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UC · Unidade de Competência · UC04482

Sebenta · Atuar em situações de emergência em programas de animação turística (UC04482)

Do reconhecimento da emergência ao Suporte Básico de Vida adulto e pediátrico, com DAE e primeiros socorros
25h · 2.25 pontos crédito Curso: T. Animação Turística ↗ Referencial oficial SNQ
Índice

Introdução

Um técnico de animação turística conduz pessoas em espaços de animação turística, agências de viagens, operadores turísticos e unidades hoteleiras: caminhadas, passeios de aventura, atividades aquáticas, eventos e visitas guiadas. Nestes contextos, longe de um serviço de urgência, uma doença súbita, um acidente ou um incêndio podem acontecer a qualquer momento. O técnico é frequentemente a primeira pessoa junto da vítima, e o que faz (ou deixa de fazer) nos primeiros minutos pode ser decisivo.

Esta sebenta cumpre os requisitos definidos pelo INEM, I.P. para o Suporte Básico de Vida (SBV) adulto e pediátrico e para o Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE). Não forma profissionais de saúde: forma primeiros intervenientes, capazes de reconhecer a emergência, proteger, alertar o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e agir dentro dos seus limites até chegar ajuda diferenciada.

Objetivos de aprendizagem (referencial): aplicar normas e protocolos de atuação em emergência; efetuar os procedimentos vitais da cadeia de sobrevivência do adulto e da criança; assegurar as condições de segurança do reanimador e da vítima; executar o algoritmo de SBV adulto e pediátrico; executar o algoritmo de SBV com DAE; e efetuar técnicas de socorrismo em doença súbita, acidente ou trauma.

1. Emergências em animação turística e o SIEM

Uma situação de emergência é qualquer ocorrência súbita que ameaça a vida, a saúde ou a segurança de uma pessoa e exige resposta imediata. Em animação turística, os tipos mais frequentes são a doença súbita (mal-estar, AVC, crise convulsiva), o acidente (quedas, cortes, fraturas, afogamento) e o incêndio (com necessidade de evacuação).

Portugal responde a emergências através do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM): quem liga o número nacional de emergência é encaminhado para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), que faz a triagem por telefone e despacha o meio adequado (ambulância, viatura médica de emergência e reanimação, bombeiros, ou, em situações graves, o helicóptero de emergência médica).

Número Quando usar
112 Número nacional de emergência, para qualquer emergência médica, de segurança ou de incêndio
117 Linha SOS Incêndio Florestal, reforça o alerta em caso de incêndio florestal

O técnico de animação turística situa-se no âmbito geral de intervenção: reconhece, protege, alerta e presta socorro básico. Não substitui o âmbito especializado, reservado aos profissionais de saúde: não diagnostica doenças, não administra medicação e não decide tratamentos. Reconhecer este limite é uma das aptidões centrais da profissão, porque uma intervenção que ultrapassa a competência do técnico pode atrasar ou complicar o socorro diferenciado.

Guarda sempre os contactos de emergência e a morada exata (ou coordenadas) de cada local de atividade antes de sair com o grupo. Em zonas rurais ou de serrania, a localização por palavras pode não bastar.

2. Segurança do local, da vítima e do socorrista

Antes de qualquer gesto técnico de socorro, aplica-se sempre a mesma sequência, conhecida pela sigla PAS:

  1. Proteger: avaliar o local e eliminar ou contornar perigos (trânsito, água corrente, fogo, altura, animais), para o socorrista, para a vítima e para terceiros.
  2. Alertar: ligar 112, indicar a localização exata e o que aconteceu, seguir as instruções dadas pelo CODU.
  3. Socorrer: só depois de garantida a segurança, atuar junto da vítima.

Um socorrista que se torna a segunda vítima (por exemplo, ao entrar em água agitada sem equipamento, ou ao aproximar-se de um veículo em chamas) transforma uma emergência numa emergência dupla, mais difícil de gerir.

Exemplo resolvido · aplicar o PAS numa caminhada

Um participante cai numa vereda estreita, perto da berma de um caminho junto a uma ribeira, e queixa-se de dor no tornozelo.

  1. Proteger: o técnico avalia se o local é seguro (não há risco de queda para a água, o piso não está a ceder) e afasta o grupo para dar espaço, sem se aproximar de zonas de risco.
  2. Alertar: alertar não significa sempre 112. Numa entorse com vítima consciente e estável, alertar é acionar o protocolo interno e manter o 112 pronto; o 112 liga-se de imediato perante suspeita de fratura, alteração de consciência ou impossibilidade de evacuar em segurança.
  3. Socorrer: imobiliza o tornozelo com o material disponível, mantém a vítima sentada e confortável, e organiza o regresso ou o transporte assistido.

Riscos típicos por tipo de atividade, com a medida de proteção correspondente:

Contexto Riscos típicos Medida de proteção
Passeio pedestre/BTT quedas, desidratação, insolação ritmo adequado ao grupo, água disponível, pausas à sombra
Atividades aquáticas afogamento, hipotermia colete salva-vidas, supervisão constante, via de saída identificada
Espaços fechados/eventos incêndio, esmagamento em evacuação rotas de saída sinalizadas, ponto de encontro definido
Transporte de grupo acidente de viação cintos de segurança, paragens regulares, verificação do condutor

Preparar o local e o evento de forma a evitar o acidente é sempre preferível a responder bem depois de ele acontecer: verificar riscos, ter o plano de contingência definido e confirmar os equipamentos de proteção individual (EPI) antes de cada atividade.

3. Cadeia de sobrevivência e exame da vítima

A cadeia de sobrevivência é a sequência de ações que, encadeadas sem interrupções, maximiza a hipótese de sobrevivência de uma vítima em paragem cardiorrespiratória (PCR):

1. Reconhecimento da emergência e alerta precoce (112)
2. Suporte Básico de Vida (SBV) precoce
3. Desfibrilhação precoce (DAE)
4. Suporte avançado de vida e cuidados pós-reanimação

Cada elo depende do anterior: um alerta tardio atrasa a chegada do meio diferenciado, e um SBV tardio reduz drasticamente a probabilidade de sobrevivência mesmo que a ambulância chegue depressa. O técnico de animação turística é responsável pelos três primeiros elos: reconhecer a emergência e alertar, iniciar o SBV e aplicar o DAE assim que disponível. O quarto elo é dos profissionais de saúde.

Ao chegar junto de uma vítima, segue-se sempre a mesma ordem de avaliação:

Exame primário: procura ameaças imediatas à vida, e não espera pelo exame secundário para agir: - Avaliar a resposta: tocar nos ombros e chamar em voz alta. - Verificar a via aérea (está livre?) e a respiração (respira normalmente?). - Se a vítima não responde e não respira normalmente, inicia-se o SBV de imediato: não se passa ao exame secundário.

Exame secundário: só depois de a vítima estar estável ou consciente: - Procurar hemorragias, deformações, queimaduras ou outros sinais de trauma. - Se a vítima estiver consciente, perguntar sintomas, alergias, medicação habitual e o que aconteceu.

Exemplo resolvido · decidir entre exame primário e secundário

Um participante desmaia durante uma visita guiada e cai ao chão, batendo com o braço numa mesa.

  1. O técnico avalia a resposta (chama, toca nos ombros) e a respiração. A vítima responde e respira normalmente.
  2. Como a via aérea e a respiração estão garantidas, não há necessidade de SBV: o técnico avança para o exame secundário, verificando o braço (dor, inchaço) e perguntando sintomas antes do desmaio (tonturas, calor, jejum prolongado).
  3. Coloca a vítima deitada com as pernas elevadas, areja o espaço e mantém-na monitorizada até recuperar por completo.

4. Suporte Básico de Vida no adulto

O algoritmo de SBV segue sempre a mesma sequência, treinada até se tornar automática, para que funcione mesmo sob stress:

  1. Verificar a segurança do local (regra PAS).
  2. Avaliar a resposta: tocar nos ombros e chamar em voz alta.
  3. Se não responde, pedir ajuda a quem estiver por perto.
  4. Abrir a via aérea: extensão da cabeça e elevação do queixo.
  5. Avaliar a respiração durante, no máximo, 10 segundos. A respiração agónica, arquejos lentos, ruidosos ou irregulares, não é respiração normal: trata-se como paragem e inicia-se SBV.
  6. Se não respira normalmente: ligar 112 (ou mandar alguém ligar) e pedir o DAE.
  7. Iniciar compressões torácicas: 30 compressões, ritmo de 100 a 120 por minuto, profundidade de 5 a 6 cm, permitindo o retorno total do tórax entre compressões.
  8. Alternar com 2 ventilações (se o socorrista estiver treinado e disposto a fazê-las), no ciclo 30:2.
  9. Continuar sem interrupções desnecessárias até chegar o DAE, chegar ajuda diferenciada, ou a vítima mostrar sinais de vida.

Técnica da compressão torácica

Exemplo resolvido · algoritmo completo aplicado

Durante uma prova de orientação, um participante adulto cai e fica no chão, sem se mexer.

  1. Segurança: o percurso não apresenta perigo imediato; o técnico aproxima-se.
  2. Resposta: chama pelo nome e toca nos ombros: sem resposta.
  3. Pedir ajuda: grita para o grupo mais próximo, pedindo que se aproxime.
  4. Via aérea: extensão da cabeça, elevação do queixo.
  5. Respiração: observa o tórax, ouve e sente durante até 10 segundos: não respira normalmente.
  6. Alertar: instrui um participante a ligar 112 e outro a procurar o DAE mais próximo (se existir no local do evento).
  7. Compressões: inicia 30 compressões no centro do tórax, ritmo de cerca de 110/min, profundidade de 5-6 cm.
  8. Ventilações: alterna com 2 ventilações, mantendo o ciclo 30:2.
  9. Continua até o DAE chegar ou a vítima reagir.

Nunca interromper as compressões para "verificar se já resultou". O ciclo só para quando o DAE está pronto a analisar, quando chega ajuda diferenciada ou quando a vítima mostra sinais claros de vida (respiração normal, movimento, abertura dos olhos).

5. Posição lateral de segurança e desobstrução da via aérea

Posição lateral de segurança (PLS)

A PLS aplica-se a uma vítima inconsciente que respira normalmente, sem suspeita de trauma grave da coluna. Mantém a via aérea aberta e permite que fluidos (vómito, saliva) escoem para fora, sem obstruir a respiração. Nunca se coloca em PLS uma vítima que não respira ou está em paragem cardiorrespiratória: nesse caso, inicia-se o SBV de imediato.

Passo a passo:

  1. Ajoelhar ao lado da vítima; retirar objetos volumosos dos bolsos.
  2. Colocar o braço mais próximo em ângulo reto com o corpo, palma da mão voltada para cima.
  3. Trazer o outro braço da vítima sobre o peito, com as costas da mão encostadas à face oposta.
  4. Dobrar o joelho mais afastado, mantendo o pé apoiado no chão.
  5. Puxar pelo joelho dobrado, rodando a vítima para o lado, que fica apoiada na própria mão sob a face.
  6. Ajustar a cabeça para manter a via aérea aberta, com o queixo ligeiramente à frente.
  7. Reavaliar a respiração regularmente até chegar ajuda.

Desobstrução da via aérea por engasgamento

Sinais de obstrução: a vítima leva as mãos à garganta, e distingue-se pela capacidade de tossir ou falar.

Exemplo resolvido · engasgamento num almoço de grupo

Um participante engasga-se com um pedaço de comida, leva as mãos à garganta e não consegue falar nem tossir.

  1. O técnico confirma a obstrução grave (ausência de tosse eficaz e de fala).
  2. Aplica 5 pancadas interescapulares, sem resultado.
  3. Passa a 5 compressões abdominais, com o punho acima do umbigo, puxando para dentro e para cima.
  4. À terceira compressão, o pedaço de comida é expelido e a vítima recomeça a respirar e a tossir normalmente.
  5. Mantém a vítima calma, observa-a mais alguns minutos e regista o incidente conforme o protocolo interno.

6. Suporte Básico de Vida pediátrico

A lógica geral do SBV mantém-se em crianças e bebés, com adaptações à idade e ao tamanho da vítima. A diferença mais importante está na causa da paragem: no adulto é sobretudo cardíaca, na criança e no bebé é sobretudo hipóxica, por falta de oxigénio. É por isso que se ventila primeiro.

A sequência pediátrica completa:

  1. Segurança do local.
  2. Resposta: tocar e chamar.
  3. Gritar por ajuda, sem abandonar a vítima.
  4. Permeabilizar a via aérea: extensão da cabeça e elevação do queixo (neutra ou ligeira no bebé).
  5. Ver, ouvir e sentir a respiração até 10 segundos.
  6. Se não respira normalmente: 5 insuflações iniciais, antes de qualquer compressão.
  7. Iniciar ciclos de 15 compressões : 2 insuflações (socorrista formado). O rácio 30:2 é a exceção do leigo isolado, sem formação pediátrica.
  8. Se estiver sozinho, fazer 1 minuto de SBV antes de interromper para ligar 112.
Aspeto Adulto Criança Bebé (menos de 1 ano)
Técnica de compressão duas mãos sobrepostas uma ou duas mãos dois dedos
Profundidade 5 a 6 cm cerca de um terço do tórax cerca de um terço do tórax
Insuflações iniciais não 5 5
Rácio 30:2 15:2 15:2
Se o socorrista está sozinho e ninguém pode ligar ligar 112 primeiro, depois SBV fazer 1 minuto de SBV antes de ir ligar fazer 1 minuto de SBV antes de ir ligar
Desobstrução em obstrução grave pancadas + manobra de Heimlich pancadas + manobra de Heimlich pancadas + compressões torácicas (nunca compressões abdominais)

A diferença do "1 minuto de SBV antes de ligar" existe porque, na criança e no bebé, a causa mais frequente de paragem é respiratória, e um minuto de SBV imediato, começado pelas 5 insuflações iniciais, pode reverter muitos casos antes mesmo de chegar ajuda. Se houver mais do que um socorrista, um inicia de imediato o SBV enquanto o outro liga o 112 sem demora.

Nos bebés, nunca se usam compressões abdominais para desobstrução: o abdómen é proporcionalmente maior e mais vulnerável, e a compressão pode lesar órgãos internos. Usam-se sempre pancadas interescapulares alternadas com compressões torácicas.

Exemplo resolvido · SBV numa criança

Numa atividade de animação num hotel, uma criança de cerca de 5 anos é encontrada inconsciente na piscina infantil, sem respirar. Está sozinho com o técnico.

  1. Segurança: retirar a criança da água em segurança.
  2. Resposta e respiração: não responde e não respira normalmente.
  3. 5 insuflações iniciais: no afogamento, a paragem é hipóxica, por falta de oxigénio, e não arrítmica; a ventilação inicial é o passo mais decisivo de toda a sequência, mais até do que a primeira compressão.
  4. Como está sozinho, o técnico continua em ciclos de 15 compressões : 2 insuflações, adaptados ao tamanho da criança, completando 1 minuto de SBV antes de interromper para ligar 112.
  5. Depois desse minuto, liga 112 (ou, se possível, ativa o alarme para chamar alguém que ligue enquanto continua o SBV).
  6. Continua o SBV até chegar ajuda ou a criança mostrar sinais de vida.

7. Suporte Básico de Vida com Desfibrilhador Automático Externo

O Desfibrilhador Automático Externo (DAE) analisa o ritmo cardíaco da vítima e, se detetar um ritmo desfibrilável, indica ou aplica um choque elétrico para tentar restaurar um ritmo eficaz.

Regras de segurança do DAE

Algoritmo de SBV-DAE, passo a passo

  1. Iniciar SBV (compressões, ciclo 30:2) enquanto o DAE não chega ou não está pronto.
  2. Ligar o DAE e seguir as instruções de voz.
  3. Colocar os elétrodos no tórax nu e seco da vítima.
  4. Afastar toda a gente durante a análise do ritmo.
  5. Se o aparelho indicar choque: garantir que ninguém toca na vítima e premir o botão de choque.
  6. Retomar de imediato as compressões, logo após o choque (ou logo após a indicação de "sem choque").
  7. Continuar o ciclo SBV-DAE até chegar ajuda diferenciada ou a vítima recuperar sinais de vida.

Não se verifica o pulso logo a seguir ao choque. O protocolo é retomar as compressões de imediato: o coração pode precisar de alguns ciclos de SBV para restabelecer um ritmo eficaz de bombeamento.

Exemplo resolvido · ciclo completo com DAE

Um adulto em paragem cardiorrespiratória é encontrado num evento com DAE disponível a poucos metros.

  1. O técnico inicia SBV de imediato (30 compressões : 2 ventilações) enquanto pede a alguém que traga o DAE.
  2. Ao receber o DAE, liga-o e segue as instruções.
  3. Coloca os elétrodos conforme o desenho, no tórax nu e seco.
  4. Afasta-se, e afasta os presentes, durante a análise.
  5. O DAE indica choque: confirma que ninguém toca na vítima e prime o botão.
  6. Retoma de imediato as compressões, sem parar para verificar o pulso.
  7. Repete o ciclo até chegar a equipa de emergência, que assume o caso.

8. Doença súbita e traumatismos frequentes em animação turística

Doenças súbitas mais comuns

Acidente Vascular Cerebral (AVC): emergência tempo-dependente, em que cada minuto sem tratamento aumenta o dano. Sinais de alerta, memorizados pelo critério FAST (leitura bilingue):

Não dar de comer ou beber a uma pessoa com suspeita de AVC; manter confortável e vigiar a respiração.

Convulsões: proteger a vítima de bater em objetos próximos; nunca a segurar à força nem colocar nada na boca. Cronometrar a duração e, após a crise, colocar em PLS. Ligar 112 se durar mais de 5 minutos, se repetir sem recuperação de consciência entre crises, ou se for a primeira crise da pessoa.

Desmaio (síncope): deitar a vítima, elevar as pernas, arejar e desapertar roupa apertada; a recuperação costuma ser rápida.

Choque circulatório: pele pálida, fria e húmida, pulso rápido e fraco; deitar a vítima, elevar as pernas (se não houver suspeita de fratura), mantê-la aquecida e ligar 112.

Situação Sinais principais Ação imediata
Hipoglicemia tremores, suor frio, confusão, fome súbita se consciente, dar açúcar/sumo; se inconsciente, nada pela boca, ligar 112
Hiperglicemia sede intensa, urinar muito, respiração com cheiro a fruta ligar 112, vigiar a consciência
Insolação / golpe de calor pele quente e seca, confusão, temperatura elevada sombra, arrefecer com água, ligar 112 se houver confusão ou perda de consciência
Desidratação sede, boca seca, tontura, cansaço sombra, hidratar aos poucos, vigiar agravamento

O golpe de calor acompanhado de confusão mental é uma emergência médica, distinta do simples cansaço pelo calor: não se resolve apenas com sombra e água.

Intoxicação: tentar identificar a substância (alimento, planta, produto químico, picada ou mordedura) sem se colocar em risco; não provocar o vómito sem indicação de um profissional de saúde; ligar 112 e, se disponível, o Centro de Informação Antivenenos (CIAV) dá orientação especializada por telefone; guardar a embalagem, planta ou resto do produto para mostrar aos meios de socorro.

Traumatismos frequentes

Hemorragias e feridas: proteger-se com luvas se possível; aplicar pressão direta sobre a ferida com um pano limpo; elevar o membro se não houver suspeita de fratura; se o penso ensopar, não retirar, acrescentar mais pano por cima; um objeto encravado na ferida nunca se remove, imobiliza-se à volta; ligar 112 se a hemorragia não parar ou a ferida for extensa.

Fraturas: não tentar realinhar o osso nem forçar movimento; imobilizar a zona na posição em que se encontra, incluindo as articulações acima e abaixo; em suspeita de fratura na coluna ou pescoço, não mover a vítima salvo perigo iminente, e ligar 112.

Queimaduras: arrefecer com água corrente à temperatura ambiente durante 10 a 20 minutos; cobrir com pano limpo e não aderente; nunca aplicar gelo, manteiga, pasta de dentes ou outros remédios caseiros; ligar 112 se for extensa, profunda, ou atingir face, mãos ou vias respiratórias.

Exemplo resolvido · hemorragia numa atividade de escalada

Um participante corta a mão numa aresta de rocha durante uma atividade de escalada, com hemorragia visível.

  1. O técnico calça luvas (EPI) antes de tocar na ferida.
  2. Aplica um pano limpo e faz pressão direta durante alguns minutos, sem levantar para verificar.
  3. Eleva a mão acima do nível do coração, sem forçar o movimento do braço.
  4. Como o penso fica ensopado, acrescenta mais pano por cima, sem retirar o primeiro.
  5. Avalia que a hemorragia está a ceder; mantém a pressão e a elevação até chegar transporte para avaliação médica.

9. Protocolos, contingência e limites de atuação

Cada organização de animação turística deve ter protocolos escritos e conhecidos por toda a equipa, para não se improvisar em cima da emergência: cumprir o planeamento de contingência é um critério de desempenho explícito desta UC.

Doença súbita ou acidente: o protocolo define quem avalia a vítima, quem liga 112, quem gere o grupo e quem recebe os meios de socorro quando chegam ao local.

Incêndio: aciona-se o alarme, corta-se a energia se for seguro fazê-lo, seguem-se as rotas de fuga definidas e reúne-se no ponto de encontro combinado.

Evacuação: um sinal combinado dá início à saída, com apoio às pessoas com mobilidade reduzida e uma contagem final de participantes no ponto de encontro, para confirmar que ninguém ficou para trás.

O manual de primeiros socorros e os contactos de emergência devem estar sempre acessíveis no local da atividade, nunca apenas arquivados no escritório.

Sigilo, privacidade e limites de atuação: a informação sobre a saúde de um cliente é confidencial, partilhada só com quem presta socorro, nunca nas redes sociais nem com outros clientes. A privacidade e a dignidade da vítima mantêm-se durante toda a intervenção (afastar curiosos, cobrir se necessário), e os protocolos internos da organização cumprem-se mesmo sob pressão de terceiros para agir de outra forma. Depois da emergência, o técnico regista o ocorrido, o que viu, o que fez e a que horas, para apoiar a equipa de saúde e a organização; esse registo nunca é divulgado publicamente.

Filmar ou fotografar uma emergência "para o grupo ver depois" é uma violação grave de privacidade, mesmo com boa intenção.

10. Comunicação, gestão de stress, EPI e resíduos

Ligar para o 112: uma chamada bem feita poupa tempo precioso. O CODU segue sempre a mesma ordem de perguntas: o que aconteceu, onde é (localização exata e pontos de referência), quantas vítimas há e em que estado (consciente, respira, hemorragia), e quem está a ligar, com um contacto para retorno. Não se desliga antes de o operador confirmar que tem toda a informação; falar com calma, em frases curtas, resulta melhor do que antecipar informação.

Comunicação com a vítima e com o grupo: com a vítima, falar calmamente, explicar o que se vai fazer e manter contacto visual e verbal constante. Com o grupo, dar instruções claras e curtas, atribuir tarefas concretas (ligar, afastar curiosos, ir buscar o DAE) em vez de pedir apenas para "ficarem calmos", e evitar alarme desnecessário. A calma do socorrista transmite-se ao grupo, tal como o pânico.

Gestão de stress do socorrista: manter o controlo emocional é um critério de desempenho central desta UC. O referencial nomeia quatro técnicas: controlo da respiração (inspirações lentas e profundas antes de agir); organização de prioridades (seguir o algoritmo, PAS, SBV, em vez de tentar resolver tudo ao mesmo tempo); pensamento positivo e aceitação da realidade (focar no que se pode controlar agora, não no que já aconteceu); e inteligência emocional (reconhecer o próprio medo e o dos outros, sem deixar que bloqueie a ação). Gerir o stress não é deixar de sentir: é continuar a agir de forma eficaz apesar do que se sente.

EPI e regras de segurança e saúde no trabalho: os EPI mínimos para primeiros socorros são luvas descartáveis e máscara de bolso com válvula unidirecional, que protege tanto a vítima como o socorrista. Usam-se sempre antes do contacto com sangue ou fluidos, substituem-se entre vítimas e nunca se reutiliza material descartável. Cumprem-se também as regras de segurança e saúde no trabalho aplicáveis à atividade (calçado, vestuário, sinalização), e verifica-se o material de socorrismo antes de cada atividade: validade, carga da bateria do DAE de treino, integridade da máscara.

Gestão de resíduos: o material contaminado (luvas, pensos, gaze com sangue) vai para um contentor apropriado, nunca para o lixo comum sem proteção, seguindo os procedimentos de gestão de resíduos da organização. Repor o material de socorrismo utilizado assim que possível evita que a atividade seguinte fique sem kit completo, e o registo do incidente e do material gasto apoia essa reposição.

Erros comuns

Glossário

Síntese

Toda a atuação em emergência segue a mesma lógica: proteger, alertar, socorrer. A cadeia de sobrevivência liga o reconhecimento precoce ao SBV precoce e à desfibrilhação precoce. O algoritmo de SBV adulto e pediátrico mantém a mesma estrutura, adaptando a técnica ao tamanho da vítima, e o DAE entra assim que disponível, sem interromper as compressões mais do que o estritamente necessário. Perante doença súbita ou trauma, o técnico reconhece sinais, aplica primeiros socorros dentro dos seus limites e liga 112 sempre que em dúvida. Comunicação clara com a vítima, com o grupo e com o CODU, controlo emocional e uso correto do EPI sustentam toda a intervenção, do primeiro segundo até à chegada da ajuda diferenciada.

Exercícios resolvidos

1. Um participante cai e fica inconsciente, mas respira normalmente. Que posição se usa e porquê?

Resolução: a posição lateral de segurança (PLS), porque a vítima está inconsciente mas respira normalmente. A PLS mantém a via aérea aberta e permite a drenagem de fluidos, evitando obstrução. Se a vítima deixasse de respirar normalmente, passar-se-ia de imediato ao SBV.

2. Durante as compressões torácicas de um adulto, chega o DAE. Qual é a sequência correta a partir daqui?

Resolução: ligar o DAE e seguir as instruções de voz; colocar os elétrodos no tórax nu e seco; afastar toda a gente durante a análise do ritmo; se indicado choque, garantir que ninguém toca na vítima e premir o botão; retomar de imediato as compressões após o choque (ou após "sem indicação de choque"), sem parar para verificar o pulso.

3. Um bebé de 8 meses engasga-se e fica com obstrução grave da via aérea (não chora, não tosse). Que técnica de desobstrução se usa e o que nunca se deve fazer?

Resolução: alternar pancadas interescapulares com compressões torácicas (nunca compressões abdominais num bebé, pelo risco de lesão de órgãos internos). Se o bebé perder a consciência, iniciar SBV de imediato, adaptado ao tamanho do bebé (dois dedos, cerca de um terço do tórax).

4. Um colega de trabalho diz: "espero mais um bocado para ver se o AVC passa antes de ligar." O que respondes, com base no referencial?

Resolução: que o AVC é uma emergência tempo-dependente: quanto mais cedo a vítima chegar ao tratamento, menor o dano neurológico. Deve-se aplicar o critério FAST, Face (face), Arm (braço), Speech (fala), Time (tempo), anotar a hora exata do início dos sintomas e ligar 112 de imediato, sem esperar para "ver se passa".

5. Uma vítima com hemorragia numa perna tem o penso ensopado de sangue. Que fazer, e o que nunca se deve fazer?

Resolução: acrescentar mais pano por cima do penso já colocado, mantendo a pressão direta e a elevação do membro. Nunca se retira o penso já ensopado, porque isso desfaz o coágulo que se estava a formar e reinicia a hemorragia.