Sebenta · Executar operações de manutenção em equipamentos e ferramentas (UC04449)
- Introdução
- 1. Manutenção industrial: conceitos, tipos e enquadramento
- 2. Preparar os trabalhos de manutenção
- 3. Desenho técnico e esquemas de montagem
- 4. Metrologia dimensional
- 5. Operações de bancada e em máquinas ferramentas
- 6. Constituição da máquina ferramenta e dispositivos de aperto
- 7. Instalação, alinhamento e nivelamento de máquinas e equipamentos
- 8. Processos de soldadura na manutenção
- 9. Manutenção preventiva e lubrificação
- 10. Diagnóstico de avarias, reparação e testes de funcionamento
- 11. Segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental
- Erros comuns
- Glossário
- Síntese
- Exercícios resolvidos
Introdução
Esta sebenta ensina a manter equipamentos e ferramentas de uma oficina de construção metálica em bom funcionamento, do primeiro contacto com o manual técnico até à reparação de uma avaria e ao teste final. O contexto é o da indústria da construção de estruturas metálicas, da indústria da reparação e da manutenção, de obras e de oficinas: máquinas ferramentas (tornos, fresadoras, furadoras), equipamentos mecânicos, ferramentas manuais e elétricas, e os instrumentos que permitem medir, comparar e verificar tudo isto com rigor.
O percurso segue o ciclo real de um técnico de manutenção: primeiro preparar os trabalhos de manutenção (ler manuais, planos e desenho técnico, listar ferramentas), depois executar a manutenção preventiva (lubrificar, limpar, inspecionar, registar), e por fim diagnosticar e reparar quando surge uma avaria mecânica ou elétrica, testando sempre o resultado antes de devolver o equipamento à produção. Ao longo de todo o processo, cumprem se normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental.
Objetivos de aprendizagem (referencial): preparar os trabalhos de manutenção; executar a manutenção preventiva em equipamentos e ferramentas; diagnosticar e reparar equipamentos e ferramentas; cumprindo planos de conservação; assegurando a desmontagem e a montagem; ajustando o alinhamento de veios, acoplamentos, polias e engrenagens; assegurando as lubrificações de elementos mecânicos; adequando métodos de diagnóstico de avarias mecânicas e elétricas; garantindo a fiabilidade e o bom funcionamento dos equipamentos e ferramentas; respeitando as normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental.
1. Manutenção industrial: conceitos, tipos e enquadramento
Manter um equipamento é garantir que continua a funcionar como projetado, com fiabilidade e segurança, ao longo de toda a sua vida útil. Numa oficina de construção de estruturas metálicas, isto aplica se a máquinas ferramentas, equipamentos mecânicos e às próprias ferramentas de trabalho manual e elétrico.
Existem três tipos de manutenção, que convém distinguir bem:
| Tipo | Quando ocorre | Objetivo | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Preventiva | planeada, em intervalos fixos | evitar a avaria antes que aconteça | lubrificação mensal de um redutor |
| Corretiva | depois da avaria já ter ocorrido | repor o funcionamento normal | substituir um rolamento partido |
| Preditiva | com base em medições e sinais | prever a avaria antes de acontecer | medir vibração para antecipar um desgaste |
Esta UC centra se sobretudo na manutenção preventiva (cumprir planos de conservação) e, quando ainda assim surge uma falha, no diagnóstico e reparação. A manutenção corretiva não planeada é sempre a mais cara, porque para a produção sem aviso e obriga a intervenções urgentes.
Porque a manutenção é uma prioridade
- Um equipamento parado por avaria é produção parada, entregas atrasadas e custos acrescidos.
- A segurança dos operadores depende diretamente do bom estado dos equipamentos e ferramentas.
- As normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental acompanham toda a atividade de manutenção, não são um capítulo à parte.
2. Preparar os trabalhos de manutenção
Preparar é a primeira das três realizações do referencial desta UC, e é o que separa uma intervenção rápida e segura de uma intervenção improvisada e demorada.
Ler manuais e planos antes de intervir
- Interpretar manuais técnicos dos equipamentos e ferramentas: procedimentos recomendados, periodicidades, valores de referência (folgas, binários de aperto, temperaturas).
- Interpretar planos de manutenção: documentos que definem o que fazer, com que periodicidade e com que recursos, para cada equipamento.
- Organizar as etapas da intervenção antes de começar, reduzindo o tempo de paragem do equipamento.
Recursos, peças e simbologia
- Listar as ferramentas manuais e elétricas necessárias para cada tarefa, evitando interromper o trabalho a meio para ir buscar uma chave.
- Verificar necessidades de peças de reposição antes de desmontar o equipamento; um equipamento parado à espera de uma peça é um custo evitável.
- Identificar a simbologia das instalações e equipamentos: esquemas elétricos, hidráulicos e pneumáticos usam símbolos normalizados que é preciso saber ler.
- Reunir os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados e confirmar os materiais de limpeza, conservação e óleos de lubrificação que a intervenção vai exigir.
Exemplo resolvido: preparar a manutenção de um redutor
Situação: o plano de manutenção indica uma inspeção trimestral a um redutor de velocidades de uma máquina ferramenta.
- Ler o manual técnico do redutor: verificar o tipo de óleo recomendado, a quantidade e a periodicidade de substituição.
- Consultar o plano de manutenção: confirmar se esta inspeção inclui só verificação de nível ou também mudança de óleo.
- Listar ferramentas: chave de caixa para o bujão de drenagem, funil, recipiente para o óleo usado, EPI (luvas resistentes a óleo, óculos).
- Verificar peças: confirmar se há um jogo de vedantes novo em stock, caso se detete uma fuga durante a inspeção.
- Organizar a etapa: parar a máquina, sinalizar a intervenção, e só depois desapertar o bujão.
O resultado é uma intervenção mais rápida, sem paragens extra à espera de ferramentas ou peças.
3. Desenho técnico e esquemas de montagem
O desenho técnico é a linguagem gráfica normalizada da mecânica: vistas ortogonais, cortes, cotas e tolerâncias que permitem perceber como uma peça se encaixa noutra e dentro de que margem de erro é aceitável.
Elementos do desenho técnico
- Vistas ortogonais (de frente, de cima, de lado): mostram a peça em três direções complementares.
- Cortes: revelam o interior de peças complexas, como furos internos ou rasgos escondidos.
- Cotas: indicam as dimensões da peça.
- Tolerâncias: indicam a margem de erro aceitável em cada dimensão, essencial para saber se uma peça reparada ou fabricada de novo serve.
Esquemas de montagem
O esquema de montagem (ou vista explodida) mostra a ordem e a posição relativa das peças de um conjunto, tal como devem ser montadas, normalmente numerado e associado a uma lista de materiais.
Exemplo resolvido: ler um esquema de montagem
Situação: é preciso desmontar um conjunto de rolamento de um veio para substituição, seguindo o esquema de montagem do fabricante.
- Identificar no esquema, pela numeração, a ordem inversa de desmontagem: normalmente desmonta se de fora para dentro (anel de retenção, tampa, rolamento, veio).
- Confirmar no esquema se existem anilhas ou espaçadores que possam passar despercebidos.
- Fotografar ou anotar a posição original antes de desmontar, para garantir montagem correta.
- Após substituir o rolamento, montar seguindo a ordem inversa da desmontagem, verificando cada peça contra o esquema.
- Confirmar com um instrumento de metrologia (Capítulo 4) que o novo rolamento está corretamente assente.
4. Metrologia dimensional
A metrologia dimensional garante que uma peça está dentro das dimensões e tolerâncias especificadas, e é usada tanto na preparação como no diagnóstico de avarias.
| Instrumento | Mede | Resolução típica | Uso na manutenção |
|---|---|---|---|
| Craveira (paquímetro) | comprimentos, diâmetros, profundidades | 0,02 mm | verificação geral de peças |
| Micrómetro | dimensões de precisão | 0,01 mm | veios, casquilhos, tolerâncias apertadas |
| Comparador de relógio | desvios e batimentos | 0,01 mm | alinhamento, concentricidade |
| Nível de bolha / eletrónico | horizontalidade | graus / mm por metro | nivelamento de máquinas |
Exemplo resolvido: verificar o desgaste de um veio
Situação: um veio de transmissão apresenta vibração; suspeita se de desgaste na zona de apoio do rolamento.
- Consultar o manual técnico e obter o diâmetro nominal do veio nessa zona (por exemplo, 40,00 mm).
- Medir com o micrómetro em três pontos ao longo da circunferência, na zona de apoio.
- Comparar os valores medidos (por exemplo, 39,94 mm, 39,93 mm e 39,95 mm) com o valor nominal.
- Calcular o desgaste médio: 40,00 menos a média das três medições (39,94 mm) igual a 0,06 mm.
- Confrontar com a tolerância admissível indicada no manual (por exemplo, 0,05 mm máximo); como 0,06 mm excede o limite, o veio deve ser reparado ou substituído.
Sem medir, uma "reparação" é apenas uma suposição; a metrologia transforma a suspeita em decisão fundamentada.
5. Operações de bancada e em máquinas ferramentas
Operações de bancada
As operações de bancada são trabalhos manuais realizados fora da máquina ferramenta: limar, furar, rosquear, rebarbar e polir peças, usando ferramentas manuais (limas, chaves, martelos) e ferramentas elétricas portáteis (berbequim, rebarbadora).
- Fixar sempre a peça em torno de bancada antes de limar ou furar.
- Traçar e puncionar o ponto antes de furar, para garantir um furo bem posicionado.
- Usar o EPI adequado: óculos de proteção sempre; luvas apenas quando a operação não envolve ferramentas rotativas (nunca com rebarbadora).
Operações em máquinas ferramentas
Quando é preciso fabricar ou retificar uma peça de substituição, recorre se às máquinas ferramentas:
- Tornear: obter peças cilíndricas (veios, casquilhos), rodando a peça contra a ferramenta de corte.
- Fresar: obter superfícies planas, rasgos e furos com uma ferramenta rotativa.
- Furar em coluna: furos precisos e perpendiculares à superfície.
Antes de arrancar qualquer máquina, confirma se a fixação da peça (mandril, morsa, placa) e ensaia se o arranque e a paragem em vazio, só depois se trabalha com carga.
Exemplo resolvido: fabricar um casquilho de substituição
Situação: um casquilho de bronze está gasto e precisa de ser substituído; não há peça de substituição em stock.
- Medir o veio original com o micrómetro, obtendo o diâmetro exterior que o casquilho tem de acompanhar (por exemplo, 30,00 mm).
- Consultar o desenho técnico do casquilho original para obter comprimento e diâmetro interior.
- Fixar o material em bruto no mandril do torno, verificar a concentricidade e ensaiar o arranque em vazio.
- Tornear o casquilho às dimensões do desenho, verificando periodicamente com a craveira e o micrómetro.
- Após terminar, medir de novo o casquilho e confirmar que está dentro da tolerância antes de montar no equipamento.
6. Constituição da máquina ferramenta e dispositivos de aperto
Constituição e funcionamento
Uma máquina ferramenta organiza se em sistemas:
- Estrutura/bancada: base rígida que suporta todo o conjunto.
- Sistema de transmissão: veios, acoplamentos, polias, correias e engrenagens, que transmitem o movimento do motor.
- Sistema de comando: painel elétrico/eletrónico que controla velocidades e ciclos.
- Sistemas auxiliares: lubrificação, refrigeração e extração de aparas.
Os veios transmitem rotação; os acoplamentos ligam dois veios absorvendo pequenos desalinhamentos; as polias e correias transmitem movimento entre veios não alinhados; as engrenagens transmitem movimento com relação fixa e sem escorregamento. O ajuste do alinhamento destes elementos é um dos critérios de desempenho explícitos desta UC.
Dispositivos de aperto
Os dispositivos de aperto fixam a peça ou a ferramenta com segurança e precisão:
| Dispositivo | Uso típico |
|---|---|
| Mandril | peças cilíndricas no torno |
| Morsa de máquina | peças na mesa da fresadora/furadora |
| Placa magnética | peças ferrosas planas |
| Grampos e calços | peças de forma irregular |
Antes de cada utilização, verifica se o estado das garras e roscas, limpam se aparas e resíduos, e confirma se a concentricidade com um comparador em trabalhos de precisão.
7. Instalação, alinhamento e nivelamento de máquinas e equipamentos
Instalar
Instalar um equipamento novo, ou reinstalar um usado, exige mais do que ligá lo à corrente:
- Confirmar a fundação/pavimento adequado ao peso e às vibrações do equipamento.
- Verificar as ligações elétricas, pneumáticas e hidráulicas de acordo com o manual.
- Prever espaço de acesso e segurança à volta da máquina para operação e manutenção futura.
- Após instalar, ensaiar o arranque e a paragem em vazio e verificar o sentido de rotação dos motores.
Nivelar
O nivelamento garante que a base do equipamento está perfeitamente horizontal, usando nível de bolha ou eletrónico e corrigindo com calços e parafusos niveladores até ao valor de referência do manual. É sempre o primeiro passo, antes de qualquer alinhamento fino.
Alinhar
O alinhamento de veios garante que dois veios ligados por acoplamento rodam sem forçar rolamentos e vedantes. Usam se réguas e apalpa folgas, comparadores de relógio ou sistemas laser, corrigindo com calços sob os pés do motor ou da máquina.
Exemplo resolvido: nivelar e alinhar um motor acoplado a uma bomba
Situação: um motor elétrico foi reinstalado, acoplado a uma bomba hidráulica, e apresenta vibração após o arranque.
- Colocar o nível eletrónico sobre a bancada do motor; se o desvio exceder o valor de referência (por exemplo, 0,5 mm por metro), corrigir com calços.
- Reverificar o nível após apertar os parafusos de fixação, porque o aperto pode alterar a posição.
- Montar o comparador de relógio no acoplamento e rodar o veio manualmente, registando o desvio radial em quatro pontos.
- Corrigir a posição do motor com calços até o desvio ficar dentro da tolerância indicada pelo fabricante do acoplamento.
- Ensaiar o arranque, medir vibração e temperatura, e confirmar que os valores voltaram ao normal.
8. Processos de soldadura na manutenção
Na construção metálica, a soldadura é também uma ferramenta de manutenção: repara peças fissuradas, reconstrói superfícies desgastadas e une componentes de suporte que fraturaram.
| Processo | Característica | Uso típico em manutenção |
|---|---|---|
| Elétrodo revestido | versátil, ao ar livre | reparações de estrutura e suportes |
| MIG/MAG | rápido, produtivo | reparações em oficina |
| TIG | preciso, alta qualidade | peças finas e de precisão |
Segurança na soldadura de reparação
- Usar EPI específico: máscara de soldador, luvas de couro, avental e proteção respiratória quando necessário.
- Isolar a zona de trabalho com biombos e extração de fumos, protegendo colegas próximos.
- Verificar o estado dos cabos, pinças e equipamento de soldadura antes de ligar.
- Após soldar, deixar arrefecer e inspecionar visualmente o cordão antes de reintegrar a peça no equipamento.
Exemplo resolvido: reparar uma fissura numa base de máquina
Situação: foi detetada uma fissura numa base de ferro fundido de uma máquina ferramenta.
- Limpar a zona da fissura, removendo tinta, óleo e óxido, e delimitar a sua extensão.
- Escolher o elétrodo revestido adequado ao material da base, seguindo o manual de soldadura.
- Preparar o EPI completo e isolar a zona com biombos.
- Soldar em cordões sucessivos, deixando arrefecer entre passagens para reduzir tensões internas.
- Após arrefecer, inspecionar visualmente o cordão e, se disponível, verificar com líquidos penetrantes antes de recolocar a máquina em serviço.
9. Manutenção preventiva e lubrificação
O plano de manutenção preventiva
O plano de manutenção define, para cada equipamento, o que fazer, quando e como, antes que surja a avaria: lista de tarefas (limpeza, lubrificação, inspeção, substituição de consumíveis), periodicidade (diária, semanal, mensal, anual) e procedimento detalhado com valores de referência.
Executar a manutenção preventiva é seguir este plano ponto por ponto, e registar as intervenções realizadas, com data, o que foi feito e observações. Um registo bem feito revela tendências, como um filtro que suja mais depressa do que o previsto.
Lubrificação
A lubrificação reduz o atrito e o desgaste entre superfícies em movimento e ajuda a dissipar calor:
- Óleos de lubrificação: para engrenagens, guias e sistemas hidráulicos.
- Óleos de conservação: protegem superfícies contra corrosão em paragens prolongadas.
- Óleos de refrigeração e de corte: usados nas operações de máquinas ferramentas, arrefecem e lubrificam a zona de corte.
Regras práticas: seguir sempre o plano de manutenção para saber o ponto, o tipo e a quantidade; limpar o ponto de lubrificação antes de aplicar; verificar níveis de óleo regularmente; e descartar óleos usados conforme as normas de proteção ambiental.
Exemplo resolvido: elaborar uma folha de lubrificação
Situação: uma fresadora tem três pontos de lubrificação com periodicidades diferentes.
| Ponto | Lubrificante | Periodicidade | Quantidade |
|---|---|---|---|
| Guias da mesa | óleo de guias | semanal | 2 gotas por ponto |
| Rolamentos do fuso | massa lubrificante | mensal | quantidade indicada no manual |
| Redutor de velocidades | óleo de engrenagens | anual (mudança) | conforme capacidade do cárter |
- Consultar o manual técnico para confirmar tipo e periodicidade de cada ponto.
- Registar num calendário ou plano digital as datas previstas para cada tarefa.
- Após cada intervenção, registar no plano de manutenção a data e o que foi feito.
- Ao fim de alguns ciclos, comparar os registos para detetar consumo anómalo de lubrificante (sinal preditivo de fuga ou desgaste).
10. Diagnóstico de avarias, reparação e testes de funcionamento
Métodos de diagnóstico
Diagnosticar e reparar é a terceira realização da UC. Diagnosticar bem poupa tempo e evita substituir peças em bom estado:
- Ouvir e observar: ruídos, vibrações, cheiros a queimado, fugas.
- Medir: temperatura, corrente elétrica, pressão, folgas, com os instrumentos de metrologia.
- Consultar o manual: sintomas típicos e causas prováveis documentadas pelo fabricante.
- Isolar por blocos: testar sistema a sistema (elétrico, mecânico, hidráulico) até isolar a causa.
| Sintoma | Causa provável |
|---|---|
| Vibração excessiva | desalinhamento, rolamento gasto |
| Ruído metálico | folga em engrenagem ou acoplamento |
| Sobreaquecimento | falta de lubrificação, sobrecarga |
| Fuga de óleo | vedante danificado |
Reparar e testar
Depois de diagnosticada a avaria, repara se a peça ou o sistema identificado (mecânico, hidráulico ou elétrico) e ensaia se de novo o arranque e a paragem, tal como na instalação. Executar testes de funcionamento significa medir de novo os parâmetros que estavam fora de referência, e só dar o equipamento por reparado quando os testes confirmam o funcionamento normal.
Exemplo resolvido: diagnosticar um motor que sobreaquece
Situação: um motor elétrico de uma máquina ferramenta está a sobreaquecer durante a operação.
- Observar: o motor aquece mais do que o habitual ao fim de poucos minutos de trabalho.
- Medir: temperatura da carcaça com termómetro de contacto e corrente absorvida com um amperímetro.
- Consultar o manual: comparar a corrente medida com o valor nominal indicado na chapa do motor.
- Isolar por blocos: verificar primeiro a ventilação (grelhas obstruídas por pó), depois a lubrificação dos rolamentos, e só depois o enrolamento elétrico.
- Diagnóstico: grelhas de ventilação obstruídas por aparas metálicas, impedindo a dissipação de calor.
- Reparar: limpar as grelhas e o interior da carcaça.
- Testar: medir de novo a temperatura e a corrente após um período de funcionamento; confirmar que ambos voltaram aos valores de referência antes de devolver a máquina à produção.
11. Segurança, saúde no trabalho e proteção ambiental
Toda a manutenção decorre sob normas de segurança e saúde no trabalho e normas de proteção ambiental, que não são um capítulo à parte, mas atravessam cada uma das operações anteriores.
- Equipamentos de proteção individual (EPI): óculos, luvas adequadas à tarefa, calçado de proteção, proteção auditiva e respiratória quando aplicável, máscara de soldador quando se solda.
- Riscos e prevenção de acidentes: sinalizar a máquina em intervenção, cortar a energia antes de desmontar partes móveis ou elétricas, nunca trabalhar sozinho em tarefas de risco elevado.
- Materiais de limpeza e conservação usados corretamente, sem misturar produtos incompatíveis.
- Descarte de óleos, massas e resíduos conforme as normas de proteção ambiental, nunca no esgoto ou no solo.
As atitudes valorizadas nesta UC (rigor, responsabilidade, autonomia, sentido de organização, cooperação com a equipa) traduzem se, na prática, no cumprimento destas normas em cada intervenção, por mais rotineira que pareça.
Erros comuns
- Começar a desmontar sem ler o manual ou o plano de manutenção, confiando só na experiência.
- Não verificar peças de reposição antes de desmontar, deixando o equipamento parado à espera de uma peça.
- Ignorar a tolerância de uma peça e "forçar" a montagem.
- Confundir manutenção preditiva com preventiva: a preventiva segue um calendário fixo; a preditiva decide o momento com base em medições.
- Apertar parafusos de fixação sem reverificar o nivelamento a seguir, deixando o equipamento desnivelado.
- Alinhar veios só num plano e esquecer o plano perpendicular.
- Fazer a tarefa de manutenção mas não a registar, perdendo o histórico do equipamento.
- Encher em excesso um reservatório de óleo, causando sobreaquecimento e fugas.
- Trocar logo a peça mais cara "por precaução", sem confirmar a causa real da avaria.
- Devolver o equipamento à produção sem testar o funcionamento após a reparação.
Glossário
- Manutenção preventiva · intervenção planeada, feita antes de a avaria acontecer.
- Manutenção corretiva · intervenção feita depois de a avaria já ter ocorrido.
- Manutenção preditiva · intervenção decidida com base em medições e sinais do equipamento.
- Plano de manutenção · documento que define tarefas, periodicidade e procedimento para cada equipamento.
- Metrologia dimensional · conjunto de técnicas e instrumentos para medir e verificar dimensões.
- Craveira (paquímetro) · instrumento de medição de comprimentos, diâmetros e profundidades.
- Micrómetro · instrumento de medição de precisão, resolução de 0,01 mm.
- Comparador de relógio · instrumento para medir desvios e batimentos.
- Dispositivo de aperto · elemento que fixa a peça ou a ferramenta durante a operação (mandril, morsa, placa).
- Alinhamento · ajuste da posição relativa de veios e acoplamentos para rodarem sem forçar.
- Nivelamento · ajuste da base de um equipamento para ficar perfeitamente horizontal.
- EPI · equipamento de proteção individual.
- Diagnóstico de avarias · processo de identificar a causa de um mau funcionamento.
- Relatório de manutenção · registo escrito de uma intervenção realizada.
Síntese
O ciclo de manutenção desta UC começa por preparar os trabalhos (manuais, planos, desenho técnico, esquemas de montagem, ferramentas e peças), apoia se na metrologia dimensional e nas operações de bancada e de máquinas ferramentas para garantir rigor, e exige conhecer a constituição das máquinas ferramentas, os dispositivos de aperto e os procedimentos de instalação, nivelamento e alinhamento. A manutenção preventiva (lubrificação, limpeza, inspeção e registo) evita avarias, e quando ainda assim surgem, o técnico diagnostica por observação, medição e isolamento por blocos, repara (incluindo por soldadura, quando necessário) e testa o resultado antes de devolver o equipamento à produção. Tudo isto sob normas de segurança e saúde no trabalho e de proteção ambiental, e com rigor, responsabilidade e organização.
Exercícios resolvidos
1. Um técnico vai inspecionar um redutor conforme o plano de manutenção trimestral. Qual é o primeiro passo antes de tocar no equipamento?
Resolução: ler o manual técnico e o plano de manutenção do redutor, confirmando o tipo de óleo, a periodicidade e as ferramentas necessárias, e só depois organizar as etapas da intervenção.
2. Um veio deveria ter 40,00 mm de diâmetro; medido com micrómetro, a média das leituras deu 39,93 mm. A tolerância admissível é 0,05 mm. O veio está dentro da tolerância?
Resolução: o desgaste é 40,00 menos 39,93, igual a 0,07 mm. Como 0,07 mm é superior à tolerância de 0,05 mm, o veio não está dentro da tolerância e deve ser reparado ou substituído.
3. Qual a diferença entre manutenção preventiva e manutenção preditiva? Dá um exemplo de cada uma aplicado a um motor elétrico.
Resolução: a preventiva segue um calendário fixo, independentemente do estado real do equipamento (por exemplo, lubrificar os rolamentos do motor todos os meses). A preditiva decide o momento da intervenção com base em medições (por exemplo, medir a vibração do motor e substituir o rolamento quando o valor ultrapassa um limiar).
4. Depois de reinstalar um motor acoplado a uma bomba, este vibra ao arrancar. Que dois passos, por esta ordem, deves verificar primeiro?
Resolução: primeiro, nivelar a base do motor com o nível de bolha ou eletrónico; só depois, alinhar o acoplamento entre o veio do motor e o da bomba com comparador de relógio ou laser. Nivelar sempre antes de alinhar.
5. Um motor sobreaquece durante a operação. Descreve o método de diagnóstico, do sintoma à confirmação da reparação.
Resolução: observar o sintoma (aquecimento anormal), medir temperatura e corrente, consultar o manual para comparar com valores nominais, isolar por blocos (ventilação, lubrificação, enrolamento) até identificar a causa, reparar (por exemplo, limpar grelhas obstruídas) e, por fim, testar de novo temperatura e corrente antes de devolver o equipamento à produção.
6. Que três normas ou cuidados devem acompanhar qualquer operação de soldadura de reparação numa oficina?
Resolução: usar EPI específico (máscara de soldador, luvas, avental, proteção respiratória se necessário); isolar a zona de trabalho com biombos e extração de fumos; e inspecionar visualmente o cordão de soldadura antes de recolocar a peça em serviço.