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UC · Unidade de Competência · UC04875

Sebenta · Implementar as normas de segurança e saúde no trabalho na área das artes do metal (UC04875)

Quadro normativo, riscos, EPI, planos de emergência e primeiros socorros na oficina de metal
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Artesão/ã das Artes do ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Forjar, soldar, cortar e polir metal é um ofício que envolve calor intenso, faíscas, poeiras metálicas, ruído e ferramentas cortantes. Nenhuma destas condições desaparece com boa vontade: desaparecem com regras aplicadas todos os dias. É isso que esta unidade curricular ensina: interpretar o quadro normativo da segurança e saúde no trabalho (SST) e aplicar, na prática da oficina de artes do metal, as medidas e procedimentos que previnem acidentes e doenças profissionais.

Esta sebenta segue o referencial oficial da qualificação de Artesão/ã das Artes do Metal e cobre, por esta ordem: os conceitos e princípios da SST; o quadro normativo e os documentos da oficina; os riscos gerais e a sua prevenção; os sistemas de controlo de risco e o plano de segurança interno; os planos de prevenção de acidentes, incêndios, emergência, evacuação e roubo; o equipamento de proteção individual (EPI) e a ergonomia; as regras de manuseamento de equipamento e movimentação de materiais; as causas e tipos de acidentes de trabalho; os primeiros socorros; e, por fim, o incêndio, das causas à atuação.

Objetivos de aprendizagem (referencial): interpretar o quadro normativo e os princípios gerais sobre segurança e saúde no trabalho; e aplicar medidas e procedimentos de segurança e saúde no trabalho na área do artesanato das artes do metal, considerando os riscos do posto de trabalho, cumprindo as medidas de atuação em emergência e respeitando o protocolo interno definido.

1. Segurança e saúde no trabalho: conceitos e princípios

A segurança e saúde no trabalho (SST) cobre duas dimensões distintas e complementares:

Um artesão pode nunca ter um acidente e, mesmo assim, sair da profissão com a saúde comprometida se trabalhar anos sem proteção auditiva junto à forja ou sem extração de fumos junto à bancada de soldadura. As duas frentes exigem atenção constante.

Os princípios gerais de prevenção

A lei portuguesa organiza a prevenção por uma hierarquia de princípios, aplicável a qualquer risco encontrado na oficina:

  1. Evitar os riscos, eliminando a fonte de perigo sempre que possível.
  2. Avaliar os riscos que não podem ser evitados.
  3. Combater os riscos na origem, não só atenuar os seus efeitos.
  4. Adaptar o trabalho à pessoa (ergonomia do posto, ritmo, ferramentas), e não o contrário.
  5. Dar prioridade às medidas de proteção coletiva sobre as medidas de proteção individual.
  6. Formar e informar todos os que trabalham ou entram na oficina.

Esta hierarquia é a bússola de toda a unidade curricular: sempre que se avalia um risco, começa-se a pensar na solução pelo topo da lista, não pelo EPI.

2. O quadro normativo da segurança e saúde no trabalho

Interpretar o quadro normativo é a primeira realização do referencial. Em Portugal, este quadro assenta em três pilares:

A fiscalização do cumprimento destas normas cabe à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que pode inspecionar qualquer oficina, artesanal ou industrial. A normalização técnica, as normas NP e a adoção das normas europeias em Portugal são da competência do Instituto Português da Qualidade (IPQ), que não fiscaliza locais de trabalho.

Legislação setorial por tipo de risco

O terceiro pilar não é uma vaga referência a "outros normativos": são diplomas concretos, cada um com o seu risco e, em vários casos, com números que o artesão tem de saber ler. Estes são os que tocam diretamente a oficina de metal:

Risco Diploma O que fixa
Ruído DL n.º 182/2006, de 6 de setembro valores de ação e valor limite de exposição (ver quadro abaixo)
Vibrações mecânicas DL n.º 46/2006, de 24 de fevereiro valores de ação e valores limite, mão-braço e corpo inteiro
Sinalização de segurança DL n.º 141/95, de 14 de junho e Portaria n.º 1456-A/95, de 11 de dezembro tipos de sinais, código de cores e regras de colocação
Acidentes de trabalho Lei n.º 98/2009, de 4 de setembro reparação dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais
Utilização de EPI DL n.º 348/93, de 1 de outubro deveres de fornecer, manter e usar o EPI no trabalho
EPI enquanto produto Regulamento (UE) 2016/425 conceção, fabrico e marcação CE do EPI posto no mercado

Duas leituras que valem mais do que decorar números de diploma:

⚠️ O regime geral em vigor é a Lei n.º 102/2009. O antigo DL n.º 441/91 está revogado: se o encontrares citado num manual antigo da oficina como lei aplicável, o manual está desatualizado. Já os diplomas setoriais da tabela acima continuam em vigor.

Sinalização de segurança: cores e formas

O DL 141/95 e a Portaria 1456-A/95 dão à sinalização uma gramática fixa, que se lê sem saber ler a língua do cartaz. O código de cores:

Cor Significado
Vermelho proibição, paragem, perigo e alarme, dispositivos de corte de emergência e material de combate a incêndio
Amarelo ou amarelo-alaranjado aviso, atenção, precaução
Azul obrigação, um comportamento imposto, como usar determinado EPI
Verde salvamento e socorro, situação de segurança, saídas e caminhos de emergência, primeiros socorros

E a forma diz a categoria antes de se ler o pictograma:

Daí a confusão mais comum na oficina: o verde nunca indica um extintor. O extintor é vermelho; o verde é a saída de emergência e a caixa de primeiros socorros.

Documentação e manuais de segurança

Além da lei geral, cada oficina organiza a sua própria documentação de segurança, que qualquer artesão deve saber consultar:

Documento Conteúdo
Manual de segurança regras e procedimentos gerais da oficina
Plano de segurança interno organização diária da prevenção por posto de trabalho
Plano de prevenção de acidentes riscos de acidente e medidas associadas
Plano de prevenção de incêndios medidas para evitar o início de um fogo
Plano de emergência procedimento perante qualquer situação crítica
Plano de evacuação rotas de fuga, ponto de encontro, responsáveis
Plano contra roubos proteção de pessoas, ferramentas e materiais
Documentação de apoio relatórios, folhetos e brochuras de formação contínua

Exemplo resolvido: onde procurar a regra certa

Um aprendiz tem dúvidas sobre a temperatura mínima de segurança para retirar uma peça do forno de forja. Onde deve procurar a resposta?

  1. Primeiro, no manual de segurança da oficina, que costuma listar os procedimentos específicos de cada equipamento.
  2. Se o manual não especificar, no plano de segurança interno, que descreve o posto de trabalho da forja.
  3. Em último caso, perguntar ao responsável da oficina, e registar a resposta para consulta futura.

A regra de ouro: nunca decidir por intuição quando existe documentação para consultar.

3. Riscos gerais na oficina de metal e sua prevenção

O referencial exige o conhecimento dos riscos gerais e a sua prevenção, organizados em quatro categorias que cobrem toda a oficina:

A sequência de prevenção do risco

Prevenir qualquer risco segue sempre quatro passos:

  1. Identificar o perigo, o que pode causar dano.
  2. Avaliar a probabilidade de ocorrer e a gravidade do dano.
  3. Controlar, escolhendo a medida mais eficaz segundo a hierarquia de prevenção.
  4. Rever periodicamente, porque a oficina, as ferramentas e as tarefas mudam.

Exemplo resolvido: avaliar o risco de uma rebarbadora

Um artesão vai usar a rebarbadora para acabar uma peça soldada.

  1. Perigo identificado: projeção de partículas, ruído elevado, contacto acidental com o disco em rotação.
  2. Avaliação: probabilidade alta (uso frequente), gravidade elevada (lesão ocular ou corte grave).
  3. Controlo: verificar o disco antes de usar, garantir que o resguardo da máquina está montado, fixar bem a peça a trabalhar.
  4. EPI complementar: óculos ou viseira, protetores auriculares, luvas adequadas ao tipo de trabalho.

Este raciocínio de quatro passos aplica-se a qualquer posto da oficina, da forja à bancada de soldadura.

4. Sistemas de controlo de riscos e plano de segurança interno

Um sistema de controlo de riscos organiza as medidas de prevenção segundo a mesma hierarquia dos princípios gerais, agora aplicada a soluções concretas:

O plano de segurança interno

O plano de segurança interno é o documento que organiza, por escrito, a prevenção do dia a dia:

Interpretar este plano é uma aptidão exigida pelo referencial: o artesão tem de saber lê-lo e aplicá-lo, não apenas segui-lo por hábito ou repetição.

⚠️ O plano de segurança interno trata do funcionamento normal da oficina. É diferente do plano de emergência, que trata do que fazer quando algo já correu mal. São documentos complementares, não intercambiáveis.

5. Plano de prevenção de acidentes e plano de prevenção de incêndios

Plano de prevenção de acidentes

Este plano foca-se nas causas de acidente mais frequentes numa oficina de metal:

Cada risco listado tem uma medida associada: resguardo de máquina, sinalização da zona de calor, procedimento de arrefecimento da peça antes de a manusear, formação sobre técnicas de levantamento de cargas.

Plano de prevenção de incêndios

Este plano é particularmente crítico numa oficina onde a forja, a soldadura e o corte a quente estão presentes todos os dias:

Trabalhos a quente: a permissão de trabalho e o vigia

Soldar, cortar com disco, oxicortar e aquecer à chama fora de uma zona preparada para isso chama-se trabalho a quente, e é a origem mais provável de um incêndio na oficina. O procedimento reconhecido internacionalmente, e que qualquer plano de prevenção de incêndios sério copia, assenta em quatro peças. Atenção a um ponto antes de continuar: em Portugal não há um diploma que fixe estes números, que vêm de normas estrangeiras de referência (NFPA, nos Estados Unidos) e valem como boa prática, não como obrigação legal. O que a lei portuguesa exige é a avaliação do risco e as medidas adequadas, nos termos da Lei 102/2009, e é essa avaliação que fixa os valores para cada oficina.

  1. Permissão de trabalho a quente por escrito, autorizada por um responsável, que identifica o local, a tarefa, quem a executa e quem vigia.
  2. Afastar ou proteger os combustíveis em volta. A referência da norma NFPA 51B é um raio de cerca de 11 metros (35 pés): o que não se consegue afastar cobre-se com manta ou anteparo incombustível. Uma fagulha de rebarbadora viaja bem mais do que um braço.
  3. Vigia de incêndio, uma pessoa com extintor adequado, presente durante o trabalho e, sobretudo, durante pelo menos 60 minutos depois de acabar (a norma norte-americana OSHA exige 30 minutos; a NFPA 51B, mais exigente, pede 60 e permite prolongar a vigilância até mais 3 horas conforme o risco). A maior parte dos incêndios de trabalhos a quente deflagra depois de todos irem embora, a partir de um foco que ficou a arder devagar, fora de vista.
  4. Verificação final da zona antes de fechar a oficina.

⚠️ Nunca soldar, cortar ou aquecer um recipiente que tenha contido líquidos ou gases inflamáveis (bidões de solvente, depósitos de combustível, garrafas) sem desgaseificação prévia, feita por quem sabe fazê-la. Um bidão "vazio" é o mais perigoso de todos: o que lá está não é líquido, é vapor, e o vapor é que explode. Lavar por fora não desgaseifica nada.

Exemplo resolvido: aplicar o plano de prevenção de incêndios

Um formando deixa panos oleados junto à bancada de soldadura, "só até ao fim do turno".

Análise: os panos são material inflamável, e a bancada de soldadura produz faíscas e calor constante. O plano de prevenção de incêndios exige o afastamento desse material da fonte de calor, sem exceções de "só por um dia".

Correção: os panos devem ir para um recipiente metálico fechado, longe da bancada, até serem eliminados corretamente.

6. Plano de emergência, plano de evacuação e plano contra roubo

Plano de emergência

O plano de emergência define a atuação perante qualquer situação crítica: incêndio, acidente grave, fuga de gás.

  1. Dar o alerta, indicando a quem e por que meio (voz, alarme, telefone).
  2. Acionar os meios de socorro disponíveis na oficina.
  3. Evacuar, se necessário, seguindo o plano de evacuação.
  4. Prestar contas no ponto de encontro definido, confirmando que ninguém falta.

Plano de evacuação

O plano de evacuação acrescenta os elementos práticos de uma saída em segurança:

Um plano de evacuação só é eficaz se for treinado, como num simulacro de incêndio: no momento real, a reação tem de ser automática, não pensada de raiz.

Plano contra roubos

A segurança da oficina não se limita a acidentes: o plano contra roubos protege pessoas, ferramentas e matéria-prima, particularmente relevante quando se trabalham metais preciosos, como na ourivesaria.

Todos estes planos dependem de uma condição comum: respeitar o protocolo interno definido, um dos três critérios de desempenho avaliados nesta unidade curricular.

7. Equipamento de proteção individual e ergonomia

O EPI por zona do corpo

O EPI é a última linha de defesa, usada quando as medidas coletivas não eliminam totalmente o risco:

Zona a proteger EPI típico Risco que reduz
Olhos e rosto óculos ou viseira projeção de partículas, radiação da soldadura
Vias respiratórias máscara com filtro adequado fumos de soldadura, poeiras de polimento
Ouvidos protetores auriculares ruído da forja e do esmeril
Mãos luvas térmicas ou de proteção ao corte queimaduras, cortes
Corpo avental de couro, vestuário ignífugo (nunca fibras sintéticas, que fundem e colam à pele) faíscas, salpicos de metal fundido
Pés botas com biqueira de aço queda de peças pesadas

Utilizar corretamente o EPI é uma aptidão do referencial: escolher o equipamento certo para cada tarefa específica, e não usar sempre o mesmo por hábito.

Do lado legal, há duas peças a não confundir. O DL n.º 348/93 regula a utilização do EPI no trabalho: o empregador fornece-o sem custos, mantém-no e garante a formação; o trabalhador usa-o e reporta defeitos. O Regulamento (UE) 2016/425 regula o EPI enquanto produto: só pode ser posto no mercado com marcação CE e com a declaração e as instruções do fabricante. Um escudo de soldar comprado sem marcação CE, ou umas luvas sem indicação de norma, não são EPI, são objetos.

Proteção na soldadura: o filtro e os fumos

A soldadura junta, num só posto, quase todos os riscos da oficina, e dois deles são invisíveis.

Ergonomia e prevenção da negligência

Duas frentes completam o que o EPI, sozinho, não cobre:

⚠️ Nunca remover o resguardo de uma máquina "só para ser mais rápido". O resguardo protege mesmo quando a atenção falha, como o cinto de segurança protege um condutor distraído.

8. Regras de manuseamento de equipamento e movimentação de materiais

Manuseamento seguro do equipamento

Movimentação de materiais pesados

Barras, chapas e peças de metal exigem regras próprias de movimentação:

  1. Avaliar o peso antes de levantar; pedir ajuda ou usar um meio mecânico se necessário.
  2. Postura correta: dobrar os joelhos, manter as costas direitas, aproximar a carga do corpo.
  3. Percurso livre: garantir que o caminho até ao destino está desimpedido.
  4. Apoio estável: pousar sempre a peça num suporte firme, nunca em equilíbrio precário.

Exemplo resolvido: corrigir um erro de manuseamento

Um formando vai levantar uma bigorna pequena do chão, dobrando a cintura com as pernas esticadas.

Erro: a postura sobrecarrega a coluna lombar, uma das causas mais comuns de lesão em oficinas.

Correção: dobrar os joelhos, manter a coluna direita, aproximar a peça do corpo antes de a levantar, e pedir ajuda se o peso for excessivo para uma só pessoa.

9. Causas e tipos de acidentes de trabalho

O referencial pede o reconhecimento das principais causas de acidente na oficina de metal:

Cada causa liga-se diretamente a uma medida de prevenção já estudada: o resguardo de máquina previne o contacto acidental, a verificação de ligações à terra previne o choque elétrico, o arrefecimento controlado da peça previne a queimadura.

Agentes químicos: ler o rótulo, ler a ficha, e a regra da decapagem

Decapantes, ácidos de gravação, desengordurantes, solventes e produtos de pátina são agentes químicos a sério, e a informação para os usar em segurança vem sempre escrita em dois documentos normalizados.

O rótulo, pelo Regulamento (CE) n.º 1272/2008, o CLP. Este regulamento harmonizou a classificação, a rotulagem e a embalagem de substâncias e misturas na União Europeia, a partir do sistema GHS das Nações Unidas. O que se vê no rótulo:

A ficha de dados de segurança (FDS). Vem do Regulamento (CE) n.º 1907/2006 (REACH), cujo anexo II foi substituído pelo Regulamento (UE) 2020/878, obrigatório para todas as fichas desde 1 de janeiro de 2023. Tem sempre 16 secções, na mesma ordem, e é por isso que se consulta depressa: a identificação do produto está na 1, os perigos na 2, os primeiros socorros na 4, o combate a incêndio na 5, o derrame na 6, o manuseamento e a armazenagem na 7 e a proteção individual na 8. Numa emergência, a secção 4 responde antes de qualquer pesquisa na internet.

⚠️ Decapagem e ácidos: o ácido vai sobre a água, nunca a água sobre o ácido. A diluição de um ácido concentrado liberta muito calor; deitar água sobre o ácido faz a mistura ferver à superfície e projetar ácido para fora do recipiente, para as mãos e para a cara. Verte-se o ácido devagar sobre a água, e nunca ao contrário. Além disso, não se misturam produtos entre si: juntar um ácido a lixívia ou a um produto amoniacal liberta gases tóxicos. Cada produto no seu recipiente, com o rótulo original legível, e nunca em garrafas de água.

Acrescenta-se o óbvio que se esquece: ventilação, luvas e óculos ou viseira conforme a secção 8 da FDS, e um lava-olhos acessível onde se trabalha com ácidos.

Exemplo resolvido: identificar a causa de um incidente

Num turno de forja, um aprendiz sofre uma queimadura ao pousar a mão numa peça já forjada, ainda quente, sem verificar a temperatura.

Causa: contacto com superfície quente, por falta de verificação prévia e de sinalização da peça.

Medida corretiva: sinalizar visualmente as peças recém-forjadas (por exemplo, numa zona de arrefecimento identificada) e reforçar o procedimento de nunca tocar numa peça sem confirmar que arrefeceu.

10. Caixa de primeiros socorros e situações de emergência

A caixa de primeiros socorros

Toda a oficina deve ter uma caixa de primeiros socorros completa, acessível e verificada regularmente:

Situações de emergência a reconhecer

Situação Ação imediata
Perda de sentidos pedir ajuda e verificar a respiração; se estiver inconsciente mas a respirar, colocar em posição lateral de segurança; se não respirar, ligar 112 e iniciar suporte básico de vida
Ferida aberta ou fechada limpar, comprimir, ligar; procurar assistência se for profunda
Choque elétrico ou eletrocussão cortar a corrente antes de tocar na vítima
Ataque cardíaco ligar de imediato para o 112, manter a calma
Entorse ou distensão imobilizar, aplicar frio, não forçar o movimento
Envenenamento identificar a substância, contactar o 112 ou o Centro de Informação Antivenenos
Queimadura arrefecer com água corrente tépida durante 15 a 20 minutos, nunca com gelo nem pomadas, sem rebentar as bolhas

Exemplo resolvido: atuar perante um choque elétrico

Um colega toca acidentalmente num equipamento com uma fuga elétrica e fica preso ao contacto.

  1. Nunca tocar diretamente na vítima enquanto o circuito estiver ligado.
  2. Cortar a corrente de imediato, desligando o disjuntor ou a ficha.
  3. Só depois de cortada a corrente, verificar a vítima e chamar o 112.
  4. Se a vítima não respirar, ligar 112 e iniciar o suporte básico de vida: 30 compressões torácicas por 2 insuflações, a um ritmo de 100 a 120 compressões por minuto, e usar o DAE assim que estiver disponível. Quem não tem formação também deve comprimir: o operador do 112 orienta pelo telefone.

Reportar corretamente a situação de emergência, incluindo o que aconteceu e que meios já foram acionados, é uma aptidão avaliada nesta UC.

11. Incêndio: causas, tipos, deteção e extintores

Causas e tipos de incêndio

As causas de incêndio mais comuns numa oficina de artes do metal:

Os tipos de incêndio classificam-se pelo material que arde: classe A (sólidos comuns, madeira, papel), classe B (líquidos inflamáveis, solventes, tintas, óleos minerais), classe C (gases), classe D (metais), classe F (óleos e gorduras alimentares). A classe D é a que distingue esta profissão e a mais frequentemente esquecida: aplica-se às limalhas e pós de metais reativos, magnésio, alumínio e titânio, que ardem em partícula fina e reagem com a água. Atenção, porém, que o fogo mais provável no dia a dia da oficina continua a ser de classe A e B (aparas, panos oleados, solventes) ou em equipamento elétrico, e é para esses que serve o pó ABC.

Sistemas de deteção e tipos de extintores

Os sistemas de deteção incluem detetores de fumo e de calor, e botões de alarme manual, ligados a uma central de incêndio que aciona o alerta.

O CO2 não deixa resíduo, o que o torna ideal para equipamento elétrico, mas extingue por deslocar o oxigénio do ar. Num espaço pequeno e fechado, essa mesma propriedade é um risco de asfixia para quem está lá dentro: descarrega-se e sai-se, ventilando depois. A trombeta do extintor fica muito frio em uso, pelo que se segura pelo punho.

Extintor Usa-se em Nunca usar em
Água papel, madeira, tecido metais em chama, equipamento elétrico ligado
Pó químico ABC uso geral da oficina metais em chama
CO2 equipamento elétrico, líquidos inflamáveis espaço fechado e sem ventilação, pelo risco de asfixia; ao ar livre com vento forte, porque perde eficácia
Pó especial classe D limalha e pós de magnésio, alumínio ou titânio em chama incêndios comuns, é desperdício do agente

Atuação em caso de incêndio

  1. Dar o alerta (voz, alarme) e avisar quem está por perto.
  2. Avaliar se é seguro combater o foco: sendo seguro, seguir o plano de ataque definido no plano de emergência.
  3. Manipular o extintor com técnica correta: puxar o pino de segurança, apontar à base da chama, apertar o gatilho, varrer de um lado ao outro.
  4. Se o foco crescer, acionar o sistema automático (se existir) e evacuar de imediato pela rota sinalizada.
  5. Chamar o 112 e aguardar os bombeiros no ponto de encontro.

Técnicas de extinção de incêndio de gás

Um incêndio alimentado por gás tem um risco específico: apagar a chama sem cortar primeiro a alimentação de gás cria uma acumulação de gás não queimado, que pode explodir ao encontrar uma nova fonte de ignição. A sequência correta é sempre:

  1. Cortar a alimentação de gás na origem, se estiver acessível em segurança.
  2. Só depois, extinguir a chama residual.
  3. Se não for possível cortar o gás em segurança, evacuar e chamar os bombeiros, sem tentar apagar o fogo.

Erros comuns

Glossário

Síntese

A segurança e saúde no trabalho na oficina de artes do metal assenta em três camadas complementares. Primeiro, o conhecimento: interpretar o quadro normativo, do regime geral (Lei 102/2009, Código do Trabalho, fiscalização da ACT) aos diplomas setoriais que fixam números (ruído no DL 182/2006, vibrações no DL 46/2006, sinalização no DL 141/95 e na Portaria 1456-A/95, acidentes na Lei 98/2009, EPI no DL 348/93 e no Regulamento (UE) 2016/425, químicos no CLP e na ficha de dados de segurança), e saber consultar os manuais e planos da oficina. Segundo, a prevenção organizada: aplicar a hierarquia de controlo de riscos, do plano de segurança interno aos planos de acidentes, incêndios, emergência, evacuação e roubo, escolhendo sempre a medida coletiva antes do EPI. Terceiro, a capacidade de reagir: reconhecer as causas de acidente, prestar primeiros socorros e atuar corretamente perante um incêndio, incluindo os casos específicos dos metais (classe D) e do gás. Tudo isto só funciona sustentado por atitudes concretas: responsabilidade, organização e respeito pelo protocolo interno definido em cada oficina.

Exercícios resolvidos

1. Um aprendiz quer comprar luvas melhores em vez de pedir o resguardo em falta na rebarbadora. Está a seguir a hierarquia de prevenção correta?

Resolução: Não. A hierarquia de prevenção coloca as medidas coletivas (o resguardo da máquina) antes do EPI (as luvas). O EPI é a última barreira, não a primeira solução. O aprendiz deve reportar a falta do resguardo e só complementar com o EPI adequado.

2. Classifica o incêndio de limalha de alumínio em chama: qual a classe e que extintor se usa?

Resolução: É um incêndio de classe D (metais). Usa-se um extintor de pó especial classe D. Nunca água, que pode reagir violentamente com alguns metais em combustão, nem um extintor comum ABC, ineficaz nesta classe.

3. Um colega vai levantar sozinho uma barra de aço pesada, dobrando a cintura com as pernas esticadas. O que está errado e qual a correção?

Resolução: Está errado por sobrecarregar a coluna lombar, um erro de postura frequente em acidentes de movimentação. A correção: dobrar os joelhos, manter as costas direitas, aproximar a carga do corpo, e pedir ajuda ou usar um meio mecânico se o peso for excessivo.

4. Surge um pequeno foco de incêndio alimentado por uma fuga de gás. Qual a primeira ação, antes de tentar apagar as chamas?

Resolução: Cortar a alimentação de gás na origem, se for seguro fazê-lo. Apagar a chama sem cortar o gás permite que o gás continue a acumular-se, criando risco de explosão. Só depois de cortada a fonte se deve extinguir a chama residual.

5. Durante o turno, um colega sofre um choque elétrico ao tocar num equipamento avariado e fica preso ao contacto. Qual é a primeira ação?

Resolução: Cortar a corrente elétrica de imediato (desligar o disjuntor ou a ficha), nunca tocar diretamente na vítima enquanto o circuito estiver ligado, sob pena de o socorrista se tornar também vítima. Só depois de cortada a corrente se deve verificar a vítima e chamar o 112.