É um dos processos de fabrico mais versáteis: permite obter geometrias complexas numa única peça, que seriam difíceis ou impossíveis de conseguir só por maquinagem.

Objetivo e vantagens

O objetivo da fundição é transformar metal em estado líquido numa peça sólida com a forma, as dimensões e as propriedades mecânicas exigidas. As suas principais vantagens são:

Tipos e aplicações

Setor Exemplos de peças fundidas
Automóvel blocos de motor, cárteres, jantes
Canalização torneiras, válvulas, uniões
Construção e ferragens dobradiças, fechaduras, suportes
Arte e decoração estatuária, sinos, medalhas
Aeronáutica e turbinas pás de turbina (cera perdida)

A fundição está presente em quase todos os setores industriais, precisamente porque combina liberdade de forma com economia à escala.

Um bloco de motor de automóvel, obtido por fundição em coquilha ou em molde de areia mecanizado, integra numa única peça condutas de óleo, de água e apoios de fixação que, feitos por maquinagem a partir de um bloco maciço, exigiriam dezenas de operações e desperdiçariam muito material.

2. Desenho técnico e fichas de trabalho

Antes de qualquer decisão sobre o processo, o técnico tem de analisar os requisitos técnicos e funcionais da peça a obter. Essa análise começa sempre no desenho técnico (plantas).

O que se lê no desenho técnico

Interpretar corretamente estes elementos é a base de tudo o resto: um erro na leitura do desenho técnico propaga-se a todas as fases seguintes.

A ficha de trabalho

A ficha de trabalho é o documento que acompanha a peça em toda a produção. Interpretá-la é uma aptidão avaliada nesta UC, e é nela que se apoia a seleção das matérias-primas usadas em fundição, de acordo com um dos critérios de desempenho oficiais.

A ficha regista tipicamente:

Campo da ficha Conteúdo
Identificação da peça código, desenho de referência, cliente
Material liga metálica, norma aplicável
Processo tipo de fundição a usar
Parâmetros temperatura de fusão e vazamento, tempo de arrefecimento
Controlo de qualidade critérios de aceitação, resultados de inspeção

As fichas de acompanhamento das fases do processo de produção registam, passo a passo, o que aconteceu em cada fase: moldação, fusão, vazamento, arrefecimento, desmoldação e acabamento. É este registo que dá rastreabilidade: se uma peça falhar, a ficha permite descobrir em que fase esteve a origem do problema.

Preencher a ficha de trabalho em cada fase, no momento em que ela acontece, é muito mais fiável do que tentar reconstituir tudo no fim de memória.

3. Matérias-primas: as areias de fundição

A fundição em areia é o processo de fundição mais utilizado, e a qualidade do molde depende diretamente da mistura de areia usada. Caracterizar os tipos de areias de fundição é uma aptidão explícita desta UC.

Composição de uma areia de moldação

Componente Função
Areia de sílica grão base, quartzo, dá volume e forma
Argila (bentonite) ligante, une os grãos entre si
Água ativa a bentonite, dá plasticidade (areia verde)
Aditivos (carvão mineral, resinas) melhoram o acabamento e a resistência

A proporção certa entre estes componentes dá ao molde três qualidades essenciais: resistência mecânica para não desmoronar, permeabilidade suficiente para deixar sair os gases, e capacidade de reprodução de detalhe para copiar fielmente o modelo.

Tipos de areias

Tipo Ligante Uso típico
Areia verde argila + água moldação corrente, reutilizável ciclo após ciclo
Areia autossecativa resina + catalisador, endurece ao ar moldes e machos de maior precisão
Areia de caixa fria resina curada por gás catalisador à temperatura ambiente machos de geometria complexa
Areia de caixa quente resina curada pelo calor da caixa aquecida machos em produção de série

A areia verde é reciclável, o que a torna económica em grandes volumes. As areias de macharia (caixa fria e caixa quente) exigem mais processo, mas dão peças mais resistentes e rigorosas, próprias para os machos que ficam rodeados de metal líquido em todas as faces.

Uma mistura de areia mal doseada (pouca argila, água a mais) desmorona ao retirar o modelo ou não reproduz os detalhes finos da cavidade. Testar a compactação antes de moldar em série evita retrabalho.

4. Metais e ligas metálicas

Cada metal e cada liga metálica traz consigo propriedades próprias, sobretudo a densidade e a temperatura de fusão, que condicionam todo o processo, do forno ao molde.

Temperaturas de fusão de referência

Metal ou liga Temperatura de fusão aproximada
Ligas de zinco 380 a 420 °C
Alumínio e ligas 580 a 660 °C
Bronze (cobre + estanho) 900 a 1 000 °C
Ferro fundido 1 150 a 1 250 °C
Aço acima de 1 400 °C

Metais de fusão mais baixa (alumínio, zinco) permitem moldes mais simples e são fáceis de trabalhar em oficina de formação. Metais de fusão mais alta (ferro fundido, aço) exigem fornos e moldes preparados para temperaturas muito superiores, com maior exigência de segurança.

Escolher a liga certa

A escolha da liga metálica decorre diretamente da análise dos requisitos da peça, feita no desenho técnico:

Esta escolha é já uma das variáveis críticas do processo, porque determina a temperatura de fusão e de vazamento, o tipo de molde compatível e a técnica de vazamento a aplicar mais adiante.

Exemplo resolvido: escolher entre alumínio e ferro fundido

Uma oficina tem de produzir 500 tampas para um motor pequeno, com paredes finas e exigência de peso reduzido, sem grande exposição a esforços mecânicos elevados.

Resolução: a liga de alumínio é a escolha indicada. Justificação: temperatura de fusão baixa (menos energia e menor risco), peso reduzido (requisito da peça), boa fluidez para paredes finas, e o volume (500 peças) já justifica um molde permanente ou semipermanente. O ferro fundido seria preferível apenas se a peça exigisse muito maior resistência mecânica ou resistência ao desgaste, ao custo de mais peso e temperaturas de fusão bem mais elevadas.

5. Moldes para fundição

O molde é o elemento que dá forma à peça. O referencial distingue quatro tipos de moldes para fundição, e reconhecê-los é uma aptidão explícita desta UC.

Os quatro tipos de molde

Tipo de molde Características Reutilização
Molde permanente metálico, usado em coquilha e injeção centenas a milhares de vezes
Placas-molde suportam o modelo, para moldação mecânica em série permanentes, produzem muitos moldes de areia
Molde solto em areia, feito à volta de um modelo retirado no fim o molde é reciclado, não reutilizado tal e qual
Molde perdido destruído para retirar a peça (areia tradicional, cera perdida) um molde por peça

Constituintes do molde

Descrever os diferentes constituintes dos moldes é um critério de desempenho oficial desta UC.

Numa peça em forma de tubo, o macho ocupa o espaço onde ficará o furo central. Sem macho, a peça sairia maciça; um macho mal posicionado desloca-se com a pressão do metal líquido e dá paredes de espessura desigual, um defeito frequente e difícil de detetar antes da maquinagem.

6. Processo de moldação: manual e mecânica

Moldar é o processo de construir o molde de areia à volta de um modelo. O referencial distingue dois processos: manual e mecânica.

Moldação manual, passo a passo

  1. Colocar o modelo sobre uma base plana, dentro da chapola (caixa de moldação) inferior.
  2. Encher com areia e compactar (socar) uniformemente à volta do modelo.
  3. Rasar o excesso de areia e virar a chapola.
  4. Repetir o processo na chapola superior, incluindo o sistema de gitagem e os respiros.
  5. Retirar o modelo com cuidado, sem danificar a cavidade formada.
  6. Fechar e cintar as duas chapolas, prontas para o vazamento.

Moldação mecânica

A moldação mecânica usa máquinas (por vibração, prensagem ou projeção de areia) e placas-molde para acelerar drasticamente a produção de moldes iguais entre si.

Critério Moldação manual Moldação mecânica
Volume de produção pequenas séries, protótipos grandes séries
Consistência entre peças depende da perícia do moldador muito repetível
Velocidade lenta rápida
Investimento inicial baixo mais elevado (placas-molde, máquina)

A escolha entre manual e mecânica decorre diretamente da quantidade a produzir, definida logo na análise inicial da peça: uma peça única compensa fazer-se à mão, uma série de milhares justifica o investimento na moldação mecânica.

7. Caixas de machos e macharia

O macho é o elemento de areia que forma os vazios internos da peça, e é produzido numa caixa de machos própria, separada da caixa de moldação do molde principal.

Requisitos do macho

Caixa fria e caixa quente

Processo Agente de cura Vantagem
Caixa fria (cold box) resina curada por gás catalisador, à temperatura ambiente rápida, adequada a geometrias complexas
Caixa quente (hot box) resina curada pelo calor da própria caixa aquecida boa produtividade em série

Ambos os processos dão machos mais resistentes e dimensionalmente mais consistentes do que a areia verde comum, e por isso são a escolha habitual sempre que o macho tem geometria fina ou vai ficar sujeito a maior pressão de metal líquido.

Um macho sem respiros suficientes é uma das causas mais comuns de bolhas e porosidade em peças fundidas com furos ou cavidades internas.

8. Processos de fundição: em areia, em coquilha, injetada e cera perdida

Selecionar o processo de fundição é a segunda grande realização da UC, feita depois de conhecidos os requisitos da peça e a liga escolhida.

Fundição em areia

Fundição em coquilha

Fundição injetada

Fundição por cera perdida (microfusão)

  1. Produz-se um modelo da peça em cera.
  2. Revestem-se sucessivas camadas de material refratário sobre a cera, formando uma casca cerâmica.
  3. Aquece-se o conjunto: a cera derrete e escoa (é "perdida"), deixando a cavidade oca.
  4. Verte-se o metal líquido diretamente na casca ainda quente.
  5. Parte-se a casca cerâmica para libertar a peça final.

Este processo dá o detalhe mais fino e o melhor acabamento de todos, mas é lento e caro: usa-se em peças de precisão, joalharia, próteses e pás de turbina.

Comparação dos quatro processos

Processo Molde Série ideal Acabamento
Em areia perdido pequena a média mais rugoso
Em coquilha permanente, gravidade média a grande fino
Injetada permanente, pressão grande muito fino, alta precisão
Cera perdida perdido (cerâmico) pequena, alta precisão excelente, muito detalhado

Uma pá de turbina, com canais de arrefecimento internos muito finos, só é viável em cera perdida: nenhum outro processo consegue reproduzir com essa precisão a geometria interna exigida.

9. Fusão e vazamento do metal

Preparar e fundir o metal ou liga metálica

Definido o molde e a liga, segue-se a fusão, uma das variáveis críticas do processo:

Técnica de vazamento do metal no molde

Efetuar o vazamento do metal no molde é uma aptidão central desta UC:

O vazamento é um momento irreversível do processo: um erro aqui só se descobre com a peça já defeituosa.

Exemplo resolvido: temperatura de vazamento

Uma liga de alumínio funde a 660 °C. A ficha de trabalho pede um sobreaquecimento de vazamento de 60 a 80 °C acima da temperatura de fusão, para compensar a perda de calor entre o forno e o molde.

Resolução: a temperatura de vazamento deve estar entre 720 °C e 740 °C (660 + 60 a 660 + 80). Vazar a 660 °C exatos seria arriscado: o metal começaria a solidificar antes de preencher toda a cavidade, resultando em falta de enchimento. Vazar muito acima de 740 °C, por outro lado, aumenta a oxidação e o risco de defeitos, sem benefício adicional.

Segurança na fusão e no vazamento

A fusão e o vazamento são das fases mais perigosas do processo:

Água em contacto com metal líquido expande-se de forma explosiva. Ferramentas, moldes ou EPI molhados nunca se aproximam da zona de fusão ou de vazamento.

10. Controlo do arrefecimento e desmoldação

Controlo do arrefecimento

Depois de cheio, o molde arrefece e o metal solidifica. Monitorizar o arrefecimento e a solidificação é uma aptidão avaliada, e é também uma variável crítica do processo:

Desmoldação: processo, procedimentos e cuidados

A desmoldação é a operação de retirar a peça já sólida do molde:

Desmoldar cedo demais, com a peça ainda quente e não totalmente sólida, provoca deformações permanentes. Confirmar sempre o tempo de arrefecimento definido na ficha de trabalho antes de abrir o molde.

11. Limpeza, acabamento e controlo de qualidade

Limpeza e acabamento da peça fundida

Desmoldada, a peça ainda não está pronta a entregar. A sequência correta de acabamento é:

  1. Remoção dos gitos e massalotes, cortados por serra, rebarbadora ou corte a quente.
  2. Granalhagem ou jateamento, para remover areia agarrada e óxidos superficiais.
  3. Rebarbagem, eliminando rebarbas nas linhas de junção do molde.
  4. Tratamento térmico (quando a liga o exigir): alívio de tensões, recozimento.
  5. Inspeção visual e dimensional preliminar.

Efetuar o controlo de qualidade das peças

O controlo de qualidade é a última realização da UC, e fecha o ciclo iniciado na análise dos requisitos técnicos e funcionais:

Defeitos comuns e as suas causas

Defeito Causa provável
Porosidade gases presos, desgasificação insuficiente do banho
Rechupe massalote mal dimensionado, arrefecimento mal controlado
Inclusões de areia vazamento turbulento, molde mal compactado
Falta de enchimento temperatura de vazamento baixa, vazamento demasiado lento
Rebarba excessiva chapolas mal cintadas, molde mal fechado

Exemplo resolvido: interpretar um defeito

Uma peça fundida em areia apresenta uma zona esponjosa e cheia de pequenas cavidades junto à secção mais espessa, exatamente onde estava um massalote pequeno.

Resolução: trata-se de um rechupe, causado por um massalote subdimensionado que não conseguiu alimentar a peça com metal líquido suficiente durante a contração da solidificação. A correção não está na peça já fundida (é sucata ou retrabalho), mas no processo: aumentar o volume do massalote nessa zona para o próximo lote, garantindo que ele solidifica por último.

O controlo de qualidade não serve apenas para aceitar ou rejeitar peças: serve, sobretudo, para corrigir o processo e evitar que o mesmo defeito se repita no lote seguinte.

12. Segurança, ambiente e normas da qualidade

O último critério de desempenho da UC junta cinco frentes que atravessam todas as fases anteriores: segurança e saúde no trabalho, proteção individual, gestão de resíduos, proteção ambiental e qualidade.

Equipamentos de proteção individual e segurança no trabalho

Normas de gestão de resíduos e de proteção ambiental

Normas da qualidade

As cinco normas (segurança, EPI, resíduos, ambiente, qualidade) não são "extra": fazem parte do critério de desempenho avaliado em cada fase prática, do mesmo modo que a técnica de moldação ou de vazamento.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A fundição segue sempre a mesma sequência lógica: analisar a peça a partir do desenho técnico e da ficha de trabalho, selecionar o processo (areia, coquilha, injetada ou cera perdida) e a liga metálica, definir as variáveis críticas de temperatura, molde e macho, executar as técnicas de moldação, fusão, vazamento, arrefecimento e desmoldação, e efetuar o controlo de qualidade das peças, corrigindo o processo sempre que um defeito o justifique. Transversalmente a todas as fases, cumprem-se as normas de segurança e saúde no trabalho, o uso de EPI, a gestão de resíduos, a proteção ambiental e as normas da qualidade. Dominar este ciclo completo é o que distingue um técnico de fundição competente.

Exercícios resolvidos

1. Uma peça pequena, de série grande, com paredes muito finas e boa precisão dimensional, vai ser produzida em liga de zinco. Que processo de fundição escolherias?

Resolução: fundição injetada (die casting). É o processo indicado para séries grandes, ligas de baixa temperatura de fusão como o zinco, paredes finas e alta precisão dimensional. O investimento elevado no molde e no equipamento amortiza-se precisamente pelo grande volume de peças.

2. Explica porque é que o molde de areia se chama "molde perdido", mesmo quando o modelo usado para o fazer é reaproveitado dezenas de vezes.

Resolução: "perdido" refere-se ao molde, não ao modelo. O molde de areia é destruído (a chapola parte-se ou vibra-se) sempre que se retira a peça, por isso é preciso fazer um molde novo para cada peça seguinte. O modelo, esse, é uma peça à parte (madeira, metal ou resina) que pode ser reutilizado indefinidamente para fazer novos moldes.

3. Uma peça fundida sai com pequenas bolhas espalhadas pela superfície interna. Que defeito é este e qual a causa mais provável?

Resolução: porosidade, causada normalmente por gases presos, seja por desgasificação insuficiente do metal antes do vazamento, seja por respiros insuficientes no molde ou no macho que não deixaram os gases escapar durante o enchimento.

4. Porque é que os massalotes têm de solidificar por último?

Resolução: porque a sua função é continuar a alimentar a peça com metal líquido enquanto esta contrai ao arrefecer. Se o massalote solidificasse primeiro, deixaria de haver metal líquido disponível para compensar a contração da peça, e formar-se-ia um rechupe (cavidade interna) exatamente na zona mais espessa.

5. Um colega diz que caixa fria e caixa quente produzem machos "iguais, só muda o nome". Corrige-o.

Resolução: não são iguais. Na caixa fria, a areia com resina cura à temperatura ambiente, por reação química com um gás catalisador. Na caixa quente, a cura acontece pelo calor da própria caixa aquecida. O agente de cura é diferente (gás versus calor), o que muda o tempo de ciclo, o equipamento necessário e, em muitos casos, a resistência final do macho.

6. Antes de aceitar uma peça fundida crítica (por exemplo, para uma aplicação de segurança), que tipo de controlo de qualidade se deve fazer, além da inspeção visual?

Resolução: deve fazer-se inspeção dimensional (comparar cotas com o desenho técnico) e, sendo uma peça crítica, deteção de defeitos internos com raio-x ou ultrassons, já que a inspeção visual não deteta porosidade, rechupes ou inclusões dentro da peça. Os resultados devem ficar registados na ficha de trabalho, garantindo rastreabilidade até ao lote de metal usado.